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sexta-feira, 19 de julho de 2019
Abya Yala*/Honduras: 10 anos depois do golpe
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Abya Yala, Patria Grande/Movimento estudantil regional traçou rumos na Nicarágua
Os participantes ratificaram também a luta contra o sistema capitalista, propuseram como alternativa uma sociedade equitativa, digna e com justiça social e defenderam continuar fortalecendo o processo de integração.
Personalidades como a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba e o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, convidados
domingo, 24 de agosto de 2014
CRISE HUMANITÁRIA NA FRONTEIRA SUL DOS EUA PREOCUPA MERCOSUL
segunda-feira, 29 de julho de 2013
LECCIONES DE EL SALVADOR PARA LAS FARC COLOMBIANAS
terça-feira, 30 de abril de 2013
Descobertas no canal do Panamá mudam História da América
O istmo centro-americano se fechou há 10 milhões de anos e não há 3,5 milhões como se pensava até agora, como revelam achados encontrados nas obras de ampliação do canal do Panamá, uma descoberta que revolucionará os livros de História.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
O REGRESSO DO PRESIDENTE ZELAYA E A ESTRATÉGIA DE OBAMA PARA A AMÉRICA LATINA
A reinstalação do regime constitucional em Honduras será mais lenta do que era previsível.
A irracionalidade do golpe e o seqüestro e expulsão (em pijama) do presidente Manuel Zelaya, ao provocarem a imediata condenação do cuartelazo pela ONU, pela União Européia e pelos Estados Unidos, a retirada da maioria dos embaixadores e o conseqüente isolamento internacional do pequeno país centro-americano, geraram a convicção de que o regresso do chefe de Estado não esbarraria com grande oposição.
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Não foi o que aconteceu. Insulza, o presidente da Organização dos Estados Americanos, escutou um rotundo não em Tegucigalpa quando ali foi exigir dos representantes do Supremo Tribunal Eleitoral e da Procuradoria da República o imediato restabelecimento da normalidade constitucional, isto é a volta de Zelaya e o fim de um governo fantoche não reconhecido por pais algum.
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Quando o avião em que viajava Zelaya se aproximou do aeroporto de Tegucigalpa o exército disparou sobre o povo – correspondentes de alguns media presentes na capital de Honduras avaliam a multidão ali concentrada em 300.000 pessoas – matando três manifestantes e ferindo dezenas. A polícia hondurenha responsabilizou o exército pelas mortes e os feridos, já que, disse o responsável presente no aeroporto, Coronel Mendoza, já tinha dado ordem à polícia para retirar. Os generais que assaltaram o poder tiraram a máscara.
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Apesar de ver recusado o pedido de aterragem e das ameaças de intercepção por aviões da Força Aérea hondurenha, o avião presidencial fez duas aproximações à pista de aterragem (23,55 horas de Lisboa), não lhe tendo sido possível aterrar por os militares golpistas terem mandado ocupar a pista com veículos militares. O avião presidencial aterrou em Manágua e daí seguiu para Salvador, onde reuniu com os presidentes Cristina Kirchner da Argentina, Rafael Correa do Equador, Fernando Lugo do Paraguai, Muricio Funes de Salvador e José Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos.
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A tenaz resistência dos golpistas é tema de múltiplas e contraditórias especulações. Até agora um denso véu de mistério envolve a teia de cumplicidades que precedeu a tomada do poder pelas Forças Armadas. É possível que nunca se esclareça quando e em que circunstancias o Presidente Obama foi informado do envolvimento de responsáveis da Administração norte-americana no golpe. Mas foi já confirmado que, nos dias anteriores à decisão do Tribunal de «afastar» Zelaya e substituí-lo por um parlamentar marionete, se realizaram na Embaixada dos EUA reuniões secretas com a participação dos golpistas. Segundo as agências noticiosas, o embaixador teria desenvolvido esforços para evitar que levassem adiante a intentona.
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Essas revelações colocam a Casa Branca numa posição muito incômoda, porque o seu silêncio somente foi quebrado após a concretização do gorilazo. Com a agravante de os EUA não terem retirado o embaixador.
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Segundo o Departamento de Estado, o diplomata trabalhava para uma solução para a crise que conduzisse a um compromisso entre as «partes em conflito».
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Em Honduras, tradicionalmente, as Forças Armadas não tomam qualquer decisão importante sem o aval do Embaixador dos EUA. Na capital está instalada uma base militar norte-americana. Os generais golpistas estudaram na famosa Escola das Américas dos EUA e gozam da inteira confiança do Pentágono.
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Que se passou então nos bastidores?
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É transparente que esses militares, os juízes do Supremo Tribunal Eleitoral, o «presidente» fantoche e a maioria dos deputados contavam com apoios que não funcionaram.
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Também merece reflexão a atitude do Cardeal Óscar Rodriguez, repetidamente apontado como possível sucessor de Bento XVI. O purpurado, mesmo após a condenação mundial do golpe, dirigiu um apelo ao Presidente Zelaya para que não voltasse no domingo a Tegucigalpa.
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Desde já se pode afirmar, porém, que a inevitável derrota do golpe será um acontecimento político que pelo seu significado transcende o quadro centro-americano.
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O desfecho previsível – uma vitória dos governos progressistas da América Latina – inviabilizará o desenvolvimento da estratégia esboçada para a Região pelo presidente Obama.
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Manuel Zelaya, sublinhe-se, é um político corajoso e com o sentido da dignidade, mas não um revolucionário. Tem como político um passado conservador. Foi eleito como candidato do Partido Liberal, alinhado com Washington. Mas a partir de 2008 fez tímidas reformas que desagradaram à direita, visitou Havana e aproximou-se dos governos de Chávez, do boliviano Evo Morales e do equatoriano Rafael Correa, precisamente a troika que Washington identifica como ameaça à sua hegemonia no Hemisfério.
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A vaga de indignação levantada a nível mundial pelo cuartelazo colocou o Presidente Obama numa situação dilemática na qual todas as opções serão negativas para os chamados interesses dos EUA.
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Permanecer passivo teria um efeito devastador para a sua imagem de defensor intransigente da democracia no Continente. Decidiu condenar o golpe, mas consciente de que a contribuição dos presidentes da Venezuela, da Bolívia, do Equador e da Nicarágua para o fracasso do cuartelazo compromete o desenvolvimento da sua estratégia continental. Honduras já aderiu à Alba e tudo indica que a tendência de Zelaya será para uma aproximação maior com os governos e forças progressistas da América Latina.
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O embaixador de Honduras na Organização dos Estados Americanos (OEA), Clareton, não hesitou em acusar de cumplicidade Otto Reich, ex-subsecretário de Estado para as Américas de George Bush e destacada personalidade da extrema direita norte-americana, que esteve envolvido no golpe militar de 2001 montado para derrubar Hugo Chávez.
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Seria entrar no terreno da especulação fazer previsões sobre as seqüelas do golpe.
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O rumo das coisas em Honduras será decisivamente condicionado pela nova relação de forças resultante da derrota da oligarquia local e dos militares gorilas. O apoio das massas a Zelaya será porém, decisivo para o avanço do processo.
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Os acontecimentos dos últimos dias nas Honduras contrariaram a lógica aparente da história. Num país no qual as bases militares americanas e a CIA – sob a direção de John Negroponte, ex-proconsul no Iraque e ex-embaixador dos EUA na ONU – funcionaram como retaguarda dos contras nicaragüenses que combatiam a revolução sandinista, um Presidente vindo da direita, Manuel Zelaya, retoma as bandeiras de Francisco Morazan, o revolucionário hondurenho que no século XIX se bateu por uma América Central unida e progressista. (Original em ODiario.info)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
FIDEL DIZ QUE GOLPISTAS DE HONDURAS NÃO TÊM SALVAÇÃO
29 junho 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.b
Em um texto publicado por volta da meia-noite, na página oficial Cuba Debate, Fidel recomendou não ceder nenhum milímetro ante os militares e setores da oposição que apoiaram o golpe contra Zelaya. "Com esse alto comando golpista não se pode negociar, é preciso exigir sua renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo 'do povo, pelo povo, para o povo' em Honduras", escreveu.
"Os golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível", acrescentou. Fidel Castro recorda em seu texto que os golpistas não contam com o respaldo dos Estados Unidos, que apoiou muitos golpes de Estado na América Central durante a guerra fria.
"Até a senhora (Secretária de Estado dos EUA, Hillary) Clinton declarou já em horas da tarde que Zelaya é o único presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos", escreveu.
Irmão de Fidel, o presidente cubano Raúl Castro condenou no domingo o golpe contra Zelaya, qualificando-o de brutal. "A época das ditaduras militares na América Latina já passou", havia dito mais cedo o chanceler cubano Bruno Rodríguez. Zelaya foi levado à força para a Costa Rica, após ter sido sacado da residência presidencial por militares.
Confira a íntegra do artigo de Fidel Castro:
UM ERRO SUICIDA
Na reflexão escrita na noite da quinta-feira, 25, há três dias, eu disse: "Ignoramos o que acontecerá esta noite ou amanhã em Honduras, mas o comportamento valoroso de Zelaya passará à história."
Dois parágrafos antes, tinha assinalado: "Aquilo que lá aconteça será uma prova para A OEA e para a atual administração dos Estados Unidos."
A pré-histórica instituição interamericana se reuniu no dia seguinte, em Washington, e, em uma apagada e fraca resolução, prometeu realizar as gestões pertinentes imediatamente para procurar uma harmonia entre as partes em conflito. Quer dizer, uma negociação entre o golpistas e o presidente constitucional de Honduras.
O alto chefe militar, que continuava a comandar as Forças Armadas hondurenhas, fazia pronunciamentos públicos em discrepância com as posições do presidente, enquanto só de um modo meramente formal reconhecia a sua autoridade.
Não precisavam os golpistas de outra coisa da OEA. Não lhes importou nada a presença de um grande número de observadores internacionais que viajaram a esse país para dar fé de uma consulta popular, aos quais Zelaya falou até altas horas da noite.
Antes do amanhecer de hoje, eles lançaram cerca de 200 soldados profissionais bem treinados e armados contra a residência do presidente, que, separando brutalmente a esquadra de Guarda de Honra, seqüestraram Zelaya, que dormia. Ele foi conduzido à base aérea, colocado à força em um avião e transportado a um aeroporto na Costa Rica.
Às 8h30 da manhã, conhecemos pela Telesur a notícia do assalto à casa presidencial e o seqüestro. O presidente não pôde assistir ao ato inicial da consulta popular, que aconteceria este domingo. Era desconhecido o que tinham feito com ele.
A emissora da televisão oficial foi silenciada. Desejavam impedir a divulgação prematura da traiçoeira ação através de Telesur e Cubavisión Internacional, que informavam dos fatos. Suspenderam por isso os centros de retransmissão e acabaram cortando a eletricidade em todo o país. Ainda o Congresso e os altos tribunais envolvidos na conspiração não tinham publicado as decisões que justificavam o conluio. Primeiro levaram a cabo o inqualificável golpe militar e depois o legalizaram.
O povo acordou com os fatos consumados e começou a reagir com grande indignação.
Não se conhecia o destino de Zelaya. Três horas depois, a reação popular era tal, que foram vistas mulheres batendo com o punho nos soldados, cujos fuzis quase caiam das suas mãos por puro desconcerto e nervosismo.
Inicialmente, os seus movimentos pareciam os de um estranho combate contra fantasmas, depois tentavam cobrir com as mãos as câmaras de Telesur, apontavam tremendo os fuzis contra os repórteres, e, às vezes, quando as pessoas avançavam, os soldados recuavam. Enviaram transportadores blindados com canhões e metralhadoras. A população discutia sem medo com os soldados nos blindados; a reação popular era surpreendente.
Ao redor das 2h da tarde, em coordenação com os golpistas, uma maioria domesticada do Congresso depôs Zelaya, presidente constitucional de Honduras, e designou um novo Chefe de Estado, afirmando ao mundo que aquele tinha renunciado, apresentando uma falsificada assinatura. Minutos depois, Zelaya, de um aeroporto na Costa Rica, informou todo o acontecido e desmentiu categoricamente a notícia da sua renúncia. Os conspiradores fizeram o ridículo perante o mundo.
Muitas coisas aconteceram hoje. Cubavisión dedicou-se completamente a desmascarar o golpe, informando o tempo todo a nossa população.
Aconteceram fatos de caráter totalmente fascista, que não por esperados deixam de surpreender.
Patrícia Rodas, a ministra de Relações Exteriores de Honduras, foi depois de Zelaya o objetivo fundamental dos golpistas. Outro destacamento foi enviado a sua residência. Ela, valente e decidida, se moveu rápido, não perdeu um minuto em denunciar por todos os meios o golpe.
O nosso embaixador tinha estabelecido contato com Patrícia para conhecer a situação, como o fizeram outros embaixadores. Num momento determinado, pediu aos representantes diplomáticos da Venezuela, da Nicarágua e Cuba que se reunissem com ela, que, ferozmente acossada, precisava de proteção diplomática. O nosso embaixador, que desde o primeiro instante estava autorizado a oferecer o máximo apoio à ministra constitucional e legal, partiu para visitá-la na sua própria residência.
Quando estavam já na sua casa, o comando golpista enviou o Major Oceguera para prendê-la. Eles se colocaram diante da mulher e lhe disseram que estava sob a proteção diplomática, e que só poderia mover-se em companhia dos embaixadores. Oceguera discutiu com eles e o fez de maneira respeitosa.
Minutos depois, entraram na casa entre 12 e 15 homens uniformizados e encapuzados. Os três embaixadores se abraçaram a Patrícia; os mascarados atuaram de forma brutal e conseguiram separar os embaixadores da Venezuela e Nicarágua; Hernández a pegou tão fortemente por um dos braços, que os mascarados arrastaram ambos até um furgão ; levaram-nos à base aérea onde conseguiram separá-los, e levam-na com eles.
Estando ali detido, Bruno, que tinha notícias do sequestro, se comunicou com ela através do celular; um mascarado tentou de arrebatar-lhe rudemente o telefone; o embaixador cubano que já tinha sido golpeado na casa de Patrícia, grita-lhe: "Não me empurre, porra!" Não me lembro se a palavra que pronunciou foi alguma vez usada por Cervantes, mas sem dúvida o embaixador Juan Carlos Hernández enriqueceu a nossa língua.
Depois o deixaram em uma rodovia longe da missão e antes de abandoná-lo lhe disseram que, se falasse, poderia acontecer-lhe alguma coisa pior. "Nada é pior do que a morte! ", respondeu-lhes com dignidade, "e não sinto medo de vocês por isso”. Os vizinhos da área o ajudaram a voltar à embaixada, de onde imediatamente comunicou-se mais uma vez com Bruno.
Com esse alto comando golpista não se pode negociar, é necessário exigir a sua renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo "do povo, pelo povo e para o povo" em Honduras.
Os golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível se o problema for encarado com firmeza.
Até a Senhora Clinton declarou que Zelaya é o único Presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos.
De pijamas até há algumas horas, Zelaya será reconhecido pelo mundo como o único presidente constitucional de Honduras".
Fidel Castro Ruz
28 de junho de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
FMLN INICIA NOVA ERA PARA O POVO SALVADORENHO
18 março 2009/O outro lado da Notícia
http://outroladodanoticia.wordpress.com
O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, viajará quinta-feira para o Brasil, onde se reunirá com Luiz Inácio Lula da Silva em sua primeira viagem ao exterior desde sua vitória nas eleições de domingo.
Funes viajará acompanhado da mulher, a brasileira Vanda Pignato, líder e representante do PT para a América Central, disse o porta-voz do presidente eleito, David Rivas.
O assessor disse que o encontro de Furnes com Lula pode acontecer na segunda-feira.
Mas nada é certo, já que ainda “estão sendo feitos ajustes” na agenda do presidente salvadorenho recém-eleito.
“Lula foi o primeiro que, no domingo, entrou em contato com Funes para parabenizá-lo por sua vitória”, disse Rivas, segundo quem o presidente brasileiro confirmou sua intenção de aumentar a cooperação do Brasil com El Salvador.
Funes, da ex-guerrilheira Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), visitará primeiro a cidade de São Paulo, onde se reunirá com familiares de sua mulher.
Depois, seguirá para Brasília, disse seu porta-voz.
Além do encontro com Lula, Funes deverá se reunir com dirigentes do PT e ministros do governo. (Com agências)
http://outroladodanoticia.wordpress.com/2009/03/18/lula-sera-primeiro-lider-visitado-por-presidente-eleito-de-el-salvador/
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El Salvador/FUNES QUER ESTREITAR LAÇOS COM EUA E BRASIL
O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, declarou que aspira estreitar relações com os Estados Unidos, para garantir a estabilidade dos cidadãos
salvadorenhos que vivem no país norte-americano. Funes reecebeu os cumprimentos do governo dos EUA pela vitória. E disse que pretende se inspirar no presidente do
Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
17 março 2009/Vermelho http://vermelho.org.br
"Eu aspiraria estreitar as relações com o presidente (Barack) Obama, para garantir a estabilidade migratória dos quase 2,5 milhões de salvadorenhos que vivem e trabalham nos Estados Unidos", manifestou Funes.
Com o triunfo da FMLN, que obteve 51,27% dos votos, o país encerrou 20 anos de governo da direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena), forte aliado dos Estados Unidos que, inclusive, chegou a enviar tropas para apoiar a ocupação do Iraque.
Entrevistado pela agência Reuters, o candidato ganhador da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) assinalou que quer se inspirar no presidente Lula, como exemplo de como manejar a crise econômica que está atingindo a nação da América Central devido a uma queda nas remessas familiares.
Segundo Funes, a admiração se deve, sobretudo, pelo fato de o governo Lula manter a estabilidade macroeconômica do país em meio à crise e por seus programas para
combater a pobreza. "Eu vejo com especial atenção a construção de relações mais estreitas com o governo Lula", expressou o presidente eleito.
EUA "ansiosos" para trabalhar com Funes
O governo dos Estados Unidos cumprimentou, segunda-feira, o presidente eleito de El Salvador e ressaltou que o resultado das urnas representa "a decisão do povo salvadorenho e deve ser respeitado".
"Quero felicitar o povo de El Salvador por eleições muito livres, justas e democráticas", disse Robert Wood, um dos porta-vozes do Departamento de Estado norte-americano.
O candidato derrotado da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), Rodrigo Ávila, também foi saudado pela Casa Branca por "participar das eleições e respeitar seu resultado".
Wood indicou ainda que os Estados Unidos estão "ansiosos" para trabalhar com o novo governo de El Salvador e definir a agenda bilateral.
O porta-voz descartou a possibilidade de que as boas relações entre Washington e a direita salvadorenha, da qual a Arena faz parte, poderiam comprometer a aproximação com o presidente eleito. "Este é um governo democraticamente eleito. O povo de El Salvador tomou uma decisão e essa vontade deve ser respeitada", considerou.
Boa parte da economia do país centro-americano está condicionada a remessas enviadas por emigrantes que vivem nos Estados Unidos. Durante a campanha, congressistas do Partido Republicano ameaçaram impor sanções a este dinheiro caso a FMLN chegasse ao poder. E muitas foram as tentativas de passar à população que, caso Funes vencesse, as relações com os EUA estariam ameaçadas.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, também parabenizou Funes nesta segunda-feira e destacou o clima de "normalidade" em que ocorreram as eleições, sem o registro de episódios de violência.
Insulza enfatizou que a população "demonstrou seu apego à democracia e exerceu em paz seu direito a votar, deixando para trás uma história de brutal enfrentamento que trouxe apenas dor" ao país.
Entre 1980 e 1992, El Salvador viveu uma intensa guerra civil. O partido FMLN tem origem em uma guerrilha de esquerda que atuou neste período.
Ao se referir ao candidato derrotado, o secretário da OEA indicou que o respeito de Ávila pelo resultado representa "uma atitude importante para impor tranquilidade e preservar a harmonia entre os atores políticos que deram uma grande lição de civismo".
Transição
O atual presidente de El Salvador, Antonio Saca, anunciou , ontem, que já se comunicou com o seu sucessor, Maurício Funes, para iniciar o processo de transição do governo. Saca disse que espera que esse trabalho seja "tranqüilo" e que colocará sua administração à disposição para fornecer dados à nova gestão. (Fontes: Ansa e ABN)
http://vermelho.org.br/base.asp?texto=52542
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EL SALVADOR E OS CRIMES DE RONALD REAGAN
A eleição presidencial vencida esta semana em El Salvador pelo jornalista Mauricio Funes, candidato dos ex-guerrilheiros da Frente Farabundo Marti de Libertação
Nacional (FMLN), pode representar, simbolicamente, o fim há muito esperado de um pesadelo. A tragédia desse país e da América Central agravou-se em 1981-89, com o
apoio do presidente Ronald Reagan a ditaduras sanguinárias.
Argemiro Ferreira
18 março 2009/Vermelho http://vermelho.org.br
Fonte: Blog do Argemiro Ferreira
O alegre ex-ator que chegou à Casa Branca graças à crise dos reféns do Irã é festejado hoje pelo Partido Republicano como herói e santo padroeiro. Mas sua escalada na ingerência dos EUA na guerra civil salvadorenha, com injeção de bilhões de dólares em ajuda militar, elevou a 80 mil as mortes em 12 anos de guerra civil - 95% do total, segundo estimativa da ONU, vítimas do próprio governo.
É preciso levar em conta, para avaliar melhor o significado desses dados, que El Salvador é o menor país da América Central (21 mil km2, menor do que o estado de Sergipe) e o único sem saída para o mar do Caribe. Mas tem população de 7 milhões de habitantes e fica espremido entre três muito maiores - Guatemala, Honduras e Nicarágua, na costa ocidental centro-americana, no Pacífico.
Os ideólogos conservadores do presidente Reagan, alguns dos quais (como Jeane Kirkpatrick e Eliott Abrams) seriam mais tarde englobados pela direita americana no neologismo neocon, concluiram na época que haveria naquele país uma espécie da batalha do Armagedon - as forças do bem (o Ocidente cristão e democrático) contra o império do mal (o comunismo ateu).
O entusiasmo do embaixador White
Como também acontecera logo no início da campanha de propaganda de John Kennedy e Lyndon Johnson para vender a guerra do Vietnã, Ronald Reagan publicou o que chamou de white paper, para justificar o envolvimento em El Salvador. No texto, deixava de lado a realidade social do país e definia a situação como “um caso didático de agressão armada indireta por potências comunistas através de Cuba”.
Pouco mais de um ano antes da eleição de Reagan, a ditadura da família Somoza, sustentada pelos EUA desde a década de 1930, ruíra na vizinha Nicarágua. E em outubro de 1979, em El Salvador, o general-presidente Carlos Humberto Romero, beneficiário de uma eleição fraudada em 1977, foi deposto num golpe que instalou uma Junta moderada, com quatro civis e um militar, e prometeu eleições.
A queda de Romero alimentava esperança. Estava na Casa Branca o presidente Jimmy Carter, que dava ênfase aos direitos humanos na política externa. Ele restabeleceu a ajuda militar “não letal” (suspensa em 1977) a El Salvador, enviou um pequeno grupo de assessores militares e nomeou um embaixador inquieto e dinâmico, talvez demais, Robert White.
Liberal bem intencionado, com idéias próprias e experiência razoável na América Latina, White apostou em José Napoleón Duarte, politico democrata-cristão que fora vítima da repressão militar e aceitou integrar a Junta e depois ser presidente. Via nele a receita certa contra a esquerda. Mas do lado militar destacava-se o chefe da espionagem Roberto D’Aubuisson, major treinado na School of the Americas - a “escola de ditadores” do Exército dos EUA.
Um assassino patológico em ação
A relevância do papel de D’Aubuisson, que o embaixador White chamaria depois de “assassino patológico”, seria melhor avaliada a partir da execução em março de 1980, em plena missa, do arcebispo Oscar Romero, crítico da repressão militar. O major era o principal suspeito mas só anos depois seria comprovado que a matança na catedral fora perpetrado por um dos esquadrões da morte e grupos paramilitares criados por ele.
Fora do serviço militar ativo, D’Aubuisson manteve dupla atuação - a ostensiva, legal; e a oculta, ilegal. Em 1981 fundou seu partido de ultradireita, a Arena (Aliança Republicana Nacionalista), que acabaria por controlar o poder até a derrota de 2009. D’Aubuisson, que também parecia anti-semita e simpático a Hitler, dizia abertamente - como registrou o Washington Post em agosto de 1981 - que “só matando umas 300 mil pessoas haverá paz em El Salvador”.
Além de ver comunistas debaixo da cama, costumava vê-los até na residência do embaixador dos EUA. Preso por poucos dias em 1980, acusado de conspirar para derrubar o governo com um golpe, mandou seguidores protestarem em frente à casa de Robert White, gritando insultos e exibindo cartazes que exigiam a saída do embaixador: “White comunista! Fora de El Salvador! Vá para Cuba!”
Nos EUA, Reagan pode ter acreditado. Dez dias depois de sua posse, em janeiro de 1981, o novo presidente anunciou sua primeira decisão de política externa: a demissão sumária do embaixador White. Sequer houve surpresa: a campanha de Reagan parecia enviar a cada dia um novo alento à direita militar em diferentes pontos do continente – especialmente a de El Salvador, onde a violência aumentava com fatos assustadores.
Haig e as freiras que não rezavam
No fim de junho, soldados invadiram a Universidade Nacional (depois fechada) e mataram mais de 50 pessoas. Eleito Reagan em novembro, cinco dirigentes da FDR, aliada da FMLN, foram torturados e mortos. Em dezembro, soldados estupraram, mataram e enterraram quatro religiosas americanas que faziam trabalho social. “Rezando elas não estavam”, diria depois o leviano Alexander Haig, secretário de Estado de Reagan.
Ainda como presidente-eleito, Reagan e assessores como Kirkpatrick receberam homens de negócios de El Salvador, aos quais ele garantiu que ia aumentar a ajuda militar dos EUA. Pralelamente, Kirkpatrick e Vernon Walters viajariam a vários países, inclusive a Argentina dos generais (e dos "desaparecidos") e o Chile de Pinochet, para assegurar que direitos humanos já não frequentavam a pauta da política externa dos EUA.
O efeito da mudança de governo foi dramático. Um ano depois da posse de Reagan o New York Times e o Washington Post revelaram mais massacres de camponeses, atribuídos aos militares. No maior, de El Mozote, mais de 100 foram mortos e enterrados. E em reportagem de capa, Newsweek devassaria no início de novembro de 1982 a guerra secreta dos EUA contra a Nicarágua na fronteira de Honduras.
O pesadelo de El Salvador devia ter terminado em 1992. Nesse ano D’Aubuisson morreu de câncer e foram assinados os Acordos de Paz mediados pela ONU, que instalou a Comissão da Verdade para investigar massacres, assassinatos e tortura. Mas faltava derrotar o partido do criador de esquadrões da morte. Até porque o sonho de D’Aubuisson era matar pelo menos mais 300 mil salvadorenhos.
http://vermelho.org.br/base.asp?texto=52638
sábado, 20 de setembro de 2008
AMÉRICA DO SUL EM TRANSE
Vivemos uma nova realidade na América Latina que implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.
19 setembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br
Editorial ed. 290
Tudo aconteceu e se agravou exatamente nos dias que antecederam e durante a semana em que se completavam 35 anos do golpe contra o Governo do presidente chileno constitucionalmente eleito, Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973.
No Paraguai, alarmes soaram no 1º de setembro, quando o presidente Fernando Lugo reuniu a imprensa e denunciou movimentos de dois ex-presidentes do país, os senhores Nicanor Duarte e Lino Oviedo, no sentido de gerar uma desestabilização institucional que poderia culminar em golpe de Estado.
Em seguida, os oligarcas separatistas (“autonomistas”) do Oriente da Bolívia, lançaram-se a mais uma aventura no sentido de desestabilizar e derrubar o Governo do presidente Evo Morales, que acabava de sair vitorioso do Referendo Revogatório de 10 de agosto, com 67,41% dos votos.
Enquanto isto, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciava o desbaratamento de uma tentativa de golpe também contra o seu Governo, que incluía o seu assassinato.
Se nos casos do Paraguai e da Venezuela, a situação interna rapidamente se recompôs, na Bolívia a crise se estendeu por toda a semana e, embora ainda não esteja de todo debelada, a pronta ação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que se reuniu em Santiago (Chile), no dia 15, tenha sido importante para estancar, pelo menos provisoriamente a crise. Até o momento, os dados oficiais falam de 15 camponeses mortos, 25 feridos e 106 desaparecidos, em conseqüência da chacina promovida pelos capatazes (e pistoleiros contratados no Brasil e Peru) do governador “autonomista” de Pando, senhor Leopoldo Fernández, preso desde o dia 16.
O Governo Morales declarou o embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg, persona non grata ao país, e o presidente Chávez expulsou de Caracas o embaixador estadunidense, senhor Patrick Duddy. Enquanto isto, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, suspendeu o recebimento das credenciais do novo embaixador de Washington em seu país, em solidariedade ao seu colega boliviano, Evo Morales.
Na opinião do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, senhor Barack Obama, a expulsão dos embaixadores é um “confronto fabricado” pelo Governo Chávez. Para seu colega republicano, senhor John McCain, esta escalada das tensões diplomáticas é um alerta sobre “as tendências perigosas” no Continente.
Ou seja, foi uma semana em que a América Latina ferveu, e quando se aproveitou para lançar ainda mais lenha na fogueira: Caracas recebeu em seu aeroporto militar dois bombardeiros estratégicos russos TU-160, e aproveitou para divulgar que, até o final deste ano, deverá receber o contratorpedeiro Pedro O Grande, o cruzador Almirante Chabanenko e outros vasos de guerra russos.
Da parte deles, o arroz com feijão de sempre
Enfim, crises geradas a partir de uma velha receita das elites do Continente. Primeiro, a palavra de ordem é abortar qualquer experiência política que fuja aos interessses dos oligarcas e elites da região, e/ou que possa fugir ao controle e aos projetos de Washington. Para isto, inicia-se a conspiração, envolvendo diplomatas da Casa Branca e os representantes das elites locais. Passo seguinte, ganhar as forças armadas do país em questão. Apoio e presença indispensável, a grande mídia comercial é sempre indispensável. Assim, cria-se algum pretexto capaz de desqualificar o Governo em questão para que os grandes jornais, revistas, rádios, TVs comerciais possam fazer a campanha. Nesse meio tempo, um trabalho de articulação diplomática com os países vizinhos e algumas potências para garantir o apoio internacional. Daí, avalia-se se essas forças são suficientes. Caso positivo, desencadeia-se o golpe (sempre em nome da democracia), como foi regra nas Américas desde sempre, ainda que nossa memória se detenha mais nos exemplos dos anos 1960 e 1970, no Cone Sul do Continente, a começar pelo golpe de 1964, contra o governo do presidente João Goulart – o Jango, em nosso país. E todos os seguintes, como o Chile, em 1973, Argentina, 1976, etc., fazendo descer uma espessa noite no Continente.
Caso a aliança dessas forças não dê conta da empreitada, bem, os mercenários podem sempre ser contratados. E num Continente onde a maioria dos países fala a mesma língua, nada é tão difícil assim. Exemplar nesse sentido foi a inavasão da Guatemala, em 1954, por um exército de mercenários recrutados pelos EUA e pelas elites guatemaltecas entre a marginália e o lumpesinato da América Central e do Caribe.
O que pode ter mudado no Continente?
Acontece, porém, que vivemos uma nova realidade na América Latina, especialmente na América do Sul que certamente implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.
Os atuais governos do Continente, apesar de todas as nuances do espectro de centro-esquerda, e mesmo um que outro que fuja a esse campo, têm apostado numa diplomacia capaz de garantir a autodeterminação dos diversos países da região, e a busca de pontos de unidade que os defenda de ingerências externas e intervenções, mesmo considerando-se o Haiti um ponto negro dessa história. A criação da Unasul, há um mês, faz parte dessa nova concepção de política internacional dos países do Continente.
No documento resultante da reunião da Unasul, A Declaração do Palácio de La Moneda, aprovada por unanimidade, os chefes de Estado e Governo presentes manifestam “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales”, e rejeitam qualquer situação que leve a um golpe, a ruptura da ordem institucional, ou comprometa a unidade territorial da Bolívia.
O que pode ter mudado no Continente?
Acontece, porém, que vivemos uma nova realidade na América Latina, especialmente na América do Sul que certamente implicará mudanças na velha receita dos EUA e da extrema direita para manobrar o Continente.
Os atuais governos do Continente, apesar de todas as nuances do espectro de centro-esquerda, e mesmo um que outro que fuja a esse campo, têm apostado numa diplomacia capaz de garantir a autodeterminação dos diversos países da região, e a busca de pontos de unidade que os defenda de ingerências externas e intervenções, mesmo considerando-se o Haiti um ponto negro dessa história. A criação da Unasul, há um mês, faz parte dessa nova concepção de política internacional dos países do Continente.
No documento resultante da reunião da Unasul, A Declaração do Palácio de La Moneda, aprovada por unanimidade, os chefes de Estado e Governo presentes manifestam “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales”, e rejeitam qualquer situação que leve a um golpe, a ruptura da ordem institucional, ou comprometa a unidade territorial da Bolívia.
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/america-do-sul-em-transe
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Brasil/DO FOME ZERO AOS AGROCOMBUSTÍVEIS
Roberto Malvezzi, Gogó *
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
11 agosto 2008
Adital - Quando Lula tomou posse, uma de suas primeiras atividades foi reunir seu ministério e levá-lo até Guaribas, sertão do Piauí. Andando longo trecho de ônibus, os ministros que só conheciam o sertão pelos livros e TVs, puderam pôr o pé na realidade. O gesto era simbólico e, como já advertia Frei Betto, não era a revolução, mas era o que podia um governo eleito pelo voto. Lula proclamara o "Fome Zero" como uma das metas principais de seu governo. Depois, diante de observações feitas aqui das bases do Nordeste, o próprio Ministério do Meio Ambiente proclamou o "Sede Zero". De qualquer forma, soava diferente de todos os governos anteriores.
O tempo se encarregou de mudar Lula e seu governo. A adesão firme ao agro e hidronegócios fez com que optasse pelos transgênicos ao invés de uma agricultura familiar diversificada e rica em alimentos, embora invista também nela, mas jamais na mesma proporção. Optou pela transposição do São Francisco ao invés de investir em obras descentralizadas de abastecimento, como as adutoras para as cidades do Nordeste. Finalmente, optou pelos agrocombustíveis em detrimento da produção de alimentos. Dá para demarcar passo a passo, numa linha do tempo, as mudanças profundas na rota do governo Lula.
Em Salvador, inaugurando obras e fomentando a aqüicultura nos mangues brasileiros, também em detrimento das populações pesqueiras do litoral, Lula disse que "não seria louco de deixar de encher o tanque do povo para encher o tanque dos carros". De repente, parecia o velho Lula, com aquele semblante de indignação diante das injustiças brasileiras. Mas, a realidade é que ele estava apenas querendo justificar sua opção pelos agrocombustíveis, sempre na argumentação que não existe paradoxo entre produzir alimentos e agrocombustíveis. O assunto é uma espada no pescoço de seu governo e não faltam estatísticas de todos os tipos para contestar a linha de pensamento do presidente.
Esses dias, o preço das comodities agrícolas despencou e o programa do biodiesel da mamona faliu. O aumento da fome no mundo, em um ano, já passa de 100 milhões de pessoas. O preço dos alimentos explodiu. Contraria as metas do milênio e coloca a humanidade numa encruzilhada tenebrosa. O governo, ao pôr os melhores solos brasileiros a favor dos agrocombustíveis, ao incentivar a América Central e a África para o mesmo caminho, a pretexto de favorecer a renda dos agricultores, pode estar incentivando a escassez de alimentos no mundo. E não adianta falar em safra recorde porque essas comodities não põem a mesa do povo brasileiro.
Assim, um governo que fez do combate à fome sua grife, pode terminar seus dias colaborando com o aumento da fome sistêmica em todo o planeta.
* Agente Pastoral da Comissão
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Com apoio chinês, Venezuela vai fabricar celulares para AL
Caracas, 31 julho 2008 (Lusa) - Caracas pretende colocar em funcionamento, com o apoio de empresas chinesas, duas fábricas de celulares até o final de 2009, anunciou a ministra venezuelana de Telecomunicações e Informática, Socorro Hernández.
Segundo a ministra, as empresas chinesas ZTE e Huawei foram eleitas para desenvolver os projetos, fruto de acordos assinados entre Venezuela e China em 2006, que prevêem a criação de mais de 200 "fábricas socialistas" no país sul-americano.
Socorro Hernández, que também é presidente da estatal Companhia Anônima Nacional de Telefones da Venezuela (Cantv), contou que uma das fábricas de celulares terá sede em Paraguaná (600 quilômetros a oeste de Caracas) e a outra funcionará provisoriamente na capital venezuelana, podendo ser transferida depois para Paraguaná ou para Cuba.
O objetivo das fábricas é assegurar o fornecimento de celulares de baixo custo à América Central, do Sul e Caribe, estimando-se que a produção anual supere dois milhões de unidades.
domingo, 1 de junho de 2008
EL SISTEMA REPRESIVO IMPERIAL CONTRA NUESTRAS NACIONES
La adaptación al siglo XXI de la vieja doctrina de la seguridad nacional
2008 mayo 2008 / ALAI, América Latina en Movimiento http://alainet.org
No nos cabe la más mínima duda de que, a pesar de cuanto digan nuestros gobernantes, la Doctrina de la Seguridad Nacional sigue plenamente vigente, ahora aplicada por EEUU a nivel planetario; sólo se le han hecho algunas actualizaciones “cosméticas” para adaptarla a la nueva situación internacional que se vive desde poco antes de comenzar el siglo XXI.
La “Estrategia para la Seguridad Nacional de Estados Unidos” enviada por el Presidente George W Bush al Congreso de su país en setiembre de 2002, muestra sin eufemismos, la forma en que ese gobierno piensa materializar en los hechos, su categoría de máxima potencia militar, económica y financiera del mundo actual..
Divide al mundo en dos grandes grupos de países: los que tienen el monopolio del bien (en primer lugar EEUU) y quienes practican el mal. Es la perfecta interpretación de la doctrina maniquea sobre el bien y el mal.
“Se está con nosotros” (faltaría agregar “incondicionalmente”) o se está con los terroristas”, afirmó el Presidente Bush.
En su mensaje al Congreso manifestó su decisión de mantener la preeminencia de los intereses nacionales de EEUU, recurriendo a toda forma de presión contra quien intente interponerse en su camino: diplomáticas, financieras, económicas y aún con ataques militares sin restricciones; si es posible, por resolución del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas, pero, de no existir tal resolución, el ataque se hará igual por decisión unilateral de EEUU, (tal como ocurrió en Irak).
Los objetivos de la política exterior de EEUU hacia Latino América son:
- Apoyo irrestricto a la democracia representativa, (por ser la que más fácil pueden manejar con sobornos, amenazas y otros métodos mafiosos).
- Libre circulación de capitales y mercancías (no de personas), con estados nacionales de limitados poderes y con prohibición de interferir o competir con la actividad privada, (principio básico del NAFTA y de los otros tratados de libre comercio).
- Mantener el orden en el interior de cada país, incluso si fuera necesario con las fuerzas combinadas de varios países.
Recordemos que los organismos que le dieron vida a la Doctrina de la Seguridad Nacional fueron:
Junta Interamericana de Defensa (JID), (creada en 1942).
Tratado Interamericano de Asistencia Recíproca (TIAR) (l947).
Organización de Estados Americanos (OEA) (1948).
Programas de Ayuda Militar (PAM) (1951).
Ejercicios Combinados entre fuerzas militares de EEUU y de países de Latino Americano, (desde fines de la Segunda Guerra Mundial hasta la actualidad).
Doctrina Militar de Guerra Antisubversiva o Contrarrevolucionaria (desarrollada por Francia para sus guerras coloniales en Indochina y Argelia)
Reuniones de Jefes de Ejércitos, Marinas y Fuerzas Aéreas, (desde l960.en adelante, de ellas surgió el “Operativo Cóndor” para el intercambio de prisioneros y de sicarios entre los servicios de inteligencia de diferentes países sin intervención de la Justicia ni de las Cancillerías).
En la Cumbre de jefes de Estados Americanos realizada en Miami en 1994, se dispuso la convocatoria periódica de “Reuniones de Ministros de Defensa”, con la misión de fijar las políticas continentales sobre el tema.
En la primera de tales reuniones, realizada en Williamsburg (EE.UU.) el 25 y 26 de julio de 1995, se creó como se órgano de trabajo el “Consejo de Seguridad Hemisférico”; se dio por finalizada la Doctrina de la Seguridad Nacional y se la reemplazó por el “Sistema Interamericano de Defensa” (SIAD).
Como vemos, siguen existiendo todos los organismos militares que le dieron vida a la citada perversa doctrina, aunque les limita sus funciones al campo estrictamente militar y coloca por encima de todos ellos al mencionado Consejo de Seguridad Hemisférica.
Deja así la tarea rectora en manos de civiles formados en su gran mayoría en el “Centro de Estudios Hemisféricos de Defensa” integrado a la Nacional Defense University de los EE.UU., especializándolos en asuntos de defensa y militares. Los egresados ya sobrepasan ampliamente el millar y algunos de ellos ocupan actualmente altos cargos en los gobiernos de Latinoamérica.
Saquemos una primera conclusión de lo dicho hasta aquí: El Presidente Bush fijó claramente su intención de establecer a nivel planetario un terrorismo de estado similar al aplicado internamente en cada uno de nuestros países, por las dictaduras militares que nos asolaron en las décadas de los años 70 y 80 del siglo pasado. Incluye desapariciones de personas, torturas, asesinatos, secuestros, extorsiones, latrocinio, cárceles clandestinas (como Guantánamo) y similares acciones mafiosas.
Recalcamos que la diferencia principal con respecto a la doctrina anterior estriba en que el enemigo ya no es más el “movimiento comunista internacional”, reemplazado ahora por el “terrorismo internacional y el narcotráfico”.
Las misiones de las fuerzas armadas de Latinoamérica y el Caribe fueron actualizadas con tareas netamente represivas:
A.- Contra la propia población en caso en que los estallidos sociales superen la capacidad represiva de las fuerzas policiales y de seguridad.
B.- Contra rebeliones de campesinos que quieren ser dueños de las tierras que trabajan y se niegan a seguir viviendo en la más absoluta miseria; a este accionar le asignaron el pomposo nombre “lucha contra el narcotráfico.
C.- Contra los países de Tercer Mundo que por razones económicas, religiosas. culturales o las que sean, no aceptan el “nuevo orden mundial” que pretende imponer EE.UU.. Esta tarea tiene el no menos pomposo nombre de “Misiones de Paz de las Naciones Unidas”.
Haremos algunas sintéticas consideraciones sobre las Misiones de Paz de las Naciones Unidas:
Desde un punto de vista teórico estas Misiones implican tareas honrosas y trascendentes: ¿qué puede enaltecer más a un militar que contribuir a evitar las guerras y permitir así que los pueblos disfruten del goce de la paz?. Pero en la realidad –una vez más—los “nobles” enunciados, sólo sirven para encubrir las maniobras reales que realiza el imperialismo para mantener dominado al Tercer Mundo.
El ex Ministro de Defensa argentino Dr. Oscar Camillon, cuando aún era representante de las Naciones Unidas para la paz en Chipre, en reportaje al diario “La Nación” de Buenos Aires (12 mar 1993), explicó en inglés que hay tres tipos de operaciones: “peace keeping, peace making and peace enforcement”, conceptos que se traducen por cuidar la paz, hacer la paz e imponer la paz los que podrían explicarse de la siguiente manera:
Cuidar la paz: cuando dos bandos en pugna se ponen de acuerdo, las Naciones Unidas interponen fuerzas entre ellos para evitar nuevos enfrentamientos, por ejemplo Chipre donde están separados los griegos de los turcos.
Hacer la paz: es ayudar a los países o bandos enfrentados a encontrar una solución aceptable para ambos y luego hacerla respetar, por ejemplo lo que EEUU infructuosamente está tratando de hacer en Medio Oriente buscando la paz entre Israel y Palestina.
Imponer la paz: es la invasión lisa y llana de un país para imponerle un gobierno o modelos políticos, sociales, económicos, religiosos, culturales, etc. que más convengan a los intereses del poder hegemónico, como está ocurriendo actualmente en Irak sin resultados favorables.
Como vemos –salvo “imponer la paz” que felizmente Argentina no está en condiciones de afrontar por falta de personal y de medios—las otras misiones nada tienen que ver con la actividad militar, son tareas diplomáticas y policiales (control de personas y de vehículos, mantenimiento del orden público y similares). En consecuencia, nunca podrán ser una razón de peso para justificar la existencia de una fuerza armada.
El cerco se cierra: la aparición de la Cuarta Flota de los EEUU
Las prevenciones represivas militares tendientes a mantener a cualquier costo el perverso modelo socio económico del mundo globalizado, se fueron complementando inicialmente con las presiones de EEUU –ya exitosas con muchos países—para el dictado de leyes “antiterroristas” en las que, con una definición muy imprecisa del delito” terrorismo” (como en su momento lo fue el de “movimiento comunista internacional”), se va logrando que cualquier persona que intente un mejoramiento real en el nivel de vida de las clases más sumergidas, pueda ser fácilmente acusado de “terrorista” por incitar la comisión de acciones colectivas o individuales que intenten obligar al gobierno a adoptar resoluciones que no desea.
Se está logrando así la criminalización de las luchas sociales, ya que sus actores podrán fácilmente ser acusados de “terroristas” o de “financiar el terrorismo”, tal como ocurrió en Latino América durante las dictaduras militares del siglo pasado, cuando cualquiera podía ser acusado de ser comunista, con lo que, automáticamente, era privado de todos sus derechos humanos, aún de los más elementales.
También las previsiones específicamente militares continuaron perfeccionándose y ya se cuenta con el apoyo directo de la Marina estadounidense para terminar con todos los gobiernos que intenten materializar programas nacionalistas antiimperialistas.
La presencia de Fidel Castro en Cuba, preocupó mucho a EEUU y aún lo sigue haciendo, pero el limitado poder militar de la isla y de los aliados que transitoriamente pudo conseguir (Nicaragua y Granada), relativizaron su real peligro.
Los problemas derivados de las elecciones de gobiernos populistas en Brasil (Lula da Silva), Ecuador (Lucio Gutiérrez) y Uruguay (Tabaré Vázquez) se solucionaron fácilmente cuando los elegidos se olvidaron de sus plataformas electorales.
En la actualidad (mayo del año 2008) han aparecido serios problemas para los intereses estadounidenses: gobiernos antiimperialistas con posiciones similares a las cubanas en Venezuela, Bolivia, Ecuador y Nicaragua; los interrogantes que despierta la elección de Lugo en Paraguay; la imposibilidad colombiana de derrotar a los paramilitares y a la guerrilla (FARC Y ELN) a pesar de la enorme ayuda que le proporciona EEUU; las prevenciones del Fondo Monetario Internacional y del Banco Mundial alertando que el hambre mundial provocará (y ya lo está haciendo) serios estallidos sociales en varios países del Tercer Mundo
Todo ello ha llevado a que las “luces de alarma” hayan sido encendidas con su mayor potencia, ante lo cual, fiel a su avasallante y atropellante bicentenaria política internacional, no ha encontrado mejor solución que la de reactivar su IV Flota de Guerra, de la que daremos alguna información obtenida de los periódicos:
Esta Flota fue creada en l943 con la misión de combatir a los submarinos alemanes en el Atlántico Norte, siendo desactivada en 1950.
Volverá al servicio activo el 01 de julio de 2008 para “combatir el terrorismo y actividades ilícitas como el narcotráfico” y “para enviar un mensaje a Venezuela y al resto de la región”, informó el Pentágono. Actuará en el Caribe y América Central y del Sur.
Su base de operaciones estará en Mayport en el Norte de La Florida, y contará con un portaaviones nuclear, barcos de superficie, submarinos, cientos de oficiales y suboficiales y miles de soldados.
“Servirá para mandarle un mensaje a toda la región y no sólo a Venezuela” dijo el Contralmirante James Stevenson, Comandante de las Fuerzas Navales del Comando Sur.
“Servirá para demostrar el compromiso de EEUU con sus socios regionales entre los que se destaca Colombia por su lucha contra las FARC y el narcotráfico”. (Comunicado oficial del Pentágono).
“Interactuar con las Armadas de naciones aliadas en operaciones de entrenamiento bilateral y multilateral y operaciones contra el tráfico de armas o de drogas” (Comunicado de la Armada de EEUU).
“Respaldo el establecimiento de una nueva flota encabezada por un portaaviones nuclear para patrullar las aguas del Caribe y América Latina para respaldar operaciones antiterroristas” (Anuncio ante el Congreso de EEUU del Almirante James Stavridis, Jefe del Comando Sur).
El esquema entonces ya se cerró:
l.- Las fuerzas armadas de nuestros países ya tienen en claro sus misiones represivas y las formas en que deberán cumplirlas.
2.- Las “leyes antiterroristas” ya han sido sancionadas en muchos países y ya aparecerán en los que faltan para poder así criminalizar las luchas sociales y los intentos de lograr tener gobiernos nacionalistas y antiimperialistas.
3.- Ya están designadas las fuerzas Armadas de EEUU que participarán en esta nueva “cruzada”.
4.- Los “lugares clandestinos de detención” (como Guantánamo) están funcionando. Los atentados, asesinatos, secuestros, desaparición de personas, extorsiones y similares que ejecutan la CIA y sus afines latino americanas seguirán, tal como lo vienen haciendo desde hace décadas.
5.- La privacidad individual ya no se respeta por “razones patrióticas”.
Sólo nos queda entonces anhelar que todo esto termine en el más breve lapso posible con un reducido costo social y material, al mismo tiempo que se nos ofrece una clara, justa y concreta bandera por la cual luchar.
Buenos Aires, Mayo de 2008.
Coronel (R) Horacio P. Ballester
http://alainet.org/active/24020
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Para FAO, garantia à alimentação deve ser direito e não ato de caridade
Brasília, 10 abril 2008 - Apesar da redução de 12% no número de pessoas desnutridas entre o início dos anos 90 e o período de 2002 a 2004, mais de 52 milhões de habitantes da América Latina e do Caribe têm desnutrição crônica ou padecem de fome.
Os dados, divulgados hoje (10) pelo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Tubino, revelam, segundo ele, a necessidade de se discutir o problema sob uma ótica diferente: "Deve-se deixar de entender o acesso à alimentação como um ato de caridade e começar a considerá-lo um direito."
Ele completou: "Garantir que todos os seres humanos disponham de uma quantidade adequada e regular de alimentos é nada mais que uma obrigação moral. É um direito intrínseco à democracia e ao desenvolvimento e não uma concessão ou um ato episódico de filantropia.”
Ao participar da abertura da Conferência Especial pela Soberania Alimentar, pelos Direitos e pela Vida, Tubino reforçou que a redução no número de pessoas subnutridas na região é “insuficiente e muito desigual”. América do Sul e Caribe, de fato, acrescentou, apresentam um desempenho melhor, o que já não acontece na América Central, onde percentual de subnutridos passou de 17% para 19% da população.
“Estamos perdendo a guerra contra a fome na América Central. O número de pessoas que não se alimentam corretamente subiu de 5 milhões para 7,5 milhões”, alertou.
Tubino disse acreditar que a fome revela ainda a “desigualdade étnica” que existe na região, já que as comunidades mais atingidas pelo pouco acesso à alimentação, segundo a FAO, são as comunidades indígenas: “A persistência da fome no século 21 confronta a razão, questiona a civilização e as conquistas do desenvolvimento. Mas, sobretudo, é uma violência inadmissível em uma região onde não faltam comida ou meios para ampliar a oferta de alimentos.”
O continente americano, destacou, conta com um excedente na oferta de alimentos superior a 30% do total produzido, mais as importações: “Não deveria falta comida." Ele disse considerar "incompreensível" que as pessoas mais afetadas pela fome sejam as que vivem no campo, onde se produz a maior parte dos alimentos.
Segundo dados da FAO, 30% dos camponeses da América Latina são considerados indigentes. E mais da metade dos 71 milhões de indigentes da região vivem em áreas rurais. Para Tubino, “o dinamismo do setor agrícola ajuda a explicar o crescimento econômico da região, mas não beneficiou os pobres do campo – e isso não mudará enquanto os governos não tiverem políticas públicas específicas destinadas às populações rurais mais vulneráveis, que promovam a segurança alimentar, que favoreçam a produção da agricultura familiar, que melhorem o acesso dos camponeses aos recursos naturais e as condições laborais dos trabalhadores temporários.”
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/04/10/materia.2008-04-10.7220979185/view
