18 novembro 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
por GEAB*
"Era noite e a chuva caía. Enquanto caía
era chuva, mas depois de caída era sangue". Estas palavras de Edgar
Allan Poe [1]
aplicam-se às mil maravilhas ao lento processo de deslocação mundial agora em
curso, em que todos os acontecimentos aparentemente anódinos ("a
chuva") combinam-se para minar os fundamentos do sistema internacional
que está moribundo ("o sangue"). Se este processo é lento, se estes
acontecimentos podem parecer anódinos, é paradoxalmente porque a crise actual
é a primeira crise sistémica verdadeiramente mundial: bem mais profunda que a
de 1929, ela afecta todos os países e aflige o núcleo do sistema. Quando a de
1929 foi uma crise de adolescência da nova potência mundial, os Estados
Unidos, a que vivemos actualmente corresponde aos últimos dias de um
condenado – e este condenado é a super-potência que se conhece desde 1945.
Mas toda a organização do mundo está construída em torno dos Estados Unidos e
ninguém tem interesse em que ela se afunde antes de estar completamente
desligado. Trata-se portanto, para todos, de se afastar suavemente
salvaguardando as apar ências habituais a fim de assegurar um transição sem
sobressaltos, o que explica a lentidão do krach em curso.
É de certa forma como os pais que tentam sair do quarto do seu bebé na ponta dos pés para evitar que ele acorde e se ponha a berrar: o bebé é o dólar e os pais são indignos uma vez que saem para abandoná-lo. A China é mestra nesta arte, mas vêem-se por toda parte outros países que abandonam progressivamente os Estados Unidos de maneira mais ou menos subtil, como por exemplo a Arábia Saudita [2] . Para a União Europeia, quase o último bastião americanista fora dos EUA, a tarefa é mais árdua. Nossa equipe antecipa que |
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sábado, 23 de novembro de 2013
2014 – INTERNACIONALIZAÇÃO DO YUAN, ABERTURA DA ARÁBIA SAUDITA, EXPLOSÃO DA UE: OS TRÊS ÚLTIMOS SUSTENTÁCULOS DO DÓLAR ENTRAM EM COLAPSO
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Portugal precisa de Angola para sair da crise
21 novembro 2013, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)
O presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), José Eduardo
Carvalho, afirmou, em Coimbra, que “só por masoquismo ou tendência para o
suicídio colectivo” se podem compreender “alguns episódios da política
portuguesa envolvendo Angola”.
Para o dirigente associativo, que
falava no seminário ‘Exportar a primeira vez’, que decorreu no auditório da
Reitoria da Universidade de Coimbra, Angola é um mercado “extremamente
importante”, porque as exportações portuguesas para Angola são essencialmente
produtos alimentares e metálicos, sectores dominados pelas Pequenas e Médias
Empresas (PME) portuguesas.
“As janelas de oportunidade são tão estreitas” que
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Portugal/19 DE OUTUBRO, PODEROSO PASSO NA LUTA PELA DEMISSÃO DO GOVERNO
20 outubro 2013, ODiário.info
http://www.odiario.info (Portugal)
Os Editores
No dia 19 de Outubro realizaram-se
muito grandes manifestações em Lisboa, Porto (uma das maiores de sempre) e nas
regiões autónomas. A luta dos trabalhadores e das camadas populares atingiu um
elevado patamar, do qual não recuará: o da exigência da demissão do governo,
primeiro passo sem qual o caminho da superação da desastrosa situação nacional
não poderá ser iniciado.
O governo Passos/Portas e os seus patronos nacionais e estrangeiros estão conscientes de que, no quadro constitucional vigente, serão inevitavelmente derrotados. A miserável dupla campanha de chantagem e ameaça que empreenderam, por um lado tentando condicionar a intervenção do Tribunal Constitucional, por outro lado tentando contrariar a realização desta acção de massas, tem um significado claro: temem cada vez mais a luta dos trabalhadores e do povo português, odeiam os direitos sociais e democráticos que a lei fundamental consagra, são incompatíveis com o Portugal democrático que Abril configurou.
Pela primeira vez desde 1974 um governo não só tentou negar por via administrativa o direito de manifestação como se lançou numa insidiosa campanha de intimidação, provocação e confronto com
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O NASCIMENTO DO MUNDO DES-AMERICANIZADO
15 outubro
2013,
http://redecastorphoto.blogspot.com.br (Brasil)
*Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido
pelo pessoal da Vila Vudu
É isso. A
China decidiu que “basta!” Tirou as luvas (diplomáticas). É hora de construir
um mundo “des-Americanizado”. É hora de “uma nova moeda internacional de
reserva” substituir o dólar norte-americano.
Está tudo
lá, escrito, em editorial da rede Xinhua, saído diretamente da boca do dragão.
E ainda estamos em 2013. Apertem os cintos – especialmente as elites em
Washington. Haverá fortes turbulências.
Longe vão
os dias de Deng Xiaoping de “manter-se discreto”. O editorial de Xinhua mostra,
em formato sintético, a gota d’água que fez transbordar o copo do dragão: o
atual “trancamento” (shutdown) nos EUA. Depois da crise financeira
provocada por Wall Street, depois da guerra do Iraque, um mundo
“desentendido”, não só a China, quer mudança.
Esse
parágrafo não poderia ser mais explícito:
Sobretudo,
em vez de honrar seus deveres como potência liderante responsável, uma
Washington interessada só em si mesma abusa de seu status de superpotência e
gera caos ainda mais profundo no planeta, disseminando riscos financeiros para
todo o mundo, instigando tensões regionais e disputas territoriais, e
guerreando guerras ilegítimas, sob o manto de deslavadas mentiras.
A
solução, para Pequim, é “des-Americanizar” a atual equação geopolítica – a
começar
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013
União Europeia/TROIKA À BEIRA DA IMPLOSÃO
16 outubro 2013, Presseurop http://www.presseurop.eu (França)
Mediapart, Paris
A falta de
consenso entre a Comissão Europeia e o FMI sobre a forma como acabar com a
crise da dívida na Europa não para de aumentar. De tal forma que, em Bruxelas,
o seu desmantelamento começa a ser considerado.
Os “homens de negro” da troika
estão em vias de ir cada um para seu lado. Três anos após a sua criação fora de
qualquer quadro jurídico estabelecido pelos tratados europeus, este organismo
tricéfalo, que devia conduzir os programas de reforma dos países da zona euro
em risco de falência, está a ser atravessado por tensões graves. Ao ponto de
estar aberto, em Bruxelas, o debate sobre o pós-troika.
Criada para o “resgate” da Grécia
em maio de 2010, a impopular troika trabalha agora com os Governos de três
outros membros da zona euro: Portugal, Irlanda e Chipre. É ela que decide a
lista das poupanças, reformas estruturais e privatizações que cada país se deve
comprometer a efetuar, se quiser, em troca, um mega-empréstimo para evitar a
bancarrota. O FMI aconselha ainda os europeus em matéria de reforma do setor bancário
espanhol.
Em três anos, esta estrutura de
funcionamento opaco tornou-se o símbolo de uma gestão autoritária da crise, que
encosta à parede as capitais da zona euro determinadas em evitar a falência,
obrigando-as a pôr em prática reformas rejeitadas por grande número de
cidadãos.
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Estados Unidos/A LEI MARCIAL E A ECONOMIA
9 outubro
2013, Resistir.info http://www.resistir.info
(Portugal)
Estará
o Departamento de Segurança Interna a preparar-se para o colapso próximo da
Wall Street?
por Ellen Brown*
As
informações são de que o Department of Homeland
Security (DHS) está empenhado numa escalada militar encoberta e maciça. Um artigo
da Associated Press , em Fevereiro, confirmou uma compra
pública pelo DHS de 1,6 mil milhões de munições. Segundo um artigo
de opinião na Forbes , isso é suficiente para aguentar
uma guerra com a dimensão da do Iraque por mais de vinte anos. O DHS também
adquiriu tanques fortemente blindados, os quais têm sido vistos a perambular
pelas ruas. Evidentemente alguém no governo está à espera de algumas graves
perturbações civis. A questão é, por que?
Declarações recentemente reveladas do antigo primeiro-ministro britânico Gordon Brown, por alturas da crise bancária de Outubro de 2008, podem das algumas pistas quanto à questão. Um artigo na BBC News de 21/Setembro/2013, retirado de uma explosiva autobiografia chamada Power Trip, escrita pelo relações públicas de Brown, Damian McBride, diz que o primeiro-ministro preocupava-se com a possibilidade de a lei e a ordem entrarem em colapso durante a crise financeira. McBride citou Brown como tendo dito:
Se os bancos começarem a fechar portas
e os pontos de distribuição de dinheiro não estiverem a funcionar e as pessoas
forem à Tesco [cadeia de mercearias] e os seus cartões não forem aceites, a
coisa todo simplesmente explodirá. Declarações recentemente reveladas do antigo primeiro-ministro britânico Gordon Brown, por alturas da crise bancária de Outubro de 2008, podem das algumas pistas quanto à questão. Um artigo na BBC News de 21/Setembro/2013, retirado de uma explosiva autobiografia chamada Power Trip, escrita pelo relações públicas de Brown, Damian McBride, diz que o primeiro-ministro preocupava-se com a possibilidade de a lei e a ordem entrarem em colapso durante a crise financeira. McBride citou Brown como tendo dito:
Se não puder comprar comida ou gasolina ou remédios para os seus filhos, o povo começará a partir as vitrinas e servir-se.
E logo que as pessoas vejam isso na TV, é o fim, porque
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Portugal/A HISTERIA BELICISTA CONTRA A SÍRIA
27 agosto 2013, Resistir.info
http://www.resistir.info (Portugal)
Em 2003 o imperialismo promoveu uma campanha
histérica acerca de supostas armas de destruição maciça possuídas pelo Iraque.
Como se viu, aquela mentira flagrante, cínica e deliberada do governo dos EUA
destinou-se a justificar a invasão e ocupação daquele país. Hoje, mais uma vez,
o imperialismo encena uma campanha mundial acerca de supostas "armas
químicas" que teriam sido utilizadas pelas Forças Armadas sírias. Obama
não apresentou uma única prova que corroborasse tal afirmação, mas a campanha
prossegue. Destina-se a preparar a opinião pública para uma eventual agressão
directa contra a República Síria à semelhança daquela desencadeada contra a
Líbia.
Brasil/A HORA DA AÇÃO POLÍTICA
21
agosto 2013, Instituto Lula http://www.institutolula.org
(Brasil)
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil
A lenta retomada da economia global
e os seus enormes custos sociais, especialmente nos países desenvolvidos exigem
uma corajosa mudança de atitude. É preciso identificar com clareza a raiz da
crise de 2008, que em muitos aspectos se prolonga até hoje, para que os líderes
políticos e os órgãos multilaterais façam o que deve ser feito para superá-la.
A verdade é que, no dia 15 de
setembro de 2008, quando o banco Lehman Brothers pediu concordata, o mundo não
se viu apenas mergulhado na maior crise financeira desde a quebra da Bolsa de
Nova York em 1929. Viu-se também diante da crise de um paradigma.
Outros grandes bancos especuladores
nos Estados Unidos e na Europa só não tiveram o mesmo destino porque foram
socorridos com gigantescas injeções de dinheiro público. Ficou evidente que a
crise não era localizada, mas sistêmica. O fracasso não era somente desta ou
daquela instituição financeira, mas do próprio modelo econômico (e político)
predominante nas décadas recentes. Um modelo baseado na ideia insensata de que
o mercado não precisa estar subordinado a regras, de que qualquer fiscalização
o prejudica e de que os governos não tem nenhum papel na economia, a não ser
quando o mercado entra em crise.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Portugal/MANIFESTO EM DEFESA DAS FUNÇÕES SOCIAIS DO ESTADO CONSAGRADAS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
3 dezembro 2012/Resistir.info
http://resistir.info (Portugal)
As Funções Sociais do Estado estão a ser postas em causa pela política de austeridade do governo do PSD/CDS. A pretexto de uma alegada escassez de recursos financeiros, o governo pretende limitar ou mesmo anular o princípio da Universalidade dos direitos sociais.
Com um discurso pró austeridade, o Governo visou, em primeiro lugar, convencer a população de que o Estado gastava mal o dinheiro dos impostos. Tratar-se-ia de eliminar gorduras, mordomias, desperdícios, incluindo-se até as ruinosas parcerias público-privadas, sendo eliminada a designada má despesa. Depois de sucessivos cortes nas prestações sociais, que já colocam em causa a concretização plena dos direitos básicos da população a um ensino e uma saúde públicos e de qualidade, bem como à protecção social, o governo pretende agora atacar directamente esses bens essenciais, com vista à sua fragilização e privatização. O problema não é apenas de ordem financeira, mas, essencialmente ideológico.
por CGTP
(O texto completo com gráficos encontra-se em http://www.resistir.info/portugal/manifesto_26nov12.html)
A Constituição da República Portuguesa assenta em três pilares
essenciais da Democracia: Económica, Social e Cultural. Incumbe ao Estado
assegurar a coesão social e o bem-estar dos cidadãos, através da prestação e
garantia da satisfação das suas necessidades colectivas na estrita observância
dos princípios da Universalidade, Solidariedade e Justiça Social. As Funções Sociais do Estado estão a ser postas em causa pela política de austeridade do governo do PSD/CDS. A pretexto de uma alegada escassez de recursos financeiros, o governo pretende limitar ou mesmo anular o princípio da Universalidade dos direitos sociais.
Com um discurso pró austeridade, o Governo visou, em primeiro lugar, convencer a população de que o Estado gastava mal o dinheiro dos impostos. Tratar-se-ia de eliminar gorduras, mordomias, desperdícios, incluindo-se até as ruinosas parcerias público-privadas, sendo eliminada a designada má despesa. Depois de sucessivos cortes nas prestações sociais, que já colocam em causa a concretização plena dos direitos básicos da população a um ensino e uma saúde públicos e de qualidade, bem como à protecção social, o governo pretende agora atacar directamente esses bens essenciais, com vista à sua fragilização e privatização. O problema não é apenas de ordem financeira, mas, essencialmente ideológico.
É preciso falar verdade! O Estado Português gasta menos que a
generalidade dos países europeus com a concretização das suas funções sociais.
A despesa pública era, em 2011, de 48,9% do PIB, sendo de 49,4% na zona euro (Eurostat),
apesar de Portugal ter um mais baixo nível de vida e uma taxa de desemprego
mais elevada. Por sua vez, a despesa com protecção social por pessoa, em
paridades de poder de compra, era, em 2010, apenas 2/3 do valor médio na zona
euro.
As Funções Sociais do Estado não são responsáveis pela destruição
da economia e pela recessão do País. A maioria dos países da UE tem uma
despesa, com as Funções Sociais, igual ou superior à portuguesa e não foi por
esse facto que deixaram de registar crescimento. No caso português foram as
políticas adoptadas nos últimos anos (desde 2001 que a economia estagnou ou
esteve em recessão) que condicionaram ou paralisaram o desenvolvimento das
actividades produtivas, desindustrializaram o País e apostaram em mão-de-obra
barata. Sem crescimento e desenvolvimento, não haverá solução para os problemas
do país.
Um crescimento nominal de 4% (2% de crescimento real e 2% de aumento de preços) levará a um aumento de rendimento no país de 6,8 mil milhões de euros e a uma aumento de receitas correntes do Estado de 2,6 mil milhões de euros em cada ano. Isto sem aumentar os impostos, sem fragilizar as Funções Sociais do Estado e reduzindo a taxa de desemprego, o que permitirá reduzir a despesa com os correspondentes subsídios. É isso que o governo não diz!
A dívida pública, que era de 68,8% em 2007, com esta política chegará aos 124% em 2013. O seu aumento é alimentado pela despesa com juros (que atingirá 5%. em 2014, mais do que o Estado gasta com o Serviço Nacional de Saúde) e pela recessão. Conclui-se, assim, que a austeridade não resolveu os problemas das contas públicas, antes os agravou.
Destruir as Funções Sociais do Estado é aumentar de uma forma brutal a pobreza, diminuir a esperança média de vida e pôr em causa a coesão social! O Governo comprometeu-se com a "tróica" a reduzir a despesa em 4 mil milhões de euros em 2014 e 2015, montante que se somaria aos cortes efectuados no âmbito do Orçamento de Estado. As Funções Sociais estão próximas do precipício, havendo já racionamentos na Saúde, cortes de prestações na Segurança Social e um notório desinvestimento na Educação. Estes são sectores vitais para o desenvolvimento do país e para garantir a qualidade de vida das populações. A destruição e privatização das Funções Sociais do Estado, a par de salários cada vez mais reduzidos e do aumento de desempregados fariam explodir as desigualdades sociais num momento em que crescem as situações de ruptura, a vários níveis.
Importa registar, que a taxa de pobreza era de 18% em 2010, mas sem as transferências sociais então existentes, atingiria cerca de 43%. Transferências que o Governo e a "tróica" pretendem eliminar e que irá conduzir a níveis de pobreza que julgamos afastados com o 25 de Abril. A Segurança Social, a Saúde e a Educação são áreas onde as desigualdades mais tendem a avolumar-se.
Uma privatização da Segurança Social poria em causa o princípio da Universalidade e da Solidariedade e significaria que os grupos sociais de maior rendimento e riqueza fossem empurrados para aderir a sistemas privados, reduzindo as receitas da Segurança Social, deixando os desempregados e os de menores rendimentos, entregues ao assistencialismo e à sua sorte.
Um crescimento nominal de 4% (2% de crescimento real e 2% de aumento de preços) levará a um aumento de rendimento no país de 6,8 mil milhões de euros e a uma aumento de receitas correntes do Estado de 2,6 mil milhões de euros em cada ano. Isto sem aumentar os impostos, sem fragilizar as Funções Sociais do Estado e reduzindo a taxa de desemprego, o que permitirá reduzir a despesa com os correspondentes subsídios. É isso que o governo não diz!
A dívida pública, que era de 68,8% em 2007, com esta política chegará aos 124% em 2013. O seu aumento é alimentado pela despesa com juros (que atingirá 5%. em 2014, mais do que o Estado gasta com o Serviço Nacional de Saúde) e pela recessão. Conclui-se, assim, que a austeridade não resolveu os problemas das contas públicas, antes os agravou.
Destruir as Funções Sociais do Estado é aumentar de uma forma brutal a pobreza, diminuir a esperança média de vida e pôr em causa a coesão social! O Governo comprometeu-se com a "tróica" a reduzir a despesa em 4 mil milhões de euros em 2014 e 2015, montante que se somaria aos cortes efectuados no âmbito do Orçamento de Estado. As Funções Sociais estão próximas do precipício, havendo já racionamentos na Saúde, cortes de prestações na Segurança Social e um notório desinvestimento na Educação. Estes são sectores vitais para o desenvolvimento do país e para garantir a qualidade de vida das populações. A destruição e privatização das Funções Sociais do Estado, a par de salários cada vez mais reduzidos e do aumento de desempregados fariam explodir as desigualdades sociais num momento em que crescem as situações de ruptura, a vários níveis.
Importa registar, que a taxa de pobreza era de 18% em 2010, mas sem as transferências sociais então existentes, atingiria cerca de 43%. Transferências que o Governo e a "tróica" pretendem eliminar e que irá conduzir a níveis de pobreza que julgamos afastados com o 25 de Abril. A Segurança Social, a Saúde e a Educação são áreas onde as desigualdades mais tendem a avolumar-se.
Uma privatização da Segurança Social poria em causa o princípio da Universalidade e da Solidariedade e significaria que os grupos sociais de maior rendimento e riqueza fossem empurrados para aderir a sistemas privados, reduzindo as receitas da Segurança Social, deixando os desempregados e os de menores rendimentos, entregues ao assistencialismo e à sua sorte.
Na Saúde, estudos realizados no âmbito de investigações sobre as
suas determinantes sociais mostram que a esperança de vida decresce, com
doenças e a morte prematura a tornarem-se mais comuns na base da escala social,
ou seja nos que menos têm e menos podem. Só políticas públicas fortes podem
evitar tais efeitos dramáticos.
Na Educação, está em marcha uma subversão extremamente negativa da
matriz democrática da Escola Pública. A "importação" do modelo
organizacional alemão revela uma já indisfarçável opção pela elitização do
ensino, empurrando um grande número de jovens para algumas profissões,
condicionando o acesso ao ensino superior e à formação mais global do
individuo, não sendo alheia a este facto a condição económica e social das
respectivas famílias.
Defender as Funções Sociais do Estado, é defender a Democracia Social
que a Constituição da Republica consagra. Foi com o 25 de Abril que a
generalidade das pessoas idosas passou a ter direito a pensões e reformas; foi
criado um Serviço Nacional de Saúde assente na Universalidade e Qualidade, que
permitiu ganhos substantivos em saúde, como o aumento da longevidade e a
redução da mortalidade infantil; houve uma Democratização do Ensino, foi
prolongada a escolaridade obrigatória e ocorreu uma forte expansão no Ensino
Superior – processos hoje em claro retrocesso.
O Estado tem de ter recursos indispensáveis para efectivar políticas públicas, Universalistas, Solidárias e na base de direitos, não de assistencialismo. Por esta via teríamos políticas para os pobres – que são sempre pobres políticas. Com a política de austeridade imposta pelo Governo, os portugueses estão a ter um aumento brutal dos impostos e ao mesmo tempo menos Segurança Social, menos Saúde, menos Educação e menos apoios sociais. E mesmo repetindo não ser necessário rever a Constituição, é cada vez mais claro que o verdadeiro objectivo é o esvaziamento da lei fundamental.
Por estas razões, é indispensável uma mudança de política urgente que assegure o crescimento e o desenvolvimento económico, aposte na produção nacional, crie mais e melhor emprego, promova uma justa distribuição da riqueza e garanta a defesa e melhoria das Funções Sociais do Estado.
Lisboa, 26 de Novembro de 2012
O Estado tem de ter recursos indispensáveis para efectivar políticas públicas, Universalistas, Solidárias e na base de direitos, não de assistencialismo. Por esta via teríamos políticas para os pobres – que são sempre pobres políticas. Com a política de austeridade imposta pelo Governo, os portugueses estão a ter um aumento brutal dos impostos e ao mesmo tempo menos Segurança Social, menos Saúde, menos Educação e menos apoios sociais. E mesmo repetindo não ser necessário rever a Constituição, é cada vez mais claro que o verdadeiro objectivo é o esvaziamento da lei fundamental.
Por estas razões, é indispensável uma mudança de política urgente que assegure o crescimento e o desenvolvimento económico, aposte na produção nacional, crie mais e melhor emprego, promova uma justa distribuição da riqueza e garanta a defesa e melhoria das Funções Sociais do Estado.
Lisboa, 26 de Novembro de 2012
O original encontra-se em www.cgtp.pt/...
sábado, 17 de novembro de 2012
Portugal/TAXA DE DESEMPREGO EM PORTUGAL ATINGE 23,7%
17 novembro 2012/Resistir.info http://resistir.info (Portugal)
– Mas Passos Coelho diz que isso é normal
– 6.480 milhões € de fundos comunitários ficaram por utilizar
– Mas investimento tem uma quebra de 41%
por Eugénio Rosa*
Perante o agravamento do desemprego e da recessão económica, que os últimos dados do INE revelaram, Passos Coelho, com ar de quem não compreende nem se preocupa com o que está a acontecer ao país e aos portugueses, não encontrou melhores declarações para fazer aos media de que tudo é normal porque está de acordo com as previsões do governo, como se o agravamento fosse o objetivo do governo e isso não tivesse importância. E apesar do investimento (só FBCF) cair em três anos 41% segundo o Banco de Portugal – e sem investimento não é possível nem criar emprego nem sair da recessão económica – 6.480 milhões € de fundos comunitários do orçamentado até 30/9/2012, ficaram por utilizar. Mas comecemos pelo desemprego mostrando a gravidade atingida segundo os dados que o INE divulgou em 14/11/2012, dia da greve geral. (…)
No 3º Trimestre de 2012, o desemprego oficial atingiu 15,8% (870.900 desempregados), mas o desemprego real, que inclui também os desempregados que não constam das estatísticas oficiais de desemprego ou por não procurarem emprego ou por qualquer outra razão, atingiu 23,7% (1.367.400 desempregados). Desde o 1º Trimestre de 2011, ou seja, desde que este governo tomou posse e a "troika" entrou em Portugal (2ºT2011-3ºT2012), o número oficial de desempregados aumentou em 195.900, mas o desemprego real subiu em 333.300. No entanto, o numero de desempregados que recebem subsídio de desemprego aumentou apenas em 84,4 mil, sendo o total, no fim de Agosto de 2012, somente 370,1 mil (42,5%dos desempregados oficiais e 27,1% do desemprego real). Portanto, no 3º Trim.-2012, dos 1.376.400 desempregados que existiam no país segundo os dados do INE, quase um milhão de portugueses (997,3 mil) desempregados não tinham direito a subsídio de desemprego sendo empurrados para a miséria.
Num ano de governo PSD/CDS e de "troika" (3ºTrim.2011 - 3ºTrim.2012), o número de postos de trabalho destruídos atingiu 197,4 mil (o emprego diminuiu de 4.853,7 mil para 4.656, 3 mil), tendo o número de desempregados com um nível de escolaridade até ao básico crescido em 15,6%, mas os com ensino secundário aumentaram em +46,4%, e os com o ensino superior em +45,8%. No fim do 3º Trim.-2012, 50,9% dos desempregados estavam no desemprego há mais de um ano, portanto eram desempregados de longa duração em que o risco de exclusão social aumenta com a duração do desemprego. E tudo isto é normal, assim como uma taxa de desemprego real de 23,7%, segundo Passos Coelho porque está de acordo com as previsões do governo. É preciso não ter vergonha para dizer isso publicamente. Será que Passos Coelho pensará que assim ficará desculpado pela destruição do país e da vida dos portugueses que está a causar a cegueira do seu governo e a sua submissão à sra. Merkel que, na sua curta estadia em Portugal, ignorando a destruição do país e dos portugueses, ainda teve a desfaçatez de afirmar que a aplicação do programa da "troika" em Portugal estava a ser um êxito, que não se devia mudar nada, e o importante era continuar no mesmo caminho (de destruição, acrescentamos nós). (…)
O texto completo se encontra em Resistir.info http://resistir.info
*Economista, edr2@netcabo.pt
– Mas Passos Coelho diz que isso é normal
– 6.480 milhões € de fundos comunitários ficaram por utilizar
– Mas investimento tem uma quebra de 41%
por Eugénio Rosa*
Perante o agravamento do desemprego e da recessão económica, que os últimos dados do INE revelaram, Passos Coelho, com ar de quem não compreende nem se preocupa com o que está a acontecer ao país e aos portugueses, não encontrou melhores declarações para fazer aos media de que tudo é normal porque está de acordo com as previsões do governo, como se o agravamento fosse o objetivo do governo e isso não tivesse importância. E apesar do investimento (só FBCF) cair em três anos 41% segundo o Banco de Portugal – e sem investimento não é possível nem criar emprego nem sair da recessão económica – 6.480 milhões € de fundos comunitários do orçamentado até 30/9/2012, ficaram por utilizar. Mas comecemos pelo desemprego mostrando a gravidade atingida segundo os dados que o INE divulgou em 14/11/2012, dia da greve geral. (…)
No 3º Trimestre de 2012, o desemprego oficial atingiu 15,8% (870.900 desempregados), mas o desemprego real, que inclui também os desempregados que não constam das estatísticas oficiais de desemprego ou por não procurarem emprego ou por qualquer outra razão, atingiu 23,7% (1.367.400 desempregados). Desde o 1º Trimestre de 2011, ou seja, desde que este governo tomou posse e a "troika" entrou em Portugal (2ºT2011-3ºT2012), o número oficial de desempregados aumentou em 195.900, mas o desemprego real subiu em 333.300. No entanto, o numero de desempregados que recebem subsídio de desemprego aumentou apenas em 84,4 mil, sendo o total, no fim de Agosto de 2012, somente 370,1 mil (42,5%dos desempregados oficiais e 27,1% do desemprego real). Portanto, no 3º Trim.-2012, dos 1.376.400 desempregados que existiam no país segundo os dados do INE, quase um milhão de portugueses (997,3 mil) desempregados não tinham direito a subsídio de desemprego sendo empurrados para a miséria.
Num ano de governo PSD/CDS e de "troika" (3ºTrim.2011 - 3ºTrim.2012), o número de postos de trabalho destruídos atingiu 197,4 mil (o emprego diminuiu de 4.853,7 mil para 4.656, 3 mil), tendo o número de desempregados com um nível de escolaridade até ao básico crescido em 15,6%, mas os com ensino secundário aumentaram em +46,4%, e os com o ensino superior em +45,8%. No fim do 3º Trim.-2012, 50,9% dos desempregados estavam no desemprego há mais de um ano, portanto eram desempregados de longa duração em que o risco de exclusão social aumenta com a duração do desemprego. E tudo isto é normal, assim como uma taxa de desemprego real de 23,7%, segundo Passos Coelho porque está de acordo com as previsões do governo. É preciso não ter vergonha para dizer isso publicamente. Será que Passos Coelho pensará que assim ficará desculpado pela destruição do país e da vida dos portugueses que está a causar a cegueira do seu governo e a sua submissão à sra. Merkel que, na sua curta estadia em Portugal, ignorando a destruição do país e dos portugueses, ainda teve a desfaçatez de afirmar que a aplicação do programa da "troika" em Portugal estava a ser um êxito, que não se devia mudar nada, e o importante era continuar no mesmo caminho (de destruição, acrescentamos nós). (…)
O texto completo se encontra em Resistir.info http://resistir.info
*Economista, edr2@netcabo.pt
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Portugal/SAIR DO EURO É PRECISO
12 novembro
2012/Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
*Economista. Intervenção na tribuna de debates do
XIX Congresso do PCP.
O original encontra-se em http://www.avante.pt/pt/2032//122554/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
por Octávio
Teixeira*
Parece haver
quem pense que a saída de Portugal do euro é uma opção política entre várias
alternativas. Não o é. A saída do euro é uma necessidade objectiva para a
viabilização do País.
A evolução da economia portuguesa, das contas externas e do desemprego desde a integração na zona euro é elucidativa: a partir de 2003, a partir do momento em que o euro entrou numa linha de revalorização face ao dólar, os resultados para nós foram desastrosos.
Nos últimos dez anos, a sobrevalorização do euro face ao que seria a taxa de equilíbrio para a economia portuguesa tem variado permanentemente entre os 30 e os 40%. Nenhum país do mundo aguenta uma situação destas. Por isso o que está em jogo com a necessidade de saída do euro, e subsequente desvalorização do «novo escudo», não é uma mera e conjuntural melhoria da competitividade da produção nacional. É a reposição de equilíbrios estruturais da economia, a adequação do preço da moeda à realidade e estrutura económicas do País.
O aumento da produção nacional é a única forma de resolver os problemas económicos, sociais e financeiros do País, ninguém duvida. Tal como a renegociação da dívida é essencial para reduzir os desequilíbrios orçamentais e da conta de rendimentos com o exterior. Mas isso implica criar condições objectivas para que o aumento da produção possa ocorrer e para que os efeitos da renegociação da dívida não sejam meramente conjunturais. O que só será conseguido com a desvalorização estrutural da moeda, o que implica a saída do euro e a recuperação da soberania monetária.
A desvalorização da moeda é uma condição (absolutamente) necessária mas não é uma condição suficiente. Os seus efeitos positivos terão de ser complementados com uma estratégia de reindustrialização do País e de uma política mais justa e adequada de distribuição do rendimento. E a desvalorização é ela própria um elemento essencial para desenvolver essa estratégia, porque o aumento da produção e a reindustrialização não se conseguem por decreto.
É certo que a desvalorização tem custos, que o espaço não me permite desenvolver. Mas muito menores do que alguns pensam, ou dizem. Nomeadamente no que respeita aos salários: uma desvalorização de 30% geraria uma inflação da ordem dos 8/9% (reflectindo o efeito do peso das importações na produção e no consumo) o que significaria, embora não necessariamente, idêntica quebra nos salários reais. Mas a redução real dos salários este ano e no próximo é já superior a esse custo. Com a desvantagem de não acender nenhuma luz ao fundo do túnel, antes pelo contrário.
E a competitividade pelos preços da produção nacional aumentaria cerca de 24%, já descontado o efeito do aumento do preço dos inputs importados incorporados na produção nacional. E é evidente que o aumento da competitividade por esta via, quer a nível das exportações como da substituição de importações, é praticamente imediato com rápidos efeitos positivos no emprego. E é a partir daí que se pode avançar para a reindustrialização e para o aumento da produção. (Para que não haja dúvidas, todos estes cálculos se suportam nas matrizes input-output divulgadas pelo INE, não são meros palpites ou ilusões).
Importa ainda sublinhar que a saída do euro é politicamente mais viável que qualquer proteccionismo selectivo ou a saída da UEM, porque isso significaria sair da União Europeia e não apenas da zona euro. E na União existem dez países que não pertencem à zona (e parece que não se dão muito mal).
Mantendo-se no euro, Portugal e os portugueses não terão futuro. E é melhor sairmos a tempo pelo nosso pé, do que mais tarde sermos escorraçados.
A evolução da economia portuguesa, das contas externas e do desemprego desde a integração na zona euro é elucidativa: a partir de 2003, a partir do momento em que o euro entrou numa linha de revalorização face ao dólar, os resultados para nós foram desastrosos.
Nos últimos dez anos, a sobrevalorização do euro face ao que seria a taxa de equilíbrio para a economia portuguesa tem variado permanentemente entre os 30 e os 40%. Nenhum país do mundo aguenta uma situação destas. Por isso o que está em jogo com a necessidade de saída do euro, e subsequente desvalorização do «novo escudo», não é uma mera e conjuntural melhoria da competitividade da produção nacional. É a reposição de equilíbrios estruturais da economia, a adequação do preço da moeda à realidade e estrutura económicas do País.
O aumento da produção nacional é a única forma de resolver os problemas económicos, sociais e financeiros do País, ninguém duvida. Tal como a renegociação da dívida é essencial para reduzir os desequilíbrios orçamentais e da conta de rendimentos com o exterior. Mas isso implica criar condições objectivas para que o aumento da produção possa ocorrer e para que os efeitos da renegociação da dívida não sejam meramente conjunturais. O que só será conseguido com a desvalorização estrutural da moeda, o que implica a saída do euro e a recuperação da soberania monetária.
A desvalorização da moeda é uma condição (absolutamente) necessária mas não é uma condição suficiente. Os seus efeitos positivos terão de ser complementados com uma estratégia de reindustrialização do País e de uma política mais justa e adequada de distribuição do rendimento. E a desvalorização é ela própria um elemento essencial para desenvolver essa estratégia, porque o aumento da produção e a reindustrialização não se conseguem por decreto.
É certo que a desvalorização tem custos, que o espaço não me permite desenvolver. Mas muito menores do que alguns pensam, ou dizem. Nomeadamente no que respeita aos salários: uma desvalorização de 30% geraria uma inflação da ordem dos 8/9% (reflectindo o efeito do peso das importações na produção e no consumo) o que significaria, embora não necessariamente, idêntica quebra nos salários reais. Mas a redução real dos salários este ano e no próximo é já superior a esse custo. Com a desvantagem de não acender nenhuma luz ao fundo do túnel, antes pelo contrário.
E a competitividade pelos preços da produção nacional aumentaria cerca de 24%, já descontado o efeito do aumento do preço dos inputs importados incorporados na produção nacional. E é evidente que o aumento da competitividade por esta via, quer a nível das exportações como da substituição de importações, é praticamente imediato com rápidos efeitos positivos no emprego. E é a partir daí que se pode avançar para a reindustrialização e para o aumento da produção. (Para que não haja dúvidas, todos estes cálculos se suportam nas matrizes input-output divulgadas pelo INE, não são meros palpites ou ilusões).
Importa ainda sublinhar que a saída do euro é politicamente mais viável que qualquer proteccionismo selectivo ou a saída da UEM, porque isso significaria sair da União Europeia e não apenas da zona euro. E na União existem dez países que não pertencem à zona (e parece que não se dão muito mal).
Mantendo-se no euro, Portugal e os portugueses não terão futuro. E é melhor sairmos a tempo pelo nosso pé, do que mais tarde sermos escorraçados.
O original encontra-se em http://www.avante.pt/pt/2032//122554/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
sábado, 10 de novembro de 2012
Portugueses entre os estrangeiros que mais autorizações de trabalho pediram em Moçambique
9 novembro 2012/Rádio Moçambique http://www.rm.co.mz
Moçambique recebeu 11.821 pedidos de cidadãos estrangeiros para trabalhar no país nos primeiros nove meses do ano. Os portugueses estão entre aqueles que mais pedidos de trabalho apresentaram.
Em comunicado, o Ministério do Trabalho de Moçambique (MITRAB) afirma que "os cidadãos sul-africanos, portugueses e chineses foram os que mais solicitações de trabalho formularam em Moçambique durante os primeiros três trimestres de 2012, sendo os sectores de serviços não financeiros, construção civil e engenharia os mais concorridos".
Entre os destinos de Moçambique mais procurados, destacam-se a cidade de Maputo, com um total de 2.697 trabalhadores recebidos, e as províncias de Maputo e Sofala, com 2.174 e 1.698 trabalhadores, respetivamente.
Moçambique recebeu 11.821 pedidos de cidadãos estrangeiros para trabalhar no país nos primeiros nove meses do ano. Os portugueses estão entre aqueles que mais pedidos de trabalho apresentaram.
Em comunicado, o Ministério do Trabalho de Moçambique (MITRAB) afirma que "os cidadãos sul-africanos, portugueses e chineses foram os que mais solicitações de trabalho formularam em Moçambique durante os primeiros três trimestres de 2012, sendo os sectores de serviços não financeiros, construção civil e engenharia os mais concorridos".
O
MITRAB informa ainda que, de entre os cidadãos estrangeiros que pediram
autorizações de trabalho, 4.395 vieram para trabalhos de curta duração,
sobretudo de apenas 30 dias, enquanto outros 664 foram colocados em projetos de
investimento.
As
quase 12 mil solicitações de autorização de trabalho em Moçambique representam,
segundo dados do MITRAB, um ligeiro aumento em relação ao mesmo período do ano
passado, em que o número de pedidos foi pouco mais de 11 mil.Entre os destinos de Moçambique mais procurados, destacam-se a cidade de Maputo, com um total de 2.697 trabalhadores recebidos, e as províncias de Maputo e Sofala, com 2.174 e 1.698 trabalhadores, respetivamente.
Portugal/Petição para demissão de presidente do Banco Alimentar tem já mais de 2500 assinaturas
9 novembro 2012/Página Global http://www.paginaglobal.blogspot.com (Portugal)
Jornal de Notícias - atualizado por PG
Os comentários de Isabel Jonet "são uma enorme falta de respeito
para com os cidadãos pobres deste país que hoje sofrem o vendaval das medidas
de austeridade e que estão a entrar numa situação de desespero", refere o
texto da petição.
A situação em que estão os portugueses pobres "não se coaduna com
as políticas de um Estado Caritativo que são defendidas pela atual presidente
do Banco Alimentar Contra a Fome", acrescenta.
As declarações de Isabel Jonet num programa do canal televisivo SIC, na
noite de terça-feira, deram origem a várias reações de repúdio, como do Movimento Sem Emprego que divulgou uma carta aberta com o título
"Uma canja para a Jonet" a classificar de "aviltante" o
nível dos comentários.
"Vamos ter que empobrecer muito, mas sobretudo vamos ter de
reaprender a viver mais pobres", disse a presidente do Banco Alimentar
durante o programa da SIC.
"Vivíamos muito acima daquilo que eram as nossas
possibilidades", defendeu Isabel Jonet, acrescentando que "há uma
necessidade permanente de consumo e de bens para uma satisfação das pessoas e
que conduz à felicidade que não é real".
O texto da petição salienta que os cidadãos em situações de pobreza e de
exclusão "necessitam hoje de uma verdadeira intervenção do Estado Social
que proteja o mínimo de dignidade das suas vidas".
Por isso, pedem "a demissão imediata de Isabel Jonet do cargo da
presidência do Banco Alimentar Contra a Fome".
Já o Movimento Sem Emprego salienta que "luta sobretudo para que
ninguém se habitue ao empobrecimento" e tece duras críticas a cada um dos
comentários e exemplos apontados por Isabel Jonet, que também preside à
Federação Europeia dos Bancos Alimentares Contra a Fome.
"Fala-lhe um grupo de pessoas, jovens e menos jovens,
desempregados, precários, sub-empregados, gente que se empenha quotidianamente
para derrotar quem, como a senhora e a Merkel, insiste em mascarar de caridade
o saque que estão a fazer às nossas vidas", pode ler-se na carta aberta.
Na internet, circula, ainda, outra petição pública de apoio a Isabel
Jonet. "Se se criam petições para tudo e para nada! Criamos esta para
contrariar a onda negativa que anda para aí! Ficamos escandalizados como a
própria instituição do Banco Alimentar é criticada nos dias de hoje!",
lê-se na petição Para que a Dra Isabel Jonet fique por muitos, e bons anos à frente do
Banco Alimentar Contra a Fome, que tem já 454 signatários.
"Como é óbvio, esta Petição não tem efeitos práticos, nem procura
tê-los, mas achamos uma boa resposta ao que se tem ouvido nos últimos
dias", concluiu a petição.
Relacionado em página global
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Portugal/CARTA
ABERTA - Uma canja para a Jonet
8 novembro 2012/O Movimento Sem Emprego http://movimentosememprego.info (Portugal)
Caríssima Isabel Jonet,
gostaríamos de lhe dizer frontalmente, com o mínimo de
mediações, que o nível das suas declarações é aviltante, sobretudo para aqueles
com quem se diz preocupar e em nome dos quais desfruta o brunch
da beneficência. Queremos dizer-lhe, antes de lhe devolver cada um dos insultos
para citar nas vernissages, que o movimento que
lhe escreve luta sobretudo para que ninguém se habitue ao empobrecimento. O
nosso combate, todos os dias, é pelo pleno emprego e pela justa distribuição do
trabalho, única via que identificamos para não ter que contar com o seu negócio
a cada vez que falta capital ao mês. Fala-lhe um grupo de pessoas, jovens e
menos jovens, desempregados, precários, sub-empregados, gente que se empenha
quotidianamente para derrotar quem, como a senhora e a Merkel, insiste em
mascarar de caridade o saque que estão a fazer às nossas vidas.
Sabemos que preside à Federação Europeia dos Bancos
Alimentares Contra a Fome, posição que ocupa desde Maio de 2012, e que a sua
influência aumenta na proporção da miséria nos vai impondo. Sabemos que é rica
e privilegiada e nunca falou da fome com a boca vazia. Sabemos que sabe que não
falta miséria para alimentar de matéria-prima a sua fábrica. Sabemos que olha para
os pobres com desdenho, nojo, pena. Sabemos que na hora de fazer a
contabilidade aquilo que a move é a sua canja, o seu ceviche,
não o caldo dos outros.
Afirma que vamos ter que "reaprender a viver mais
pobres", quando a senhora só sabe o que é viver mais rica, que
"vivíamos muito acima nas nossas possibilidades" quando é sua
excelência que tem vivido às nossas custas, que "há necessidade permanente
de consumo, de necessidade permanente de bens para a satisfação das
pessoas" quando em nenhum momento da sua vida a falta de verba lhe deu
tempo para ganhar água na boca. Atira-nos à cara, com a lata da Chanceler,
que os seus filhos "lavam os dentes com a torneira a correr" e que se
nós "não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer
bifes todos os dias", quando cada vez mais o problema das pessoas é ter
casa onde os filhos possam lavar os dentes e onde os bifes nunca ganharam a
tradição dos que são fritos no conforto das Arcádias. Em tempos sombrios,
poucos provaram o lombinho do seu talho predilecto, aquele que sempre visita
com generosidade, antes dos fins-de-semana que costuma fazer com requinte, no
crepúsculo alentejano.
Deixe-nos explicar que enquanto pensava que à sua
volta "estava tudo garantido, alguém havia de pagar", éramos nós, os
nossos pais e avós, que lhe aviavam a mesada. Perceba que a cada momento em que
delira com a cegueira de que "cá em Portugal podemos estar mais pobres,
mas não há miséria", abastece-se à confiança do nosso fiado e das nossas
dores de barriga. Entenda, que o tamanho dos seus disparates não abafa os
murmúrios da pobreza e a miséria. Deixe-nos dizer que um milhão e meio de
desempregados, com a fome e a subnutrição visível das urgências dos hospitais
às cantinas das escolas públicas, a cólera já sobra às páginas dos jornais do
dia. Deixe-nos dizer-lhe que o tempo não é de substituir o "Estado
Social" pelo "Estado de Caridade", mas de pelo menos ter tanto
cuidado com os pobres como com aquilo que se diz.
Pode caluniar os nossos pais, que nem o histerismo fútil
com que os brinda não a torna capaz de encontrar exemplo de quem troque a bucha
pela ida ao Super-Rock. Pode gritar, sem sequer dar ao luxo do fôlego, que eles
"não souberam educar os filhos", que a cada desabafo nos permite
desvendar um pouco mais o véu das suas intenções, da origem do seu soldo.
O seu mundo, caríssimo Jonet, é um decalque da
propaganda do Governo, um corpo torpe atirado à máfia de capatazes e dos
carcereiros, aqueles que lhes têm ajudado a arranjar mais e mais margem de
lucro no plano financeiro da sua pérfida empresa.
O mundo de Jonet é o mundo da classe dominante, do
privilégio, da riqueza, do poder desmesurado, dos estereótipos que ajudam a
lavar o sangue que lhe escorre das unhas. No mundo de Jonet, as PPPs, os
submarinos, a exploração, o assalto dos governantes, são propaganda subversiva
ao serviço de gente acomodada, inútil, descartável. No mundo de Jonet "não
existe miséria" como "em Portugal", não é assim? Em suma, no
mundo de Jonet não se vive o que é preciso para se ganhar um pingo de vergonha.
Se estiver disponível, teríamos todo o gosto em
entregar-lhe esta carta em mãos.
Sem cordialidade mas com muito mais educação,
Seus detractores,
O Movimento Sem Emprego
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Portugal/E-2013, A AGENDA OCULTA E A SAÍDA DA CRISE
5 novembro
2012/Resistir.info http://www.resistir.info
(Portugal)
A aprovação
do orçamento do desastre pela maioria PSD-CDS da Assembleia da República, dia
31 de Outubro, marca um ponto de inflexão na crise portuguesa. Dizer que se
trata de um orçamento recessivo é pouco. É um orçamento que, se cumprido,
significará a destruição generalizada do que resta das forças produtivas
portuguesas.
Ela faz
parte dos ciclos de negócios normais do modo de produção de capitalista. Uma
depressão, em contra-partida, é um fenómeno prolongado no tempo. Considerar uma
depressão como uma crise é um erro de diagnóstico que só pode conduzir a
terapias erradas. Mas o capital financeiro tem interesse em aplicar as terapias
erradas. No bojo da depressão pretende reforçar o seu poder e chegar ao domínio
absoluto. O parasitismo do capital financeiro pretende vencer a sua guerra.
A aprovação
do orçamento do desastre pela maioria PSD-CDS da Assembleia da República, dia
31 de Outubro, marca um ponto de inflexão na crise portuguesa. Dizer que se
trata de um orçamento recessivo é pouco. É um orçamento que, se cumprido,
significará a destruição generalizada do que resta das forças produtivas
portuguesas.
Há uma agenda oculta por trás deste Orçamento de Estado 2013. Aqueles que o
elaboraram – V. Gaspar & troika – têm perfeita consciência de que a sua
aplicação conduzirá a um fracasso clamoroso, mas fizeram-no precisamente com a
intenção de que o previsível fracasso conduza a medidas ainda mais gravosas
contra o povo português. A classe dominante quer
ajustar contas com a Revolução de Abril, inclusive com a Constituição dela
saída.(*)
O problema que hoje assola o mundo capitalista não é uma crise. É, sim, uma
depressão . Ela teve início em 2008, mas esta palavra jamais é utilizada pelos
analistas que pontificam nos media que se dizem "referência". Uma
crise é um fenómeno episódico, conjuntural, pontual.
Ela faz
parte dos ciclos de negócios normais do modo de produção de capitalista. Uma
depressão, em contra-partida, é um fenómeno prolongado no tempo. Considerar uma
depressão como uma crise é um erro de diagnóstico que só pode conduzir a
terapias erradas. Mas o capital financeiro tem interesse em aplicar as terapias
erradas. No bojo da depressão pretende reforçar o seu poder e chegar ao domínio
absoluto. O parasitismo do capital financeiro pretende vencer a sua guerra.
No âmbito português, há duas condições necessárias para a saída da crise: 1ª)
Recuperar a soberania monetária – não é possível qualquer solução válida para
Portugal enquanto se mantiver na zona euro; 2ª) Adoptar uma moeda de emissão
estatal, ou seja, eliminar o poder exorbitante dos banqueiros privados de criar
meios de pagamentos a partir do nada. O governo deve exercer o seu poder
soberano de emitir moeda. Esta segunda medida contribuiria poderosamente para o
desendividamento do Estado – grande parte das despesas do orçamento consiste de
encargos com a dívida pública.
Estas são as duas mais importantes questões a discutir em Portugal, na Grécia,
na Irlanda e nos demais países ameaçados pela UE. Ambos os pontos teriam de ser
mais desenvolvidos, o que ultrapassa o espaço desta breve nota. Mas pode-se
afirmar desde já que implorar negociações com credores mantendo um país no euro
e o poder de emissão com os banqueiros privados é um caminnho ínvio e gerador
de ilusões entre os povos.
(*) Ênfase de Mercosul & CPLP
Portugal/UMA COISA É ELIMINAR O DESPERDÍCIO, OUTRA É DESTRUIR AS FUNÇÕES SOCIAIS DO ESTADO COMO QUER O GOVERNO & A TROIKA
5 novembro
2012/Resistir.info http://www.resistir.info
(Portugal)
– OE-2013 obriga ao
despedimento de mais de 60 mil trabalhadores da Função Pública
por Eugénio
Rosa*
(O texto completo encontra-se em Resistir.info http://www.resistir.info
)
*Economista,
edr2@netcabo.pt
– OE-2013 obriga ao
despedimento de mais de 60 mil trabalhadores da Função Pública
por Eugénio
Rosa*
(O texto completo encontra-se em Resistir.info http://www.resistir.info
)
RESUMO
DESTE ESTUDO
Quem se dê ao trabalho de analisar de uma forma objetiva o conteúdo da informação sobre o OE-2013 veiculada pelos grandes media e, nomeadamente, pelos comentadores habituais que têm acesso privilegiado a eles, conclui rapidamente que, pelo menos, três técnicas clássicas de manipulação da opinião pública são utilizadas intensamente.
A primeira técnica de manipulação mais usada pelos media é a utilização daquilo que se designa por " palavras-veneno ". São palavras que, quando usadas, provocam no leitor um reflexo condicionado de tipo pavloviano negativo. Isto vem a propósito da utilização maciça da palavra " despesa " quer pelo governo, quer ainda pelos defensores do governo nos média, como se toda a despesa fosse má, incluindo a despesa com a saúde, a educação, as prestações sociais e pensões de reforma dos portugueses.
A segunda técnica clássica de manipulação da opinião pública também usada é a que foi utilizada recentemente por Marques Mendes no seu comentário habitual na TVI, o chamado " argumento de autoridade". Para este defensor do governo, um plano adicional (a juntar ao que já consta do OE-2013) de cortes brutais de 4.000 milhões €, sendo 3.500 milhões € na educação, saúde e segurança social seria credível se fosse elaborado pelo FMI e BCE porque estas entidades são credíveis naturalmente para ele, por o serem para os credores (FMI, UE, bancos e fundos especulativos).
Finalmente, a terceira técnica de manipulação da opinião pública que está a ser utilizada maciçamente pelos grandes media é a repetição (uma mentira repetida muitas vezes acaba por passar como verdadeira). É o que acontece com a palavra "despesa pública" que é sinónimo, para estes senhores, de desperdício, gasto inútil e desnecessário. E isso é reforçado pelo facto de na seleção dos comentadores que falam sobre o OE-2013 existir a evidente preocupação de escolher apenas os que coincidem com a "verdade oficial" afastando as vozes discordantes, criando assim um falso unanimismo. Desmontar toda esta campanha maciça de propaganda e manipulação (intoxicação) da opinião pública é difícil mas é necessário e é urgente que as organizações de trabalhadores se preocupem em o fazer.
Tudo isto vem a propósito da manobra de diversão lançada por Passos Coelho ("refundação" do Memorando da "troika"), para esconder a destruição das funções sociais do Estado (o Estado Social) que já resulta do OE-2013. A provar isto, está o facto de se deduzirmos nas Despesas de Pessoal da Administração Central previstas na proposta de OE para 2013, o subsidio de Natal e o aumento das contribuições das entidades públicas para a CGA de 15% para 20% constante da proposta de lei, despesas estas que não existiam em 2012, obtém-se 10.962,8 milhões €, valor este inferior em 999,1 milhões € à despesa prevista no OE-2012. Só a nível de remunerações certas e permanentes a redução é de 617,7 milhões €. É evidente que uma redução nas despesas de pessoal com tal dimensão não se consegue sem uma significativa redução do número de trabalhadores da Função Pública pois não é alcançada apenas com as aposentações e as restrições ao recrutamento, onde o governo prevê "poupar" 330 milhões € em 2013. Cálculos que fizemos com base nos dados da DGAEP sobre as remunerações na Função Pública levam à conclusão de que, só a nível da Administração Central, seria necessário uma redução de mais de 60 mil trabalhadores para conseguir aquela redução na despesa com pessoal. A confirmar que está nas intenções do governo proceder a despedimentos maciços na Administração Pública em 2013 é o facto de que na proposta de Lei do OE-2013 são aditados mais três artigos ao Código Contributivo da Segurança Social – artº 91-A, 91-B e 91-C – que criam o subsidio de desemprego para todos os trabalhadores da Função Pública, incluindo os abrangidos pelos artigos 10º (que têm vinculo público) e 88º da Lei 12-A/2008 (que tinham vinculo publico).
Em apenas três anos (2011/2013), este governo e a "troika" estrangeira que o controla, impuseram cortes na despesa pública que atingem 13.972 milhões €, e aumentos de impostos que somam 9.032 milhões €, o que adicionados atingem 23.005 milhões €, ou seja, o correspondente a 13,7% do PIB, sendo 4788 milhões € nas remunerações dos trabalhadores da Função Publica; 4.133 milhões € nas pensões e outras prestações sociais; e 1.694 milhões € nos serviços de saúde e educação públicas prestados à população. E como tudo isto não fosse suficiente pretendem cortar ainda mais 4.000 milhões €. Em relação ao aumento de impostos, de um total de aumento de receitas estimadas pelo governo em 9.000 milhões €, mais de 6.139 milhões € (68%) têm como origem rendimentos de trabalho e pensões. Tudo isto contribui para agravar a recessão económica e o desemprego. E a pergunta que naturalmente se coloca é esta: Em beneficio de quem todos estes sacrifícios são feitos? Sem procurar dar uma resposta completa porque a paciência dos leitores não é elástica, acrescentamos apenas o seguinte para reflexão. Em três anos, os contribuintes portugueses pagarão 21.680 milhões € de juros. Se Portugal pagasse a taxa de juro que é cobrada pelo BCE quando concede empréstimos aos bancos o nosso país pagaria apenas 4.340 milhões €, ou seja, menos 17.340,3 milhões €; isto é, o BCE empresta à banca privada a uma taxa de 0,75% para esta depois especular com a divida pública impondo pesados sacrifícios aos portugueses. E por esta e outras razões semelhantes que a politica do governo e da "troika" estão a conduzir Portugal para o abismo. Mas disto os media não falam. (…)
Quem se dê ao trabalho de analisar de uma forma objetiva o conteúdo da informação sobre o OE-2013 veiculada pelos grandes media e, nomeadamente, pelos comentadores habituais que têm acesso privilegiado a eles, conclui rapidamente que, pelo menos, três técnicas clássicas de manipulação da opinião pública são utilizadas intensamente.
A primeira técnica de manipulação mais usada pelos media é a utilização daquilo que se designa por " palavras-veneno ". São palavras que, quando usadas, provocam no leitor um reflexo condicionado de tipo pavloviano negativo. Isto vem a propósito da utilização maciça da palavra " despesa " quer pelo governo, quer ainda pelos defensores do governo nos média, como se toda a despesa fosse má, incluindo a despesa com a saúde, a educação, as prestações sociais e pensões de reforma dos portugueses.
A segunda técnica clássica de manipulação da opinião pública também usada é a que foi utilizada recentemente por Marques Mendes no seu comentário habitual na TVI, o chamado " argumento de autoridade". Para este defensor do governo, um plano adicional (a juntar ao que já consta do OE-2013) de cortes brutais de 4.000 milhões €, sendo 3.500 milhões € na educação, saúde e segurança social seria credível se fosse elaborado pelo FMI e BCE porque estas entidades são credíveis naturalmente para ele, por o serem para os credores (FMI, UE, bancos e fundos especulativos).
Finalmente, a terceira técnica de manipulação da opinião pública que está a ser utilizada maciçamente pelos grandes media é a repetição (uma mentira repetida muitas vezes acaba por passar como verdadeira). É o que acontece com a palavra "despesa pública" que é sinónimo, para estes senhores, de desperdício, gasto inútil e desnecessário. E isso é reforçado pelo facto de na seleção dos comentadores que falam sobre o OE-2013 existir a evidente preocupação de escolher apenas os que coincidem com a "verdade oficial" afastando as vozes discordantes, criando assim um falso unanimismo. Desmontar toda esta campanha maciça de propaganda e manipulação (intoxicação) da opinião pública é difícil mas é necessário e é urgente que as organizações de trabalhadores se preocupem em o fazer.
Tudo isto vem a propósito da manobra de diversão lançada por Passos Coelho ("refundação" do Memorando da "troika"), para esconder a destruição das funções sociais do Estado (o Estado Social) que já resulta do OE-2013. A provar isto, está o facto de se deduzirmos nas Despesas de Pessoal da Administração Central previstas na proposta de OE para 2013, o subsidio de Natal e o aumento das contribuições das entidades públicas para a CGA de 15% para 20% constante da proposta de lei, despesas estas que não existiam em 2012, obtém-se 10.962,8 milhões €, valor este inferior em 999,1 milhões € à despesa prevista no OE-2012. Só a nível de remunerações certas e permanentes a redução é de 617,7 milhões €. É evidente que uma redução nas despesas de pessoal com tal dimensão não se consegue sem uma significativa redução do número de trabalhadores da Função Pública pois não é alcançada apenas com as aposentações e as restrições ao recrutamento, onde o governo prevê "poupar" 330 milhões € em 2013. Cálculos que fizemos com base nos dados da DGAEP sobre as remunerações na Função Pública levam à conclusão de que, só a nível da Administração Central, seria necessário uma redução de mais de 60 mil trabalhadores para conseguir aquela redução na despesa com pessoal. A confirmar que está nas intenções do governo proceder a despedimentos maciços na Administração Pública em 2013 é o facto de que na proposta de Lei do OE-2013 são aditados mais três artigos ao Código Contributivo da Segurança Social – artº 91-A, 91-B e 91-C – que criam o subsidio de desemprego para todos os trabalhadores da Função Pública, incluindo os abrangidos pelos artigos 10º (que têm vinculo público) e 88º da Lei 12-A/2008 (que tinham vinculo publico).
Em apenas três anos (2011/2013), este governo e a "troika" estrangeira que o controla, impuseram cortes na despesa pública que atingem 13.972 milhões €, e aumentos de impostos que somam 9.032 milhões €, o que adicionados atingem 23.005 milhões €, ou seja, o correspondente a 13,7% do PIB, sendo 4788 milhões € nas remunerações dos trabalhadores da Função Publica; 4.133 milhões € nas pensões e outras prestações sociais; e 1.694 milhões € nos serviços de saúde e educação públicas prestados à população. E como tudo isto não fosse suficiente pretendem cortar ainda mais 4.000 milhões €. Em relação ao aumento de impostos, de um total de aumento de receitas estimadas pelo governo em 9.000 milhões €, mais de 6.139 milhões € (68%) têm como origem rendimentos de trabalho e pensões. Tudo isto contribui para agravar a recessão económica e o desemprego. E a pergunta que naturalmente se coloca é esta: Em beneficio de quem todos estes sacrifícios são feitos? Sem procurar dar uma resposta completa porque a paciência dos leitores não é elástica, acrescentamos apenas o seguinte para reflexão. Em três anos, os contribuintes portugueses pagarão 21.680 milhões € de juros. Se Portugal pagasse a taxa de juro que é cobrada pelo BCE quando concede empréstimos aos bancos o nosso país pagaria apenas 4.340 milhões €, ou seja, menos 17.340,3 milhões €; isto é, o BCE empresta à banca privada a uma taxa de 0,75% para esta depois especular com a divida pública impondo pesados sacrifícios aos portugueses. E por esta e outras razões semelhantes que a politica do governo e da "troika" estão a conduzir Portugal para o abismo. Mas disto os media não falam. (…)
*Economista,
edr2@netcabo.pt
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