Mostrando postagens com marcador agronegócios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agronegócios. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Brasil/Raposa Serra do Sol:CIMI NORTE I REPUDIA “MARCHA PARA RORAIMA”

Brasil/Raposa Serra do Sol:CIMI NORTE I REPUDIA “MARCHA PARA RORAIMA”

14 agosto 2008/Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br

MARCHA DOS PRODUTORES REPRESENTA AMEAÇA

PARA COMUNIDADES INDÍGENAS DE RR

O Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Regional Norte I (AM/RR), vêm a público repudiar a “Marcha para Roraima” promovida por latifundiários e dirigentes de empresas vinculadas aos agronegócios. Esses personagens são responsáveis diretos pela devastação de grandes áreas de floresta e outros casos de destruição do meio ambiente e violências contra indígenas e pequenos produtores de vários estados.

Conforme notícias divulgadas pela imprensa, eles pretendem, no estado de Roraima, sair da capital Boa Vista até o município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, num trajeto de 210 quilômetros, onde existem várias comunidades indígenas vulneráveis em caso de agressão quando da passagem da referida marcha. Consideramos de extrema importância que os órgãos de segurança pública, especialmente a Polícia Federal, estejam presentes nas comunidades para inibir provocações e possíveis ataques contra as comunidades. Tal preocupação resulta da constatação de que várias aldeias foram invadidas, tiveram casas e retiros de gado incendiados e plantações destruídas por funcionários das fazendas de arroz instaladas na terra indígena Raposa Serra do Sol.

O movimento dos latifundiários dos agronegócios é uma afronta ao estado democrático de direito, pois tem por objetivo apoiar os rizicultores ilegalmente instalados no interior da terra indígena Raposa Serra do Sol, responsáveis por inúmeros atos de violências contra os indígenas. Um dos fatos mais recentes aconteceu em março passado quando rizicultores, comandados pelo prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartieiro, destruíram pontes e atiraram bombas caseiras contra indígenas e agentes da Polícia Federal. No dia 5 de maio, funcionários da fazenda “Depósito”, de propriedade de Quartieiro, atacaram e feriram dez indígenas com bombas caseiras e armas de fogo em Surumu.

Esse mesmo movimento representa uma tentativa de influenciar os ministros do Supremo Tribunal Federal – STF, que dentro de alguns dias julgarão ações do Governo do Estado de Roraima contra a homologação da terra Raposa Serra do Sol.

O Cimi Norte I, nesta oportunidade, reafirma seu apoio à luta e à vida dos povos Makuxi, Wapichana, Ingaricó, Taurepang e Patamona, habitantes seculares daquela terra, e repudia toda forma de agressão e desrespeito aos direitos indígenas.

Manaus (AM), 14 de agosto de 2008.

CIMI NORTE I (AM/RR)

Fonte: Cimi Norte I

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3366&eid=247

Ler tambem

Câmara realiza Audiência Pública sobre Raposa Serra do Sol
Os indígenas expuseram argumentos em defesa do território e da sobrevivência física e cultural

Simpósio discutirá demarcação da Raposa Serra do Sol
segunda-feira, dia 04, a partir das 9hs

Raposa Serra do Sol: a guerra colonial no século XXI
Por Paulo Maldos, assessor político do Cimi

Os militares e a questão indígena
Entrevista especial com Paulo Maldos, assessor político do Cimi

Carta sobre a viagem a Europa da delegação do CIR
Eles retornaram ontem de visitas a Espanha, Inglaterra, Bélgica, França, Itália e Portugal

Representantes do Ministério da Cultura visitam presidente do STF para pedir a demarcação contínua de RSS
Preocupados com a preservação cultural, eles foram acompanhados de lideranças indígenas

Indígenas de RSS encontram o Papa
Eles foram pedir apoio na defesa de suas terras em Roraima

Sombras da ditadura militar pairam sobre Raposa Serra do Sol
Por Paulo Maldos, assessor político do Cimi

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Brasil/DO FOME ZERO AOS AGROCOMBUSTÍVEIS


Roberto Malvezzi, Gogó *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

11 agosto 2008

Adital - Quando Lula tomou posse, uma de suas primeiras atividades foi reunir seu ministério e levá-lo até Guaribas, sertão do Piauí. Andando longo trecho de ônibus, os ministros que só conheciam o sertão pelos livros e TVs, puderam pôr o pé na realidade. O gesto era simbólico e, como já advertia Frei Betto, não era a revolução, mas era o que podia um governo eleito pelo voto. Lula proclamara o "Fome Zero" como uma das metas principais de seu governo. Depois, diante de observações feitas aqui das bases do Nordeste, o próprio Ministério do Meio Ambiente proclamou o "Sede Zero". De qualquer forma, soava diferente de todos os governos anteriores.

O tempo se encarregou de mudar Lula e seu governo. A adesão firme ao agro e hidronegócios fez com que optasse pelos transgênicos ao invés de uma agricultura familiar diversificada e rica em alimentos, embora invista também nela, mas jamais na mesma proporção. Optou pela transposição do São Francisco ao invés de investir em obras descentralizadas de abastecimento, como as adutoras para as cidades do Nordeste. Finalmente, optou pelos agrocombustíveis em detrimento da produção de alimentos. Dá para demarcar passo a passo, numa linha do tempo, as mudanças profundas na rota do governo Lula.

Em Salvador, inaugurando obras e fomentando a aqüicultura nos mangues brasileiros, também em detrimento das populações pesqueiras do litoral, Lula disse que "não seria louco de deixar de encher o tanque do povo para encher o tanque dos carros". De repente, parecia o velho Lula, com aquele semblante de indignação diante das injustiças brasileiras. Mas, a realidade é que ele estava apenas querendo justificar sua opção pelos agrocombustíveis, sempre na argumentação que não existe paradoxo entre produzir alimentos e agrocombustíveis. O assunto é uma espada no pescoço de seu governo e não faltam estatísticas de todos os tipos para contestar a linha de pensamento do presidente.

Esses dias, o preço das comodities agrícolas despencou e o programa do biodiesel da mamona faliu. O aumento da fome no mundo, em um ano, já passa de 100 milhões de pessoas. O preço dos alimentos explodiu. Contraria as metas do milênio e coloca a humanidade numa encruzilhada tenebrosa. O governo, ao pôr os melhores solos brasileiros a favor dos agrocombustíveis, ao incentivar a América Central e a África para o mesmo caminho, a pretexto de favorecer a renda dos agricultores, pode estar incentivando a escassez de alimentos no mundo. E não adianta falar em safra recorde porque essas comodities não põem a mesa do povo brasileiro.

Assim, um governo que fez do combate à fome sua grife, pode terminar seus dias colaborando com o aumento da fome sistêmica em todo o planeta.

* Agente Pastoral da Comissão

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br