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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Moçambique/Mbuzini: Governo quer participar na gestão do monumento

17 de Agosto de 2015, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

A gestão do Monumento de Mbuzini, em Mpumalanga, África do Sul, erguido em homenagem ao primeiro Presidente da República de Moçambique, Samora Moisés Machel, deve ser também da responsabilidade do Governo do nosso país, segundo expressou o Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro.

Dunduro visitou aquele local na sexta-feira, no quadro de um périplo que está a efectuar aos monumentos que evocam a memória de alguns heróis nacionais. Em Mbuzine, a 19 de Outubro de 1986 o avião em que viajava o antigo Presidente Samora Machel despenhou-se em Mbuzine matando 33 das 40 pessoas a bordo. Depois do fim do regime do apartheid foi erguido no local um monumento em homenagem ao estadista moçambicano, que também é herói da luta pela paz numa África Austral que na década de 80 estava em constante ameaça do regime belicista e racista sul-africano.

Para o titular da pasta da Cultura e Turismo, o monumento de Mbuzine

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Moçambique/PR no adeus ao general José Moiane: Choramos a partida de um combatente corajoso

24 Fevereiro 2015, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)


“Este é o momento em que choramos a partida sem regresso de um homem que foi um combatente inquestionável pela liberdade”, estas foram as primeiras palavras proferidas pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, durante velório do general na reserva, José Moiane, cujos restos mortais foram ontem a depositar na cripta da Praça dos Heróis Moçambicanos, na capital do país.

“Choramos a partida de um comandante corajoso, de um governante determinado, de um conselheiro”, enalteceu ainda o Chefe do Estado no

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Brasil/Graça Machel: NOSSO DEVER É HONRAR O LEGADO DE ZUMBI E DE MANDELA

25 novembro 2014, Vermelho htt p://www.vermelho.org.br (Brasil)
A 12ª edição do Troféu Raça Negra aconteceu nesta segunda-feira (24), na Sala São Paulo, região central da capital paulista. O evento que premia as personalidades que foram destaque em 2014 e homenageou o líder e símbolo da luta contra a segregação racial Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, felecido em 2013. Sua esposa e também ativista da luta por direitos das mulheres e crianças, Graça Machel, recebeu a homenagem.


Aplaudida de pé, Graça emocionou a plateia ao falar do líder sul-africano. “Quero trazer a voz dele esta noite”, afirmou ela, destacando a trajetória de luta de Mandela que dedicou a sua vida em defesa de uma sociedade democrática e igualitária. Ela citou uma frase de Mandela que sintetiza o compromisso do lídel suk-afircano: “Lutei contra a dominação branca e a dominação negra. Espero viver e ver realizado meu ideal. Se necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer”.

Ela ressaltou que

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Moçambique/Graça Machel e Luisa Diogo distinguidas personalidades africanas femininas



31 julho 2013, Radio Moçambique http://www.rm.co.mz

As personalidades africanas femininas com projecção internacional do momento foram distinguidas segunda-feira, em Luanda, pela Organização da Mulher Angolana (OMA), durante uma palestra inserida nas comemorações do Dia da Mulher Africana, que se assinala hoje (quarta-feira), 31 de Julho.

Dentre essas figuras destacam-se Nkosazana Dlamini-Zuma, antiga responsável do ANC da África do Sul e actual presidente da Comissão da União Africana,

sexta-feira, 17 de maio de 2013

África do Sul/CONTRATOS INJUSTOS QUEBRAM ECONOMIA AFRICANA



15 de Maio, 2013, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao

África perde, a cada ano,  38 mil milhões de dólares (3,8 triliões de kwanzas) a favor de empresas estrangeiras em contratos injustos para a exploração de recursos naturais, refere um relatório divulgado pelo ex-secretário geral da ONU Kofi Annan.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Moçambique/Sobre a morte de Samora Machel : Descoberta da verdade continua prioridade nacional

20 de Outubro de 2008, Notícias

A desoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Machel continua a ser prioridade da nação moçambicana, estando o Estado determinado a utilizar todos os meios ao seu alcance para esclarecer, em definitivo, as circunstâncias em que ocorreu o acidente aéreo de Mbuzini.

Num comunicado distribuído à Imprensa por ocasião da passagem, ontem, do 22º aniversário do desaparecimento físico de Samora Machel, a Presidência da República refere a remissão de um dossier sobre a matéria à Procuradoria-Geral da República (PGR), com vista a imprimir nova dinâmica às investigações iniciadas logo após a ocorrência do sinistro.
De acordo com o comunicado, o referido dossier foi remetido à PGR em Maio do corrente ano, sendo que em Junho o Chefe do Estado foi notificado sobre a constituição de uma equipa de investigação encabeçada pelo Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, para trabalhar no assunto.
Após a queda do regime do `apartheid´ na África do Sul, em cujo território se despenhou o avião presidencial que vitimou Samora Machel e seus 33 acompanhantes, o Governo moçambicano entregou o dossier sobre o assunto ao então presidente sul-africano, Nelson Mandela, aquando da sua primeira visita oficial a Moçambique, em Julho de 1994, na perspectiva de ver assegurada a continuidade das investigações realizadas até então.
Na verdade, segundo indica o comunicado, antes do fim do `apartheid´ Moçambique sempre prosseguiu com as investigações ao seu nível e de acordo com as suas capacidades, nomeadamente através de instituições especializadas, tendo faltado sempre a colaboração das autoridades sul-africanas.
Em Maio de 1987, sete meses após a morte de Samora Machel, o Bureau Político do partido Frelimo produziu um comunicado oficial no qual dava conta do estágio das investigações e reiterava a necessidade da sua continuidade, com vista a identificar a localização e natureza da falsa rádio ajuda (VOR) que levou o avião presidencial a efectuar um desvio na sua rota para Mbuzini e não Maputo, que era o seu destino.
Para tal, o Bureau Político da Frelimo solicitou a colaboração das autoridades sul-africanas, que, entretanto, nunca chegaram a responder sequer ao pedido formal e oficial da sua colaboração.
O acidente que vitimou o Presidente moçambicano ocorreu numa altura em que o então regime racista do "apartheid" protagonizava acções de agressão e de desestabilização contra os países da região austral de África, além de ameaçar pessoalmente o próprio Presidente Samora Machel, como foi largamente reportado na Imprensa.
O comunicado da Presidência da República acrescenta que o ambiente político prevalecente na região austral de África, associado à atitude de total despreocupação no socorro das vítimas que se seguiu à queda da aeronave, despoletou sérias interrogações sobre as causas do acidente. Este conjunto de factos, acrescenta o comunicado, conduziu à forte suspeita de envolvimento da África do Sul na tragédia.
Foi com o objectivo de se proceder a um inquérito sobre as causas que levaram à queda da aeronave que o então Bureau Político do Comité Central do Partido Frelimo, a Comissão Permanente da Assembleia Popular e o Conselho de Ministros constituíram, imediatamente a seguir ao acidente, uma comissão nacional de inquérito que, juntamente com as comissões da ex-União Soviética e da África do Sul, assistidas por peritos da ICAO, integraram, mais tarde, a comissão internacional de inquérito.
O relatório desta comissão, segundo o comunicado da Presidência da República, destaca, nas suas conclusões, que na aproximação ao que a tripulação do avião pensava ser o aeroporto de Maputo, a aeronave não seguiu nenhuma trajectória que correspondesse a alguma rádio-ajuda legalmente conhecida. Este relatório, bem como vários outros produzidos pela comissão nacional de inquérito, foram largamente divulgados pela Comunicação Social.
Samora Machel perdeu a vida quando regressava a Maputo de mais uma missão de paz para a África Austral. No dia do fatídico acidente, Samora estivera reunido em Mbala, na Zâmbia, com os presidentes de Angola, José Eduardo dos Santos, do Zaire, Mobutu Sesse Seko, e do país anfitrião, Kenneth Kaunda. Com Samora Machel perderam a vida outros 33 cidadãos nacionais e estrangeiros que o acompanhavam.

Moçambique/Samora terá sido assassinado - crença de Graça Machel

21 de Outubro de 2008/Notícias

A viúva do primeiro Presidente moçambicano, diz que tem mais evidencias agora de que o seu marido terá sido assassinado, dado que, segundo ela, conseguiu falar já telefonicamente com alguém que diz ter estado em Mbuzini com a missão de `abater´ o avião em que viajava Samora Moisés Machel, `caso falhasse o Plano A do assassinato´.

Samora Machel morreu num trágico acidente de aviação, ocorrido a 19 de Outubro de 1986, na localidade sul-africana de Mbuzini, junto à fronteira entre Moçambique e a África do Sul, quando regressava da Zâmbia numa missão de paz para a região. Na ocasião, outros 33 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, também perderam a vida.
Em declarações que fez à Televisão de Moçambique (TVM), por ocasião da passagem domingo do 22º aniversário da morte trágica de Samora Machel, Graça Machel disse que já há pessoas que sabem (das circunstâncias da morte de Machel), mas o que falta é elas aceitarem que sejam testemunhas em tribunal.
`Este é que é o problema, (porque) sem evidências não pode haver julgamento´, afirmou, acrescentando que `não é difícil ir ao fundo da verdade, (mas) o problema é encontrar alguém disposto a testemunhar em tribunal´.
Graça Machel voltou a reiterar que não vai descansar enquanto não forem esclarecidas as circunstâncias da morte de Samora Machel.
Como sempre quando fala da morte trágica do seu marido, Graça Machel vincou, uma vez mais com muita emoção, que `22 anos depois do assassinato, não se sabe o que aconteceu com ele´, acrescentando que `Samora tinha muito boa saúde´.
`Ele era rijo, com 53 anos´, vincou visivelmente amargurada, para depois acrescentar que `ainda hoje, quando nos sentamos à volta da mesa, falta aquela gargalhada´. `As pessoas não pensam nisso´, referiu, insistindo que ao menos se a família soubesse o que aconteceu com o seu ente querido.
Em comunicado de Imprensa emitido por ocasião de 19 de Outubro, a Presidência da República reafirma a determinação do Estado moçambicano em utilizar todos os meios necessários para o esclarecimento definitivo das circunstâncias em que ocorreu aquele sinistro.
`A descoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Moisés Machel foi e continua a ser uma prioridade da Nação moçambicana´, lê-se no comunicado.
O legado deixado por Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, permite que o seu povo avance na promoção do desenvolvimento económico e social. Machel incutiu em cada moçambicano o espírito de unidade nacional e os nobres ideais de paz, segundo disse ontem, na Beira, António Máquina, Secretário Permanente da província de Sofala.
Falando na praça dos heróis moçambicanos, tal como outros dirigentes que desfilaram para falar da vida e obra de Samora Machel, o secretário permanente de Sofala destacou a educação que foi amplamente defendida pelo Marechal.
Para Máquina, um dos grandes desafios de Samora Machel foi libertar o povo e a pátria e, em seguida, defender a soberania. `Ele decidiu que se deve fazer da educação a base para o povo tomar o poder, e sabia que não se deve fazer o desenvolvimento sem a educação´, sublinhou Máquina.
O Secretário Permanente de Sofala, que anunciou um vasto leque de ensinamentos de Samora, disse ainda que o falecido estadista promoveu a alfabetização para permitir que as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar devido à acção dos colonialistas o fizessem permitindo a sua participação no desenvolvimento do país.
Por seu turno, Cremilda Sabino, representante do Estado na cidade da Beira, também dissertou sobre os vários feitos de Samora Machel, os quais classificou de imensuráveis, para além de defender o seguimento do seu legado.
Apelou à população no sentido de lutar para vencer os desafios do futuro, entre os quais a luta contra a pobreza, que inclui o combate às doenças endémicas.
Alexandre Vasco, representante do presidente do município da Beira, aproveitou a oportunidade para exigir ao Governo para acelerar a investigação com vista a apurarem-se as causas da morte do Presidente Samora Machel e indicar os mandantes do seu assassinato. Disse que depois de se conhecerem os resultados desta investigação, os responsáveis devem ser levados ao Tribunal para serem severamente castigados de acordo com as leis existentes no país.
Samora Machel foi um líder bastante impermeável para actos ilícitos. Segundo Eneas Comiche, membro da Comissão Política da Frelimo que dirigiu a homenagem ao primeiro Presidente da República moçambicano, Samora era incorruptível e todos erros ou irregularidades cometidos por agentes do Governo eram repreendidos publica e imediatamente, pois para ele não havia nada a esconder.
De acordo com aquele responsável do partido no poder, o primeiro presidente do Estado Moçambicano foi um visionário cuja vitalidade e determinação eram atingir uma independência total e completa do país, não só das sequelas do colonialismo português, mas sobretudo erguer-se do subdesenvolvimento.
`O combate à pobreza absoluta, tarefa que a Frelimo persegue, foi identificado pelos primeiros líderes do país.
O Plano Prospectivo Indicativo (PPI) foi desenhado para liquidar a pobreza´, esclareceu Comiche para quem todas acções em curso na implementação da estratégia da `revolução verde´ bem como na política de atribuição de sete milhões de meticais para gestão a nível do distrito inserem-se no sonho da Frelimo cujos líderes sempre se preocuparam com o bem-estar de todos moçambicanos, havendo por isso necessidade de todos, principalmente jovens, se inspirarem nos ideais de Samora para a concretização dos seus objectivos.
Comiche elogiou a Imprensa no papel que desempenha para o resgate da história do país, ao passar mensagens dos acontecimentos que marcaram a construção do Estado Moçambicano situação que, segundo disse, contribui para a educação intelectual das novas gerações, bem como na imortalização da história de um povo.
Eneas Comiche, que é também presidente do Conselho Município da capital do país, trabalhou na província de Inhambane na qualidade de membro da Comissão Política da Frelimo e visitou alguns locais na cidade de Inhambane.
Aqui participou no concorrido comício popular orientado pelo Governador da província, Itae Meque, realizado junto à Praça dos Heróis.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Moçambique/Samora imortalizado no seu 75º aniversário natalício

30 setembro 2008/Notícias

Os sonhos de Samora Machel já estão a tornar-se realidade, contrariando a expectativa daqueles que ao o eliminarem fisicamente e tentaram eliminar as causas que defendia. O facto foi defendido ontem pelo Presidente da República, Armando Guebuza, na homenagem ao primeiro Presidente de Moçambique independente, que, se vivo, completaria ontem 75 anos de vida. As comemorações tiveram lugar na aldeia natal de Machel, em Chilembene, recentemente declarado património cultural.

Segundo o Chefe do Estado, que falava perante centenas de pessoas idas de vários pontos das províncias de Gaza e Maputo para testemunhar a homenagem a Samora Machel, 22 anos após a sua fatídica morte no acidente aéreo de Mbuzine, na África do Sul, hoje em dia o nosso país tem escolas, universidades onde estudam milhares de alunos, tem unidades sanitárias e mais pessoal de Saúde e está a ser estendida a rede de estradas, de energia e de telecomunicações a muitos pontos.

Indicou ainda que o Zimbabwe, a Namíbia e a África do Sul estão hoje sob governos de maioria, livres do racismo e do "apartheid". Estes países dão hoje o seu valioso contributo ao processo de aprofundamento da cooperação regional na SADC. O Chefe do Estado indicou que a materialização dos sonhos de Samora resulta do facto de que ele sabia partilhar o seu sonho e galvanizar para o efeito a direcção da FRELIMO e o povo moçambicano.

Recordou que o estatuto de património cultural recentemente atribuído a Chilembene tem a ver com os feitos de Machel, herói que proclamou a independência nacional e que foi o primeiro Chefe de Estado do Moçambique.

"O Presidente Samora era um homem de grandes virtudes. Um filho orgulhoso dos seus pais, da sua família alargada e da sua terra natal, um pai atencioso e amigo dos continuadores, um estratega para os grandes desafios da nação, um estadista preocupado com as condições de vida do seu povo e um internacionalista que queria ver todos os povos a gozarem dos seus direitos e liberdades", disse, para depois acrescentar que "um homem desta estatura não termina em si mesmo: ele começa em si mesmo e mistura-se com os ideais do seu povo. Torna-se imortal e uma referência obrigatória no nosso quotidiano".

Graça Machel, viúva de Samora, disse, por sua vez, que entendia a homenagem como sendo parte das actividades que têm vindo a ser levadas a cabo no país para revisitar a história, que incluiu as recentes celebrações dos 40 anos do II Congresso da FRELIMO, realizadas em Matchedje, Niassa.

Defendeu que os moçambicanos têm que ter orgulho da sua história para vencer os desafios do futuro.

Foi uma cerimónia carregada de emoção e simbolismo. A mesma começou logo pela manhã, com a chegada do Chefe do Estado ao aeródromo de Chilembene, donde rumou para a aldeia natal de Samora. Neste local, Guebuza, acompanhado da esposa e da família Machel, depôs uma coroa de flores no cemitério familiar e também no monumento erguido em memória daquele estadista. Todas as mensagens apresentadas na ocasião reafirmam a verticalidade, heroicidade e princípios nobres de Samora.

Ainda no quadro das celebrações dos 75 anos do nascimento de Samora Machel, estão a ser plantadas em todo o país 75 árvores em escolas seleccionadas.

Hoje o Chefe do Estado inicia a sua presidência aberta na província de Gaza, devendo escalar sucessivamente os distritos de Mabalane, Massingir, Guijá, Chókwè e Macia, onde vai visitar empreendimentos económicos e sociais e dialogar com as populações e operadores económicos locais. (Osvaldo Gemo)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Moçambique/Xenofobia: Graça Machel responsabiliza excesso de imigrantes ilegais na África do Sul

Maputo, 10 junho 2008 - A presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, considerou hoje (terça-feira) "insuportável" o excessivo número de imigrantes ilegais na África do Sul, responsabilizando esse êxodo de estrangeiros pela onda de xenofobia naquele país.

Mais de 60 estrangeiros foram mortos nos ataques contra estrangeiros na África do Sul, que eclodiram no início da segunda semana de Maio, e forçaram também à fuga de milhares de estrangeiros para centros de acolhimento naquele país e para estados vizinhos.

Falando hoje em Maputo num encontro sobre as causas da xenofobia na África do Sul, que reúne diversas organizações da sociedade civil da África Austral, Graça Machel, viúva do primeiro chefe de Estado moçambicano, Samora Machel, e actual mulher do primeiro Presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, afirmou que "a África Austral está a sangrar", devido à intolerância xenófoba na África do Sul.

Realçando que "nenhum país suportaria a entrada de repente de quatro milhões de imigrantes ilegais", que fugiram da grave crise económica e política no Zimbabwe para a África do Sul, Graça Machel afirmou que "a entrada de muitos estrangeiros pobres neste país tornou as condições de vida mais desumanas do que já eram para a própria população pobre sul-africana, levando à rejeição dos estrangeiros e à onda de ataques xenófobos".

"De repente, acordámos chocados e admirados, sem podermos reagir com a cabeça, mas com emoção, a uma onda de ódio, a uma onda de rejeição, de intolerância e mesmo de brutalidade", sublinhou Machel.

A abolição de vistos entre a África do Sul, o país mais forte economicamente em África, e a maioria dos estados da África Austral, incluindo Moçambique, também fez disparar o número de estrangeiros que procuram melhores condições de vida naquele país, tornando mais feroz a concorrência com os nacionais pelo emprego e acesso aos programas de reinserção social das comunidades pobres naquele país, acrescentou a presidente da FDC, uma das vozes mais respeitadas em África.

Entretanto, uma representante da comunidade de imigrantes moçambicanos na África do Sul, Laura Chambisse, disse hoje em Maputo que cerca de 35 corpos de moçambicanos mortos na sequência da violência xenófoba na África estão ainda por reclamar em hospitais sul-africanos, apesar de oficialmente apenas 17 moçambicanos terem morrido na onda de ataques aos estrangeiros.

Chambisse deu essa informação à chegada de dois cadáveres de moçambicanos assassinados na África do Sul, elevando para nove o número de vítimas já transladadas para o país, na sequência da perseguição aos estrangeiros naquele país. (AngolaPress)