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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Somos todos reféns do 11/09


11 de setembro de 2019, 22:55 h, Brasil 247 (Brasil) https://www.brasil247.com/blog/somos-todos-refens-do-11-09-f2or3l3m

Por Pepe Escobar*, no Asia Times
Tradução de Regina Aquino

"Para o desespero dos neocons estadunidenses, toda a fúria e som combinada do 11/09 e a Guerra Global ao Terror/Operação de Contingenciamento Ultramar, em menos de 2 décadas, acaba em metástases representadas não somente por um rival mas também na parceria estratégica Rússia-China. Esse é o 'inimigo' real – não a Al-Qaeda, uma mera invenção do imaginário da CIA, reabilitada e higienizada na forma de 'rebeldes moderados' na Síria", escreve o correspondente Pepe Escobar, ao analisar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001

Após anos de reportagens sobre a Grande guerra ao terror, muitas questões permanecem pendentes.

O Afeganistão foi bombardeado e invadido por causa do 11/09. Eu estava lá desde o começo, bem antes do 11/09. Em 20 de Agosto de 2001, eu entrevistei o comandante Ahmad Shah Massoud, o “Leão do Panjshir *“, que me contou sobre a aliança profana entre o Talibã, a al-Qaeda e o ISI (Inter-Services Intelligence, o serviço de Inteligência paquistanesa).

De volta a Peshawar, eu fiquei sabendo que algo realmente grande estava para acontecer: meu artigo foi publicado pelo Asia Times em 30 de Agosto. O comandante Massoud foi morto em 9 de Setembro: eu recebi um e-mail sucinto de uma fonte em Panjshir, afirmando somente, “atiraram no comandante”. Dois dias depois, o 11/09 aconteceu.

E ainda, no dia anterior, ninguém mais que Osama bin Laden, em pessoa, esteve num hospital Paquistanês, em Rawalpindi, recebendo tratamento, como foi

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A VERDADEIRA CRISE HUMANITÁRIA NÃO É ALEPO

24 outubro 2016, Odiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


Uma retrospectiva da intervenção dos EUA no Médio Oriente desde o 11 de Setembro mostra uma implacável marcha em direcção à trágica perspectiva hoje colocada: o confronto militar com a Rússia, a segunda maior potência nuclear. A previsível eleição de Hillary Clinton será um passo mais em direcção a essa catástrofe.

Porque será que apenas ouvimos falar da “crise humanitária em Alepo” e não da crise humanitária em todo o resto da Síria, onde a perversão que governa Washington desencadeou os seus mercenários do ISIS para trucidarem o povo sírio? Porque será que não ouvimos falar da crise humanitária no Iémen onde os EUA e o seu vassalo saudita estão a massacrar mulheres e crianças? Porque será que não ouvimos falar da crise humanitária na Líbia onde Washington destruiu um país deixando o caos em seu lugar? Porque será que não ouvimos falar na crise humanitária no Iraque, que já se arrasta há 13 anos, ou a crise humanitária no Afeganistão, que já vai em 15 anos?

A resposta é que a crise em Alepo é a crise de Washington estar a perder os seus mercenários do ISIS perante o exército sírio e a força aérea russa. Os jihadistas enviados por Obama e pela assassina criatura Hillary (“We came, we saw, he died”; “Viemos, vimos, ele morreu”) para destruir a Síria

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MASSACRE DE 13/NOV EM PARIS: CUI BONO ?

15 novembro 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por Pepe Escobar

Ontem à noite as coisas mudaram de repente em Paris . A evidência disponível sugere que os assaltos foram executados por um grupo de assassinos profissional que, entre outras armas, utilizou bombas vivas. A mensagem de hoje de Pepe Escobar na sua página do Facebook lança alguma luz sobre o simbolismo e o momento do massacre.

Examinando uma tonelada de reportagens descobri um cidadão dinamarquês que descrevia um dos atacantes: ultra-profissional, de negro da cabeça aos pés, AK-47, muito bem treinado. Este não fazia parte dos habituais bombistas camuflados de al-Zawahiri; era um assassino de precisão. Ele abandonou a cena sem ser perturbado e, ao contrário do que diz a polícia francesa, pode não ter sido capturado: Não usava colete de suicida.

A inteligência francesa jura que está a monitorar pelo menos 200 cidadãos nacionais que voltaram do "Siraque". Conversa acerca de um trabalho péssimo. Paris é hiper-policiada. Considere a ideia admirável de pelo menos oito jihadistas a passear à vontade numa sexta-feira à noite vestidos como assassinos profissionais.

Eles escolheram um conjunto de locais fortemente

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

PORTUGAL NÃO PODE PACTUAR COM A GESTÃO CRIMINOSA POR ISRAEL DA ÁGUA PALESTINA

2 agosto 2015, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente

Comunicado -- 04/2015

A Parceria Portuguesa para a Água (PPA) promove uma sessão, no próximo dia 8 de Junho, sobre o tema “Gestão inovadora dos recursos hídricos – uma perspectiva israelita”. É oradora a Professora Einat Magal e a sessão, que tem o patrocínio da Embaixada de Israel, tem lugar no auditório da ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos.

É por demais conhecida a “gestão inovadora” que Israel faz dos recursos hídricos da Palestina ocupada desde 1967, que explora em benefício próprio e dos colonatos ilegais, ao mesmo tempo que revende aos palestinos a água, que lhes pertence, a preços de usura. Israel apropria-se de 80% da água do Aquífero da Montanha o que, adicionado à água obtida de outras fontes, permite que cada israelita, incluindo os habitantes dos colonatos ilegais, usufrua de uma média diária de 300 litros de água, que lhes permite o luxo de piscinas e jardins, enquanto aos palestinos está reservada uma média de 70 litros diários para uso pessoal, doméstico e agrícola. Israel não só não tem permitido aos palestinos a construção de novos poços como tem permitido que os colonos se apropriem de poços de aldeias palestinas vizinhas ou os contaminem com os seus efluentes, além das destruições de condutas e outras infra-estruturas, provocadas pelas recorrentes ofensivas militares, e cuja recuperação é inviabilizada.

É esta “gestão inovadora” que a Professora Magal vem ensinar aos portugueses no próximo dia 8, precisamente o dia em se assinala o primeiro aniversário da bárbara agressão de Israel contra o povo de Gaza que causou mais de 2.000 mortos e 11.000 feridos e deixou um rasto de destruição? Gaza, que já tinha uma situação difícil no que respeita a água e saneamento, viu-a agravada de forma dramática na sequência da agressão: 450.000 pessoas ficaram sem acesso a água potável; as redes de água e saneamento foram

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Un ataque letal de Israel arrasa un barrio de Gaza en una hora

Publicado: 29 jul 2014
Fuente: Gaza Watch


Un ataque con fuego de artillería del Ejército de Israel en un barrio de Gaza se saldó el pasado sábado, según el portal Arab Net, con la muerte de 72 personas, cientos de heridos y la destrucción total de decenas de edificios. Este video muestra cómo en una hora la nueva ofensiva israelí cambió por completo esta zona. Desde que comenzara la ofensiva militar israelí el pasado ocho de julio más de mil personas de Gaza han fallecido, la mayoría de ellos civiles.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A CAMINHO DA GUERRA*

1 março 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

Os EUA gastaram nos últimos 20 anos mais de cinco mil milhões de dólares a subsidiar a subversão na Ucrânia. Entretanto são retiradas as ajudas alimentares aos norte-americanos com fome porque «não há dinheiro».

Da Ucrânia à Venezuela, de África e Médio Oriente aos mares da China, multiplicam-se os sinais de que a tendência predominante nas potências imperialistas é para a guerra generalizada, o autoritarismo mais violento e o fascismo. Seja pela via da agressão aberta e directa, seja através de grupos mercenários a soldo, os imperialismos em crise sistémica estão em guerra aberta contra os povos e em guerra surda entre si, como ainda recentemente comprovou o telefonema da «diplomata» dos EUA Victoria Nuland ao seu embaixador em Kiev. No combate contra governos que se atrevem a dar mostras de soberania, lançam mão de paleo-fascistas, cuja ligação directa às hordas nazis na II Guerra Mundial ninguém pode contestar. Tal como o fundamentalismo religioso mais retrógrado e reaccionário é kosher na Líbia ou na Síria, também o anti-semitismo dos fascistas ucranianos torna-se «europeu» e «democrático». A sra. Nuland confessou numa Conferência Internacional de Negócios patrocinada pela petrolífera Chevron (13.12.13) que nos últimos 20 anos os EUA gastaram mais de cinco mil milhões de dólares a subsidiar a subversão na Ucrânia. Entretanto são retiradas as ajudas alimentares aos norte-americanos com fome porque «não há dinheiro».

Quem ache que isto é exagero faria bem em dar ouvidos a alguém que vem do coração do sistema e lhe conhece as entranhas, embora seja hoje dissidente. Paul Craig Roberts (PCR) pertenceu a governos de Ronald Reagan e foi vice-editor do Wall Street Journal. Hoje escreve que «a União Soviética servia de entrave ao poder dos EUA.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Angola vira atenções para o Médio Oriente



19 novembro 2013, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao  

A delegação angolana presente na cimeira entre a União Africana e o Médio Oriente, que decorreu ontem no Kuwait, está a aproveitar a estada naquele país para identificar parceiros para investir nos sectores dos Petróleos, Mineração e Infra-estruturas, além de outras áreas integradas na estratégia de diversificação da economia nacional.

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, que representou o Chefe de Estado na cimeira, disse que os africanos não têm sabido aproveitar o alto capital dos países do Médio Oriente.
 
“A nossa estratégia nesta cimeira é diferente dos outros. Vamos identificar

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

“NÃO HÁ GUERRA CIVIL NA SÍRIA, MAS UMA GUERRA CONTRA O TERROR QUE NÃO RECONHECE QUAISQUER VALORES, NEM JUSTIÇA, NEM IGUALDADE, E NEGA QUAISQUER DIREITOS OU LEIS.”



23 outubro 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

Declaração de Walid Al-Moualem, Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Expatriados, Chefe da Delegação da Republica Árabe Síria, na 68ª Sessão da Assembleia das Nações Unidas

Nova Iorque, 30 de Setembro de 2013

Senhor Presidente,
Esperamos que as Nações Unidas levem os povos do mundo para um futuro melhor, para realizar as aspirações desses povos à prosperidade, desenvolvimento e auto-suficiência alimentar, longe de todas as formas de tensão, confrontos e guerras; para a implementação total dos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas que declara soberania e igualdade de direitos e deveres de todos os estados membros. Neste sentido, o meu país encara positivamente todos os esforços dos Estados Unidos e Irão para ultrapassar o fosso de desconfiança entre os dois países, e espera que isso se reflicta construtivamente na estabilidade das relações internacionais.

Obrigado, senhor presidente
John Washe,
Presidente da 68ª sessão da Assembleia Geral

Gostaria de saudá-lo a si e o seu admirável país, Antígua e Barbados, na sua eleição como presidente da Assembleia-Geral nesta sessão, e desejar-lhe êxito no seu trabalho para a realização do papel importante e neutro do presidente da Assembleia Geral realizado pelo seu antecessor, que evitou colocar a presidência das Nações Unidas em agendas políticas

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores
No ano passado, quando me dirigi a esta augusta assembleia, o nosso mundo enfrentava muitos acontecimentos que o dilaceravam e as suas nações. Todos desejávamos que o cenário mudasse para melhor, mas infortunadamente, tornou-se pior. Muitos países enfrentam ainda crises políticas, económicas e financeiras que excedem as suas capacidades de as enfrentarem sozinhos. Enquanto os povos do mundo esperavam ver esforços internacionais a favor da ultrapassagem dessas crises, assistimos hoje à exacerbação e aumento dos problemas, desde que a hegemonia e domínio das capacidades dos povos aumentou de um modo que contradiz os princípios da Carta das Nações Unidas e as normas da Lei Internacional. Em vez de resolver conflitos regionais e internacionais por meios pacíficos, alguns países conhecidos continuam a praticar políticas contra certas nações. A hipocrisia política continua a interferir nos assuntos domésticos dos estados sob o pretexto de Intervenção Humanitária ou a Responsabilidade de Proteger

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

NO MÉDIO ORIENTE, ERGUEM-SE VOZES CRISTÃS CONTRA A INTERVENÇÃO NA SÍRIA



8 setembro 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

David Métreau

A ameaça de uma escalada militar na agressão imperialista contra a Síria defronta-se com uma crescente oposição e repúdio por parte da opinião pública mundial e dos mais diversos sectores e instituições. Poderá dizer-se que, de forma muito mais clara do que em ocasiões recentes, a manipulação da máquina mediática global do imperialismo não só não surte efeito como suscita um efeito contrário.

A perspectiva de uma possível intervenção militar dos Estados Unidos, Reino Unido e França na Síria, com ou sem um mandato da ONU, continua a dar que falar.
Representantes das igrejas cristãs do Médio Oriente expressam a sua oposição a este ataque estrangeiro planeado contra o regime de Assad.

Monsenhor Antoine Audo,
Bispo caldeu de Alepo

«Se houvesse uma intervenção militar, isso significaria o risco de uma guerra mundial. (…) O conflito só pode ser resolvido por um verdadeiro diálogo entre as diferentes partes. Que a intervenção do Papa seja o primeiro passo para prevenir o confronto, e que a população seja livre de se deslocar, viajar, comunicar, trabalhar… O país inteiro está em guerra! (…) Os sírios esperam por uma força internacional que ajude a estabelecer o diálogo e não a guerra.»

Monsenhor Louis Raphaël I Sako
Patriarca de Babilónia dos Caldeus em Bagdad

«A intervenção militar contra a Síria seria um infortúnio. (…) Seria o mesmo que provocar uma erupção num vulcão. A explosão atingiria o Iraque, o Líbano, a Palestina, e talvez alguém pretenda isso mesmo! (…) O Ocidente justificou a intervenção contra Saddam Hussein acusando-o de possuir armas de destruição em massa. Mas estas armas nunca foram encontradas! (…) A oposição a Assad está dividida, os vários grupos combatem-se entre si. As milícias da jihad multiplicam-se… Qual seria o destino deste país, depois de uma tal intervenção?»

Padre Jacques Mourad, responsável pela comunidade de Deir Mar Musa, na Síria
«Estamos numa fase de sofrimento extremo. Esperamos que os países ocidentais tomem uma posição justa face a esta terrível crise na Síria. A posição correcta significa rejeitar todas as formas de violência, silenciar as armas, não apontar uns contra outros, defender e proteger os direitos humanos.»

Irmã Houda Fadoul, responsável pela comunidade das mulheres de Deir Mar Musa
«Nós não podemos aceitar ou apreciar uma intervenção armada por parte de potências estrangeiras. Continuamos a nossa missão que é oferecer a Deus um culto espiritual, sobretudo para educar os jovens no diálogo e na paz. Acreditamos que hoje, mesmo no quadro deste conflito impiedoso, a oração ainda é um meio poderoso para resistir ao mal e o único instrumento que alimenta a esperança.»

Gregório III Laham, patriarca greco-católico melquita de Antioquia
«Este ataque planeado pelos EUA é um acto criminoso que só vai causar mais vítimas, além dos milhares de vidas que foram perdidas nos dois anos de guerra. Isto irá destruir a confiança do mundo árabe para com o Ocidente. A voz dos cristãos é a do Santo Padre. Neste momento temos de ser pragmáticos. A Síria precisa de estabilidade e um ataque armado contra o governo não tem nenhum sentido.»

Cardeal Leonardo Sandri, perfeito da Congregação para as Igrejas Orientais
«Que a razão superior da paz e da vida para o Oriente Médio prevaleça sobre qualquer outro interesse ou ressentimento. Que a justiça, a reconciliação e o respeito solidário dos direitos pessoais e sociais, e também religiosos, de todos quantos fazem parte da população do Médio Oriente, sejam colocados antes de qualquer outra razão, para a comunidade internacional. (…) Nestes tempos repletos de angústia, intensificam-se as orações pela situação na Síria, uma situação que se agravou no contexto já de si delicado do Médio Oriente, com feridas ainda abertas, no Egipto, no Iraque e outras áreas (…). Que a violência acabe : que Deus todo-poderoso possa iluminar a consciência dos responsáveis console todas as dores na nossa caridade.»

D. Maroun Lahham, vigário do Patriarcado Latino de Jerusalém para a Jordânia
«É triste, desde logo, para a Síria, não queríamos que o cenário do Iraque se repetisse. Também é triste para a Jordânia, já temos quase um milhão de sírios aqui, se houver guerra, haverá mais centenas de milhares. Especialmente porque a Jordânia é um país pequeno e será afectada pelo que se passa na Síria. Estou muito pessimista e espero o pior. Não podemos prever a reacção da Síria, nem a do Hezbollah, nem do Irão ou de Israel. (…) Rezem pela paz na Terra Santa e para que ela possa passar desses momentos de calvários a alguns vislumbres de ressurreição.»

Fouad Twal, patriarca latino de Jerusalém
«Os nossos amigos no Ocidente e nos EUA não foram atacados pela Síria . Com que legitimidade se atrevem a atacar um país? Quem os nomeou como polícias da democracia no Médio Oriente? (…) Quem já pensou sobre as consequências de tal guerra para a Síria e países vizinhos? Há necessidade de aumentar o número de mortos em mais de cem mil? É preciso ouvir todas aquelas almas que vivem na Síria e choram a sua dor que dura há dois anos e meio. Alguém já pensou nas mães, nas crianças, nas pessoas inocentes? E os países que atacariam a Síria já pensaram que os seus cidadãos em todo o mundo, que as suas embaixadas e consulados podem ser alvo de ataques e atentados em retaliação? (…) Haveria retaliações particularmente fortes que poderiam envolver toda a região.»

Hilarion, metropolita de Volokolamsk, Presidente do Departamento de Relações Externas da Igreja Ortodoxa Russa
«Estou profundamente preocupado com os planos de intervenção militar na Síria. Mais uma vez, como foi o caso com o Iraque, os EUA agem como carrascos internacionais, de forma absolutamente unilateral, sem a aprovação da ONU, querem decidir o destino de uma nação com milhões de pessoas. Mais uma vez, milhares de vidas serão sacrificadas no altar de uma democracia imaginária. E ninguém se preocupa com a situação dos cristãos, que poderão tornar-se reféns da situação e as principais vítimas de forças extremistas radicais, que com a ajuda dos Estados Unidos, chegarão ao poder. Acredito que a comunidade internacional deve fazer todo o possível para impedir que os acontecimentos tenham um tal desenvolvimento.»

Tradução de André Rodrigues

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Síria/EM DEFESA DA PAZ



3 agosto 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Comité de cidadãos para a paz e contra a ingerência*

Os tambores da guerra rufam mais uma vez no Médio Oriente, desta vez com a possibilidade de um ataque iminente à Síria, após a alegada utilização de armas químicas pelo seu governo. É precisamente em tempos de crise como este que a defesa da paz pode ser feita da maneira mais clara e mais óbvia.

Em primeiro lugar, não temos qualquer prova sólida de que o governo sírio tenha utilizado armas químicas. Mesmo se tal prova fosse apresentada por governos ocidentais teríamos de permanecer cépticos, recordando os muitos incidentes dúbios ou falsificados utilizados para justificar corridas à guerra: o incidente do Golfo de Tonquim, o massacre de bebés na incubadora do Kuwait, o massacre Racak no Kosovo, as armas de destruição maciça no Iraque e a ameaça de um massacre em Bengazi. Vale a pena notar que a evidência que aponta a utilização de armas química pelo governo sírio foi proporcionada aos Estados Unidos pela inteligência israelense, a qual não é exactamente um actor neutro.

Mesmo que desta vez as provas fossem autênticas, isso não legitimaria acção unilateral por parte de ninguém. A acção militar ainda precisa de uma autorização do Conselho de Segurança. Aqueles que se queixam da sua "inacção" deveriam ter em mente que a oposição russa e chinesa à intervenção na Síria é motivada em parte pelo abuso das potências ocidentais da resolução do Conselho de Segurança a fim de executar "mudança de regime" naquele país. Aquilo que no Ocidente é chamado de uma "comunidade internacional" desejosa de atacar a Síria está reduzido essencialmente a dois países importantes (Estados Unidos, e França), dentre as quase duas centenas de países do mundo. Não é possível qualquer respeito pelo direito internacional sem o respeito pela opinião decente do resto da humanidade.

Mesmo se uma acção militar fosse permitida e executada, o que podia ela conseguir? Ninguém pode controlar armas química seriamente sem por "botas sobre o terreno", o que não é considerado uma opção realista após os desastres do Iraque e do Afeganistão. O Ocidente não tem aliado verdadeiro e confiável na Síria. Os jihadistas a combaterem o governo não tem mais amor ao Ocidente do que aqueles que assassinaram o embaixador dos EUA na Líbia. Uma coisa é receber dinheiro e armas de um país, mas outra muito diferente é ser um aliado genuíno.

Tem havido ofertas de negociação provenientes dos governos sírio, iraniano e russo, as quais têm sido tratadas com arrogância pelo Ocidente. Aqueles que dizem "não podemos conversar ou negociar com Assad" esquecem que isto foi dito acerca da Frente de Libertação Nacional na Argélia, de Ho Chi Minh, Mao, a União Soviética, a OLP, o IRA, a ETA, Mandela e o ANC e muitas guerrilhas na América Latina. A questão não é se alguém fala com o outro lado, mas após quantas mortes desnecessárias se aceita fazê-lo.

O temor que os EUA e seus poucos aliados remanescentes actuassem como polícia global está realmente ultrapassado. O mundo está a tornar-se mais multipolar e os povos do mundo querem mais soberania, não menos. A maior transformação social do século XX foi a descolonização e o Ocidente deveria adaptar-se ao facto de que não tem nem o direito, nem a competência, nem os meios para dominar o mundo.

Em parte alguma a estratégia de guerras sem fim fracassou mais miseravelmente do que no Médio Oriente. No longo prazo, o derrube de Mossadeg no Irão, a aventura do Canal de Suez, as muitas guerras israelenses, as duas guerras do Golfo, as ameaças constantes e sanções assassinas primeiro contra o Iraque e agora contra o Irão, a intervenção líbia, não conseguiram nada mais do que novos banhos de sangue, ódio e caos. A Síria só pode ser mais um fracasso para o Ocidente sem uma mudança radical na política.

A verdadeira coragem não consiste em lançar mísseis de cruzeiro meramente para exibir um poder militar que se está a tornar mais ineficaz. A verdadeira coragem jaz e romper radicalmente com essa lógica mortal. Em obrigar, ao invés, Israel a negociar de boa fé com os palestinos, convocar a conferência Genebra II sobre a Síria e discutir com os iranianos o seu programa nuclear, levando em conta honestamente os legítimos interesses económicos e de segurança do Irão.

A recente votação contra a guerra no Parlamento Britânico, bem como reacções nos media sociais, reflectem uma alteração maciça de opinião pública. Nós no Ocidente estamos cansados de guerras e estamos prontos para juntarmo-nos à comunidade internacional real exigindo um mundo baseado na Carta das Nações Unidas, desmilitarização, respeito pela soberania nacional e igualdade de todas as nações.

O povo do Ocidente também pede para exercer seu direito à auto-determinação: se tiverem de ser travadas guerras, elas devem tem como base debates abertos e a preocupação pela nossa segurança nacional e não sobre alguma mal definida noção de um "direito a intervir", o qual pode ser facilmente manipulado e abusado.

Cabe a nós obrigar nossos políticos a respeito esse direito.

PELA PAZ E CONTRA A INTERVENÇÃO

Signatários:
·         Denis J. Halliday, Secretário-Geral Adjunto da ONU, 1994-98
·         Cornelio Sommaruga, antigo Presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Suíça
·         Dick Marty, antigo membro do Conselho Suíço de Estado e da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Suíça
·         Hans Christof Graf von Sponeck, secretário-geral adjunto das Nações Unidas, foi Coordenador Humanitário da ONU para o Iraque, Alemanha
·         Saïd Zulficar, antigo funcionário da UNESCO, Director da Divisão do Património Cultural, Egipto
·         Véronique de Keyser, deputada ao Parlamento Europeu, Bélgica
·         Samir Basta, director do gabinete regional da UNICEF para a Europa, 1990-1995
·         Samir Radwan, antigo ministro das Finanças do Egipto, Janeiro-Julho de 2011

------------ O original encontra-se em www.lemonde.fr/...


"PLAIDOER POUR LA PAIX EN SYRIE"

Le Monde.fr | 02.09.2013 à 16h12 • Mis à jour le 03.09.2013 à 16h23

Par Dr. Samir Basta ( directeur du bureau régional pour l'Europe de l'Unicef de 1990 à 1995.), Hans-Christof Von Sponeck (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1998-2000), Denis Halliday (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1994-1998), Saïd Zulficar (directeur adjoint chargé de la liste du patrimoine mondial à l'Unesco), Samir Radwan (ancien ministre des finances égyptien, janvier-juillet 2011) et Miguel Miguel d'Escoto Brockmann (Président de l'Assemblée générale (2008-2009) et ministre des affaires étrangères du Nicaragua (1979-1990).)

Les bruits de bottes se font entendre une nouvelle fois au Moyen Orient, avec la possibilité d'une attaque imminente sur la Syrie, suite aux allégations d'usage d'armes chimiques par son gouvernement. C'est précisément dans des temps de crise comme ceux-ci que les arguments en faveur de la paix sont les plus clairs et les plus évidents.

Tout d'abord, nous n'avons pas de véritables preuves de l'usage des armes chimiques par le gouvernement syrien. Et même si des preuves étaient fournies par des gouvernements occidentaux, il y a lieu de rester sceptiques, en se souvenant de tous les prétextes discutables ou fabriqués utilisés pour justifier les guerres antérieures; l'incident du Golfe du Tonkin et la guerre du Vietnam, les couveuses koweitiennes et la première guerre du Golfe, le massacre de Racak et la guerre du Kosovo, les armes de destruction massive irakiennes et la deuxième guerre du Golfe, les menaces sur Benghazi et la guerre de Libye. Notons aussi que d'après le journal britannique, The Guardian, certaines preuves de l'usage d'armes chimiques sont fournies aux Etats-Unis par les services de renseignement israéliens, qui ne sont pas une source tout-à-fait neutre.

Même si, cette fois-ci, les preuves sont authentiques, cela ne légitimerait en aucune façon une quelconque action unilatérale. Toute action militaire nécessite l'aval du Conseil de sécurité de l'ONU. Ceux qui se plaignent de "l'inaction" de ce Conseil devraient se rappeler que l'opposition de la Chine et de la Russie à une intervention en Syrie est en partie motivée par l'abus par les puissances occidentales des résolutions sur la Libye, de façon à opérer un "changement de régime" dans ce pays. Ce qu'on appelle en Occident la "communauté internationale", prête à attaquer la Syrie, est réduite à essentiellement à deux pays importants (Etats-Unis et France), sur les presque deux cents pays au monde. Aucun respect du droit international n'est possible sans un minimum de respect pour ce qu'il y a de décent dans les opinions du reste du monde.

Même si une action militaire était autorisée et menée, que pourrait-elle accomplir ? Personne ne peut sérieusement contrôler des armes chimiques sans troupes au sol, option que nul ne considère comme réaliste après les désastres en Irak et en Afghanistan. L'Occident n'a pas réellement d'allié fiable en Syrie. Les djihadistes qui combattent le gouvernement n'ont pas plus d'amour pour l'Occident que ceux qui ont assassiné l'ambassadeur américain en Libye. C'est une chose d'accepter de l'argent et des armes venant d'un pays donné, une toute autre d'être son véritable allié.

Les gouvernements syriens, iraniens et russes ont fait des offres de négociations qui ont été traitées par le mépris en Occident. Ceux qui disent "nous ne pouvons pas parler ou négocier avec Assad" oublient qu'on a dit la même chose du FLN algérien, d'Ho chi Minh, de Mao, de l'URSS, de l'OLP, de l'IRA, de l'ETA, de Mandela et de l'ANC, ainsi que de plusieurs guérillas en Amérique Latine. La question n'est pas de savoir si on va parler à l'adversaire, mais après combien de morts inutiles on va accepter de le faire. L'époque où les Etats-Unis et les quelques alliés qui leur restent agissaient comme gendarme du monde est révolue. Le monde devient plus multipolaire, et les peuples du monde veulent plus de souveraineté, pas moins.

La plus grande transformation sociale du vingtième siècle a été la décolonisation et l'Occident doit s'adapter face au fait qu'il n'a ni le droit ni les compétences ni les moyens pour gouverner le monde.

Il n'y a pas d'endroit où la stratégie de guerre permanente a échoué plus misérablement qu'au Moyen-Orient. A long terme, le renversement de Mossadegh en Iran, l'aventure du canal de Suez, les nombreuses guerres israéliennes, les deux guerres du Golfe, les menaces et sanctions d'abord contre l'Irak, ensuite contre l'Iran, n'ont rien accompli d'autre qu'augmenter le sang versé, la haine et le chaos. La Syrie ne peut être qu'un nouvel échec occidental sans un changement radical de politique.

Le véritable courage ne consiste pas à envoyer des missiles de croisière pour exhiber une puissance militaire qui devient de plus en plus inefficace. Le véritable courage consiste à rompre radicalement avec cette logique mortifère: obliger Israel à négocier de bonne foi avec les Palestiniens, convoquer la conférence Genève II sur la Syrie, et discuter avec les Iraniens de leur programme nucléaire, en prenant honnêtement en compte les intérêts légitimes de l'Iran en matière de sécurité et d'économie.

Le vote récent contre la guerre au Parlement britannique, ainsi que les réactions sur les médias sociaux, reflètent un changement massif de l'opinion publique. Nous, Occidentaux, sommes fatigués des guerres et nous sommes prêts à rejoindre la véritable communauté internationale, en exigeant un monde fondé sur la Charte de l'ONU, la démilitarisation, le respect de la souveraineté nationale et l'égalité de toutes les nations.

Les peuples en Occident veulent aussi exercer leur droit à l'auto-détermination: si des guerres doivent être menées, elles doivent l'être après un débat ouvert et en tenant compte de préoccupations affectant directement notre sécurité, et non sur une notion mal définie de "droit d'ingérence", qui peut être aisément manipulée et qui est ouverte à tous les abus.

Il nous reste à forcer nos hommes et femmes politiques à respecter ce droit.

Dr. Samir Basta ( directeur du bureau régional pour l'Europe de l'Unicef de 1990 à 1995.), Hans-Christof Von Sponeck (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1998-2000), Denis Halliday (secrétaire général adjoint des Nations Unies, 1994-1998), Saïd Zulficar (directeur adjoint chargé de la liste du patrimoine mondial à l'Unesco), Samir Radwan (ancien ministre des finances égyptien, janvier-juillet 2011) et Miguel Miguel d'Escoto Brockmann (Président de l'Assemblée générale (2008-2009) et ministre des affaires étrangères du Nicaragua (1979-1990).