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sábado, 19 de setembro de 2015

NÃO EXISTE CAPITALISMO 'ÉTICO'

16 setembro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)

[...] numa nação livre em que não sejam permitidos escravos, a riqueza mais segura consiste numa porção de pobres laboriosos. Para fazer a sociedade (que, obviamente consiste de não trabalhadores) feliz, e o povo contente, mesmo nas piores circunstâncias, é necessário que a grande maioria permaneça tanto ignorante quanto pobre. (MANDEVILLE, 1728, p. 212, 213, 328 apud MARX, 1983, p. 189).[1]

Dia 5/9, em postado na internet, o ex-secretário do Trabalho e analista liberal Robert Reich, pergunta "O que aconteceu ao núcleo moral do capitalismo norte-americano?". Não é piada. Falava sério.

Reich escreve:

"Testemunhamos ao longo das últimas duas décadas nos EUA um declínio constante na disposição de quem ocupa as posições de mando no setor privado - em Wall Street e em grandes empresas - para respeitar, um mínimo que seja, padrões de moralidade pública. (...) Executivos de grandes empresas privadas ganham hoje salários 300 vezes superiores ao do trabalhador médio. Os magnatas de Wall Street levam para casa centenas de milhões, ou mais. Os dois grupos manipularam o jogo a favor deles mesmos, ao mesmo tempo em que empurram para baixo os salários do povo trabalhador médio."

A vasta e sempre crescente desigualdade nos EUA e em todo o mundo capitalista é, claro, inegável. A resposta de Reich é desejar uma volta a um tempo passado, a um momento suposto "mais moral"

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Angola/A LONGA LUTA A FAVOR DA PAZ NA ÁFRICA AUSTRAL

4 setembro 2015, Jornal de Angola jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro

A África Austral foi o epicentro de um dos mais importantes conflitos regionais. Hoje é uma zona de paz, com condições para se desenvolver rapidamente. Mas para aí chegar, foi necessário muito sacrifício nas frentes de combate e muita mestria no campo diplomático. Nesse período e no momento presente, o Presidente revela toda a sua popularidade e capacidade de liderança.

A África Austral vive hoje uma era de paz e tem condições para se desenvolver economicamente. Mas até 1990 esta região foi o epicentro de um dos mais violentos conflitos regionais que a Humanidade conheceu.
  
O cerne do conflito residia em restos de colonialismo e nos regimes de segregação racial. Com a conquista da independência de Moçambique e Angola em 1974 e 1975, a Rodésia continuava ocupada pelos ingleses e a Namíbia pela minoria branca sul-africana. Os Acordos de Lancaster House acabaram com a Rodésia de Ian Smith e fundaram  a República do Zimbabwe em 1980 nas terras de Monomotapa.
  
Mas até à libertação da Namíbia em 1990, ao fim do apartheid, em 1990, à eleição de Nelson Mandela como primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, em 1994, o conflito regional continuou a lavrar no continente.
  
Até que, finalmente, entre Agosto de 1987 e Agosto de 1988, dão-se na África Austral batalhas decisivas que abrem caminho a uma saída para o conflito. As tropas sul-africanas que ocupavam parcelas de Angola foram obrigadas a retirar, em troca as tropas internacionalistas cubanas que ajudavam o governo angolano aceitaram regressar a Cuba e a África do Sul foi forçada e conceder a independência à Namíbia e a abolir o apartheid. À época, o “Guia Prático do Quadro” da UNITA, aliada ao apartheid, dizia que quando os cubanos saíssem de Angola, o governo do MPLA caía. O que aconteceu foi que o apartheid caiu e a África venceu.

Missão histórica
Para manter a dominação na região, o regime sul-africano de então contava com o seu poder militar e o apoio das potências ocidentais. Mas do outro lado estavam

terça-feira, 23 de junho de 2015

COMO SE DEFENDE A PAZ E A DEMOCRACIA

21 junho 2015, Jornal de Angola (Angola)

José Ribeiro

A grande vitória dos angolanos em 40 anos de Independência foi terem acabado com a guerra. Mas outro grande sucesso foi terem gorado qualquer tentativa de regresso ao caos e à situação que provocou o conflito armado.

Nisto reside o grande “milagre” de Angola.

O caos precede a violência e mina o exercício das liberdades. Num ambiente caótico, as expectativas sociais tornam-se inviáveis. Ninguém deve ignorar o pecado original que foi a instabilidade gerada no período que se seguiu ao 25 de Abril. Nessa altura juntou-se a revolta contra a repressão colonial às manobras contra a Independência e criou-se o caldo que conduziu à escalada de guerra, que se prolongou por mais 30 anos. Apesar de todos os esforços de Agostinho Neto, em pouco tempo a destruição atravessou o país, como uma lança que nos rasga a carne e tudo desfaz. A Independência exigiu o sacrifício dos heróis, mas muitas vidas teriam sido poupadas se a voz da razão tivesse sido ouvida.

A História Mundial está cheia de exemplos de países que caíram em guerras ou no totalitarismo após um processo de degeneração social. E todos devemos aprender com isso. A subida de Hitler ao poder na Alemanha, em 1932, teve como pano de fundo a crise económica, o crescimento da miséria, da prostituição e do desemprego em massa. No Chile, em 1973, o general Pinochet apoiou-se

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Angola/A LIBERTAÇÃO DE ANGOLA E DA ÁFRICA AUSTRAL

12 de Novembro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Benjamim Formigo

A 11 de Novembro de 1975, a Independência de Angola foi um ponto marcante, senão mesmo o momento de viragem, do futuro da África Austral ainda colonizada ou dominada por independências declaradas e regidas por minorias, como na Rodésia e a África do Sul ou a Namíbia sob ocupação do regime do apartheid.

O colonialismo tremeu e os seus mentores tiveram consciência de que no máximo podiam adiar o seu fim. Havia condições regionais, na Rodésia, África do Sul e até no instável regime de Mobutu Sesse Seko, favoráveis a uma intervenção externa que, se não conseguisse evitar a Independência de Angola, dividisse o país e a sua riqueza. Pretória e o Estado ilegal da Rodésia do Sul viam com receio a independência de Moçambique. A Rodésia porque sentia que Moçambique ia ser a base de apoio da guerrilha independentista que ameaçava a supremacia branca. A África do Sul por recear que ali se estabelecesse também uma base para o ANC.
 
O ANC veio a receber apoio de Angola independente, tal como a SWAPO, movimento de libertação da Namíbia, encontrou um santuário em território angolano. Para Angola

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Moçambique∕DEMOCRACIA COM DEDO NO GATILHO



22 junho 2014, Desafio EDITORIAL http://desafio.co.mz (Moçambique)

Moçambique celebra quarta-feira 39 anos de independência nacional. A data é assinalada quando passam escassos 22 anos depois do calar das armas dos tristes 16 anos de guerra fratricida movida pela Renamo.

Trata-se de tempo escasso porque é suposto assumir a paz como eterna no livre pressuposto de que o ser humano devia viver sempre em paz. Desejo que, ao que parece, não fazer parte do plano de alguns moçambicanos. Triste sina a nossa.

A maioria dos moçambicanos anseia pela paz. Clama por ela. Contudo existe o triste contraponto de homens que em pelo Século XXI advogam o caos. A confusão. A balbúrdia. Para estes o troar das armas

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Moçambique/Integração regional: Um processo que remonta da expansão e fixação bantu

13 agosto 2008/Notícias

Contribuir para esclarecer o processo de integração regional no seio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) é o que se propôs o sociolinguista Renato Matusse ao escrever “África Austral: das migrações bantu à integração regional”, livro que lança hoje em Maputo. Trata-se de uma abordagem histórica que remonta das famosas migrações daqueles povos vindos de territórios mais a norte da nossa região (provavelmente da África Central), passando pelos movimentos como a expansão dos nguni (Mfecane), a formação dos antigos reinos e impérios e o período colonial, culminando essa análise na nossa contemporaneidade.
Neste livro, Renato Matusse defende a tese de que o processo de integração regional de que tanto se fala hoje não é um processo novo, dado que as formas de convivência entre os povos e culturas do espaço da SADC vêm precisamente de eras bem antigas. Em conversa ontem com o “Notícias”, este intelectual explicou que a obra “procura mostrar que o processo de integração regional em que estamos envolvidos hoje tem fundamentos históricos, inserindo-se no tempo desde a chegada dos bantu à África Austral (nos primeiros séculos do milénio passado), foi também influenciado pelo movimento Mfecane (as migrações dos nguni da Zululândia em direcção a norte), temos também os reinos e os estados que se formaram na África Austral, que abarcavam territórios que hoje pertencem a mais do que um país; temos também a influência do trabalho migratório, em que várias pessoas de um ou de outro ponto da região se encontravam em territórios como a África do Sul, o Malawi, ou o que no passado eram as Rodésias, e temos também a época das independências e o período que a elas se segue”.
A cerimónia do lançamento de “África Austral: das migrações bantu à integração regional” terá lugar no final da tarde numa das unidades hoteleiras da capital do país. A apresentação deste livro ocorre numa época em que a SADC está a realizar a sua semana comemorativa, que culminará na segunda-feira, 17 de Agosto, dia desta organização regional. A obra será apresentada pelo ministro da Indústria e Comércio, António Fernando.
“África Austral: das migrações bantu à integração regional” está destinado a estudantes dos níveis secundário e universitário e afigura-se como um contributo do autor para que a SADC seja uma organização mais conhecida e compreendida no seu seio. Para além de explicar a tese de que a integração desta sub-região do continente africano não é um fenómeno dos nossos tempos, Renato Matusse, que foi quadro sénior da organização, inclui no livro a contribuição de Moçambique na SADCC (designação anterior desta organização fundada em 1980), a estruturação e formalização do órgão bem como os comunicados finais das cimeiras de Chefes de Estado e de Governo da organização desde a fundação até à última, havida na África do Sul em Agosto do ano passado.
Moçambique já acolheu três destes encontros.