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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Angola e Uruguai/Projecto a "Rota dos Escravos" na agenda cultural do Uruguai

3 novembro 2016, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

O estreitamento dos laços de cooperação no domínio cultural entre Angola e Uruguai foi analisado durante uma audiência concedida pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, ao embaixador Alvaro Gonzalez Otero.

Na ocasião, Alvaro Gonzalez Otero destacou a necessidade da interactividade cultural entre os dois países, o reforço dos laços comuns, refazendo o percurso através de um projecto de pesquisa documental sobre a “Rota de Escravos” e

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Uruguai vence batalha contra Phillip Morris e gera jurisprudência internacional antitabagista



9 julho 2016, Opera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)

Redação, São Paulo

Organizações internacionais como OMS e OPS (Organização Panamericana de Saúde) comemoraram a decisão, classificada como 'modelo na luta contra epidemia do tabaco'.

A tabacaria norte-americana Philip Morris perdeu o processo que a empresa abriu em 2010 contra as políticas antitabaco do Uruguai, impulsionadas pelo presidente Tabaré Vázquez, durante seu primeiro mandato (2005-2010). Como resultado da decisão anunciada nesta sexta-feira (08/07) pelo Ciadi (Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas sobre Investimentos), a companhia terá que pagar US$ 7 milhões ao Uruguai.

De acordo com Eduardo Bianco, presidente do Centro de Pesquisa sobre a Epidemia do Tabagismo, a decisão é importante porque se trata “do primeiro caso em que uma multinacional tabaqueira leva a julgamento um país soberano pela aplicação de normas do convênio marco para o controle do tabaco, que é o primeiro tratado mundial de

terça-feira, 5 de julho de 2016

Abya Yala, Pátria Grande/Cúpula Social do Mercosul afirma apoio a Dilma e repúdio a 'ataque à democracia brasileira'



2 julho 2016, Opera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)

Movimentos sociais reunidos no Uruguai destacaram necessidade de integração regional e rechaçaram 'tentativa de quebrar institucionalidade' do bloco

A declaração final da XX Cúpula Social do Mercosul, divulgada nesta sexta-feira (01/07), afirmou o apoio dos movimentos sociais da região à presidente brasileira, Dilma Rousseff.  As organizações manifestaram repúdio ao processo de impeachment de que a mandatária é alvo, classificado como “um ataque à democracia brasileira sem precedentes”, e pediram que “os governos da região não reconheçam o governo interino do golpista Michel Temer no Brasil”.

O encontro acontece

terça-feira, 6 de outubro de 2015

40 ANOS DA OPERAÇÃO CONDOR: DEBATE FORTALECE COOPERAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

6 outubro 2015, ODiario.infohttp://www.odiario.info (Portugal)


Há 40 anos acontecia a chamada Operação Condor. Foi esta uma aliança político-militar entre os países do Cone Sul, região composta pelas zonas austrais da América do Sul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), com o objectivo maior de reprimir os opositores aos regimes militares instalados desde os anos 1960. Acção liderada por militares da América Latina, com a ajuda da CIA, orquestrou perseguições, sequestros, atentados e assassínios.

Cerca de 150 representantes de entidades e organizações de direitos humanos e vítimas das ditaduras latino-americanas, instaladas nos anos de 1960-1980 se reuniram em Brasília, para debater os avanços e retrocessos após 40 anos da Operação Condor. O encontro gerou um debate sobre políticas públicas em torno da defesa da verdade, da memória e da justiça na região.

Cerca de 45 organizações de movimentos sociais em torno da luta pela verdade, memória, justiça e reparação nos países que fazem parte do Mercosul participaram do debate.

Isto porque há 40 anos acontecia a chamada Operação Condor. Esta foi uma aliança político-militar entre os países do Cone Sul, região composta pelas zonas austrais da América do Sul (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), com o objetivo maior de reprimir os opositores aos regimes militares instalados desde

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Abya Yala, Pátria Grande/ACONTECEU O IM-PEN-SÁ-VEL: URUGUAI REJEITOU O TISA, 'TRATADO' DA DINHEIROCRACIA PRIVATEIRA GLOBAL

23 setembro 2015, Tlaxcala http://www.tlaxcala-int.org (México)
Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity

Original: No to TiSA! Uruguay Does Unthinkable, Rejects Global Corporatocracy





A EMPRESA-IMPRENSA FINGIU QUE NEM VIU ESSA DECISÃO HISTÓRICA

Frequentemente citado como a "Suíça da América Latina", o Uruguai tem importante tradição de fazer as coisas à sua moda. Foi a primeira nação na América Latina a estabelecer um estado de bem-estar. Tem também uma classe média maior que a que se vê, proporcionalmente, em outros países da região e, diferente nisso de seus vizinhos gigantes ao norte e a oeste, Brasil e Argentina, o Uruguai não sofre sob o peso de grave desigualdade de renda.

Há dois anos, durante o governo de José Mujica, o Uruguai tornou-se o primeiro país a legalizar a maconha na América Latina, continente que continua a ser destroçado pelo tráfico de drogas, pela a violência e pela corrupção das instituições do estado associada à violência.

Agora, o Uruguai fez algo que nenhuma outra nação semialinhada do planeta jamais se atreveu a fazer: rejeitou, como estado, os avanços da dinheirocracia privateira global. (1)

O tratado cujo nome é proibido pronunciar/escrever

No início de setembro em curso, o governo do Uruguai decidiu pôr fim à participação do país nas negociações secretas para o Acordo para Comércio de Serviços [orig. Trade in Services Agreement (TISA).

Depois de meses de intensa pressão feita por sindicatos e outros movimentos de base, que culminaram numa 
greve geral nacional de resistência – a primeira greve de trabalhadores em todo o planeta que incluiu a exigência de que o respectivo governo retire-se das negociações do TISA

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

OS MISSIVISTAS MESSIÂNICOS

30 agosto 2015, Blog do Emir Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

O Equador e a Bolívia -- os países que mais avançaram na região no processo de superação do neoliberalismo -- são vitimas desse tipo de pronunciamento.

Por Emir Sader

Intelectuais de esquerda que não pertencem a partidos políticos de esquerda, têm muita dificuldade para se localizar na luta política. Desde onde falam? Que horizonte representam? O da teoria pura? O da ortodoxia abstrata?

No entanto, por várias razões, eles existem em grande quantidade e muitas vezes produzem análises muito úteis para os processos políticos reais. Só que falham quando suas análises têm que se medir politicamente com a realidade, porque a política supõe partido, inserção nos processos concretos.

Analisando os chamados “marxistas ocidentais”, Perry Anderson constatava que sua sobrevivência com intelectuais desvinculados de partidos de esquerda, supunha se encerrar temas específicos, relativamente autônomos em relação à realidade concreta – entre os quais questões estéticas, metodológicas.
Abandonavam as análises econômicas, políticas, sociais das correlações de força, das linhas concretas dos partidos.

Este é o dilema dos intelectuais não engajados na prática política concreta. Terminam desenvolvendo

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Angola/Embaixador do Uruguai na Assembleia Nacional

Angola, 11 junho 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Adelina Inácio

O embaixador do Uruguai em Angola, Álvaro González  Otero, manifestou ontem, em Luanda, o desejo do seu país em colher a experiência de Angola no sector energético.

O diplomata uruguaio manifestou a intenção no final de um encontro com o Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, tendo afirmado que aquele país sul-americano pretende também cooperar com Angola na área da Agricultura.
  
O Executivo angolano está a elaborar um plano estratégico de segurança energética. O plano  define o aumento da taxa de electrificação a nível nacional na ordem de 60 por cento até 2025, e a capacidade de produção de energia na ordem de 9.900 megawatts até 2025, a partir de fontes hídricas.

Álvaro González Otero afirmou que o Uruguai  pretende

terça-feira, 3 de março de 2015

Angola/Felicitações a Vasquez

3 março 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Uma mensagem do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, foi entregue domingo, em Montevideu, ao novo Presidente do Uruguai, Tabarez Vasquez, que tomou posse para um mandato de cinco anos, em substituição de José Mujica.

A mensagem foi entregue pelo embaixador de Angola acreditado no Uruguai, Nelson Cosme, que tem residência no Brasil, onde também chefia a missão diplomática angolana.

Nelson Cosme foi recebido no decurso dos actos que marcaram, domingo, a tomada de posse de Tabarez Vasquez, na sequência das eleições gerais ocorridas em Dezembro passado, em que

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Abya Yala, Patria Grande/Unasul quer facilitar a circulação de sul-americanos

1/12/2014, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

De acordo com o subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Simões, a discussão passou por um grupo de trabalho técnico, que terá o relatório aprovado pelos chanceleres da Unasul

Por Luana Lourenço, Agência Brasil

A circulação de cidadãos sul-americanos na região pode ser facilitada, e funcionar em sistema parecido com o do Mercosul, em que os cidadãos dos países-membros circulam com documento de identidade, sem a necessidade de passaporte e visto. A ideia será debatida durante a Reunião de Cúpula da Unasul, nos próximos dias 4 e 5, no Equador.

De acordo com o subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Simões, a discussão passou por um grupo de trabalho técnico, que terá o relatório aprovado pelos chanceleres da Unasul.

“O grupo de trabalho fez um primeiro mapeamento do

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Brasil/Congresso anula sessão que declarou vaga a Presidência de João Goulart



21 novembro 2013, Agência Câmara Notícias http://www2.camara.gov.br (Brasil)

O Congresso Nacional aprovou na madrugada desta quinta-feira (21) o projeto de resolução (PRN 4/13) dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP), que anula a sessão do Congresso de 2 de abril de 1964 que declarou vaga a Presidência da República no mandato do presidente João Goulart.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, avaliou que a votação é a “oportunidade histórica de reparar uma mancha na História do País”. Ele ressaltou que a sessão foi acompanhada pelo filho de João Goulart, João Vicente Goulart.

Os dois autores da proposição ressaltaram a ilegalidade em que a sessão se baseou: declarou a presidência vaga mesmo depois que João Goulart enviou ao Congresso um documento dizendo que estava no País e no exercício do cargo.

“João Goulart estava no comando de suas atribuições e em pleno território nacional e, por isso, o presidente do Congresso não poderia ter convocado arbitrariamente a sessão e muito menos ter declarado vaga a presidência”, disse Randolfe Rodrigues.

Para Pedro Simon, a votação vai permitir uma nova interpretação da História. “Não vamos reconstituir os fatos. A história apenas vai dizer que, naquele dia, o presidente do Congresso usurpou de maneira estúpida e ridícula a vontade popular depondo o presidente da República”

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Brasil/Jango recebe cerimônia fúnebre de chefe de Estado 36 anos após morte



14 novembro 2013, Instituto João Goulart http://www.institutojoaogoulart.org.br (Brasil)

Restos mortais de Jango são recebidos em Brasília com honras militares

Os restos mortais do ex-presidente da República João Goulart foram recebidos hoje (14) com honras militares, pela presidenta Dilma Rousseff. O corpo de Jango, como era conhecido, começou a ser exumado ontem, em São Borja (RS), e será submetido a perícia da Polícia Federal, na capital. A exumação faz parte de uma investigação para esclarecer se a causa da morte de João Goulart foi mesmo um ataque cardíaco, conforme divulgaram na ocasião as autoridades do regime militar.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor também acompanharam a cerimônia. Fernando Henrique Cardoso, que se recupera de uma diverticulite, não pode participar da homenagem.

A presidenta Dilma Rousseff disse, em sua conta no Twitter, que a solenidade de honra ao ex-presidente João Goulart “é uma afirmação da democracia” no Brasil, que se consolida com este gesto histórico. “Hoje é um dia de encontro do Brasil com a sua história. Como chefe de Estado da República Federativa do Brasil participo da recepção aos restos mortais de João Goulart, único presidente a morrer no exílio, em circunstâncias ainda a serem esclarecidas por exames periciais.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Angola, Guiné Equatorial/Íntegra do discurso do Presidente da República na cimeira da CGG em Malabo



11 agosto 2013, AngolaPress http://www.portalangop.co.ao (Angola)


Eu agradeço a hospitalidade do Senhor Presidente, do Povo e das Autoridades equato-guineenses e a forma calorosa como fomos recebidos desde a nossa chegada a essa bela cidade de Malabo.

Tenho plena consciência de estar a participar num evento de especial importância para a nossa sub-região, para o continente africano e para o mundo em geral, em razão do contributo que o Golfo da Guiné pode vir a dar para a normalização das rotas marítimas no Atlântico e para a segurança energética planetária.

A actual taxa de produção de crude e as perspectivas do seu crescimento, tendo em conta as reservas que têm sido descobertas na região nos últimos anos, conferem aos nossos países a responsabilidade de definir políticas conectas e de actuar unidos para melhor explorar e potenciar

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Uruguai/AS LIÇÕES DE PEPE MUJICA



3 agosto 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Por Bepe Damasco, em seu blog

Afinal, para que serve um governo de esquerda? Na minha opinião, para além dos compromissos históricos com o combate à pobreza, a justiça e a inclusão social, a distribuição de renda, a redução das desigualdades, as garantias democráticas, a defesa dos direitos humanos e das minorias, a soberania, etc, governar à esquerda significa também disputar o simbólico, o imaginário, o coração e as mentes das pessoas, em linha com a hegemonia moral gramsciana.

Isso requer, no entanto, coragem para contrariar opiniões eventualmente majoritárias da sociedade, para mais tarde colher os frutos. Orientado por essas convicções, o presidente do Uruguai, José Mujica, o Pepe, está fazendo história. Mesmo com pesquisas de opinião mostrando que mais de 60% dos uruguaios torcem o nariz para o seu projeto de legalizar o consumo da maconha, ele foi em frente e aprovou a medida na Câmara dos Deputados. Falta agora o Senado, onde também a Frente Ampla do presidente tem maioria. Logo, portanto, Mujica sancionará a lei.

O ex-tupamaro, que padeceu anos a fio no cárcere da ditadura uruguaia e viveu um ano escondido dentro de um buraco, fará do pequeno país do Prata o primeiro no mundo a controlar a produção e o consumo da cannabis sativa, o que tem o efeito de uma bomba sobre as quadrilhas de narcotraficantes. "Em nenhuma parte do mundo a repressão deu resultado. O narcotráfico tem margens de lucro tão grandes que corrompe tudo", põe o dedo na ferida Mujica.

Imagina o impacto da nova lei uruguaia sobre a política mundial de repressão às drogas comandada pelos EUA, que já drenou bilhões de dólares, custou um sem número de vidas e só acumula derrotas ?

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Angola/Delegação multi-sectorial no fórum sobre radiodifusão digital no Uruguai



27 maio 2013, AngolaPress http://www.portalangop.co.ao (Angola)


Luanda - Uma delegação multi-sectorial angolana, chefiada pelo secretário de Estado das Telecomunicações, Aristides Safeca, participa, a partir de hoje (segunda-feira), no Uruguai, no Fórum sobre Radiodifusão Digital de Serviços Integrados Terrestre (ISDB-T) e Radiodifusão de Vídeo Digital (DVD-T2), a decorrer naquele país da América do Sul, de 27 a 28 de Maio.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Brasil/HORA DE SE CONHECER A VERDADE



14 maio 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Depois de quase 36 anos e meio da morte do Presidente João Goulart (6 de dezembro de 1976), a Comissão Nacional da Verdade e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul decidiram, finalmente, exumar o corpo do herdeiro político de Getúlio Vargas. Muitos devem estar dizendo, antes tarde do que nunca.

Por
Mário Augusto Jakobskind*, no Direto da Redação

 

Mas não se pode esquecer que logo após a morte de Jango, as autoridades brasileiras e argentinas se recusaram a fazer a autopsia. Por que será?

Há fortes indícios de que Jango foi mesmo assassinado com a troca de remédios. Embora deva ser considerado louvável a inicativa da Comissão Nacional da Verdade, não se pode garantir que depois de tanto tempo a exumação seja considerada conclusiva.

Como se sabe, há testemunhas, como a do ex-agente da repressão uruguaia, Mario Barreiro, que conta com detalhes como ocorreu a troca de remédios que teria provocado a morte do Presidente.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Brasil/Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encontro bilateral com o Presidente da República da Venezuela, Nicolás Maduro



9 maio 2013, Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br (Brasil)  


Palácio do Planalto, 09 de maio de 2013
Boa noite a todos.

Excelentíssimo senhor presidente da República Bolivariana da Venezuela, senhor Nicolas Maduro,

Senhoras e senhores ministros de Estado integrantes das delegações da Venezuela e do Brasil,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

É uma satisfação receber o presidente Maduro, acompanhado de expressiva comitiva ministerial, em sua primeira visita ao Brasil como presidente da Venezuela. Tive a oportunidade de conviver com Nicolas Maduro, durante os anos em que atuou como chanceler do presidente Chávez. Sei de suas qualidades. Sei, também, que é um grande amigo do Brasil. Estou certa de que manterei, com o presidente Maduro, um nível elevado de relacionamento, a exemplo do relacionamento que mantive, durante os anos que dele desfrutei, com o presidente Chávez.

Hoje reiteramos o compromisso com uma forte parceria, parceria estratégica entre nossos países. Decidimos aprofundar os projetos existentes de cooperação em áreas como alimentos,

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Bolivia/País formaliza entrada no Mercosul e cronogramas são definidos



3 maio 2013, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

O governo boliviano e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) estabeleceram, nesta quinta-feira (2) os cronogramas da formalização do ingresso do país ao bloco regional, definindo as tarefas que deverão ser cumpridas nos próximos seis meses para tornar efetiva sua adesão como membro pleno junto com Uruguai, Brasil, Argentina, Venezuela e Paraguai (temporalmente suspenso).

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Unasul: Diplomas devem ser admitidos em todos os países do bloco




21 março 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil) 



A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) aprovou um projeto para avançar na homologação de títulos acadêmicos e de estudo para permitir que títulos obtidos em um país sejam admitidos nos outros 11 membros, assim como sejam definidas equivalências automáticas em estudos de primária e secundária.

Os projetos do Conselho de Educação da Unasul serão analisados em reunião ministerial do conselho em maio. A medida permitirá que estudantes e profissionais migrantes se vejam livres dos pesados e frequentemente complicados procedimentos de revalidação de graus e estudos de um país em outro, assim, os estudos universitários que realiza um jovem em seu país de origem terá validade nas demais nações da Unasul.

Este foi um dos temas abordados na primeira Reunião de Altos Delegados do Conselho Sul-americano de Educação, na qual compareceram delegados da maioria das nações membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

No final do encontro, a ministra peruana de Educação, Patricia Salas, afirmou que “a agenda educativa faz parte dos esforços da Unasul em relação à qualidade de vida e cidadania”. E considerou imperativo melhorar a qualidade da educação em função do crescimento e desenvolvimento econômico que deve ser refletido na vida das pessoas da região.

Da Redação do Vermelho,com Prensa Latina

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Brasil/Lula: QUERO TRABALHAR PARA CONSTRUIR UMA DOUTRINA DA INTEGRAÇÃO

Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

O jornal uruguaio La República publicou nesta quarta-feira (3) uma entrevista de quatro páginas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na entrevista, Lula defende o Mercosul, diz que a integração latino-americana não pode se ser apenas comercial e que é necessário pensar em um parlamento do bloco, com autoridade para tomar e implantar decisões.

Por Gustavo Carabajal em La República
Domingos Tadeu/PR

Lula disse que as críticas ao Mercosul “não têm sustentação teórica, econômica ou social”, e completou: “nós temos diferenças como qualquer bloco ou qualquer aliança de negócios”, como deve ser em um mundo democrático. O bloco serve justamente para que essas divergências sejam explicitadas e que uma solução seja encontrada. Lula lembrou que, se compararmos o Mercosul de hoje com o de 2002, fica fácil perceber o grande avanço. “O caso do Uruguai é um bom exemplo: em 2002, o fluxo de comércio com o Brasil foi $ 825 milhões, em 2010 e chegou a US $ 2,9 bilhões”, disse.
O ex-presidente viaja nesta quinta (4) para Montevidéu, onde participa de um evento promovido pela Friedrich Ebert Stifung do Uruguai. Além do ex-presidente participarão o presidente uruguaio José Mujica e o secretário geral da Conferência Sindical de Trabalhadores das Américas, o paraguaio Víctor Báez.

Leia abaixo a entrevista completa:
 
La República: Desde que deixou a presidência, o senhor tem trabalhado na construção de uma integração na qual participem todos os países da região. Essa experiência lhe deixa otimista sobre a possibilidade de criação de instrumentos que fazem avançar a integração latino-americana?
Luiz Inácio Lula da Silva: Eu tenho algumas preocupações com a integração da América do Sul e com a integração da América do Latina. Nós já demos alguns passos importantes, ou seja, já fortalecemos o Mercosul, as pessoas desacreditavam muito no Mercosul e, no final da década de 1990, começo de 2002, o pessoal ainda tinha uma certa descrença, achavam que a Alca [Área de Livre Comércio das Américas] era a solução, e nós conseguimos, com o tempo, provar que a melhor solução era a integração entre nós. Era explorar o máximo possível a potencialidade das nossas similaridades, e ver em que um país podia ajudar o outro no ponto de vista comercial. Isso, deu um resultado extraordinário.
Mas a minha preocupação é que a integração não pode ser vista apenas do ponto de vista comercial, a integração tem que ser vista do ponto de vista político, do ponto de vista cultural, do ponto de vista social, do ponto de vista universitário, ou seja, em toda a sua amplitude é possível que a gente discuta integração, por isso que eu tomei a iniciativa de deixar a presidência e começar a discutir a integração ouvindo movimento social, intelectuais, empresários, sindicalistas e políticos.

Nós precisamos criar essa cultura de integração, nós precisamos definir na nossa cabeça o que é essa integração que nós queremos. É copiar o modelo da União Europeia? É construir alguma coisa nova? O que está na cabeça de cada dirigente?
Quando você está na presidência, você lida muito mais com as coisas práticas: o cotidiano do comércio, o cotidiano do desejo dos empresários, você conversa menos com o movimento sindical na questão da integração, se bem que nós evoluímos, na integração do Mercosul, na questão sindical, nós precisamos evoluir na Unasul [União das Nações Sul-Americanas] também. Eu quero me dedicar para que a gente possa construir uma doutrina sobre integração. Uma das ideias tentar socializar as coisas boas que aconteceram em cada país. Quais as políticas públicas que deram resultado em cada país? Socializá-las, para saber em que condições elas podem ser implementadas em outros países.
Eu penso que nós estamos fazendo isso. Temos que fazer com muito cuidado porque, como o Brasil é muito grande, O Brasil não pode se apresentar como se fosse um país que queira ter uma certa hegemonia. O Brasil tem que se apresentar com muita generosidade, com muita humildade, tentando construir parcerias, e isso pressupõe construir uma confiabilidade muito grande, e aí depende muito do nosso comportamento. É isso que quero tentar fazer, e vou tentar fazer fora da Presidência, aquilo que começamos a fazer na Presidência e que a Dilma está fazendo enquanto presidente. Mas eu acho que, fora do governo, você tem mais espaço para agir, para conversar e para chamar outros setores da sociedade. Esse é o meu sonho, esse é o meu desejo e, eu espero, ter alguns tempos pela frente para poder realizar esse desejo.
O progressismo tem história, ideias e programas na América Latina, mas também apresenta grandes diferenças que são importantes. Como superar essas diferenças para construir uma doutrina única?
Eu acho que nós não precisamos superar divergências, nós precisamos é aprender a conviver com as divergências, ou seja, o PT é o mais digno exemplo da convivência democrática na diversidade, a Frente Ampla, uruguaia, é um exemplo extraordinário, acho que a política da Argentina é um exemplo extraordinário de convivência democrática na diversidade, no Paraguai começa-se a fortalecer políticas de oposição para superar o bipartidarismo existente há um século.
Eu penso que as coisas estão andando, no Mercosul, as coisas estão andando na Unasul, e as coisas vão andar na Celac. É importante lembrar que a Celac é a primeira reunião de todos os países da América Latina e do Caribe sem a participação de americanos e canadenses. Só latino-americanos. O que estamos querendo com isso? Estamos querendo construir pontos que sejam de comum acordo entre nós. Não queremos que ninguém abdique dos seus pensamentos, de suas convicções.
O que queremos é o seguinte: entre a minha convicção e a convicção de um outro companheiro tem um caminho do meio a ser seguido por nós dois. Ou seja, se a minha não pode ser, se a dele não pode ser, nós temos que construir uma outra. Eu acho que é isso que nós buscamos, sempre tentar construir um caminho da praticidade, o chamado caminho do meio que, pode estabelecer pontos comuns entre os mais diferentes países. Acho que ninguém precisa abrir mão das suas convicções ideológicas, ninguém precisa abrir mão das suas convicções programáticas, nós não queremos isso, o que nós queremos é que as pessoas saibam que entre a política correta, adotada em determinado Estado e a política correta adotada em outro Estado, você tem que construir uma política que seja comum aos dois Estados. E, nós conseguimos fazer isso na construção da Unasul, nós conseguimos fazer isso na criação do conselho de defesa, nós conseguimos fazer isso na construção do Banco do Sul. Tudo isso são instrumentos que nós vamos aprendendo e vamos colocando em prática, por isso eu estou convencido que as nossas divergências históricas não são problemas para construir os consensos futuros.

 O senhor considera que o Uruguai com a Frente Ampla, aprendeu a trabalhar a diversidade? Ela tem algo a contribuir para essa experiência regional?
Eu sou suspeito para falar da Frente Ampla, porque eu tenho por demais admiração por ela, aliás, uma das coisas que eu ainda sonho em fazer no Brasil é criar aqui uma espécie de Frente Ampla, em que a gente possa juntar todos os partidos para funcionar 365 dias por ano e não apenas em época de eleição, para construir uma candidatura.
Eu acho que a Frente Ampla é uma lição uruguaia para a América Latina e o mundo, ou seja, é o bom modo de fazer política, é a boa convivência democrática entre diferentes forças políticas sem que ninguém abra mão das suas convicções, dos seus princípios, mas estabelecendo uma cesta de pontos comuns, em que permita a ele transitar pelo cotidiano da política uruguaia e fazer o que estão fazendo, um processo de transformação extraordinário que começou com a eleição muito importante de Tabaré [Vázquez] para prefeito de Montevidéu, duas vezes, na eleição de Tabaré para presidente e na eleição de [Juan Pepe] Mujica. Eu acho que a Frente Ampla sempre será um bom exemplo a ser seguido, pelo menos, por mim.

O senhor, junto com Hugo Chávez e Néstor Kirchner foram três dos principais líderes do proceso de integração. Hoje (com a ausência deles) os analistas conferem ao Brasil e à sua pessoa a condução do proceso regional. Compartilha desta impressão?
Eu não compartilho dessa visão porque, individualmente, nenhum de nós nunca teve um papel de liderança.
Olha, eu acho que o Kirchner teve um papel extraordinário na construção da Unasul, na construção do fortalecimento do Mercosul, acho que o Chávez teve um papel estupendo. É importante lembrar que Chávez era presidente de um país totalmente comprometido com a sua relação com os Estados Unidos. Foi a partir de Chávez que a Venezuela se voltou para o Brasil, para a América do Sul, para a América Latina. Então, você tinha dois presidentes, de dois países importantes com uma vocação latino-americanista, sul-americana, uma vocação continental muito forte e dois presidentes com disposição de não se submeterem à lógica de dominação que tantos presidentes se submeteram durante tanto tempo. Isso contribuiu de forma extraordinária para que a gente pudesse costurar essa parceria fantástica que deu no que está dando hoje.
Mesmo assim, eu acho que o que foi importante na construção da Unasul é que, não apenas Kirchner, Chávez, eu, mas também a eleição de outros companheiros, é bem importante lembrar-se de Michelle Bachelet e [Ricardo] Lagos, no Chile, é importante lembrar a eleição de Nicanor [Duarte], no Paraguai, que foi um avanço para a política paraguaia, depois a eleição de [Fernando] Lugo. É importante também lembrar que a eleição de Rafael Correa, no Equador, de Alan García, no Peru, contribuíram com isso. Uribe, um pouco mais reticente, mas não deixou de contribuir para que pudéssemos construir essa unidade. Então, eu acho que era um desejo coletivo que estava represado e ele conseguiu aflorar quando a América Latina deu um show ao eleger políticos democráticos, políticos de esquerda e políticos progressistas.
Eu acho que, o que nós precisamos é ter em conta que o Brasil sempre será um país importante, pela sua dimensão territorial, pela sua dimensão populacional, pelo seu grau de desenvolvimento industrial, de conhecimento científico e tecnológico. O Brasil sempre será muito importante. Exatamente, por isso, o Brasil não tem que ter a preocupação de querer liderar, tem que ter a preocupação de construir parcerias, para que todos juntos subam o degrau da escada conjuntamente. Não pode ter alguém no 10º degrau, alguém no 8º e alguém no 6º, ou seja, na construção de uma integração, na construção de projetos comuns você precisa subir todo mundo junto.
É esse o papel do Brasil, é o papel de contribuir, cada vez mais, na organização da unidade dos países latino-americanos.
Ultimamente o Mercosul tem recebido duras críticas que afirmam que o bloco se enfraquece pelas disputas comerciais entre seus próprios membros, que tentam blindar sua balança comercial da crise financeira global com medidas protecionistas. Como recuperar a confiança para fortalecer a integração?
Primeiro, eu não sei quem está fazendo essas críticas ao Mercosul, porque essas críticas não têm não nenhuma sustentação, nem teórica, nem econômica, nem social. Nunca tivemos uma situação, eu diria, tão importante no Mercosul. Nós temos divergências? Temos, como há divergências em qualquer bloco, como há divergência em qualquer parceria comercial.
Eu acho que o problema que nós temos no Mercosul, do ponto de vista econômico, foi resolvido, ou seja, nós temos divergências setoriais, e é importante que os tenhamos porque assim a gente resolve. O que eu acho que está faltando aprimorar no Mercosul é a participação do setor social em suas decisões, ou seja, fortalecer o Mercosul sindical, o Mercosul social.
É preciso criar o parlamento do Mercosul, e ele funcionar de verdade, criar regras. Eu acho que tomo mundo deseja essas coisas, nós precisamos superar as divergências e colocar para funcionar aquilo que não está funcionando, mas se você comparar o Mercosul de hoje com o Mercosul de 2002, nós demos um avanço extraordinário. Quem tiver dúvida é só olhar a balança comercial. O fluxo da balança comercial Brasil/Argentina, Brasil/Uruguai, Brasil/Paraguai e também o fluxo entre os demais países, para você ver como cresceu de forma extraordinária, e ainda pode crescer muito mais. O caso do Uruguai é um bom exemplo, em 2002 seu fluxo comercial com o Brasil foi de US$ 825 milhões; em 2010, já havia atingido os US$ 2,9 bilhões.

A morte de Chávez gerou todo tipo de comentários por tratar-se de um líder que construiu uma barreira sólida frente às políticas imperialistas e porque demostrou que os países podem seguir seu caminho para a independencia e o progresso sem depender da tutela estadunidense. O que o senhor opina sobre as especulações sobre sua doença? Considera que com Maduro se inaugura o chavismo como doutrina política para seguir trazendo o espírito integracionista?
Eu não tenho condições de dar palpite sobre a doença do Chávez, a informação que eu tenho me foi dada pelo médico dele, em Havana, pelo genro dele e pela filha dele. De mais, pela imprensa e pelas conversas que tenho tido com Maduro. Foi uma perda irreparável para a política, nos dias de hoje, sobretudo na América Latina. Eu acho que Maduro está desafiado a se superar. Ele não tem o carisma do companheiro Chávez, portanto, está fadado a ter uma política muito mais orgânica do que Chávez. Ele vai ter que cuidar mais da relação política,  vai ter que cuidar mais das alianças com outros setores, vai ter que tentar colocar mais gente em torno da mesa para poder construir ,de forma orgânica, a força que o carisma de Chávez construía na Venezuela.
Maduro é um ser humano extraordinário, uma figura que eu penso estar totalmente preparada para dar sequência ao governo do Chávez.considero que ele vai ganhar as eleições, vai governar e ele sabe que só há uma hipótese de a gente obter sucesso: é governar para a maioria do povo, e ele sabe que deve fazer isso, industrializar a Venezuela, torná-la quase autossuficiente na produção de alimentos, coisa que nós, já há algum tempo, estamos ajudando a Venezuela, e eu acho que o Brasil precisa ajudar mais ainda, para que a Venezuela possa ter segurança alimentar e para que possa ser um país menos dependente do petróleo e ter um parque industrial razoável.

Como controlar o déficit e a inflação alta, no contexto de uma política que considera o gasto social, o investimento público e um processo de maior igualdade como uma condição econômica do crescimento e não como uma mera aspiração moral?
Primeiro, não é correto utilizar a palavra gasto, na verdade, você está fazendo um investimento quando você faz política social, na medida em que faz política de transferência de renda, em que melhora as condições de vida do povo, você está fazendo com que a economia tenha um dinamismo maior, que a economia gere mais emprego, que a economia gere mais transferência de renda.
Aqui no Brasil nós temos um exemplo. Obviamente que todo país só deve gastar aquilo que  tem condições de gastar, ninguém deve fazer dívida acima da sua capacidade de arrecadação, porque isso pode ser bom por um tempo, mas depois não se sustenta. Isso a gente não precisa aprender na universidade, isso a gente aprende dentro de casa, com o salário da gente. Se você ganha um salário e gasta, todo mês, mais do que ganha, um dia a sua conta vai estourar e você não vai conseguir se consertar. A economia de uma cidade ou de um Estado é a mesma coisa, você só pode gastar aquilo que você arrecada e, quanto melhor você gastar, mas você vai fazer a economia crescer.
Fazendo com que as políticas sociais leve dinheiro para as camadas mais pobres da população, você estará dinamizando o crescimento da própria economia. Aqui no Brasil nós conseguimos fazer isso, mantivemos a inflação controlada e a economia crescendo até hoje. Isso já faz dez anos. Eu acho que o Uruguai é também um bom exemplo deste mesmo caminho.
Para ser competitiva, a região precisa desenvolver políticas de inovação técnica e industrial que beneficiem o setor produtivo. O senhor acredita ser possível a construção de uma infraestrutura produtiva integrada, com um planejamento estratégico comum que nos permita melhorar nossa competitividade no mercado global?
Eu estou convencido que aí outra vez entra o papel estratégico no Brasil, ou seja, o crescimento, seja industrial, seja científico e tecnológico, tem que ser partilhado com o crescimento e desenvolvimento também industrial, científico e tecnológico dos países do Mercosul. Eu acho que esse é um papel que está reservado ao Brasil. É compartilhar com seus parceiros do Mercosul a possibilidade de participar desse momento de desenvolvimento, desse momento de crescimento da economia, ou seja, as indústrias podem ser feitas parte produzindo coisas no Brasil, parte produzindo coisas em outros países, porque é assim que a gente constrói um bloco muito forte. Eu acho que a gente tem que procurar ter acesso à outros mercados globais, que esse é um objetivo importante. Mas acho que a gente tem que ter em conta que nós ainda temos muita coisa para fazer entre nós. Muito potencial de explorar comercialmente, industrialmente e cientificamente as parcerias entre Brasil e Uruguai, entre Brasil e Argentina, entre Brasil e Paraguai, entre Brasil e Venezuela. Ainda é muito pouco o que nós conseguimos até agora, a gente pode conseguir mais. Os países têm possibilidade de oferecer mais. Na medida que a gente consiga ter acesso às novas tecnologias, a um processo de inovação em que a gente consiga produzir de forma mais competitiva, nós poderemos sim entrar nesse mundo globalizado cada vez mais difícil.
Acho que temos que aproveitar o bom nível de escolaridade que tem Argentina e Uruguai, obviamente que isso é uma vantagem, para a gente construir esse parque industrial do Mercosul com mais facilidade e ser mais competitivo.
A verdade é a seguinte: nós temos a metade do planeta que ainda não tem acesso à esses benefícios. Metade da China, metade da Índia, metade do continente africano, metade do continente latino-americano de pessoas que querem trabalhar, ganhar salário, virar cidadãos. E essa gente vai consumir o que a gente produzir, seja na indústria, seja no campo, seja produto sofisticado, seja produtos primários. Eu penso que, nós estamos aptos e ávidos para crescer e crescer fazendo justiça social.
O papel do Brasil é utilizar o seu potencial de desenvolvimento para criar uma indústria do Mercosul. Criar tudo que o Brasil puder construir em parceria com Argentina, Paraguai, Uruguai é muito importante.

O que o senhor acha do papel que tem atualmente a ONU, que parece a cada dia mais superada pela conjuntura?
Durante 8 anos, que fui presidente, dediquei parte do meu tempo para convencer as pessoas que não era possível a ONU continuar hoje com a mesma representatividade que ela teve no pós-guerra. O mundo de hoje não é o mundo de 1948, a ONU de hoje não representa o mundo. É só você pegar o mapa político do mundo que você vai perceber isso. Então, o que nós defendemos é que a ONU tenha mais representatividade, que esteja presente na América Latina, que esteja presente na África, que esteja presente na Índia e em outros países, para que as decisões da ONU sejam mais representativas. Veja que hoje você não tem nenhuma governança global capaz de resolver qualquer problema, por menor que ele seja, não há uma governança global com autoridade legal para impor.

Eu fico imaginando… Foi a ONU que criou o Estado de Israel, a ONU é que deveria garantir a paz no Oriente Médio e demarcação das terras. Por que não faz isso?
A ONU está enfraquecida, sobretudo os membros permanentes do Conselho de Segurança. Quatro membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha são os cinco maiores vendedores de armas do mundo, ou seja, o mundo é quase dividido geograficamente, de comum acordo com os interesses de cada membro do conselho. Quando na verdade você poderia aprovar a reforma da ONU com participação de mais países. Quantos países da África? Se são 54 países, discuta, sei lá, se são África do Sul, Nigéria e Egito juntos. De 54 países, pode ter três. Por que a Europa tão pequenininha tem tantos e a África tão grande não tem nenhum? Por que a América Latina é tão grande e não tem nenhum? Por que a Índia, com 1 bilhão de habitantes não está presente? Seria apenas uma questão de bom senso. Exercitar a democracia sem que nenhum país quisesse ter a hegemonia como os americanos querem ter. É por isso que eu defendo a reforma da ONU, porque hoje ela representa muito pouco.

Quanto a figura do presidente Mujica contribui para a causa da integração latino-americana?
Eu acho que o companheiro Mujica é um daqueles seres humanos que, se não tivesse nascido, teria que nascer. Eu acho que sua trajetória política, sua capacidade de exercitar o debate democrático, sua tranquilidade de conviver com as diversidades o transforma em um dos dirigentes políticos mais extraordinários que eu conheci, ou seja, eu nunca vi ninguém que passou pelos maus bocados, como passou Mujica, que foi tão maltratado na ditadura uruguaia, eu nunca vi um homem tão tranquilo, tão democrático, tão afável e tão humanista. A figura dele contribui, e a figura dele é a garantia de que é possível acreditar no ser humano, vale a pena acreditar no ser humano. Ele é parte importante do fortalecimento do Mercosul.

O senhor voltará a se candidatar em 2014?
Recentemente eu já afirmei em uma entrevista Brasil que não. Estarei com 72 anos, e acho que vai ser hora de eu ficar contando minhas experiências. Acho que já dei minha contribuição. Mas, como eu disse na outra entrevista, a gente não sabe das circunstâncias do futuro. Em política a gente não descarta nada, definitivamente.

Tradução: Instituto Lula