16
abril 2013, Diálogos do Sul http://www.dialogosdosul.org.br
(Brasil)
Paraguai caminha para
eleições gerais a serem realizadas dia 21 de abril, que podem ser determinantes
para o eventual regresso do país ao seio do Mercosul e Unasul, os dois grandes
blocos integracionistas sul-americanos dos quais foi suspenso.
Ha quase um ano de vigorar as sanções políticas, o processo eleitoral se
aproxima da data chave em meio a posições intransigentes das autoridades no
poder, encabeçadas por Federico Franco, empenhadas sem êxito em desconhecer o
isolamento internacional a que estão sujeitos.
Apesar das ajudas provenientes de Washington e do secretario geral da OEA,
Jose Miguel Insulza, o Paraguai tem sido excluído também da maioria dos foros
internacionais realizados, entre eles a cúpula Ibero-americana e a constituição
da Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe.
Seus esforços por romper o isolamento terminaram no fracasso e por isso, a
maioria das representações diplomáticas acreditadas em Assunção, permanecem
vazias de embaixadores, retirados por seus correspondentes governos em sinal de
protesto.
O processo eleitoral é disputado por candidatos dos dois maiores partidos
tradicionais, o Colorado, com o empresário Horacio Cartes, e o Liberal
Autêntico, qcon Efraín Alegre. Ambos se uniram pra materializar a destituição
de Lugo e agora disputarão entre si para tratar de impor seus candidatos nas
próximas eleições. Segundo as pesquisas os dois encabeçam a preferencia dos
eleitores.
O primeiro deles, os colorados, postulam como Associação Nacional
Republicana (ANR), que durante 60 anos no poder e apoiou a ditadura de 35 anos
de Alfredo Stroessner (1954-1989) com apoio dos Estados Unidos, até que, em
2008, Lugo obteve uma vitória de caráter popular e assumiu a presidência. Além
disso Horácio Cartes é investigado por narcotráfico nos Estados Unidos, segundo
denúncia de Lídia Ruiz, dirigente de Via Camponesa.
O segundo, apoio do atual governo, carrega sobre as costas a união com os
colorados, seus inimigos tradicionais, a troco de desfrutar dos 14 meses no
poder que terminará com a posse, em agosto próximo, de quem seja proclamado
vencedor das votações planejadas.
Diante disso se opõem o esforço da esquerda agrupada no Frente Guasú,
coalização de partidos e organizações sociais indígenas e camponesas, sem os
grandes recursos econômicos dos anteriores e impedida pelos mais importantes
meios de comunicação de ter acesso igualitário na difusão de seu programa e
propostas. O programa televisivo de debate foi ao ar somente com a participação
dos candidatos dos quatro maiores partidos.
A Frente, com a direção de Lugo, tem como candidato o médico Aníbal Carrillo,
aponta para a consolidação de um aparato político nacional representativo das
esperanças populares com o propósito de modificar o sistema neoliberal
existente e conseguir mudanças nas terríveis condições de vida de um país com
quase 50% de sua população na pobreza.
Lugo aspira uma cadeira de senador na lista da Frente Guasú, integrada pelos
partidos Tekojoja, Movimiento Patriótico Popular, Comunista, Frente Amplio, de
la Unidad Popular, Solidario y Convergencia Popular Socialista.
Dessa frente luguista e de centroesquerda se desprendeu a coalizão Avanza
Pais, que propõe o animador de televisão Mario Ferreiro, e está integrada pelos
partidos Movimiento al Socialismo, Revolucionario Febrerista, Demócrata
Cristiano, Paraguay Tekopyahú y Movimiento 20 de Abril.
O conjunto de partidos com maior peso se completa com a Unión Nacional de
Ciudadanos Éticos (UNACE), do falecido general Lino Oviedo, morto em plena
campanha, substituído por um sobrinho com seu mesmo nome mas com menos peso
eleitoral, segundo as pesquisas.
Também concorre ao pleito a médica Lilian Soto, candidata do movimento
feminista e socialista Kuña Pyrenda (Marcas de Mulher), que foi ministra
secretária da Função Pública no governo de Lugo. Dia 21 de abril os paraguaios
elegerão presidente, vice-presidente, 45 senadores, 80 deputados, 18 deputados
ao Parlasul e 17 governadores, junto a parlamentares de departamentos de número
variável segundo a região. Kuña Pyrenda encabeça todas as listas em todas as
instâncias com mulheres.
São mais de onze os postulantes a ocupar o Palácio de López, mas as chances
dos demais partidos são limitadas. O socialista Mario Ferreiro e o conservador
senador Miguel Carrizosa, de Patria Querida, também buscam a preferencia dos
três milhões de paraguaios aptos a comparecer às urnas.
A lista de candidatos inclui também Roberto Ferreira Franco, pelo Partido
Humanista; Coco Arce, pelo Partido de los Trabajadores; Ricardo Almada, pelo
Partido Blanco, e Anastásio Galeano, por Patria Libre.
A guerra das pesquisas de opinião pagas pelos partidos golpistas e os meios
de comunicação conservadores só deixam espaço para a vitória dos colorados e
liberais, mas ainda em algumas delas se reconhece tangencialmente a importância
que posa ter a Frente e outras forças progressistas menos na conformação do
futuro Congresso e na eleição presidencial.
Em definitiva, a estratégia da esquerda se centraliza em lutar por cada voto
emitido para impedir a fraude, seguir lutando na base até o último momento para
orientar aos setores mais humildes e converter-se em uma parede de contenção
das decisões antipopulares do próximo governo.
*De Orbe e Telan, especial para Diálogos do Sul