Noticias, artigos e análises sobre economia, politica e cultura dos países membros do Mercosul, CPLP e BRICS | Noticiero, articulos e analisis sobre economia, politica e cultura de los paises miembros del Mercosur, CPLP y BRICS
sábado, 23 de maio de 2015
Imigrantes/EUROPA ATRASOU-SE 500 ANOS
segunda-feira, 28 de abril de 2014
A UNIÃO EUROPEIA E O FIM DO MERCOSUL
1. A conveniência da participação do Brasil em esquemas de integração regional e da negociação de acordos de “livre comércio” com países altamente desenvolvidos, e altamente competitivos na área industrial, somente pode ser avaliada a partir da situação real da economia mundial e da economia brasileira que se caracteriza hoje por quatro fatos principais:
• a estratégia dos países desenvolvidos de procurar sair da crise através de políticas agressivas de abertura de mercados de terceiros países, de proteção de sua produção doméstica e de manipulação cambial, que desvaloriza suas moedas;
• a política chinesa de expansão de suas exportações de produtos industriais e de abertura de mercados para seus produtos e para seus investimentos, em especial para a produção de commodities (produtos primários);
• a importância do comércio intra-firma que chega a atingir 60% do comércio mundial, o que torna limitada e bastante retórica o conceito de livre comércio;
• a presença avassaladora de megaempresas multinacionais, e de empresas estrangeiras de menor porte, na economia brasileira, não só no setor industrial, mas crescentemente no setor de serviços, tais como educação e saúde.
2. A alternativa estratégica, para os países subdesenvolvidos como o Brasil, a uma política de inserção plena e irrestrita na economia mundial é a participação em esquemas de integração.
3. Esta participação pode ocorrer:
a. em esquemas em que se encontram países desenvolvidos e países subdesenvolvidos, como é o caso
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Portugal/DESFILES PELA QUEDA DO GOVERNO
EM LISBOA, PORTO E ÉVORA
Uma lapa, mesmo depois de morta, continua aferrada à rocha.
O governo morto do PSD (agora já sem o CDS) reluta em demitir-se.
É preciso intensificar a pressão.
Registe-se a má fé do presidente da República quando diz que o caminho para o derrube é a apresentação de moção de censura no Parlamento. Sabe ele perfeitamente que o regimento interno da AR determina que só se possa apresentar uma moção de censura por legislatura. Portanto, nesta legislatura nem o PCP, nem o BE e nem o PS podem apresentar uma nova.
terça-feira, 14 de maio de 2013
BRICS/UMA VITÓRIA DO SUL
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Mundo/ORGANIZAÇÕES COLETAM ASSINATURA CONTRA PROPOSTA DE LEI DO AGROCOMBUSTÍVEL
www.adital.com.br
Adital - Organizações ambientais convocam a sociedade para assinar uma carta que pede aos parlamentares para votar contra a proposta de lei que irá criar até 2020 a expansão das grandes plantações de biocombustíveis.
A coleta das assinaturas está sendo feita através do link: http://www.salveaselva.org/protestaktion.php?id=339. Após o recolhimento das assinaturas a carta será enviada aos parlamentares com o objetivo de barrar a aprovação da PL.
A votação do Parlamento Europeu ocorrerá no dia 17 de dezembro de 2008, quando os parlamentares pretendem votar em duas leis: a das Diretrizes para a Energia Renovável e as Diretrizes para a Qualidade do Combustível. A aprovação dessas leis causará mudanças no uso da terra cultivável, particularmente no sul do Planeta, para abastecer os automóveis da União Européia.
Por tanto, é necessário que os agrocombustíveis sejam excluídos desta lei. A Europa precisa, sim, de uma Legislação que promova a energia renovável e sustentável, a eficiência do uso da energia, assim como a redução dos gases do efeito estufa, mas as florestas, os povos, os climas, os alimentos e a biodiversidade não podem ser sacrificados em nome da promoção de uma energia renovável.
__________________________
Mundo/ORGANIZACIONES COLECTAN FIRMAS CONTRA PROPUESTA DE LEY DE LOS BIOCOMBUSTIBLES
Adital - Organizaciones ambientales convocan a la sociedad para firmar una carta que pede a los parlamentario que voten en contra la propuesta de ley que crea hasta el 2020 la expansión de las grande plantaciones de biocombustibles
La colecta de firmas es hecha a través del link http://www.salveaselva.org/protestaktion.php?id=339.. Después de la recolecta de las firmas la carta será enviada a los parlamentarios con el objetivo de barrar la aprobación de la PL.
La votación en el parlamento Europeo se llevará a cabo en el 17de diciembre de 2008, en lo que los parlamentarios pretenden votar en dos leyes: de las Directrices para la Energía Renovable y la Directrices para la Calidad del Combustible. La aprobación de esas leyes causará cambios en el uso de la tierra para cultivo, en particular en el sur del Planeta, para alimentar a los autos de la Unión Europea.
En tanto, es necesario que los agrocombustibles sean excluidos de esta ley. La Europa precisa si de una Legislación que promueva la energía renovable y sostenible, la eficiencia del uso de la energía, así como la reducción de los gases del efecto estufa, pero las forestas, los pueblos, los climas, los alimentos y la biodiversidad no pueden ser sacrificados en nombre de la promoción de una energía renovable.
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36393
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva/Para recibir el Boletín de Noticias de Adital escriba a adital@adital.com.br
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para/Al publicar en medio impreso, haga el favor de citar la fuente y enviar copia para: Caixa Postal 131
CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
COM A CRISE, LUTAS SOCIAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR
Nilton Viana, da Redação
24 novembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br/
A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Essa é a convicção do jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano fala sobre a grave crise desencadeada a partir do Império estadunidense, que já provoca efeitos perversos em todo o mundo. Ele vislumbra um futuro próximo de grandes sofrimentos para a humanidade, sofrimentos que, segundo Urbano, serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação. É categórico ao afirmar: os trabalhadores vão pagar a maior fatura dessa crise. Mas é otimista. Para ele, grandes movimentos de massa devem surgir, principalmente nos países da União Européia e nos Estados Unidos.
Brasil de Fato – O mundo inteiro vive um drama com a crise financeira desencadeada a partir do centro do império. Tem se dito que essa crise ainda está apenas começando e que ela tende a se agravar. Na sua avaliação, qual é a dimensão dessa crise? É apenas mais uma das tantas que o capitalismo já produziu? O neoliberalismo foi derrotado?
Miguel Urbano Rodrigues – Esta crise é estrutural, e não cíclica como as anteriores. Do sistema fi nanceiro, alastrou para a economia real, e dos Estados Unidos, passou à Europa e à Ásia Oriental. Ela tende a agravar-se muito. E o seu desfecho é por ora imprevisível. Uma certeza: o neoliberalismo, glorificado como a ideologia definitiva que assinalaria “o fim da História”, fracassou. Hayek [Friedrich August von Hayek] é enterrado e Keynes [John Maynard Keynes] ressuscita.
O senhor disse que se trata de uma crise estrutural. As medidas anunciadas até agora alteram a atual estrutura desse processo?
Por ser uma crise estrutural, e não apenas cíclica como as anteriores – confirmando previsões de autores marxistas como Istvan Meszaros e Georges Labica –, as medidas tomadas pelos governos do G-8, transformados em bombeiros do capital, são apenas paliativos. A recuperação das bolsas e do dólar geram a ilusão de que tudo vai voltar rapidamente à normalidade, entendida esta como um refl orescimento do capitalismo sob um novo figurino. Tal convicção é enganadora. A economia real nos EUA, no Japão e na União Européia vai continuar a afundar-se em proporções no momento imprevisíveis. Os despedimentos maciços em dezenas de gigantescas transnacionais, os apelos angustiados dos grandes da indústria automóvel e aeronáutica à ajuda estatal e o encerramento de milhares de empresas ligadas à construção e ao comércio funcionam como espelho da gravidade e complexidade de uma crise de muito longa duração.
O senhor acredita que os Estados Unidos, como potência imperialista, saem derrotados dessa crise ou se fortalecem ainda mais?
Os Estados Unidos, pólo hegemônico do sistema do capital, saem enfraquecidos. Mas enquanto o atual sistema monetário subsistir, com o dólar como moeda de referência mundial, os custos da crise serão distribuídos. Os Estados Unidos são o país mais endividado do mundo (a dívida já iguala o PIB do país). Mas o privilégio de emitir a moeda em que é faturado o petróleo – o produto-chave no comércio internacional – tem adiado um desfecho de bancarrota.
Um sistema midiático perverso e desinformador, dominado no fundamental por grandes transnacionais estadunidenses, ocultou, por exemplo, que grande parte do chamado “resgate” de 700 bilhões de dólares será pago por países da Ásia, nomeadamente a China e o Japão, principais compradores dos Títulos emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos. Somente a China possui cerca de 1.300 bilhão de dólares em reservas e bônus do Tesouro. Se os trocassem por outras moedas, os EUA iriam à falência. Mas a China também, porque a sua economia depende muito das exportações para os Estados Unidos.
Que avaliação o senhor faz das conseqüências desse cenário para a América Latina?
No momento, a maioria das previsões sobre as conseqüências da crise para a América Latina são no fundamental do domínio da especulação. Mas essas conseqüências serão certamente graves. Os Estados Unidos são o principal mercado para as exportações da América Latina, em alguns casos com mais de 50%. No plano político, a estratégia de Washington terá de ser revista. É previsível uma redução da agressividade contra a Venezuela bolivariana e contra o governo de Evo Morales (Bolívia). As manobras conspirativas persistirão, mas a nova administração utilizará outra linguagem.
Em todo o mundo, temos a impressão de que a classe trabalhadora está apenas assistindo a crise. O senhor compartilha da idéia de que vivemos um perído de descenso do movimento de massa e essa crise veio num momento muito ruim para os trabalhadores?
É minha convicção de que, pelo contrário, as lutas sociais tendem a intensifi car-se, sobretudo nos países da União Europeia e nos Estados Unidos, porque os trabalhadores vão pagar a fatura maior da crise. O movimento de massas ganha amplitude na Europa. Por exemplo, no dia 8 de novembro, 120 mil professores (80% da categoria profissional) desfi laram em Lisboa, Portugal, protestando contra a política educacional do governo reacionário de Sócrates.
Como em toda crise, há sempre saídas. As elites já estão tratando de encontrar suas saídas. Quais os rumos que a esquerda deve buscar?
A situação é dilemática porque todas as saídas são, na aparência, más. A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Mas o capitalismo não vai acabar em data próxima, e o socialismo é, por ora, aspiração distante. As tentativas orientadas para a humanização do capitalismo (como é o caso de governos como o Lula, no Brasil; os Kirchner, na Argentina; Tabaré, no Uruguai) são perversas, por enganarem o povo com a cumplicidade de forças e partidos progressistas. Vão fracassar. Grandes sofrimentos – essa é outra certeza – esperam a humanidade no futuro próximo. Sofrimentos que serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação.
Nesses períodos de crise, quem paga a conta são sempre os trabalhadores. Teremos novamente de pagar a conta? O senhor acredita ser possível unir os proletários do mundo e encontrar saídas ou as soluções tendem a ser isoladas?
A crise coloca os povos por ela atingidos, nomeadamente na Europa Ocidental, perante uma situação dilemática. A relação de forças, da Suécia à Itália, de Portugal à Grécia, não abre a possibilidade de que a crise atual desemboque em rupturas revolucionárias. Mas, simultaneamente, a transformação profunda das sociedades da União Européia, moldadas e oprimidas pelo capitalismo, não é possível pela via institucional, dita pacífi ca. A burguesia nunca entrega o poder sem uma confrontação final com as forças do progresso. Sejamos realistas.
No caso português, fora do contexto de uma crise de proporções continentais, os partidos que representam o capital continuarão a vencer todas as eleições. A alternância no governo do PS e do PSD ilustra bem o controle que a classe dominante exerce sobre os mecanismos eleitorais da impropriamente chamada democracia representativa, que na prática funciona como ditadura da burguesia com máscara democrática. A crise do sistema financeiro mundial adquiriu as proporções de uma crise de civilização que atinge toda a humanidade. O seu desfecho é por ora imprevisível. A única certeza é a de que milhares de milhões de pessoas vão pagar a fatura da falência do capitalismo neoliberal e da ideologia a ele subjacente, enquanto os responsáveis pela crise pouco ou em nada serão afetados, no imediato, pelo naufrágio da monstruosa engrenagem por eles montada.
Em momentos como estes, o que fazer?
Lutar, lutar com energia redobrada. Não são apenas a falência do sistema fi nanceiro mundial, a recessão que alastra nos países do G-7, o encerramento de milhares de empresas em dezenas de países, que iluminam a gravidade e a fragilidade da crise estrutural do capitalismo. O sistema do capital dispõe de uma força enorme. Mas não pode mais funcionar de acordo com a sua lógica. Os EUA, pólo e motor do sistema, estão envolvidos em duas guerras perdidas no Oriente Médio e na Ásia Central. Na América Latina, desenvolvem-se processos de ruptura com a dominação imperial. Na Europa, anunciam-se num horizonte próximo grandes lutas inseparáveis das conseqüências da crise, que vai lançar milhões de trabalhadores no desemprego. No movimento da História,
a maré da contestação ao sistema tende a subir. Da luta dos povos, da fusão do particular e do geral, do nacional e do universal, depende que essas lutas adquiram um carácter torrencial, assumindo com o tempo dimensão planetária numa atmosfera de internacionalismo dinamizado pelas organizações e partidos revolucionários.
Como jornalista, como o senhor tem acompanhado a cobertura da mídia sobre a crise?
O sistema midiático apresenta uma frente única na difusão da mentira, nas explicações falsas da crise e nos remédios propostos para resolvê-la, todos orientados para a preservação do capitalismo. No discurso de sociólogos, economistas, historiadores, ministros e parlamentares chamados à televisão para esclarecer a “massa ignorante” da população, o povo não aparece como personagem. Está ausente. Os porta-vozes e epígonos caseiros do grande capital, cúmplices do caos financeiro e social que alastra pelo mundo, desprezam os trabalhadores. O panorama social da crise não é iluminado pela mídia, porque isso seria perigoso para os senhores da finança.
Nos Estados Unidos, Obama acaba de ganhar as eleições presidenciais. Como o senhor analisa essa vitória e o que pode mudar com o novo presidente?
É positivo que o povo estadunidense tenha optado por Obama, um presidente negro, com um discurso muito diferente do de seu adversário republicano. Mas não participo da euforia gerada em nível mundial pela vitória de Barack Obama. É um grande orador e um político hábil e inteligente. Mas aparece-me também como o produto de uma gigantesca e milionária campanha de marketing eleitoral. Não esqueçamos que Obama foi o candidato da Finança, dos grandes grupos transnacionais.
As suas primeiras iniciativas não justificam o entusiasmo que por aí vai. Para chefe de gabinete na Casa Branca, designou já um falcão, sionista, ex-voluntário na guerra do Golfo, um belicista inflamado. Obama afirma pretender “ganhar” a guerra do Afeganistão, defende uma política agressiva contra o Irã, afirma que manterá o bloqueio a Cuba. O vice Joe Binden antecipou uma evidência ao afirmar que as primeiras medidas do futuro presidente serão “muito impopulares”. Alguns dos assessores são republicanos de direita e clintonianos conservadores. A designação de Madeleine Albright como sua representante na Conferência dos 20 (G-20) é inquietante. Temo que Obama seja uma grande decepção para a humanidade progressista.
Quem é
Miguel Urbano Tavares Rodrigues é jornalista e escritor português. Redator e chefe de redação de jornais em Portugal antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal do jornal O Estado de S. Paulo e editor internacional da revista brasileira Visão. Regressado a Portugal, após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redação do jornal do Partido Comunista Português (PCP) Avante!, e diretor de O Diário. Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, presidente da Assembléia Municipal de Moura, deputado da Assembléia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado da Assembléias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última. Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/com-a-crise-lutas-sociais-tendem-a-se-intensificar
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Lusos são os mais interessados em ciência na UE, diz estudo
Quase nove em cada dez jovens lusos (86%) afirmam que se sentem interessados em acompanhar o noticiário sobre ciência e tecnologia, o patamar mais elevado na União Européia, onde a média é de 67%.
Sobre os temas científicos que mais atraem a atenção dos jovens europeus, Portugal é o país onde se verifica maior interesse pelas "descobertas médicas e corpo humano", com 53% dos pesquisados demonstrando "muito interesse" e 37% "algum interesse".
Os jovens portugueses são os segundos mais interessados em "novas invenções e tecnologias" (que demonstra "muito interesse" em 66% das pessoas pesquisadas, valor apenas superado pelos lituanos), "tecnologias da informação e comunicação" (60%, também ligeiramente atrás da Lituânia) e "Terra e ambiente" (61%, valor que fica apenas atrás da Grécia).
O tópico científico que gera menos entusiasmo é "o universo, o espaço e as estrelas", considerado "muito interesse" por apenas 29%, ainda assim o quarto valor mais elevado na UE, depois de Lituânia, Eslovênia e Hungria.
Em contrapartida, os jovens lusos são dos europeus menos interessados em seguir notícias sobre política (35%, o quinto mais baixo da UE) e economia (41%, o sexto pior do bloco).
A pesquisa foi realizada em setembro e entrevistou 25 mil pessoas na UE, com idades entre 15 e 25 anos, dois quais 1.001 jovens portugueses.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Brasil/OMC: Amorim eleva o tom e diz que ricos mentem como nazista
20 julho 2008 /Vermelho http://www.vermelho.org.br
No sábado, o ministro iniciou os debates para tentar fechar um acordo na Rodada Doha sobre a liberalização comercial — mas rejeitou que a responsabilidade de um acordo seja dos países emergentes. Nos últimos dias, Europa e Estados Unidos têm pressionado os países emergentes a fazer concessões para que, em troca, possam abrir seus mercados agrícolas. Bruxelas e Washington acusam Brasil, Índia e China de estarem travando o processo ao não aceitarem cortes expressivos em suas tarifas de importação.
Amorim esteve com o diretor da OMC, Pascal Lamy, por mais de uma hora para o alertá-lo da posição dos emergentes. Ele rejeita a acusação dos países ricos.
"Goebbels sempre dizia que, quando se repete uma mentira muitas vezes, ela se torna verdade", afirmou o chanceler. Joseph Goebbels foi artífice da propaganda nazista na 2ª Guerra Mundial e ficou conhecido por introduzir técnicas de desinformação.
Amorim abandonou as sutilizas da diplomacia e causou espanto nos demais negociadores ao citar, na Europa, um ministro de Adolf Hitler. "Quando eu vejo o que é dito sobre a liberalização no setor agrícola e no setor industrial, não tenho como não me lembrar de Goebbels. Isso precisa ser desmascarado e não podemos ter um acordo baseado na desinformação."
A principal crítica do Brasil se refere ao fato de que os países ricos estão oferecendo pouco em termos de liberalização agrícola e cobrando muito em concessões no setor industrial. "Os países ricos não podem mais operar como no passado, tirando o máximo dos pequenos e dando o máximo aos ricos. Isso não vai mais acontencer", alertou o chanceler, que se reúne neste domingo com Peter Mandelson, comissário de Comércio da União Européia (UE).
Amorim se reúne também com os países emergentes para tentar unir todos contra as posições das economias industrializadas. Ele admite que há diferenças nas posições. Uma delas seria da Argentina, reticente em aceitar um acordo no setor industrial. Bolívia e Venezuela ainda dão sinais de que vão tentar aguar o processo. Mas o ministro garante que o G-20 (grupo de países emergentes) não será dissolvido neste momento.
Da Redação, com informações de O Estado de S. Paulo
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=40648
sexta-feira, 4 de julho de 2008
LIMPEZA ÉTNICA NA EUROPA FASCISTA
Altamiro Borges *
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
2 julho 2008
Adital - O Parlamento do Mercosul, reunido na cidade argentina de San Miguel de Tucumán, aprovou ontem uma dura resolução de repúdio às novas regras migratórias em vigor na União Européia, a fascista "Diretiva de Retorno". Segundo relatos de bastidores, o documento foi articulado pelo ministro de Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Celso Amorin, foi consensual entre os países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e teve o entusiástico apoio dos governos da Venezuela e Bolívia, ainda em fase de adesão formal ao bloco regional.
"O Parlamento do Mercosul declara seu repúdio à denominada Diretiva de Retorno, que constitui uma violação aos direitos humanos básicos, em particular ao direito de livre circulação... Declara a sua esperança na capacidade do Parlamento Europeu rever, com base nos valores civilizatórios da Europa, essa decisão equivocada e estéril, que mancha a imagem da União Européia", afirma a incisiva resolução, que será encaminhada a todas as instâncias internacionais. Alguns governos latino-americanos também não descartam a possibilidade de adotar duras medidas de represália, no espírito do direito à reciprocidade, como forma de pressão sobre as nações européias.
Oito milhões de "criminosos"
A Diretiva de Retorno, aprovada pelo parlamento europeu em 18 de junho, representa uma brutal regressão na política migratória e reflete a atual onda direitista no velho continente, com a vitória de vários governantes xenófobos. Ela relembra a fúria racista do período nazi-fascista. Fixa que, a partir de 2010, o estrangeiro em situação irregular em qualquer país da União Européia terá de sete a 30 dias para voltar ao seu país de origem, independentemente do tempo de residência na Europa e mesmo de sua situação familiar. Caso não deixe o país, ele ficará sujeito à detenção por seis meses, prorrogáveis por mais 12 meses. Os filhos nascidos na Europa também poderão ser separados dos pais imigrantes e os deportados não poderão retornar à Europa durante cinco anos.
Segundo estimativas, atualmente há oito milhões de imigrantes ilegais no continente - entre eles, cerca de 800 mil brasileiros. A partir da vigência desta lei, já batizada de Diretiva da Vergonha, todos passarão a viver como criminosos, perseguidos pela polícia migratória e discriminados por europeus envenenados pelas manipulações racistas difundidas na mídia hegemônica. O clima de terror já impera. Na Itália, o magnata da mídia Silvio Berlusconi, durante a sua campanha para o terceiro governo, pregou abertamente a "tolerância zero contra o rom [ciganos], os clandestinos e os criminosos". Eleito, já ordenou a destruição de acampamentos e a prisão sumária de ciganos.
Arsenal de desgraças do colonizador
Na França, liderada por outro fascista, Nicolas Sarkozy, foram fixadas cotas anuais de expulsão de estrangeiros. Também foi autorizado o interrogatório de "suspeitos" durante seis dias, sem a presença de advogados, e as normas de controle dos aeroportos agora serão secretas. O governo francês ainda decretou que os patrões deverão denunciar funcionários sem documentos sob pena de multa de 15 mil euros e cinco anos de prisão. Na Espanha, o social-democrata Luis Zapatero se vangloriou de ter expulsado 330 mil imigrantes - 50% mais do que nos últimos quatro anos de José Aznar. Outros países autorizaram a polícia a deter os imigrantes por 42 dias sem acusação formal e os serviços secretos já vasculham, sem sentença judicial, os correios eletrônicos.
Na opinião do jornalista Luis Eça, a escalada xenófoba na Europa, que explica a recente vitória de governantes fascistas, teria vários motivos. "A aversão da população européia aos imigrantes se explica, em parte, pelo racismo - nem sempre expresso, mas, em geral, latente -, herdado dos tempos coloniais, quando os africanos eram acoimados de selvagens e os asiáticos de bárbaros que deveriam ser ‘civilizados’. Outra razão, talvez mais importante, é o temor de que os intrusos venham a tomar postos de trabalho da população local". Os imigrantes seriam as vítimas destas injustiças. "Após séculos, primeiro escravizando e depois explorando impiedosamente a África, a América Latina e parte da Ásia, a Europa parece não ter esgotado o seu arsenal de desgraças".
Novos escravos da Europa
No seu calvário, o imigrante sofre ao tentar ingressar no "primeiro mundo", ao ser violentamente explorado e, agora, ao ser perseguido e expulso. Ele trabalha nas áreas mais penosas e insalubres, numa jornada média de 60 horas semanais, com salários baixos e sem qualquer direito. Temendo ser denunciado à polícia, ele se submete às horas não pagas, à truculência patronal, às demissões arbitrárias, à ausência de indenizações e ao trabalho noturno e no final de semana. Os imigrantes ilegais, mas também os legais, são utilizados pela burguesia para instigar a concorrência entre os trabalhadores, o que estimula a divisão na própria classe e os piores instintos xenófobos.
Reportagem contundente do jornal O Estado de S. Paulo, intitulada "Novos escravos da Europa", revelou o drama de dois africanos, Adam Mohamed e John Kawala, que venderam suas lojas de artesanato em Gana "para reunir dinheiro e pagar todas as propinas necessárias para cruzar várias fronteiras e chegar a Europa. Em três semanas, passaram por Gana, Togo, Benin, Níger, Líbia e finalmente cruzaram o mar Mediterrâneo até o sul da Itália. Gastaram 4 mil cada um na viagem. Tudo isso para, três meses depois, viverem na condição parecida com a da escravidão na Europa. ‘Se eu soubesse que viria ao inferno, não teria iniciado a viagem’, afirma Kawala, 35 anos".
Violação dos direitos humanos
O artigo mostra que esta é a sina da maioria dos 500 mil africanos, latino-americanos e asiáticos que ingressa no bloco todos os anos. O grosso trabalha ilegalmente, sendo responsável por quase 12% do PIB europeu. Muitos vivem "em condições de indigência. Eles sofrem diariamente com violência, vivem em edifícios abandonados, sem eletricidade ou água, e infestados de ratos. Pior: não podem voltar diante das dívidas que acumularam com seus patrões. Conhecida por criticar as condições de trabalho na produção da cana-de-açúcar no Brasil ou de têxteis na China, a Europa está sendo obrigada agora a admitir a existência dessas violações em seu próprio território".
No trabalho nos campos da Itália, França ou Espanha, "quem ousa fugir é até perseguido pelos capatazes das fazendas. Há dois anos, a região [da Calábria] ainda foi tomada por um escândalo envolvendo a morte de poloneses que também trabalhavam no campo. Investigações feitas pela Justiça mostraram que algumas das mulheres encontradas mortas poderiam ter sido estupradas e aquela foi a primeira vez que os italianos passaram a saber a real situação dos imigrantes... Hoje, os que morrem não têm muitas vezes nem como ter seu corpo transportado para seus países".
Resposta deve ser dura
Além de comer o pão que o diabo amassou, em condições desumanas de trabalho, o imigrante será agora mais perseguido e humilhado. Para Emir Sader, "a mensagem européia é clara. Diz um colunista espanhol: ‘Imigrante, não, muito obrigado. Petróleo, passe, por favor’. Em outras palavras, livre comércio, mas, numa sociedade que considera o ser humano mercadoria, estes são excluídos da lei geral. As mercadorias podem circular livremente, os seres humanos, não... Não é necessário recordar que sempre aceitamos imigrantes europeus, sem nenhuma política de cotas".
Para o renomado sociólogo, é urgente repudiar esta barbárie fascista. "Uma vez García Márquez anunciou que não permitiria mais a venda dos seus livros na Espanha se passasse a ser solicitado visto aos colombianos. Agora, Hugo Chávez anuncia que deixará de vender petróleo aos países que aplicarem a Diretiva da Vergonha". A resposta dos governos e dos povos latino-americanos, africanos e asiáticos deve ser dura. Nos séculos 19 e 20, os países do Sul "receberam milhões de italianos, portugueses, franceses, alemães, espanhóis e ingleses, que para cá vieram em busca de melhores oportunidades que seus países não ofereciam. Mas, na Europa de Berlusconi, Sarkozy, Merkel e Brown, gratidão não é um argumento levado em conta", ironiza Luis Eça.
* Jornalista, editor da revista
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Chefes de Estado do Mercosul defendem reação regional à lei de imigração européia
Mylena Fiori, enviada especial/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
San Miguel de Tucumán (Argentina) - Com maior ou menor indignação, todos os chefes de Estado presentes à 35ª Cúpula do Mercosul e dos Estados Associados defenderam uma reação regional frente à Lei de Retorno européia, que estabelece regras mais duras para tratamento de imigrantes ilegais. Até a noite de ontem (1º), os documentos oficiais da reunião não haviam sido divulgados, mas a presidente argentina, Cristina Kirchner, informou em sessão plenária que o rechaço às novas regras constaria na declaração final dos presidentes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou acusar os europeus de racismo. “Outro lado do oceano desencadeia odiosa perseguição aos latino-americanos, muitas vezes cercada de conteúdos racistas”, afirmou.
Praticamente todos os chefes de Estado lembraram que a região, no passado, acolheu imigrantes europeus e é inadmissível o tratamento dado agora aos latino-americanos. “No Uruguai, quando perguntam de onde descendemos, dizemos que descendemos de barcos”, disse o presidente Tabaré Vasquez. “Nos dói particularmente que se tente discriminar e não se respeite os direitos dos latino-americanos que hoje tiveram que buscar em outras terras o que não encontram nas suas, como fizeram nossos avós. “Ninguém imigra por prazer, o faz por necessidade”, frisou.
O mesmo argumento foi usado pela presidente chilena, Michelle Bachelet. “ Nossos países foram muitos generosos e solidários com os europeus que chegaram noutro século em nossas terras. Agora somos nós os imigrantes”, ponderou.
O venezuelano Hugo Chavez – que já ameaçou com a possibilidade de represálias às empresas européias instaladas em seu país – pediu ações mais efetivas que um simples protesto do Mercosul e seus Estados Associados. “Buscar uma posição comum é necessário. Temos que prever ações. A Europa civilizada legalizou barbárie”, disse Chavez. “Queria chamar para que assumamos posições comuns e muito firmes”, reiterou.
Na última sexta-feira (27), o Parlamento do Mercosul já havia aprovado resolução de rechaço às novas regras imigratórias da União Européia. De acordo com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a indignação com a lei de imigração européia pode ser levada à Assembléia Geral das Nações Unidas, em setembro. Como exemplo de exagero da União Européia, lembra que a previsão de “internamento” para crianças ilegais é a mesma antes prevista para os integrantes do IRA.
“Tudo isso precisa de uma análise jurídica bem detida, mas o termo é o mesmo que se usava quando se prendiam os terroristas da então considerada terrorista IRA. Deixar uma criança presa como se fosse um terrorista porque simplesmente não tem um documento para morar no país é duro”, comentou.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/02/materia.2008-07-02.9727108880/view
Leia mais sobre os assuntos
Rodada Doha volta a ser discutida neste mês pelo Brasil e a Argentina
Lula, Cristina Kirchner e Hugo Chávez discutem crise energética argentina
Observadores do Mercosul vão acompanhar referendo sobre o mandato de Evo Morales
Crise mundial de alimentos domina discursos em encontro de presidentes do Mercosul
Lula afirma que governo vai enfrentar a inflação mesmo que tenha que acompanhar preços
Fim da dupla tributação nas importações é meta do Brasil para o Mercosul, diz Lula
Lula apóia proposta de Chávez de discutir segurança alimentar na América do Sul
Mercosul anunciará acordo sobre preferências tarifárias com países africanos
Mercosul repudia novas regras imigratórias da União Européia
Países do Mercosul articulam declaração de repúdio à nova lei de imigração européia
Representante da OEA afirma que lei de imigração européia é "diretriz da vergonha"
Da Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
2 julho 2008
Brasília - O integrante do Comitê Jurídico da Organização dos Estados Americanos (OEA) Ricardo Antônio Silva Seitenfus afirmou hoje (2) que a União Européia deu um “péssimo exemplo” ao aprovar a nova lei de imigração. “Ela é chamada pelos europeus de Lei de Retorno, mas, de fato, é uma diretriz da vergonha”, criticou , em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Aprovada pelo Parlamento Europeu no dia 18 de junho, a Lei de Retorno criminaliza o imigrante sem documentos, de acordo com o representante da OEA. Segundo ele, a norma obriga os 27 países da União Européia a unificar suas políticas de controle de imigração. “Os europeus calculam em cerca de 8 milhões de imigrantes nessa situação [sem documentos]”, disse.
De acordo com a nova lei, o imigrante terá entre sete e 30 dias para deixar a Europa. Caso a medida seja descumprida, ele estará sujeito a até 18 meses de detenção. Seitenfus ressaltou que os deportados não poderão retornar à União Européia por cinco anos. Para ele, essa proibição dificulta o reagrupamento familiar e impossibilita o asilo político.
O representante da OEA previu que os países do Mercosul e em desenvolvimento devem esperar fortes embates com relação à posição da União Européia e classificou o Tratado de Madri, que aproxima os dois blocos, de “um sonho de verão”.
Na avaliação de Seitenfus, os países do Mercosul têm toda a razão ao repudiar a medida e a unanimidade do bloco se mostra indispensável neste momento. Todos os chefes de Estado presentes à 35ª Cúpula do Mercosul e dos Estados Associados defenderam ontem (1º) uma reação regional frente à Lei de Retorno.
Ao discursar durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou os europeus de racismo. “Outro lado do oceano desencadeia odiosa perseguição aos latinos-americanos, muitas vezes cercada de conteúdo racistas”, afirmou.
A opinião de Lula foi compartilhada pelos outros chefes de Estado do bloco. Para Seitenfus, o Mercosul deveria reagir de maneira mais contudente à Lei de Retorno européia.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/02/materia.2008-07-02.9237701395/view
Leia mais sobre os assuntos
Chefes de Estado do Mercosul defendem reação regional à lei de imigração européia
Países do Mercosul articulam declaração de repúdio à nova lei de imigração européia
Lula afirma que medidas contra imigrantes em países europeus são preconceito
Governo lamenta aprovação da nova lei de imigração européia
Nova lei de imigração européia preocupa ONU, diz representante do Alto Comissariado
terça-feira, 1 de julho de 2008
Brasil/Lula apóia proposta de Chávez de discutir segurança alimentar na América do Sul
Yara Aquino, repórter da Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
1 julho 2008
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (1) que a proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de criar um grupo de alto nível para discutir segurança alimentar no Mercosul, deve ser acatada e incluída no documento final da Reunião de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada em San Miguel de Tucumán, na Argentina.
“Esse grupo vai permitir que possamos discutir no âmbito do Mersocul e na Unasul fazer uma discussão sobre as necessidades alimentares de cada país e também sobre a crise de alimentos, que ainda não está muito explicitada”, disse o presidente.
Lula afirmou que a crise mundial de alimentos deve ser encarada pelos países da América do Sul como um desafio para que produzam mais. “Devemos encarar os alimentos e a inflação como um desafio. Temos potencial e conhecimento para isso”, afirmou.
Uma ampla discussão sobre o tema alimentos foi proposta pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, no discurso de abertura da reunião.
Lula falou também sobre o crescente aumento do preço do petróleo e afirmou que é preciso discutir com a comunidade mundial o consumo sem reposição dos estoques reguladores de alimentos e o mercado futuro desse produto, além do estoque de petróleo que geram especulação nos preços. “Isso tem que ser investigado”, afirmou Lula, ao relatar aos participantes da cúpula que o mercado futuro de petróleo tem estoques que dariam para abastecer o consumo da China.
Lula disse que não tinha a intenção de participar da reunião do G 8, grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia, mas decidiu ir ao encontro na tentativa de propor essas discussões. “Se não começarmos a discutir essas coisas eles [os países ricos] vão jogar, por todos os discursos que estamos vendo, a crise da inflação e do alimento nas costas dos países pobres”. O resultado, segundo Lula, seria a interferência de organismos internacionais propondo fortes ajustes fiscais, que geram recessão e desemprego.
O presidente relatou que esperava que esses temas fossem tratados na cúpula, que reuniu chefes de estado da América Latina e da União Européia, em maio, em Lima, Peru. No entanto, ele queixou-se que os latinos americanos não tiveram espaço e o papel de oradores ficou restrito aos governantes europeus.
Durante o discurso, Lula fez uma defesa dos biocombustíveis, acusados de contribuírem para a escassez de alimentos. “Se alguém me convencer de que o biocombustível vai causar fome no mundo, não trocarei meu estômago por um tanque de combustível”, disse o presidente.
Lula disse, ainda, que o Brasil tem interesse na Rodada Doha como fator disciplinador do comércio internacional, mas ressaltou que é preciso ter sempre em mente a defesa do Mercosul. “Essa tem que ser nossa prioridade”, afirmou Lula..
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/01/materia.2008-07-01.8301543693/view
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Mercosul repudia novas regras imigratórias da União Européia
Mylena Fiori, enviada Especial/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
30 junho 2008
San Miguel de Tucumán (Argentina) - Reunido na cidade argentina de San Miguel de Tucuman, o Parlamento do Mercosul aprovou resolução de repúdio às novas regras imigratórias da União Européia. No documento, os deputados argentinos, brasileiros, uruguaios e paraguaios convocam os demais parlamentos latino-americanos a aderirem ao protesto e alertarem seus governos sobre a necessidade de se tomar medidas legais contra a Lei de Retorno, que endurece as normas de tratamento aos imigrantes ilegais.
“O Parlamento do Mercosul declara seu repúdio à denominada Diretiva [Lei] de Retorno, que constitui uma violação aos direitos humanos básicos, em particular ao direito à livre circulação”, diz o documento, que será encaminhado ao Parlamento Europeu, ao Conselho da União Européia, à Organização dos Estados Americanos (OEA), à Comissao Interamericana de Direitos Humanos, às Nações Unidas e ao Parlatino, Parlacen e Parlamento Andino.
Os parlamentares também solicitam ao Conselho do Mercado Comum – instância máxima decisória do grupo – que tome as medidas necessárias para a revisão e revogação imediata da Lei de Retorno. “O Parlamento do Mercosul declara sua esperança na capacidade do Parlamento Europeu de rever, com base nos valores civilizatórios da Europa, essa decisão equivocada e estéril, que mancha a imagem da União Européia”, finaliza a resolução, que tem o apoio da Venezuela, o país em fase de adesão ao bloco regional.
Aprovada no dia 18 de junho pelo parlamento Europeu, a Lei de Retorno harmoniza procedimentos referentes à deportação de imigrantes ilegais e estabelece regras mais rígidas. A partir de 2010, o estrangeiro que se encontrar em situação irregular em qualquer país membro da União Européia terá entre sete e 30 dias para voltar a seu país de origem, independentemente do tempo em que esteja na Europa e de sua situação familiar. Caso não deixe o país no período previsto, o imigrante estará sujeito a detenção por até seis meses, prorrogáveis por mais 12 meses, em casos excepcionais. Os deportados não poderão retornar à União Européia durante cinco anos. Segundo estimativas da Comissão Européia, há oito milhões de imigrantes ilegais na região.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/06/30/materia.2008-06-30.1801539112/view
Leia mais sobre os assuntos
Países do Mercosul articulam declaração de repúdio à nova lei de imigração européia
Turistas poderão circular por dez países da América do Sul sem passaporte
Lula afirma que medidas contra imigrantes em países europeus são preconceito
Comitê para Refugiados prevê que lei de imigração européia vai aumentar tráfico de imigrantes
Nova lei de imigração européia preocupa ONU, diz representante do Alto Comissariado
Governo lamenta aprovação da nova lei de imigração européia
Brasileiros são presos na Espanha por falsificação de documentos
Brasil adotará princípio da reciprocidade para entrada de estrangeiros no país
América Latina quer que União Européia dê ênfase nos direitos dos imigrantes
União Européia estuda exigir visto para turistas latino-americanos

