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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Mercosul, Brasil/"O bolsonarismo é o neofascismo adaptado ao Brasil do século 21"


3 agosto 2019, Resistir.info (Portugal) https://www.resistir.info/brasil/loff_29jul19.html

por Manuel Loff
entrevistado por Ricardo Viel
A Pública (Brasil)

Manuel Loff tinha nove anos quando um grupo de capitães e soldados portugueses, cansados de serem mandados à África para uma guerra sanguinária contra os movimentos de libertação das colônias, derrubou uma ditadura que já durava 41 anos – a mais longeva da Europa. A lembrança mais viva que tem daquele dia 25 de abril de 1974, quando a Revolução dos Cravos colocou fim ao regime salazarista (fundado por António de Oliveira Salazar), é do irmão, que tinha 14 anos, bêbado, a gritar: "Já não vou para a guerra!".

Há pouco tempo uma amiga de infância fez Loff recordar que com 10 anos ele escreveu e dirigiu uma peça de teatro para ser encenada pelos colegas da escola. O tema era os últimos dias de Hitler no bunker. "A mim próprio me surpreende, não sei como cheguei até lá com essa idade", confessa. Quando era criança, o pai lhe contava histórias sobre a Guerra Civil Espanhola. Ainda garoto, ia a bibliotecas tomar emprestados livros sobre as Grandes Guerras e

sábado, 26 de março de 2016

Brasil/25/03/2016 – CLIPPING INTERNACIONAL

25 março 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Jornalista indiano relata a construção preparada para que o golpe da direita pareça uma revolta popular contra um governo corrupto.

Público, Portugal 25.03.2016
Trata da divulgação da lista da Odebrecht que envolve cerca de 300 políticos. Uma “lista ecumênica” segundo o jornal. E que o “drama da política brasileira virou tragédia”. E registra: quem não está na lista são a Presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Quase todos os demais políticos de importância estão.
https://www.publico.pt/mundo/noticia/na-folha-de-pagamentos-da-odebrecht-esta-quase-toda-a-republica-brasileira-1727144

The Guardian, Inglaterra, 25.03.2016
Matéria sobre a entrevista concedida ontem pela presidente Dilma. O tom é marcado pela decisão da presidente estar firme e de que não é uma mulher fragil e, qualquer tentativa de removê-la do cargo seria ilegal e

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Portugal/DERROTA HISTÓRICA DA REACÇÃO

11 novembro 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)


O dia 10 de Novembro de 2015 marca uma derrota histórica da extrema direita portuguesa.   A queda do governo PSD/CDS na Assembleia da República assinala uma viragem. Da desesperança passa-se agora à esperança. Há que aproveitar este impulso para avançar por novos caminhos.

sábado, 13 de junho de 2015

Os ucranianos já foram espoliados. Os norte–americanos serão os próximos/Ukrainians Dispossessed, Americans are next

10 junho 2015, Redecastorphoto http://redecastorphoto.blogspot.com.br (Brasil)

4/6/2015, Paul Craig Roberts* – Institute for Political Economy
Tradução mberublue

Os ucranianos estiveram nos últimos 15 meses a pagar para Washington pela derrubada de seu governo democraticamente eleito em mortes, desmembramento de seu país e derrocada econômica, além da deterioração de seu relacionamento com a Rússia que, para a Ucrânia foi traduzida, na prática, com a perda de sua energia subsidiada. Agora os ucranianos estão perdendo suas pensões e ajuda social. Pateticamente, a população ucraniana marcha de cabeça baixa para o cemitério.

A Agência de Notícias TASS publicou reportagem em 1/6/2015 dando conta de que a Ucrânia interrompera o pagamento de pensões em geral, assim como aos veteranos da Segunda Guerra Mundial, pessoas com deficiências e vítimas de Chernobyl. De acordo com a reportagem, Kiev
(...) eliminou ainda gastos com transportes, serviços de saúde, serviços públicos e benefícios financeiros para antigos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, bem como não mais honrará as ordens de pagamentos e títulos remanescentes da era soviética. As compensações em dinheiro para a s famílias com filhos vivendo nas áreas contaminadas pela radiação emanada do acidente com a usina de Chernobyl também deixarão de ser pagas. A oposição no parlamento ucraniano acredita que a Procuradoria Geral abrirá processo contra o Primeiro Ministro Arseniy Yatsenyuk, que foi quem trabalhou ativamente para a promulgação da lei de abolição desses “privilégios”.

O que se observa claramente é que puxaram o tapete dos idosos e desvalidos na Ucrânia. “Comedores inúteis”, eles foram classificados como lixo e para a lata de lixo destinados. Como devem se sentir agora os estudantes enganados da Praça Maidan, vendo que são culpados pela destruição do sistema de apoio aos seus próprios avós, por terem apoiado

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PORTUGAL À BEIRA DO PRECIPÍCIO

2 dezembro 2011/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

A crise financeira limitou profundamente o papel do Conselho Econômico e Social de Portugal, que foi uma das primeiras vítimas da hecatombe financeira que atingiu, em primeiro lugar, as nações mais frágeis da União Europeia. "Nós estamos numa situação de ocupação, imposta pela troica FMI, BC Europeu e União Europeia", afirmou o dirigente sindical Manuel Carvalho da Silva, da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses. Presidente do conselho português diz que crise é sistêmica e requer solução sistêmica.

Porto Alegre - A crise financeira que arrasta a Europa limitou "profundamente" o papel do Conselho Econômico e Social de Portugal, que foi uma das primeiras vítimas da hecatombe financeira que atingiu, em primeiro lugar, as nações mais frágeis da União Europeia. "Nós estamos numa situação de ocupação, imposta pela troica Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia", afirmou o dirigente sindical Manuel Carvalho da Silva, da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP)- Intersindical Nacional, integrante do CES. "Existe um memorando de medidas impostas ao país, foi uma 'negociação' imposta", afirmou Silva.

O governo daquele país está submetido ao memorando. E, como sequer o Executivo tem poder sobre a política de ajuste, o Conselho, criado para mediar concertações entre os vários setores da sociedade civil, teve o seu papel esvaziado. "Todas as questões levadas ao CES não deixam margem para a negociação e são profundamente negativas. Para os trabalhadores, são inaceitáveis, e mesmo para alguns empresários elas não fizeram sentido", disse o sindicalista.

O presidente do Conselho português, José Albino da Silva Peneda, embora chegue ao mesmo diagnóstico de que essa instância de entendimento da sociedade, empresários e trabalhadores foi esvaziada pela intervenção do país pela União Europeia, ainda acha sentido para o fórum. "Os CES têm o poder da palavra", afirmou. As negociações feitas em torno do Orçamento deste ano foram aprovadas sem um voto contra, exemplifica Peneda, para argumentar que, por menor que seja o papel do Conselho, ele ainda faz diferença nas negociações entre governo e sociedade.

Para Silva, o desalento de setores representados no CES vem da certeza que os sacrifícios impostos a Portugal não fazem nenhum sentido. "Daqui a um ano a dívida será maior, o país estará mais pobre e regredido em seu desenvolvimento", afirmou o sindicalista. Peneda entende que a crise apenas será debelada se a Europa entender que ela não é problema unicamente dos países que sofrem seus efeitos. "Uma crise sistêmica apenas pode se resolver com uma solução sistêmica", afirma o presidente do Conselho português.

O BCE pode até se constituir numa última instância, mas sob regras. "O BCE, diante de um país em dificuldades, poderia, como fiador, impor regras, mas não poderia limitar a reestruturação às contas públicas. Deve-se pensar num Plano Marshall, com um horizonte de 5, 6 anos", disse, numa referência ao plano que, no pós-guerra, garantiu a recuperação econômica da Europa. A questão, diz Peneda, é abrir espaço para resgatar o poder de fazer política econômica. "A crise pegou Portugal e Suécia com violência. Há penúria financeira e não se dispõem de instrumentos de política econômica.
Portugal tem uma dívida grande, mas o desajuste nas contas públicas não pode ser um impeditivo às ações de política econômica", afirmou.

Para o sindicalista, os trabalhadores portugueses, nesse momento, apenas têm o poder de "protestar, denunciar, contrapor". Ainda assim, a mobilização ainda é débil. Segundo sua análise, existe até uma tendência à acomodação, por se entender que a reivindicação popular não tem possibilidade de êxito. "Mas qual o resultado obtido pelas instituições portuguesas e europeias? Os resultados são todos negativos, são um desastre". Silva acredita que a desmobilização também resulta do medo. "A fase atual é de um somatório de medos, e o medo leva a recuar. Os trabalhadores ainda não entraram na fase dinâmica de transformação social e política que leva a mudanças", analisou.

Peneda, que se qualifica como "mais conservador" do que Silva, não é otimista. "A Zona do Euro está à beira do precipício. É difícil ver uma solução. Espero que haja bom senso e ocorra uma concertação entre os 27 Estados-membros da União Europeia", pondera. Silva, à esquerda de Peneda, não enxerga também uma Europa repleta de alegrias no futuro. "A consequência dessa crise pode ser a desagregação da União Europeia. Começa a não ser mais sustentável uma moeda única", analisa. Pode se prever também conflitos "incontroláveis", armados ou na forma de fortalecimento da direita. Que já vem ocorrendo. "Hoje, todos os governos da Europa são de direita ou extrema-direita.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Portugal/O POVO PORTUGUÊS DERROTARÁ A OFENSIVA DA DIREITA

19 maio 2010/Odiario.info NOTA DOS EDITORES http://www.odiario.info

O governo do PS, com o apoio do PSD e a conivência do CDS-PP, lançou-se numa brutal escalada da sua política de expoliação dos trabalhadores e do povo, de todas as classes e camadas da população sobre as quais se abatiam já duramente as consequências de mais de três décadas de políticas de direita.

Primeiro com o Orçamento de Estado, depois com as medidas anunciadas no PEC, agora com o pacote do que chama “medidas de austeridade”, o governo PS enuncia um programa de roubo dos salários e pensões, de desinvestimento no plano económico, de desemprego massivo e ainda maior desprotecção social, de ainda maior destruição do aparelho produtivo, de nova vaga de privatizações, de inteira subordinação aos interesses e ao comando do grande capital financeiro nacional e transnacional. Um programa que, a não ser travado, condenará ainda mais o país à estagnação e à crise, ao atraso e à dependência face ao exterior.

Os porta-vozes do grande capital, que pressionam a radicalização desta escalada, todos os dias exigem mais. Vêem nela o desenvolvimento de condições para um ambicioso ataque ao regime democrático e aos direitos dos trabalhadores e das populações.

No plano político, pressionam a formalização de um “amplo entendimento” que sustente este rumo reaccionário face ao crescendo da resistência popular que se levanta. A formalizar-se um tal entendimento, ele confirmará a definitiva capitulação do PS face à direita. É nesse sentido que hoje é necessário denunciar com todo o vigor o embuste que significa classificar os acordos entre PS e PSD como “de bloco central”. As políticas de um tal bloco - ainda parcialmente contraditório mas em evolução - são políticas de direita radicalmente antidemocráticas, antipopulares, antinacionais. Afrontam os mais profundos interesses da esmagadora maioria dos portugueses, hipotecam o presente e o futuro do país, remetido para um papel crescentemente subalterno numa UE comandada pelas grandes potências europeias, elas próprias afundadas na actual crise global do capitalismo.

Já se verificaram na nossa história recente ofensivas de direita tanto ou mais ambiciosas do que esta. E foram derrotadas, sobretudo porque subestimaram a capacidade de resistência e de luta dos trabalhadores e do povo.

O diário.info já aqui se fez eco do magnífico apelo lançado pelos comunistas gregos: “Povos da Europa, levantai-vos!”. Percorre a Europa um ímpeto de resistência. Os trabalhadores e o povo português, que trouxeram à Europa a sua última revolução popular, vêm à rua no próximo dia 29 de Maio.

A ofensiva da direita encontrará resposta à altura. É tempo de mudar de rumo.

Os editores de odiario.info

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O REGRESSO DO PRESIDENTE ZELAYA E A ESTRATÉGIA DE OBAMA PARA A AMÉRICA LATINA

6 julho 2009/Blog do Velho Comunista http://blogdovelhocomunista.blogspot.com

A reinstalação do regime constitucional em Honduras será mais lenta do que era previsível.

A irracionalidade do golpe e o seqüestro e expulsão (em pijama) do presidente Manuel Zelaya, ao provocarem a imediata condenação do cuartelazo pela ONU, pela União Européia e pelos Estados Unidos, a retirada da maioria dos embaixadores e o conseqüente isolamento internacional do pequeno país centro-americano, geraram a convicção de que o regresso do chefe de Estado não esbarraria com grande oposição.
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Não foi o que aconteceu. Insulza, o presidente da Organização dos Estados Americanos, escutou um rotundo não em Tegucigalpa quando ali foi exigir dos representantes do Supremo Tribunal Eleitoral e da Procuradoria da República o imediato restabelecimento da normalidade constitucional, isto é a volta de Zelaya e o fim de um governo fantoche não reconhecido por pais algum.
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Quando o avião em que viajava Zelaya se aproximou do aeroporto de Tegucigalpa o exército disparou sobre o povo – correspondentes de alguns media presentes na capital de Honduras avaliam a multidão ali concentrada em 300.000 pessoas – matando três manifestantes e ferindo dezenas. A polícia hondurenha responsabilizou o exército pelas mortes e os feridos, já que, disse o responsável presente no aeroporto, Coronel Mendoza, já tinha dado ordem à polícia para retirar. Os generais que assaltaram o poder tiraram a máscara.
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Apesar de ver recusado o pedido de aterragem e das ameaças de intercepção por aviões da Força Aérea hondurenha, o avião presidencial fez duas aproximações à pista de aterragem (23,55 horas de Lisboa), não lhe tendo sido possível aterrar por os militares golpistas terem mandado ocupar a pista com veículos militares. O avião presidencial aterrou em Manágua e daí seguiu para Salvador, onde reuniu com os presidentes Cristina Kirchner da Argentina, Rafael Correa do Equador, Fernando Lugo do Paraguai, Muricio Funes de Salvador e José Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos.
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A tenaz resistência dos golpistas é tema de múltiplas e contraditórias especulações. Até agora um denso véu de mistério envolve a teia de cumplicidades que precedeu a tomada do poder pelas Forças Armadas. É possível que nunca se esclareça quando e em que circunstancias o Presidente Obama foi informado do envolvimento de responsáveis da Administração norte-americana no golpe. Mas foi já confirmado que, nos dias anteriores à decisão do Tribunal de «afastar» Zelaya e substituí-lo por um parlamentar marionete, se realizaram na Embaixada dos EUA reuniões secretas com a participação dos golpistas. Segundo as agências noticiosas, o embaixador teria desenvolvido esforços para evitar que levassem adiante a intentona.
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Essas revelações colocam a Casa Branca numa posição muito incômoda, porque o seu silêncio somente foi quebrado após a concretização do gorilazo. Com a agravante de os EUA não terem retirado o embaixador.
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Segundo o Departamento de Estado, o diplomata trabalhava para uma solução para a crise que conduzisse a um compromisso entre as «partes em conflito».
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Em Honduras, tradicionalmente, as Forças Armadas não tomam qualquer decisão importante sem o aval do Embaixador dos EUA. Na capital está instalada uma base militar norte-americana. Os generais golpistas estudaram na famosa Escola das Américas dos EUA e gozam da inteira confiança do Pentágono.
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Que se passou então nos bastidores?
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É transparente que esses militares, os juízes do Supremo Tribunal Eleitoral, o «presidente» fantoche e a maioria dos deputados contavam com apoios que não funcionaram.
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Também merece reflexão a atitude do Cardeal Óscar Rodriguez, repetidamente apontado como possível sucessor de Bento XVI. O purpurado, mesmo após a condenação mundial do golpe, dirigiu um apelo ao Presidente Zelaya para que não voltasse no domingo a Tegucigalpa.
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Desde já se pode afirmar, porém, que a inevitável derrota do golpe será um acontecimento político que pelo seu significado transcende o quadro centro-americano.
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O desfecho previsível – uma vitória dos governos progressistas da América Latina – inviabilizará o desenvolvimento da estratégia esboçada para a Região pelo presidente Obama.
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Manuel Zelaya, sublinhe-se, é um político corajoso e com o sentido da dignidade, mas não um revolucionário. Tem como político um passado conservador. Foi eleito como candidato do Partido Liberal, alinhado com Washington. Mas a partir de 2008 fez tímidas reformas que desagradaram à direita, visitou Havana e aproximou-se dos governos de Chávez, do boliviano Evo Morales e do equatoriano Rafael Correa, precisamente a troika que Washington identifica como ameaça à sua hegemonia no Hemisfério.
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A vaga de indignação levantada a nível mundial pelo cuartelazo colocou o Presidente Obama numa situação dilemática na qual todas as opções serão negativas para os chamados interesses dos EUA.
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Permanecer passivo teria um efeito devastador para a sua imagem de defensor intransigente da democracia no Continente. Decidiu condenar o golpe, mas consciente de que a contribuição dos presidentes da Venezuela, da Bolívia, do Equador e da Nicarágua para o fracasso do cuartelazo compromete o desenvolvimento da sua estratégia continental. Honduras já aderiu à Alba e tudo indica que a tendência de Zelaya será para uma aproximação maior com os governos e forças progressistas da América Latina.
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O embaixador de Honduras na Organização dos Estados Americanos (OEA), Clareton, não hesitou em acusar de cumplicidade Otto Reich, ex-subsecretário de Estado para as Américas de George Bush e destacada personalidade da extrema direita norte-americana, que esteve envolvido no golpe militar de 2001 montado para derrubar Hugo Chávez.
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Seria entrar no terreno da especulação fazer previsões sobre as seqüelas do golpe.
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O rumo das coisas em Honduras será decisivamente condicionado pela nova relação de forças resultante da derrota da oligarquia local e dos militares gorilas. O apoio das massas a Zelaya será porém, decisivo para o avanço do processo.
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Os acontecimentos dos últimos dias nas Honduras contrariaram a lógica aparente da história. Num país no qual as bases militares americanas e a CIA – sob a direção de John Negroponte, ex-proconsul no Iraque e ex-embaixador dos EUA na ONU – funcionaram como retaguarda dos contras nicaragüenses que combatiam a revolução sandinista, um Presidente vindo da direita, Manuel Zelaya, retoma as bandeiras de Francisco Morazan, o revolucionário hondurenho que no século XIX se bateu por uma América Central unida e progressista. (Original em ODiario.info)

sábado, 20 de setembro de 2008

AMÉRICA DO SUL EM TRANSE

Vivemos uma nova realidade na América Latina que implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.

19 setembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Editorial ed. 290

Tudo aconteceu e se agravou exatamente nos dias que antecederam e durante a semana em que se completavam 35 anos do golpe contra o Governo do presidente chileno constitucionalmente eleito, Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973.

No Paraguai, alarmes soaram no 1º de setembro, quando o presidente Fernando Lugo reuniu a imprensa e denunciou movimentos de dois ex-presidentes do país, os senhores Nicanor Duarte e Lino Oviedo, no sentido de gerar uma desestabilização institucional que poderia culminar em golpe de Estado.

Em seguida, os oligarcas separatistas (“autonomistas”) do Oriente da Bolívia, lançaram-se a mais uma aventura no sentido de desestabilizar e derrubar o Governo do presidente Evo Morales, que acabava de sair vitorioso do Referendo Revogatório de 10 de agosto, com 67,41% dos votos.

Enquanto isto, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciava o desbaratamento de uma tentativa de golpe também contra o seu Governo, que incluía o seu assassinato.

Se nos casos do Paraguai e da Venezuela, a situação interna rapidamente se recompôs, na Bolívia a crise se estendeu por toda a semana e, embora ainda não esteja de todo debelada, a pronta ação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que se reuniu em Santiago (Chile), no dia 15, tenha sido importante para estancar, pelo menos provisoriamente a crise. Até o momento, os dados oficiais falam de 15 camponeses mortos, 25 feridos e 106 desaparecidos, em conseqüência da chacina promovida pelos capatazes (e pistoleiros contratados no Brasil e Peru) do governador “autonomista” de Pando, senhor Leopoldo Fernández, preso desde o dia 16.

O Governo Morales declarou o embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg, persona non grata ao país, e o presidente Chávez expulsou de Caracas o embaixador estadunidense, senhor Patrick Duddy. Enquanto isto, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, suspendeu o recebimento das credenciais do novo embaixador de Washington em seu país, em solidariedade ao seu colega boliviano, Evo Morales.

Na opinião do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, senhor Barack Obama, a expulsão dos embaixadores é um “confronto fabricado” pelo Governo Chávez. Para seu colega republicano, senhor John McCain, esta escalada das tensões diplomáticas é um alerta sobre “as tendências perigosas” no Continente.

Ou seja, foi uma semana em que a América Latina ferveu, e quando se aproveitou para lançar ainda mais lenha na fogueira: Caracas recebeu em seu aeroporto militar dois bombardeiros estratégicos russos TU-160, e aproveitou para divulgar que, até o final deste ano, deverá receber o contratorpedeiro Pedro O Grande, o cruzador Almirante Chabanenko e outros vasos de guerra russos.

Da parte deles, o arroz com feijão de sempre

Enfim, crises geradas a partir de uma velha receita das elites do Continente. Primeiro, a palavra de ordem é abortar qualquer experiência política que fuja aos interessses dos oligarcas e elites da região, e/ou que possa fugir ao controle e aos projetos de Washington. Para isto, inicia-se a conspiração, envolvendo diplomatas da Casa Branca e os representantes das elites locais. Passo seguinte, ganhar as forças armadas do país em questão. Apoio e presença indispensável, a grande mídia comercial é sempre indispensável. Assim, cria-se algum pretexto capaz de desqualificar o Governo em questão para que os grandes jornais, revistas, rádios, TVs comerciais possam fazer a campanha. Nesse meio tempo, um trabalho de articulação diplomática com os países vizinhos e algumas potências para garantir o apoio internacional. Daí, avalia-se se essas forças são suficientes. Caso positivo, desencadeia-se o golpe (sempre em nome da democracia), como foi regra nas Américas desde sempre, ainda que nossa memória se detenha mais nos exemplos dos anos 1960 e 1970, no Cone Sul do Continente, a começar pelo golpe de 1964, contra o governo do presidente João Goulart – o Jango, em nosso país. E todos os seguintes, como o Chile, em 1973, Argentina, 1976, etc., fazendo descer uma espessa noite no Continente.

Caso a aliança dessas forças não dê conta da empreitada, bem, os mercenários podem sempre ser contratados. E num Continente onde a maioria dos países fala a mesma língua, nada é tão difícil assim. Exemplar nesse sentido foi a inavasão da Guatemala, em 1954, por um exército de mercenários recrutados pelos EUA e pelas elites guatemaltecas entre a marginália e o lumpesinato da América Central e do Caribe.

O que pode ter mudado no Continente?

Acontece, porém, que vivemos uma nova realidade na América Latina, especialmente na América do Sul que certamente implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.

Os atuais governos do Continente, apesar de todas as nuances do espectro de centro-esquerda, e mesmo um que outro que fuja a esse campo, têm apostado numa diplomacia capaz de garantir a autodeterminação dos diversos países da região, e a busca de pontos de unidade que os defenda de ingerências externas e intervenções, mesmo considerando-se o Haiti um ponto negro dessa história. A criação da Unasul, há um mês, faz parte dessa nova concepção de política internacional dos países do Continente.

No documento resultante da reunião da Unasul, A Declaração do Palácio de La Moneda, aprovada por unanimidade, os chefes de Estado e Governo presentes manifestam “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales”, e rejeitam qualquer situação que leve a um golpe, a ruptura da ordem institucional, ou comprometa a unidade territorial da Bolívia.

O que pode ter mudado no Continente?

Acontece, porém, que vivemos uma nova realidade na América Latina, especialmente na América do Sul que certamente implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.

Os atuais governos do Continente, apesar de todas as nuances do espectro de centro-esquerda, e mesmo um que outro que fuja a esse campo, têm apostado numa diplomacia capaz de garantir a autodeterminação dos diversos países da região, e a busca de pontos de unidade que os defenda de ingerências externas e intervenções, mesmo considerando-se o Haiti um ponto negro dessa história. A criação da Unasul, há um mês, faz parte dessa nova concepção de política internacional dos países do Continente.

No documento resultante da reunião da Unasul, A Declaração do Palácio de La Moneda, aprovada por unanimidade, os chefes de Estado e Governo presentes manifestam “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales”, e rejeitam qualquer situação que leve a um golpe, a ruptura da ordem institucional, ou comprometa a unidade territorial da Bolívia.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/america-do-sul-em-transe