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sexta-feira, 22 de julho de 2016

O CREPÚSCULO DA OTAN



12 de Julho de 2016, Rede Voltaire http://www.voltairenet.org  (França)

Thierry Meyssan*, Damasco (Síria)

A história da Otan e as suas acções actuais permitem compreender como o Ocidente construiu as suas mentiras e porquê está agora refém delas. Os elementos contidos neste artigo são chocantes, mas é impossível desmentir os factos. Quando muito podem-se agarrar às mentiras e persistir em manter-se nelas.


Aquando da reunião de Istambul, a 13 de Maio de 2015, os dirigentes da Otan terminam uma refeição bem regada. Eles troçam dos cretinos que acreditam no seu discurso de paz ao cantar «We are the world». Reconhece-se neste indecente vídeo o General Philip Breedlove, Jens Stoltenberg, Federica Mogherini e numerosos ministros da Defesa.

A cimeira dos chefes de Estado e de governo da Otan acaba de se realizar em Varsóvia (7 e 8 de Julho de 2016). O que devia marcar o triunfo dos Estados Unidos sobre o resto do mundo, foi, na realidade

quinta-feira, 21 de julho de 2016

HÁ MAIS DO QUE A VISTA ALCANÇA, NO GOLPE GORADO NA TURQUIA



20/07/2016, Tlaxcla http://www.tlaxcala-int.org (Mexico) Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity



O presidente Vladimir Putin da Rússia fez, no domingo, o que nenhum grande líder ocidental dos países membros da OTAN cuidou de fazer, quando telefonou ao seu contraparte turco Recep Erdogan, para manifestar boa vontade, simpatia e votos de sucesso na empreitada que o presidente turco abraçava, de restaurar a ordem constitucional e a estabilidade, o mais rapidamente possível, depois da tentativa fracassada de golpe na noite da 6ª-feira.

Em vez de fazer coisa semelhante, o secretário de Estado dos EUA John Kerry embarcou num voo noturno de bate-volta até Bruxelas, para reunião e café-da-manhã na 2ª-feira, com os ministros de Relações Exteriores (RE) da União Europeia, para discutir uma posição unificada ante a crise na Turquia. O ministro das RE da França Jean-Marc Ayrault estava de péssimo humor, zangado, repetindo que

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

MORREM OS PRIMEIROS SEIS SOLDADOS COLOMBIANOS, UM ARGENTINO UM MEXICANO NA GUERRA NO IÉMEN

13 dezembro 2015, Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

Os Editores

Publicamos estas duas notícias como documento. Falam por si, e dizem muito: do negócio da guerra e do recrutamento de mercenários, assassinos profissionais e carne para canhão mais ou menos bem paga, oriunda em muitos casos dos extractos sociais marginalizados e das camadas pobres de países afundados na crise que o próprio capitalismo gera.

Seis soldados colombianos e o seu comandante australiano, de uma empresa militar estado-unidense no Iémen, morreram durante confrontos na cidade de Taiz (sudoeste), regista a YemenTV.

De acordo com a informação divulgada esta terça-feira pela cadena iemenita de televisão YemenTV, seis soldados colombianos e o seu comandante australiano, chamado Philip Stitman, perderam a vida em combates entre forças iemenitas e estrangeiras na cidade de

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

BRICS, БРИКС/COMO A RÚSSIA ESTÁ DETONANDO O JOGO TURCO NA SÍRIA

4 dezembro 2015, Tlaxcala http://www.tlaxcala-int.org (México)
Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity


Porque a prioridade sempre foi deixar que a CIA comande – nas sombras – uma "linha de rato" – pela qual continue a fornecer armas a uma legião de "rebeldes moderados".

Assim como o Daesh – pelo menos até agora – 
a gangue Barzani no Curdistão Iraquiano nunca agia no turno em que Washington fazia a 'segurança'. A operação que o Governo Regional do Curdistão comanda na Turquia é virtualmente ilegal; de roubo do petróleo que pertence ao estado, no que tenha a ver com Bagdá.

O petróleo que o 'Estado Islâmico' rouba não pode passar por território controlado por Damasco. Não pode passar pelo Iraque dominado pelos xiitas. Não pode andar para o leste até o Irã. É a Turquia ou nada. A Turquia é o braço mais oriental da OTAN. EUA e OTAN 'apoiam' a Turquia. E assim se demonstra que EUA e OTAN, no fim das contas, apoiam o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico.

O que é certo é que o petróleo ilegal roubado pelo Daesh

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

POR QUE A TURQUIA APUNHALOU A RÚSSIA PELAS COSTAS

29 novembro 2015, Tlaxcala http://www.tlaxcala-int.org (México)
Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity
Courtesy of Blog do Alok Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

Pepe Escobar ПепеЭскобар 

Os objetivos de Rússia e Turquia na luta contra o grupo 'Estado Islâmico' são diametralmente opostos.

É absolutamente impossível compreendermos por que o governo turco abraça a estratégia suicidária de derrubar um SU-24 russo sobre território sírio – tecnicamente uma declaração de guerra da OTAN à Rússia –, sem a considerarmos no contexto real o jogo de poder de Erdogan no norte da Síria. 

O presidente Vladmir Putin disse que a derrubada do jato russo havia sido uma "punhalada nas costas". Vejamos como os fatos em solo levaram àquela punhalada. 

Ancara usa, financia e arma uma coleção de grupos extremistas em todo o norte da Síria, e precisa, a qualquer custo, manter abertas linhas de suprimentos para eles a partir do sul da Turquia; afinal, tudo de que aqueles grupos tem de fazer é conquistar Aleppo, o que abriria caminho para o Santo Graal de Ancara: a 'mudança de regime' em Damasco.

Ao mesmo tempo, Ancara teme mortalmente as YPG – Unidades de Proteção do Povo Curdo Sírio – organização irmã do PKK, partido curdo de esquerda. Esses todos têm de ser contidos a qualquer preço. 

Assim sendo, o grupo 'Estado Islâmico' – contra o qual a ONU declarou guerra – é apenas um detalhe, na estratégia geral de Ancara, dirigida, essencialmente a combater, conter ou mesmo bombardear curdos; a apoiar de todas as maneiras os Takfiris e jihadistas-salafistas, inclusive o grupo 'Estado Islâmico'; e a conseguir mudança de regime em Damasco. 

Não supreendentemente, os curdos sírios das YPG são fortemente demonizados na Turquia, acusados de, no mínimo, tentarem fazer uma limpeza étnica nas vilas árabes e turcomenas no norte da Síria. 

O que os curdos sírios estão tentando – e, para grande alarme em Ancara, apoiados de certo modo pelos EUA –, é conectar o que, por enquanto são três áreas separadas de terra curda no norte da Síria. 

Exame rápido, mesmo nesse mapa turco imperfeito, basta para mostrar como duas daquelas áreas curdas (em amarelo) estão já conectadas, a nordeste. Para conseguir isso, os curdos sírios, com ajuda do PKK, derrotaram o grupo 'Estado Islâmico' em Kobani e arredores. Para conseguir a terceira área da terra que consideram deles, os curdos sírios têm de chegar a Afryn. Mas no caminho (em azul) há várias cidades turcomenas ao norte de Aleppo.


Essas terras turcomenas são gigantescamente importantes. É precisamente aí, até 35 km para dentro da Síria, que Ancara sonha com instalar a sua chamada "zona segura", que será na prática uma zona aérea de exclusão, em território sírio, ostensivamente para abrigar refugiados sírios, e com tudo pago pela Comissão Europeia, que já desbloqueou 3 bilhões de euros, que podem ser

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O QUE PRECEDEU OS ATAQUES DO ESTADO ISLÂMICO NA FRANÇA

19 novembro 2015, Resistir.info resistir.info (Portugal)

por Moon of Alabama

Eis o que aconteceu dia 13 à noite: pelo menos 120 mortos nos ataques em Paris, Hollande decretou o estado de emergência.

Homens armados e bombistas atacaram restaurantes, uma sala de concertos e um estádio desportivo, em vários locais em Paris, sexta-feira, fazendo pelo menos 120 mortos, num ímpeto assassino que o presidente François Hollande, muito comovido, qualificou como um ataque terrorista sem precedentes.

O estado islâmico reivindicou o ataque .

Mas quem tem fornecido armas e financiado o Estado islâmico ou as organizações precedentes que na Síria e no Iraque lhe deram origem? Vejam vós mesmos.

Em 2012 - Hollande admite que armou os rebeldes sírios em violação do embargo existente .
"O Presidente francês reconheceu ter entregado armas

sábado, 14 de novembro de 2015

PORQUE QUER A FRANÇA DERRUBAR A REPÚBLICA ÁRABE DA SÍRIA?

19 outubro 2015, Rede Voltaire http://www.voltairenet.org (França)

Thierry Meyssan

RETRO-COLONIZAÇÃO
Voltando à história da colonização francesa da Síria e comparando-a com a ação dos presidentes Sarkozy e Hollande, Thierry Meyssan põe em evidência a vontade de recolonizar o país por parte de certos dirigentes franceses actuais. Uma posição anacrónica e criminosa que faz a França do presente um estado cada vez mais odiado no mundo.

A França é, hoje em dia, o principal poder apelando ao derrube da República Árabe da Síria. Enquanto a Casa Branca e o Kremlin negoceiam, em segredo, o modo de se livrarem dos jiadistas, Paris persiste em acusar o " regime de Bashar" (sic) de ter criado o Daesh (E. I. -ndT), e em declarar que após a eliminação do Emirado Islâmico convirá derrubar a «ditadura Alauíta» (re-sic). A França é publicamente apoiada pela Turquia e Arábia Saudita, e às escondidas por Israel.

Como explicar este posicionamento de perdedor, quando a França não tem nenhum interesse económico ou político nesta cruzada, quando os Estados Unidos deixaram de treinar combatentes contra a República, e quando a Rússia está em vias de reduzir a cinzas os grupos jiadistas?

A maior parte dos comentadores sublinharam, com razão, os laços pessoais do presidente Nicolas Sarkozy com o Catar, patrocinador da Irmandade Muçulmana, e os do presidente François Hollande igualmente com o Catar, e, também, com a Arábia Saudita. Os dois presidentes financiaram, ilegalmente, uma parte das suas campanhas eleitorais com estes estados, e tem

sábado, 7 de novembro de 2015

A DEBACLE DE KERRY EM VIENA

6 novembro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)
3 novembro 2015, Counterpunch

Mike Whitney

Pode alguém me explicar por que o presidente Obama decidiu anunciar que vai enviar soldados das Forças Especiais dos EUA para a Síria, no mesmo dia em que o secretário de Estado John tinha reunião com diplomatas russos e iranianos para discutir o fim de uma guerra que já dura quatro anos e meio?

Do que, afinal, se trata?

Será que Obama supõe que assustaria russos e iranianos com esse agitar cenográfico de sabres?

Será que pensa que os russos cancelariam a ofensiva militar e retirariam o apoio que dão a Assad?

O que Obama estaria pensando?

O próprio Kerry mostrou-se constrangido pelo anúncio presidencial, que nada obteve, exceto convencer os presentes de que a política externa dos EUA é conduzida por amadores, sem nem ideia do que fazem. Foi o que conseguiu.

Segundo o New York Times, "o secretário Kerry disse aos jornalistas que o timing do anúncio fora 'uma coincidência', e que ele não tinha conhecimento de que alguma decisão havia sido tomada, até a manhã daquela 6ª-feira."
(Obama Sends Special Operations Forces to Help Fight ISIS in Síria, New York Times)

"Coincidência"? Kerry acha que foi coincidência?

Por sorte, o Times tem melhor noção que Kerry do que se passava, e até admite qual o real objetivo do

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

BRICS, БРИКС, Rússia/PUTIN ESTÁ DERROTANDO MAIS QUE O ISIS NA SÍRIA

19 outubro2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

F. William Engdahl
New Eastern Outlook, 15.10.2015

Video: PUTIN EXPLICA COMO OS ESTADOS UNIDOS CRIARAM O ISIS Fonte: Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Há pouco mais de um ano, em julho de 2014, a Rússia e o presidente Vladimir Putin eram o foco das atenções na Europa e nos EUA, acusados - sem nem sombra de prova - de terem derrubado um avião civil da Malásia, desarmado, sobre o leste da Ucrânia. Os russos só pensariam em restaurar a União Soviética, no apoio que davam ao referendo proposto aos cidadãos da Crimeia para que escolhessem se reintegrar à Federação Russa, em vez de serem incorporados à Ucrânia. Washington e a União Europeia (UE) atacavam a Rússia com sanções. As pessoas falavam de nova Guerra Fria. Hoje o quadro mudou, e muito profundamente. É Washington quem está na defensiva, com o que os EUA têm feito na Síria e no Oriente Médio já exposto como ações criminosas, inclusive a geração da recente 'crise dos refugiados' na Alemanha e em grandes partes da UE.

Como estudioso de política e economia internacionais durante praticamente toda a minha vida adulta, devo dizer que me parecem notáveis a compostura e o controle emocional que Vladimir Putin e o governo russo têm manifestado, diante dos alucinados ataques ad hominem de gente como Hillary Clinton, que comparou Putin a Adolf Hitler.

Mas é preciso muito mais que compostura e autocontrole para arrancar o mundo da beira, ou como alguns poderiam dizer, já do início da 3ª Guerra Mundial. Aí, é preciso ação brilhante e direta. E então, aconteceu algo extraordinário, nos poucos dias depois do discurso do presidente Vladimir Putin na Assembleia Geral da ONU, dia 28 de setembro em New York.

O que Putin disse...
O que Putin disse na Assembleia Geral da ONU deve ser considerado, para pôr sob foco mais claro o que a Rússia fez nos dias imediatamente posteriores. Primeiro, Putin pôs perfeitamente às claras o que significa a lei internacional por trás da Carta da ONU, e que a Rússia

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

AINDA OS REFUGIADOS*

11 setembro 2015, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


Se há hoje mais refugiados do que em qualquer outro momento desde a II Guerra Mundial (como afirma a ONU), tal deve-se ao facto de que todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia. E esses pirómanos não descansam.

A crise dos refugiados, de que tanto se tem falado, não começou agora. A novidade que acordou a comunicação social está apenas no facto de essa crise ter chegado à Europa. Para os países devastados pelas guerras imperialistas, e para os seus países limítrofes, a crise existe há já muitos anos. Se há hoje mais refugiados do que em qualquer outro momento desde a II Guerra Mundial (como afirma a ONU), tal deve-se ao facto de que todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia.

Segundo o Anuário Estatístico de 2010 da agência da ONU para os refugiados (não palestinos) UNHCR, havia no final desse ano cerca de 34 milhões de refugiados e deslocados (fora ou dentro dos países de origem). Dos cerca de 10,5 milhões de refugiados externos, 80% eram acolhidos por países em vias de desenvolvimento e

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A PRIMAVERA ÁRABE AFOGA-SE NO MEDITERRÁNEO

1 agosto 2015, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


Não faltam reportagens sobre a tragédia da emigração clandestina no Mediterrâneo. O que as câmaras não mostram e os jornais não contam é onde começou a penúria desses desgraçados. Todos consideram normal que na África sempre tenham existido miseráveis e que muitos dos seus filhos abandonem os seus lares. Que no Médio Oriente sempre tenham existido guerras e os seus filhos procurem outra vida abandonando as suas terras. Porém, nunca tantos como nestes últimos anos. Em 2014 foram resgatados do mar entre cento e cinquenta e cento e setenta mil migrantes. E acredita-se que cerca de seis mil e quinhentos morreram afogados em sucessivos naufrágios.

O mundo chora quando em todos os jornais, em todos os shows periódicos, nas redes sociais, pelo menos do Ocidente, são mostrados os naufrágios do Mediterrâneo e aqueles que não tiveram a sorte de chegar sem que se note, ainda que tenham tido a sorte de chegar ao local seco, porém molhados.

Despojando-os da pouca dignidade que ficava, as câmaras gravam os olhares apagados, os olhos vermelhos, os semblantes quebrados, as peles rachadas, os gestos titubeantes daqueles que se aventuraram a abandonar a miséria e a violência de seus países.

Com medo, com terror, com fome, com angústia, com desespero, os resgatados recebem das mãos dos socorristas as mantas térmicas e até a primeira sopa quente como aviso de que suas penúrias terminaram por um segundo. Depois, terão outras, porém secos e em terra firme. Sem dúvida, para os imigrantes o pior já passou.

Em um ano já são mais de quarenta e dois mil resgatados do mar e mais de dois mil os que não tiveram essa sorte. Nada se sabe de quantos chegaram com êxito a

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

BRILHAM OS HIPÓCRITAS NA PASSARELA PARISIENSE

14 janeiro 2015, Redecastorphoto http://redecastorphoto.blogspot.com.br (Brasil)

12/1/2015, Pepe Escobar*SputnikNews
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

PEQUIM – Que inigualável desfile de hipocrisia política. A visão do general Hollande, Conquistador do Mali; David “das Arábias” Cameron; Angela “Morram, ucranianos do leste!” Merkel; Ahmed “Assad tem de sair” Davutoglu; até o rei Sarkô Primeiro, Libertador da Líbia, para nem falar de Bibi “Solução Final contra o Islã” Netanyahu – todos em marcha pela “liberdade”, pelo “direito à livre expressão” e pela “civilização” contra “o barbarismo” pelas ruas de Paris, faria gemer de vergonha e de desgosto qualquer representante da tradição intelectual ocidental, de Diógenes a Voltaire e de Nietzsche a Karl Kraus.

Observado da Ásia, o “congresso” mundial de políticos pareceu ainda mais grotesco. E não surpreende que já circule viralizada, por todo o sudeste da Ásia, lar das redes sociais árabes, a imagem da “marcha pela unidade” em Paris, reunida, como numa colagem, com uma imagem de Hitler e seus nazistas desfilando também por lá, com a Torre Eiffel ao fundo. [1] Aí está, em resumo, todo o debate sobre a “liberdade de expressão”. Será que algum dia aquela imagem-colagem

terça-feira, 13 de maio de 2014

SÍRIA, 2014: "O IRÃ E O PRESIDENTE ASSAD VENCERAM A GUERRA"

13 maio 2014, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

Muitos já dizem que a estratégia ocidental na Síria encorajou radicais e saiu-lhe pela culatra, fazendo aumentar a ameaça contra a segurança da Europa, agora que os jihadistas começam a fugir da Síria para seus países de origem. Altos funcionários iranianos dizem que "Os norte-americanos só falavam de substituir Assad, mas... por quem? A única coisa que conseguiram foi encorajar grupos radicais, e tornar as fronteiras muito menos seguras." 

Irã e o presidente Bashar al-Assad, íntimo aliado dos iranianos venceram a guerra na Síria, e a campanha orquestrada pelos EUA em apoio à tentativa da oposição para derrubar o regime sírio fracassou completamente -- disseram ao Guardian vários altos funcionários iranianos.

Em séries de entrevistas em Teerã, altos funcionários, dos que modelam a política externa iraniana, dizem que a estratégica do ocidente na Síria pouco fez além de estimular radicais, gerar e alimentar o caos e, feitas as contas certas, saiu-lhes pela culatra, agora que as forças do governo sírio, comandandas pelo presidente Assad, já assumem total controle da situação em campo.

sábado, 23 de novembro de 2013

2014 – INTERNACIONALIZAÇÃO DO YUAN, ABERTURA DA ARÁBIA SAUDITA, EXPLOSÃO DA UE: OS TRÊS ÚLTIMOS SUSTENTÁCULOS DO DÓLAR ENTRAM EM COLAPSO



18 novembro 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
 
por GEAB*

"Era noite e a chuva caía. Enquanto caía era chuva, mas depois de caída era sangue". Estas palavras de Edgar Allan Poe [1] aplicam-se às mil maravilhas ao lento processo de deslocação mundial agora em curso, em que todos os acontecimentos aparentemente anódinos ("a chuva") combinam-se para minar os fundamentos do sistema internacional que está moribundo ("o sangue"). Se este processo é lento, se estes acontecimentos podem parecer anódinos, é paradoxalmente porque a crise actual é a primeira crise sistémica verdadeiramente mundial: bem mais profunda que a de 1929, ela afecta todos os países e aflige o núcleo do sistema. Quando a de 1929 foi uma crise de adolescência da nova potência mundial, os Estados Unidos, a que vivemos actualmente corresponde aos últimos dias de um condenado – e este condenado é a super-potência que se conhece desde 1945. Mas toda a organização do mundo está construída em torno dos Estados Unidos e ninguém tem interesse em que ela se afunde antes de estar completamente desligado. Trata-se portanto, para todos, de se afastar suavemente salvaguardando as apar ências habituais a fim de assegurar um transição sem sobressaltos, o que explica a lentidão do krach em curso.

É de certa forma como os pais que tentam sair do quarto do seu bebé na ponta dos pés para evitar que ele acorde e se ponha a berrar: o bebé é o dólar e os pais são indignos uma vez que saem para abandoná-lo.

A China é mestra nesta arte, mas vêem-se por toda parte outros países que abandonam progressivamente os Estados Unidos de maneira mais ou menos subtil, como por exemplo a Arábia Saudita [2] . Para a União Europeia, quase o último bastião americanista fora dos EUA, a tarefa é mais árdua. Nossa equipe antecipa que

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Síria: AS ARMAS QUÍMICAS FORAM FORNECIDAS PELOS SAUDITAS



2 setembro 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

– "Rebeldes" e residentes locais em Ghouta acusam o príncipe saudita Bandar bin Sultan de fornecer armas químicas a um grupo ligado à al-Qaida

por Dale Gavlak e Yahya Ababneh*

Ghouta, Síria – Quando a maquinaria para uma intervenção militar dos EUA na Síria ganha ritmo após o ataque de armas químicas da semana passada, os EUA e seus aliados podem estar a visar o culpado errado.

Entrevistas com pessoas em Damasco e Ghouta, um subúrbio da capital síria, onde a agência humanitária Médicos Sem Fronteiras disseram que pelo menos 355 pessoas morreram na semana passada devido ao que acreditaram ser um agente neurotóxico, parecem indicar isso.

Os EUA, Grã-Bretanha e França bem como a Liga Árabe acusaram o regime sírio do presidente Bashar al-Assad de executar o ataque com armas químicas, o qual atingiu principalmente civis. Navios de guerra dos EUA estão estacionados no Mediterrâneo para lançar ataques militares contra a Síria como punição por executar um ataque maciço com armas químicas. Os EUA e outros não estão interessados em examinar qualquer prova em contrário, com o secretário de Estado John Kerry a dizer que a culpa de Assad era "um julgamento ... já claro para o mundo".

Contudo, das numerosas entrevistas com médicos, residentes em Ghouta, combatentes rebeldes e suas famílias, emerge um quadro diferente.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

«QUÍMICOS» PASSAM PELAS BRECHAS DO «EIXO» OCIDENTAL CONTRA A SÍRIA



29 agosto 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

Finian Cunningham*

«O resultado de investigações independentes e o que se descobre nelas sobre massacres na Síria, jamais chegam às primeiras páginas dos veículos da imprensa-empresa ocidental. A névoa inicial criada pelas manchetes pejorativas e vastíssima desinformação «midiática» deixa, como planejado, uma impressão residual de culpa contra o governo de Assad.

O suposto ataque, semana passada, com armas químicas, em três subúrbios de Damasco segue o mesmo padrão. Washington capitaneou o ocidente na condenação do governo sírio, sem contudo oferecer qualquer prova. Mas a pergunta realmente interessante, agora, é: qual o contexto político significativo, desta vez?»

Padrão recorrente ao longo da crise síria é a coincidência entre massacres de origem suspeita e momentos em que há mudança no contexto político. É importante ter isso em mente ao avaliar relatos publicados semana passada de um massacre, com uso de armas químicas,

sexta-feira, 23 de maio de 2008

LE MONDE: O PODER SOBRE O PETRÓLEO MUDOU DE LADO

No início dos anos 1970, quando o barril de "ouro negro" valia menos de US$ 2, ninguém jamais iria imaginar que um presidente americano se encontraria um dia na situação de ser obrigado a implorar perante o rei da Arábia Saudita por um aumento da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com o objetivo de forçar uma redução dos preços. O Ocidente, entretanto, chegou a este ponto.

Por Jean-Michel Bezat, para o Le Monde

22 maio 2008/Fonte: Vermelho http://www.vermelho.org.br

Depois de esbarrar numa primeira recusa grosseira, em meados de janeiro, George W. Bush voltou a insistir neste pedido, na sexta-feira (16/05), por ocasião do seu encontro em Riad com o rei Abdala. A tentativa fracassou mais uma vez, pois tudo o que o presidente americano conseguiu foi um aumento limitado e temporário.

Já vai longe a época em que a Standard Oil of New Jersey, a Anglo-Persian, a Gulf Oil e suas quatro outras "irmãs" dominavam o mercado mundial. O tempo em que o presidente Roosevelt conseguiu obter do então rei Ibn Saud a abertura dos poços sauditas para as companhias estrangeiras em troca da proteção militar americana (1945). A época em que era possível derrubar impunemente o primeiro-ministro iraniano Mossadegh (1953), culpado de ter nacionalizado os hidrocarbonetos. O tempo em que fingiam acreditar que o petróleo era uma riqueza inesgotável.

O poder de mercado mudou de lado. Ele escapou dos países consumidores e das grandes multinacionais do setor (Exxon, Chevron, Shell, BP). A evolução do preço de referência do barril (que se aproxima atualmente de US$ 130) está sendo decidida nos bastidores do Kremlin e nas obscuras ante-salas do poder iraniano, no meio dos manguezais nigerianos e nas ribanceiras do Orenoco venezuelano, nos corredores vienenses da Opep e nas agitadas salas da New York Mercantile Exchange (NYMEX, a bolsa especializada na energia e nos metais). E, sobretudo, nos palácios sauditas.

Duzentos dólares

O mundo está vivendo um terceiro choque do petróleo - mais lento do que os anteriores, de 1973 e de 1980. O preço do barril, cujo montante foi multiplicado por seis no espaço de seis anos, é hoje mais elevado em dólares constantes do que era no início de 1981. O seu preço poderá eventualmente refluir de dez ou vinte dólares dentro dos próximos meses, mas nada é menos certo. Alguns analistas tão influentes como os do banco de negócios Goldman Sachs prevêem a manutenção da sua cotação em US$ 141 em média no decorrer do segundo semestre, e em US$ 148 em 2009. A OPEP, por sua vez, não exclui mais que ele venha a alcançar US$ 200.

A Arábia Saudita, o único país capaz de liberar a injeção de um milhão de barris suplementares no mercado, está relutando a proceder desta forma. Ele até mesmo modificou a orientação do seu discurso, recentemente, anunciando que iria limitar o teto da sua produção cotidiana a 12,5 milhões de barris entre 2009 e 2020, de maneira a preservar as suas reservas e, junto com elas, os interesses das gerações futuras. "Toda vez que vocês descobrirem novas jazidas, deixem-nas no solo, pois os nossos filhos delas irão precisar", decidiu o rei.

Nada consegue convencer os sauditas a abrirem as comportas. Eles avaliam que o mercado está suficientemente abastecido e que os estoques de petróleo bruto e de gasolina se mantêm em níveis satisfatórios. Eles estão preocupados, acima de tudo, com a política energética dos Estados Unidos, que visa a reduzir a sua "dependência petroleira" em relação ao Oriente Médio - uma palavra de ordem que foi lançada pelo presidente Bush e retomada em coro pelos pré-candidatos à eleição presidencial John McCain e Barack Obama. Basta ouvir os inflamados discursos acusatórios do ministro saudita da energia contra os biocombustíveis que vêm sendo desenvolvidos no continente americano, para compreender os interesses que estão em jogo. A isso, deve ser acrescentada a vontade de alguns parlamentares americanos de submeter o mercado petroleiro às regras anticartéis do comércio internacional, e até mesmo de suspender as vendas de armas se Riad continuar se recusando a aumentar a sua produção de petróleo.

Essas iniciativas preocupam e irritam os dirigentes da Opep. A estratégia do cartel de Viena, que renunciou desde 2003 a determinar um valor máximo e outro mínimo para o preço do petróleo, parece simples: seguir abastecendo o mercado para evitar toda ruptura, reduzir o "colchão de segurança" ao mínimo (2 milhões de barris por dia) e manter desta forma os preços tão elevados quanto possível, sem comprometer o crescimento econômico. Por serem proprietários dos três quartos das reservas mundiais, os treze Estados membros da Opep detêm todo o poder de barganha necessário para imporem a política que eles bem entendem.

Explosão dos preços

A dependência dos países consumidores está vinculada à fragilidade das multinacionais. Os Estados petrolíferos e as suas companhias públicas nacionais compartilham entre si 85% das reservas mundiais. Com isso, os gigantes multinacionais hoje não detêm mais do que 15% dessas reservas e enfrentam problemas para reconstituí-las à medida que elas vão extraindo a matéria-prima.

Qual será o peso real do "gigante" ExxonMobil, a maior companhia cotada, se comparado com a Gazprom ou a Saudi Aramco? O acesso das grandes companhias ocidentais aos campos petrolíferos - após se verem "barrados" na Arábia Saudita, no Kuwait e no México, a sua penetração está cada vez mais difícil na Rússia, na Venezuela e na Argélia - implicaria "no retorno ao período anterior ao das nacionalizações realizadas nos anos 1970", avalia Nicolas Sarkis, o diretor da revista especializada "Pétrole et gaz arabes".

Será preciso travar uma guerra para reconquistar o precioso líquido? Esta opção é inimaginável, mesmo se a necessidade de petróleo veio a ser um dos motivos da invasão americana do Iraque em 2003, conforme reconheceu o antigo presidente do Fed (o banco central americano), Alan Greenspan. Além disso, esta guerra permitiria obter qual benefício? Ao atiçar as tensões no Oriente Médio e ao reduzir a oferta, a guerra no Iraque contribuiu para a explosão dos preços. A luta para tomar posse dessas reservas por meio da força não passaria de "uma batalha de retaguarda", uma vez que os países petroleiros se encontram atualmente "numa posição de força", comenta Nicolas Sarkis. Eles podem vender as suas enormes reservas em dólares e impedir que os beligerantes do petróleo dele se apoderem, oferecendo-as a países mais pacíficos. Antes para a China do que para a América!

Um bom número de países industrializados tirou as lições das crises de 1973 e 1980 e optou por reduzir a sua dependência. Hoje, eles precisam de menos "ouro negro" para criarem a mesma riqueza. Nos Estados Unidos, as administrações sucessivas tomaram decisões que foram na contramão desta tendência, valendo-se de argumentos do tipo: "O modo de vida americano não é negociável". Por conta disso, a sua taxa de dependência em relação ao petróleo importado acabou passando de 60% para 80%.

Neste exato momento, o problema é de natureza geopolítica: o acesso ao recurso petroleiro está minguando. Num futuro próximo, ele passará a ser geológico. Nas reservas conhecidas, hoje sobra o equivalente a 1,2 trilhão de barris de petróleo, ou seja, o suficiente para quarenta anos de consumo mundial, seguindo-se o ritmo de extração atual. Os mais otimistas multiplicam este número por três, acrescentando os tipos de petróleo bruto chamados de "não-convencionais" (óleos pesados, areias betuminosas). Infelizmente, a extração destes últimos é muito mais cara. Enquanto isso, as reservas dos campos vêm diminuindo inexoravelmente na Arábia Saudita, na Rússia, na Noruega, no México, na Indonésia...

A única resposta prática reside numa diminuição do consumo. Ora, a explosão dos preços não resultou numa redução da demanda, a não ser de maneira marginal, uma vez que os transportes funcionam, numa proporção de 97%, apenas por meio dos derivados do petróleo bruto. Contudo, a redução do consumo nunca foi tão vital, seja para reforçar a segurança energética, seja para lutar contra o aquecimento climático.

O mais barato e o mais limpo de todos os tipos de petróleo continua sendo aquele que não é queimado.

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