25 abril
2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
Os gelados dias do mês de abril, primavera em Portugal, ajudam a
perceber a importância que tem para os portugueses o 25 de abril, registrado no
calendário como o Dia da Liberdade, estabelecido há 40 anos, em 1974. É a data
da Revolução dos Cravos, o grito de basta contra a ditadura de Antônio Salazar,
mantida no País por quase 50 anos, apesar da doença e morte do ditador, em
1970.
Por Washington José de Souza Filho*
Por diversos motivos, mas sem o mesmo sentido daquele
dia, os portugueses ainda saem às ruas nesta data. Há, por certo, um sentimento
do que poderia ter sido o País, com o fim da ditadura, estabelecida pela ação
de militares portugueses, predominantemente, do Exército. É uma evocação,
destacada, principalmente, através de diversas publicações, lançadas ao mercado
neste momento.
Uma boa parte é reedição – como Alvorada de Abril,
de Otelo Saraiva de Carvalho, o comandante operacional da ação dos militares,
major à época. A nova edição é numerada, um total de 1974 exemplares – uma
óbvia referência ao ano da Revolução. O que comprei tem o número 923. Os livros
ajudam a encontrar uma referência que é uma marca da Revolução dos Cravos, a
música. Uma delas é especifica sobre a música, e os seus autores: Os cantores
de abril, editada, pela primeira vez, em 2000, à venda neste 25 de abril, na
compra de um exemplar de Público, jornal portugês.
Entre as reedições publicadas, uma é o livro Livra-te do medo. Uma biografia do
músico Zeca Afonso, de autoria do jornalista José A.Salvador. Zeca Afonso é o
autor de Grândola,vila morena - -, a música-senha para o início da ação dos
militares – gravada no disco Cantigas de Maio, de 1971.
A música, na verdade, serviu como uma segunda senha, para que as tropas fossem
para as ruas. E, reconhecidamente, um hino à libertação, para os portugueses.
Para não despertar a reação dos que ainda apoiavam o regime português, a opção
escolhida pelos militares para anunciar o início da movimentação foi