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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

CPLP, Portugal/Museu de Salazar, NÃO!


29 agosto 2019, Página Global (Portugal) https://paginaglobal.blogspot.com/

Helena Pato, Jornal Tornado

Esclarecimentos

I
No sítio da CMSCD está bem clara a intenção da autarquia de fazer um museu com o espólio do ditador (comprado ao sobrinho pelo autarca) e o equipamento escolar da época…Esse é o MUSEU DE SALAZAR, tão ansiado pela família fascista portuguesa e estrangeira.

II
Eu não sou contra um Centro Interpretativo do Estado Novo em Alpiarça ou em Monchique ou em Viana do Castelo. Ou em mil e outros locais. Repudio veementemente a sua localização na terra do Ditador, porque vai transformar-se num lugar de peregrinações de fascistas.

III
Serei só eu, ou ainda ninguém soube, pela boca dos próprios, quem são os historiadores que estão associados ao tal Centro, propagandeado pelo Presidente da Câmara de Santa Comba, em pré campanha eleitoral? Há um silêncio algo significativo

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Mercosul, Brasil/"O bolsonarismo é o neofascismo adaptado ao Brasil do século 21"


3 agosto 2019, Resistir.info (Portugal) https://www.resistir.info/brasil/loff_29jul19.html

por Manuel Loff
entrevistado por Ricardo Viel
A Pública (Brasil)

Manuel Loff tinha nove anos quando um grupo de capitães e soldados portugueses, cansados de serem mandados à África para uma guerra sanguinária contra os movimentos de libertação das colônias, derrubou uma ditadura que já durava 41 anos – a mais longeva da Europa. A lembrança mais viva que tem daquele dia 25 de abril de 1974, quando a Revolução dos Cravos colocou fim ao regime salazarista (fundado por António de Oliveira Salazar), é do irmão, que tinha 14 anos, bêbado, a gritar: "Já não vou para a guerra!".

Há pouco tempo uma amiga de infância fez Loff recordar que com 10 anos ele escreveu e dirigiu uma peça de teatro para ser encenada pelos colegas da escola. O tema era os últimos dias de Hitler no bunker. "A mim próprio me surpreende, não sei como cheguei até lá com essa idade", confessa. Quando era criança, o pai lhe contava histórias sobre a Guerra Civil Espanhola. Ainda garoto, ia a bibliotecas tomar emprestados livros sobre as Grandes Guerras e

terça-feira, 28 de abril de 2015

Portugal/ATÉ À VITÓRIA FINAL

25 , Consciência Visceral https://conscienciavisceral.wordpress.com (Portugal)



A cada 25 de Abril que passa, se olho para trás e vejo os anos e anos de luta contra o fascismo e contra a burguesia que o ergueu e o sustentava, não sei ser politicamente correcto. Não sei ser simpático e ver o lado positivo. Não sei contentar-me. Não sei achar que tudo correu como o previsto. A cada 25 de Abril que passa, penso sempre: «não foi para isto».

Homens e mulheres morreram, foram presos e torturados, foram forçados ao exílio, impedidos de exercer a sua profissão, de escrever os seus livros, de falar em público, de criar e de pensar, durante 48 anos. O seu sofrimento foi atroz. Ouvir as histórias de luta e heroísmo de tantos deles, sentir na nossa pele por empatia a descrição das sevícias, das amarguras, das dores e das crueldades, recorda-nos insensivelmente que não foi para que um dia os seus filhos e netos pudessem falar livremente – mas trabalhassem a recibo verde; pudessem fazer manifestações (usualmente…) sem medo da polícia – mas não pudessem sair de casa dos pais; pudessem organizar-se em associações, sindicatos, pudessem reunir-se sem pedir autorização, pudessem escrever

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Angola/MEMÓRIA DO ASSALTO À CASA RECLUSÃO

4 fevereiro 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Adalberto Ceita

Integrante do “Processo dos 50”, José Diogo Ventura, à semelhança de outros companheiros de luta na clandestinidade, encontrava-se preso quando foi desencadeado o ataque às cadeias dos colonialistas na madrugada do dia 4 de Fevereiro de 1961.

Em declarações ao Jornal de Angola, disse que aquele acto conduziu à Proclamação da Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975. Depois daquele acto de heroísmo e outros que se seguiram em períodos relativamente próximos, o regime colonial foi forçado a alterar a sua política em relação a Angola.

Aos 85 anos, e grande parte da vida dedicada à luta anti-colonial, o que levou a passar dez anos na prisão, divididos entre a  Casa da Reclusão e o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, José Diogo Ventura não hesita em considerar que o regime colonial

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Portugal/1974: “25 DE ABRIL, A FOTOGRAFIA SAIU À RUA” E “OS COMUNICADOS DO 25 DE ABRIL” *

*Título de Mercosul & CPLP

25 DE ABRIL, A FOTOGRAFIA SAIU À RUA
25 abril 2007, Instante Fatal http://instantefatal.blogspot.com (Portugal)


GRÂNDOLA, VILA MORENA
Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

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Portugal/ 1974: OS COMUNICADOS DO 25 DE ABRIL
Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra http://www1.ci.uc.p (Portugal)

(O M. F. A. ATRAVÉS DO RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS)

Antes das 4 h
Aqui (Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa

Portugal/MENSAGEM DA ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL POR OCASIÃO DO 40º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO CONTRA O REGIME FASCISTA*

25 abril 2014, Associação 25 de Abril http://www.25abril.org (Portugal)

*Título de Mercosul & CPLP

Passados 40 anos depois da madrugada que deu origem a “o dia inicial inteiro e limpo/onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo” qual o tempo que hoje nos é dado?

Cada dia que passa, assistimos à destruição do positivo que foi construído, em resultado da acção libertadora de há 40 anos!

O país está vendido, em grande parte e a pataco, ao estrangeiro!

A emigração de muitos portugueses consuma-se, levando consigo muito do saber e da capacidade indispensáveis à desejada recuperação de Portugal!

Portugal/O AJUSTE DE CONTAS COM O 25 DE ABRIL

24 abril 2014, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

Por que são os tempos tão escuros. Que os homens não se conhecem uns aos outros.
Mas os governos mudam. De mal a pior, como se vê? O tempo passado era bem melhor.
Que reina? A aflição e o desgosto. A justiça e a lei não se aplicam
Poema de Eustache Deschamps (1340-1406) [1]

por Daniel Vaz de Carvalho


Não tenham ilusões meus senhores acerca do vosso papel. Os senhores não são mais que uma reação e nem sequer tendes a gloríola de a ter provocado. (…) Compreenderam claramente que essas liberdades não podem exercer-se senão em detrimento da vossa situação pessoal.
O Drama de João Barrois, Roger Martin du Gard, Ed Ulisseia, p. 332 e 333.

1 - QUEM NÃO QUER SER FASCISTA NÃO LHE VESTE A PELE

Eis um ditado que se aplica ao neoliberalismo e portanto à política do governo PSD-CDS. O branqueamento do fascismo está bem expresso nas palavras de Passos Coelho ao considerar que o PSD é o herdeiro da "ala liberal" da Assembleia Nacional fascista. Ou então nas de Durão Barroso sobre o "regime anterior" (sic) considerando que "apesar de algumas liberdades cortadas", "havia na escola uma cultura de mérito, dedicação e trabalho". A exclusão social, a baixíssima taxa de escolaridade, elevado analfabetismo, perseguições a professores e estudantes, passam a "cultura de mérito".

Quando a ministra das Finanças diz que não vamos voltar ao país que tínhamos, expressa o ajuste de contas com o 25 de Abril. O primeiro-ministro fala da nova "normalidade". A normalidade da recessão e estagnação económica, do subemprego, da precariedade, do empobrecimento, da desigualdade crescente, dos salários de miséria, da arbitrariedade patronal, do fim do "Estado Social".

Normal é, pois, os sucessivos Orçamentos de Estado serem anticonstitucionais. Normal é governar contra a Constituição, mentir no que se promete e não haver

Portugal/ABRIL VIVE ABRIL VIVERÁ

25 abril 2014, Partido Comunista Português Avante! EDITORIAL http://www.avante.pt (Portugal)

Comemoramos esta semana os 40 anos desse acontecimento maior da nossa história, o 25 de Abril de 1974. Dia em que um levantamento militar logo seguido de um levantamento popular, culminando uma prolongada e heroica luta antifascista, punham fim à mais longa ditadura fascista da Europa. 48 anos de terror que tolheram o desenvolvimento do País, comprometeram a nossa soberania e independência nacionais, colocaram as alavancas da nossa economia nas mãos de grandes monopolistas e latifundiários, foram responsáveis por uma das maiores vagas de emigração da nossa história, conduziram a uma guerra colonial em três frentes com muitos milhares de mortos e feridos dos dois lados, deixaram um imenso rasto de miséria, atraso, obscurantismo e isolamento.

Vários factores fundamentais intervieram nesta viragem, como reconhecia Álvaro Cunhal, em entrevista a L'Humanité em 29.04.1974: «a crise interna do regime fascista, as consequências económicas, sociais e políticas da guerra colonial, o isolamento e condenação internacional do fascismo e do colonialismo português, os êxitos dos movimentos de libertação na Guiné-Bissau, em Moçambique e Angola e o grande ascenso da luta do povo português».

Gloriosa data em que um povo, que muitos diziam despolitizado, apático e conformado, invadia as ruas e os campos, e, lado a lado com os militares do MFA,

MÚSICA PARA PENSAR PORTUGAL E BRASIL PÓS REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

25 abril 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Os gelados dias do mês de abril, primavera em Portugal, ajudam a perceber a importância que tem para os portugueses o 25 de abril, registrado no calendário como o Dia da Liberdade, estabelecido há 40 anos, em 1974. É a data da Revolução dos Cravos, o grito de basta contra a ditadura de Antônio Salazar, mantida no País por quase 50 anos, apesar da doença e morte do ditador, em 1970.

Por  Washington José de Souza Filho*

Por diversos motivos, mas sem o mesmo sentido daquele dia, os portugueses ainda saem às ruas nesta data. Há, por certo, um sentimento do que poderia ter sido o País, com o fim da ditadura, estabelecida pela ação de militares portugueses, predominantemente, do Exército. É uma evocação, destacada, principalmente, através de diversas publicações, lançadas ao mercado neste momento.
 
Uma boa parte é reedição – como Alvorada de Abril, de Otelo Saraiva de Carvalho, o comandante operacional da ação dos militares, major à época. A nova edição é numerada, um total de 1974 exemplares – uma óbvia referência ao ano da Revolução. O que comprei tem o número 923. Os livros ajudam a encontrar uma referência que é uma marca da Revolução dos Cravos, a música. Uma delas é especifica sobre a música, e os seus autores: Os cantores de abril, editada, pela primeira vez, em 2000, à venda neste 25 de abril, na compra de um exemplar de Público, jornal portugês.

Entre as reedições publicadas, uma é o livro Livra-te do medo. Uma biografia do músico Zeca Afonso, de autoria do jornalista José A.Salvador. Zeca Afonso é o autor de Grândola,vila morena - -, a música-senha para o início da ação dos militares – gravada no disco Cantigas de Maio, de 1971.



A música, na verdade, serviu como uma segunda senha, para que as tropas fossem para as ruas. E, reconhecidamente, um hino à libertação, para os portugueses.

Para não despertar a reação dos que ainda apoiavam o regime português, a opção escolhida pelos militares para anunciar o início da movimentação foi

Portugal/LA ILUSIÓN DE LOS CLAVELES ANTE EL DIKTAT DE LA TROIKA

25 abril 2014, Gara http://www.naiz.info (Euskal Herria, País Basco)

La conmemoración del 40 aniversario de la «última revolución del siglo XX» en Europa llega a Portugal condicionada por tres años de sometimiento a las políticas de la Troika. En términos económicos, los ajustes han degradado las condiciones de vida. En política, la soberanía permanece secuestrada en manos de las instituciones financieras internacionales. «Grandola Vila Morena» es ahora un símbolo contra las medidas de austeridad.

Alberto Pradilla Lisboa

Pasaban unos minutos de la medianoche del 25 de abril de 1974 y Radio Renascença, una emisora católica portuguesa, daba la primera señal: la emisión de ``Grandola Vila Morena'', canción vetada por la dictadura, suponía la llamada acordada por el Movimiento de las Fuerzas Armadas (MFA) para levantarse contra el «Estado novo», el régimen fascista inaugurado en 1926. Aquel fue el punto de partida de una revolución incruenta y popular, que quedaría retratada como un clavel en la boca de un fusil pero que no solo quiso tumbar las estructuras impuestas por Antonio de Oliveira Salazar, el dictador muerto cuatro años antes, sino que abrió las perspectivas para un cambio mucho más profundo.

No se trataba solo del derecho al voto, sino que los denominados «capitanes de abril», encabezados por Otelo Saravia de Carvalho, llegaron a ver la posibilidad de una «vía portuguesa al socialismo», con medidas radicales de nacionalización de empresas y ampliación de los derechos sociales. No pudo ser. O, al menos, la idea original no llegó a completarse. Cuatro décadas después, son los mercados quienes imponen su ley en Portugal. Desde 2011, cuando la Troika (Comisión Europea, Banco Central Europeo y Fondo Monetario Internacional) aprobó un rescate de 78.000 millones de euros, la democracia es un concepto relativo, condicionado al pago de los intereses de la deuda. Además, garantías como la Seguridad Social, las pensiones o la educación y la sanidad públicas son desmanteladas por las obligaciones contraídas ante las instituciones financieras internacionales. Al mismo tiempo que las calles de Lisboa se engalanan con imágenes en blanco y negro de soldados y claveles y los festejos oficiales conviven con marchas reivindicativas más acordes con el espíritu de abril de 1974, los periódicos lusos llevan a portada los nuevos recortes propuestos por el FMI: rebaja del salario mínimo, reducción de las compensaciones por despidos ilegales y la eterna advertencia de que las jubilaciones no se

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O ASSALTO À RAZÃO EM PORTUGAL



5 maio 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


A comunicação ao país do Primeiro-ministro, no dia 3 de Maio, empurrou ainda mais Portugal para a beira do abismo. O conteúdo da mensagem confirma a incompetência e a irracionalidade anti-patriótica do bando que exerce a estratégia do Poder.

Agora o governo pretende despedir numa primeira fase mais 50 OOO trabalhadores da Função Pública, quer mediante «rescisões amigáveis», quer através do mecanismo das «requalificações», novo rótulo da engrenagem da «mobilidade especial».

terça-feira, 30 de abril de 2013

PORTUGAL 2013, O DIREITO À REBELIÃO



28 abril 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


O desemprego galopante, a miséria de centenas de milhares de famílias, numa sociedade onde a fome já é uma realidade, a convergência de uma multiplicidade de sofrimentos numa angústia colectiva anunciam a proximidade de uma situação de ruptura, num desembocar da indignação das massas.

A Assembleia da Republica, no dia 25 de Abril, tornou-se cenário de um espetáculo que foi ofensa ao povo português.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Moçambique/NÃO VAMOS ESQUECER O TEMPO QUE PASSOU



8 de Abril de 2013, Radio Moçambique http://www.rm.co.mz

Por Miguel de Brito, Académico moçambicano

Nenhum de nós é ou deve ser culpado pelos pecados dos nossos pais (ou antepassados). Não temos que carregar cruzes de pecados que não cometemos. No entanto, não devemos nem podemos, nesta rejeição da herança da culpa, apagar a realidade em que viviam os nossos pais e avós e em que alguns de nós também ainda vivemos.


À data de independência de Moçambique viviam em Moçambique cerca de 200 mil branc...os de origem portuguesa. Muitos nascidos em Portugal, outros já nascidos em Moçambique, descendenetes de 2 ou 3 gerações também já aqui nascidas.

Se é verdade que nem todos maltratavam os negros, que muitos sentiam-se moçambicanos e não portugueses e que muitos lutaram, de várias formas, para pôr fim ao colonialismo, a grande maioria ou beneficiou diretamente do colonialismo ou, pelo menos, aceitou silenciosamente as práticas coloniais.

O bem-estar de que muitos brancos usufruíram e a riqueza que muitos brancos acumularam só foram possíveis graças às relações políticas, sociais e económicas que existiam entre a minoria branca e a maioria negra. Se em Moçambique não houve apartheid formal, a separação das raças estava institucionalizada a todos os níveis: nas zonas residenciais, no acesso à educação e à saúde, no acesso aos serviços e ao emprego. Para não falar do poder político, claro!
Quem achar que isto é um exagero é só consultar as centenas de álbuns fotográficos da época, que tantos orgulhosamente têm compartilhado aqui na internet, e ver quão branca era a vida social e económica de Moçambique na época. Ou ler os relatos do trabalho forçado, das palmatoadas, dos insultos racistas, etc, etc.

Entre 1974 e 1976, mais de 90% dos brancos residentes em Moçambique abandonaram o país. O mesmo aconteceu nas outras colónias portuguesas. A esmagadora maioria foi para Portugal e constituíu a chamada comunidade dos retornados. Outros foram para a África do Sul e para o Brasil.

Desde essa altura até hoje, desenvolveu-se e cristalizou-se uma "narrativa retornada" sobre a vida colonial e sobre o período 1974/75. É uma narrativa ao mesmo tempo romantizada e amarga, saudosista e reivindicativa, seletiva e manipuladora. O principal fio dessa narrativa, independentemente de se aplicar a Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau, é que os brancos nas colónias desenvolveram e civilizaram as colónias, criaram e deixaram riqueza, trataram bem os pretos e tiveram que fugir porque os pretos (comunistas) os iam matar e roubar. O outro fio entrelaçado desta narrativa é sobre a boa vida das colónias, onde todos tinham casas grandes, muitos criados, praias, boa comida, o Sol, etc.

Esta é sobretudo uma narrativa falaciosa, cega e filtrada. A vida de uns só era boa porque a vida de muitos era francamente má. Esta é uma correlação indissociável. Os pretos nunca foram vistos como mais do que seres subordinados, por vezes "acarinhados", muitas vezes humilhados e violentados na sua dignidade humana. Esta frase que encontrei num depoimento é ilustrativa do pensamento dessa época e que está subjacente a toda a "narrativa retornada": "o branco com seu espírito empreendedor e conhecimento técnico, o negro como trabalho braçal".

É exactamente essa correlação e essa relação entre brancos e negros na sociadde colonial que a "narrativa retornada" ignora e rejeita. Esta narrativa tem sido reproduzida de pais para filhos, de geração para geração, ao ponto de influenciar os que nunca cá viveram, nem são descendentes de que cá viveu.

Hoje é comum ouvir: eu também sou moçambicana, também lá nasci e hoje estou de volta para ajudar esta terra que me viu nascer. A pergunta que falta fazer é: o que levou a sua família a abandonar Moçambique em 1974/75? A honestidade da resposta a esta pergunta é crucial para começarmos a curar os pecados do colonialismo e o veneno da "narrativa retornada". A verdade é que a esmagadora maioria dos retornados de Moçambique abandonaram o país porque não queria ser "governada por pretos"!
Porquê? Aqui encontramos uma mistura de racismo, medo de represálias (se eram todos tão bons para com os pretinhos, tinham medo de quê?) e pavor do chamado comunismo. A resposta mais usada em geral é que os "turras" iam "matar-nos e violar as nossas mulheres, por isso tivemos que fugir e deixar tudo para trás".

A História mostra quão isto é falso. Talvez tenham ficado em Moçambique uns 20 mil brancos de origem portuguesa. Muitos tornaram-se ministros, diretores nacionais, diretores de escolas, diretores de hospitais, diretores de empresas, etc. Este não é, de certo, um quadro de vingança, retaliação, perseguição. Aliás, este "acarinhamento" dos "brancos que ficaram" veio criar problemas à liderança da FRELIMO, mais tarde, mas isso são outros quinhentos.
Posto isto tudo, vamos ser honestos: se os que agora chegam (ou regressam), não têm culpa dos que os seus antepassados fizeram, pelo menos reconheçam o que eles fizeram, que deixaram cicratizes, que nunca reconheceram o mal que fizeram e que, pelo contrário, até hoje acham-se injustiçados e incompreendidos. Sem isso, nunca haverá reconciliação. Pois é da necessidade de reconciliação que se trata. E como bons católicos, de certo a maioria dos portugueses está familiarizada com o conceito do perdão e da redenção com base na confissão.

Imagem de Ricardo Rangel: Menino guardador de gado no sul de Moçambique, a quem chamavam “o oito” porque tinha uma marca na testa com a forma de um 8 deitado. Um dia, Ricardo Rangel soube que um criador de gado colonialista tinha marcado o seu jovem guardador de gado com o ferro em brasa, que usava para marcar o seu gado, por ele ter perdido um dos seus bois. Então, Rangel foi para Changalane e procurou o jovem durante dois dias até finalmente o encontrar. Fotografou-o. O patrão do menino queria dar-lhe um tiro, mas Rangel, armado com a sua máquina fotográfica, não teve medo das armas do patrão daquele menino.Como Ricardo Rangel disse, a fotografia foi sempre a sua arma para defender, dignificar e eternizar o povo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Portugal/MARIA ISABEL ABOIM INGLEZ, “A INDOMÁVEL”



1º abril 2013, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


Publicamos a intervenção de Margarida Tengarrinha na recente sessão de homenagem a Isabel Aboim Inglez promovida pela União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP). É a necessária evocação de uma das mais notáveis figuras de resistente ao fascismo, uma mulher que enfrentou as perseguições e a repressão salazarista – a si e à sua família – com a mais exemplar coragem e dignidade cívica, intelectual, moral e política.

Em 8 de Março de l952, há exactamente sessenta e um anos, numa sessão comemorativa deste dia promovida pela Associação Feminina Portuguesa para a Paz, Maria Isabel Aboim Inglês desenvolveu brilhantemente as suas ideias sobre a guerra e a paz. Ao seu lado, e um pouco intimidada, fiz a minha primeira intervenção pública e devo confessar que a improvisação me correu muito mal. Com dificuldade em terminá-la, optei por apelar à subscrição dos dois abaixo-assinados que no MUD Juvenil andávamos a recolher: o Apelo de Estocolmo contra o armamento atómico e o Apelo para um Pacto de Paz entre as Cinco Grandes Potências.
Como me viu triste pelo meu fraco desempenho, no fim da sessão a Dra. Maria Isabel aconselhou-me: “É sempre melhor trazer a intervenção escrita, mas mais importante do que um bom discurso é ter a coragem de apelar à luta, como o fizeste!”
Ora sobre a Dra. Maria Isabel Aboim Inglez há uma característica que regista a unanimidade dos seus companheiros de luta e de todos aqueles que a admiravam e admiram: é a sua extraordinária coragem de combatente antifascista.
A ferocidade implacável com que a perseguiu o seu inimigo, o ditador fascista Salazar, é outra forma de confirmação que via nela uma mulher que lhe fazia frente com uma coragem sem vacilações e uma firmeza de caracter baseada em convicções fundamentadas em princípios teóricos que adoptara e a que era fiel. Essa perseguição constante e sem tréguas para a fazer vergar e desistir das suas convicções não a envolveu só a ela, mas aos próprios filhos.
Contudo. nem a família nem os amigos mais chegados lhe ouviram nunca uma palavra de desalento, um queixume ou um momento de desânimo. Por isso o poeta José Gomes Ferreira lhe chamou “A Indomável” e muitos a classificaram como “A Mulher sem Medo”, naquela época em que em Portugal o medo era a arma que a ditadura fascista lançava como uma rede paralisante sobre o país, tirando não só a liberdade, mas também o pão aos adversários. Esta última ameaça não era menos eficaz do que a repressão violenta, as prisões, torturas e assassínios, pois o medo de perder o pão atemorizava e incapacitava para a acção uma parte importante dos portugueses revoltados contra o regime. (Note-se que esta forma de tentar dominar as consciências não é exclusiva de regimes fascistas, mas é utilizada por muitas outras entidades com os mesmos propósitos de intimidação.)
Salazar usou contra Maria Isabel Aboim lnglez essas duas formas de repressão: não só a prisão, mas muito particularmente a retirada, por todas as formas, dos meios de ganhar a vida profissionalmente, quando já era viúva e mãe de cinco filhos.
Foi presa pela primeira vez pela PIDE em 13 de Dezembro de 1946, sendo libertada no dia seguinte, juntamente com outros membros da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), mediante uma caução obtida pela oposição através de uma recolha pública. Dois anos depois, em Janeiro l948, voltou a ser presa por causa da distribuição de 1500 exemplares de propaganda do MUD, sendo libertada dois meses depois. A terceira prisão, efectuada em pleno Tribunal Plenário onde, como muitas outras vezes, foi testemunha de defesa de presos políticos, deveu-se à firmeza com que enfrentou o juiz presidente, que ordenou a sua prisão por três dias alegando “falta de respeito ao tribunal” e enviando-a para as Mónicas, prisão comum de onde saiu dizendo que “até tinha aprendido alguma coisa com as outras reclusas. tendo feito ali um estudo sociológico”, como afirmou a uma jornalista a sua filha Isabel.
No entanto. não é nestas prisões que reside a mais terrível e feroz perseguição de que a Dra. Maria Isabel foi vítima, mas sim no cerceamento e proibição final da sua condição de pedagoga, para a qual tinha um talento excepcional, reconhecido ao mais alto nível nos meios universitários e pelos alunos para os quais foi uma professora inesquecível.
Ao recordarmos o percurso de vida desta mulher excepcional, destaco alguns traços marcantes: o seu casamento aos vinte anos com Carlos Aboim Inglez, engenheiro químico e de minas, que no dizer de Henrique de Barros “…foi um combatente sem tréguas contra a ditadura, a tudo disposto para a derrubar, mesmo a pegar em armas, como posso testemunhar pessoalmente” (H.de B. num artigo de opinião ao Diário de Lisboa).
Depois da morte prematura do marido Maria Isabel, que era uma pessoa muito contida e de grande sobriedade na expressão dos sentimentos, diria num desabafo nada habitual nela, que estava profundamente apaixonada por ele. Foi decerto um casamento de grande entendimento e apoio mútuo, entre duas pessoas com uma inteligência acima do vulgar, o que se reflectiu no estímulo do marido para que retomasse os estudos. Ela própria, depois do nascimento do quinto filho, sentiu (cito): “o prazer de aprender, de me cultivar, aliado ao desejo de preparar bem os meus filhos e de ser útil”, como afirmou Maria Luísa Silva Bastos, com quem trabalhou na AFPP. (”Capital” 9/3/83)
Assim, matriculou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa. Terminado o curso em 1936, Maria Isabel foi logo convidada pelo professor Matos Romão para assistente de Psicologia Experimental, que não aceitou por razões familiares, pois os filhos eram ainda muito pequenos. Em 1938 apresentou a tese de licenciatura sobre a influência dos descobrimentos na sociedade portuguesa, que defendeu brilhantemente. Munida do diploma, fundou com o marido o Colégio Fernão de Magalhães na Rua dos Lusíadas em Alcântara que, pela qualidade do ensino ministrado, adquiriu um enorme prestígio.
Foi esse prestígio, a grande frequência e os princípios pedagógicos ali desenvolvidos, nada frequentes nessa época, que desencadearam as primeiras perseguições do regime. Talvez porque o ensino do Colégio fosse laico, mesmo no prédio ao lado foi fundado um colégio religioso, o Avé Maria. Este foi o primeiro confronto.
O Dr. Matos Romão, que tinha enorme consideração pela Dra. Maria Isabel, voltou a convidá-la em 1941 como assistente para a cadeira de Psicologia Experimental, o que ela aceitou. No ano seguinte, com 39 anos, perdeu o marido, o que para ela foi um enorme golpe. Mas continuou; e poucos meses depois o seu nome foi aprovado pelo Conselho da Faculdade de Letras como assistente de Psicologia e também para ensinar Filosofia Antiga e História da Filosofia Medieval. Mas em Dezembro de 1942 foi afastada por veto do ministro da Educação, Mário Figueiredo.
Manteve-se ainda como assistente de Psicologia Experimental por insistência do Dr. Matos Romão, que a defendeu junto do ministro. Mas as imposições que limitavam a sua actividade docente eram tão contrárias aos seus princípios e à dignidade que a caracterizava que acabou por abandonar o ensino universitário em 1943.
Esta foi uma segunda fase das perseguições de que foi vítima.
Já então tinha iniciado alguma actividade política ligada à oposição antifascista onde se encontravam amigos de longa data do casal. Seu filho Carlos Aboim Inglez contou-me que em casa dos pais conheceu, como visitantes assíduos, o professor Bento de Jesus Caraça e Ramos da Costa, que eram membros do Partido Comunista (Ramos da Costa passou mais tarde para o Partido Socialista) e ainda o professor Dias Amado e Manuel Mendes, entre outros intelectuais com os quais conviveu quando era muito jovem.
A seguir ao fim da guerra aderiu ao então criado Movimento de Unidade Democrática (MUD) e em 1946 foi a primeira mulher a fazer parte da sua comissão central. A tomada dessa clara posição acarretou-lhe novas perseguições.
Porque era reconhecidamente pioneira no ensino da Sociologia em Portugal, o Dr. Gentil Martins, director do IPO, convidou-a para leccionar um curso de Sociologia Geral na Escola Técnica de Enfermagem do instituto Português de Oncologia. Só conseguiu dirigir esse curso nos anos de 1947 e 1948, pois foi proibida pelo governo de continuar a dar essas aulas em 1949.
Mais uma perseguição, esta sem dúvida ligada ao facto de nesse ano fazer parte da comissão central da candidatura do general Norton de Matos.
De resto, já nessa altura tinha um longo cadastro na PIDE. E a sua intensa actividade na candidatura do general Norton de Matos, com conferências, documentos de que foi autora e abaixo-assinados, levou ao encerramento e cassação do alvará do Colégio Fernão de Magalhães e ainda, por decisão do Conselho de Ministros, foram-lhe retirados todos os diplomas que lhe permitiam leccionar.
A política fascista de tirar o pão aos adversários roubava a esta mulher, viúva e com cinco filhos, os meios de ganhar a vida profissionalmente.
Verdadeiramente indomável, ela não vergou e montou um atelier de costura, ao mesmo tempo que começou a dar explicações e a fazer traduções.
Mas as perseguições não se limitaram a ela própria e posteriormente alargaram-se também às filhas, pois foi retirado à filha Maria Luísa, pintora, o diploma que lhe permitia dar aulas de desenho na Escola Marquês de Pombal e a filha Margarida, engenheira agrónoma, que ficara em primeiro lugar num concurso público, foi impedida de manter-se na função pública.
Em 1953 foi convidada a reger uma cátedra numa universidade brasileira, dado o seu grande prestígio e também porque no Brasil estavam já vários amigos e conhecidos, que faziam parte dos muitos professores universitários demitidos por Salazar, numa razia que foi uma autêntica perda nacional. Entre eles contavam-se os professores catedráticos Zaluar Nunes, Pereira Gomes, Rodrigues Lapa, Agostinho da Silva e Jaime Cortesão, todos no Brasil. Mas a Maria Isabel foi recusado o passaporte, quando ela já tinha feito o leilão do recheio da casa e de grande parte dos livros e se preparava para partir.
Estas perseguições não a demoveram, talvez lhe tivessem dado mais força para a luta, pois a sua actividade política até parece ter aumentado a partir dai, para além do grande e constante apoio que deu sempre ao seu filho Carlos, militante destacado do Partido Comunista Português, no decurso das numerosas prisões e dos anos que este passou nos cárceres fascistas.
As posições de Maria Isabel Aboim lnglez em relação ao Partido Comunista, a única força política organizada da Oposição, foram sempre muito claras: nunca foi membro do Partido Comunista, mas acompanhou sempre as posições do Partido nos vários movimentos da Oposição antifascista. Quer no MUD, em que fez parte da direcção central, quer depois apoiando o MND em que, por divergências, já não participaram anteriores membros da direcção do MUD. Teve também um importante papel na Associação Portuguesa Feminina para a Paz e na luta pela Paz.
Com uma grande independência de pensamento e forte personalidade, dava sempre a sua opinião com frontalidade quando discordava, discutia muitas vezes com uma forte argumentação, como dizia dela Joaquim Pires Jorge, dirigente do Partido Comunista que com ela contactava.
Destacou-se sempre como uma personalidade de primeiro plano na defesa da unidade das forças democráticas e pela sua lealdade para com o Partido Comunista e os compromissos assumidos, quer nas várias campanhas democráticas, quer em todos os momentos eleitorais da época. Acentuo que, por exemplo em 1957 foi membro da Comissão Central da candidatura de Arlindo Vicente, que era o candidato apoiado pelo PCP. e só depois da fusão das duas candidaturas é que apoiou a de Humberto Delgado, o que diz muito sobre as suas opções.
Também serviu muitas vezes de testemunha nos julgamentos políticos. A sua força, coragem e convicções são claramente reveladas na afirmação que fez em pleno Tribunal Plenário fascista:-”Todos os indivíduos que não prestam declarações na polícia são dignos de admiração porque são amantes da liberdade”. E terminou dizendo: “é de louvar o Partido Comunista Português por assim proceder”.
Afirmações como esta. mas particularmente algumas das suas conferências, como a que proferiu durante a campanha eleitoral de Norton de Matos com o tema “Conceitos de igualdade, liberdade e democracia”`, publicada pelos serviços da candidatura, o artigo intitulado “A Ética e a Política” publicado pela “República” quando do acto eleitoral de Novembro de 196l para o qual só não foi candidata pela CDE porque verificou ter sido riscada dos cadernos eleitorais e que é um completo desenvolvimento programático antifascista, a própria tese de licenciatura, entrevistas e muitos outros documentos da sua autoria, mereciam ser estudados para melhor conhecermos a orientação e a profundidade de pensamento desta mulher.
Num debate em que criticava artigos da “Seara Nova” marcou a sua firme oposição critica à teoria da cultura pela cultura, afirmando: “Duma elite de intelectuais nunca poderá esperar-se a realização das transformações necessárias para uma verdadeira democracia. Ela tem de ser a obra de todo um povo”,
Há também por exemplo uma conferência importante, proferida em l950 em homenagem a Bento Caraça. de que citarei alguns excertos:
“Os destinos da humanidade preocuparam-no mais do que o seu próprio destino. Os destinos do mundo tanto como os da sua pátria.
Quanto o seu espírito estaria atormentado pela evolução destes dois últimos anos. Em que abertamente se tem caminhado para uma nova tentativa de fascização do mundo capaz de conduzir pela terceira vez numa só geração a uma criminosa terceira guerra imperialista. Através de uma chamada guerra-fria - termo que deixará tristemente celebre o povo que a inventou - friamente se preparam os meios científicos da morte de populações inteiras, de verdadeiras destruições em massa.”
Estas são afirmações que mantêm hoje plena actualidade. No fim dessa mesma conferência, contrariando as imposições políticas do governador civil de Lisboa ao permitir a sessão, leu uma moção recebida na mesa que exigia a imediata libertação do professor Rui Luiz Gomes e dos democratas presos com ele. E afirmou que, como presidente dessa assembleia, o fizera porque queria manter a sua honra e dignidade.
No dia seguinte recebeu de Maria Lamas uma carta emocionada em que esta afirmava:
“Considero histórica a sessão de ontem, A sua extraordinária coragem moral foi a melhor e maior homenagem que era possível prestar à memória do Professor Bento Caraça. (…) Não me surpreendeu a sua decisão e nobre altivez, pois de há muito admiro a sua personalidade, a sua inteligência e firmeza. Mas o que se passou ontem, na modesta sala da Sociedade Instrução e Beneficência José Estevão, foi qualquer coisa excepcional e inesquecível.”
Também para nós, hoje, esta é uma grande lição, pois na luta que travamos não só contra o inimigo principal, que é o capitalismo e o imperialismo, contra o governo seu lacaio, mas também dentro das nossas próprias fileiras, é indispensável manter a coragem de afirmar com firmeza as nossas posições, mesmo quando discordantes. Pois a unidade de combate só se consegue com a discussão franca e livre dos problemas. Que promova a unidade de pensamento indispensável à unidade consciente da acção para a vitória dos nossos ideais.

* Na sessão de homenagem a Maria Isabel Aboim Inglez - 8 de Março de 2013