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sábado, 14 de novembro de 2015

PENTÁGONO: IMPÉRIO DAS LAMÚRIAS

11 novembro 2015, Tlaxcala http://www.tlaxcala-int.org (México)
Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity




"Para que servem tantos serviços de inteligência, se induzem as próprias autoridades 
a sempre repetir as mesmas sandices? [Ash] Carter que meça suas palavras."
                                                                                              

Donald "sabidos não sabidos" Rumsfeld era osso duro ("cu de ferro", comoPapai Bush diria). O parceiro dele de neoconservadorismo e atual El Supremo do Pentágono Ash Carter – cujo emprego só durará pouco mais de um ano – corre o risco, hoje, de ficar com fama de diva-no-desvio.

Depois de oito dias viajando pela Ásia, Ash atingiu a Biblioteca Presidencial Ronald Reagan em Simi Valley, Califórnia, feito um míssil balístico desgovernado de se-lamentação. E acertou onde mais lhe dói: a parceria estratégica Rússia-China. Como aquela gente se atreve? Qualquer coisa, mas NÃO pisem nos meus sapatos azuis à Pentágono [orig. Don’t you step on my blue [suede] shoes (NTs)].

E a Rússia é culpada por praticar "atividades desafiantes" no mar, no ar, no espaço e no ciberespaço. E isso sem falar de "sacudir sabres nucleares". 

Ash mais uma vez enumerou todos aqueles "pilares da ordem internacional" que Rússia-China, diz ele, estariam violando: resolução pacífica de disputas, liberdade ante a coerção, respeito à soberania do Estado e à liberdade de navegação. Considerando o currículo dos feitos recentes do Excepcionalistão no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Líbia, Síria em latitudes sortidas, sempre se pode contar com o Pentágono para enriquecer os anais do hiper-irrealismo.

O
 Dr. Fantástico, digo, aquele Yo, El Supremo[1] da OTAN general Philip Breedlove, já entregou, publicamente, que não tem nem ideia do que Putin está fazendo na Síria. Ash, patrão dele, subiu a aposta: Putin "não pensou com muita atenção sobre" os próprios objetivos na Síria, e essa abordagem é "muito fora de rota". Com certeza, porque um mês de ataques russos fez mais para minar as forças do  ISIS/ISIL/Daesh que mais de um ano da "rota" seguida pela Coalizão dos Oportunistas Finórios (COF) liderada pelos EUA (COFUSA), que conta com

sábado, 7 de novembro de 2015

A DEBACLE DE KERRY EM VIENA

6 novembro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)
3 novembro 2015, Counterpunch

Mike Whitney

Pode alguém me explicar por que o presidente Obama decidiu anunciar que vai enviar soldados das Forças Especiais dos EUA para a Síria, no mesmo dia em que o secretário de Estado John tinha reunião com diplomatas russos e iranianos para discutir o fim de uma guerra que já dura quatro anos e meio?

Do que, afinal, se trata?

Será que Obama supõe que assustaria russos e iranianos com esse agitar cenográfico de sabres?

Será que pensa que os russos cancelariam a ofensiva militar e retirariam o apoio que dão a Assad?

O que Obama estaria pensando?

O próprio Kerry mostrou-se constrangido pelo anúncio presidencial, que nada obteve, exceto convencer os presentes de que a política externa dos EUA é conduzida por amadores, sem nem ideia do que fazem. Foi o que conseguiu.

Segundo o New York Times, "o secretário Kerry disse aos jornalistas que o timing do anúncio fora 'uma coincidência', e que ele não tinha conhecimento de que alguma decisão havia sido tomada, até a manhã daquela 6ª-feira."
(Obama Sends Special Operations Forces to Help Fight ISIS in Síria, New York Times)

"Coincidência"? Kerry acha que foi coincidência?

Por sorte, o Times tem melhor noção que Kerry do que se passava, e até admite qual o real objetivo do

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

BRICS, БРИКС/DEEM BOM-DIA AOS MEUS MÍSSEIS CRUZADORES

14 outubro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

Pepe Escobar
Asia Times, 12/10/2015

O Novo Grande Jogo na Eurásia avançou saltos e saltos semana passada, depois que a Rússia disparou 26 mísseis cruzadores, do Mar Cáspio, contra 11 alvos no ISIS/ISIL/Daesh por toda a Síria e destruiu todos. Esses ataques do mar foram a primeira vez, que se saiba, em que foram usados operacionalmente os mísseis cruzadores estado-da-arte SSN-30A Kalibr.

O Pentágono só pôde mesmo lançar olhar enviesado, sobre o ombro, acompanhando o voo dos mísseis Kalibr -- que acertam alvos localizados a 1.500km de distância. Aí está. Mensagem curta, clara, compacta de Moscou, dirigida ao Pentágono e à OTAN. Querem meter-se conosco, caras? Talvez, quem sabe, com aqueles porta-aviões enormes e pesadões?

Mais que isso, além de implantar o que é uma zona de exclusão aérea
de facto sobre a Síria e o sul da Turquia, o cruzador Moskva, da Marinha Russa, que transporta 64 mísseis S-300 mar-ar, está agora ancorado em Latakia.

As proverbiais fontes anônimas nos EUA entraram em surto de hiperatividade, espalhando 'noticiário' segundo o qual os russos tiveram quatro mísseis que 'perderam o rumo' e caíram no Irã. O Alto Comando da Rússia riu delas: todos os mísseis atingiram o alvo, dentro do raio previsto de 2,40m em torno do ponto demarcado.

O Pentágono nem sabia que o Kalibr pode ser disparado de navios pequenos (os Tomahawks exigem navios muito maiores).

O melhor que o Pentágono conseguiu inventar, além da apoplexia generalizada, foi o comandante do 
North American Aerospace Defense Command (NORAD), almirante William Gortney a dizer que os mísseis cruzadores de longo alcance do Conselho Atlântico da Rússia são nova "ameaça" à defesa nacional estratégica dos EUA.

A ameaça do míssil cruzador russo é "desafio particular para o
 NORADe para o Comando do Norte." OH! É mesmo?!

Pode-se falar de mais uma subavaliação monstro do que seja o Novo Grande Jogo. Pode-se argumentar que o desenvolvimento militar da Rússia ao longo dos últimos anos pôs Moscou várias gerações à frente dos EUA. Na hipótese de uma Guerra Quente Mundial 3.0 -- que ninguém, exceto os Drs. Fantásticos enlouquecidos de sempre, poderia desejar --, as armas chaves serão mísseis e submarinos, não os porta-aviões monstro à moda dos EUA.

O Pentágono está apoplético, porque essa mostra da tecnologia russa revelou ao mundo que acabou o monopólio dos EUA sobre os mísseis de longo alcance. Os analistas do Pentágono ainda trabalhavam sob o pressuposto de que o alcance desses mísseis não ultrapassaria 300 quilômetros.

Além do mais, a OTAN foi avisada: a Rússia pode acabar com eles, num flash - como vi acontecer em conversas na Alemanha, semana passada. A retórica furiosa, do tipo

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

BRICS, БРИКС/A RÚSSIA MOSTRA AS CARTAS NA SÍRIA E NO IRAQUE... E GANHA

7 outubro 2015, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)




He he... A Rússia está se exibindo mesmo ;-)
(assista ao 
vídeo porque vale a pena [NT]
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Quatro navios de guerra da Marinha Russa dispararam um total de 26 mísseis contra posições do grupo terrorista Estado Islâmico na Síria, anunciou o Ministro da Defesa russo Sergey Shoigu. Os mísseis foram disparados a partir do Mar Cáspio.

“Quatro navios lançadores de mísseis lançaram 26 mísseis de cruzeiro contra 11 alvos. De acordo com dados de controle do objetivo, todos os alvos foram destruídos. Não houve danos a quaisquer alvos civis”, disse Shoigu

Os mísseis voaram cerca de 1.500 km antes de atingir seus alvos, provando sua eficiência.

Os mísseis de cruzeiro russos Klub (3M-14AE KalibrN) cruzaram espaço aéreo iraniano e

terça-feira, 29 de setembro de 2015

BRICS, БРИКС/CHINESES NAVEGAM PARA A SÍRIA

26 setembro 2015, 24/9/2015, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Maxfux (trad. ru.-ing. Kristina Rus)

Fort Rus Арабские СМИ: к русским в Сирии присоединился Китай


Lembram-se dos exercícios militares conjuntos de Rússia e China no mar e em terra? Com exercícios de desembarque e combate contra terroristas em áreas litorâneas? Pois aqui está a resposta de por que treinaram juntas.

Rusvesna: "Veículo árabe [Al Masdar News] noticia que um contingente militar da República Popular da China está a caminho de Latakia, esperado a qualquer momento em portos sírios. Um navio chinês de transporte, com carga militar foi avistado na 3ª-feira pela manhã, cruzando o canal de Suez.

Informações sobre especialistas militares chineses a caminho de Tartus foram confirmadas pelo comandante do Exército Sírio. A matéria conclui que Moscou criará na Síria uma coalizão antiterror que será versão alternativa da aliança que os EUA formaram para abastecer e armar os terroristas do ISIS.

A entrada da China na luta pela Síria será importante acréscimo à declaração de hoje, do Ministério de Relações Exteriores do Irã. Em conferência de imprensa com RT, o vice-ministro de Relações Exteriores do Irã Hossein Amir Abdollahian declarou que

sábado, 19 de setembro de 2015

NÃO EXISTE CAPITALISMO 'ÉTICO'

16 setembro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

[...] numa nação livre em que não sejam permitidos escravos, a riqueza mais segura consiste numa porção de pobres laboriosos. Para fazer a sociedade (que, obviamente consiste de não trabalhadores) feliz, e o povo contente, mesmo nas piores circunstâncias, é necessário que a grande maioria permaneça tanto ignorante quanto pobre. (MANDEVILLE, 1728, p. 212, 213, 328 apud MARX, 1983, p. 189).[1]

Dia 5/9, em postado na internet, o ex-secretário do Trabalho e analista liberal Robert Reich, pergunta "O que aconteceu ao núcleo moral do capitalismo norte-americano?". Não é piada. Falava sério.

Reich escreve:

"Testemunhamos ao longo das últimas duas décadas nos EUA um declínio constante na disposição de quem ocupa as posições de mando no setor privado - em Wall Street e em grandes empresas - para respeitar, um mínimo que seja, padrões de moralidade pública. (...) Executivos de grandes empresas privadas ganham hoje salários 300 vezes superiores ao do trabalhador médio. Os magnatas de Wall Street levam para casa centenas de milhões, ou mais. Os dois grupos manipularam o jogo a favor deles mesmos, ao mesmo tempo em que empurram para baixo os salários do povo trabalhador médio."

A vasta e sempre crescente desigualdade nos EUA e em todo o mundo capitalista é, claro, inegável. A resposta de Reich é desejar uma volta a um tempo passado, a um momento suposto "mais moral"

sábado, 31 de janeiro de 2015

INTELECTUALES DEL MUNDO SE MANIFIESTAN 'EN DEFENSA DE LA SOBERANÍA ARGENTINA'

30 enero 2015, ADITAL, Agencia de Información Fray Tito para América Latina http://site.adital.com.br (Brasil)

La Red de Intelectuales, Artistas y Movimientos Sociales en Defensa de la Humanidad denuncia la campaña de desestabilización de los medios hegemónicos internacionales, en conjunción con las fuerzas de la derecha autóctona, contra el gobierno legítimo de la presidenta Cristina Fernández de Kirchner a partir de la muerte del fiscal Alberto Nisman, que la justicia argentina investiga. Esta campaña se complementa con el ataque sufrido contra la soberanía nacional por parte de los fondos buitre y se inserta en la ofensiva de Washington contra los gobiernos progresistas de América Latina y el Caribe.

Nos pronunciamos contra las manipulaciones de la prensa concentrada, los multimedios cuyas cabezas visibles son el diario La Nación y el grupo Clarín, que han pretendido responsabilizar al Ejecutivo del supuesto asesinato del fiscal que había acusado al gobierno de diseñar un plan para encubrir la responsabilidad que pudiera caberle a Irán en los criminales ataques efectuados en Buenos Aires contra la Embajada de Israel en 1992 y la Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA) en 1994.

Asumimos como nuestras las declaraciones de reconocidos jurisconsultos como los doctores Eugenio Zaffaroni y Julio Maier, la postura oficial de la Asociación Argentina de Juristas así como de las máximas autoridades de INTERPOL y la prensa especializada, que han demostrado que la denuncia de Nisman no contaba con las pruebas mínimas necesarias como para ser admitida en sede judicial, como fuera reiteradamente demostrado en fechas recientes por dos jueces de la justicia federal.

“FALSA-BANDEIRA” E COMO COMEÇAR UMA “REVOLUÇÃO COLORIDA” NA ARGENTINA

26 janeirto 2015, Redecastorphoto http://redecastorphoto.blogspot.com (Brasil)

23/1/2015, MarioThe Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Como começa:

1987-88: Irã assinou três acordos com a Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O primeiro acordo Irã-Argentina envolvia ajuda para converter o reator do Tehran Nuclear Research Centre (TNRC) que os EUA haviam fornecido a Teerã, de reator para combustível alto-enriquecido, para reator de combustível (urânio) baixo-enriquecido a 19,75%, e fornecer ao Irã o urânio baixo-enriquecido.

Dezembro, 1992: A embaixada em Buenos Aires informa ao governo argentino que Washington não aceita a continuação do acordo de cooperação nuclear Irã-Argentina.

Em março de 1992, a embaixada de Israel, e em julho de 1994 o prédio da Asociación Mutual Israelita Argentina, AMIA, foram explodidas, supostamente por carros-bombas.

Investigações independentes na Argentina e o relatório inicial de Charles Hunter (FBI) mostram que as duas explosões, considerados os danos nos prédios em volta, são inconsistentes com a teoria dos carros-bombas.

Ao contrário de todas as provas materiais, o governo israelense e, depois, Washington, pressionam

domingo, 25 de janeiro de 2015

Abya Yala, Patria Grande, Argentina/CARTA DE CRISTINA KIRCHNER SOBRE O CASO NISMAN

22 janeiro 2015, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)


Em texto publicado em sua página no Facebook, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, questiona a hipótese de suicídio na morte do promotor Nisman.

 

Íntegra de texto postado por Cristina Kirchner em sua página no Facebook:

 

“Os espiões que não eram espiões. As perguntas que se transformam em certezas. O suicídio (que estou convencida) não foi suicídio”

 

"Página 12: 'Quiseram usar Nisman vivo e agora o usarão morto'. Errado: foi usado vivo e depois precisavam dele morto. Triste e terrível assim".

‘Ontem, os argentinos conheceram a denúncia completa do Promotor Nisman. Sempre se disse que o idioma inglês, ao contrário do espanhol, não tem tanta diversidade de palavras para definir objetos, situações, adjetivos, etc. E é verdade. Mas devo reconhecer que nesta oportunidade, ao ver e ler no dia de hoje a capa do jornal portenho Buenos Aires Herald, a economia de vocabulário tem também suas vantagens.

Realmente, o citado matutino expressa sua opinião sobre a denúncia do Promotor Nisman com precisão cirúrgica, ou talvez linguística. Sobre um fac-símile do relatório, duas palavras inquestionáveis: “Nothing new” (“Nada novo.”)

terça-feira, 13 de maio de 2014

SÍRIA, 2014: "O IRÃ E O PRESIDENTE ASSAD VENCERAM A GUERRA"

13 maio 2014, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

Muitos já dizem que a estratégia ocidental na Síria encorajou radicais e saiu-lhe pela culatra, fazendo aumentar a ameaça contra a segurança da Europa, agora que os jihadistas começam a fugir da Síria para seus países de origem. Altos funcionários iranianos dizem que "Os norte-americanos só falavam de substituir Assad, mas... por quem? A única coisa que conseguiram foi encorajar grupos radicais, e tornar as fronteiras muito menos seguras." 

Irã e o presidente Bashar al-Assad, íntimo aliado dos iranianos venceram a guerra na Síria, e a campanha orquestrada pelos EUA em apoio à tentativa da oposição para derrubar o regime sírio fracassou completamente -- disseram ao Guardian vários altos funcionários iranianos.

Em séries de entrevistas em Teerã, altos funcionários, dos que modelam a política externa iraniana, dizem que a estratégica do ocidente na Síria pouco fez além de estimular radicais, gerar e alimentar o caos e, feitas as contas certas, saiu-lhes pela culatra, agora que as forças do governo sírio, comandandas pelo presidente Assad, já assumem total controle da situação em campo.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Síria/EM DEFESA DA PAZ



3 agosto 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Comité de cidadãos para a paz e contra a ingerência*

Os tambores da guerra rufam mais uma vez no Médio Oriente, desta vez com a possibilidade de um ataque iminente à Síria, após a alegada utilização de armas químicas pelo seu governo. É precisamente em tempos de crise como este que a defesa da paz pode ser feita da maneira mais clara e mais óbvia.

Em primeiro lugar, não temos qualquer prova sólida de que o governo sírio tenha utilizado armas químicas. Mesmo se tal prova fosse apresentada por governos ocidentais teríamos de permanecer cépticos, recordando os muitos incidentes dúbios ou falsificados utilizados para justificar corridas à guerra: o incidente do Golfo de Tonquim, o massacre de bebés na incubadora do Kuwait, o massacre Racak no Kosovo, as armas de destruição maciça no Iraque e a ameaça de um massacre em Bengazi. Vale a pena notar que a evidência que aponta a utilização de armas química pelo governo sírio foi proporcionada aos Estados Unidos pela inteligência israelense, a qual não é exactamente um actor neutro.

Mesmo que desta vez as provas fossem autênticas, isso não legitimaria acção unilateral por parte de ninguém. A acção militar ainda precisa de uma autorização do Conselho de Segurança. Aqueles que se queixam da sua "inacção" deveriam ter em mente que a oposição russa e chinesa à intervenção na Síria é motivada em parte pelo abuso das potências ocidentais da resolução do Conselho de Segurança a fim de executar "mudança de regime" naquele país. Aquilo que no Ocidente é chamado de uma "comunidade internacional" desejosa de atacar a Síria está reduzido essencialmente a dois países importantes (Estados Unidos, e França), dentre as quase duas centenas de países do mundo. Não é possível qualquer respeito pelo direito internacional sem o respeito pela opinião decente do resto da humanidade.

Mesmo se uma acção militar fosse permitida e executada, o que podia ela conseguir? Ninguém pode controlar armas química seriamente sem por "botas sobre o terreno", o que não é considerado uma opção realista após os desastres do Iraque e do Afeganistão. O Ocidente não tem aliado verdadeiro e confiável na Síria. Os jihadistas a combaterem o governo não tem mais amor ao Ocidente do que aqueles que assassinaram o embaixador dos EUA na Líbia. Uma coisa é receber dinheiro e armas de um país, mas outra muito diferente é ser um aliado genuíno.

Tem havido ofertas de negociação provenientes dos governos sírio, iraniano e russo, as quais têm sido tratadas com arrogância pelo Ocidente. Aqueles que dizem "não podemos conversar ou negociar com Assad" esquecem que isto foi dito acerca da Frente de Libertação Nacional na Argélia, de Ho Chi Minh, Mao, a União Soviética, a OLP, o IRA, a ETA, Mandela e o ANC e muitas guerrilhas na América Latina. A questão não é se alguém fala com o outro lado, mas após quantas mortes desnecessárias se aceita fazê-lo.

O temor que os EUA e seus poucos aliados remanescentes actuassem como polícia global está realmente ultrapassado. O mundo está a tornar-se mais multipolar e os povos do mundo querem mais soberania, não menos. A maior transformação social do século XX foi a descolonização e o Ocidente deveria adaptar-se ao facto de que não tem nem o direito, nem a competência, nem os meios para dominar o mundo.

Em parte alguma a estratégia de guerras sem fim fracassou mais miseravelmente do que no Médio Oriente. No longo prazo, o derrube de Mossadeg no Irão, a aventura do Canal de Suez, as muitas guerras israelenses, as duas guerras do Golfo, as ameaças constantes e sanções assassinas primeiro contra o Iraque e agora contra o Irão, a intervenção líbia, não conseguiram nada mais do que novos banhos de sangue, ódio e caos. A Síria só pode ser mais um fracasso para o Ocidente sem uma mudança radical na política.

A verdadeira coragem não consiste em lançar mísseis de cruzeiro meramente para exibir um poder militar que se está a tornar mais ineficaz. A verdadeira coragem jaz e romper radicalmente com essa lógica mortal. Em obrigar, ao invés, Israel a negociar de boa fé com os palestinos, convocar a conferência Genebra II sobre a Síria e discutir com os iranianos o seu programa nuclear, levando em conta honestamente os legítimos interesses económicos e de segurança do Irão.

A recente votação contra a guerra no Parlamento Britânico, bem como reacções nos media sociais, reflectem uma alteração maciça de opinião pública. Nós no Ocidente estamos cansados de guerras e estamos prontos para juntarmo-nos à comunidade internacional real exigindo um mundo baseado na Carta das Nações Unidas, desmilitarização, respeito pela soberania nacional e igualdade de todas as nações.

O povo do Ocidente também pede para exercer seu direito à auto-determinação: se tiverem de ser travadas guerras, elas devem tem como base debates abertos e a preocupação pela nossa segurança nacional e não sobre alguma mal definida noção de um "direito a intervir", o qual pode ser facilmente manipulado e abusado.

Cabe a nós obrigar nossos políticos a respeito esse direito.

PELA PAZ E CONTRA A INTERVENÇÃO

Signatários:
·         Denis J. Halliday, Secretário-Geral Adjunto da ONU, 1994-98
·         Cornelio Sommaruga, antigo Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Suíça
·         Dick Marty, antigo membro do Conselho Suíço de Estado e da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Suíça
·         Hans Christof Graf von Sponeck, secretário-geral adjunto das Nações Unidas, foi Coordenador Humanitário da ONU para o Iraque, Alemanha
·         Saïd Zulficar, antigo funcionário da UNESCO, Director da Divisão do Património Cultural, Egipto
·         Véronique de Keyser, deputada ao Parlamento Europeu, Bélgica
·         Samir Basta, director do gabinete regional da UNICEF para a Europa, 1990-1995
·         Samir Radwan, antigo ministro das Finanças do Egipto, Janeiro-Julho de 2011

------------ O original encontra-se em www.lemonde.fr/...


"PLAIDOER POUR LA PAIX EN SYRIE"

Le Monde.fr | 02.09.2013 à 16h12 • Mis à jour le 03.09.2013 à 16h23

Par Dr. Samir Basta ( directeur du bureau régional pour l'Europe de l'Unicef de 1990 à 1995.), Hans-Christof Von Sponeck (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1998-2000), Denis Halliday (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1994-1998), Saïd Zulficar (directeur adjoint chargé de la liste du patrimoine mondial à l'Unesco), Samir Radwan (ancien ministre des finances égyptien, janvier-juillet 2011) et Miguel Miguel d'Escoto Brockmann (Président de l'Assemblée générale (2008-2009) et ministre des affaires étrangères du Nicaragua (1979-1990).)

Les bruits de bottes se font entendre une nouvelle fois au Moyen Orient, avec la possibilité d'une attaque imminente sur la Syrie, suite aux allégations d'usage d'armes chimiques par son gouvernement. C'est précisément dans des temps de crise comme ceux-ci que les arguments en faveur de la paix sont les plus clairs et les plus évidents.

Tout d'abord, nous n'avons pas de véritables preuves de l'usage des armes chimiques par le gouvernement syrien. Et même si des preuves étaient fournies par des gouvernements occidentaux, il y a lieu de rester sceptiques, en se souvenant de tous les prétextes discutables ou fabriqués utilisés pour justifier les guerres antérieures; l'incident du Golfe du Tonkin et la guerre du Vietnam, les couveuses koweitiennes et la première guerre du Golfe, le massacre de Racak et la guerre du Kosovo, les armes de destruction massive irakiennes et la deuxième guerre du Golfe, les menaces sur Benghazi et la guerre de Libye. Notons aussi que d'après le journal britannique, The Guardian, certaines preuves de l'usage d'armes chimiques sont fournies aux Etats-Unis par les services de renseignement israéliens, qui ne sont pas une source tout-à-fait neutre.

Même si, cette fois-ci, les preuves sont authentiques, cela ne légitimerait en aucune façon une quelconque action unilatérale. Toute action militaire nécessite l'aval du Conseil de sécurité de l'ONU. Ceux qui se plaignent de "l'inaction" de ce Conseil devraient se rappeler que l'opposition de la Chine et de la Russie à une intervention en Syrie est en partie motivée par l'abus par les puissances occidentales des résolutions sur la Libye, de façon à opérer un "changement de régime" dans ce pays. Ce qu'on appelle en Occident la "communauté internationale", prête à attaquer la Syrie, est réduite à essentiellement à deux pays importants (Etats-Unis et France), sur les presque deux cents pays au monde. Aucun respect du droit international n'est possible sans un minimum de respect pour ce qu'il y a de décent dans les opinions du reste du monde.

Même si une action militaire était autorisée et menée, que pourrait-elle accomplir ? Personne ne peut sérieusement contrôler des armes chimiques sans troupes au sol, option que nul ne considère comme réaliste après les désastres en Irak et en Afghanistan. L'Occident n'a pas réellement d'allié fiable en Syrie. Les djihadistes qui combattent le gouvernement n'ont pas plus d'amour pour l'Occident que ceux qui ont assassiné l'ambassadeur américain en Libye. C'est une chose d'accepter de l'argent et des armes venant d'un pays donné, une toute autre d'être son véritable allié.

Les gouvernements syriens, iraniens et russes ont fait des offres de négociations qui ont été traitées par le mépris en Occident. Ceux qui disent "nous ne pouvons pas parler ou négocier avec Assad" oublient qu'on a dit la même chose du FLN algérien, d'Ho chi Minh, de Mao, de l'URSS, de l'OLP, de l'IRA, de l'ETA, de Mandela et de l'ANC, ainsi que de plusieurs guérillas en Amérique Latine. La question n'est pas de savoir si on va parler à l'adversaire, mais après combien de morts inutiles on va accepter de le faire. L'époque où les Etats-Unis et les quelques alliés qui leur restent agissaient comme gendarme du monde est révolue. Le monde devient plus multipolaire, et les peuples du monde veulent plus de souveraineté, pas moins.

La plus grande transformation sociale du vingtième siècle a été la décolonisation et l'Occident doit s'adapter face au fait qu'il n'a ni le droit ni les compétences ni les moyens pour gouverner le monde.

Il n'y a pas d'endroit où la stratégie de guerre permanente a échoué plus misérablement qu'au Moyen-Orient. A long terme, le renversement de Mossadegh en Iran, l'aventure du canal de Suez, les nombreuses guerres israéliennes, les deux guerres du Golfe, les menaces et sanctions d'abord contre l'Irak, ensuite contre l'Iran, n'ont rien accompli d'autre qu'augmenter le sang versé, la haine et le chaos. La Syrie ne peut être qu'un nouvel échec occidental sans un changement radical de politique.

Le véritable courage ne consiste pas à envoyer des missiles de croisière pour exhiber une puissance militaire qui devient de plus en plus inefficace. Le véritable courage consiste à rompre radicalement avec cette logique mortifère: obliger Israel à négocier de bonne foi avec les Palestiniens, convoquer la conférence Genève II sur la Syrie, et discuter avec les Iraniens de leur programme nucléaire, en prenant honnêtement en compte les intérêts légitimes de l'Iran en matière de sécurité et d'économie.

Le vote récent contre la guerre au Parlement britannique, ainsi que les réactions sur les médias sociaux, reflètent un changement massif de l'opinion publique. Nous, Occidentaux, sommes fatigués des guerres et nous sommes prêts à rejoindre la véritable communauté internationale, en exigeant un monde fondé sur la Charte de l'ONU, la démilitarisation, le respect de la souveraineté nationale et l'égalité de toutes les nations.

Les peuples en Occident veulent aussi exercer leur droit à l'auto-détermination: si des guerres doivent être menées, elles doivent l'être après un débat ouvert et en tenant compte de préoccupations affectant directement notre sécurité, et non sur une notion mal définie de "droit d'ingérence", qui peut être aisément manipulée et qui est ouverte à tous les abus.

Il nous reste à forcer nos hommes et femmes politiques à respecter ce droit.

Dr. Samir Basta ( directeur du bureau régional pour l'Europe de l'Unicef de 1990 à 1995.), Hans-Christof Von Sponeck (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1998-2000), Denis Halliday (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1994-1998), Saïd Zulficar (directeur adjoint chargé de la liste du patrimoine mondial à l'Unesco), Samir Radwan (ancien ministre des finances égyptien, janvier-juillet 2011) et Miguel Miguel d'Escoto Brockmann (Président de l'Assemblée générale (2008-2009) et ministre des affaires étrangères du Nicaragua (1979-1990).