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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

África do Sul/Rendido tributo a Samora Machel

19 outubro 2016, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Raquel Betlehem
Pretória

Samora Machel durante a luta armada

Os Governos da África do Sul e de Moçambique rendem hoje uma profunda homenagem a Samora Moisés Machel, no dia em que recordam o trágico acontecimento que levou à morte o primeiro Presidente de Moçambique.

Trinta anos são passados desde o fatídico 19 de Outubro de 1986, quando o avião em que se fazia transportar o Mais Alto Mandatário da República de Moçambique se despenhou, causando a morte de 32 pessoas que com ele seguiam.

De um total de 40 passageiros

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Angola/O MASSACRE ESQUECIDO NO TRIBUNAL DE HAIA



4 maio 2016, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro

Ao massacre de Cassinga o regime de apartheid chamou-lhe “Operação Reindeer”. “Reindeer” significa rena, mamífero frequente na América do Norte, conhecido por caribú.

O ataque foi perpetrado pelo Exército sul-africano contra um campo de refugiados namibianos no dia 4 de Maio de 1978, faz hoje 38 anos.

No livro “Eagle Strike”, o coronel sul-africano Jan Breytenbach, o mesmo do Batalhão 32 “Bufalo”, responsável por outros crimes em África, recolhe os dados daqueles que estiveram envolvidos no massacre, um acto tão grave como o genocídio de Srebrenica, mas ao qual o Tribunal Internacional de Haia nunca deu a mínima importância.
 
O comandante do massacre, o coronel Jan Breytenbach, escreveu um livro, no qual diz que o massacre de Cassinga foi para si “um dia de glória e de vergonha” e não esconde as suas simpatias com o nazismo de Hitler.

Breytenbach deu ao  livro  o título “Eagle Strike” (Golpe da Águia) porque,

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Moçambique/Organizações sociais de antigos movimentos de libertação da África Austral debatem estratégias em Maputo*

19 Novembro 2015, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

Associações e organizações sociais dos antigos Movimentos de Libertação da África Austral reuniram-se ontem em Maputo para aprofundaras relações de amizade e de cooperação existentes entre si e discutirem mecanismos eficazes para a consolidação e preservação desses laços, alcançados nos difíceis e longos anos de luta pelas independências dos seus países.

O encontro, que esteve também inserido nos preparativos da Cimeira Anual dos Presidentes dos Partidos antigos Movimentos de Libertação Nacional, que se realiza amanhã, em Maputo, serviu também para consolidar os desafios comuns e definir estratégias para os fazer face.

A convite do Presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, na cimeira de amanhã, em Maputo, participarão Jacob Zuma, Presidente do ANC, da República da África do Sul; JakayaKikwete, líder do Partido Chama Cha Mapinduzi (CCM), da República Unida da Tanzania; José Eduardo dos Santos, Presidente do MPLA, da República de Angola; Hage Geingob, líder da SWAPO, da República da Namíbia; e Robert Mugabe, Presidente da ZANU-PF, da República do Zimbabwe.

A cimeira de Maputo segue o princípio de rotatividade de todos os países-membros do fórum. A última reunião do género teve lugar na África do Sul, em Março de 2013.

Depois das reuniões das organizações sociais ligadas a estes ex-movimentos libertadores,

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

BRICS, БРИКС/África do sul quer retirar-se do Tribunal Penal Internacional

12 outubro2015, Rádio Moçambique http://www.rm.co.mz (Moçambique)

 

O partido no poder na África do sul, ANC, Congresso Nacional africano, propõe a retirada do país do Tribunal Penal Internacional TPI, por considerar que o órgão não está a agir de acordo com o seu mandato.

A proposta foi avançada no decurso do Conselho Geral Nacional do Partido em Johannesburg.  
‘O Tribunal  Penal Internacional perdeu a sua direcção’-- disse o Vice-ministro da governação corporativa e assuntos tradicionais, Obed Bapela.

O governante deplorou o facto de   algumas nações poderosas recusarem-se  a ser membros, mas  procurarem impor sempre  as suas decisões através do  Tribunal Penal Internacional.  ‘A África do Sul deve retirar-se deste órgão e ainda assim continuará a erguer a bandeira dos direitos humanos’-- acrescentou Bapela.

Referiu que o Conselho geral nacional do ANC gostaria de ver o Tribunal Africano de Justiça a desenvolver a sua própria capacidade de lidar com as questões dos direitos humanos.

A União Africana irá debater

sábado, 12 de setembro de 2015

BRICS, БРИКС/The West is Outraged by the South Africa’s Politicians Call to Turn to the Russian Federation and China/На Западе возмущены призывом южноафриканских политиков развернуться в сторону РФ и Китая

09.09.2015, South Front http://southfront.org

It seems that somebody is scared by BRICS

This article originally appeared at Topwar, translated by Olga Seletskaia exclusively for SouthFront

Использованы фотографии:http://www.globallookpress.com/
The Economist magazine has expressed outrage over the promulgated report from the ruling party of South Africa – the African National Congress (ANC ) – in which the politicians are calling to turn from the West towards Russia and China, RIA Novosti reported .

In the report, the party leaders characterize the conflict in Ukraine as part of the wider strategy of official Washington against Moscow.

The report’s authors write:

“War in Ukraine turned into not just the war for Ukraine. The goal is Russia. As in the case with

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Angola/A LIBERTAÇÃO DE ANGOLA E DA ÁFRICA AUSTRAL

12 de Novembro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Benjamim Formigo

A 11 de Novembro de 1975, a Independência de Angola foi um ponto marcante, senão mesmo o momento de viragem, do futuro da África Austral ainda colonizada ou dominada por independências declaradas e regidas por minorias, como na Rodésia e a África do Sul ou a Namíbia sob ocupação do regime do apartheid.

O colonialismo tremeu e os seus mentores tiveram consciência de que no máximo podiam adiar o seu fim. Havia condições regionais, na Rodésia, África do Sul e até no instável regime de Mobutu Sesse Seko, favoráveis a uma intervenção externa que, se não conseguisse evitar a Independência de Angola, dividisse o país e a sua riqueza. Pretória e o Estado ilegal da Rodésia do Sul viam com receio a independência de Moçambique. A Rodésia porque sentia que Moçambique ia ser a base de apoio da guerrilha independentista que ameaçava a supremacia branca. A África do Sul por recear que ali se estabelecesse também uma base para o ANC.
 
O ANC veio a receber apoio de Angola independente, tal como a SWAPO, movimento de libertação da Namíbia, encontrou um santuário em território angolano. Para Angola

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Moçambique/Graça Machel e Luisa Diogo distinguidas personalidades africanas femininas



31 julho 2013, Radio Moçambique http://www.rm.co.mz

As personalidades africanas femininas com projecção internacional do momento foram distinguidas segunda-feira, em Luanda, pela Organização da Mulher Angolana (OMA), durante uma palestra inserida nas comemorações do Dia da Mulher Africana, que se assinala hoje (quarta-feira), 31 de Julho.

Dentre essas figuras destacam-se Nkosazana Dlamini-Zuma, antiga responsável do ANC da África do Sul e actual presidente da Comissão da União Africana,

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Livro/TWO NATIONS ONE VISION: A TRAJECTÓRIA COMUM DE MOÇAMBIQUE E ÁFRICA DO SUL



19 junho 2013, Radio Moçambique http://www.rm.co.mz

Um livro sobre as relações entre Moçambique e a África do Sul acaba de ser lançado em Maputo, no que é visto como um contributo para que ambas nações continuem a construir relações viradas para o bem comum dos dois países.

Da autoria da diplomata Thandi Lujabe-Rankoe, a obra, “Two Nations One Vision” (Duas nações, uma visão) aborda vários aspectos da trajectória comum dos dois países, sempre com enforque na multiplicidade de relações que vêm sendo construídas desde tempos passados.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Angola e África do Sul/ANC expressa gratidão a Angola pelo apoio incondicional

31 outubro 2012/Angola Press http://www.portalangop.co.ao (Angola)

Pretória - O Congresso Nacional Africano (ANC) levou hoje o Facho do seu centenário à Embaixada da Republica de Angola, em Pretória, para expressar a sua gratidão ao povo angolano pelo apoio concedido durante a luta contra o apartheid na África do Sul.

O facho, transportado por militantes vestidos de camuflado, foi entregue a embaixadora Josefina Pitra Diakité numa cerimónia antecedida pela entoação dos hinos da República de Angola e da África do Sul, e testemunhada por cerca de 100 membros do ANC e diplomatas dessa missão diplomática.

Ao apresentar o facho, o chefe da comitiva do ANC, Soh Khamyile, sublinhou a importância da ajuda política e logística de Angola, através do MPLA e das ex-FAPLA à causa sul-africana, durante a luta pela liberdade e igualdade de direitos.

“Viemos cá com o facho que marca os 100 anos da nossa existência para, com muito respeito, agradecer e reconhecer o apoio incondicional de Angola e dos seus Lideres” - enfatizou Soh Khamyile, membro do comité executivo do ANC na província de Gauteng.

Em resposta à mensagem do partido mais antigo do continente africano, a embaixadora Josefina Pitra Diakite considerou a iniciativa “um gesto enorme” e felicitou o ANC pelo centenário e por partilhar com Angola este momento tão alto da sua História.

A chefe da missão diplomática lembrou que Angola, através dos presidentes Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, sempre assumiu a luta do ANC contra o apartheid na África do Sul como sendo também uma causa dos angolanos.

Josefina Pitra Diakite recordou que a palavra de ordem do presidente Agostinho Neto, segundo a qual “Na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta” demonstrou o compromisso e o engajamento aberto de Angola na causa da liberdade da África do Sul.

“Mesmo independente, Angola nunca se sentiria livre sem a liberdade desse povo irmão” - disse a embaixadora.

O facho que marca o centenário do ANC foi aceso a 8 de Janeiro do corrente ano, na cidade de Bloemfontein, província do “Estado Livre”, numa cerimónia testemunhada por mais de 60 mil pessoas. Desde então, tem circulado em todas as regiões do país e levado às comunidades dos vários extractos da sociedade sul-africana.

As actividades relativas ao centenário encerram em Dezembro próximo.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Moçambique/Guebuza inaugura monumento na ex-Base dos Libertadores da Pátria

4 maio 2012/Portal do governo http://www.portaldogoverno.gov.mz

Kassuende (AIM) – O Presidente Armando Guebuza inaugurou hoje, na localidade de Kassuende, província de Tete, Centro - noroeste de Moçambique, um monumento em homenagem aos combatentes da luta de libertação nacional. 

O monumento, que visa especialmente aos que militaram na frente de Tete, foi erguido exactamente no local onde funcionou a base militar Kassuende, entre 1968 e 1974. 

Aquela base tem grande importância histórica por ter servido como centro da recepção de material bélico, para além de ter servido como defesa de um depósito de armamentos que se situava junto a fronteira com a Zâmbia. 


Naquele local eram recebidos novos ingressos para a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), do interior de Moçambique, na altura dominado pelo colonialismo português, para o exterior e do exterior para dentro do país. 

Igualmente, a base de Kassuende foi centro de trânsito de material bélico para as frentes das províncias de Manica, Sofala e Zambézia, também no Centro do país. 

Aquele local histórico não só serviu as acções dos guerrilheiros da FRELIMO pois, de lá, transitaram guerrilheiros e diverso armamento de movimentos tais como a ZANU-Frente Patriótica, do Zimbabwe, o Congresso Nacional Africano (ANC), da África do Sul, entre outros.

Vários factores contribuíram para que Kassuende se transformasse em base militar, entre os quais se destaca a sua localização próximo da fronteira com a Zâmbia, um país que, na altura, já era independente e que acreditava que era também possível Moçambique tornar-se independente. A componente etnolinguística que é homogénea naquela região e em ambos os países foi também determinante. 

Passaram por aquela antiga base, combatentes tais como José Moiane, que na altura era Chefe do Departamento Provincial de Defesa e Segurança, João Facitela Pelembe, Tomé Eduardo, João Aleixo Malunga, entre outros.  

A Localidade de Kassuende é parte integrante do Posto Administrativo de Malowera, distrito de Marávia, em Tete, a 130 quilómetros de Fíngoe, a sede distrital.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Moçambique/Festival moçambicano homenageia activista anti-apartheid Ruth First


17 Abril 2012/Rádio Moçambique http://www.rm.co.mz

                                                     Ruth First e Nelson Mandela



A capital moçambicana, Maputo, vai acolher, entre os dias 4 e 12 de maio, o sétimo festival internacional de música clássica, que este ano homenageia a activista sul-africana anti-apartheid Ruth First, assassinada há 30 anos em Moçambique.

Jornalista, professora universitária e activista sul-africana, Ruth First nasceu a 4 de maio de 1926 e morreu no dia 17 de agosto de 1982, em Maputo, vítima de uma carta-bomba, durante a luta contra o apartheid.

O espectáculo vai arrancar com uma sessão de gala no Conselho Municipal de Maputo onde serão recordados os feitos da então mulher de Joe Slovo, comunista sul-africano, Ruth First, que leccionou na Universidade Eduardo Mondlane e participou na criação do Centro de Estudos Africanos da maior e mais antiga instituição do ensino superior público de Moçambique. 

Além da participação de artistas de Moçambique e Portugal, o sétimo festival internacional de música clássica contará com a presença de músicos dos Estados Unidos, Lituânia, Japão, Polónia e Noruega.

Segundo os organizadores do evento, Portugal será representado por Carlos Pinillos e Filipa Castro, bailarinos principais da Companhia Nacional de Bailado, de Lisboa.

Durante nove dias, Maputo será a capital da música clássica, com recitais de piano, espetáculos de dança clássica e um concerto de consciencialização do HIV/Sida, epidemia que atinge 11 por cento dos 22 milhões de moçambicanos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ALBIE SACHS: AS MEMÓRIAS DE UM COMBATENTE SUL-AFRICANO QUE MOÇAMBIQUE TRANSFORMOU

30 dezembro 2011, Rádio Moçambique

Moçambique acolheu, logo após a sua independência em 1975, algumas gerações de gente privada de liberdade nos seus países. A história e a actualidade do nosso país inspiraram esses imigrantes a lutar pela sua emancipação, tal como inspirou também a interacção com cidadãos moçambicanos, desde o mais comum aos líderes políticos.

Um desses homens e mulheres que fizeram do nosso país um trampolim para melhor lutarem pelo seu foi o jurista sul-africano Albie Sachs, activista do ANC que se estabeleceu em Maputo durante 11 anos até ao fim do apartheid na África do Sul (1990). Para além de estabelecer com vários moçambicanos relações que ainda hoje perduram, Sachs aprendeu lições de que jamais se esquecerá, pois, tal como muitos sul-africanos da sua geração, forçados ao exílio, sabe que a liberdade de que o seu país hoje desfruta foi também buscada na nossa “zona libertada da humanidade” (assim se referia muitas vezes Samora Machel ao nosso país, no contexto da solidariedade com países dominados por regimes minoritários na região). O sul-africano de que falamos esteve recentemente em Maputo, desta feita para receber um “honoris causa”, outorgado pela Universidade Politécnica. E o jornal Notícias entrevistou-o, partilhando, nas linhas que se seguem, excertos dessa conversa em que Saschs partilha o legado que traça de uma época.

Notícias (Nt): É um dos vários militantes do ANC que durante o apartheid esteve exilado em Moçambique e tem vestígios físicos dessa era, pois num atentado perpetrado por aquele regime perdeu um braço em Maputo. Que memórias pode partilhar, para além das que escreveu em “Soft Vengeance”, sobre os tempos do seu exílio e sobre os passos que a sua geração deu até que fosse erradicado o apartheid?

Albie Sachs (AS): Posso dizer muito, mas prefiro destacar um facto importante não só para mim mas para toda a minha geração, que é o facto de o contacto com Moçambique ter sido absolutamente fundamental. Mesmo dentro da África do Sul, naquele tempo, o contacto e o apoio do governo moçambicano e da Frelimo foram uma chave importantíssima para que a África do Sul se tornasse livre. E a inspiração de tudo foi a independência de Moçambique, que levantou a coragem do povo sul-africano. O levantamento do Soweto (16 de Junho de 1976) e outros episódios em que as pessoas começaram a gritar “a luta continua” na África do Sul foram inspirados na trajectória de Moçambique até à sua independência. Essa trajectória e o apoio que o vosso país nos deu, mesmo nos seus momentos mais difíceis, levantaram o espírito combativo do povo sul-africano. É nesse contexto que chegaram muitas pessoas para aqui (Maputo), algumas fugindo da África do Sul para juntarem-se ao nosso movimento de libertação, pois o ANC pode ser assim considerado também. Estar aqui a falar de memórias seria complicado. Não só pelo facto de correr o risco de estar a anunciar uma sucessão de episódios mas por não os poder enquadrar. Na verdade, daquele momento não se pode falar apenas de forma brusca e sucinta, deve-se sim explicar. De qualquer modo, posso salientar que se tratou de uma era importante na história dos dois países e da região como um todo. A amizade entre nós passou muito por aqui.

Nt: A amizade a que se refere, que Nadja Mangheze descreveu como “traída e recuperada”, foi sempre vista de forma linear pelo ANC? Mesmo quando Samora Machel assinou o Acordo de Nkomati?

AS: Isso foi um facto muito perceptível por nós, embora tenha sido difícil de encarar. Maputo foi um elo indispensável na luta dos sul-africanos. O que aconteceu (a assinatura do Acordo de Nkomati) foi difícil para Moçambique também. Foi doloroso para nós e para os dirigentes moçambicanos ver camaradas do ANC saírem daqui. Eu fiquei, mas doeu-me de repente vê-los partir. Mas eu era membro de um grupo que chegou não como militante, como combatente, mas como cooperante. E os cooperantes chegaram aqui de todo o lado e havia vários. Eu vivi naquela altura na Inglaterra, no exílio, onde eu vivi como exilado, e sempre digo que naquele momento – eu vivi 11 anos na Inglaterra – fizemos muitas coisas positivas. E pessoalmente ganhei o doutoramento, não o honoris causa, mas doutoramento mesmo. Editei vários livros que foram publicados. Era pai de dois filhos, a nível familiar, mas mesmo quando eu estava feliz na Inglaterra sentia-me infeliz. Depois eu passei para Moçambique. E mesmo quando eu estava feliz sentia-me infeliz. Quer dizer, toda a ligação com o país, com a luz, as pessoas, a música, a dança, a política, com a maneira de ser, estava tão impregnada com a personalidade da África Austral, com os problemas da África do Sul, com os nossos problemas. Eu senti-me muito mais vivo, mais activo, e aprendi tanta coisa. Há coisas positivas e também coisas negativas. Foram lições para as utilizar depois na reconstrução da África do Sul.

Nt: O que é que pode destacar dessas lições positivas e negativas?

AS: Positivas, eu posso dizer que a perspectiva nacional que aproveitava de qualquer contribuição, que qualquer pessoa pode dar independentemente da origem, da cor da pele, etc. O que era importante era ter um certo patriotismo democrático, era o sentimento de ser moçambicano. Moçambique inspira nisso. Os moçambicanos disseram-me naquela altura que não abandonariam a sua própria maneira de ser, porque para ser moçambicano como se tinha que ter valores e saber partilhar com os outros. E fizeram isso. Connosco partilharam muito. Por exemplo, eu comunico em português. É um sinal dessa partilha, como também são sinais as danças, a maneira de ser, etc., que muitos de nós aprenderam aqui. Mas também ensinámos o que tínhamos. É também por isso, por causa dessa história de luta e de partilha, que a África do Sul e Moçambique são unidos. Posso dizer que demos um pouco de nós na contribuição para a criação de uma personalidade moçambicana na sua componente de diversidade. Algo que posso destacar, que extrapola o sentido de tudo para se tornar também em valor cultural, mais do que político, é a atenção que Moçambique deu à emancipação da mulher. Não foi sempre realizada na prática, mas foi importante porque foi sempre pensada. Ainda que em algum sentido tenha sido mais teorizada do que necessariamente seguida…

Nt: Teorizada? Será que se não punha em prática o que se teorizava sobre a emancipação da mulher neste país?

AS: Bom, o que eu quero dizer é que houve muito esforço para emancipar a mulher moçambicana. Muito! Moçambique é provavelmente uma escola grande nisso. Aliás, em termos objectivos, para a África do Sul foi e continua a ser uma grande escola. Com estes esforços que as lideranças moçambicanas fizeram para emancipar as mulheres moçambicanas, muitas saíram do tipo de dominação do género que era considerado normal antes disso, que em alguns locais ainda se considera normal, coisa que nós já passámos. E foi muito bom trabalhar com pessoas como Gita Honwana, por exemplo. Era uma pessoa brilhante, formidável em todos os sentidos, com bom sentimento, com sentido de humor, com inteligência – sobretudo esta –, coragem, com uma alta personalidade. Muito provavelmente, sem essa visão dos líderes moçambicanos da época em que estivemos aqui a lutar pela liberdade na África do Sul não teríamos aprendido de forma muito directa, de forma muito participada, as lições que aqui aprendemos.

Nt: Já citou, algumas vezes, o que chamou sentido cultural dos moçambicanos. É também uma herança positiva dos seus tempos de militante do ANC em Moçambique?

AS: … Sim! Era realmente impressionante aqui a atitude para com as artes e cultura. Vou resumir isso a um compatriota vosso, o Malangatana (falecido em Janeiro). Ao invés de se confinar e seguir formalismos, ele era espontâneo a incitar os outros para as danças, cânticos, etc., sem falar do génio que ele não escondia que era o de pintor. Malangatana sempre disse que eu era muito africano. Cantou e dançou e criou o seu próprio centro cultural em Matalana, mas para ensinar à sua comunidade e aos visitantes, principalmente quando se apercebia que estavam por perto imigrantes. Mas não só em Matalana. Em sua casa no bairro do Aeroporto, onde visitei-o algumas vezes, pintava a cantar, interrompendo para dançar. Mas o que cantava? Música tradicional misturada à operas de Bethoveen, Mozart, ao jazz e à música africana. Esse era o génio moçambicano, como génios são muitos moçambicanos que, espontaneamente, mostrava tudo de cultural que tinha, seja em comícios, seja no centro da cidade e seja nos subúrbios. Para nós, sul-africanos, oprimidos e escondidos, aquilo era o máximo. Quando eu voltei para a África do Sul (já depois do apartheid) havia muito debate sobre o eurocêntrico e afrocêntrico. Mas eu comparava ao que via em Maputo e concluí que aqui sempre foi “peoplecentric”, mesmo tendo um povo diversificado, com origens diversas. Essa experiência serviu para nos iluminarmos com a arte e com a cultura.

Nt: Certamente que algo de negativo lhe terá marcado na sua relação com Moçambique nos tempos em que por cá andou. O que é que não lhe pareceu bem?

AS: A história é o que ela é por causa dos factos e por causa do tempo. Todos nós temos a nossa história. E essa é uma riqueza que não pode ser posta de parte. Aqui em Moçambique, para mim, o aspecto mais importante, e que faltou, era a necessidade de permitir um sistema multipartidário. Confesso que fiquei muito impressionado quando cheguei pela força da Frelimo e vi que ela era única. Apesar de sozinha, o trabalho que fez em prol do país naquela época foi extraordinário. Ninguém diria que se conseguisse tudo o que se conseguiu naquele tempo, mas conseguiu-se. Este país andou muito acima de muitos em África e não só. Mas mesmo assim, faltava um pluralismo político no país. Talvez não se terão apercebido da sua necessidade, mas era de facto uma necessidade para um mundo que se quer evoluído. O monopartidarismo não foi de todo sustentável. Porquê digo isso? Se não existe lugar para a oposição trabalhar legalmente, a oposição cria as suas oportunidades internacionais. Nós reparamos esse erro e foi uma das coisas que fez com que, ao criarmos a nossa Constituição na África do Sul, olhámos para a necessidade de permitir a diversidade e o pluralismo.

Nt: Que reacções houve no seio de vós, militantes do ANC em Maputo e outros fora de Moçambique, quando Samora Machel assinou o Acordo de Nkomati. Nadja Manghezi refere-se a uma “traição”. Foi linearmente assim lida essa opção de Moçambique no seio do ANC?

AS: Foi um momento muito duro. Especialmente quando (o Acordo) foi proclamado como uma vitória. Não era vitória, era uma derrota. Eu lembro-me muito bem que Joaquim Chissano, que naquela altura era ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que não queriam morrer corajosamente. Isto eu entendi. Isto foi uma derrota, foi um “feedback”, mas talvez fosse inevitável. O que era importante era não arcar o sentimento de decepção que estava muito forte dentro do ANC. Não permitir aquele sentimento, não permitir que se alargasse e criasse mais problemas. A liderança do ANC estava muito correcta nessa leitura, como era necessário não atacar e criticar Moçambique, era necessário entender os problemas que, porque, por si e depois de ter feito muito por nós, Moçambique nunca decidiria de ânimo leve abandonar um barco que ajudou a construir. A história tem destas coisas, deixa os factos acontecerem para depois os explicar. Para o caso concreto da nossa relação com Moçambique nada está beliscado, porque, entendemos, não foi fácil tomar aquela decisão, pois o país estava a caminhar mais depressa para o abismo também por causa da coragem que teve em nos apoiar.

Nt: Os sul-africanos entenderam naquele momento ou depois?

AS: O mais importante é que entenderam. A liderança do ANC, mais do que a maioria dos militantes, foi a primeira a entender.

Nt: O que ficou em si depois daquele dia de 1988, em que perdeu o braço e a visão num dos olhos?

AS: Já escrevi um livro inteiro sobre isso (“Soft Vengeance”), por isso não gostaria de me alongar nisso. De qualquer forma, eu lembro-me muito bem do momento de saída. Quando eu cheguei pela primeira vez em Moçambique, eu vi um militar com a sua arma, senti-me cheio de medo, 11 anos depois quando saí, vi um militar assim. Não era a mesma pessoa, mas não queria ver mais arma, pois muitas armas, que o mundo está cheio delas, significam muitos tiros e muitas mortes. Relaciono arma a tudo de mal, incluindo o que me aconteceu, mesmo que elas sejam uma necessidade dos estados. Mas quero ressalvar que a minha experiência moçambicana é riquíssima, valiosa, com muitas lições positivas e negativas, úteis, mas muito mais ricas do que a vivência na Inglaterra, com informações de todo o mundo, com toda a liberdade, etc. Em Moçambique eu vi e vivi as dificuldades da África Austral, mesmo com as perdas físicas que sofri.

Nt: Os mártires da liberdade dos sul-africanos, geração de que faz parte, avaliam o resultado da sua luta com o presente. Sentem, vocês, que o vosso país, hoje, é aquilo com que sonharam, por que lutaram?

AS: Nesse sentido de experiência minha sobre Moçambique era muito importante, porque quando eu voltei à África do Sul depois de 24 anos de exilado encontrei-me com muitos camaradas que se sentiram roubados... Eles estavam sempre à espera de uma revolução no sentido da que vocês tiveram aqui. Eu estava tão satisfeito porque em Moçambique havia uma revolução que foi brilhante, fantástica em muitos sentidos, embora com os problemas que surgiram depois. Houve tanta brutalidade, destruição, raiva em Moçambique. Eu achei que era muito melhor passar para a frente mais lentamente, menos radicalmente, mas mais seguramente. Em linhas gerais eu acho que nós conseguimos isso, embora não se possa falar de uma revolução de transformação total, igualdade para todos, etc., porque para nós não foi isso. Mas na África do Sul houve avanços muito reais, visíveis. Fizemos isso pacificamente, essencialmente. Através do diálogo, através de falar conseguimos integrar dois, três, quatro exércitos que estavam a lutar uns contra os outros, mas conseguimos juntá-los em um único exército. Conseguimos transformar – não escangalhar – mas, transformar as instituições do Estado sem criar desfuncionamento. Estamos num país em que as eleições acontecem de cinco em cinco anos e ninguém duvida, são livres e bem organizadas. O nosso Presidente sai depois de no máximo dirigir o país por 10 anos. Aqui é a mesma coisa. Mas, no continente africano isso não é automático. Temos uma imprensa muito aberta, muito forte, que não tem dificuldades em ser crítica, e até às vezes tem críticas muito fortes.

(Entrevista conduzida por Gil Filipe)

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