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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

África do Sul/Rendido tributo a Samora Machel

19 outubro 2016, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Raquel Betlehem
Pretória

Samora Machel durante a luta armada

Os Governos da África do Sul e de Moçambique rendem hoje uma profunda homenagem a Samora Moisés Machel, no dia em que recordam o trágico acontecimento que levou à morte o primeiro Presidente de Moçambique.

Trinta anos são passados desde o fatídico 19 de Outubro de 1986, quando o avião em que se fazia transportar o Mais Alto Mandatário da República de Moçambique se despenhou, causando a morte de 32 pessoas que com ele seguiam.

De um total de 40 passageiros

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Brasil/‘GOLPE NO BRASIL É PARTE DE UM PROJETO DE RECOLONIZAÇÃO DA AMÉRICA LATINA’



2 maio 2016, Sul21 http://www.sul21.com.br (Brasil)

Marco Weissheimer




Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, precisou falar apenas um minuto no Senado brasileiro para sentir de perto a fúria da oposição que busca derrubar a presidenta Dilma Rousseff. O arquiteto e ativista argentino utilizou a palavra “golpe” para definir o que está acontecendo hoje no Brasil, o que levou a oposição a exigir do senador Paulo Paim (PT-RS), que presidia a sessão, a retirada da palavra dos anais da sessão, demanda que acabou atendida. “Não falei mais de um minuto. Eles me pediram para que eu fizesse uma saudação e eu expliquei por que estava aqui no Brasil, para apoiar a democracia, a continuidade constitucional e evitar a consumação de um golpe de Estado”, relata Esquivel em entrevista ao Sul21.

Na entrevista, o arquiteto e ativista argentino chama a atenção para o fato de que o que está acontecendo no Brasil não é um ponto fora da curva, mas sim parte de um projeto de recolonização da América Latina capitaneado pelos Estados Unidos. Para Esquivel, não há acasos em tudo o que

sábado, 12 de dezembro de 2015

ASSOCIAÇÃO ESTRATÉGICA ENTRE A ÁFRICA E A CHINA

12 novembro 2015, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


A partir de final dos anos 50 e, sobretudo, de 1960, sucederam-se as independências africanas. Não sem que, na maioria dos casos, as potências coloniais tenham recorrido à violência e a manobras de todo o tipo visando impedir a libertação. Em vários casos, as independências foram conquistadas pela luta armada. Noutros casos, nesses anos 60, as independências africanas foram «concedidas» pacificamente pelos governos coloniais a partidos cujos dirigentes renunciaram à soberania plena e aceitaram trilhar a via neocolonial.

Com o derrubamento da ditadura fascista em Portugal, a 25 de Abril de 1974, tornou-se inelutável o rápido desfecho do processo de independência dos novos países, apesar da oposição das forças reaccionárias portuguesas e africanas, apoiadas pelo imperialismo norte-americano. O nascimento dos novos estados, em especial os de Angola e Moçambique, contribuiu para acelerar importantes transformações progressistas na África Austral. O mapa político da África ainda sofre alterações quando, em 1993, a Eritreia se separa da Etiópia e, em 2011, o Sudão do Sul do Sudão. A independência trouxe progressos gigantescos, em todos os domínios, aos povos e países da África.

Há em Portugal pouca informação sobre as lutas anti-imperialistas dos povos da África. Ao contrário do acontece em relação a processos transformadores em outras partes do mundo, da América Latina à Ásia, passando pela própria Europa.

Não admira, pois, que entre os comunistas e outros revolucionários surjam questões sobre a situação dos combates dos africanos pela sua emancipação social. Qual o balanço do trajecto dos modernos estados africanos? Por que falharam em África experiências que proclamaram o socialismo como objectivo? Quais as perspectivas de surgimento de regimes progressistas no continente?

Não é possível encontrar respostas únicas, e muito menos fáceis, para tais interrogações. Por um lado, porque a África é diferenciada, de região para região, de país para país e, por vezes, no seio de cada um dos seus 54 estados. Existem, como em outras paragens, diferenças enormes, de Norte a Sul, do Oeste ao Leste, quanto à geografia, aos recursos naturais, à população –de grande diversidade cultural étnica, linguística, religiosa –, à história, ao percurso político, à economia.Por outro lado, há múltiplos factores, internos e externos, por vezes imprevisíveis, que condicionam a evolução dos países, na África como

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Angola/UMA OPORTUNIDADE HISTÓRICA

6 dezembro 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao(Angola)

 

Filomeno Manaças

A Cimeira de Joanesburgo entre a China e a África já entrou na História. O alcance e a dimensão da parceria estratégica estabelecida entre a China e África pode não ser avaliada devidamente já agora, mas, como tudo, o tempo vai encarregar-se de revelar que o encontro de Joanesburgo, que ontem terminou, foi tão somente o primeiro de um grande passo no sentido de vários países africanos relançarem as suas economias e darem um salto em termos de modernização das suas infra-estruturas.

Com efeito, num ambiente de crise económica e financeira mundial, que obrigou muitos países a encolherem os seus orçamentos, mesmo ao nível de economias mais desenvolvidas e, portanto, mais desafogadas e com maior margem de manobra, o anúncio feito pelo Presidente Xi Jinping de que a China põe à disposição de África 60 mil milhões de dólares para projectos de desenvolvimento, foi o sopro de que se estava à espera e que, em boa verdade, revelou ser uma grande surpresa porque, tendo em conta os montantes, superou as expectativas.

Se recuarmos no tempo e tentarmos encontrar um termo de comparação, podemos pegar no Plano Marshall que os Estados Unidos elaboraram para reerguer dos escombros a Europa Ocidental, depois da II Guerra Mundial, e que

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

MAIS TROPAS ALEMÃS E ESPANHOLAS NO MALI*

29 novembro 2015, Odiario.infohttp://www.odiario.info (Portugal)


A presença imperialista e neocolonial na África subsariana amplia-se. A acção dos bandos terroristas fornece uma justificação imediata para esse processo, numa articulação tão evidente que dificilmente se poderá considerar acidental. E essa crescente presença militar não tem reflexos na diminuição da violência.

Aumenta a presença e intervenção de tropas estrangeiras no Mali, contudo impotentes para travar a actividade dos grupos radicais islâmicos armados.

O recente ataque a um hotel em Bamako, com captura de reféns, bem como a operação de resgate e as investigações que se seguiram, evidenciam a crescente ingerência militar ocidental naquele país africano.

Há ainda dúvidas sobre o que se passou exactamente na sexta-feira, 20, no luxuoso Radisson Blu da capital maliana. O procurador que dirige o inquérito declarou que morreram 22 pessoas, incluindo dois atacantes. «Todos os testemunhos apontam para apenas dois terroristas», assegurou Boubacar Samaké.As primeiras notícias após o atentado, que envolveu 140 hóspedes de diversas nacionalidades e 30 empregados, referiam um maior número de vítimas e de assaltantes.

Segundo o inquiridor, os autores do atentado «beneficiaram de cumplicidades para entrar no hotel» e para «cometer o crime». Outras fontes, dos serviços secretos malianos, citadas pela revista Jeune Afrique, indicam que os atacantes eram «estrangeiros», de língua inglesa, e que teriam sido auxiliados por cúmplices locais,

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Angola/"FORAM OS MAUS TRATOS QUE CAUSARAM A REVOLTA CONTRA OS COLONOS"

17 novembro 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Arcângela Rodrigues e Pereira Dinis

Os músicos Prado Paim e Dionísio Rocha afirmaram ao Jornal de Angola que foram os maus tratos e a repressão infligidos pelos colonialistas que levaram os angolanos a pegar em armas para conquistar a Independência Nacional.

“O povo angolano sofreu na mão dos colonialistas. Éramos espancados, as rusgas eram feitas de manhã cedo ou à tardinha e, quando não aguentávamos o sofrimento, a solução era fugir para não sermos massacrados”, disse Prado Paim, 73 anos.

O autor de “Bartolomeu” acrescentou: “Os colonialistas arranjavam sempre formas de nos prender e cobrar o imposto mínimo. O cartão de serviço tinha de ser assinado todos os dias pelo patrão ou éramos presos imediatamente. Mas isso tornou-nos homens fortes.”

Dionísio Rocha, 70 anos, recordou que “os indígenas, como eram chamados os naturais da terra, foram muito discriminados pelos colonialistas” e referiu também a obrigatoriedade do pagamento do imposto.

“Para deixarem de ser tratados dessa forma, tinham de estudar e o estudo era a dobrar em relação aos colonos”, disse. “Tínhamos de fazer a primeira classe atrasada, a primeira classe adiantada, assim sucessivamente. Na escola, tínhamos a obrigação de conhecer toda a História de Portugal”.
  
Para serem admitidos na função pública os angolanos “eram obrigados a assinar uma declaração, designada 2003, em que se comprometiam a votar no Governo de Salazar sempre que

sábado, 14 de novembro de 2015

Angola/A VITÓRIA DE TODOS

12 novembro 2015, Jornal de Angola EDITORIAL http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Quarenta anos depois, a República de Angola prevalece como um país independente, soberano, com instituições funcionais e comprometidas com a construção de uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social.

Desde a constituição dos Estados modernos, a História da humanidade viu surgir vários Estados, assim como desaparecer tantos outros. E não raras vezes ao longo de décadas e séculos, muitos Estados vêem-se a braços com ameaças internas e externas à sua continuidade e viabilidade. Por isso, constituem sempre motivo  de celebração, com pompa e circunstância, quando um Estado passa por vários "testes de sobrevivência", caminha com os pés firmes assegurando o respeito e a garantia da sua efectivação pelos poderes legislativo, executivo e judicial, seus órgãos e instituições, bem como por todas as pessoas singulares e colectivas.

Hoje, exaltamos o papel que antepassados como Njinga Mbandi, Katiavala, Nzinga Mvemba, Ekuikui, Mandume e outros soberanos que

sábado, 19 de setembro de 2015

Angola/O HERÓI E O BEM COMUM

18 de Setembro, Jornal de Angola EDITORIAL jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Angola é uma  República independente  desde  1975  e o nascimento do Estado angolano foi precedido  por actos heróicos  para que a independência do nosso país fosse uma realidade. A conquista da independência nacional  foi resultado de inúmeros sacrifícios consentidos por muitos patriotas angolanos.

Poucos dias antes da Independência de Angola,  foram muitos os patriotas angolanos  que viveram momentos  dramáticos para  assegurar  que se  proclamasse  a nossa libertação definitiva do colonialismo.   Uma das figuras centrais  desta luta  pela proclamação da independência de Angola  a 11 de Novembro de  1975 foi António Agostinho Neto, primeiro Presidente  do nosso país, cuja liderança foi decisiva para  conter  as forças invasoras que a Norte e a Sul  queriam inviabilizar  a liberdade do povo angolano.

Ontem, os angolanos comemoraram o Dia do Herói Nacional , com  diversas actividades políticas, culturais e desportivas , em homenagem a Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola , uma figura  que, nos momentos mais dramáticos que antecederam  a independência de Angola e depois desta  histórica data, desempenhou um papel crucial que entrou definitivamente na nossa História como Nação.

Ao  comemorarmos o Dia do Herói Nacional não podemos deixar de recordar o importante papel desempenhado pelos internacionalistas cubanos que em Angola lutaram ao nosso lado para libertarmos o país  do colonialismo e  para preservar a independência.

Os angolanos nunca esquecerão o sacrifício dos irmãos de Cuba que em Angola deram um exemplo  de solidariedade ímpar no mundo.  O apoio de Cuba à libertação  dos povos da África  Austral  é   descrito por muitos  especialistas que estudaram  a  situação nesta parte  do continente africano como um  dos mais importantes acontecimentos   da década de 70 do século passado.
 

A vinda  de Cuba  a África  para ajudar no combate ao colonialismo e ao apartheid  foi tida  como um gesto de grande alcance   histórico. Cuba está  para sempre ligada  à libertação definitiva do continente  africano do colonialismo. Fidel Castro considerou

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Moçambique/Pesquisa da história da luta de libertação: privilegiar os combatentes

17 de Setembro de 2015, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz

A pesquisa e recolha de informação sobre a história da luta de libertação nacional feita por diversas instituições interessadas, incluindo as universidades, deve privilegiar os depoimentos dos combatentes e de todos aqueles que directa ou indirectamente viveram e testemunharam o processo de emancipação dos povos e países da região.

O facto foi defendido ontem em Maputo pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, na abertura do seminário científico sobre “Os Desafios de Pesquisa da História da Luta de Libertação Nacional na Actualidade”, organizado pelo Centro de Pesquisa da História da Luta de Libertação Nacional (CPHLLN), uma entidade

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Angola/A LONGA LUTA A FAVOR DA PAZ NA ÁFRICA AUSTRAL

4 setembro 2015, Jornal de Angola jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro

A África Austral foi o epicentro de um dos mais importantes conflitos regionais. Hoje é uma zona de paz, com condições para se desenvolver rapidamente. Mas para aí chegar, foi necessário muito sacrifício nas frentes de combate e muita mestria no campo diplomático. Nesse período e no momento presente, o Presidente revela toda a sua popularidade e capacidade de liderança.

A África Austral vive hoje uma era de paz e tem condições para se desenvolver economicamente. Mas até 1990 esta região foi o epicentro de um dos mais violentos conflitos regionais que a Humanidade conheceu.
  
O cerne do conflito residia em restos de colonialismo e nos regimes de segregação racial. Com a conquista da independência de Moçambique e Angola em 1974 e 1975, a Rodésia continuava ocupada pelos ingleses e a Namíbia pela minoria branca sul-africana. Os Acordos de Lancaster House acabaram com a Rodésia de Ian Smith e fundaram  a República do Zimbabwe em 1980 nas terras de Monomotapa.
  
Mas até à libertação da Namíbia em 1990, ao fim do apartheid, em 1990, à eleição de Nelson Mandela como primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, em 1994, o conflito regional continuou a lavrar no continente.
  
Até que, finalmente, entre Agosto de 1987 e Agosto de 1988, dão-se na África Austral batalhas decisivas que abrem caminho a uma saída para o conflito. As tropas sul-africanas que ocupavam parcelas de Angola foram obrigadas a retirar, em troca as tropas internacionalistas cubanas que ajudavam o governo angolano aceitaram regressar a Cuba e a África do Sul foi forçada e conceder a independência à Namíbia e a abolir o apartheid. À época, o “Guia Prático do Quadro” da UNITA, aliada ao apartheid, dizia que quando os cubanos saíssem de Angola, o governo do MPLA caía. O que aconteceu foi que o apartheid caiu e a África venceu.

Missão histórica
Para manter a dominação na região, o regime sul-africano de então contava com o seu poder militar e o apoio das potências ocidentais. Mas do outro lado estavam

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Angola/Estátua de Mwene Vunongue orgulho do povo Nganguela

23 agosto 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Carlos Paulino, Menongue

Um mês após a inauguração, a estátua de Mwene Vunongue, situada no largo com o mesmo nome, à entrada de Menongue, é já o principal cartão de visitas da cidade.

Dezenas de pessoas visitam o local todos os dias, para tirar fotografias ou saberem um pouco mais sobre o rei dos Nganguela.

Inaugurada a 28 de Julho último pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, a estátua em bronze mede 6,3 metros de altura e pesa 3,5 toneladas.

O rei é representado em vestes tradicionais, na altura confeccionadas com peles de onça, colares ao pescoço e uma lança na mão direita.

De nome materno Ndala Tchinhama, passou a chamar-se Mwene Vunongue após a ascensão ao trono. Augusto Cambinda Calilo, rei Mwene Vunongue VII, disse que

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

BASIL DAVIDSON E «O FARDO DO HOMEM NEGRO»

15 agosto 2015, ODiário.info (Portugal)


A África foi até muito recentemente um continente sem História escrita. Cabe a Basil Davidson o mérito de nos seus livros ter iluminado o passado esquecido da África que em plena Idade Media construiu estados multinacionais organizados, mais extensos do que as grandes potências da época.

Fui amigo de Basil Davidson (1914-2010) e li quase todos os seus livros.

Desconhecia a existência de O Fardo do Homem Negro, cuja tradução em português foi publicada em Luanda no ano 2000*.

Creio ser dos mais importantes. O título é uma réplica irónica ao Fardo do Homem Branco, do escritor inglês Rudyard Kipling, epígono do imperialismo.

Davidson combateu na segunda guerra mundial como oficial do exército britânico. Bateu-se na Jugoslávia e na Itália ao lado dos guerrilheiros que enfrentavam os ocupantes alemães.

Foi uma personagem fascinante sobre a qual escrevi muitas páginas. Trocamos correspondência durante o meu exílio brasileiro, mas só o conheci em Lisboa, após o 25 de Abril. A admiração que me inspirava foi prólogo de uma grande amizade.

A sua paixão pela África nasceu tarde, mas cresceu torrencialmente. Fez dele, como assinalou a New York Review of Books, «o mais ilustre conhecedor da África Negra».

A leitura da sua obra de historiador é hoje indispensável ao conhecimento do doloroso processo de descolonização da África Subsaariana.

Não assumiu uma posição de distanciamento. Como escritor, historiador e professor (em Universidades da Inglaterra, dos EUA e da África) tomou partido pelos que lutavam

segunda-feira, 13 de julho de 2015

"ESTA ECONOMIA MATA. PRECISAMOS E QUEREMOS UMA MUDANÇA DE ESTRUTURAS", afirma o Papa Francisco

10 julho 2015, Instituto Humanitas Unisinos http://www.ihu.unisinos.br (Brasil)

"A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada. A propriedade, sobretudo quando afeta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo. Não basta deixar cair algumas gotas, quando os pobres agitam este copo que, por si só, nunca derrama. Os planos de assistência que acodem a certas emergências deveriam ser pensados apenas como respostas transitórias. Nunca poderão substituir a verdadeira inclusão: a inclusão que dá o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário", afirmou o Papa Francisco, num discurso considerado por lideranças dos movimentos populares como 'irretocável", proferido no Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra, no dia 09-07-2015.

Segundo o Papa, "os movimentos populares têm um papel essencial, não apenas exigindo e reclamando, mas fundamentalmente criando. Vós sois poetas sociais: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global".

Para ver o vídeo,

O DISCURSO HISTÓRICO DO PAPA FRANCISCO NA BOLIVIA

10 julho 2015, Pragmatismo Político http://www.pragmatismopolitico.com.br (Brasil)

Em discurso histórico, Papa Francisco pede perdão pelos crimes da Igreja durante a colonização da América, condena a "lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social", chama o capitalismo de 'ditadura sutil' e tece duras críticas ao monopólio dos meios de comunicação.

Francisco esteve na Bolívia reunido com cerca de 1.500 representantes de movimentos sociais de mais de 40 países nesta quinta-feira. O pontífice fez um discurso contra o sistema capitalista, o qual chamou de “ditadura sutil”, e pediu desculpas pelos crimes da Igreja contra indígenas na região. Ainda em Santa Cruz, visitou a prisão de Palmasola, a mais perigosa do país andino.

Capitalismo

Para o líder da Igreja Católica, o atual sistema global “que impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza (…) é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…. E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra,

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Moçambique/40 Anos de independência: Alegria e cor na festa da independência

26 Junho, Jornal Noticias http://www.jornalnoticias.co.mz (Maputo)


Cor, luz, música e dança marcaram ontem as cerimónias centrais do quadragésimo aniversário da independência nacional.

O Estádio da Machava, recinto que há 40 anos foi palco da declaração da independência, foi ontem “pequeno” para acolher a moldura humana que acorreu àquele recinto para, num acto simbólico e carregado de muita emoção, celebrar a liberdade, a identidade nacional, a paz e o desenvolvimento.

Mas comecemos do fim. Com o mítico Estádio da Machava esgotado, quatro paraquedistas rasgaram os céus, para o delírio dos milhares de cidadãos que se encontravam ali. Os paraquedistas, dois saltando em paraquedas com as cores da bandeira nacional, foram

quarta-feira, 24 de junho de 2015

JOAQUIM CHISSANO, EX-CHEFE DO ESTADO: Rejeitámos negociar com os portugueses de cá

Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)


Moçambique vai celebrar na quinta-feira 40 anos de proclamação da sua independência. O percurso para que esta fosse alcançada foi longo e, em muitas das suas etapas, sinuoso.

A heroicidade dos moçambicanos, que durante dez anos, até 1974, derrotaram os portugueses nos campos de batalha, é conhecida de diversas formas. Os livros de história, biografias, memórias e os depoimentos de muitos dos protagonistas, principalmente, revelam-nos os contornos da luta que permitiu que a 25 de Junho de 1975 o nosso país nascesse como nação. Um desses protagonistas é o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, a quem entrevistámos sobre o 40.º aniversário da independência nacional. Com Chissano falámos dos Acordos de Lusaka, o último grande passo para a proclamação da independência e concluídos entre a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o Governo português a 7 de Setembro de 1974, as opções diplomáticas de Moçambique e a sua visão sobre o legado dos chefes de Estado que o nosso país teve neste percurso de quatro décadas. Eis, a seguir, alguns excertos da entrevista com o homem a quem os moçambicanos reconhecem principalmente como o obreiro da paz para o nosso país, em alusão ao final da guerra dos 16 anos que desestabilizou Moçambique até 1992:

NOTÍCIAS (Not)- Os Acordos de Lusaka foram uma espécie de “finalmente” para que Portugal reconhecesse o direito de Moçambique à autodeterminação. Sabemos que houve anteriormente iniciativas de diálogo que não resultaram devido à relutância do colonizador. Dessas, quais é que foram as mais marcantes até se chegar ao acordo?

Joaquim Chissano (JC)- Vou aproveitar esta ocasião para recuar um pouco, não muito, no tempo. Devo dizer que desde os anos 70, nos princípios, estava claro que o povo moçambicano estava a conquistar a sua independência. Isso era percetível por causa do avanço da luta armada, mas também pelo crescente apoio internacional que nós tínhamos, de tal ponto que nesses anos já a Frelimo era considerada mais ou menos como um governo de Moçambique independente. Daí todas honras que

sábado, 23 de maio de 2015

Imigrantes/EUROPA ATRASOU-SE 500 ANOS

21 maio 2015, Contexto Livre http://www.contextolivre.com.br (Brasil)


Proposta de desmantelar barcos que transportam africanos para fora do Continente deveria ter sido feita antes da escravidão

Com um certo cinismo, seria até possível considerar o apelo de Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Européia, para desmantelar o esquema de imigração de africanos para o Velho Mundo. Claro que mesmo assim seria preciso discordar de qualquer ação militar, contra homens e mulheres que não tem como se defender em alto mar. Mas a ideia tem um defeito anterior e essencial: um atraso de cinco séculos.

Aqueles barcos que hoje atravessam o Mediterrâneo são sucessores diretos de milhares de embarcações, de várias etapas da tecnologia de navegação, que deixaram a África a partir do momento em que a civilização européia organizou e explorou a escravidão de um Continente inteiro, mudando sua história e comprometendo seu futuro. Perdemos a conta dos milhões de seres humanos que foram transportados pelos oceanos, em porões sombrios, famintos, correntes nos pés. Mas sabemos que ali começou uma história que

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Fidel Castro: NOSSO DIREITO DE SERMOS MARXISTAS-LENINISTAS

8/05/2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 Montagem/Vermelho

O líder histórico da Revolução cubana expressa, quando se comemora o 70º aniversário da vitória na Grande Guerra Patriótica, a sua profunda admiração pelo heroico povo soviético, que prestou colossal serviço à humanidade. A reflexão foi escrita na última quinta-feira (7).

Depois de amanhã, 9 de maio, se comemorará o 70º aniversário da Grande Guerra Patriótica. Dada à diferença de horário, quando elaboro estas linhas, os soldados e oficiais do Exército da Federação Russa estarão, cheios de orgulho, desfilando na Praça Vermelha de Moscou com os rápidos e marciais passos que os caracterizam.

Lênin foi um genial estrategista revolucionário que não vacilou em assumir as ideias de Marx e levá-las a cabo em um país imenso e somente em parte industrializado, cujo partido proletário se converteu no mais radical e audaz do planeta depois da maior matança que o capitalismo havia promovido no mundo, onde pela primeira vez os tanques, as armas automáticas, a aviação e

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Moçambique/˝Camarada Hashim Mbita, um destacado combatente pela libertaçao dos povos de Africa e do mundo˝--- Frelimo*

28 Abril 2015, Frente de Libertação de Moçambique http://www.frelimo.org.mz (Moçambique)


MENSAGEM DE CONDOLÊNCIAS PELA MORTE DO BRIGADEIRO GENERAL HASHIM MBITA

Foi com profunda mágoa e consternação que tomamos conhecimento, hoje, dia 26 de Abril de 2015, da morte do Brigadeiro General, Camarada Hashim Mbita, um destacado combatente pela libertaçao dos povos de Africa e do mundo.

O camarada Brigadeiro General Hashim Mbita, um grande amigo da FRELIMO e do povo moçambicano
, dedicou todas as suas energias à causa de libertação da África e, em particular, no apoio a luta de libertação dos movimentos da Africa Austral um dos principais objectivos da Organizaçao da Unidade Africana (OUA) que visava, entre outros, reforçar a unidade e solidariedade dos povos e Estados Africanos, defender a integridade territorial e suas independências bem como eliminar, de todas as formas, o colonialismo em Africa e no mundo.

No desempenho das funções de Secretário-Executivo do Comité de Libertação da OUA, o Camarada
Hashim Mbita não poupou esforços para garantir a recolha e gestão dos diversos apoios como a criação de infra-estruturas, treinos militares, medicamentos e

CRIMEN DE LESA HUMANIDAD: LA UE QUIERE LAS RIQUEZAS DE ÁFRICA, PERO A LAS PERSONAS NO

29 abril 2015, El Muro Invisible http://elmuroinvisible.blogspot.com

Por Cecilia Zamudio


Miles de personas fallecen todos los años en su intento de llegar a Europa. Personas huyendo de la miseria a la que el saqueo perpetrado por el gran capital transnacional somete a África. No van hacia el “sueño europeo”, huyen de la Pesadilla en que las transnacionales han convertido a África; siguen la ruta que previamente han seguido las inmensas riquezas extraídas de sus países. Pero la UE quiere las riquezas de África, pero a las personas no. La Dictadura del Capital obliga a las personas a emprender éxodos terribles, en condiciones de peligro extremas. 

En la madrugada del 19 de abril 2015, un barco en proveniencia de Libia, con más de 900 personas migrantes, se hundió en el estrecho de Sicilia, a unos 110 Km de la costa. La Fiscalía de Catania señaló que se estima que podrían haber fallecido unas 950 personas; los procuradores expresan que "aún es imposible determinar con precisión el número de muertes" (1). Se han encontrado 24 cadáveres, y solamente 28 supervivientes. Los Guardacostas italianos habían recibido una llamada de socorro en la noche, avisándoles de que el barco se encontraba en peligro. Pero, según informaron los guardacostas, cuando se inició la operación de rescate, el barco naufragó porque todos los que iban a bordo se colocaron del mismo lado en la desesperación por sobrevivir (2).

Las fauces de un mar sorprendido se tragaron la vida de otras 900 personas. En el mismo mes de abril de 2015, más de 400 personas migrantes desaparecieron y unas 150