Mostrando postagens com marcador Equador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Equador. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Abya Yala*/A crise equatoriana em 12 pontos


14/10/2019 16:00, Carta Maior (Brasil) https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/A-crise-equatoriana-em-12-pontos/6/45456


Por Tiago Soares Nogara*

1. No último dia 01/10, o presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou a adoção de um pacote de medidas de austeridade, em consonância com as prerrogativas para a obtenção de um robusto empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Este pacote promoveu a eliminação dos subsídios ao consumo de combustíveis, ferramenta que perdurava há mais de 40 anos no país. Como consequência, o preço do diesel subiu em cerca de 120% e o da gasolina regular em 30%. Respondendo às medidas, que afetaram abruptamente o poder de compra da população, foram convocadas inúmeras paralisações no dia 03/10, ensejando uma greve nacional que mobilizou caminhoneiros, motoristas de ônibus, de taxis e vans escolares. O governo reagiu com pronta repressão, decretando Estado de exceção e detendo mais de 379 pessoas nos primeiros dias de manifestações.

2. No dia 8, Moreno comunicou a transferência da sede do governo de Quito, centro das agitações, para Guayaquil, numa aparição televisiva ao lado do vice-presidente, Otto Sonnenholzner, e do comando militar do país. Nesta mesma data, começaram a chegar à capital contingentes militantes da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), para encorpar os protestos. Não tardou para que a Assembleia Nacional do Equador fosse invadida, com instalação de uma “Assembleia Popular” pelos movimentos sociais, que

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Prisão de Assange, uma advertência da História – O jornalismo real está a ser criminalizado por bandidos



por John Pilger*


O vislumbre de Julian Assange a ser arrastado para fora da embaixada equatoriana em Londres é um símbolo dos nossos tempos. A força contra a justiça. O músculo contra a lei. A indecência contra a coragem. Seis polícias maltrataram um jornalista doente, com os olhos contraídos diante da primeira luz natural que viam em quase sete anos.


Que este ultraje tenha acontecido no centro de Londres, na terra da Magna Carta, deve envergonhar e irar todos os que se preocupam por sociedades "democráticas". Assange é um refugiado político protegido pelo direito internacional, o beneficiário de asilo sob um convénio estrito do qual a Grã-Bretanha é signatária. As Nações Unidas deixaram isto claro na decisão legal do seu Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária (Working Group on Arbitrary Detention, WGAD). 

Mas para o inferno com tudo isso. Deixem os bandidos entrarem. Dirigido pelos quase fascistas na Washington de Trump, em conluio com Lenin Moreno do Equador, um Judas latino-americano e um mentiroso que procura disfarçar seu regime rançoso, a elite britânica abandonou seu último mito imperial: o da razoabilidade e justiça.

Imagine Tony Blair arrastado de sua casa georgiana de vários milhões de libras em Connaught Square, Londres, algemado, a fim de ser despachado para o banco dos réus em Haia. Pelo padrão de Nuremberg, Blasir cometeu o "crime supremo":   a morte de um milhão de iraquianos. O crime de Assange é o jornalismo:   responsabilizar os predadores, revelar suas mentiras e facultar a verdade aos povos de todo o mundo. 

A prisão chocante de Assange transmite uma advertência a todos os que, como escreveu Oscar Wilde, "preguem as sementes do descontentamento [sem as quais] não haveria avanço civilizacional". A advertência é explícita em relação aos jornalistas. O que aconteceu ao fundador e editor do WikiLeaks pode acontecer consigo num jornal, consigo num estúdio de TV, consigo na rádio, consigo a realizar um podcast.

O principal atormentador de Assange nos media, The Guardian, um colaborador do estado secreto, mostrou seu nervosismo esta semana com um editorial que atingiu novas alturas de dissimulação. O Guardian explorou o trabalho de Assange e da WikiLeaks no que seu editor anterior chamou de "o maior furo dos últimos 30 anos". O jornal fez matérias a partir das revelações da WikiLeaks e apropriou-se dos elogios e riquezas decorrentes.

Sem que nem um centavo fosse para Julian Assange ou para a WikiLeaks, um apregoado livro do Guardian levou a um lucrativo filme de Hollywood. Os autores do livro, Luke Harding e David Leigh, aproveitaram-se da sua fonte, abusaram dela e revelaram a password secreta que Assange dera ao jornal em confiança, a qual destinava-se a proteger um ficheiro digital contendo telegramas vazados de embaixadas dos EUA.

A revelação de guerras coloniais homicidas 
Quando Assange ainda estava na embaixada equatorina, Harding juntou-se à polícia do lado de fora e jactou-se no seu blog de que "a Scotland Yard pode ter a última gargalhada". The Guardian publicou então uma série de falsidades acerca de Assange, nada menos que uma desacreditada afirmação de que um grupo de russos e o homem de Trump, Paul Manafort, haviam visitado Assange na embaixada. Tais reuniões nunca aconteceram; era falso.

Mas o tom agora mudou. "O caso Assange é moralmente uma teia confusa", opinou o jornal. "Ele (Assange) acredita em publicar coisas que não deveriam ser publicadas ... Mas ele sempre lançou uma luz sobre coisas que não deveriam ter sido escondidas".

Tais "coisas" são a verdade acerca do modo homicida como a América conduz suas guerras coloniais, as mentiras do Foreign Office britânico na negação de direitos a povos vulneráveis, tais como os ilhéus das Chagos, a revelação de Hillary Clinton como uma apoiante e beneficiária do jihadismo no Médio Oriente, a pormenorizada descrição de embaixadores americanos sobre como os governos da Síria e da Venezuela podem ser derrubados e muito mais. Isto tudo está disponível no sítio da WikiLeaks .

The Guardian está compreensivelmente nervoso. Homens da polícia secreta já visitaram o jornal e pediram e obtiveram a destruição ritual de um disco rígido. Quanto a isto, o jornal tem tradição. Em 1983, uma empregada administrativa do Foreign Office, Sarah Tisdall, vazou documentos do governo britânico mostrando quando armas nucleares americanas chegariam à Europa. The Guardian foi coroado de louvores.

Quando um tribunal pediu para saber a fonte, ao invés de o editor ir para a prisão de acordo com o princípio fundamental de proteger a fonte, Tisdall foi traída, processada e cumpriu seis meses de prisão.

Se Assange for extraditado para a América por publicar o que The Guardian chama "coisas" verídicas, o que é que impede o actual editor, Katherine Viner, de segui-lo, ou o editor anterior, Alan Rusbridger, ou o prolífero propagandista Luke Harding?

E o que impede de seguirem o mesmo caminho os editores de The New York Times The Washington Post, os quais também publicaram parcelas da verdade com origem na WikiLeaks, assim como o editor de El Pais na Espanha, e de Der Spiegel na Alemanha e de The Sydney Morning Herald na Austrália? A lista é longa.

David McCraw, principal advogado de The New York Times, escreveu: "Penso que o processo [de Assange] seria um muito, muito mau precedente para editores ... de tudo o que sei, ele está na posição de uma editora clássica e a lei teria dificuldade em distinguir entre o New York Times e o WikiLeaks".

Mesmo se jornalistas que publicarem fugas da WikiLeaks não se deixarem intimidar por um grande júri americano, a intimidação de Julian Assange e Chelsea Manning será suficiente. O jornalismo real estará a ser criminalizado por bandidos à vista de todos. A divergência tornou-se uma complacência.

Na Austrália, o actual governo apaixonado pelos EUA está a processar dois denunciantes, os quais revelaram que os espiões de Canberra instalaram dispositivos de escuta para captar as reuniões de gabinete do novo governo de Timor-Leste com o propósito expresso de enganar aquela pequena e empobrecida nação a fim de tomar a sua parcela dos recursos de petróleo e gás no Mar de Timor. O julgamento deles será realizado em segredo. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, é infame pela sua participação no estabelecimento de campos de concentração para refugiados nas ilhas do Pacífico de Nauru e Manus, onde crianças ferem-se a si próprias e suicidam-se. Em 2014, Morrison propôs campos de detenção em massa para 30 mil pessoas. 

Jornalismo: uma grande ameaça 
O jornalismo real é o inimigo destas desgraças. Uma década atrás, o Ministério da Defesa em Londres produziu um documento secreto que descrevia as "principais ameaças" à ordem pública como sendo tríplice: terroristas, espiões russos e jornalistas de investigação. Esta última era designada como ameaça principal.

O documento foi devidamente enviado à WikiLeaks, que o publicou. "Não tínhamos escolha", contou-me Assange. "É muito simples. O povo tem o direito de saber e o direito de perguntar e desafiar o poder. Isso é a verdadeira democracia".

E se Assange, Manning e outros no seu rastro – se houver outros – forem silenciados e "o direito de saber, questionar e desafiar" for retirado?

Na década de 1970 encontrei-me com Leni Reifenstahl, amiga próxima de Adolf Hitler, cujos filmes ajudaram a lançar o feitiço nazi sobre a Alemanha.

Ela contou-me que a mensagem nos seus filmes, a propaganda, não dependia de "ordens de cima" mas sim do que ela denominava o "vazio obediente" ("submissive void") do público.

"Será que este vazio obediente incluía a burguesia liberal e educada?", perguntei-lhe eu.

"Naturalmente", disse ela, "especialmente a intelligentsia ... Quando as pessoas já não perguntam mais questões sérias, elas são submissas e maleáveis. Tudo pode acontecer".

E aconteceu. O resto, ela podia ter acrescentado, é história. 
12/Abril/2019

Ver também: 
  If we lose WikiLeaks, we lose a whole stratum of freedom – Pilger

*
John Pilger Jornalista australiano-britânico e realizador de cinema. Seu sítio web é www.johnpilger.com .

O original encontra-se em consortiumnews.com/2019/04/12/assange-arrest-a-warning-from-history/
 

domingo, 25 de setembro de 2016

Ecuador/NOVA OPERAÇÃO CONDOR TEM LULA E CRISTINA KIRCHNER COMO ALVOS

23 septiembre 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Editorial do jornal El Telégrafo, do Equador

Querem ocultar as corrupções do presente, prendendo líderes populares da esquerda como banquete para a opinião pública, entorpecida pelo ódio à política.

É evidente que não se trata de uma simples coincidência. Se antes foram os grupos de conspiradores formados dentro das instituições militares latino-americanas os que protagonizaram os casos de tomada de poder derrubando governos legitimamente constituídos, agora são os aparatos judiciais e midiáticos os que lideram esta nova retomada do poder por parte dos setores empresariais, defensores do neoliberalismo, que desta vez atacam os governos progressistas que se constituíram no subcontinente.
 
Claro que, por trás dessa nova onda, impulsadas pelos mesmos de sempre, estão os mesmos objetivos de outrora, ainda que com novos métodos: desta ve, usam como arma a difamação, buscam o desprestígio, a constante condenação moral de tudo aquilo que fazem os líderes de governos progressistas, tentando sempre vinculá-los a atos de corrupção.
 
São as mesmas narrativas, criadas e difundidas pelos grandes meios de comunicação, que deformam

terça-feira, 12 de julho de 2016

LIBERDADE PARA JULIAN ASSANGE



10 julho 2016, Sul 21 http://www.sul21.com.br (Brasil)

por Ignácio Ramonet


Para pedir a liberdade de Julian Assange, os seus amigos de todo o mundo organizaram, entre os dias 19 e 24 de junho passado, em várias capitais do planeta

Começou a campanha internacional a favor do dissidente político que desconcerta os EUA. O seu confinamento revela: “democracias” ocidentais já não toleram jornalismo que revele segredos do poder.

Já se completaram quatro anos desde que, em 19 de junho de 2012, o ciberativista australiano Julian Assange, paladino da luta pela liberdade de informação, se viu obrigado a refugiar-se nas dependências da embaixada do Equador, em Londres. O pequeno país latino-americano teve a coragem de lhe oferecer asilo diplomático, quando o fundador do WiliLeaks se encontrava perseguido e acuado pelo governo dos Estados Unidos e vários de seus aliados (Reino Unido e Suécia, principalmente). A justiça sueca exige

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Equador/IGNACIO RAMONET DEFENDE JULIAN ASSANGE COMO PALADINO DA LIBERDADE



21 junho 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Prensa Latina

Assange divulgou em seu portal 'wikileaks' milhares de documentos secretos da diplomacia norte-americana.

Julian Assange não é culpado de nada, é um paladino da liberdade desta época, segundo afirmou hoje, no Equador, o jornalista espanhol Ignacio Ramonet, após certificar o valor da informação divulgada por Wikileaks.

O site fundado pelo programador australiano é conhecido por publicar documentos vazados com conteúdo sensível e enorme interesse público.

Durante uma conferência realizada no Centro Internacional de Estudos Superiores para a América Latina (Ciespal), este catedrático de relevante trajetória considerou

sexta-feira, 15 de abril de 2016

AMÉRICA LATINA: GELADO VENTO DE GOLPE SOPRA DO NORTE



14 abril 2016, Tlaxcala http://www.tlaxcala-int.org (México)
Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity


Com os fundos para programas de bem-estar secando, em plena recessão global, a velha elite, com ajuda dos EUA, está outra vez usando a linguagem da anticorrupção para repor os pés na região e desestabilizar governos de esquerda eleitos na América Latina.

Velhos perigos, todos bem conhecidos rondam pelas esquinas da América Latina. Mais de uma década de esperança – corporificada nos experimentos sociais na Venezuela – parecem agonizar. A 'maré rosada' de vitórias eleitorais, da Venezuela à Bolívia e para cima, até a Nicarágua, parecem estar em período de maré vazante. A Velha Direita rejeitou os estertores e a gritaria dos militares, trocados pela fala melosa do que chamam de "anticorrupção". Os bolivarianos da Venezuela – a face atual da esquerda naquele país – perdeu as eleições parlamentares; a Bolívia de Evo Morales decidiu não alterar a Constituição para dar ao presidente um quarto mandato presidencial. O eleitorado Argentina rejeitou a Esquerda Peronista, para eleger a direita dos banqueiros. E no Brasil o governo de Dilma Rousseff padece sobre a violenta hostilidade das mídia-empresas monopolistas e

terça-feira, 5 de abril de 2016

GUERRA CONTRA A DEMOCRACIA NA AMÉRICA LATINA -- Entrevista a John Pilger



28 março 2016, Diário Liberdade http://www.diarioliberdade.org (Galiza)

Diário Liberdade - [Edu Montesanti] Após duas décadas de governos progressistas se espalhando pela região com ganhos econômicos, políticos e sociais sem precedentes, especialmente em direitos humanos ano a ano reconhecidos pela ONU e por várias organizações internacionais, a América Latina enfrenta hoje o avanço dos agressivos setores neoliberais, secretamente apoiados e financiados pelo regime de Washington.
Nesta entrevista exclusiva, o jornalista, escritor e cineasta John Pilger fala sobre a guerra dos EUA contra a democracia na América Latina. "O imperialismo da era moderna é uma guerra contra a democracia. A verdadeira democracia é uma ameaça ao poder ilimitado, e não pode ser tolerada", diz ele.

Pilger produziu War on Democracy na América Latina e nos EUA em 2006, quando ele viajou por toda a Venezuela com o então presidente Hugo Chávez. Ele conta o que o motivou para produzir esse documentário, ganhador do prêmio One World Media Awards, em 2008. O filme mostra como a escalada intervencionista dos EUA, aberta e encoberta, derrubou uma série de governos legítimos na América Latina desde a década de 1950.

Evidenciando o caráter democrático com profundas transformações sociais na Venezuela, John Pilger conta sobre suas experiências no berço da Revolução Bolivariana. "As crianças estavam aprendendo sobre a história e

sábado, 19 de setembro de 2015

Brasil/Frente faz mobilização nacional contra golpe e em defesa da Petrobras

17 setembro 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A Frente Brasil Popular realiza a sua primeira mobilização de massa no próximo dia 3 de outubro, data em que a Petrobras completa 62 anos. Nesta quinta-feira (17), entidades organizadoras se reúnem em São Paulo para definir o roteiro de atividades da mobilização, que vai acontecer em todo o país.

“No momento político e econômico que o país tem vivido se torna urgente a necessidade do povo ocupar as ruas, avenidas e praças contra o retrocesso, por mais direitos e pelas reformas estruturais”, diz documento convocatório assinado por diversas entidades sindicais e do movimento social integrantes da frente.



O ato foi aprovado na plenária da Conferência Nacional de lançamento da Frente, que reuniu no dia 5 de setembro mais de 2 mil lideranças dos movimentos social e sindical, parlamentares, representantes de partidos, intelectuais e artistas, em Belo Horizonte (Minas Gerais), e é uma contraofensiva à onda conservadora que tem manobrado em direção a um golpe contra a democracia e o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff.

Sem retrocesso
Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adílson Araújo, as manobras direitistas “são nítidas” e os derrotados nas urnas querem pautar o governo. “A sociedade brasileira precisa se manifestar e definir essa pauta”, enfatizou o sindicalista. “Há um interesse por parte dessa onda conservadora de criar uma instabilidade política no país e inviabilizar o exercício do mandato da presidenta Dilma. E

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

OS MISSIVISTAS MESSIÂNICOS

30 agosto 2015, Blog do Emir Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

O Equador e a Bolívia -- os países que mais avançaram na região no processo de superação do neoliberalismo -- são vitimas desse tipo de pronunciamento.

Por Emir Sader

Intelectuais de esquerda que não pertencem a partidos políticos de esquerda, têm muita dificuldade para se localizar na luta política. Desde onde falam? Que horizonte representam? O da teoria pura? O da ortodoxia abstrata?

No entanto, por várias razões, eles existem em grande quantidade e muitas vezes produzem análises muito úteis para os processos políticos reais. Só que falham quando suas análises têm que se medir politicamente com a realidade, porque a política supõe partido, inserção nos processos concretos.

Analisando os chamados “marxistas ocidentais”, Perry Anderson constatava que sua sobrevivência com intelectuais desvinculados de partidos de esquerda, supunha se encerrar temas específicos, relativamente autônomos em relação à realidade concreta – entre os quais questões estéticas, metodológicas.
Abandonavam as análises econômicas, políticas, sociais das correlações de força, das linhas concretas dos partidos.

Este é o dilema dos intelectuais não engajados na prática política concreta. Terminam desenvolvendo

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

ASSANGE: A HISTÓRIA NÃO CONTADA DE UMA LUTA HERÓICA PELA JUSTIÇA

2 agosto 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por John Pilger


Este artigo é uma versão actualizada da investigação feita em 2014 por John Pilger, com a história não contada de uma campanha implacável – na Suécia e nos EUA – para recusar justiça a Julian Assange e silenciar a WikiLeaks:   uma campanha que agora atinge uma etapa perigosa.

O cerco de Knightsbridge [NR] é símbolo de uma injustiça brutal e de uma farsa repugnante. Durante três anos, um cordão policial em torno da Embaixada do Equador em Londres serviu só para ostentar o poder do estado. Ele já custou £12 milhões. A caça é um australiano que não é acusado de qualquer crime, um refugiado cuja única segurança é a sala que lhe foi dada por um corajoso país sul-americano. O seu "crime" foi ter iniciado uma onda de verdade numa era de mentiras, cinismo e guerra. 

A perseguição a Julian Assange está prestes a inflamar-se outra vez pois entra numa etapa perigosa. A partir de 20 de Agosto, três quartos do processo do promotor sueco contra Assange quanto a uma [alegada] má conduta sexual em 2010 desaparecerá pois a lei das prescrições o determina. Ao mesmo tempo, a obsessão de Washington com Assange e a WikiLeaks intensifica-se. Na verdade, é a vingativa potência americana que constitui a maior ameaça – como Chelsea Manning e aqueles ainda mantidos em Guantanamo podem confirmar. 

Os americanos estão a perseguir Assange porque a WikiLeaks revelou seus crimes monstruosos no Afeganistão e no Iraque:   a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriam, e o seu desprezo pela soberania e o direito internacional, como demonstrado

sexta-feira, 17 de julho de 2015

'REVELAR ORIGEM DA DÍVIDA GREGA PROVOCARIA REVOLUÇÃO FINANCEIRA MUNDIAL'

15 julho 2015, Carta Maior cartamaior.com.br (Brasil)

Vanessa Martina Silva -- Opera Mundi


Membro da comissão que auditou parte da dívida pública grega, Maria Lúcia Fattorelli questiona: é 'rídiculo' culpar Atenas pela crise europeia

A pressão realizada pelos credores europeus para que a Grécia aceitasse o acordo para um resgate financeiro foi, na verdade, uma tentativa de impedir que se conheçam as origens “ilegais e ilegítimas” da dívida, uma vez que isso provocaria “uma revolução no sistema financeiro mundial”. É o que defende Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal, que fez parte, no início do ano, das primeiras atividades da comissão internacional que realizou a auditoria da dívida grega, a convite da presidente do Parlamento grego, Zoe Konstantopoulou.

As conclusões iniciais a que o levantamento, do qual Fattorelli fez parte nas primeiras sete semanas de investigação, revelam que “os mecanismos inseridos nesses acordos [de resgate do país] eram para beneficiar os bancos e não a Grécia. (…) A questão é: por que eles [troika] têm que jogar tão pesado?”. Ela responde: “Porque a Grécia pode revelar o que está por trás. A tragédia da Grécia esconde o segredo dos bancos privados. Ela poderia colocar a nu as estratégias utilizadas para salvar bancos e colocar em risco

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Três anos depois: A INJUSTIÇA CONTRA JULIAN ASSANGE TEM DE TERMINAR

24 junho 2015, Resistir.info resistir.info (Portugal)

por John Pilger




No dia 19 de Abril fizeram três anos que Julian Assange, fundador e editor da WikiLeaks, se refugiou na embaixada equatoriana em Londres. A questão chave neste extraordinário encarceramento é justiça. Ele foi não foi acusado de qualquer crime. O primeiro promotor sueco afastou as alegações de má conduta para com duas mulheres em Estocolmo, em 2010.

As acções do segundo promotor sueco foram e são comprovadamente políticas. Até recentemente, ela recusava-se a vir a Londres para entrevistar Assange – a seguir disse que estava para vir e depois cancelou o seu compromisso.

É uma farsa, mas uma farsa com sinistras consequências para Assange caso ousasse por os pés fora da embaixada equatoriana. A investigação criminal dos EUA contra ele e contra a WikiLeaks – pelo "crime" de exercer um direito consagrado na Constituição dos EUA, contar verdades desagradáveis – é "sem precedentes quanto

sábado, 13 de junho de 2015

Cúpula Celac-UE: um ponto a favor da América Latina

12 junio 2015, Prensa Latina http://www.prensalatina.com.br (Brasil)


Bruxelas (Prensa Latina) -- A II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, realizada em Bruxelas, acordou fortalecer a relação birregional e teve um balanço positivo para os países ao sul do Rio Bravo.

Foi uma reunião muito frutífera que serviu para acercar os dois blocos, expressou o chefe de Estado equatoriano e presidente pró tempore da Celac, Rafael Correa, no encerramento do evento, do qual participaram mais de 40 presidentes e delegações de alto nível de 61 países.

Durante dois dias os líderes de ambos mecanismos analisaram uma ampla faixa de temas que vão desde a mudança climática até a luta contra a pobreza, sobre as migrações, o comércio para o desenvolvimento e o acesso às

terça-feira, 26 de maio de 2015

ÁFRICA É FUNDAMENTAL PARA UM MUNDO MULTIPOLAR

25 de Maio, 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Cândido Bessa

Após mais de 20 anos de relações formais, Angola e Equador decidem cooperar de forma mais estreita e com vantagens recíprocas. O ministro das Relações Exteriores do Equador e Mobilidade Humana, Ricardo Aroca, afirma que o seu país vê África como fundamental para a construção de um mundo multipolar.

Por isso, decidiu abrir embaixadas em Angola, Nigéria, Argélia e Etiópia. O peso político de Angola e a sua influência no mundo fizeram com que fosse o primeiro dos quatro a receber uma embaixada, ainda este ano. Em entrevista ao Jornal de Angola, Ricardo Aroca diz ter “respeito e  admiração particular pelo povo angolano, pela sua postura independentista, pela luta de Agostinho Neto,  pelo  trabalho de construção da unidade angolana pelo Presidente José Eduardo dos Santos”. Aborda o esforço para mudar a matriz produtiva do seu país, experiências que  partilha com os angolanos, e considera a presença de Angola no Conselho de Segurança útil para fomentar a paz, o diálogo e a compreensão nas Nações Unidas. “Quando um país como Angola está nas Nações Unidas, sentimos que todos estamos bem representados, não só os africanos, mas todos nós”. 

Jornal de Angola (JA) - O que muda nas relações entre Angola e Equador depois desta visita?

Ricardo Aroca (RA) 
- As nossas relações começaram em 1997. Durante mais de 20 anos foi apenas uma relação formal. Existia apenas no papel. Não havia visitas, nem concertação permanente para construir uma relação séria. Entendemos que é importante impulsionar as relações com África, por muitas razões, está a crescer de maneira consolidada nos últimos tempos e, politicamente, é fundamental para a construção de um mundo multipolar. Também temos população africana nos nossos países. O nosso desejo de diversificar a cooperação fez com que

terça-feira, 21 de abril de 2015

Abya Yala, Pátria Grande/Unasul inaugura Escola Sul-Americana de Defesa

19 abril 2015, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Carta Maior)

A Esude formará quadros civis e militares ligados às forças armadas dos governos sul-americanos.

Da Redação


A criação de um perfil e uma doutrina estratégica para a defesa na América do Sul deverá contar agora não somente com os esforços das pesquisas desenvolvidos no Centro de Estudos Estratégicos (CEE), órgão criado pelo Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) em 2011, com sede em Buenos Aires. A criação da Escola Sul Americana de Defesa (Esude) irá complementar o trabalho através da formação de quadros civis e militares ligados às forças armadas dos governos sul-americanos. A inauguração oficial da escola aconteceu na última sexta (17) na sede da Unasul em Quito, no Equador. A proposta foi desenvolvida por Nilda Garre, ex-ministra da defesa do governo Kirchner, atualmente representante da Argentina na OEA.

Em fevereiro de 2014, líderes de governo aprovaram a criação deste projeto durante a IX reunião executiva do Conselho de Defesa Sul Americano (CDS). De acordo com a Declaracão do conselho de chefes de estado e de governo da Unasul de dezembro de 2014, a iniciativa deverá

quarta-feira, 8 de abril de 2015

MARIA LÚCIA FATTORELLI: A BRASILEIRA QUE AUDITA A ECONOMIA GREGA PARA O SYRIZA

30 março 2015, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)


Maria planeja fazer na Grécia o que já ajudou a fazer no Equador: permitir que os gastos sociais superem os gastos com o sistema financeiro.

 

André Cristi

 

Uma das pontes entre o Brasil e as novas experiências políticas da esquerda socialista europeia chama-se Maria Lúcia Fattorelli. Auditora da Receita Federal desde 1982, a coordenadora do movimento Auditoria Cidadã da Dívida foi convidada por Zoe Konstantopoulou, deputada do Syriza que ocupa a presidência do Parlamento Grego, a compor o Comitê pela Auditoria da Dívida Grega.

Maria Lúcia já participou de processo semelhante no Equador, quando o presidente Rafael Correa decidiu pela anulação de 70% da dívida que emperrava o investimento público. “Pela primeira vez na história inverteu-se a equação: os gastos sociais superaram os gastos com a dívida”, lembra em

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Abya Yala, Pátria Grande/Unasul anuncia inauguração de Escola Sul-Americana de Defesa

1 abril 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

O ministro de Defesa da Argentina, Agustín Rossi, recebeu, nesta terça-feira (31), o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper. Eles aproveitaram a ocasião para anunciar a inauguração da Escola SuL-Americana de Defesa (Esude).

Esse instituto, cujo objetivo é formar os novos oficiais das Forças Armadas dos países deste bloco sob os fundamentos da democracia, será posto em marcha no próximo dia 17 de abril em Quito, Equador.

Nessa data está prevista a reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), um dos organismos da Unasul, expressa um comunicado do Ministério de Defesa. "Este projeto foi uma iniciativa apresentada pela Argentina quando a doutora (Nilda) Garré era ministra da Defesa", recordou Rossi. Ele acrescentou que "tem o objetivo de gerar pautas comuns de formação para

domingo, 25 de janeiro de 2015

DO EQUADOR, ÁSIA-PACÍFICO DIALOGA E FAZ UMA APOSTA AO FUTURO

 21 janeiro 2015, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Luisa María González*

Quito (Prensa Latina) -- Destinada historicamente a desempenhar um papel periférico no cenário internacional, a região Ásia-Pacífico se ergue como uma das mais prometedoras, em face ao desenvolvimento futuro do planeta. 

Nisso coincidiram representantes de 17 países dessa região que se reuniram no Equador no 23 Fórum Parlamentar Ásia-Pacífico (APPF, por suas siglas em inglês), para trocar pontos de vista e buscar um consenso com o fim de dinamizar o avanço destas populações.

O chanceler do país anfitrião, Ricardo Patiño, disse em uma conferência magistral que "o Pacífico, entendido e construído como essa região de encontro e de fortalecimento comum, será a zona econômica mais importante do mundo, em termos econômicos e comerciais, na próxima década".

Acrescentou que os países limítrofes com o Grande Oceano têm aproximadamente metade da população e 57% do comércio mundiais, números que

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Abya Yala, Patria Grande/DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA CÚPULA EXTRAORDINÁRIA DA UNIÃO DAS NAÇÕES SUL-AMERICANAS (UNASUL)

5 dezembro 2014. Portal Planalto http://www2.planalto.gov.br (Brasil)

Quito-Equador, 05 de dezembro de 2014

Queria cumprimentar o presidente Rafael Correa, do Equador.
As excelentíssimas senhoras e excelentíssimos senhores Chefes de Estado e de Governo dos países da Unasul.
Queria cumprimentar o presidente da Bolívia, Evo Morales.
Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia.
Samuel Hinds, primeiro-ministro da Guiana.
Horácio Cartes, presidente do Paraguai.
Desiré Bouterse, presidente do Suriname.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

Queria felicitar o senhor ex-presidente Ernesto Samper pela assunção ao cargo de secretário-geral da Unasul, e dizer da nossa alegria pelo fato de uma pessoa de tão alta qualidade ocupar esse cargo.

Queria cumprimentar as senhoras e os senhores ministros de estado e integrantes das delegações aqui presentes.

Cumprimentar as senhoras e senhores que acompanham os presidentes, os ministros e dizer que, para mim, é uma alegria estar aqui hoje no Equador.

Eu agradeço ao Presidente Rafael Correa e ao povo equatoriano por nos receberem de maneira tão acolhedora. Cumprimento o presidente Rafael Correa pela magnífica sede construída aqui em Quito, em torno da metade do mundo, o edifício Nestor Kirchner.

Essa sede honra a Unasul e é um símbolo da importância da nossa integração e da nossa cooperação.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Abya Yala, Pátria Grande/"A UNASUL SE LEVANTA COMO POTÊNCIA DA PAZ” -- Rafael Correa

6 dezembro de 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 

Na localidade conhecida como a Metade do Mundo, em Quito, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) se projeta ao mundo, afirmou nesta sexta-feira (5) o presidente do Equador, Rafael Correa, ao considerar que o processo de integração regional já se tornou irreversível.



Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Ao abrir a Cúpula de chefes de Estado com a qual se inaugura a nova sede do bloco, Correa disse que se trata de uma reunião histórica realizada num lugar simbólico, a latitude zero que marca geograficamente o centro do planeta.

Aqui os povos ancestrais adoravam o deus Sol e festejavam suas colheitas, enquanto hoje, desde este mesmo lugar, estamos construindo a pátria grande e nova, uma pátria para todos, indicou.

Antes de iniciar a sessão privada dos mandatários, Correa ressaltou que a Unasul empunha a bandeira dos mais elevados valores humanistas, como a paz, a solidariedade, a justiça, a soberania e os esforços voltados para a construção do bem-viver para os cidadãos.