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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Moçambique/Tragédia de Mbuzini foi há 29 anos

http://www.jornalnoticias.co.mz

O País rendeu ontem homenagem às vitimas da tragédia de Mbuzini, na África do Sul, na qual perdeu a vida o primeiro Presidente de Moçambique independente.

Samora Moisés Machel perdeu a vida num acidente aéreo em Mbuzinia 19 de Outubro de 1986quando regressava de Mbala, na Zâmbia, onde foi participar numa cimeira da Linha da Frente, que discutiu assuntos relacionados com a segurança regional.

Oavião presidencial moçambicano despenhou-se e junto com Samora Machel morreram 33 membros da sua comitiva, numa tragédia ainda não esclarecida.

Ontem cerimónias de deposição de coroas de flores nos monumentos aos heróis moçambicanos e actividades de índole política e cultural marcaram os vinte e nove anos da tragédia.

Em Sofala combatentes da luta de libertação nacional defenderam a necessidade de uma maior divulgação nas escolas dos ideais de Samora Machel, sustentando que

terça-feira, 21 de abril de 2015

Timor-Leste cita trabalho da CPLP para inspirar líderes asiáticos e africanos

20 abril 2015, Página Global http://paginaglobal.blogspot.com.br (Portugal)

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Timor-Leste, Hernâni Coelho, citou hoje em Jacarta o trabalho realizado na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para inspirar os líderes asiáticos e africanos a cooperarem para a prosperidade.

No discurso que proferiu diante de representantes de dezenas de países africanos e asiáticos e que foi disponibilizado à imprensa ao final do dia, o governante defendeu uma "via prática" para rejuvenescer a Nova Parceria Estratégia Ásia-África e fortalecer a Cooperação Sul-Sul, com vista a "promover a paz mundial e a prosperidade".

Vários governantes encontram-se reunidos em Jacarta para preparar a cimeira de comemoração do 60.º aniversário da Conferência Ásia-África e do 10.º aniversário da Nova Parceria Estratégia Ásia-África, onde são esperados 34 líderes das duas regiões, bem como representantes de 77 países.

"Neste espírito, Timor-Leste

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

BRICS, БРИКС/“PRÓXIMO PASSO É CRIAÇÃO DE UMA MOEDA COMUM PARA OS BRICS”

28 outubro 2014, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

BRICS Business Magazine

Diretor-geral da Corporação de Pesquisa e Produção Uralvagonzavod, Oleg Sienko fala sobre como a Rússia pode trabalhar com os seus parceiros do Brics para resolver problemas estruturais e até que ponto as sanções ocidentais colocaram a economia russa em uma situação difícil.

Brics Business Magazine: No final de setembro, o Banco Mundial publicou três cenários de médio prazo para o desenvolvimento econômico da Rússia. O melhor deles prevê baixo crescimento do PIB nos próximos anos. Entre outras coisas, os especialistas do banco apontam que não será possível obter uma maior aceleração do crescimento econômico simplesmente a mantendo a atual política de estímulo fiscal. Você concorda com essas conclusões? Como você avalia a situação atual da economia russa?

Oleg Sienko: Está longe de ser uma questão simples. Já ficou claro que

segunda-feira, 2 de junho de 2014

OTAN ABSORVE A UCRÂNIA, EXIGE MAIS DINHEIRO E MIRA NA ÁSIA

2 junho 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A ampliação e o reforço financeiro da Otan estão em curso, de acordo com a última reunião dos chefes de Estado Maior dos países membros, realizada em Bruxelas, que abordou “questões fulcrais de estratégia mesmo na presença de representantes de Estados que não integram a aliança”, revela um assessor militar bem informado sobre o encontro.

Por
Pilar Camacho, de Bruxelas para o Jornalistas sem Fronteiras 


A Ucrânia, a ex-República Iugoslava da Macedônia e a Geórgia têm “as portas abertas para ingressar na Otan”, de acordo com o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, confirmando declarações efetuadas numa visita recente aos Bálcãs. 

Sinal de que as portas não só “estão abertas como a aliança já tem novos membros mesmo antes de o serem; é o fato de o chefe do Estado Maior da Ucrânia, o general Mykhallo Kutsyn, ter participado”

segunda-feira, 10 de março de 2014

UMA ÁFRICA ESTÁVEL É O ÚNICO CAMINHO

10 março 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Adalberto Ceita

Antigo representante do arquipélago de Zanzibar junto da Internacional Socialista no Cairo, Ali Sultan Issa está entre as vozes autorizadas quando o assunto é a luta que culminou com a independência e auto-determinação das colónias africanas.


Aos 82 anos e pela primeira vez de visita a Luanda, não disfarça a emoção quando recorda figuras como Ernesto “Che” Guevara, Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Kwame Nkrumah, Marcelino dos Santos, Nelson Mandela, Oliver Thambo, Sam Nujoma e outros companheiros de luta.

Jornal de Angola - Em que circunstâncias aderiu à luta pela libertação da Tanzânia?

Ali Sultan Issa
 - Nasci a 4 de Março de 1932, na ilha de Pemba, em Zanzibar. Na infância já me interessava pela realidade social em que estava inserido. Foi aos 21 anos que decidi entrar na vida política e na luta de libertação nacional que culminou com a libertação do jugo colonial. 

JA - Quando inicia a sua ligação com o movimento pan-africano?

ASI - Nos anos 60, quando estudava ciência política em Inglaterra. Aderi ao Partido Comunista. Daí até chegar ao movimento pan-africano foi um passo inevitável. Devido às actividades que desenvolvia, recebia com frequência convites vindos de países comunistas, em particular, da União Soviética. Concluídos os estudos regressei a Zanzibar.

JA - A sua ligação ao comunismo foi bem aceite? 

ASI - As simpatias comunistas do Partido Nacional de Zanzibar, onde militava, preocupavam o Ocidente e uma vez que Zanzibar se situava dentro da esfera da influência britânica, o governo de Londres vezes sem conta tentou eliminar uma possível revolução. Durante o domínio britânico a temida revolução comunista nunca se materializou. A revolução veio depois e foi responsável pela deposição do sultão de Zanzibar e do seu governo de maioria árabe, dando lugar à República Unida da Tanzânia,

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Brasil/Jornalistas resgatam experiência da Cadernos do Terceiro Mundo e apontam necessidade de democratizar a comunicação



22 novembro 2013, NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação http://nucleopiratininga.org.br (Brasil)

Por Marina Schneider--NPC

A lembrança do papel informativo e de formação política da  revista Cadernos do Terceiro Mundo emocionou muitos participantes do 19o Curso Anual de Comunicação do NPC na noite do dia 20. A jornalista Beatriz Bissio, uma das fundadoras, diretoras e editoras da revista, fez uma apresentação com base na experiência da publicação, que existiu de 1974 a 2006 e foi pioneira na inversão dos fluxos comunicativos, promovendo uma aproximação e um conhecimento mútuo entre os “países do Sul” – da América Latina, da África e da Ásia. Bissio participou da mesa “A mídia da burguesia, a nossa e a formação das ideias” ao lado do também jornalista Gilberto Maringoni.

“Cadernos do Terceiro Mundo marcou um jornalismo de combate às ditaduras, mas era uma revista carregada de todo um ideário que queria contestar não somente as próprias ditaduras, mas sobretudo a forma como chegava a nós – e continua chegar – a visão de mundo”, apontou a jornalista.  Ela lembrou o contexto dos anos 1970 em que, no marco do movimento dos países não alinhados, passou a ser discutido o tema da eliminação das assimetrias dos fluxos informativos e se fortaleceu a crítica à falta de pluralidade das agências de notícias dos países ricos.

Este cenário foi detectado por meio de uma pesquisa extensa, ratificada pela Unesco em 1980 com a publicação do Relatório MacBride “Relatório MacBride – um mundo, muitas vozes”.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Equador/NOSSO HOMEM EM QUITO



24 junho 2013, Instituto João Goulart http://www.institutojoaogoulart.org.br (Brasil)


HONG KONG. Então, será Nosso Homem em Quito. A narrativa pode não ter a elegância das de Graham Greene, mas o enredo bate, sem dúvida, o da trilogia Bourne – porque está acontecendo ao vivo, em tempo real, bem aí à frente dos nossos olhos.

Só um ex-agente da CIA para bater a “inteligência” dos EUA – melhor dizendo, a carência de inteligência. A história da fuga de Edward Snowden, de Hong Kong, é coisa para estudar e aprender. No domingo, num restaurante de Hong Kong,[1] fui alertado por uma fonte: “Prepare-se para coisa grande; ele sairá a qualquer momento.” Em Hong Kong, eram 12h30, horário local. Na verdade, Snowden já decolara do aeroporto Chek Lap Kok, no voo SU 213, destino Moscou, às 11h. Mas ninguém sabia. Hong Kong ainda digeria a primeira página do South China Morning Post, que exibia provas ainda mais devastadoras da ciberespionagem dos EUA contra a China.

Às 14h, houve o primeiro alerta no South China Morning Post: ele estava num avião, rumo a Moscou. Telefonei à rede Russia Today em Moscou: não sabiam; e puseram-se em campo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

CUBA OU A GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: A OPERAÇÃO MILAGRE



6 junho 2013, Global Research http://www.globalresearch.ca (Canada)

 

Global Research, June 06, 2013

As medidas que Cuba e Venezuela lançaram em 2004 possibilitaram que 2 milhões de pobres recuperassem a visão


Global Research, June 06, 2013

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), há atualmente cerca de 285 milhões de pessoas vítimas de deficiência visual no mundo – entre elas, 39 milhões de cegos e 246 milhões que apresentam uma diminuição da acuidade visual. Quase 90% delas vivem em países do Terceiro Mundo. As principais causas de deficiência visual são os defeitos de refração não corrigidos (miopia, hipermetropia e astigmatismo, com 43%), a catarata (33%) e o glaucoma (2%). Cerca de 80% das deficiências visuais são curáveis,

terça-feira, 11 de junho de 2013

CUBA OU A GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: O PROGRAMA “YO, SÍ PUEDO”



6 junho 2013, Global Research http://www.globalresearch.ca (Canada)

 

 

Cuba elaborou um programa que permitiu que mais de 5 milhões de pessoas aprendessem a ler, escrever e somar



Global Research, June 06, 2013

Segundo a Unesco, há no mundo 796 milhões de adultos analfabetos, ou seja, 17% da população mundial. Mais de 98% se encontram nos países do Terceiro Mundo. Dois terços são mulheres. Os países da África subsaariana e do sul e o este da Ásia contam com “73% do déficit mundial de alfabetização de adultos”. Em cifras absolutas, o número de analfabetos nessas regiões continua crescendo. Quanto às crianças, apenas 44% estão matriculadas na pré-escola (148 milhões), ou seja, 66% não têm acesso a esse tipo de ensino (222 milhões). Em nível primário, 67 milhões de crianças não estão na escola. A Unesco lançou então um chamado para reduzir em 50% o número de analfabetos até 2015. O organismo da ONU aponta que os progressos realizados nesse campo “foram, no melhor dos casos, decepcionantes e, no pior, esporádicos”. Segundo a Unesco, “para reverter essa tendência, é necessário que os governos do mundo atuem com determinação”.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

CUBA OU A GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: O INTERNACIONALISMO HUMANITÁRIO



3 junho 2013, Global Research http://www.globalresearch.ca (Canada)

 

Desde a Revolução de 1959, Cuba elaborou uma política para ajudar países pobres; resultados são espetaculares


Global Research, June 03, 2013

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba se comprometeu a cuidar das populações pobres do planeta em nome da solidariedade internacionalista. As missões humanitárias cubanas se estendem por quatro continentes e apresentam um caráter único. Com efeito, nenhuma outra nação do mundo, nem sequer as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária no planeta. Desde seu lançamento, cerca de 132.000 médicos cubanos, além do pessoal sanitário, atuaram voluntariamente em 102 países.  No total, os médicos cubanos atenderam cerca de 100 milhões de pessoas no mundo e salvaram um milhão de vidas. Atualmente, 37.000 médicos colaboradores oferecem seus serviços em 70 nações do Terceiro Mundo.

A ajuda internacional cubana se estende a dez países da América Latina e às regiões subdesenvolvidas do planeta. Em outubro de 1998, o furacão Mitch havia assolado a América Central e o Caribe. Os chefes de Estado da região lançaram um chamado à solidariedade internacional. Segundo o PNUD, Cuba foi a primeira a responder positivamente, cancelando a dívida da Nicarágua de 50 milhões de dólares e propondo os serviços de seu pessoal sanitário.

Foi elaborado, então, o Programa Integral de Saúde, sendo ampliado a outros continentes, como África e Ásia.

terça-feira, 28 de maio de 2013

China pode ser “âncora” para retorno de Portugal à Ásia



27 maio 2013, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)

A China, com crescentes laços aos países de língua portuguesa bem como às elites económicas de outras potências emergentes asiáticas, pode servir de “âncora” para a re-aproximação de Portugal à Ásia, defende o investigador Ming K. Chan.

Numa palestra em Abril na Sociedade Histórica da Independência de Portugal

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pátria Grande/A ESTRATÉGIA DE PAZ PARA ENFRENTAR A BARBÁRIE IMPERIALISTA



15 maio 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Entre os dias 9 e 14 de abril foram realizadas em Moca, República Dominicana, na sede da Universidade de Tecnologia, dois eventos importantes promovidos pelo Conselho Mundial da Paz (CMP).

Por  Rina Bertaccini*

Uma reunião regional de trabalho das organizações do continente americano ligadas ao Conselho Mundial da Paz- CMP e uma Conferência Continental pela Paz e Direitos Humanos " presidente Hugo Chávez" com o caráter de homenagem ao líder da Revolução Bolivariana. A presença de pelo menos duas centenas de jovens que lotaram a sala de reuniões foi um fator de animação permanente e de discussões, consequência exitosa dos esforços feitos pela União Dominicana de Jornalistas pela Paz anfitriã destas reuniões.

Ambos os eventos aconteceram em um momento de tensão internacional aguda

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Brasil/Socorro Gomes: "América Latina tem vocação para a paz"

21 Junho 2011, Vermelho http://www.vermelho.org.br

Durante a Conferência Internacional “A Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz”, realizada nos dias 17 e 18 últimos, Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, entidade promotora do evento, destacou o momento histórico de grandes transformações progressistas que a América Latina está vivendo.

Socorro Gomes recebe homenagem de representante da Palestina durante Conferência Internacional sobre a Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz

Entre estas transformações, está, segundo ela, o aumento das convicções dos povos de que “a América Latina tem vocação para a Paz”. A presidente do CMP denunciou a crescente militarização “imposta pelos Estados Unidos e seus aliados, por terra, mar e ar, que gera insegurança e é uma ameaça constante às nossas soberanias”.

Por outro lado, Socorro observou o crescimento da luta pela integração dos povos latino-americanos “no rumo de um objetivo comum, que é a autodeterminação, a soberania plena dos países da região para o progresso da humanidade” .

O pronunciamento da dirigente também incluiu um balanço da luta pela paz nos últimos anos, “mobilizando gente de todos os quadrantes do planeta”. Ela assinala que “o próprio povo dos Estados Unidos rejeita o belicismo desenvolvido por seus governos”, dando como exemplo a conferência de Seatle, “um momento exemplar”, e constatando que no cotidiano daquele país há mais e mais manifestações em defesa dos direitos humanos e da paz. O mesmo ocorre na Europa, segundo ela, onde cresce a olhos vistos o movimento por um mundo melhor, resistindo aos ataque aos direitos dos trabalhadores e à paz.

Socorro Gomes destacou ainda que a humanidade vive um contexto em que crescem as agressões do imperialismo dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao redor do mundo. O Norte da África, o Oriente Médio e boa parte da Ásia e das Américas sofrem todos os dias novas agressões, com invasões de países, bombardeios atingindo populações civis, espalhando o terror, a morte e a destruição em todos os quadrantes.

Ela repudiou as agressões contra a Líbia e o agigantamento da máquina de guerra dos Estados Unidos, sobre a qual fez minuciosa análise baseada em dados da atualidade.

Leia a íntegra do pronunciamento da presidente do Conselho Mundial da Paz:

Esta Conferência ocorre em um momento histórico, muito importante para a América Latina. As conquistas na luta anti-imperialista nessa região têm sido marcantes, a começar pela decisão de povos que elegeram governantes com uma postura mais altiva, em defesa da soberania de suas nações.

Com isso, cresce também em toda a região a consciência de que a América Latina tem vocação para a Paz. A pressão do imperialismo, no entanto, muitas vezes traz instabilidade e até provoca conflitos nessa parte do mundo. A militarização imposta pelos Estados Unidos e seus aliados, por terra, mar e ar, gera insegurança e é uma ameaça constante às nossas soberanias.

Por outro lado, contudo, cresce a luta e pela integração dos povos latino-americanos no rumo de um objetivo comum, que é a autodeterminação, a soberania plena dos países da região para o progresso da humanidade. A integração solidária progressista joga nisso um importante papel. Todos sabem, porém, que essa tarefa não fácil. Mas temos certeza de que ela é possível.

A incessante luta pela Paz no mundo tem mobilizado gente de todos os quadrantes do Planeta. Vemos isso nos eventos internacionais que se repetem num volume crescente e reforçam, dia após dia, a consciência de que as novas gerações só conseguirão um futuro de progresso e justiça se conseguirmos a Paz.

O próprio povo dos Estados Unidos rejeita o belicismo desenvolvido por seus governos. A conferência de Seattle foi um momento exemplar, mas no cotidiano daquele país há mais e mais manifestações em defesa dos direitos humanos e da Paz. O mesmo ocorre na Europa, onde cresce a olhos vistos o movimento por um mundo melhor, resistindo aos ataque aos direitos dos trabalhadores e à Paz.

Ano após ano, o Fórum Social Mundial avança no sentido de aparar diferenças e fazer com que o movimento popular cresça no mundo inteiro, no caminho da justiça, soberania e da Paz.

Por todas essas razões é que estamos aqui, agora, para tratarmos da integração latino-americana e da luta pela Paz. Sairemos daqui com propostas concretas de ações que nos levem a cumprir os objetivos aqui propostos. Disso eu tenho certeza. E, ao tratarmos de um tema aparentemente regional, estamos, em verdade, debatendo o panorama mundial.

Vivemos em um contexto em que crescem as agressões do imperialismo dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao redor do mundo. O Norte da África, o Oriente Médio e boa parte da Ásia e das Américas sofrem todos os dias novas agressões, com invasões de países, bombardeios atingindo populações civis, espalhando o terror, a morte e a destruição em todos os quadrantes.

As agressões contra a Líbia, que extrapolam todos os princípios de soberania e autodeterminação dos povos, com bombardeios que atingem e matam populações civis, numa ciranda de horror e crime contra a humanidade. A decisão inicial do Conselho de Segurança da ONU, de criar uma zona de exclusão aérea na Líbia, abriu caminho para uma guerra de pilhagem, que hoje se aplica também no caso da Síria. São ações que apenas reproduzem uma política que há muito o imperialismo vem praticando naquela região. Mas não é só naquela parte do mundo.

Na Ásia, persiste a presença avassaladora no Afeganistão, com sérias agressões também ao Paquistão. A Paz não voltará a essa região enquanto não forem retiradas as tropas americanas que ali implantaram medo e terror. O controle físico desses territórios, com pesados armamentos, espalhando morte, destruição e permanente pressão psicológica não podem mais ser tolerados.

Falam em defesa de civis quando destroem países e assassinam milhares de civis como no Iraque, Afeganistão e Paquistão, e sustentam o genocida estado sionista de Israel contra o povo palestino.

Os maiores crimes contra a humanidade foram cometidos pelos EUA com o lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki e nunca foram punidos. O povo do Vietnã sofre até hoje as consequências do lançamento do agente laranja sobre essa nação.

Os argumentos que as potências imperialistas usam se contradizem com suas próprias ações no continente asiático. E a permanente presença no Japão, onde suas inúmeras bases, explícitas e camufladas, humilham aquele povo e servem para um amplo controle militar de toda região.

Hoje, se alguém encostar aleatoriamente o dedo sobre o mapa do mundo, por certo indicará uma alguma base militar das grandes potências. São tantas as instalações belicistas dos Estados Unidos (EUA) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que todos os países do mundo são vigiados e intimidados de perto a todo instante.

Também os oceanos e mares estão, todos eles, repletos de embarcações militares imperialistas, prontas a entrar em operação a qualquer momento, em qualquer lugar. São forças que se movimentam constantemente, num tenebroso e ameaçador desfile da arrogância e da prepotência. Um exemplo maior desse crescente controle é o assustador aumento da presença da marinha americana no Oceano Índico.

E no campo nuclear, que serve de justificativa para invasões e agressões, o setor tem recebido permanente incentivo do governo de Barack Obama. Não é possível hoje se dimensionar com segurança o tamanho do arsenal nuclear dos Estados Unidos. Mas é certo que se trata de uma ameaça permanente a toda a Humanidade.

As armas nucleares, que são fundamentais na atual corrida armamentista, são uma ameaça muito maior do que as mudanças climáticas que assombram o mundo. Se fosse detonada uma mínima parcela das 23 mil ogivas atômicas armazenadas, a humanidade seria extinta. A resolução da Assembleia Geral da ONU, de janeiro de 1946, que determina a eliminação das armas nucleares, jamais foi cumprida pelos Estados Unidos e seus aliados, que inclui o Estado de Israel, o único no Oriente Médio que tem bombas atômicas.

Vivemos em um mundo que é como se as famílias de nossas comunidades urbanas e rurais dormissem todas as noites com um policial armado em suas portas e telhados. Pois é desta forma que as nações do mundo são tratadas, com o agravante de que esses países centrais, apesar da crise econômica instalada em 2009, aumentaram de forma assustadora os gastos com armas e ações militares em 2010 e início de 2011. Especialmente os Estados Unidos.

Segundo confirma o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), durante o pior ano desta crise econômica, que foi 2009, o governo de Washington aumentou em 7,2% seus gastos em equipamento militar. Isto significa um gasto de 661 bilhões de dólares, ou seja, 41 bilhões de dólares a mais do que no ano anterior.

A estrutura das Forças Armadas dos Estados Unidos, que é diferente da maioria das demais nações do mundo, facilita nos dias atuais a manutenção de suas perto de mil bases militares espalhadas pelo mundo. Há um comando fechado, mas descentralizada, com tentáculos ágeis e com grande autonomia de ação.

Essa estrutura é dividida de modo a confundir sua forma de ação. O exército dos Estados Unidos é uma só força, mantendo em atividade, em março de 2011, cerca de 380 mil componentes, entre homens, mulheres e pessoal administrativo.

São gastos extraordinários com pessoal, hoje só comparáveis aos picos ocorridos na Segunda Grande Guerra e nas guerras da Coreia e do Vietnã. Os dados oficiais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos dão conta de um contingente de cerca de 2,4 milhões de pessoas engajadas. Desse total, 1,5 milhão está em serviço militar regular, mas outros 900 mil são considerados “adicionais”. Ou seja, são mercenários empregados em ações pelo mundo afora.

Os maiores contingentes estão no Afeganistão (71 mil pessoas), Iraque (50 mil), Alemanha (53 mil), Japão (36 mil), República da Coreia (30 mil). Mas um enorme efetivo está espalhado por 135 países onde existem cerca de 850 bases das Forças Armadas daquele país.

Na parte aérea existe a United States Air Force, que mantém um efetivo de 40 mil homens e cerca de 2 mil aviões e helicópteros. Entretanto, essa força só cuida das atividades a partir de solo firme, ou seja, as aeronaves operadas a partir de navios porta-aviões são da Marinha.

E a Marinha, que é a mais expansiva e tentacular das três armas dos Estados Unidos, é dividida em três partes. A primeira é a Marinha, com suas amedrontadoras frotas de navios de guerra e os porta-aviões. A segunda é dos famigerados Mariners, que operam em terra, a partir de apoio naval. E a terceira é a Guarda Costeira, com forças regulares que se confundem com as do Exército.

O plano militar dos EUA, já no governo Obama, aprofunda as determinações hegemônicas da maior potência agressora do planeta, explicitado no relatório quadrienal de revisão da política de defesa, QDR, de fevereiro de 2010, e a revisão da política nuclear, NPR, de abril de 2010.

O novo governo, além de aprovar um orçamento militar que é superior ao de todos os demais países do mundo somados, explicita um leque de objetivos que acentua o aspecto militar como instrumento da hegemonia estadunidense no mundo. O relatório proclama que “os interesses dos Estados Unidos e seu papel no mundo exigem Forças Armadas com capacidade a tudo que se conhece”, defende que “o domínio continuado das Forças Armadas norte-americanas nas guerras de larga escala de exército contra exército”.

Tais propósitos são traduzidos num vasto elenco de metas militares, que são: “expandir a capacidade de ataque de longa distância, explorar as vantagens das operações subterrâneas, garantir o acesso ao espaço e ao uso de recursos espaciais”, etc.

Entre as metas militares, o QDR acentua a presença das forças militares dos EUA em todo o mundo. São ameaças que colocam para os partidários da Paz a necessidade de ampliar e aprofundar a Luta em defesa da Paz, indissociável da Luta por soberania e autodeterminação dos povos.

É condição fundamental para a própria sobrevivência da Humanidade o desmonte da máquina de horrores e destruição, assim é que o Conselho Mundial da Paz tem promovido e apoiado campanhas pelo desmantelamento da Otan, pelo desmonte das bases militares estrangeiras nos países em todo o mundo, a começar pela de Guantânamo, em Cuba, um verdadeiro campo de concentração, bem como pela destruição total das armas nucleares.

Também é urgente o fim do boicote econômico a Cuba, agora aplicado também em outros países, como a Venezuela. Da mesma forma, devem ser colocados em liberdade os cinco patriotas cubanos presos e maltratados nos Estados Unidos por lutarem contra o terrorismo.

A Humanidade não pode mais conviver com as ameaças e o terrorismo contra povos e nações que é inerente à natureza imperialista. Uma Terceira Guerra Mundial certamente significaria o fim da Humanidade.

O CMP sinaliza para a necessidade cada vez mais forte de unificarmos de cada vez mais unificarmos nossa luta nos diversos continentes.

Pelo Estado da Palestina já!
Fora as bases militares estrangeiras!
Viva a Paz e a Solidariedade entre os povos!
Muito obrigada!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Brasil e China criaram grupo de trabalho para analisar substituição do dólar nas trocas comerciais

Macau, China, 16 setembro 2009 – O Brasil e a China criaram um grupo de trabalho para analisar a viabilidade da implementação de um programa de comércio bilateral nas respectivas moedas em substituição do dólar americano, segundo disse terça-feira à Lusa fonte do Banco Central brasileiro.

“As negociações estão ainda numa fase inicial, tendo sido criado um grupo de trabalho com representantes do Brasil e da China que tiveram ainda apenas uma reunião durante o G2O em Londres”, explicou a fonte.

O próximo passo poderá passar pela deslocação de uma delegação do Banco Central do Brasil à China, acrescentou.

O grupo de trabalho irá analisar os “resultados que estão a ser alcançados através de um acordo que a China estabeleceu recentemente com a Argentina” - o primeiro país da América do Sul a beneficiar das trocas comerciais na respectiva moeda com a China e com quem o Brasil também desenvolve o mesmo programa desde Setembro de 2008.

Os bancos centrais da China e do Brasil vão ainda fazer um “levantamento do potencial volume de negócios bilaterais para verificarem a viabilidade de um futuro acordo”.

Um acordo com a China deverá beneficiar, essencialmente, os pequenos exportadores, ao permitir uma redução de custos, enquanto que os grandes exportadores deverão continuar a recorrer ao dólar americano.

Até agora, apenas as empresas de dez países da Associação das Nações do Sudeste Asiático estão autorizadas a realizar trocas comerciais em renmimbi com empresas de cinco cidades do continente chinês, Hong Kong e Macau, sob um programa piloto que arrancou em Julho e que envolve no total 400 empresas.

Em Abril, a China destronou os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil, tornando-se também no principal destino das suas exportações, sobretudo ferro, petróleo, cereais e pasta de papel. (macauhub)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Brasil/“GOVERNOS DOS PAÍSES RICOS SÃO CULPADOS PELA CRISE”, diz Lula

15 setembro 2009/Página Um

Américo Martins - Editor-executivo da BBC para as Américas

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou duramente os "países ricos", o G8 e outros organismos internacionais, e responsabilizou os governos de países desenvolvidos pela crise econômica mundial.

"Os governos dos países ricos são os culpados (pela crise) por que não cuidaram da regulamentação do mercado", disse o presidente, em entrevista exclusiva à BBC sobre o colapso do sistema financeiro global.

Lula se posicionou como uma espécie de porta-voz informal dos países em desenvolvimento desde o começo da crise. Ele vem defendendo o que acredita ser os interesses dos pobres em lugares como América Latina, África e Ásia, pedindo mudanças no sistema financeiro global.

Na entrevista com a BBC, Lula afirmou que os governos dos países ricos "sabiam como dar palpite em tudo sobre a economia dos países em desenvolvimento. Agora, quando a dor de barriga aconteceu com eles, eles não sabiam como agir".

Suas críticas também foram dirigidas a instituições econômicas internacionais: "O FMI não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. O Banco Mundial não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. E os governos também não tinham!”

'Banqueiros de olhos azuis'

O presidente Lula também insistiu em afirmar que a crise foi criada por banqueiros brancos de olhos azuis no mundo rico. A expressão causou polêmica quando o líder brasileiro a pronunciou pela primeira vez, em março deste ano, ao lado de Gordon Brown, durante visita do primeiro-ministro britânico a Brasília.

Àquela época, Lula foi criticado por ter usado a expressão, considerada por muitos como inapropriada, quase racista. Durante essa entrevista, gravada para a série especial "The Love of Money", da BBC 2, o presidente disse que não se arrependia, e voltou a falar da mesma forma.

"Aquilo que eu queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. O que eu quis dizer era que não eram os índios ou os negros que deveriam pagar a conta (pela crise), mas sim os responsáveis pela crise, que eram os banqueiros de olhos azuis. E que não jogassem a culpa em cima dos pobres do mundo, como sempre acontece quando tem uma crise econômica", disse Lula.

O presidente, entretanto, parece muito confiante em que os líderes do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) consigam encontrar soluções para a crise, se continuarem a trabalhar juntos.

Eles se encontrarão novamente para discutir a crise em Pittsburgh, nos EUA, nos dias 24 e 25 de setembro, e o Brasil espera influenciar o debate, pedindo a consolidação do grupo e mais mudanças no sistema financeiro.

Lula defendeu o grupo, afirmando que o G20 está se tornando um fórum extremamente importante para debater e encontrar soluções para a economia. Ele também argumenta, entretanto, que o grupo deve ampliar seus objetivos e começar a discutir e implementar políticas para acelerar o desenvolvimento de países pobres.

"Espero que não seja um fórum apenas para resolver o problema da crise. Os pobres do mundo, os emergentes do mundo são chamados apenas para resolver o problema da crise e, quando a crise terminar, acaba-se com o G-20 e volta ao G-8".

De acordo com o presidente brasileiro, o G8 não tem credibilidade para lidar com os novos desafios da economia global.

"O problema é que o G-8 é um clube fechado. Do ponto de vista da discussão da crise econômica, acho que o G8 não tem legitimidade", disse ele. Leia abaixo a entrevista do presidente Lula à BBC.

BBC - Dia 15 de setembro de 2008. O banco de investimentos Lehman Brothers quebra. O senhor pode me contar como foi informado da quebra? Como o senhor recebeu a notícia? Qual foi o impacto dela?

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - A notícia foi dada com muito destaque em todos os meios de comunicação do Brasil. Lembro que no dia seguinte fizemos uma reunião com o Ministério da Fazenda e o Banco Central para discutir os efeitos da quebra do Lehman Brothers. E, na verdade, o que constatamos é que a quebra do Lehman Brothers era apenas o resultado de um modelo econômico que estava falindo, de um modelo baseado na especulação financeira, que tinha dado sinais muito fortes (de fragilidade) um ano antes. Lembro que estava no Panamá quando saíram as primeiras notícias do subprime, dos títulos imobiliários americanos, eu estava numa reunião empresarial. Alguns empresários ficaram preocupados, alguns brasileiros, e comecei a brincar, perguntando se alguns deles tinham dinheiro aplicado no subprime. A partir dali fazíamos reuniões mensais (de avaliação da crise do subprime) no Brasil, até que quebrou o Lehman Brothers. Aí acho que chegamos ao ápice da crise porque, com a quebra do Lehman Brothers, a sequência natural foi a extinção do crédito internacional. Acabou o crédito para todo mundo, sumiram os dólares que estavam passeando pelo mundo. Diziam que havia trilhões e trilhões de dólares atravessando o oceano e, de repente, desapareceram esses dólares. Não tinha mais crédito no mundo e isso teve, inclusive no Brasil, efeitos muito desastrosos.

BBC - Especificamente no dia ou no dia seguinte, com quem o senhor conversou? Em que momento o senhor entrou em contato com os Estados Unidos, por exemplo? Quem é que lhe deu a notícia?

Lula - Na verdade não entrei em contato com os EUA porque havia contatos do ministro da Fazenda brasileiro com o ministro americano, do presidente do Banco Central brasileiro com o do Banco Central americano. Minha conversa era diretamente com o pessoal da área econômica brasileira. Começamos a sentir problemas mais sérios, como a falta de crédito. Empresas como Petrobras, Vale do Rio Doce, tinham problemas de tomar dinheiro lá fora. Nossos exportadores começaram a ter problemas e problemas. Antes fazíamos uma avaliação de que a crise chegaria no Brasil com um efeito muito pequeno. Não apenas economistas do governo, mas economistas da oposição. Todo mundo dizia que por conta do subprime a crise seria muito pequena no Brasil. Até que quebra o Lehman Brothers. O que aconteceu? Tivemos em setembro, outubro, novembro e dezembro muito pânico junto ao empresariado brasileiro, aos meios de comunicação. Acho que houve um exagero de setores empresariais brasileiros. Como a indústria automobilística, que deu férias coletivas no final do ano, ficou praticamente um mês sem produzir para desovar o estoque. (Isso) causou um impacto muito grande no PIB industrial, coisa que não precisaria ter causado. Alguns empresários que estavam com projetos de investimentos já aprovados pelo BNDES pararam para ver o que estava acontecendo. E aí todo mundo começou a ficar com medo. Fui à TV no dia 22 de dezembro convocar o povo a comprar, porque dizia-se que se o povo comprasse, fizesse dívida e ficasse desempregado, não teria como pagar. Eu fui dizer que se ele não comprasse poderia perder o emprego, porque a economia ficaria atrofiada. O dado concreto é que no comércio varejista continuamos crescendo. Ninguém reclamou. O povo continuou consumindo e o Estado continuou fazendo seus investimentos, ou seja, a crise se deu exatamente na iniciativa privada, no sistema financeiro, no crédito internacional. Porque também os bancos brasileiros não estavam subordinados à especulação como estava a economia internacional. Porque nós temos uma regulamentação em que o sistema financeiro só pode alavancar até 10 vezes seu patrimônio líquido, quando no exterior você poderia especular 30 vezes, 35 vezes.

BBC - Voltando um pouco, presidente, em que momento exatamente o senhor se deu conta de que crise poderia bater forte no Brasil?

Lula - O momento mais duro foi quando vi a Petrobras ir à Caixa Econômica tomar dinheiro emprestado, competindo com pequenos empresários. E por que a Petrobras foi à Caixa Econômica? Porque não tinha crédito fora (do Brasil). Agora imagine você, uma empresa como a Petrobras, com valor patrimonial de mais de US$ 200 bilhões, não conseguir empréstimo no exterior é porque a coisa estava realmente muito ruim. Bem, depois disso, eu acredito que tomamos algumas decisões importantes. É importante lembrar que havíamos criado o PAC em 2007. Não se falava em crise quando adotamos o maior programa de investimentos em obras de infraestrutura já feito no Brasil. Eram US$ 304 bilhões previstos até 2010 na área de infraestrutura, na área de saneamento básico, na área de habitação. Quando a crise se aprofundou, começamos a tomar medidas anticíclicas, que permitiram que a economia brasileira fosse analisada como a que tinha entrado por último na crise, e que poderia sair primeiro da crise. E isso nos deixou mais otimistas. Alguns setores empresariais começaram a fazer mais investimentos. Em reuniões com o BNDES provoquei meu amigo Luciano Coutinho (presidente do banco) para que chamasse os empresários que tinham investimentos financiados pelo BNDES a começar a tocar as obras. Em todas as obras de infraestrutura, acordamos para que as empresas contratassem dois ou três turnos, para que a gente pudesse gerar os empregos que a economia precisava. E penso que isso conseguiu estabilizar. No primeiro semestre de 2009, por exemplo, a indústria automobilística vendeu mais que no mesmo período de 2008. Porque nós demos incentivos. Abrimos mão de determinados tributos para fomentar a linha branca, geladeira, máquina, fogões, carros, material de construção civil. Lançamos um programa muito grande de construção, de um milhão de casas, para incentivar a construção civil. Tudo isso permitiu que nós, sem abrir mão de nenhum centavo na política social, sem abrir mão de um centavo no PAC, criássemos mais políticas de investimento para enfrentar a crise. Porque nós também entendíamos que era uma crise diferente. Não era uma crise de contenção ou de ajuste fiscal, era uma crise de investimento. Era uma crise na qual o Estado deveria aparecer como sujeito da história. O Estado precisava fazer aquilo que a iniciativa privada não conseguia fazer. E, graças a Deus, nós conseguimos dar passos importantes.

BBC - Na sua opinião, quais foram os fatores que levaram a essa crise?

Lula - Acho que a primeira coisa foi a falta de regulamentação do sistema financeiro. Quando você tinha crise na Ásia, na Rússia, no Brasil ou no México, eram crises de países em desenvolvimento. As pessoas não davam muita importância, exigiam que os países fizessem ajustes fiscais muito fortes, a economia ficava atrofiada, até falamos de década perdida. No fundo foram duas décadas perdidas na América do Sul. Essa crise acontece quando todos os países da América do Sul, da América Latina, vivem um momento excepcional de crescimento. E a especulação, bancada pelos países ricos, é que levou a essa crise. Não havia nenhuma regulamentação no sistema financeiro. O que justificou o preço da soja e de outras commodities subirem de forma astronômica, sem nenhum critério, a não ser a especulação financeira? As pessoas estavam fugindo do subprime e entraram no mercado futuro de commodities. Quando os preços das commodities começam a voltar à normalidade, começa a especulação imobiliária nos Estados Unidos. E, depois disso, começamos a saber que os bancos não tinham a menor regulamentação. Acho que foi uma lição de vida para todo mundo. O sistema financeiro não pode deixar de ter regulamentação. E o Estado não pode deixar de ter um papel importante, de indutor e regulador da economia dos países. Aquela tese do Consenso de Washington de que o Estado tem que ser mínimo, de que o Estado não pode nada, de que o Estado atrapalha e de que o mercado podia tudo acabou! Acabou porque, quando o sistema financeiro quebrou, quem era o paizão que tinha que ajudar? Era o Estado. Foi o Estado americano que teve que colocar dinheiro, o Estado brasileiro que teve que colocar dinheiro, o Estado alemão que teve que colocar dinheiro. Penso que agora as pessoas estão percebendo que o Estado tem um papel extraordinário no equilíbrio das relações econômicas internas e externas.

BBC - Essas foram as causas. Quem são os responsáveis por isso?

Lula - São os governos. Os governos, que não cuidaram da regulamentação.

BBC - Que governos especificamente?

Lula - Veja, não tem uma pessoa. É um sistema. Não era possível que os bancos continuassem ganhando dinheiro sem produzir uma caneta, uma folha de papel, um sapato. Apenas especulando, especulando. Era o papel A que passava para a mão do banqueiro B, depois o papel C passava para mão do B, ou seja, o mesmo papel fazia muita gente ganhar dinheiro sem produzir uma peça qualquer.

BBC - Sim a culpa é dos governos. Mas de todos os governos? Ou dos governos dos países ricos?

Lula - Acho que nesse caso é dos países ricos. Por quê? Porque acreditaram durante décadas que o mercado por si só resolveria todos os problemas. Aí quando o mercado se mostrou frágil, incompetente, aí os Estados começaram a perceber que tinham que agir. E agir fortemente. E no Brasil nós não vacilamos. No Brasil nós tomamos as medidas que tínhamos que tomar para permitir que a economia se recuperasse mais rapidamente. Os países ricos são os mais culpados porque sabiam dar palpite em tudo sobre a economia dos países em desenvolvimento. Agora, quando a dor de barriga aconteceu com eles, eles não sabiam como agir. O FMI não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. O Banco Mundial não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. E os governos também não tinham! Daí a importância das decisões que foram tomadas, de articular o G20. O G8 já não resolvia mais o problema da crise econômica, até porque eram os países do G8 que tinham a maior responsabilidade pela crise financeira. E eles sabiam que a irracionalidade do sistema financeiro deles ia causar prejuízos mais fortes nos países mais pobres, sobretudo nos países da África, e aí se criou o G20, que, acho, começou a encaminhar soluções importantes para o problema da crise econômica.

BBC - Do seu ponto de vista, o Brasil fez toda a lição de casa, estava num grande momento, ia explodir e acontece a crise. Como o senhor pessoalmente se sentiu quando percebeu que, apesar de ter feito toda a lição de casa...

Lula - Essa é uma coisa muito engraçada porque, no mês de junho (de 2008), fizemos uma reunião da equipe econômica e da coordenação de governo, nós estávamos preocupados com o excesso de crescimento do Brasil. Ou seja, estávamos com um olho na inflação e, ao mesmo tempo, com um olho no alto consumo brasileiro. A indústria automobilística estava vendendo muito, o povo estava comprando muito, e eu sei que me foi feita a sugestão de que a gente começasse a fazer um pouco de contenção no consumo. E eu dizia que a gente não poderia fazer contenção no consumo, porque se a gente aumentasse o preço do carro, diminuísse a quantidade de prestações, criasse o IOF, a gente ia dar injeção na veia para desativar a economia brasileira, e eu não queria. E aí veio a crise, sabe, desativou por conta própria. Eu diria um pouco porque ela foi muito forte e um pouco porque muitos empresários brasileiros ficaram com medo. Essa é a verdade. Nós tivemos 50% ou 60% de crise e nós tivemos 40% de pânico. Muitas pessoas agiram de forma precipitada no enfrentamento da crise, sobretudo os investidores. E no governo nos resolvemos, então, tomar as medidas que tínhamos que tomar.

BBC - Mas como o senhor se sentiu, pessoalmente, quando o senhor percebeu...

Lula - Eu me senti decepcionado. Porque depois de 20 anos sem crescimento econômico, depois de o Brasil fazer tudo o que tinha que fazer, depois de a gente estabilizar a economia brasileira, depois de a gente controlar a inflação, depois de a gente lançar um programa de desenvolvimento... Não apenas o Brasil mas toda a América do Sul e América Latina vinham vivendo um momento de ouro. As economias cresciam acima de 5% em todos os países e, de repente, nós, que passamos a vida inteira sofrendo a amargura da instabilidade, quando estávamos estáveis, o mundo rico, que parecia estável, estava instável. Houve uma mudança de comportamento nas crises e foi muito decepcionante para países da América do Sul, países africanos, da América Latina, porque nós estamos sendo vítimas da irresponsabilidade dos países ricos.

BBC - Vamos então para o G20, um assunto que o senhor já tocou. Antes da reunião do G20, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, visitou o Brasil, numa preparação para o G20. E, ao lado dele, o senhor deu aquela famosa declaração de que a responsabilidade da crise é dos banqueiros brancos de olhos azuis. O que o senhor queria dizer com aquela frase, dita ao lado do primeiro-ministro da Grã-Bretanha?

Lula - Aquilo que eu queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. Porque o que é que tem acontecido na Europa? Muitos países, para resolver o problema da crise, estão dificultando a vida dos imigrantes. Ou seja, os pobres do mundo que trabalham no mundo rico são as primeiras vítimas da crise econômica. Tem muita gente que faz até campanha, dizendo que é preciso diminuir a migração para que sobre emprego para os europeus em detrimento aos pobres do mundo que estão aqui (na Europa). O que eu quis dizer era que não eram os índios ou os negros que deveriam pagar a conta mas sim os responsáveis pela crise, que eram os banqueiros de olhos azuis. Ou seja, não eram os índios, não eram os negros, sabe, não eram os asiáticos que estavam aqui, não era povo pobre do mundo árabe. Eram os ricos que tinham sido responsáveis pela crise. E que não jogassem a culpa em cima dos pobres do mundo, como sempre acontece quando tem uma crise econômica.

BBC - Tinha algum significado especial o senhor falar aquela frase ao lado do primeiro-ministro Gordon Brown? O tom da pergunta é porque na Grã-Bretanha isso foi interpretado como um sinal de fraqueza do Gordon Brown. Ele vai visitar o mundo e encontra um líder de uma grande nação criticando os países ricos. Ele não tem olhos azuis, mas é branco e tido como um dos responsáveis pela crise...

Lula - Eu jamais teria a intenção de ofender o Gordon Brown, por quem tenho um profundo respeito. Foi um homem que, enquanto ministro da Economia do Reino Unido defendeu o Brasil e foi solidário com meu governo desde o momento em que tomei posse. Eu jamais teria interesse em fazer qualquer ofensa ao Gordon Brown. O que eu fiz foi uma relação entre os pobres do mundo, que iriam ser vítimas da crise, e os ricos do mundo, que causaram a crise.

Clique Leia mais: 'G8 não tem legitimidade para discutir crise econômica', diz Lula

Moçambique vai proibir exportação de ouro em bruto

14 setembro 2009/Rádio Moçambique (RM)

O Governo moçambicano vai interditar ainda este ano a exportação de ouro em bruto, medida que prevê que reduza a comercialização informal e contrabando do mineral.

Abdul Razak, vice-ministro dos recursos minerais, diz que o país tem registado grandes perdas monetárias com a saída em bruto do mineral precioso e acrescenta que estão em curso acções para conter a situação.

"O país vai deixar de exportar ouro em bruto, e esperamos com isso poder ter mais controlo e maximizar os ganhos referentes à venda do mesmo, pois será um autêntico valor acrescentado à economia moçambicana", diz Abdul Razak.

Para tal entra em funcionamento até finais deste mês uma indústria de refinaria de ouro no distrito de Manica, província com o mesmo nome, num investimento privado sul-africano avaliado em cerca de 17,5 milhões de dólares (12 milhões de euros).

Numa fase piloto a fábrica de processamento de ouro, da empresa Tsozo Refinary, cuja estrutura já está concluída, vai processar 40 quilos de ouro em cada três horas, prevendo dobrar a produção quando entrar em pleno funcionamento, até ao final deste ano.

A empresa já montou vários postos de compra nas áreas de exploração mineira nas províncias de Manica e Tete (centro), e de forma faseada deverá chegar a todas as áreas mineiras potenciais fornecedoras de ouro, assegura Christo Bezarmanis, um dos administradores da fábrica. "Acho que com a fábrica a funcionar iremos baixar a comercialização ilegal do ouro, e as comunidades mineiras terão mercado para colocar o seu produto.

“Assim podemos controlar a saída desenfreada de ouro e em estado bruto", diz Christo Bezarmanis.

Ainda no quadro da necessidade de acabar com a exportação de ouro em bruto será aberto em paralelo, na província de Nampula, um centro de gemologia e lapidação, segundo Abdul Razak, que falava à margem da segunda parte da nona conferencia internacional de Mineração Artesanal e de Pequena Escala, que termina hoje em Chimoio, centro do país.

A reunião, com mais de 100 delegados representantes de 55 países de África, Europa, Ásia e América, serve para que peritos internacionais troquem experiências, procurando as melhores práticas e mais sustentáveis para tornar viável a exploração mineira artesanal.

Nos últimos tempos o Governo tem vindo a adoptar medidas tendentes a mitigar os efeitos negativos da actividade e a apoiar a constituição de associações.

Com base neste trabalho foram identificadas 61 associações, algumas das quais já formalizadas e outras em processo ao nível do país, a maior parte em Manica.

Calcula-se que cerca de 1.500 garimpeiros estejam envolvidos na actividade artesanal de exploração mineira na província de Manica.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Companhia de navegação dinamarquesa inaugura carreira directa entre a Ásia e Moçambique

Maputo, Moçambique, 29 julho 2009 - A companhia de navegação dinamarquesa Maersk iniciou carreiras directas entre a Ásia e o porto de Maputo, em Moçambique, segundo escreve hoje o jornal Notícias.

O primeiro cargueiro de contentores, com 194 metros de comprimento, atracou terça-feira em Maputo com 1.623 contentores a bordo.

As autoridades portuárias da capital moçambicana informaram que navios da Maersk vão passar a escalar semanalmente o Maputo.

O jornal assinala que "a abertura da nova ligação maritima directa com o mercado da Ásia vai atrair mais carga para o Porto de Maputo, tornando-o mais competitivo em relação a outros portos da região, nomeadamente de Durban e Richards Bay, na África do Sul".

O Notícias escreve ainda que com o início desta nova carreira de navios da Maersk "haverá uma maior movimentação de carga por via férrea proveniente da Suazilândia, África do Sul, Zimbabwe e outros da região, que vinham usando exclusivamente o porto de Durban". (macauhub)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Papel da China em África semelhante ao do Japão na Ásia, diz especialista americano

Macau, China, 15 dezembro 2008 - A China tem a possibilidade de, tal como o Japão na Ásia Oriental, ser o principal motor do desenvolvimento africano no curto prazo, afirma o especialista em política externa chinesa Edward Friedman, na publicação Yale Global, do centro de Estudos para a Globalização da Universidade de Yale, Estados Unidos

Friedman, professor de Ciência Política na Universidade de Wisconsin, também nos Estados Unidos, defende que o envolvimento da China em África poderá fazer a economia do continente crescer seguindo o padrão dos “gansos selvagens”, imagem que diversos académicos usaram no passado para, tal como voo em formação daquelas aves, explicar o desenvolvimento asiático promovido pelo Japão no pós-guerra.

A teoria dos “gansos selvagens” argumenta que o processo de industrialização dos países é feito em pirâmide, havendo um país que lidera o esforço (o topo da pirâmide), sendo seguido por outras economias menos avançadas e estas por economias menos industrializadas ainda, beneficiando cada uma a seu tempo das suas vantagens comparativas - nomeadamente os custos da mão-de-obra - e recebendo investimento das economias do nível superior.

“A China está a criar em estufa este desenvolvimento com o padrão dos gansos selvagens. Pequim está a aplicar dinheiro em África para tudo, desde a construção de infra-estruturas até ao estabelecimento de laços económicos”, afirma Friedman, destacando o papel das Zonas Económicas Especiais (ZEE) que a China já começou a criar no continente africano.

“Destas áreas, o dinamismo económico vai espalhar-se, à medida que os africanos sejam atraídos pelas ZEE. Os governos vão construir então infra-estruturas e competir para atrair as empresas com mais sucesso”, diz.

Apesar de admitir que, tal como o Japão na Ásia do pós-guerra, a China não está interessada em promover a democracia e os direitos humanos em África e segue sobretudo “imperativos económicos”, Friedman realça os benefícios económicos do esforço chinês para liderar o novo bando de gansos.

“Visto de Pequim, a China em África no século 21 será como o Japão na Ásia Oriental e do Sudeste no meio século depois da Segunda Grande Guerra…Ao ligar-se ao dínamo económico, há benefícios. As melhores práticas aprendem-se quase inconscientemente. As vantagens do líder dinâmico espalham-se pelos países que vêem atrás”, afirma o especialista.

Para Edward Friedman, o processo entre a China e África ganhará cada vez mais intensidade à medida que a economia chinesa subir na escala de valor e que os custos da mão-de-obra na China aumentem, perdendo os produtores chineses competitividade nos mercados de preços mais baixos. A solução, afirma, será transferir a produção para os “gansos do nível seguinte” cuja economia, assim, vai também crescer.

“Os africanos que vêm a China como um salvador podem de facto beneficiar por se juntarem à China e seguirem a sua liderança”, afirma.

Friedman destaca por isso o número cada vez maior de chineses que vem emigrando para África levando consigo uma mentalidade empresarial e ligações a fábricas que produzem bens para os mercados mais baratos e que, para se manterem competitivas, encaram uma mudança para África, onde os salários são mais baratos.

“Já há mais chineses que portugueses na antiga colónia portuguesa de Angola”, diz mesmo Edward Friedman.

Friedman não nega a possibilidade de que o papel da China em África possa vir a ter no futuro algumas consequências negativas, como o esgotamento dos recursos naturais ou a manutenção no poder de elites corruptas, mas no geral aposta nas consequências benignas da relação económica entre as economias chinesa e africana.

“Os africanos estão dispostos a dar à China a oportunidade de reproduzir em África os processos criadores de riqueza que fizeram da Ásia a região do mundo que mais cresceu desde 1945” , afirma.

“Talvez os chineses e os africanos estejam certos e, tal como o Japão transformou a Ásia, também a China possam transformar África”, conclui Edward Friedman. (macauhub)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

COM A CRISE, LUTAS SOCIAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR

Para o jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues, os trabalhadores vão pagar a fatura da crise. Em contrapartida, segundo ele, os movimentos de massa, principalmente nos países da União Européia e nos Estados Unidos, tendem a ganhar força

Nilton Viana, da Redação

24 novembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br/

A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Essa é a convicção do jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano fala sobre a grave crise desencadeada a partir do Império estadunidense, que já provoca efeitos perversos em todo o mundo. Ele vislumbra um futuro próximo de grandes sofrimentos para a humanidade, sofrimentos que, segundo Urbano, serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação. É categórico ao afirmar: os trabalhadores vão pagar a maior fatura dessa crise. Mas é otimista. Para ele, grandes movimentos de massa devem surgir, principalmente nos países da União Européia e nos Estados Unidos.
Brasil de Fato – O mundo inteiro vive um drama com a crise financeira desencadeada a partir do centro do império. Tem se dito que essa crise ainda está apenas começando e que ela tende a se agravar. Na sua avaliação, qual é a dimensão dessa crise? É apenas mais uma das tantas que o capitalismo já produziu? O neoliberalismo foi derrotado?
Miguel Urbano Rodrigues – Esta crise é estrutural, e não cíclica como as anteriores. Do sistema fi nanceiro, alastrou para a economia real, e dos Estados Unidos, passou à Europa e à Ásia Oriental. Ela tende a agravar-se muito. E o seu desfecho é por ora imprevisível. Uma certeza: o neoliberalismo, glorificado como a ideologia definitiva que assinalaria “o fim da História”, fracassou. Hayek [Friedrich August von Hayek] é enterrado e Keynes [John Maynard Keynes] ressuscita.

O senhor disse que se trata de uma crise estrutural. As medidas anunciadas até agora alteram a atual estrutura desse processo?

Por ser uma crise estrutural, e não apenas cíclica como as anteriores – confirmando previsões de autores marxistas como Istvan Meszaros e Georges Labica –, as medidas tomadas pelos governos do G-8, transformados em bombeiros do capital, são apenas paliativos. A recuperação das bolsas e do dólar geram a ilusão de que tudo vai voltar rapidamente à normalidade, entendida esta como um refl orescimento do capitalismo sob um novo figurino. Tal convicção é enganadora. A economia real nos EUA, no Japão e na União Européia vai continuar a afundar-se em proporções no momento imprevisíveis. Os despedimentos maciços em dezenas de gigantescas transnacionais, os apelos angustiados dos grandes da indústria automóvel e aeronáutica à ajuda estatal e o encerramento de milhares de empresas ligadas à construção e ao comércio funcionam como espelho da gravidade e complexidade de uma crise de muito longa duração.

O senhor acredita que os Estados Unidos, como potência imperialista, saem derrotados dessa crise ou se fortalecem ainda mais?

Os Estados Unidos, pólo hegemônico do sistema do capital, saem enfraquecidos. Mas enquanto o atual sistema monetário subsistir, com o dólar como moeda de referência mundial, os custos da crise serão distribuídos. Os Estados Unidos são o país mais endividado do mundo (a dívida já iguala o PIB do país). Mas o privilégio de emitir a moeda em que é faturado o petróleo – o produto-chave no comércio internacional – tem adiado um desfecho de bancarrota.
Um sistema midiático perverso e desinformador, dominado no fundamental por grandes transnacionais estadunidenses, ocultou, por exemplo, que grande parte do chamado “resgate” de 700 bilhões de dólares será pago por países da Ásia, nomeadamente a China e o Japão, principais compradores dos Títulos emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos. Somente a China possui cerca de 1.300 bilhão de dólares em reservas e bônus do Tesouro. Se os trocassem por outras moedas, os EUA iriam à falência. Mas a China também, porque a sua economia depende muito das exportações para os Estados Unidos.
Que avaliação o senhor faz das conseqüências desse cenário para a América Latina?
No momento, a maioria das previsões sobre as conseqüências da crise para a América Latina são no fundamental do domínio da especulação. Mas essas conseqüências serão certamente graves. Os Estados Unidos são o principal mercado para as exportações da América Latina, em alguns casos com mais de 50%. No plano político, a estratégia de Washington terá de ser revista. É previsível uma redução da agressividade contra a Venezuela bolivariana e contra o governo de Evo Morales (Bolívia). As manobras conspirativas persistirão, mas a nova administração utilizará outra linguagem.

Em todo o mundo, temos a impressão de que a classe trabalhadora está apenas assistindo a crise. O senhor compartilha da idéia de que vivemos um perído de descenso do movimento de massa e essa crise veio num momento muito ruim para os trabalhadores?

É minha convicção de que, pelo contrário, as lutas sociais tendem a intensifi car-se, sobretudo nos países da União Europeia e nos Estados Unidos, porque os trabalhadores vão pagar a fatura maior da crise. O movimento de massas ganha amplitude na Europa. Por exemplo, no dia 8 de novembro, 120 mil professores (80% da categoria profissional) desfi laram em Lisboa, Portugal, protestando contra a política educacional do governo reacionário de Sócrates.

Como em toda crise, há sempre saídas. As elites já estão tratando de encontrar suas saídas. Quais os rumos que a esquerda deve buscar?

A situação é dilemática porque todas as saídas são, na aparência, más. A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Mas o capitalismo não vai acabar em data próxima, e o socialismo é, por ora, aspiração distante. As tentativas orientadas para a humanização do capitalismo (como é o caso de governos como o Lula, no Brasil; os Kirchner, na Argentina; Tabaré, no Uruguai) são perversas, por enganarem o povo com a cumplicidade de forças e partidos progressistas. Vão fracassar. Grandes sofrimentos – essa é outra certeza – esperam a humanidade no futuro próximo. Sofrimentos que serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação.

Nesses períodos de crise, quem paga a conta são sempre os trabalhadores. Teremos novamente de pagar a conta? O senhor acredita ser possível unir os proletários do mundo e encontrar saídas ou as soluções tendem a ser isoladas?

A crise coloca os povos por ela atingidos, nomeadamente na Europa Ocidental, perante uma situação dilemática. A relação de forças, da Suécia à Itália, de Portugal à Grécia, não abre a possibilidade de que a crise atual desemboque em rupturas revolucionárias. Mas, simultaneamente, a transformação profunda das sociedades da União Européia, moldadas e oprimidas pelo capitalismo, não é possível pela via institucional, dita pacífi ca. A burguesia nunca entrega o poder sem uma confrontação final com as forças do progresso. Sejamos realistas.
No caso português, fora do contexto de uma crise de proporções continentais, os partidos que representam o capital continuarão a vencer todas as eleições. A alternância no governo do PS e do PSD ilustra bem o controle que a classe dominante exerce sobre os mecanismos eleitorais da impropriamente chamada democracia representativa, que na prática funciona como ditadura da burguesia com máscara democrática. A crise do sistema financeiro mundial adquiriu as proporções de uma crise de civilização que atinge toda a humanidade. O seu desfecho é por ora imprevisível. A única certeza é a de que milhares de milhões de pessoas vão pagar a fatura da falência do capitalismo neoliberal e da ideologia a ele subjacente, enquanto os responsáveis pela crise pouco ou em nada serão afetados, no imediato, pelo naufrágio da monstruosa engrenagem por eles montada.

Em momentos como estes, o que fazer?

Lutar, lutar com energia redobrada. Não são apenas a falência do sistema fi nanceiro mundial, a recessão que alastra nos países do G-7, o encerramento de milhares de empresas em dezenas de países, que iluminam a gravidade e a fragilidade da crise estrutural do capitalismo. O sistema do capital dispõe de uma força enorme. Mas não pode mais funcionar de acordo com a sua lógica. Os EUA, pólo e motor do sistema, estão envolvidos em duas guerras perdidas no Oriente Médio e na Ásia Central. Na América Latina, desenvolvem-se processos de ruptura com a dominação imperial. Na Europa, anunciam-se num horizonte próximo grandes lutas inseparáveis das conseqüências da crise, que vai lançar milhões de trabalhadores no desemprego. No movimento da História,
a maré da contestação ao sistema tende a subir. Da luta dos povos, da fusão do particular e do geral, do nacional e do universal, depende que essas lutas adquiram um carácter torrencial, assumindo com o tempo dimensão planetária numa atmosfera de internacionalismo dinamizado pelas organizações e partidos revolucionários.

Como jornalista, como o senhor tem acompanhado a cobertura da mídia sobre a crise?

O sistema midiático apresenta uma frente única na difusão da mentira, nas explicações falsas da crise e nos remédios propostos para resolvê-la, todos orientados para a preservação do capitalismo. No discurso de sociólogos, economistas, historiadores, ministros e parlamentares chamados à televisão para esclarecer a “massa ignorante” da população, o povo não aparece como personagem. Está ausente. Os porta-vozes e epígonos caseiros do grande capital, cúmplices do caos financeiro e social que alastra pelo mundo, desprezam os trabalhadores. O panorama social da crise não é iluminado pela mídia, porque isso seria perigoso para os senhores da finança.

Nos Estados Unidos, Obama acaba de ganhar as eleições presidenciais. Como o senhor analisa essa vitória e o que pode mudar com o novo presidente?

É positivo que o povo estadunidense tenha optado por Obama, um presidente negro, com um discurso muito diferente do de seu adversário republicano. Mas não participo da euforia gerada em nível mundial pela vitória de Barack Obama. É um grande orador e um político hábil e inteligente. Mas aparece-me também como o produto de uma gigantesca e milionária campanha de marketing eleitoral. Não esqueçamos que Obama foi o candidato da Finança, dos grandes grupos transnacionais.
As suas primeiras iniciativas não justificam o entusiasmo que por aí vai. Para chefe de gabinete na Casa Branca, designou já um falcão, sionista, ex-voluntário na guerra do Golfo, um belicista inflamado. Obama afirma pretender “ganhar” a guerra do Afeganistão, defende uma política agressiva contra o Irã, afirma que manterá o bloqueio a Cuba. O vice Joe Binden antecipou uma evidência ao afirmar que as primeiras medidas do futuro presidente serão “muito impopulares”. Alguns dos assessores são republicanos de direita e clintonianos conservadores. A designação de Madeleine Albright como sua representante na Conferência dos 20 (G-20) é inquietante. Temo que Obama seja uma grande decepção para a humanidade progressista.

Quem é
Miguel Urbano Tavares Rodrigues é jornalista e escritor português. Redator e chefe de redação de jornais em Portugal antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal do jornal O Estado de S. Paulo e editor internacional da revista brasileira Visão. Regressado a Portugal, após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redação do jornal do Partido Comunista Português (PCP) Avante!, e diretor de O Diário. Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, presidente da Assembléia Municipal de Moura, deputado da Assembléia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado da Assembléias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última. Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.

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