19 agosto 2013, ODiário.info
http://www.odiario.info (Portugal)
Apesar de todas as dificuldades subjectivas,
vivemos um tempo de fim de ciclo, respira-se um ambiente de imperiosa
necessidade de superação de uma formação económico-social velha, caduca, por
uma outra nova. A realidade não está inerte, movimenta-se no sentido da superação
dos antagonismos estruturais do capitalismo, como o demonstra o aprofundamento
da sua crise estrutural, agora chegando a todos os rincões da Terra, o que não
acontecia na crise de 1929.
A recente agudização da crise
política em Portugal, despoletada pelas demissões de Vítor Gaspar (1 de Julho)
e de Paulo Portas no dia seguinte, demonstrou a incapacidade do PSD, PS e CDS
apresentarem soluções para enfrentar a crise sistémica do capitalismo; que o
Presidente da República se deixou capturar pelo PSD e aceita, passivamente, o
papel de “verbo-de-encher” do governo de Passos Coelho; o primarismo dos
comentários e comentadores políticos nos órgãos de comunicação social
portugueses ditos de referência que, como habitualmente, fugiram das questões
essenciais para se aterem à dissecação do jogo de intriga política e pessoal.
A insaciabilidade da banca, a
destruição da economia, o desemprego, a extrema degradação das condições de
vida da classe trabalhadora, particularmente dos reformados, os 4 mil mortos a
mais no 1º semestre deste ano em relação a período idêntico de 2012 agora
noticiado, a degradação do Serviço Nacional de Saúde, a perda generalizada de
direitos sociais e laborais são tratados nos meios de comunicação social como
sectores estanques, como se não fossem parte da longa e feroz ofensiva global
do grande capital contra a classe trabalhadora.
A questão das políticas de classe,
os interesses comuns que os três partidos da política de direita defendem,