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quinta-feira, 11 de julho de 2019

CPLP/Guiné-Bissau: nasce uma Islândia africana?


09/07/2019 11:38, Carta Maior  (Brasil) https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Guine-Bissau-nasce-uma-Islandia-africana-/6/44611

Por Wellington Calasans, para a Carta Maior

A democracia venceu na Guiné-Bissau. Esta notícia parece não fazer parte do novo padrão de notícias que merecem destaque em tempos de internet. É uma notícia boa e narra como o povo guineense é protagonista das decisões sobre o próprio futuro e o futuro que deseja para seu país.

É imperativo que seja feito um paralelo entre esta semente de democracia, plantada naquele pequeno país africano de língua portuguesa, e a luta dos islandeses em 2008. Assim como a Guiné-Bissau, apesar de ser um país pequeno e com uma população inferior à de muitas cidades brasileiras, a Islândia é um exemplo recente de consciência cidadã, um modelo a ser seguido quando falamos sobre a importância da luta de um povo, razão que faz a imprensa tentar esconder esta grande revolução desarmada.

De volta à Guiné-Bissau, na noite de 8 de março de 2019, precisamente dois dias antes das eleições legislativas, a Polícia Judiciária guineense, numa operação altamente secreta, interceptou e prendeu na capital Bissau um caminhão. Surpreendentemente, o Presidente da República José Mário Vaz, conhecido por JOMAV, tentou influenciar sem êxito a direção da Polícia Judiciária para que fosse concedida a libertação daquele transporte de carga. Não demorou muito para se soubesse a razão de tamanha importância

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Colombia/EL PLEBISCITO EN COLOMBIA: UNA OPORTUNIDAD PERDIDA

3 octubre 2016, Tlaxcla http://www.tlaxcala-int.org (Mexico)
Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity

Atilio Boron*

El resultado del plebiscito colombiano reveló la profundidad de la polarización que, desde el fondo de su historia, caracteriza a la sociedad colombiana. También, la grave crisis de su arcaico sistema político incapaz de suscitar la participación ciudadana que ante un plebiscito fundacional -¡nada menos que para poner fin a una guerra de más de medio siglo!- que apenas si logró que una de cada tres personas habilitadas para votar acudiera a las urnas, una tasa de participación inferior a la ya de por si habitualmente baja que caracteriza a la política colombiana.

La del día de ayer fue la mayor abstención en los últimos veintidós años y su resultado fue tan ajustado que hizo que la victoria del NO, como hubiera ocurrido ante un eventual triunfo del SI, sea más un dato estadístico que un rotundo hecho político. Los partidarios del SI habían dicho que lo que se necesitaba para consolidar la paz era una amplia victoria, que no bastaba simplemente con superar

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Abya Yala, Pátria Grande/Evo pide en la ONU disolver la DEA y cerrar bases militares EEUU



21 abril 2016 Prensa Latina Prensa Latina http://www.prensa-latina.cu (Cuba)

El presidente de Bolivia, Evo Morales, pidió este jueves en Naciones Unidas disolver la Administración para el Control de Drogas (DEA, por sus siglas en inglés) y las bases militares norteamericanas, porque donde están presentes crece el narcotráfico.

Donde está la DEA y los enclaves del Ejército norteamericano se expande también la delincuencia, los gobierno privatizadores, la narcocorrupción, la riqueza ilegal y las élites millonarias corruptas serviles a Washington, denunció el mandatario boliviano.

Pido a esta asamblea tomar acciones concretas para liberarnos del problema de las drogas, acabar con el intervencionismo, la certificación unilateral y aprobar una resolución para terminar con el secreto bancario, expresó Morales al

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Brasil/Morte suspeita de detetive que acusou Aécio Neves* alerta movimentos sociais



28 março 2016, Instituto João Goulart http://institutojoaogoulart.org.br (Brasil)

Por Redação – de Belo Horizonte

Na manhã de sábado, Lucas Arcanjo foi encontrado morto em sua própria casa. Família reafirmou, neste domingo, não acreditar na hipótese de suicídio

Arcanjo divulgou uma série de acusações contra 
o então governador mineiro Aécio Neves, 
mas nenhuma investigação foi adiante

O detetive Lucas Gomes Arcanjo, afastado do serviço por licença médica, foi encontrado morto na janela de seu quarto com uma gravata enrolada no pescoço. Conhecido por fazer denúncias que associavam o senador Aécio Neves (PSDB) à lavagem de dinheiro e ao narcotráfico, o policial já havia sofrido quatro atentados,

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sínodo: TEÓLOGO DENUNCIA QUE ‘SACERDOTES DE JUAN PABLO II’, FRENAN CAMBIOS EN LA IGLESIA

5 novembro 2015, ADITAL Agencia de Información Fray Tito para América Latina (Brasil)

Con la realización de la Asamblea General Ordinaria del Sínodo de los Obispos, a pesar de las expectativas generadas después de un largo trabajo de investigación en la comunidad católica del mundo entero, no habrá cambios teológicos profundos en la Iglesia con respecto a su concepción y a las doctrinas relacionadas a la familia. Para Héctor Torres, sociólogo, teólogo colombiano, y columnista de Adital, debemos, sin embargo, reconocer avances en el "hacer Iglesia", vivenciado por los obispos presentes en el Sínodo, concluido en el último día 25 de octubre, en el Vaticano.

"El Papa insistió y logró que los obispos perdieran el miedo de decir lo que piensan. Me llamó mucho la atención que, en las conferencias de prensa, los obispos estaban entusiasmados porque el Papa les había hecho un llamado a hablar con toda libertad. Eso ya ha producido cambios y continuará produciendo", explica Torres.

También habría quedado entre los obispos la conciencia de que el mundo cambió y la Iglesia necesita acompáñarlo. "A los padres sinodales el Papa les dijo, palabra más, palabra menos: el mundo cambió y nosotros debemos cambiar".

Para Torres, las resistencias a los cambios se producen por haber e en el seno de la Iglesia un grupo eclesial conservador muy fuerte. Sin embargo, la Iglesia respira nuevos aires, que deben generar frutos en el futuro. "Las mayores resistencias tienen que ver con

sábado, 20 de setembro de 2014

Moçambique/Aos integrantes do crime organizado: confiscar património como medida punitiva

19 setembro 2014, Jornal Noticias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

A confiscação do património dos integrantes do crime organizado deve passar a configurar como pena, segundo defendeu ontem, em Maputo, Achirafo Aboobacar, Juiz – Desembargador do Tribunal Superior de Recurso de Maputo.

Falando numa palestra denominada “apreensão e confisco de bens resultantes da actividade criminosa”, inserida nas II Jornadas Científicas da Procuradoria – Geral da República, Achirafo Aboobacar explicou que o confisco do património dos integrantes do crime organizado deve ser associado a aplicação de penas de prisão e a apreensão de bens resultantes da prática do crime, como já preveem as leis contra à corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de droga, entre outras.

Segundo o Juiz – Desembargador, a confisco do património não substitui a aplicação de penas ou apreensão de bens, mas sim, trata-se do agravar das medidas punitivas contra os criminosos, devendo abranger todo património adquirido de forma lícita. No seu entender, património não é o que os criminosos conseguiram com a prática do crime, mas sim, o que já tinham antes

sexta-feira, 11 de abril de 2014

JOHN KELLY: ASSASSINO NO IRAQUE, CARRASCO EM GUANTÁNAMO E DIFAMADOR DA VENEZUELA

Havana, 2 abril 2014, Granma http://www.granma.cu (Cuba)

Jean Guy Allard

Guerra contra o terrorismo, luta contra o narcotráfico, ajuda humanitária, cooperação militar: todos os pretextos utilizados pelo Comando Sul norte-americano para reforçar sua presença na América Latina despencaram quando o general John Kelly agrediu, ante o Congresso dos EUA, a nação de Hugo Chávez, ao contribuir para a campanha internacional de desinformação contra a Venezuela.

Em recente intervenção no Congresso, noticiada repetidamente, e com evidente satisfação, pela Voz da América (VOA), a rádio de propaganda do governo norte-americano, Kelly falou do

segunda-feira, 24 de março de 2014

Colômbia/A GUERRA CONTRA AS DROGAS, UMA FRAUDE TOTAL

21 março 2014, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)



A propaganda imperialista acusa sistematicamente as FARC-EP de serem uma “narco guerrilha”. Pela voz de um dos principais responsáveis da heróica guerrilha colombiana a grosseira acusação é devolvida. São a DEA e a CIA quem tem um longo e documentado historial de ligação, protecção e financiamento através do narcotráfico. E não haverá sucesso na luta contra esse flagelo sem o combate a esses poderosíssimos tentáculos do imperialismo.

O mundo está a travar a luta contra as drogas no meio das trevas. Todos os esforços estão condenados ao fracasso se não acendemos a luz da verdade sobre o nauseabundo crime do narcotráfico que lacera a humanidade. Rodeada por essa obscuridade, a pobre Colômbia está enredada e perdida num labirinto mais intrincado que o do mito do Minotauro.

Esta certeza reafirma-se no impacto das denúncias do ex governador de Minnesota, Jesse Ventura, director do programa de Televisão “Conspiracy Theory” (Teoria da conspiração), um homem ao qual há que atribuir crédito, não apenas por ter sido autoridade de um Estado dos Estados Unidos, mas também pelo seu rigor investigativo e compromisso com a humanidade.

Não estamos a chover no molhado ao reproduzir versões muito difundidas por todo o mundo. Simplesmente consideramos como verdade irrefutável que não se pode encobrir nem ocultar mais o sujo papel da CIA e da DEA enquanto motores e geradores da calamidade humanitária do flagelo do narcotráfico.

A CIA está desde há mais de meio século utilizando os lucros criminosos do tráfico de drogas para financiar as suas operações encobertas de guerra suja, como pérfido recurso para iludir a obrigação de prestar contas ao Congresso e ao próprio povo norte-americano. Esses dinheiros são utilizados para desestabilizar governos legítimos, eleitos democraticamente, financiar atentados contra líderes do hemisfério que

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Uruguai/AS LIÇÕES DE PEPE MUJICA



3 agosto 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Por Bepe Damasco, em seu blog

Afinal, para que serve um governo de esquerda? Na minha opinião, para além dos compromissos históricos com o combate à pobreza, a justiça e a inclusão social, a distribuição de renda, a redução das desigualdades, as garantias democráticas, a defesa dos direitos humanos e das minorias, a soberania, etc, governar à esquerda significa também disputar o simbólico, o imaginário, o coração e as mentes das pessoas, em linha com a hegemonia moral gramsciana.

Isso requer, no entanto, coragem para contrariar opiniões eventualmente majoritárias da sociedade, para mais tarde colher os frutos. Orientado por essas convicções, o presidente do Uruguai, José Mujica, o Pepe, está fazendo história. Mesmo com pesquisas de opinião mostrando que mais de 60% dos uruguaios torcem o nariz para o seu projeto de legalizar o consumo da maconha, ele foi em frente e aprovou a medida na Câmara dos Deputados. Falta agora o Senado, onde também a Frente Ampla do presidente tem maioria. Logo, portanto, Mujica sancionará a lei.

O ex-tupamaro, que padeceu anos a fio no cárcere da ditadura uruguaia e viveu um ano escondido dentro de um buraco, fará do pequeno país do Prata o primeiro no mundo a controlar a produção e o consumo da cannabis sativa, o que tem o efeito de uma bomba sobre as quadrilhas de narcotraficantes. "Em nenhuma parte do mundo a repressão deu resultado. O narcotráfico tem margens de lucro tão grandes que corrompe tudo", põe o dedo na ferida Mujica.

Imagina o impacto da nova lei uruguaia sobre a política mundial de repressão às drogas comandada pelos EUA, que já drenou bilhões de dólares, custou um sem número de vidas e só acumula derrotas ?

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Venezuela/Mercosul criará base de dados regional sobre crime organizado



11 junho 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

O governo da Venezuela afirmou nesta segunda-feira (10) que o Mercosul definiu a criação de uma base de dados conjunta para compartilhar em tempo real informação sobre crimes transnacionais como o tráfico humano e o narcotráfico.


O acordo foi alcançado na semana passada durante uma reunião em Montevidéu na qual a Venezuela assumiu a presidência temporária do Mercosul em matéria de segurança e justiça.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cuba/Narcotráfico, drogas y fuerzas de seguridad en debates del Parlatino



7 junio 2013, Prensa Latina http://www.prensa-latina.cu (Cuba)

La Habana (PL) La profundización del narcotráfico en nuestras sociedades depende de la connivencia de las fuerzas de seguridad, dijo hoy aquí la diputada argentina del Parlamento Latinoamericano (Parlatino) Carmen Lebreda.

La legisladora, al frente de la comisión de seguridad ciudadana del órgano regional y unicameral, comentó a Prensa Latina que el narcotráfico, las fuerzas de seguridad y

sábado, 27 de outubro de 2012

Timor-Leste/Fórum dos Supremos Tribunais da CPLP condena situação na Guiné-Bissau

26 outubro 2012/AngolaPress http://www.portalangop.co.ao (Angola)

Luanda – A IX Conferência do Fórum dos Presidentes dos Supremos Tribunais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que teve lugar de 22 a 24 do presente, em Dili, Timor-Leste, condenou a situação prevalecente na Guiné-Bissau.

A informação foi prestada à Angop pelo presidente do Tribunal Supremo de Angola, Cristiano André, momentos após o seu regresso ao país, depois de ter participado do evento, que produziu uma “Declaração Final” na qual o fórum toma uma posição com relação à situação prevalecente na República da Guiné-Bissau.

“A situação ali prevalecente não só desvia os rumos da justiça, como também acaba por ofender os princípios dos direitos humanos e obviamente que o povo da Guiné-Bissau vive uma situação que merece todo o apoio da comunidade regional e internacional, por forma a que esse quadro se modifique”, afirmou.

O encontro, que reuniu nove países e territórios que têm o português como língua oficial, decorreu sob a égide do governo de Timor e teve como objectivo passar em revista algumas questões que preocupam a comunidade a nível dos tribunais e da magistratura em particular.

A X Conferência do Fórum dos presidentes dos supremos tribunais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa terá lugar em Novembro de 2014, em São Tomé e Príncipe.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Brasil/ARTIGOS SOBRE COMBATE AO NARCOTRÁFICO NO RIO DE JANEIRO

1- A ARTE DA GUERRA NO RIO DE JANEIRO

2- QUE GILMAR MENDES NÃO SOLTE OS BANDIDOS DO RIO

3- COMBATER O BRAÇO FINANCEIRO E INSTITUCIONAL DO CRIME

4- VIOLÊNCIA DO CRIME ORGANIZADO



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1- A ARTE DA GUERRA NO RIO DE JANEIRO

2 dezembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Luciano Rezende *

Sun Tzu disse: “Na guerra, o objetivo principal é a vitória. Se esta tardar, embotam-se as armas e deprime-se o moral”. Décadas da presença do crime organizado em vastas regiões da cidade do Rio de Janeiro, com a cumplicidade de setores da própria polícia, fizeram com que a reputação desta corporação e dos poderes constituídos do Estado fosse maculada perante o povo. Resgatar a confiança e a credibilidade das instituições de segurança pública é tarefa das mais importantes.

Sun Tzu disse: “Ataca onde quer que o inimigo esteja despreparado; irrompe quando ele não te esperar”. Como se diz: “Quando o trovão ribomba, não há tempo de tapar os ouvidos”. A complexidade do tráfico faz necessário que além das ações mais enérgicas e de enfrentamento ostensivo se invista no trabalho de inteligência. Sitiar as movimentações financeiras é uma forma de manter o inimigo sob pressão e esgotá-lo.

Sun Tzu disse: “A natureza do terreno é o fator fundamental para o exército consolidar sua vitória”. “(...) Em terreno íngreme, devo tomar posições nas elevações ensolaradas e aguardar o inimigo”. Com as instalações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nos topos dos morros, deslocando os traficantes de suas antigas bases estratégicas, contribuirá sobremaneira para uma efetiva ocupação destas comunidades que, por sua topografia irregular, necessita contar com visão privilegiada para dificultar o retorno do inimigo. “Quando um gato se posta diante de um buraco de ratos, dez mil ratos não saem; quando o tigre vigia o vau, dez mil carneiros não atravessam o rio”.

Sun Tzu disse: “Um exército sem agentes secretos é exatamente como um homem sem olhos e sem ouvidos”. Nesse quesito, parece que os traficantes sempre dispuseram de informações privilegiadas partindo de dentro da própria polícia. Em contrapartida, percebe-se que agora a própria população, ao readquirir o moral de combatentes auxiliares desta guerra, passa a ser informante contra o tráfico, apoiando a polícia através de importantes denúncias telefônicas.

Sun Tzu disse: “Quando as tropas estão em situação favorável, o covarde é bravo; quando não, o bravo é covarde. Na arte da guerra não existem regras fixas. Estas dependem unicamente das circunstâncias”. Esperemos que a firmeza do discurso oficial no atual momento seja mantida com o decorrer do tempo e que as políticas sociais de fato “subam o morro” e sejam implantadas com a coragem necessária para superar de vez as práticas assistencialistas do inimigo.

Sun Tzu disse: “Não permitas que seus inimigos se aliem. Examina o conteúdo dessas alianças e provoca sua ruptura. Se o inimigo tem alianças, o problema é grave e a posição dele, muito forte; se não as tem, o problema é menor e a posição dele, muito fraca”. O crime organizado no Rio conseguiu tecer vasta rede de colaboradores. Tem representação no Parlamento e está infiltrado em várias repartições com anuência de vários agentes do poder público. Romper esse consórcio é tarefa a ser perseguida.

Sun Tzu disse muito mais em “A Arte da Guerra”. Documento milenar que a despeito de seu contexto histórico guarda enorme atualidade. Mas Sun Tzu não viveu o capitalismo. Não desconfiava de poder existir um modo de produção capaz de disseminar uma cultura de guerra e violência de fazer inveja aos antigos senhores de guerra.

A cultura da violência vem do berço no capitalismo que sobrevive do espírito de uma bestial competição, em todos os sentidos. A própria insegurança da população é um ótimo negócio a ser comercializado pela indústria da segurança, inclusive por milícias. Banalizou-se a violência como em poucos momentos da história da civilização. Hoje uma criança pede à mãe para comprar um “caveirão” do Bope de brinquedo, assistindo um ingênuo Pica-pau vermelho e azul meter uma paulada na cabeça de um índio. Todos riem.

Relembrando Brecht: “Muitos acusam o rio de violento, mas poucos são os que condenam as margens que o reprimem”. Em meio a mais uma cobertura midiática sensacionalista, é fundamental que, ao reafirmarmos a validade das operações policiais, também sejamos capazes de fazer uma leitura histórica e científica da violência no Rio, no Brasil e no mundo. Não ser ingênuo a ponto de pensar que o tráfico vai ser vencido apenas com políticas sociais, mas também não imaginar que somente a ação policialesca será suficiente para se alcançar o apaziguamento. O rio (e o Rio) está (ão) cada vez mais estreito (s).

A verdadeira paz só será atingida com outro sistema social, o que exigirá um outro tipo de guerra, mais prolongada, de longo fôlego. Sun Tzu disse: “A invencibilidade depende de nós. A vulnerabilidade do rival depende dele”. O capitalismo é débil por natureza, perecerá mais cedo ou mais tarde, a depender de nossa estratégia.
* Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Professor do Instituto Federal do Amazonas (IFAM).


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2- QUE GILMAR MENDES NÃO SOLTE OS BANDIDOS DO RIO

2 dezembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Messias Pontes *

O Brasil inteiro assistiu, atônito, nos últimos dias, às ações das forças militares e policiais no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Toda a sociedade apoiou o combate sem trégua aos bandidos e aplaudiu por não atingir pessoas inocentes nos morros da Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Muita droga – maconha, cocaína e crack – e muita arma pesada e farta munição foram apreendidas, causando enorme prejuízo financeiro aos traficantes, calculado em mais de R$ 100 milhões.

A sociedade brasileira aplaudiu também a prisão de vários “chefões” do tráfico, mas espera que os que conseguiram furar o cerco sejam presos no curto prazo. Espera também que haja uma averiguação rigoroso para apurar denúncias de que maus policiais facilitaram a fuga de alguns bandidos tanto no morro da Vila Cruzeiro como no Complexo do alemão. Há denúncias também de excesso por parte de policiais e até mesmo de roubo, conforme declarou um morador da Vila Cruzeiro que um soldado lhe roubou R$ 31 mil, dinheiro recebido da rescisão de contrato de trabalho.

Mas o que os brasileiros de bem esperam mesmo é que o ministro Gilmar Mendes – ou Gilmar Dantas, conforme o jornalista Ricardo Noblat – não venha a decretar a liberdade dos bandidos presos durante a operação policial-militar. A preocupação é procedente, pois este ministro, que infelizmente chegou à presidência da mais alta Corte de Justiça do País, tem sido benevolente, para não dizer um pai, com bandidos de colarinho branco.

Para surpresa geral, Gilmar Mendes soltou o banqueiro-bandido italiano Alberto Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, que deu um rombo de mais de R$ 1,5 bilhão. Em liberdade, Cacciola fugiu para o seu país, e só foi preso pela Interpol quando resolveu passear no Principado de Mônaco, e depois extraditado para cá. Ele foi condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.

Gilmar Mendes, para não perder a fama, concedeu celeremente dois habeas corpus ao também banqueiro-bandido Daniel Dantas, indiciado por vários crimes, entre eles gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além de proteger o banqueiro-bandido, Gilmar Mendes perseguiu implacavelmente o delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha que apurou a roubalheira do dono do banco Opportunity ; também perseguiu o delegado federal Paulo Lacerda, então diretor da ABIN, e o juiz Federal Fausto di Sanctis que decretou as prisões de DD.

A posição e as decisões do ministro Gilmar Mendes foram tão esdrúxulas que um movimento nacional ganhou corpo para o seu impeachment, o que acabou não acontecendo porque a maioria dos senadores é muito conservadora e medrosa, para não dizer covarde. Dezenas de entidades nacionais se manifestaram pelo impeachment desse ministro que foi indicado pelo Coisa Ruim (FHC) para o Supremo Tribunal Federal apesar das advertências feitas pelo grande jurista Dalmo de Abreu Dallari.

Setores progressistas da igreja católica têm denunciado as ações antidemocráticas de Gilmar Mendes, notadamente na criminalização dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Comprometido com os interesses do baronato da mídia, esse ministro tornou sem efeito a obrigatoriedade do diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.

Agora, para indignação geral, o ministro Gilmar Mendes põe em liberdade o médico-monstro Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, em primeira instância, por crimes sexuais contra 60 pacientes. O relato das vítimas desse monstro, que é milionário, chocou a todos, menos ao ministro do STF que não gosta de ver bandido de colarinho branco na cadeia.

A consciência democrática brasileira não aceita, por hipótese alguma, que o ministro Gilmar Mendes tenha a petulância de ordenar a soltura dos traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro, presos nos últimos dias nas comunidades de Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB.


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3- COMBATER O BRAÇO FINANCEIRO E INSTITUCIONAL DO CRIME

29 novembro 2010/Vermelho EDITORIAL http://www.vermelho.org.br

A provocação irracional e inaceitável iniciada pelo crime organizado com a onda de violência desencadeada no dia 21, teve um desdobramento inesperado não só para os bandidos mas também para toda população.

Pela primeira vez houve uma ação coordenada das polícias fluminenses, das Forças Armadas e de forças policiais da União para não só reprimir a ação criminosa, como também, numa verdadeira operação de guerra, desalojá-los dos espaços que controlavam e que transformaram em bases de operação para distribuir drogas ilegais, esconder seus arsenais, encontrar repouso e atendimento médico quando necessário depois de conflitos com a polícia ou adversários de outras facções criminosas. Eles construíram, em favelas e outras comunidades pobres do Rio de Janeiro verdadeiros para-estados, à margem da lei e das instituições.

A operação coordenada desta semana indica que é possível combater o tráfico e o crime organizado a ele associado. Ela teve um êxito inicial e o mérito cabe ao governo do Rio de Janeiro e do governo federal.

Há notícias de que o descontentamento dos criminosos que degenerou naqueles ataques decorreria da implementação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), primeiro passo para a ocupação dos territórios antes entregues aos bandidos. Através das UPPs, o Estado retomou sua presença nas comunidades, seja através da prestação de segurança, como de outras políticas públicas, em benefício da população.

O apoio da população à ação bélica contra os bandidos (que pode ser medido pelo alto número de ligações anônimas feitas para o disque-denúncia, e que permitiu a localização e a prisão de inúmeros traficantes) revela o sucesso alcançado pelas UPPs, cuja mera existência passa a ser um sinal de reocupação pública de espaços dominados por facções. Para a deputada federal eleita Jandira Feghali (PCdoB-RJ), “antigamente a população tinha mais medo da policia do que dos traficantes e milícias, mas desta vez a população não apenas apoiou como colaborou”. E este apoio continuará sendo decisivo nesta etapa em que, ocupado o território, começa a varredura casa a casa para uma verdadeira “limpeza” do terreno e consolidação da “conquista”.

Vai durar? Esta é outra pergunta que está em muitas mentes. Setores conservadores se assanham com a presença das Forças Armadas nas ruas, mesmo que não tenham se envolvido no combate direto mas participado do apoio logístico e material e do controle do território tomado aos bandidos. Há, aqui, um eco de velhos sonhos antidemocráticos de “botar o Exército na rua” para ações policiais que não fazem parte de sua missão constitucional, que é a de defender a soberania e a integridade nacional.

A participação das Forças Armadas na operação ocorrida no Rio de Janeiro foi inestimável e merece elogios justamente pelo sentimento de respeito à lei demonstrado pelos militares, definindo claramente o papel e a função que tiveram na operação, manifestando a disposição de ir para o sacrifício e contribuir para consolidar a vitória obtida e subordinar-se ao comando civil da operação.

Foi essa participação que permitiu a vitória. E é possível imaginar que permitiu por várias razões que incluem o uso de veículos blindados, helicópteros, barcos, soldados e oficiais que se tornaram exímios em ações desse tipo. Mas há outra razão que precisa ser lembrada: a mera presença de oficiais das Forças Armadas nesta ação deve ter contribuído para encorajar os policiais honrados, que constituem a maioria, e intimidar a “banda podre” da polícia carioca, que a opinião quase unânime dos especialistas aponta como um dos principais fatores de existência e reforço do crime organizado com o qual mantém relações cúmplices de proteção e envolvimento em negócios altamente rentáveis como o tráfico de drogas e também de armas pesadas que asseguram o poderio bélico da criminalidade.

Vários especialistas opinam que a permanência do sucesso de uma operação dessa envergadura será consequência não do envolvimento das Forças Armadas no combate ao crime, mas de uma profunda reforma da polícia que elimine a “banda podre” formada por poderosos focos de corrupção e envolvimento com o crime. O antropólogo Luiz Eduardo Soares, que foi (em 1999/2000) coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do Rio, usa palavras fortes para descrever a situação atual e justificar a necessidade de uma reforma profunda da polícia. Há uma “degradação institucional em curso”, diz ele.

Uma outra ponta do tráfico que precisa ser combatida com vigor semelhante ao demonstrado nesta semana no Rio de Janeiro é aquilo que se poderia chamar de “braço financeiro e institucional” do tráfico. Os financiadores do tráfico, de drogas e de armas, aqueles que se encarregam da lavagem do dinheiro, certamente não moram nas favelas nem nos morros, diz a deputada Jandira Feghali. Certamente eles sofrerão enormes prejuízos em consequência da operação militar desta semana. Mas é preciso ir além – identificá-los e submetê-los aos rigores da lei da mesma forma como se faz com os gerentes do tráfico e com a chefia intermediária, aquela que está nas favelas e nos presídios.


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4- VIOLÊNCIA DO CRIME ORGANIZADO

26 novembro 2010/Zillah Branco Escreve http://zillahbrancoescreve.blogspot.com/

Não há dúvida de que os dois mandatos do governo Lula plantaram na sociedade brasileira as sementes democráticas que agora, com Dilma, deverão ser defendidas e orientadas para a construção de instituições públicas livres do domínio oligárquico exercido pela velha elite mandante. Todos os que participaram dessa construção de uma dinâmica que implanta os princípios democráticos em cada expressão do Estado de Direito sabem que o caminho de transformação, com base nas alianças entre todas as forças sociais e políticas nacionais, é longo e exige tenacidade em cada passo.

Foram diferentes iniciativas, alterando a legislação e as normas administrativas, buscando a participação dos cidadãos para definir o caminho do país, analisando criticamente o funcionamento dos órgãos de serviço público, fortalecendo um sistema democrático de atendimento ao povo, combatendo preconceitos e abusos de poder que desvirtuam o papel do Estado, denunciando os obstáculos criados por uma oposição criminosa ao desenvolvimento social e estabelecendo os limites éticos da ação política e administrativa na gestão do patrimônio nacional. Foi aberto o caminho para que instituições verdadeiramente democráticas passem a definir o Estado e que a impunidade deixasse de entravar a justiça no país.

Vemos, neste episódio de guerra do narcotráfico contra as forças policiais do Rio de Janeiro, o quanto a sociedade evoluiu no tratamento dos problemas sociais afetados pela ação do crime organizado. A Segurança Pública do Rio de Janeiro, que há perto de trinta anos combate as ações criminosas que têm suas bases nas favelas onde vivem centenas de milhares de famílias de trabalhadores, foi agora organizada com fundamentos técnicos militares e conhecimento científico para entender o comportamento dos cidadãos envolvidos – de bandidos e de moradores inocentes – conduzindo com maestria um enfrentamento decisivo com um mínimo de vítimas pessoais.

O processo gradual que minou e desesperou os chefes do narcotráfico.tornou-se possível como reflexo do novo caminho aberto com a meta democrática. As forças militares e policiais de todo o país ofereceram a sua ajuda que foi sendo aceita na medida das necessidades para um confronto final e rápido. Não houve competição entre poderes, houve solidariedade nacional. Os tanques da Marinha, os aviões blindados da Aeronáutica, o apoio de militares para garantir a ordem liberando as polícias estaduais para darem seqüência ao plano de pacificação que vem sendo implantado em todas as favelas há longos meses através da fixação de UPP (unidades policiais de pacificação). Os especialistas em segurança pública, os analistas científicos e os militantes dos movimentos sociais concordam em que a polícia evoluiu de uma fase de vigilância, como poder externo, para a de ajuda integrada com os moradores. Só assim conseguiram quebrar a força de proteção popular exercida pelos criminosos e criar condições para que o Estado assumisse as suas funções e conquistasse a confiança da população.

Foram dados exemplos de profunda significação na chefia da Segurança Pública em contacto permanente com a população através dos telefones de apoio. Os erros denunciados, de ligação de elementos da Polícia com o crime organizado, de prática de violência contra civis inocentes, de abusos de poder – que desde a vigência da ditadura em 1964 se tornara habitual e assustador – foram banidos e a impunidade deixou de vigorar nas ações policiais e militares. Resta agora que o sistema judicial e carcerário nacional entre no mesmo caminho de saneamento tanto de leis inadequadas como de comportamento irresponsável que limita a luta da sociedade contra o crime organizado. No Rio de Janeiro, nesta semana, foram alcançados êxitos admiráveis de aliança democrática dos órgãos de segurança pública e a população que passou a participar solidariamente com confiança no Estado, e a adesão da mídia integrada aos objetivos de luta do comando unificado contra o crime organizado.

Todos os que elegeram Lula em 2002 e que o acompanharam dentro ou fora do aparelho governamental, sabem que o processo segue o seu curso, agora com Dilma, na consolidação das primeiras conquistas democráticas (são muitas, a começar do combate à fome e pela integração social da maior parte da população brasileira com benefícios institucionais e no desenvolvimento nacional com independência) e que a fase de consolidação das conquistas abrirá novos caminhos para aprofundar as mudanças. Todos sabem que novas formas de oposição vão surgir, dos que encontram apoio em forças criminosas antidemocráticas criadas para gerar o caos nas sociedades que se levantam. A história da humanidade apresenta este quadro em várias épocas e diferentes regiões do planeta. Surgem razões pessoais, questões transitórias, ambições de grupos políticos, que se unem para destruir o que o povo constrói.

Assim é a violência que se desencadeou recentemente no Rio de Janeiro para intimidar os defensores de uma estratégia pacificadora das numerosas favelas onde se escondem as redes do crime organizado. Assim foi a campanha de difamação que se multiplicou através da internet e dos meios de comunicação social que apoiavam a fraca oposição à eleição de Dilma. Assim agiram os colonialistas britânicos no Oriente Médio dividindo os territórios árabes, os colonizadores europeus da África e da Ásia semeando a discórdia entre povos vizinhos, e o imperialismo norte-americano que sucedeu ao colonialismo globalmente. Com características de atos isolados, de rebeldia de grupos que perdem seus antigos privilégios, são confundidos com situações de insatisfação populares e as suas causas atribuídas à incapacidade ou erros dos governantes. A responsabilidade da mídia nesses momentos é decisiva para evitar que a violência de poucos seja utilizada por interesses privados contra as mudanças democráticas.

As dificuldades que se avizinham são atenuadas pelos vigorosos passos dados no sentido da solidariedade real da população e de meios de comunicação social com o Estado na medida em que se reestrutura com os recursos do conhecimento científico das questões sociais e das metas democráticas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Bolivia propuso a países latinoamericanos y del Caribe rechazar bases militares EEUU en la región

Agencia Boliviana de Información (ABI)

Por Adalid Cabrera Lemuz

Santa Cruz de la Sierra, Bolivia 24 noviembre 2010 (ABI) - Bolivia propuso a los países de América Latina y del Caribe la aprobación de medidas que rechacen la instalación de bases militares de Estados Unidos en la región por ser negativas para la paz en el continente, informó el miércoles el ministro de Defensa Nacional, Rubén Saavedra.

La propuesta fue presentada ante la IX Conferencia de Ministros de Defensa de América que se inició el lunes en esta ciudad boliviana, ubicada a 900 kilómetros al sudeste de La Paz.

En una conferencia de prensa el miércoles, Saavedra dijo que existe el convencimiento en Bolivia de que «Las bases militares de Estados Unidos en Latinoamérica y el Caribe comprometen la paz en la región».

La posición de Bolivia se enmarca en la política sustentada por el Gobierno en defensa de la soberanía de los pueblos y la no injerencia de otras naciones en la política interna, entre ellas las potencias mundiales.

En la ceremonia inaugural de la IX Conferencia de Ministros de Defensa de las Américas, el presidente de Bolivia, Evo Morales, denunció las permanentes acciones de injerencia de Estados Unidos en la política regional.

Dijo que, en el caso boliviano y en el pasado reciente, el año 2002 el entonces embajador de Estados Unidos en La Paz, Manuel Rocha, llegó a instar a la población a no apoyar la elección del líder de los productores de hojas de coca y candidato del Movimiento al Socialismo (MAS) como presidente de Bolivia.

Agregó que en septiembre de 2008, otro de los embajadores de Estados Unidos en Bolivia, Philip Goldberg, apoyó una conspiración de los partidos de derecha y cívicos opositores para desestabilizar al Gobierno con el fin de precipitar la caída del presidente Morales.

El Mandatario lamentó en forma reiterada ?la injerencia de los gobiernos de Estados Unidos en la política boliviana, al punto de definir durante las dictaduras y las administraciones neoliberales las designaciones de jefes militares, policiales e inclusive de Ministros?.

Morales ha manifestado en diversos foros internacionales que la instalación de bases militares de Estados Unidos en Colombia y en Honduras tenía como objetivo contar con grupos militares en apronte ante las contingencias regionales ?antes que luchar contra el narcotráfico y el terrorismo?.

Agregó que en la zona de El Chapare, en el trópico de Cochabamba, los agentes de la Oficina anti Drogas de Estados Unidos andaban armados y tenían bajo sus órdenes a las fuerzas policiales y militares y se daban a tarea de perseguir con sus helicópteros a los productores de coca que reclamaban por sus reivindicaciones.

«Era prácticamente como una base militar y policial de Estados Unidos en Bolivia, junto a gestiones de algunas agrupaciones para que los agentes anti droga del norte cuenten con inmunidad para desarrollar sus actividades», enfatizó.

El ministro de Defensa de Ecuador, Javier Ponce Ceballos, expresó la preocupación de su país por la instalación de bases militares de Estados Unidos en su vecino Colombia.

Dijo que en la población de Manta, Ecuador, funcionaba una base militar de Estados Unidos en el pasado, por lo que su país opina con conocimiento sobre sus implicancias.

A su vez, el ministro de Defensa de Colombia, Rodrigo Rivera, subrayó que el acuerdo suscrito por su gobierno con Estados Unidos para las bases militares se da en el marco de las decisiones soberanas de cada nación, lo que muestra el debate que existe sobre el tema entre los Ministros en la Conferencia Internacional de Santa Cruz de la Sierra.

El ministro de Defensa de Bolivia anotó que otro de los planteamientos de Bolivia ante la IX Conferencia de Ministros de Defensa de las Américas es la adopción de acuerdos de rechazo a movimientos de complot y desestabilización de las democracias en la región.

El presidente de Bolivia recordó en forma reiterada los atentados contra la democracia sufridos desde 2002 por Venezuela, Bolivia, Honduras y Ecuador que ?contaban con el respaldo de Estados Unidos?.

«Estamos 3-1, porque Venezuela, Bolivia y Ecuador derrotaron esos movimientos conspirativos, pero no así Honduras, tras el derrocamiento del presidente hondureño Manuel Zelaya», anotó.
El Ministro de Defensa enfatizó que un tercer asunto fuerte de los planteamientos bolivianos ante la IX Conferencia de Ministros de Defensa es el levantamiento del secreto bancario con el fin de afectar las partes vulnerables de las organizaciones del crimen organizado, entre ellas las del narcotráfico.

Saavedra recordó que los ejes temáticos de la agenda que debaten los ministros americanos de defensa fueron aprobados en julio de este año en el encuentro de Viceministros de Defensa que se celebró en la ciudad de Santa Cruz de la Sierra bajo iniciativa de Bolivia y en el marco del consenso.

Esos ejes temáticos son la búsqueda de acuerdos para consolidar la paz y la seguridad y acrecentar la confianza mutua, adoptar mecanismos para transparentar los gastos en transferencias militares en la región y convenios de cooperación para enfrentar los desastres naturales, además de promover la participación de las Fuerzas Armadas en el desarrollo.

El encuentro de Ministros de Defensa de las Américas se inició el lunes en medio de estrictas medidas de seguridad y será clausurada el jueves por el vicepresidente Alvaro García Linera.

La X Conferencia de Ministros de Defensa de las Américas se desarrollará en Uruguay el año 2012.


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Bolivia/Incremento del gasto militar sólo se justifica para seguridad interna y lucha contra narcotráfico

Agencia Boliviana de Información (ABI)

Por Adalid Cabrera Lemuz

Santa Cruz de la Sierra, Bolivia 23 noviembre 2010 (ABI)- Lo único que justifica un aumento del gasto militar en la región es para fortalecer la seguridad interna y el combate al narcotráfico y otros crímenes trasnacionales, manifestó el martes el secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

Insulza participa desde el lunes en calidad de observador internacional en la IX Conferencia de Ministros de Defensa de las Américas en la que se encuentran delegaciones al más alto nivel de 30 naciones del continente.

En una conferencia de prensa, subrayó que si bien el gasto militar es bajo en la región porque no existen conflictos de magnitud y no se justifican, es necesario «Transparentarlos mediante la suscripción de una nueva Convención ante la OEA o elaborar otra».

De acuerdo con las estimaciones realizadas por expertos, el país sudamericano que mayores gastos realiza en la transferencia de armas es Brasil con 27.540 millones de dólares, seguido por Colombia con 6.746 millones, cifra que es destinada al Plan Colombia y a la guerra con las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), y Chile con 5.395 millones.

Insulza reiteró que «Hay una Convención interamericana en la OEA, por la que los países se comprometen a entregar informaciones sobre transferencias militares, al igual que en la Organización de las Naciones Unidas (ONU) que deben ser perfeccionadas».

Puntualizó que la propuesta es elaborar una Convención Interamericana para el Gasto Militar o complementar la existente, lo que consideró posible y comprometió el trabajo de esta organización para encaminarla.

El propósito es que cada año las naciones americanas hagan conocer sus reportes de gastos militares con transparencia.

El secretario general de la OEA expresó su satisfacción porque el gobierno de Estados Unidos haya manifestado en la Conferencia de Ministros de Defensa su disposición de ratificar en el Congreso de ese país la Convención sobre las transferencias y gastos en armas.

Enfatizó que para comparar la cantidad de armamento que tienen unos países con relación a otros, es necesario contar con los reportes y ejercitar acciones de confianza mutua entre las naciones.

Precisamente las delegaciones gubernamentales de Defensa de 30 naciones buscan en Santa Cruz de la Sierra dar mayor relevancia a acuerdos de cooperación y de reafirmación de la confianza para enfrentar diversos problemas, antes que recurrir a la compra de armamento.

«Es importante considerar que si bien hubo compras de gasto militar, el registro no es significativo y puede bajar más aún si se mantiene la paz», dijo.

Reiteró que el aumento de los presupuestos para la compra de armas por parte de los países americanos solamente puede justificarse si se enfrenta a delitos que afectan la seguridad interna, como son el narcotráfico y el crimen organizado.

«Mientras el narcotráfico siga siendo un buen negocio y peligroso va a seguir comprando armas y financiando otros hechos criminales, además de fortalecer sus ejércitos», agregó.

Hizo patente su convencimiento de que «Atacar el aspecto financiero del narcotráfico a través del lavado de los recursos ilícitos generado por este delito es un tema central.

«El levantamiento del secreto bancario es un golpe formidable para eliminar al narcotráfico y sus tentáculos de drogas y de crímenes o, por lo menos, reducirlo al máximo hasta destruirlo», aseveró, aunque aclaró que todo dependerá de las legislaciones nacionales y sus respectivas estrategias de seguridad.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Autoridades de Colombia y Venezuela se reúnen para afianzar lucha antidrogas

19 noviembre 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Autoridades de Colombia y Venezuela se reúnen este viernes en la colombiana ciudad de Cartagena (norte) para evaluar mecanismos que permitan fortalecer la lucha conjunta contra el narcotráfico, como parte del acuerdo alcanzado por ambas naciones suramericanas para garantizar la seguridad en la frontera común.

La reunión, la primera entre autoridades encargadas del área antinarcóticos, será encabezada por el ministro venezolano del Interior, Tareck El Aissami, y el titular de Defensa de Colombia, Rodrigo Rivera.

Se trata de un nuevo contacto entre las naciones vecinas, que desde agosto pasado adelantas esfuerzos por restablecer completamente sus vínculos diplomáticos.

A esta reunión además asistirán los jefes de operaciones y expertos en narcotráfico de las Fuerzas Militares de Colombia, la dirección antinarcóticos de la Policía Nacional y funcionarios técnicos de ambos países.

Las discusiones de este encuentro se centrarán, fundamentalmante, en el objetivo de lograr un acercamiento entre las autoridades colombianas y venezolanas que permita trabajar conjuntamente en la lucha contra el narcotráfico.

Las delagaciones de ambos países sesionarán en mesas de trabajo que abordarán temas como la erradicación de cultivos ilícitos, el procesamiento de estupefacientes, el control a la producción, ingreso, desvío y tráfico de precursores y sustancias químicas, redes de tráfico, interdicción y lavado de activos, entre otros..

El encuentro se realiza de acuerdo con la denominada Declaración de Miraflores, suscrita por Bogotá y Caracas el pasado 2 de noviembre, en la que se convino "llevar a cabo una reunión de las autoridades encargadas de la lucha contra el tráfico de drogas y delitos conexos".

Colombia y Venezuela decidieron recomponer sus vínculos, luego que los presidentes Juan Manuel Santos y Hugo Chávez se reunieran el pasado 10 de agosto en Santa Marta, capital del departamento de Magdalena, en el Caribe colombiano.

En esa cita ambos estadistas establecieron la reanudación de sus lazos con base en un diálogo transparente, directo, respetuoso y privilegiando la vía diplomática.

Para ello se acordó garantizar la permanencia y estabilidad de las relaciones mediante un estricto cumplimiento al derecho internacional y aplicando los principios de no injerencia en los asuntos internos y de respeto a la soberanía e integridad territorial de los Estados.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Colômbia/COMANDANTE JORGE BRICEÑO: UM REVOLUCIONÁRIO ASSASSINADO

28 setembro 2010/ODiário.info http://www.odiario.info

Miguel Urbano Rodrigues

«Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño chamar-lhe bandido, assassino e narcotraficante, mas as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combte. Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da tempera de Bolívar, Sucre e Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estátuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações,tal como o de Manuel Marulanda, fundador das FARC.»

A morte do comandante Jorge Briceño, das FARC, foi apresentada pelo sistema mediático controlado pelo imperialismo como «grande vitória da democracia sobre o terrorismo» e festejada pelo presidente dos EUA e pela maioria dos governantes da União Europeia.

A mentira e a calúnia podem manipular a informação e enganar centenas de milhões de pessoas, mas não fazem História.

O comandante Jorge Briceño, nome de guerra de Victor Suarez, conhecido na Colômbia como Mono Jojoy – «homem branco», no dialecto das tribos amazónicas da Região – foi um estratego militar de prestígio continental e um revolucionário exemplar que dedicou a vida ao combate pela libertação do seu povo, oprimido pela oligarquia mais corrupta e sanguinária da América Latina.

A sua morte culminou uma operação de custo milionário em que participaram a Força Aérea, a Polícia, os serviços de inteligência, o Exército e a Marinha da Colômbia com a colaboração de Israel, da CIA e do Pentágono.

Segundo El País, de Espanha, e alguns jornais Colombianos, o crime começou a ser preparado cientificamente há quatro anos quando, numa bota de Mono Jojoy teria sido colocado um chip que permitia via satélite acompanhar por GPS a sua movimentação nas densas florestas dos Departamento do Meta e do Caquetá, praticamente controladas pelo Bloco Oriental das Forças Armadas Revolucionárias–FARC, por ele comandado.

O cerco dos acampamentos do comandante Briceño, nas Serranias de La Macarena, principiou no dia 21 de Setembro. Segundo fontes oficiais, o bombardeamento das instalações, que abrangiam numerosas e profundas cavernas naturais nas escarpas da montanha, foi devastador. 20 Aviões e 37 helicópteros lançaram, no dia 22, sobre uma área reduzida, 100 bombas num total de 50 toneladas.

No ataque foram utilizadas armas e tecnologia que os EUA somente fornecem a Israel e à Colômbia.

A intervenção posterior de forças terrestres da VII Brigada do Exército encontrou, segundo o governo de Juan Manuel Santos, forte resistência das FARC. Nos combates que ainda prosseguem na Região, o Exército reconheceu ter sofrido numerosas baixas, entre feridos e mortos.

A TRAIÇÃO
Tal como ocorreu com a operação encenada cujo desfecho foi a mal chamada «libertação» de Ingrid Bettencourt, a traição de alguns guerrilheiros está na origem do assassínio do Jorge Briceño. Sem ela, a localização do acampamento e do lugar exacto onde se encontrava o comandante na hora do ataque, não teriam sido viáveis. Aliás, somente o segundo bombardeamento, realizado com bombas «inteligentes» de grande precisão, atingiu o objectivo: matar Jorge Briceño.

Mono Jojoy sofria de uma diabetes avançada. Por suportar mal as botas da guerrilha, usava umas ortopédicas, especiais. Segundo informações divulgadas em Bogotá, o responsável pela Intendência das FARC incumbido de comprar esse calçado teria entrado em contacto com os serviços de inteligência que introduziram o minúsculo chip numa dessas botas.

Cabe esclarecer que o Governo de Uribe – o anterior presidente – tinha criado um prémio equivalente a dois milhões de euros para quem contribuísse para a «captura ou morte» do chefe guerrilheiro.

A fixação da data para a operação – intitulada pelo governo «Boas Vindas às FARC» e «Sodoma» pelas Forças Armadas – foi antecipada porque nas últimas semanas a organização guerrilheira, desmentindo a propaganda oficial que a apresentava como moribunda, retomara a iniciativa em múltiplas frentes, numa demonstração da sua vitalidade.

Em Agosto e Setembro, em ataques de surpresa e embocadas, nos Departamentos do Caquetá e do Meta, foram abatidos em combate 90 elementos do Exercito e da Polícia.

Simultaneamente, o Secretariado do Estado Maior Central das FARC reafirmava a sua disponibilidade para negociar com o novo governo uma solução para o conflito que levasse à paz desejada pelo povo colombiano e dirigia-se à UNASUL, solicitando uma reunião em que pudesse expor e defender o seu projecto de uma verdadeira paz social para o Pais.

O presidente títere José Manuel Santos, com o aval de Washington, tomou então a decisão de montar o ataque à Serra de La Macarena cujo desfecho foi o assassínio do comandante Jorge Briceño e de um punhado dos seus camaradas.

Segundo “El Tiempo”, 4 traidores serão recompensados com dois milhões.

OS PARABENS DE OBAMA
Jorge Briceño é qualificado pelos media de Bogotá e dos EUA de assassino, terrorista feroz e narcotraficante. A linguagem costumeira para designar os dirigentes das FARC.

Essas calúnias e insultos estão desacreditados na América Latina. As forças progressistas do Continente e milhões de trabalhadores identificavam em Briceño um revolucionário de fibra, sabem que ele foi desde a juventude um comunista coerente. Ao oferecer um prémio gigantesco pela sua cabeça, o governo de Uribe demonstrou o respeito que lhe inspirava a capacidade de Mono Jojoy como estratego. Nas cordilheiras e nas selvas colombianas ele, combatendo, adquirira um prestígio quase lendário, emergindo como um símbolo da invencibilidade das FARC. Muitas vezes lhe anunciaram a morte para depois a desmentirem.

O general Padilla, quando comandante-chefe do Exército, dirigiu-lhe um apelo para que se rendesse, oferecendo-lhe garantias se o atendesse. Briceño, em resposta irónica, disse-lhe que uma organização revolucionária que lutava há quase quatro décadas somente deporia as armas quando o povo da Colômbia fosse libertado.

Em 2001, quando as FARC, na cidade de La Macarena, não longe da Serra do mesmo nome – libertaram unilateralmente cerca de 300 soldados e polícias capturados em combate, tive a oportunidade de conhecer e saudar Mono Jojoy. A troca de palavras foi breve porque ele era assediado por embaixadores ocidentais da Comissão Facilitadora da Paz então existente que admiravam o seu talento de estratego. Recordo que nessa jornada o interrogaram sobre a proeza militar que fora a tomada da cidade de Mitú na fronteira da Venezuela numa ofensiva fulminante de Briceño que humilhou os generais colombianos. As FARC combatiam então em 60 Frentes. Vi um vídeo do acontecimento. O discurso que na época dirigiu à população, concentrada na praça principal da cidade, foi uma peça de oratória revolucionária divulgada inclusive por grandes jornais da América Latina.

Compreende-se o ódio da oligarquia colombiana ao estratego das FARC.
Para o matar tiveram de mobilizar milhares de homens e dezenas de aeronaves e de gastar milhões para comprar a consciência de traidores. Agora exibem-lhe o cadáver como troféu.

O presidente dos EUA, numa atitude abjecta, saudou o seu colega colombiano pelo crime. Abraçou-o na Assembleia-geral da ONU, anunciou um aprofundamento da aliança com o regime fascista de Bogotá, e declarou, eufórico: «sublinho a liderança do presidente Santos e felicito-o porque ontem foi um grande dia para a Colômbia, em que as suas forças armadas realizaram um extraordinário trabalho (…) O presidente da Colômbia pode contar com todo o nosso apoio».

Essa a noção que o imperialismo tem da ética.

Mas Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño, chamar-lhe bandido, assassino e terrorista que as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combate.

Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da têmpera de Bolívar, Sucre, Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estátuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações.
V.N de Gaia, 26 de Setembro de 2010.

Nota: *O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Edgar Cely, desmentiu as noticias segundo as quais os movimentos de Jorge Briceño eram há tempos acompanhados por GPS. As suas declarações devem porem ser recebidas com reservas, porque não coincidem em muitos pontos com a versão dos acontecimentos publicada por “El Tiempo”,propriedade da família do actual presidente da Republica, Juan Manuel Santos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Colômbia/EM DEFESA DAS FARC

Miguel Urbano Rodrigues

16 agosto 2010/ODiário.info http://www.odiario.info

Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues critica a hipocrisia dos grandes do capital ao prestarem homenagem ao actual presidente da Colômbia e lamenta a atitude assumida por Hugo Chávez em Santa Marta. O presidente da Venezuela não foi coerente com a sua politica anti-imperialista. Durante anos sugeriu que às FARC fosse reconhecido o estatuto de organização beligerante; agora cede às pressões de um criminoso como Juan Manuel Santos que vê na guerrilha revolucionaria colombiana um grupo de terroristas.

Subitamente, em Washington, Londres, Berlim e Paris, uma chuva de elogios caiu sobre a Colômbia. Um Estado policial, neofascista, mascarado de democracia, surgiu nas manchetes dos jornais de referência e no discurso dos estadistas do Ocidente como modelo para a América Latina.

Álvaro Uribe, o presidente que terminou o seu segundo mandato, foi nomeado co-presidente da comissão internacional criada pela ONU para levar adiante o inquérito sobre o ataque israelense à Flotilha da Liberdade. Simultaneamente, a prestigiada universidade de Georgetown, em Washington, convidou-o para dirigir, como catedrático, um curso de formação de dirigentes políticos.

Na posse de Juan Manuel Santos, seu sucessor, compareceram 16 chefes de Estado, na maioria da América Latina. Não faltou o príncipe herdeiro da Espanha. Durante dias o novo presidente foi saudado pelos grandes media ocidentais como um talentoso político democrático com um projecto inovador, decidido a imprimir à Colômbia uma orientação diferente da uribista, introduzindo no país reformas profundas.

Todos estavam conscientes de que mentiam.

O discurso de Santos é diferente, mas a politica de terrorismo de estado vai prosseguir sob os aplausos dos EUA e da oligarquia mais reaccionária da América Latina.

Para a Casa Branca a Colômbia actual é uma democracia quase exemplar. O presidente foi também saudado com particular entusiasmo por Israel, íntimo aliado.
Uma hipocrisia inocultável foi o denominador comum na apologia do herdeiro de Uribe pelos príncipes do capital.

De repente simularam esquecer o currículo de Juan Manuel Santos [1].
O sucessor de Uribe é um aventureiro da política e um criminoso cujas palavras mansas escondem um passado tenebroso.

JMS foi o principal responsável, como ministro da Defesa, do ataque pirata da força aérea e do exército colombianos ao acampamento de Sucumbio no Equador, realizados com a cumplicidade do Pentágono, da CIA e da Mossad isrealense em Fevereiro de 2008. Nesse bombardeamento morreram o comandante Raul Reyes, responsável pelas Relações Exteriores das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia - Exército Popular, duas dezenas de combatentes da organização, e três jovens mexicanos que ali se encontravam.

O presidente do Equador, Rafael Correa, respondeu ao acto de barbárie rompendo as relações com o governo de Bogotá e a Justiça equatoriana exigiu a extradição de Juan Manuel Santos para ser julgado como primeiro responsável pelo crime. O processo não foi avante porque Uribe alegou incompetência do tribunal do Equador para julgar o seu ministro.

Transcorrido um ano, tive a oportunidade de falar em Caracas com um jovem que assistiu ao bombardeamento e à posterior descida no acampamento de tropas aerotransportadas. Não esqueci o relato que ele fez da matança dos guerrilheiros, feridos, que tinham sobrevivido ao bombardeamento. Contrariamente ao que os media noticiaram, morreram combatendo.

O processo foi agora arquivado porque, sendo chefe de Estado, JMS goza de impunidade, mas julgo útil recordar que ele se orgulha de ter sido o autor intelectual da chacina de Sucumbio.

O ALVO: AS FARC-EP
Dos presidentes do México, do Peru, do Chile eram esperadas as homenagens a Santos.
Mas, estranhamente, presidentes como Lula, Cristina Kirchner, Mauricio Funes e Fernando Lugo não somente aderiram ao coro de elogios como manifestaram o seu apoio à chamada política de «segurança democrática» iniciada por Uribe e cuja continuidade foi defendida pelo novo presidente.

Mais, aproveitaram a oportunidade para criticar as organizações insurgentes e sugerir que as FARC-EP e o ELN abandonem a luta e se integrem no sistema, aceitando dialogar com Santos nas bases por este definidas.

Particularmente inesperada foi a posição assumida por Hugo Chávez. O presidente da Venezuela deslocou-se a Santa Marta, no Caribe colombiano, e, na casa onde Bolívar faleceu, trocou abraços com Santos, assinou acordos e assumiu compromissos que, pela forma e pelo conteúdo são chocantes.

Compreende- se que Chávez pretenda normalizar as relações com a Colômbia após a ruptura resultante da ultima provocação de Uribe (2). Mas usou uma linguagem muito infeliz ao referir-se às organizações revolucionárias que combatem o estado neofascista colombiano, sugerindo na prática que se submetam às exigências de JMS. Colocou as FARC-EP e o ELN no mesmo plano dos bandos criminosos do paramilitarismo e dos cartéis do narcotráfico.

AS FARC têm afirmado repetidamente a sua disponibilidade para dialogar com o governo sobre a necessidade de paz no país.

Mas qual é o conceito de dialogo de Santos, exaustivamente exposto durante a campanha eleitoral e no seu discurso de posse?

Três são as suas condições para o diálogo com as FARC:
Deposição prévia das armas; libertação imediata de todos os presos em seu poder; e «renúncia ao narcotráfico».

Que significam essas exigências?

Que Santos não quer dialogar; exige, sem o dizer expressamente, a capitulação incondicional das FARC-EP.

Se a guerrilha depusesse as armas previamente, ficaria à mercê do Poder oligárquico.
Cabe lembrar o genocídio político dos anos 80.

Em Março de 1984 as FARC aceitaram a proposta do presidente Belisario Bettencourt para lutarem no quadro das instituições ditas democráticas, renunciando à luta armadas. E que aconteceu?

Fundou-se um partido progressista, a União Patriótica, que participou em eleições. A UP elegeu muitos senadores, deputados, autarcas. A resposta do Poder foi uma repressão política bárbara. Em três anos foram assassinados mais de 3.000 parlamentares, juízes, autarcas, dirigentes sindicais, supostamente ligados às FARC, num genocídio político sem precedentes.

Para sobreviverem, as FARC retomaram a luta armada.

Até a questão dos prisioneiros é colocada capciosamente por Santos. Reclama tudo sem oferecer nada em troca.

Pessoalmente, desaprovo os sequestros. Mas não posso ignorar que o governo mantém nos seus presídios, em condições sub humanas, milhares de guerrilheiros. E recusa-se ao intercâmbio humanitário, isto é, a libertação de uma parte desses presos, trocando-os por «reféns» – a maioria dos quais militares capturados em combate – em poder das FARC-EP.

Nas fossas de La Macarena, na Amazónia, recentemente descobertas, foram encontradas as ossadas de milhares de cidadãos assassinados pelo Exército da oligarquia durante as perseguições contra pessoas suspeitas de ligações com a União Patriótica e as FARC-EP.

Como confiar na palavra de Juan Manuel Santos, o responsável pela chacina de Sucumbio?

Estou certo de que Chávez não tardará a arrepender-se de haver acreditado na promessa de uma relação «transparente, democrática e respeitosa» feita por um politico corrupto e criminoso que, inevitavelmente, vai dar continuidade à estratégia agressiva e de ultra direita imposta por uma oligarquia de cujos interesses é o representante na Casa de Nariño.

Surpreende também que, sendo hoje Hugo Chavez na América Latina o pioneiro, quase o motor, da contestação ao imperialismo – pelo que merece o apoio e admiração das forças progressistas do Continente – não tenha levantado em Santa Marta o tema da instalação de 7 novas bases militares dos EUA na Colômbia. Esquecendo que na UNASUL afirmou que essas bases configuram uma ameaça inadmissível à independência dos povos da América Latina, afirmou que cada país tem o direito soberano de decidir sobre problemas como esse.

HERÓIS DA AMÉRICA LATINA
Inspira-me repugnância a terminologia utilizada pelo governo e o Exército da Colômbia para designar as FARC-EP, terminologia alias perfilhada pela ONU, pela União Europeia e os media dos EUA e da Europa.

Alem de terroristas é lhes colado o anátema de narcotraficantes.
O slogan «guerrilha do narcotráfico» – expressão forjada por um ex embaixador dos EUA, Louis Stamb, ligado ao Pentágono e à CIA – para desacreditar as FARC, difundido urbi et orbi atingiu o seu objectivo tão amplamente que inclusive intelectuais comunistas assimilaram a calúnia. A campanha é de tal intensidade que canais de televisão e jornais se referem rotineiramente a «fábricas de cocaína» instaladas pelas FARC na selva amazónica.

Tivessem as FARC acumulado milhões com o narcotráfico e disporiam de mísseis terra-ar como as organizações de resistentes no Afeganistão e no Iraque. Ora o próprio governo de Bogotá reconhece que elas não dispõem de armamento desse tipo. Mas somente aqueles que conhecem as condições de pobreza em que vivem na clandestinidade os representantes das FARC no exterior – é o meu caso – sabem que o folhetim da «guerrilha do narcotráfico» é uma perversa invenção do imperialismo.

A vida abriu-me a oportunidade de passar semanas num acampamento das FARC, no Departamento amazónico do Meta. Nesses dias conheci combatentes maravilhosos como Simon Trinidad, entregue por Uribe aos EUA e actualmente preso ali após três julgamentos de farsa (dois foram anulados). Condenaram-no finalmente por narcotraficante, a ele, ex banqueiro, membro de uma rica família aristocrática.

Foi também então que construí uma relação de respeito e admiração que evoluiu para a amizade com o comandante Raul Reyes. Mantivemos contacto até que o assassinaram em Sucumbio, a sul do Putumayo, no bombardeamento pirata concebido por Juan Manuel Santos.

Com Manuel Marulanda, o fundador das FARC, falei uma única vez por breves minutos. Mas guardo desse revolucionário, comunista exemplar e estratego militar talvez sem par na História da América, uma lembrança inesquecível.

Quando leio acusações infames contra os combatentes das FARC recordo sobretudo Rodrigo Granda, aliás Ricardo González, amigo fraternal e um dos revolucionários mais puros e autênticos que a vida me permitiu conhecer.

Recordando combatentes das FARC-EP, mortos, presos ou lutando nas montanhas e selvas do seu país, é natural, repito, que me inspirem repugnância os elogios hipócritas a um criminoso como Juan Manuel Santos.

É a esse ser abjecto que a burguesia internacional rende nestes dias homenagens enquanto despeja calúnias sobre os comandantes das FARC que se batem por uma Colômbia livre e democrática.

Uma certeza: os nomes de Uribe e Santos e da escória humana que os apoia serão esquecidos pelas futuras gerações.

Não os de Manuel Marulanda, Jacobo Arenas, e Raul Reyes. Com o passar dos anos, a calúnia deixará de os atingir. Eles contribuíram para a construção da História profunda, na fidelidade a valores permanentes da condição humana. Assumiram os ideais pelos quais viveram e se bateram heróis tutelares da Latina como Bolívar, Artigas, Marti.

1. Juan Manuel Santos pertence a uma das famílias mais influentes da oligarquia colombiana. Seu tio avô, Eduardo Santos, foi Presidente da República e director e proprietário de El Tiempo, um dos principais diários da América Latina. Foi ministro da Indústria, da Fazenda e da Defesa em vários governos, tendo desempenhado um papel importante na destruição da Segurança Social ao impor o modelo pinochetiano. Opôs-se inicialmente à reeleição de Uribe, mas depois fundou o partido, La U, que o apoiou e reelegeu.

Manteve muitos contactos com Carlos Castaño, o falecido chefe dos paramilitares e com Pablo Escobar, o rei da cocaína, também falecido.

2. A Colômbia foi nos últimos anos o principal parceiro económico da Venezuela após os EUA (7.000 mil milhões de dólares de intercambio comercial em 2008). Nos departamentos fronteiriços vivem centenas de milhares de colombianos, sobretudo camponeses, e essa comunidade cumpre um papel fundamental na agricultura venezuelana.

V N de Gaia, 12 de Agosto de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DURO GOLPE PANDINO A ''ENCLAVE'' ESTADOUNIDENSE EN BOLIVIA

12 julio 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Pando, sin que lo sepa la mayor parte de los bolivianos, incluyendo a la mayor parte de los habitantes de ese departamento, empezó a ser uno de los territorios en Sudamérica desde donde Estados Unidos desarrolla una estrategia amazónica de componentes políticos, militares y culturales. Una resolución de alcaldes pandinos derrumbó uno de sus pilares.

Por: Hugo Moldiz

El 8 de julio, la asociación de alcaldes del departamento de Pando ha decidido declarar a esa parte del país como "Territorio amazónico libre de USAID". Esa determinación representa un paso más -quizá el más decisivo- para continuar el desmontaje esa suerte de enclave -político, cultural y militar- que Estados Unidos había construido en cerca de una década.

Y ahí radica precisamente la dimensión de la resolución adoptada por los titulares de doce de quince municipios de ese departamento situado al norte de La Paz, la sede del gobierno plurinacional que no deja de ver con desconfianzas, por sobradas razones, las acciones de la embajada de Estados Unidos en Bolivia y de las instituciones dependientes del Departamento de Estado.

La noticia sorprendió en la tarde del miércoles en La Paz, pues se daba en un momento en que tres hechos acaparaban la atención política y mediática: la marcha indígena encabezada por la CIDOB, las tensiones en la Asamblea Legislativa Plurinacional por el tratamiento de la Ley Marco de Autonomías -la última de las cinco leyes orgánicas que deben ser aprobadas hasta antes del 18 de julio por mandato constitucional- y la temeraria acusación del gobernador de Santa Cruz, Rubén Costas, contra el vicepresidente del Estado Plurinacional, Alvaro García Linera, por narcotráfico y terrorismo.

Pero además, para no perder el contexto, la decisión de expulsar de ese departamento amazónico a USAID y las ONG que reciben financiamiento estadounidense se produce en medio de dos escenarios contradictorios: por un lado, el anuncio que el 1 de junio pasado hicieron el canciller David Choquehuanca y el Secretario Adjunto de Estados Unidos para Latinoamérica, Arturo Valenzuela, en sentido de que Bolivia y EE.UU. tenían registrado un avance del 99% para la firma de un Acuerdo Marco. Eso implica diálogo político, cooperación de Estado a Estado, responsabilidad compartida en la lucha contra el narcotráfico y fortalecimiento del comercio.

Por otro lado, las denuncias -antes y después del arribo del representante estadounidense, quien tuvo que resignarse a la imposibilidad de una entrevista con el presidente Evo Morales- de la injerencia de USAID en el conflicto que enfrentó a dos poblaciones en el norte de La Paz: Caranavi y Pablos Blancos, por el lugar en el cual se iba a instalar una planta procesadora de cítricos y, ahora, por su influencia -según ha señalado el gobierno-, en la marcha de la CIDOB, no han aminorado. Todo lo contrario, han crecido.

En el caso de Caranavi, lo que parecía una denuncia infundada y al calor de la intención de construir una cortina de humo ante la impotencia política oficial de resolver adecuadamente el conflicto, una parte de la verdad -que es mucho más compleja- se fue abriendo paso al identificar la relación de USAID con algunos dirigentes de esa provincia paceña, pero también del vínculo de la agencia estadounidense con dirigentes de la FESPAI -bastante cercanos al núcleo fundacional del Instrumento Político, a través de WCS, Wildlife Conservation Society (Sociedad de Conservación de la Vida Silvestre).

La primera vez que USAID fue expulsada de un territorio determinado de Bolivia fue el 24 de junio de 2008, cuando una ampliado de las seis federaciones de los productores de coca del departamento central de Cochabamba y la mancomunidad de municipios de esa región le dieron un plazo de 48 horas para salir. La agencia salió del Trópico, pero continuó operando -en una práctica bastante habitual en otras partes del mundo donde también se cuestiona su papel-, a través de otras subcontratistas.

¿Pero cuál es el alcance o la dimensión de la resolución aprobada por los doce alcaldes de Pando, de los que 6 pertenecen al Movimiento Al Socialismo (MAS) y otros 5 electos en listas de la oposición en abril pasado?

La respuesta hay que empezar a rastrear, como se sostenía al principio, en que los alcaldes del departamento de Pando -que en total no tiene una población superior a las 55.000 habitantes, según el Censo de Población y Vivienda 2001-deciden poner un alto a la aplicación de una estrategia estadounidense de dimensiones internacionales y que involucra a Bolivia, Brasil, Perú, Ecuador y Venezuela. Es decir, es un golpe muy fuerte a la Iniciativa de Conservación de la Cuenca Amazónica (ABCI por sus siglas en inglés), que para sus primeros cinco años (2006-2011) tiene presupuestado 65 millones de dólares, de los cuales $us 50 millones representan un aporte de USAID y $us 15 millones de organizaciones socias de Europa.

La puesta en marcha de esta iniciativa estadounidense para conservar la biodiversidad y el medio ambiente, que se contrapone a la negativa de la Casa Blanca por ratificar el Tratado de Kioto y reducir la emisión de gases de efecto invernadero, tal como Barak Obama y los presidentes de los países desarrollados han sostenido en Copenhague en diciembre de 2009, ha demandado una fuerte presencia -calificada como penetración por el pronunciamiento de los alcaldes- de ONG, sin que se haya logrado impactar -desde estos programas- en la disminución de los índices de pobreza y otros problemas sociales y ambientales.

La afirmación no pierde sentido, sobre todo cuando se considera que llegan a 13 -si no más- las ONG que operan en el territorio de ese departamento, todas con financiamiento de USAID o de otras agencias europeas con fuertes vínculos con la estadounidense. Las ONG cuestionadas son: Armonía, CSF, Herencia, Puma, WCS, Rainforest Alliance y otras.

De los cinco "consorcios" que forman parte de la ABCI, tres involucran directamente a Bolivia: Conservación del Corredor de Conservación Madidi-Manu de Bolivia y Perú, Gestión Ambiental en la Región MAP (Madre de Dios -Perú-, Acre -Brasil- y Pando -Bolivia-) y Formas de Vida Sostenibles en la Amazonía Occidental.

Antes de iniciar la ejecución de ABCI, un trabajo de evaluación de necesidades y formulación de estrategias fue realizado durante dos años con el financiamiento y monitoreo de USAID y la participación de 30 consorcios que representaban a instituciones de EE.UU. y de países de la amazonía.

El interés de los Estados Unidos en la suerte de la Amazonía del continente no es reciente ni está fuera de una estrategia global contenida en varios documentos, de los cuales los dos más importantes en los últimos diez años son: el Santa Fe IV y el Plan Colombia, rebautizado luego como Iniciativa Regional Andina.

En Santa Fe IV -elaborado en el gobierno de Bush (hijo)-, los estrategas del Departamento de Estado -todos ellos con relaciones carnales con el Departamento de Defensa-, identifican en "nueve D" las "Amenazas" para los Estados Unidos desde América Latina: Defensa, Drogas, Demografía, Deuda, Desindustrialización, Democracia Populista, Desestabilización, Deforestación, Declinación de Estados Unidos.

En lo que respecta a la amenaza de la "Deforestación", no sin antes apuntar la fuerte presencia de "las otras Ds" en los discursos estadounidenses, es bueno subrayar que el documento Santa Fe IV hace la siguiente relación: "El hemisferio ha sido bendecido con recursos naturales y un clima que lo convierte en un paraíso único y virtual para quienes usen sabiamente tales recursos. A lo largo de las últimas décadas se ha vuelto evidente que la destrucción de nuestros bosques, tanto de la mitad norte del hemisferio como, especialmente, de las selvas del sur, debe controlarse. Este no es un tema bipartidario. Más aún, exigirá los mejores esfuerzos de organizaciones tanto gubernamentales como no gubernamentales (ONG)".

Más claro, agua. Es más, si no se conociera el origen del texto arriba entrecomillado, su redacción fácilmente sería suscrita por dirigentes y activistas que propugnan organizar la vida social y la relación del ser humano con la naturaleza por un rumbo distinto al capitalista. Ideas buenas, objetivos malos, reza una aforismo popular que quizá ayuda a entender el interés estadounidense en los enormes reservorios de biodiversidad, oxígeno, agua y otros recursos. Las instalación de nuevas bases militares en Colombia, la activación de la IV Flota, la ocupación de Haití y la pronta llegada de 7.000 soldados a Costa Rica, representan apenas algunas pruebas inobjetables.

Pero el golpe que los alcaldes pandinos de Bolivia han propinado a uno de los componentes de la estrategia de Estados Unidos para esta parte del continente se suma, casi dos años después, al desmontaje que el gobierno del presidente Morales hizo al componente militar en 2008, inmediatamente después de que declaró "estado de sitio" en ese departamento a raíz de la "masacre del Porvenir", en la que se produjo casi una treintena de bajas, entre muertos y heridos.

Y no es una exageración lo que se está diciendo. A pesar de la naturaleza ideológico-política con la que Evo Morales asumió la conducción de Bolivia el 22 de enero de 2006, la "estrategia amazónica" de Estados Unidos no sufrió ninguna interrupción. Al trabajo que se iba elaborando con las ONG se sumaba el Southern Command (SOUTHCOM), responsable de todas las actividades militares -abiertas y encubiertas- de Estados Unidos en América Latina.

La presencia del grupo militar de los Estados Unidos se concretó en un convenio directo entre el entonces prefecto de Pando, Leopoldo Fernández, y la embajada de los Estados Unidos encabezada por Philip Golberg, quien fue expulsado por el presidente boliviano luego de presentarse pruebas de sus reuniones permanentes con la oposición de ultraderecha atrincherada en Santa Cruz y que pretendió -luego de la ratificación de Morales con un 67 por ciento- concretar un golpe cívico-prefectural entre septiembre y octubre de 2008.

El grupo militar estadounidense dependiente del Comando Sur desarrollo sus programas de "Acción Cívica" principalmente en las provincias de Cobija, Porvenir y Bolpebra. Es poco probable, sin embargo, que el Estado Mayor de las Fuerzas Armadas de Bolivia o al menos una parte de esa instancia militar haya desconocido la presencia de los militares de Estados Unidos. ¿Cómo explicar eso? La respuesta no es sencilla pero quizá los rastros hay que encontrarlos en la existencia de un "Estado aparente" como señalaba el pensador boliviano René Zabaleta, cuya elaboración intelectual le sirve, en parte, al vicepresidente García Linera, para desarrollar su propuesta del "Estado integral", como el puente entre el capitalismo y el socialismo comunitario.

Una aclaración necesaria. La "Acción Cívica", cuyo concepto no ha sufrido modificaciones en el Departamento de Defensa de los Estados Unidos desde la década de los 60, hace referencia a un componente "no militar" de una estrategia militar y política, y consiste -como señalaba el general Summers- en "conquistar las mentes y el corazón de las gentes" a través, entre otras cosas, de la apertura de letrinas, prestación de servicios de odontología, comunicaciones y transporte que la población necesita.

Sin embargo, el trabajo de las ONG y la presencia del Comando Sur, cuyo número debería ser un tema a investigar por la Asamblea Legislativa Plurinacional, no pudo evitar un crecimiento progresivo del narcotráfico, el comercio ilegal de oro, contrabando de madera, tráfico de especies biológicas, contrabando de combustible y comercio ilegal de armas.

En ese contexto hay que explicar los hechos violentos del Porvenir y la resistencia, incluso armada, de la que fueron objeto los entonces ministros Juan Ramón Quintana y Luis Tapia, el 13 de septiembre de 2008, cuando se desplazaron en un operativo político-militar hasta Cobija, para restablecer, por efectos del estado de sitio, el orden y la paz. Las primeras 24 horas ambos altos funcionarios de Estado tuvieron que permanecer en el aeropuerto por la dureza de la reacción de grupos paramilitares organizados y financiados desde la Prefectura, según explicó semanas después Juan Ramón Quintana, quien luego se hizo cargo de las campañas electorales de diciembre de 2009 y abril de 2010 en ese departamento y su vecino Beni.

El desmontaje de esa estructura política que le allanó el camino a esa suerte de enclave estadounidense ha demandado su tiempo. Ante la ausencia del viejo Estado monocultural, la "guerra cultural" la gana por lo general Estados Unidos y sus aparatos no gubernamentales. El fuerte conservadurismo, trabajado durante años por las fuerzas políticas de derecha y una práctica prebendal, no ha sido fácil de cambiar y el partido de gobierno ha tenido que esperar hasta las elecciones locales de abril pasado para ganar la gobernación y seis alcaldías, de la cual la de Cobija concentra cerca del 60 por ciento del electorado de ese departamento. El miércoles pasado cinco alcaldes opositores se han desmarcado de sus partidos y han firmado el pronunciamiento de condena a USAID.

De hecho, el gobierno ha constituido hace poco una agencia para el desarrollo de las macro regionales y zonas fronterizas con el objetivo de ir sentando soberanía en aquellos departamentos y zonas descuidadas por el "Estado aparente" que, por eso mismo, le brindaba condiciones favorables al establecimiento y reproducción de relaciones clientelares en esas regiones.

El Estado Plurinacional está dando sus primeros pasos para sentar soberanía a lo largo y ancho de todo el territorio. Victorias políticas acompañan a esa expansión de la hegemonía, pero todavía deberán darse varios pasos para construir presencia económica y productiva, pero sobre todo para cambiar la manera de pensar y reproducir la vida.