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quinta-feira, 30 de junho de 2016

A União Europeia está morta/L’Union européenne est morte



26 junho 2016, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por Pierre Lévy*

Brexit! Acontecimento literalmente histórico.

Para as elites mundializadas, ele ultrapassa os piores pesadelos e era, na realidade, inconcebível.

Para aqueles que seguem atentamente a actualidade europeia, e estão conscientes da crescente rejeição popular que a UE inspira com muita razão, ele ao contrário era previsível.

Em primeiro lugar, uma constatação salta aos olhos. É verdade que uma parte da burguesia inglesa apoiou a opção de retirar o Reino Unido da União Europeia. Mesmo assim a clivagem é gritante: de um lado, as elites institucionais e políticas (e sindicais, com algumas louváveis excepções), a City,
os bancos , os patrões das grandes empresas (1300 deles haviam lançado um apelo final dois antes do escrutínio) – e os meios urbanos abastados; do outro, os bairros populares, as cidades operários e os arrabaldes abandonados, as regiões desindustrializadas e no abandono.

É este fosso que acima de tudo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

UE E CELAC: OBJETIVOS OPOSTOS NO CONCEITO DE UNIÃO E COMUNIDADE



15 abril 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Diante da crise que assola, principalmente, os países mais pobres da Europa, impõe-se refletir sobre o caminho de "integração" das nações em vias de desenvolvimento na América Latina e Caribe.

Por Zillah Branco*

Ao contrário da história passada de todas as nações europeias que se beneficiaram com a colonização do Terceiro Mundo enquanto consolidavam as respectivas independências dos seus Estados e estabeleciam o quadro institucional que servia de suporte para o desenvolvimento da sociedade, a comunidade latino-americana sofreu um enorme atraso mantido pelo poder oligárquico que o sistema colonial deixou como herança e que se subordinou por interesse econômico ao neocapitalismo e ao imperialismo praticados mundialmente tendo os Estados Unidos como ponta de lança.

As reações populares, na sua maioria esmagadas violentamente ao longo da história, criaram uma consciência de cidadania e nacionalismo que, inspiradas na Revolução Cubana que sobreviveu à todos os ataques liderados pelos Estados Unidos, que impôs um bloqueio internacional há mais de 50 anos, foram gerando forças democráticas que impulsionaram movimentos sociais e partidos de esquerda capazes de conduzir os processos eleitorais contra os interesses oligárquicos e as pressões estrangeiras. Na medida em que defendiam os povos afogados na miséria e no atraso social, sugeriam a criação de setores modernos de produção que lançavam as bases do fortalecimento de empresas importantes para o abastecimento interno e exportação, centros de investigação e formação científica e a independência nacional.

Neste contexto, o êxito alcançado por Hugo Chávez na Venezuela, que somou esforços com o sistema revolucionário cubano na abertura de um caminho latino-americano de desenvolvimento, livre das injunções dos Estados Unidos foi um exemplo que repercutiu em todo o continente. Foram criadas estruturas de integração dos interesses nacionais, como a Alba e a Unasul para substituírem a OEA anteriormente criada pelos norte-americanos, com objetivos semelhantes aos da União Europeia, para subordinar os países em luta por sua independência ao poderoso império. Assim surgiu o conceito de "unidade em torno das condições históricas e dos interesses semelhantes de desenvolvimento e independência nacionais".

Depois do ano 2000, através do processo eleitoral e de amplas campanhas democráticas, foram sendo formados governos comprometidos com o desenvolvimento nacional e a libertação dos seus povos da miséria que os atrasa, no Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador, Paraguai, que procuraram apoiar toda a região no caminho do desenvolvimento para enfrentar os mercados internacionais que sempre os tratara como Terceiro Mundo, evitando que pudessem alcançar a integração na comunidade internacional.

O dirigente José Reinaldo Carvalho, do PCdoB, escreveu no Portal Vermelho: "A Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos) afiança-se como instrumento de diálogo e defesa da identidade, aspirações e culturas regionais, sob os princípios básicos da inclusão dos 33 países independentes da América Latina e Caribe e sem a pretensão de substituir os mecanismos existentes. Dessa maneira, emerge como um dos fatores propulsores de novos equilíbrio de forças no mundo, um ator diferenciado na cena internacional, contraposto aos hegemonismos imperiais, credenciado, portanto, para contribuir para o advento de nova ordem política e econômica mundial.

A importância histórica dos atuais processos de integração na América Latina se agiganta quando se tem presente que há bem pouco tempo a organização com aparência de multilateralismo que existia na região era a famigerada Organização dos Estados Americanos (OEA), instrumento dócil e serviços aos interesses da grande potência do norte. Observe-se também que a Celac não se contrapõe, antes contempla e incorpora, outras experiências precedentes de integração na região, como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e a União das Nações do Sul (Unasul).

É uma verdadeira revolução institucional de fato, considerando-se que a nova organização reúne, pela primeira vez na história, em um mesmo fórum os 33 países independentes da América Latina e do Caribe, sem os Estados Unidos e o Canadá. A Celac, com a variedade de experiências políticas e de modelos socioeconômicos e um patrimônio histórico-cultural com matriz comum, é a experiência institucional que mais se aproxima do sonho de integração e independência de Martí e Bolívar. O seu advento assinala o dobre de finados do pan-americanismo inseminado pela Doutrina Monroe e desenvolvido com a orientação política que no começo do século 1920 foi batizada de “Corolário Roosevelt”. Por conseguinte, a nova entidade integradora é o marco miliário de um novo pan-americanismo, o da Nossa América, aquele que corresponde à vontade de povos soberanos e abre caminho para a conquista da segunda independência.

Isto assume ainda maior significado, se se tem presente que para além da postura patriótica e a decisão de afirmar a soberania nacional, o bloco se orienta – malgrado inevitáveis diferenciações – pela luta por objetivos de inclusão social, crescimento com igualdade e desenvolvimento sustentável.

Os fenômenos de caráter econômico e político em curso na conjuntura política latino-americana fazem parte das transições do mundo contemporâneo, e guardam relação direta com a busca por novos equilíbrios, pela conquista de novo ordenamento político e econômico, pela justiça, o progresso e a paz."

Superação do neocapitalismo
A imposição do modelo imperial na América Latina levou o continente ao atraso, à fome endêmica da maior parte da sua população, à queda da produção, ao desemprego, ao pagamento de uma dívida externa crescente que sugava todas as fontes de riqueza existentes. A década de 1980 foi considerada "perdida" para os povos latino-americanos e de grandes lucros para as sanguessugas multinacionais, o sistema financeiro e o FMI com toda a corja parceira.

O aprofundamento da crise estrutural e sistêmica do capitalismo está no centro dos principais problemas e conflitos internacionais, mas o seu preço foi cobrado às populações trabalhadoras, aos idosos e as crianças atirados à miséria.

As classes dominantes reacionárias e suas instituições econômicas e financeiras transnacionais buscaram “soluções” nas velhas medidas que sempre resultaram em retumbante fracasso: diminuição do Estado, contenção salarial e redução do valor das pensões de aposentadoria, desregulamentação financeira, precarização dos serviços públicos com a semifalência do Serviço Nacional de Saúde e do Ensino Público obrigatório, desmantelamento das conquistas dos trabalhadores, circulação livre de capitais, privatização do patrimônio público, socialização das perdas das corporações.

Isto ocorreu na América Latina até que os povos decidiram substituir os governantes subservientes ao modelo imposto por lideranças comprometidas com as forças sociais que lutavam contra o domínio oligárquico e pelo desenvolvimento com independência nacional. Hoje é o que está ocorrendo na Europa, destroçando as economias e o Estado das nações mais pobres: Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, amarrados a uma falsa "união comunitária" onde a moeda única permitiu que um Banco Central decidisse os destinos das suas economias empenhadas nos créditos financeiros que o beneficiam diretamente elevando os juros pagos pelas populações asfixiadas.

"É neste quadro de crise que se desencadeia uma brutal ofensiva dos potentados internacionais e das classes dominantes retrógradas contra as liberdades e os direitos fundamentais, a soberania e a autodeterminação dos povos e nações”.

"Sob esta ofensiva, nem mesmo o direito internacional e as próprias instituições criadas para assegurar o exercício de relações internacionais equilibradas e baseadas no multilateralismo e em normas consensuais, subsistem como tais, pois que acabaram sendo instrumentalizadas pelos interesses unilaterais de potências hegemônicas que exercem seu domínio por meio de políticas de força." (cit. Anterior)

A ação imperialista resultante da evolução do sistema capitalista que se mantém em bases predatórias tanto das riquezas naturais do planeta como da força de trabalho da humanidade, visa exclusivamente o poder para obter os maiores lucros além dos saques perpretados com as invasões periódicas contra os povos que lutam pela independência. Isto explica a autofágica ação contra as nações historicamente independentes da Europa.

O uso que ainda fazem dos vocábulos democráticos e de solidariedade, ou dos direitos humanos e de Estado Social, é para enganar os que ainda alimentam esperanças de que os que se consideram "polícias do Mundo" respeitam a ética e a vida humana. A eleição estrondosa de Obama contou com esta máscara de decência que se esfarelou no discurso violento e ameaçador ao receber o prêmio Nobel da Paz. Não são pessoas normais, são mercenários e assassinam a humanidade sem qualquer sentimento, com os olhos fixos no lucro e no poder.

*Zillah Branco é socióloga, militante comunista e colaboradora do Vermelho

 

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sábado, 24 de março de 2012

BRASIL DECLARA LA GUERRA MONETARIA A EUROPA Y EEUU


24 marzo 2012/Rebelión http://www.rebelion.org (México)


La entrevista entre Dilma Rousseff y Angela Merkel el pasado 5 de marzo en Alemania fue tensa y poco cordial. La presidenta de Brasil se viene quejando del tsunami monetario, como bautizó la política monetaria expansionista de Europa y Estados Unidos, que perjudica la industria de los países emergentes. Se despachó contra la política económica especulativa que impulsa la canciller alemana y advirtió que Brasil es una economía soberana y, por lo tanto, tomará todas las medidas para protegernos (O Globo, 5 de marzo).

El objetivo de Rousseff fue demostrar que los países centrales están tomando medidas proteccionistas, a las que consideró una forma artificial de protección del mercado. Hasta se permitió darle lecciones a la alemana: Es importante que los países desarrollados no hagan políticas monetarias expansionistas, sino políticas de expansión de las inversiones, porque eso mejora la demanda interna.

En su comparecencia ante la Comisión de Asuntos Económicos del Senado, el ministro de Haciendo Guido Mantega dijo que si Brasil no hubiera tomado medidas para evitar una revaluación del real la cotización del dólar habría caído hasta 1.40 (hoy es de 1.80) y toda la industria brasileña ya estaría quebrada, no tendría condiciones de competitividad y no conseguiría exportar nada (Agencia Brasil, 14 de marzo de 2012). El ministro recordó que los países del norte inyectaron 9 billones de dólares en la economía, y que ante la devaluación de sus monedas, que considera una guerra monetaria, Brasil no puede hacer el papel de tonto.

Hasta ahora la principal medida, además de la compra masiva de dólares por parte del Banco Central, consiste en la ampliación del impuesto a las operaciones financieras, de 6 por ciento a las transacciones a menos de cinco años, y no a dos como antes. El que quiera que tome préstamos a más de cinco años, que son más saludables al ser para inversiones, dijo Mantega, al anunciar que se profundizarán medidas para impulsar la industria y las exportaciones.

Apenas conocerse la noticia, el Financial Times, vocero del capital financiero internacional, tituló que Brasil declaró la guerra de divisas contra Estados Unidos y Europa. El artículo finaliza advirtiendo sobre guerras comerciales masivas en el horizonte como resultado de las políticas en curso (Financial Times, 1º de marzo de 2012).

En el mismo momento que el gobierno brasileño ingresaba en la guerra de divisas, la Casa Blanca suspendía el contrato que había ganado la brasileña Embraer en una licitación de 20 aviones de ataque Super Tucano por 355 millones de dólares para la fuerza aérea de Estados Unidos. Si Embraer lograba ingresar en el selecto grupo de proveedores de la principal fuerza aérea del mundo, se hubiera consolidado como industria aeronáutica militar. Embraer es la tercera empresa del mundo en aviones civiles, detrás sólo de Boeing y Airbus, pero recién este año consiguió ingresar en la lista de las 100 mayores empresas militares del mundo, ocupando el puesto 94 (O Estado de Sâo Paulo, 27 de febrero de 2012).

La cancillería brasileña, habitualmente comedida, no ocultó su desagrado, en especial por el momento y la forma, semanas antes de la visita oficial de Rousseff a Wahington. Pero el dato mayor es otro: la cancillería asegura que esa decición no contribuye a la profundización de las relaciones entre los dos países en materia de defensa (Valor, 2 de marzo de 2012). Este año Brasil decidirá la compra de 36 cazabombarderos de última generación, y lo hará entre el Rafale de la francesa Dassault y el F-18 Super Hornet de la estadunidense Boeing. La preferencia siempre fue por el Rafale, aunque es mucho más caro, porque Francia asegura una completa transferencia de tecnología, sin precedentes en la industria militar.

En septiembre de 2009 el presidente Lula firmó un acuerdo de cooperación militar por el cual Brasil ya comenzó la construcción de submarinos convencionales y nucleares, y de helicópteros militares, aplazando por el momento la compra de los cazas. El acuerdo convierte a Brasil en potencia industrial-militar y parte del selecto grupo de países capaces de fabricar submarinos nucleares y cazas de quinta generación. Algo que no es del agrado de Washington. Dos hechos nuevos deben constatarse. En las relaciones entre Brasil y los países del norte hay un nuevo tono. 

El modo como Rousseff encaró a Merkel habla por sí solo. Los países desarrollados quieren canibalizar a los emergentes, dijo la presidenta, lo que no vamos a permitir. En el terreno militar es igual. El jefe del estado mayor de las fuerzas armadas, general José Carlos de Nardo, habló el 20 de marzo ante 44 oficiales que pasaron a desempeñarse en el Ministerio de Defensa: No hay lugar para conflictos en América del Sur. 
 Podemos enfrentar pequeñas crisis en nuestras fronteras, que resolveremos con el traslado rápido de efectivos (Ministerio da Defesa, 20 de marzo de 2012).

Agregó que el continente posee abundancia de hidrocarburos, recursos hídricos, producción de alimentos y biodiversidad, y que el papel de Brasil consiste en contribuir en el proceso de disuasión continental contra la codicia de las potencias extranjeras. Más claro, imposible. Cuando un país del tamaño de Brasil decide ingresar en una guerra como la monetaria, es porque está preparado en todos los terrenos para afrontar las consecuencias.

El segundo hecho es que la región camina a marchas forzadas hacia una creciente convergencia política, económica y financiera. La guerra monetaria en curso es apenas el anticipo de la división del mundo en bloques comerciales, en un ambiente de crispado proteccionismo que comenzaría a plasmarse hacia finales de este año (Geab No. 57, septiembre de 2011). La Unasur puede comenzar a debatir, en cualquier momento, sobre una moneda común, por la necesidad de defenderse en un mundo de creciente inestabilidad que está buscando alternativas al dólar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Portugal/AS IMBECILIDADES DE UM PRÉMIO NOBEL



28 fevereiro 2012/Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)


Paul Krugman (Foto: Negócios Online (Portugal)

O sr. Paul Krugman está em Portugal. Veio cá para dizer que "os salários dos portugueses têm de cair até 30% face à Alemanha" . E, do alto da sua sapiência, decreta: "Os custos laborais [em Portugal] estão desalinhados com o resto da zona euro e adequá-los vai necessitar uma desvalorização interna dolorosa, ou seja, deflação" (sic). 

O sr. Krugman tem fama de ser um keynesiano. Mas com economistas keynesianos assim já não são precisos neoliberais para nada – a identidade de pontos de vista é perfeita.

Este prémio Nobel que agora recebe honras de universidades portuguesas (por que?) deveria saber que em ocasiões de crise o necessário é aumentar o rendimento disponível das populações, relançar a produção interna e o nível de emprego, cortar as importações inúteis e priorizar o bem-estar interno em relação aos credores externos – mesmo que isso signifique um incumprimento e a expulsão da UE. Mas ao invés de falar nos espartilhos impostos pela UE, BCE e FMI que levam o país à ruína, o sr. Krugman preferiu fazer coro com a Troika.

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Falências atingem níveis recorde em Portugal

Só no ano passado entraram em falência 10 mil empresas portuguesas, o que representa um aumento de 65 por cento face ao ano anterior. A confirmar-se a recessão prevista para este ano, agora de 3,3 por cento, este cenário de falências pode ainda agravar-se.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Portugal/Comércio e indústria em queda

7 novembro 2011/Esquerda.net http://www.esquerda.net

De acordo com os últimos números do INE, o comércio em Portugal regista a segunda maior queda de toda a Europa e a indústria, mesmo aumentando as exportações, viu a sua actividade abrandar como resultado da crise interna.

Os efeitos da política de austeridade não deixam de se fazer sentir. A actividade comercial em Portugal registou a segunda maior queda de toda a Europa. Segundo os números do EUROSTAT, o organismo oficial das estatísticas europeias, comparando Setembro com idêntico mês de 2010, o comércio a retalho caiu 6,2 por cento. Uma diminuição muito mais acentuada do que a registada na zona euro, onde diminui 1,5 por cento e ainda maior do que os 0,8 por cento quando são considerados todos os países da União Europeia. Pior do que Portugal só Malta, com uma queda de 7,5 por cento.

A contracção da procura interna, que deverá acentuar-se com as medidas de austeridade constantes no Orçamento de Estado para 2012, também tem condicionado o desempenho da indústria nacional. Mesmo num cenário em que as exportações aumentaram 12 por cento, uma melhoria face ao avanço de 10,9 por cento registado em Agosto, o volume de negócios da indústria subiu 2,1 por cento em relação aos valores registados em Setembro de 2010 - uma diminuição abrupta face aos 5,6 por cento de Agosto.

Na origem desses números encontra-se a diminuição do consumo do mercado nacional, onde o volume de vendas diminui 3,5 por cento em relação a Setembro de 2010. "As vendas com destino ao mercado externo registaram um crescimento de 12,1%" em Setembro, em comparação com os 10,9% alcançados em Agosto. Ainda assim, o volume de negócios para fora de Portugal não compensou a quebra de vendas para o mercado nacional”, pode ler-se no comunicado do INE.

No mesmo relatório, a agência nacional de estatística indica que o emprego na indústria continua a descer, diminuindo 1,4% em Setembro face ao mês de 2010.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Angola/SADC: Presidente em exercício defende organização activa

Luanda, 17 agosto 2011 (AngolaPress) – O novo presidente da SADC, estadista angolano, José Eduardo dos Santos, defendeu hoje (quarta-feira), em Luanda, a elevação da comunidade a novo patamar, tornando-a parte activa do desenvolvimento e do mundo.

Ao discursar na qualidade de presidente em exercício da SADC, José Eduardo dos Santos sublinhou que se integra nesse processo evolutivo a revisão, em curso, do Programa Indicativo Estratégico de Desenvolvimento Regional (RISDP), que irá permitir redefinir as prioridades em termos de programas e projectos, modelar o trabalho e influenciar a qualidade de vida dos seus cidadãos.

Advogou que a iniciativa poderá ser precussora de um novo paradigma, com base no qual a SADC passará a operar para alcançar os seus nobres objectivos.

José Eduardo dos Santos disse ser necessário que a integração seja sustentada e equilibrada, por forma a influenciar uma nova ordem económica, em que os legítimos interesses de todas as Nações sejam respeitados e tidos em consideração.

“Ao revermos o Programa Indicativo Estratégico do Desenvolvimento Regional (RISDP), que constitui o núcleo do Programa de Acção da SADC, deveremos necessariamente adequar os nossos procedimentos, reestruturados em 2003, de modo a obtermos melhores resultados em termos de custos e benefícios” afirmou o Presidente.

Pediu que se tenham em conta os défices nas balanças comerciais dos estados membros, dado que eles se encontram na base da migração desequilibrada de mão-de-obra, das diferenças de migração da força de trabalho em geral, e dos quadros em particular.

Referiu que isso só pode ser alcançado através do aumento da competitividade de cada Estado, prestando-se a devida atenção ao necessário equilíbrio entre os interesses colectivos e os interesses próprios de cada país membro da SADC.

Manifestou o interesse de Angola em fomentar o desenvolvimento de infra-estruturas que constituam, de facto, um estímulo adicional para o crescimento económico e, especialmente, para o investimento e o desenvolvimento do comércio.

Neste sentido, declarou, a concretização do Plano Director de Infra-estruturas da SADC afirma-se como uma prioridade, por forma a colher vantagens dos imensos recursos naturais e das vastas extensões de terras férteis para a prática da agricultura e a promoção do desenvolvimento agro-industrial, em benefício dos povos da região.

Sublinhou que a decisão tomada, em 2006, de incrementar a integração económica e regional está a produzir os seus frutos por estar já a vigorar a Zona de Comércio Livre da SADC, e haver intenções de se avançar para a “grande” Zona de Comércio Livre da COMESA-EAC-SADC, que integra o Leste de África e a África Austral.

José Eduardo dos Santos afirmou que a integração continental constitui o objectivo final, pelo que tem de se trabalhar com grande sentido de responsabilidade, de harmonia com o tratado de Abuja e com o Plano de Acção de Lagos.

Segundo o estadista, “não obstante os grandes passos que estamos a dar nos mais distintos domínios da integração, não podemos descurar a complexidade e as condições concretas desse processo e outras peculiaridades, incluindo as assimetrias numa ou noutra esfera, que necessitam de ser esbatidas e que nos levam a aceitar com pragmatismo uma integração gradual”.

Referiu que o “efeito dominó” a que se assiste nos países que integram a União Europeia, num espaço mais homogéneo e mais desenvolvido e cujas nações já percorreram um caminho mais longo de consolidação, deve levar a reflectir e a adoptar atitudes e decisões mais ponderadas, de modo a que cada passo traduza, de facto, a firmeza e robustez do processo de integração e seja capaz de incentivar sem receios o passo seguinte.

Aconselhou, não obstante os desempenhos positivos das economias da região e do processo de integração da comunidade, a não se alhear o facto de estarmos todos inseridos na economia mundial e sujeitos, por conseguinte, aos seus efeitos.

"É com redobrada satisfação e sentido de responsabilidade que aceito assumir os destinos da nossa organização de integração regional, ciente dos inúmeros desafios a que teremos de fazer face, mas com a certeza de que, com o vosso apoio e solidariedade, encontraremos sempre as soluções mais adequadas e convenientes para seguir em frente", terminou.