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sábado, 6 de julho de 2019

Brasil/Livro sobre a vida de Pedro Casaldáliga é lançado em Porto Alegre


2 de julho de 2019 15h32, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra-MST  (Brasil) https://www.mst.org.br/

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Obra da jornalista Ana Helena Tavares resgata luta do bispo em defesa dos mais pobres
 
O livro “Um bispo contra todas as cercas – a vida e as causas de Pedro Casaldáliga” foi lançado nesta segunda-feira (1º) no Sindicato dos Bancários em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O evento, organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), reuniu deputados, integrantes de movimentos populares, representantes de diversas entidades e

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Brasil/PLEBISCITO PARA “BOTAR A CARA” NA DEMOCRACIA



18/07/2016, Conversa Afiada http://www.conversaafiada.com.br (Brasil)

Carina: a juventude quer ouvir a voz do Brasil


 
O Conversa Afiada publica o artigo de Carina Vitral, presidente da UNE:

O momento político do Brasil desperta paixões. Obviamente, não haveria como ser diferente em uma conjuntura de rompimento do pacto democrático, firmado após a ditadura militar, e da ofensiva golpista de um grupo que não aceitou o resultado das urnas. Vivemos um dos momentos mais complexos e mais graves da história nacional, com a peculiaridade de um golpe de Estado sem tanques, mas com a violência autoritária de setores do parlamento, a mão de ferro do judiciário, a ação ilegítima de uma mídia nativa monopolizada, o controle das opiniões e da verdade.

Frente a esse cenário, os movimentos sociais, os setores progressistas da sociedade precisam respirar fundo, entender o que está em jogo, planejar o contra-ataque para recuperar o que foi tomado do país: a democracia. A União Nacional dos Estudantes realizou esse exercício de reflexão e

quarta-feira, 30 de março de 2016

Abya Yala, Pátria Grande/América Latina se mobiliza em defesa da democracia brasileira



29 março 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
 
Nesta quinta-feira (31) milhares de brasileiros sairão às ruas de todo país para defender a legalidade e a democracia. Diferente da mobilização realizada no último dia 18, desta vez, a luta contra golpe atravessará as fronteiras e mobilizará também os povos irmãos do continente.
 

Em vídeo, o movimento Conexões em Luta convoca todos os povos da América Latina para sair em defesa da democracia porque “o golpe é contra a integração”. “O golpe contra a democracia brasileira é o golpe contra a integração da América Latina, contra o nosso direito de sonhar, contra nosso direito de integrar, de construir juntos a possibilidade do impossível”.

No vídeo, militantes de diversos países, entre eles Argentina e Colômbia, destacam os avanços obtidos na última década depois de séculos de exploração. Neste novo processo democrático, progressista, trabalhadores, mulheres, camponeses, negros, jovens e indígenas passaram a ocupar espaços de

quinta-feira, 20 de março de 2014

Paraguai/Silêncio oficial sobre militares dos EUA no país

19 março 2014, Oátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Assunção (Prensa Latina) -- O governo paraguaio mantém absoluto silêncio sobre o pedido de explicação feito pelo Senado sobre a presença de militares estadunidenses no departamento de San Pedro, no norte do país.

A Câmara Alta aprovou há cinco dias um pedido de relatório ao Poder Executivo apoiando assim uma solicitação do senador Sixto Pereira, pertencente à Frente Guasú, coalizão de partidos e organizações sociais.

Demonstraram ter uma preocupação no mesmo sentido também

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Moçambique/CPLP acelera luta contra fome

21 Fevereiro 2014,  Jornal Noticias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

A comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) procedeu, ontem, em Maputo, ao lançamento oficial da Campanha “Juntos Contra a Fome!”, que visa desenvolver acções para promover o investimento na agricultura familiar sustentável com a finalidade de aliviar o sofrimento de 28 milhões de cidadãos do espaço lusófono afectados pela fome.

Falando na cerimónia de lançamento oficial da Campanha da CPLP, o Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, defendeu que já não faz sentido que ainda existam cidadãos nos países da comunidade a sofrer de fome crónica, pelo que as nações devem arregaçar as mangas e encontrarem formas de combater o flagelo.
“Um dos desafios mais prementes que se coloca à nossa frente prende-se com a erradicação de uma das formas mais cruéis da pobreza: a fome!”, disse Vaquina que acrescentou que “não se justifica, porque não faz sentido, que ainda tenhamos cidadãos nos nossos países e no mundo que não sabem onde e quando ter a próxima refeição e com que qualidade nutritiva”.
“Este é o momento de agir! Não podemos ficar indiferentes a uma realidade que a todos nos diz respeito!”, desafiou Vaquina no arranque da campanha “Juntos Contra a Fome!”, que atingirá o seu auge a 16 de Outubro próximo, quando se celebrar o Dia Mundial da Alimentação.

Angariação de fundos
Esta campanha tem como objectivo central a angariação de fundos que, a par com outras fontes de financiamento, vão permitir a viabilização dos compromissos da comunidade com a erradicação da fome.
A “Juntos contra a Fome!” será para a criação de fundo para financiar projectos com o objectivo de melhorar a segurança alimentar e nutricional e as condições de vida das famílias e comunidades rurais.

O Fundo da Campanha vai ser constituído por contribuições voluntárias por parte do público em geral e das demais entidades, através de doações, chamadas telefónicas de valor acrescentado e outros meios.
Segundo Hélder Muteia, representante da FAO junto a CPLP, os recursos a serem angariados nesta campanha servirão para complementar os esforços dos governos e outros parceiros no apoio aos camponeses a cultivarem as suas terras, dotando-os de tecnologias, crédito agrícola e mercado favoráveis, gerando não só mais disponibilidade de alimento, mas também melhores oportunidades de emprego e geração de renda.
Paradoxalmente, 80 por cento das pessoas que passam fome em África são agricultores, que pratica um agricultura rudimentar que não permite sequer alimentar condignamente as suas famílias.

“Apoiando essas pessoas, estaremos a resolver dois problemas ao mesmo tempo, nomeadamente o da disponibilidade dos alimentos e o da pobreza dos próprios agricultores”, frisou Muteia.

A campanha “Juntos Contra a Fome!” e os objectivos nos quais se encontra alicerçada são desígnios centrais da comunidade, num momento em que se debate o futuro da CPLP e em que se quer uma CPLP de futuro e com futuro. (Manuel Mucári)


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mercosul/XLI CÚPULA: PASSO ADIANTE PELA INTEGRAÇÃO

5 junho 2011/Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

Assunção, Paraguai (Prensa Latina) Com 20 anos às costas, não exentos de contradições, vicissitudes, vitórias e defeitos, o Mercado Comum do Sur (Mercosul) celebrou no Paraguai a XLI Cúpula sob a consígnia de seguir avançando à integração. Estas duas décadas decorridas serviram aos mandatários membros do bloco: Dilma Rousseff (Brasil), José Mujica (Uruguai) e Fernando Lugo (Paraguai), e ao sócio Rafael Correia (Equador), para refletir sobre os avanços e quanto falta ainda por percorrer num mundo a cada vez mais complexo em todos os âmbitos.

O quarto integrante pleno do esquema, Argentina, não compareceu à cita por se encontrar sua presidenta, Cristina Fernández, sob prescrição médica.

Junto aos chefes de Estado dantes mencionados, assistiram ao conclave chanceleres, ministros de Economia-Fazenda e Indústria e Comércio, Presidentes de Bancos Centrais dos Estados partes e sócios, e representantes de organismos internacionais.

Entre os convidados especiais estiveram os titulares de Relações Exteriores de Japão, Takeaki Matsumoto, e Patricia Espinosa, do México.

Antes da cúpula sessionou a reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC) onde foram perfilados os documentos que aprovaram os dignatários.

O CMC aprovou, entre outras coisas, a liberdade de trânsito de mercadorias no Mercosul e a criação de um grupo de alto nível para supervisionar a eliminação da Dupla Cobrança e Distribuição da Renda Alfandegária.

A primeira destas decisões permitirá que as mercadorias e os meios de transporte terrestre e fluvial dos Estados partes do bloco "gozem de liberdade de trânsito dentro dos territórios" dos demais países.

Esta iniciativa foi impulsionada por Paraguai durante a presidência pró tempore, que entregou a Uruguai ao finalizar a reunião, e tem por objetivo garantir o livre fluxo do comércio internacional pelas vias de deslocação no espaço comunitário.

Vinte anos de avanços e retrocessos

Os discursos dos presidentes estiveram centrados em reconhecer a vitalidade do Mercosul enquanto mecanismo de integração, que tem deixado atrás suas origens iniciais de se constituir apenas em mercado comum.

São 20 anos de agregação, experiências e avanços, "mas também temos retrocessos", afirmou Lugo no discurso inaugural.

A persistência das profundas assimetrias -enfatizou- não têm podido ser superadas plenamente neste período de vida institucional.

O governante paraguaio disse que as duas décadas decorridas chamam a uma pausa para refletir "sobre o presente e o futuro de nosso processo de integração".

Esta Cúpula é uma ocasião propícia, em um momento privilegiado de nossa construção, para propor-nos a superar erros, disse.

Recordou que os pilares em que se fundou o bloco de integração em 1991 estão insertos no priemiro artigo do Tratado de Assunção, referente à livre circulação de bens e mercadorias, a qual, opinou, "não se esgota em seu aspecto comercial".

O mandatário considerou que o livre acesso aos mercados dos países membros tem uma significação política e de solidariedade profundas, ao ser o signo da democratização das relações comerciais e econômicas entre os Estados partes.

Garantir o livre acesso aos mercados é garantir o fortalecimento de nosso bloco de integração, de forma que travas e obstáculos "não farão mais que retardar o clamor de nossos povos por um desenvolvimento social e por uma integração com solidariedade".

Lugo fez um chamado a avançar decididamente para a eliminação dos problemas históricos de assimetrias e desigualdades de desenvolvimento no interior do Mercosul.

Mujica manifestou que talvez circulem com liberdade as mercadorias e os homens pelo Mercosul, "se previamente circulem por nossas cabeças as ideias da liberdade".

Isso significa, acrescentou, interpretar de forma parecida à época e o mundo que nos toca viver e, sobretudo, para onde vamos.

O dignatario uruguaio remarcou que nesse mundo que está por vir "sobreviverão os fortes, e a lei de ser fortes, para os pequenos, é se juntar".

Destacou que a mensagem do Mercosul é a unificação de América do Sul no marco de sua economia e sua autodefesa.

Ao referir-se ao Mercosul disse que em realidade este não é uma meta, mas sim um meio para tentar juntar os latinoamericanos ao redor, mas para poder chegar bem, assinalou, "devemos tentar andar o mais juntos que possamos".

Este esquema de integração -agregou- tem de ser um convite a seguir somando e somando. Simultaneamente, advogou pela incorporação da Venezuela "o mais cedo" ao bloco, "porque é uma das maneiras de enfrentar as assimetrias".

"O Brasil não tem a culpa de ser tão grande, nem nós temos a culpa de ser tão pequenos. Mas não podemos chorar, isto se arranja multiplicando os atores", assegurou.

O negócio das assimetrias arranja-se convidando a muitos outros para dançar conosco, e esses muitos outros virão se lhes convém. E para que lhes convenha há que ter garantias e nos respeitar, sustentou.

A presidenta brasileira, por sua vez, mencionou uma série de vitórias atingidas em 20 anos, como a consolidação da democracia, a qual disse, "ainda é imperfecta".

Recordou que tão só em o 2010 foi aprovado o Código Alfandegário, se lançou o acordo de investimento e criou o protocolo de Contratações Públicas, além de avançar no crescimento científico e tecnológico, como base para a tecnologia do conhecimento.

Rousseff afirmou que os 20 anos do Mercosul são exemplo de que pode ser avançado, integrados, "mas se precisa promover mais a integração nas correntes produtivas de médio e grande porte, que abrem possibilidades de negociar e ampliar o mercado".

Nesse sentido propôs investir e integrar a região em setores estratégicos como energia, petróleo e indústria automotriz, começando pela tecnologia e inovações.

Fez um chamado, igualmente, a estimular ao bloco para o crescimento e desenvolvimento com a geração de empregos, avançar em venda e colocação de produtos, e instou a aproveitar o momento excepcional de desenvolvimento da região.

O equatoriano Rafael Correia, em tanto, propôs construir na América Latina processos de integração que façam frente "aos abusos do capital".

Da mesma maneira pediu terminar com a autonomia dos bancos centrais, ao constituir-se esta em esquema montado para manter a ordem vigente.

Qualificou de absurdo que nossos países tenham que colocar suas reservas monetárias em bancos de países desenvolvidos percebendo juros do um por cento, os quais terminam emprestando esse mesmo dinheiro a taxas de cinco a sete por cento.

Documentos finais

No texto final os presidentes dos Estados partes do Mercosul e países associados reafirmaram o compromisso de aprofundar esse esquema de integração em suas dimensões política, econômica, produtiva, social, educativa, cultural e cidadã.

Os dignatários reiteraram, ademais, o compromisso com os valores, instituições democráticas e com o Estado de Direito, e sublinharam a não injerência em assuntos internos.

Destacaram que o processo de integração na área política permitiu "fortalecer os laços históricos e culturais, coordenar iniciativas conjuntas no campo regional e internacional, bem como avançar no desenho de políticas públicas regionais".

Assim mesmo coincidiram em que a consolidação do Mercosul contribuirá a atingir um desenvolvimento integral, erradicar a pobreza e assegurar a conformação de sociedades mais justas, inclusivas e equitativas.

Os chefes de Estado manifestaram o respaldo ao avanço da integração energética regional, bem como à plena potestade dos Estados de dispor livremente de seus recursos energéticos.

Ao respeito, lamentaram que Estados Unidos decidisse impor sanções de caráter unilateral que afetam à indústria petrolera venezuelana e observaram com preocupação que as mesmas podem ter um impacto econômico e social negativo para esse país.

O documento sublinhou que a adoção de medidas unilaterais não resulta compatível com a resolução das Nações Unidas, e chamaram a solucionar "o quanto antes" velhas disputas de soberania, entre elas a de Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas.

Os Presidentes reafirmaram seu compromisso na luta contra o terrorismo em todas suas formas e manifestações, e na cooperação para a prevenção dos atos de terrorismo, evitar a impunidade para quem os cometam e proteger às vítimas de ditos atos.

Também se congratularam pela entrada em vigor do Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-americanas, o 11 de março passado, ao ser ratificado pelo Uruguai.

Em outro documento divulgado, os governantes recusaram as lamentáveis declarações do Ministro de Defesa britânico, com respeito à disposição de aviões de combate e poder naval na zona das Ilhas Malvinas.

Afirmaram que com declarações "deste timbre" o Reino Unido da Grã-Bretanha continua ignorando os chamados da comunidade internacional para resolver a disputa de soberania".

Os Estados partes do Mercosul e países associados reiteraram seu respaldo "aos legítimos e imprescriptíveis direitos" da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

Cúpula Social

Paralela à reunião de Presidentes sessionou a IX Cúpula Social do Mercosul com a participação de organizações e ativistas sociais, camponeses, indígenas e comunitários.

Ao inaugurar este encontro popular, o ministro paraguaio de Relações Exteriores, Jorge Lara, destacou o momento histórico que vive América Latina e, especialmente a região, com os movimentos sociais como protagonistas das grandes mudanças em a cada um de nossos países.

Estamos em um momento em que após tantos anos se instala definitivamente aquela ideia de integração que sonharam nossos próceres da independência, afirmou.

Saúde, mudança climática, igualdade de gênero, deficiência, comunicação, educação, desportos, povos originarios e afrodescendientes, trato de pessoas, migrações, tecnologias, sociais, integração e soberania energética, foram os temas instalados em 18 mesas de trabalho.

O chefe de Promoção e Intercâmbio de Políticas Sociais Regionais do Instituto Social do Mercosul, Mariano Nascone, assegurou em entrevista com Prensa Latina que esta reunião foi um fato essencial para poder consolidar todo o que se vem fazendo desde edições anteriores.

Disse que o trabalho é muito forte, são muitas as áreas temáticas, mas se está trabalhando para retomar o acumulado e ver como se podem solidificar e aprofundar o atingido.

Nascone comentou que se trabalha em como adotar e reduzir a brecha entre a estrutura do Mercosul, e por outro lado, a das organizações sociais e comunitárias que trabalham desde os diferentes países.

O jovem argentino recordou que o Instituto Social tem um papel muito forte em buscar as sinergias e potencialidades entre todo esse acumulado dentro do espaço do Mercosul.

Ao finalizar a Cúpula Estela Carlotto, presidenta da Associação Avós da Praça de Maio, foi declarada Cidadã Ilustre do Mercado Comum do Sur, segunda em receber a alta distinção, após o escritor uruguaio Eduardo Galeano, quem recebeu-a em 2008.

"Graças à vida porque tenho podido dar o que não pensava dar, estar em os lugares que jamais sonhei. É um sonho de um primeiro inferno onde agora estamos passando ao céu, à felicidade de nossos povos", expressou ao receber a condição.


terça-feira, 20 de abril de 2010

Brasil/"EFEITO GILMAR MENDES" AGUÇA CONFLITOS NO CAMPO, AVALIA CPT

19 abril 2010/Repórter Brasil http://www.reporterbrasil.com.br

Declarações do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) deram suporte ao alto número de despejos e também ao aumento das prisões, segundo Antônio Canuto, da coordenação da Comissão Pastoral da Terra

Por Bianca Pyl

São Paulo (SP) - O número de torturados em decorrência de conflito agrários aumentou de 6, em 2008, para 71, em 2009. Os dados são da 25ª edição do caderno Conflitos no Campo Brasil, lançado quinta-feira (15) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). A maioria absoluta dos casos de tortura (64) se deu no Rio Grande do Sul, mais precisamente em 21 embates na área rural do estado governado por Yeda Crusius (PSDB).

O balanço da CPT foi lançado às vésperas da data em que o Massacre de Eldorado dos Carajás (16 de abril de 1996) - que terminou com 19 mortes e dezenas de mutilados e feridos - completou 14 anos.

Os conflitos no campo, que vinham se reduzindo nos últimos anos, voltaram a crescer no ano passado. Em números, os casos aumentaram de 1.170, em 2008, para 1.184, em 2009. Em média, foram registrados mais de três conflitos por dia no Brasil, de acordo com a CPT.

A Região Norte concentrou o maior número de ocorrências (457 conflitos) e de assassinatos no campo (12 dos 25 em todo o Brasil, ou 52% do total). Destes, 22% (8) ocorreram no Pará e 11% (4) no Mato Grosso.

Do conjunto de terras em disputa, 96% (14,5 milhões de hectares) se encontram na Amazônia Legal (Região Norte, Mato Grosso e Maranhão). Foram somados 622 conflitos (dos 1.184 no país todo) e 17 assassinatos (68% dos 25) nesta mesma imensa área. A maioria abosulta das ameaças de morte - 119 (83%) de 143 - ocorreram na Amazônia Legal.

“Nos 25 anos de publicação, a situação no campo não se alterou em termos de violência e trabalho escravo. Não temos o que comemorar. Contudo, a importância da publicação desses dados se mantém, para conservar a memória desses conflitos e, ao mesmo tempo, servir como testemunha do que ocorre nos campos brasileiros", avalia dom Ladislau Biernaski, presidente da CPT.

O número de assassinatos passou de 28, em 2008, para 25, no ano passado. Contudo, as tentativas de assassinato saltaram de 44 para 62. As ameaças de mortes também cresceram: de 90 foram para 143.

"É o chamado ´efeito Gilmar Mendes´ [presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)], que saiu a público ano passado acusando os movimentos sociais de praticarem ações ilegais. Esta intervenção foi usada como suporte para o alto número de despejos e também para o aumento das prisões", coloca Antônio Canuto, secretário da coordenação nacional da CPT, em avaliação do contexto em que estão inseridos os conflitos e a violência no campo.

As ordens de despejo atingiram 12 mil 388 famílias. Em 2008, foram pouco mais de 9 mil. Ou seja, o aumento foi de 36,5%. O número de prisões aumentaram em 22% de 2008 para 2009 - de 168 para 204.

Criminalização
A 25ª edição destaca a criminalização dos movimentos sociais no âmbito do Judiciário, do Legislativo e "inúmeras vezes pelos grandes meios de comunicação". No âmbito do Poder Legislativo, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 361/2009 aparece entre os 20 projetos de lei e propostas de fiscalização que, direta ou indiretamente, criminalizam os movimentos agrários ou dificultam a realização da reforma agrária.

A PEC 361 quer estender as competências constitucionais relacionadas à política fundiária para estados e municípios. "Nós sabemos muito bem que, dentro dos estados e municípios, os governantes são contra a reforma agrária", avalia Antônio. Outros projetos propõem transferir competências do Executivo Federal para o Congresso - como a competência para aprovação de desapropriações por interesse social e de índices de produtividade da terra. Além disso, foi aprovada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com vistas a analisar o repasse a pequenas entidades ligadas a pequenos agricultores, assentados e acampados - batizada de CPMI do MST.

Em 2009, no âmbito do Executivo, o relatório critica a Medida Provisória (MP) 458 (convertida na Lei 11.952/2009), que ampliou as possibilidades de regularização de grilagens de terra pública rural e urbana na Amazônia Legal. " A MP 458 vem com discurso de que irão regularizar terras de posseiros, mas quem está ganhando são os grileiros de áreas médias e grandes", aponta o secretário da coordenação nacional da CPT.

Ele destaca ainda dois episódios em que o Estado foi o agente da violência contra os trabalhadores rurais, ocorridos ano passado. O primeiro, em 26 de abril, quando 18 trabalhadores foram detidos após manifestação no canteiro de obras da Hidrelétrica de Tucuruí (PA). "Os policiais militares desfilaram com os trabalhadores algemados pela cidade inteira, como um troféu e também para intimidar", relata.

No dia 1º de maio, Dia do Trabalho, um acampamento de sem-terras, localizado na Rodovia BR-230, em Pocinhos (PB), foi atacado por um grupo de homens encapuzados, que dispararam contra as famílias e torturaram sete pessoas, jogando gasolina sobre eles e ameaçando atear fogo. "Acontece que esses trabalhadores foram detidos e acusados da violência que sofreram". Nas duas ocasiões, os trabalhadores permaneceram, pelo menos, um mês presos.

As ocupações aumentaram em 15% - de 252, em 2008, a 290, em 2009. Apesar disso, os dados apresentados pela CPT mostram que as organizações sociais recuaram: foram montados menos acampamentos, 36 (2009) em comparação com 40 (2008). Aumentou, contudo, o número de famílias que participaram dos acampamentos, foram 116 famílias por acampamento, totalizando 4.176 pessoas, em comparação com uma média de 68 famílias e 2.755 pessoas, em 2008. Houve 22 atos de resistências (greves, e outras formas de protestos relacionados aos direitos trabalhistas) em 2009. Em 2008, foram 23. O número de manifestações diminuiu de 676 para 589.

A criminalização dos movimentos de luta pela terra pelo poder público teve início, na opinião de Carlos Walter Porto-Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense (UFF), com uma célebre medida provisória do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), de 2000 (MP 2.027), que excluía por dois anos a possibilidade de vistoria com fins de reforma agrária de propriedades ocupadas por movimentos. Isso ocorreu nos anos de 2001 e 2002, período no qual houve diminuição nos índices de conflito e de violência, em relação aos anos anteriores. "O Estado foi autoritário, o que fez com que o poder privado nem precisasse agir", analisa o professor.

25 anos
O período de 2003 a 2009 é considerado o de maior conflitividade em todo os 25 anos em que o relatório é publicado, de acordo com dois professores que analisaram os dados sistematizados: Carlos Walter e Paulo Roberto Raposo Alentejano, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A série histórica foi dividida em cinco períodos para analisar os dados. O quinto período é recordista na média anual de conflitos e o segundo em número de famílias envolvidas nesses conflitos. Também nesse período se deu a maior média de famílias despejadas: 22 mil por ano.

O relatório aponta para uma correlação entre avanços da mobilização democrática e da violência do poder privado. "Sem dúvida, a eleição do presidente Lula fez com que os movimentos sociais se mobilizassem mais, com a esperança de acontecer a reforma agrária. Em contrapartida, o poder privado, temendo que isso de fato ocorresse, passou a agir com mais violência", analisa Carlos Walter, professor da UFF.

Entre 1985 e 1990, predominou a violência sob comando do poder privado. "Com o fim da ditadura militar, houve o que eu chamo de privatização da violência. São ações que não contaram com a mediação do Poder Judiciário", analisa Carlos Walter.

O professor da UFF sublinha que esta ofensiva teve como antecedente a redução da população rural em termos absolutos. "Há uma migração em massa para áreas urbanas, tudo isso com apoio dos empresários latifundiários que adquirem muitas terras e acabam expulsando as famílias. Não é à toa que surgem movimentos como o MST e a própria CPT", avalia.

Ele lembra ainda o fato de que a violência se intensificou justamente enquanto aconteciam discussões para a elaboração da Constituição Federal (1988) e do 1 Plano Nacional de Reforma Agrária. "Isso quer dizer que, enquanto o Estado está tentando minimamente cumprir seu papel, os agentes privados agem com mais violência", complementa.

Os professores elaboraram índices de violência no campo, relacionando o número de conflitos com a população rural do estado. No ranking geral da violência no campo (soma de assassinatos, famílias expulsas, prisões e famílias despejadas), o estado do Mato Grosso aparece em primeiro lugar com 22,40 pontos, seguido do Mato Grosso do Sul com 16,68 pontos.

Roraima aparece em terceiro lugar com 14,65 e o Pará, em quarto, com 12,26. "Esse ranking deixa patente o dinamismo violento protagonizado pelo agronegócio. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os estados que utilizam as mais modernas tecnologias na produção deixando patente que a mais alta modernidade se constrói reproduzindo o mesmo recurso à violência de sempre", analisa o 25º relatório sucessivo da CPT.

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segunda-feira, 2 de março de 2009

Escritor brasileiro revela plano da CIA para depor Allende

Lisboa, 27 fevereiro 2009 (Lusa) - O escritor e cientista político brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira defende, em seu novo livro, que os dois acontecimentos mais importantes da América Latina no Século 20 foram a revolução cubana e a deposição de Salvador Allende, no Chile, numa "conspiração norte-americana organizada pela CIA".

No livro "A fórmula para o Caos", publicado em Portugal, Moniz Bandeira analisa o processo político, econômico e social que levou à queda do governo de Salvador Allende, em setembro de 1973, após ser eleito democraticamente.

O autor cita a conspiração da CIA com os grupos civis de extrema direita, com os militares e com a oposição para derrubar Allende.

Em declarações à Agência Lusa, o cientista político, ou "politólogo", como gosta de se classificar, explicou que o título da obra foi inspirado na expressão que o chefe do escritório da CIA em Santiago, Henry Heckscher, usou para denominar o conjunto de operações encobertas - atentados terroristas, assassinatos, sabotagens, boicote econômico - que culminariam com o golpe de Estado.

Contexto
O historiador defendeu que "os golpes de Estado que existiram nos diversos países da América Latina após a revolução cubana foram um fenômeno da guerra fria", não um fenômeno nacional.

"Foram o resultado da mutação da estratégia da segurança continental dos EUA no contexto da guerra fria", disse o especialista.

"Antes, a estratégia de segurança dos EUA tinha como objeto a defesa de uma agressão do bloco sino-soviético. Com a revolução cubana houve uma mutação da estratégia de segurança para dar ênfase, como primeira hipótese de guerra, à subversão", afirmou.

Em seguida, "começou a funcionar a doutrina da ação cívica, que atribui às forças armadas, considerando-as a instituição mais estável e modernizadora, o papel político que deviam fazer as reformas, a revolução, antes que os comunistas a fizessem".

Ação dos EUA
Para Moniz Bandeira, esta mutação da estratégia de segurança permitiu às forças armadas passarem a "fazer golpes de Estado de todas as vezes que o governo se opunha àquilo que os EUA consideravam como fundamental".

"Allende estava fraturado, era inviável o regime socialista. O Chile era um país atrasado, dependente do mercado mundial, não só para as suas exportações de cobre como até para importações de alimentos, e não se pode socializar a pobreza", disse.

De acordo com o cientista político, "a teoria de Marx é a socialização da riqueza que o capitalismo produz, de forma excludente ou discriminatória. O socialismo nunca foi pensado como via de desenvolvimento, mas sim como via de distribuição".

Por esse motivo, explicou que "os EUA temeram que houvesse uma aliança com Cuba. Mais um foco comunista, juntamente com Cuba".

Fazendo uma comparação entre os dois regimes, lembrou também que, inicialmente, "Cuba não ia ser socialista" e que "Fidel Castro não era comunista"

"Ele [Fidel] começou uma reforma agrária, expropriando as terras da empresa norte-americana United Fruits e distribuindo-as por camponeses, não queria fazer socialismo. Fidel foi compelido a ser comunista quando caiu nos braços da União Soviética. Já o que Allende tentou foi um sonho, ele queria fazer um modelo, implantar, socializar, e mexeu com tudo. Não era possível, criou as condições para ser derrubado, que era o que os EUA queriam", disse.

Pesquisa
O escritor admitiu a polêmica da sua obra, mas ressaltou que a narrativa sobre os três anos do regime de Salvador Allende, assim como sobre a trama interna e internacional que provocou bombardeio do palácio de La Moneda e a tomada de poder por Augusto Pinochet, foram elaboradas a partir de documentação primária fornecida por arquivos chilenos, brasileiros e norte-americanos, especialmente os arquivos da própria CIA.

"Todos os meus livros são polêmicos, se não o forem não têm graça. Eu defendo teses, sou um politólogo, estudo, analiso, pesquiso em fontes primárias. Mostro todo o processo", declarou, afirmando que mostra no livro "como a CIA passou a desenvolver a técnica de criar situações que permitem o golpe de Estado".

Em defesa da sua teoria, Moniz Bandeira revelou à Lusa que o líder da organização de extrema direita Pátria e Libertat lhe disse como receberam dinheiro da CIA para fazer atentados terroristas para criar o caos.

"Inclusive contou-me, ele que foi genro do Pinochet, que Pinochet chegou atrasado ao posto de comando do golpe para derrubar Allende porque antes foi perguntar ao embaixador norte-americano se os EUA o estavam apoiando ou não", revelou.

O autor concluiu que a CIA foi o grande vencedor do 11 de setembro de 1973, dia do golpe, e que Allende e o seu projeto de implantação do socialismo pela via pacífica foram os grandes perdedores.

Autor
Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, nascido em 1935 em Salvador, é reconhecido como um dos maiores historiadores sul-americanos e é autor de mais de 20 obras traduzidas em diversos países.

Licenciado em Direito, é professor titular de história de política exterior da Universidade de Brasília, doutorado pela Universidade de São Paulo.

Foi professor visitante do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP) de Lisboa em 2006 e conferencista regular do Instituto de Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Em 2006, foi eleito intelectual do ano de 2005 pela União Brasileira de Escritores. Moniz Bandeira mora atualmente Alemanha, é Grande Oficial da Ordem de Rio Branco e Comendador da Ordem de Mérito Cultural (Brasil) e Comendador da Ordem de Mayo (Argentina) e Cruz de Mérito - 1ª Classe da Alemanha.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

PARAGUAI - OS DIFÍCEIS DESAFIOS DO PRESIDENTE LUGO

Grupo São Paulo *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
17 setembro 2008/ Adital www.adital.com.br

A vitória de Fernando Lugo é, sem dúvida, um marco histórico para o pequeno e esperançoso Paraguai. Ela acaba com seis décadas consecutivas de dominação do Partido Colorado, no poder desde 1947. Quando Lugo tomou posse no palácio presidencial de Assunção - o Mburuvicha Roga, "casa do chefe" na língua dos guaranis - foi a primeira vez na história do país em que ocorreu a transferência de governo de um partido a outro resultante de eleições livres, não fraudulentas e sem a ocorrência de golpe de Estado ou revolução.

San Pedro del Paraná, o distrito de onde o novo presidente é natural, e do qual foi bispo, é uma das regiões mais pobres do Paraguai, marcada pelo grande número de conflitos entre trabalhadores rurais sem terra, em sua maioria indígenas, e o latifúndio. Lá, Fernando Lugo projetou-se como bispo progressista, ligado à Teologia da Libertação. Destacou-se por entrar em choque com as oligarquias locais, com os conservadores da Igreja Católica, ganhou a confiança dos camponeses e o apoio da população indígena de todo o país.

Em 2006, Dom Lugo liderou um movimento contra a violação da Constituição pelo presidente da República e pela Corte Suprema de Justiça que o apoiava. O movimento reuniu 40 mil pessoas. O bispo lançou o desafio de unificar todas as oposições em uma única candidatura para enfrentar os colorados e afastá-los do poder. A opinião pública o apontou como única pessoa capaz de concretizar essa empreitada.

Como a Constituição paraguaia não permite que pessoas com cargos religiosos sejam candidatos, um abaixo-assinado, com 100 mil nomes, pediu que ele renunciasse a sua condição de bispo e fosse o candidato de uma aliança eleitoral que reuniu nove partidos de oposição, além de entidades da sociedade civil. Dom Lugo solicitou seu desligamento à Igreja, mas, como ele mesmo fala, continua um homem de fé.

Lugo lançou-se candidato da coligação Tekojoja, que significa "viver entre iguais" em guarani. Foi eleito presidente do Paraguai pela coalizão La Alianza Patriótica Para el Cambio (APC). Ela tem como força principal o segundo maior partido tradicional, o Partido Liberal Radical Auténtico (PLRA), que indicou o candidato a vice-presidente. As duas principais bandeiras de campanha da coligação foram a reforma agrária ampla e a soberania energética, renegociando o preço da energia de Itaipu com o Brasil e de Yacyretá com a Argentina. O PLRA as aceitou como única forma de derrotar o Partido Colorado, mas estas não são bandeiras históricas desse partido, composto por muitos fazendeiros.

A vitória de Lugo expressa o desejo de mudança e é carregada de muita esperança, porém o novo presidente deverá governar em circunstâncias bastante difíceis. Do total de parlamentares eleitos pela APC, 5% são de esquerda e o restante do PLRA; portanto, a maior parte de seus aliados eleitos é conservadora. Para compor uma maioria no Legislativo, terá de buscar alianças com parlamentares ligados aos dissidentes do Partido Colorado. Além disso, o Judiciário é controlado pelo presidente desse partido.

O Paraguai está perdendo seu perfil rural. A proporção populacional, que já foi de 70% no campo e 30% na cidade, mudou bastante, está quase 50% no campo e 50% na cidade. O país sofre com o agravamento dos problemas urbanos como a falta de emprego, marginalidade, perda do sentido da ética etc. Essa é mais uma razão que sustenta a importância da reforma agrária.

Itaipu fornece um quinto da energia elétrica consumida pelo Brasil e tem papel crucial no centro-sul do nosso país. Segundo o intelectual paraguaio Juan Díaz Bordenave, o tratado da Usina de Itaipu, assinado em 1973, foi firmado entre ditadores que sabiam exatamente que o Paraguai ficaria em desvantagem. Eles, porém, tiveram as vantagens: os "homens de Itaipu" tornaram-se, em pouco tempo, os mais ricos do Paraguai. Os negociadores sabiam que a única parte que podia ter excedente em Itaipu era o Paraguai. Até terminar de pagar a dívida, em 2022, o Brasil iria ter, a preço de custo, a energia que o Paraguai não utilizaria. Para o Paraguai utilizar a energia que por imposição do tratado hoje vende ao Brasil, precisa construir linhas de transmissão e ainda desenvolver um parque industrial que utilize a energia. Para isso é necessário dinheiro, o dinheiro que virá se o Brasil pagar ao Paraguai o preço de mercado da energia, não o de custo. "A visão do Brasil como um grande imperialista é inevitável para qualquer paraguaio", completa Bordenave.

Outro desafio importante será colocar o Paraguai presente no cenário regional de integração no Mercosul. O país necessita implantar políticas que superem as assimetrias entre os parceiros, principalmente quanto aos dois grandes, Brasil e Argentina. Para o engenheiro agrônomo paraguaio Henrique Rodriguez (representante da FAO no Paraguai), "a proposta do Mercosul de que todos os seus Estados produzam os produtos considerados ‘rentáveis’ para o bloco é absurda. Não se pode usar toda a terra do Paraguai para plantar cana-de-açúcar para o etanol, que muito interessa ao Brasil. Nem para plantar soja, como interessa à Argentina. Podemos plantar isso, sim, em regiões delimitadas. O Mercosul deveria aproveitar do Paraguai o que ele tem de melhor, suas condições climáticas e geográficas ‘únicas’ para a produção de orgânicos. É preciso que o Mercosul exija do Paraguai algo que podemos oferecer e viabilize o mercado para vendermos a produção".

Mais um desafio do novo governo será favorecer os setores da economia popular, como os camponeses e pequenos produtores, frente à ação predatória dos grandes capitais, e recuperar a soberania sobre os recursos naturais. O governo de Lugo será acompanhado de perto por seus vizinhos e pelos EUA porque, além de grande produtor de energia, o país está no centro do Aqüífero Guarani, uma reserva de água doce, sob quatro países, que supera em tamanho a Espanha, Portugal e França juntos. Se é verdade que as guerras do futuro serão pela água e não pelo petróleo, está claro que o Paraguai é um alvo estratégico único. Não é sem motivo que em 2005 os EUA conseguiram que o governo de Assunção autorizasse o uso de suas bases aéreas e concedesse "imunidade" para os militares americanos que precisassem atuar na região.

Na parede da sala da modesta casa de Fernando Lugo, que tem apenas um quarto, um pequeno depósito, cozinha e um estúdio no andar de cima, existe um quadro que traz os dizeres "o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos". Desejamos que o presidente Fernando Lugo consiga fazer o Paraguai viver seu sonho de mudança.

[Elisa Helena Rocha de Carvalho, Alejandro Buenrostro y Arellano, Andrea Paes Alberico, Guga Dorea e José Juliano de Carvalho Filho, do Grupo de São Paulo - um grupo de 10 pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ].

* gruposp@correiocidadania.com.br

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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Escola Latino-Americana de Agroecologia completa três anos

Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra http://www.mst.org.br

27 agosto 2008

Neste sábado (30/8), a Via Campesina Brasil festeja o aniversário de três anos da I Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA), localizada no assentamento Contestado, município da Lapa (à 70 km de Curitiba-PR).

A escola fundada em 27 de agosto de 2005, pelos campones, é mais instrumento na luta pela construção de uma nova matriz de produção, baseada na agroeocologia e na preservação do meio ambiente. No local estão sendo formados tecnólogos em Agroecologia para contribuir no avanço deste modelo de produção no campo.

“A construção da ELAA tem sido fundamental para fortalecer a articulação da Via Campesina na América Latina, preparando jovens de vários movimentos socais para atuar nas comunidades onde vivem”, afirma José Maria Tardin, da equipe pedagógica da escola.

As comerações terão início às 9h, com uma mística de abertura. Às 9h30 os participantes farão uma visita aos espaços da escola. Às 11h será realizada um Ato Político com autoridades e religiosos convidados, às 13h será servido almoço, e às 14h30 serão realizadas atividades culturais.

Hoje, a ELAA conta com 88 educandos de 18 estados brasileiros e do Paraguai. Todos filhos de camponeses, assentados e pequenos agricultores, ligados a movimentos latino-americanos da Via Campesina. São duas turmas em funcionamento na escola. A primeira, chamada “Mata Atlântica” está na sexta etapa do curso e a turma “Resistência Camponesa” inicia a quarta etapa em outubro.

O curso de graduação é ministrado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e conta com três anos de duração, com aulas que funcionam por etapas, em regime de alternância, entre tempo escola e tempo comunidade, com uma média de 60 a 70 dias cada etapa.

A ELAA foi criada numa parceria entre a Via Campesina, o governo da Venezuela, governo do Paraná, UFPR e o MST, para possibilitar a estruturação de uma rede de intercâmbio entre os camponeses latino-americanos e defender a soberania alimentar dos povos.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5743

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Paraguai terá reforma agrária "mais consistente", diz Lugo

17 julho 2008/Fonte: Padre Orvandil http://padreorvandil.blogspot.com

O presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, afirmou nesta quarta-feira (16) que promoverá uma reforma agrária "mais consistente" assim que assumir o cargo, em 15 de agosto, e admitiu que a reestruturação do Estado levará tempo.
"Quando se fala de reforma agrária, há uma espécie de medo dos grandes proprietários, dos que não foram sujeitos à reforma agrária e têm grandes extensões de terra", afirmou Lugo.
O ex-bispo advertiu de que os que obtiveram sua propriedade legalmente nada têm a temer. O futuro governante disse também que o que se fez no passado foi "uma distribuição de terras sem assistência técnica, sem crédito, sem rumo", o que, na opinião dele, derivou em "assentamentos (camponeses) fracassados" e em migração do campo para a cidade.
No Paraguai, 66% da terra pertencem a 10% da população, que, por sua vez, monopolizam 40% da renda, enquanto 30% dos seis milhões de habitantes não possuem terra própria, segundo dados oficiais.
Após as eleições de 20 de abril, nas quais Lugo pôs fim à hegemonia política de 61 anos do Partido Colorado, os grupos autodenominados "sem-terra" ocuparam fazendas agrícolas do centro do país e ameaçaram insistir nessa medida de força se não houver uma resposta a suas reivindicações.
ReformaJá os empresários agrícolas e criadores de gado pediram recentemente o fim das ocupações, encorajadas e realizadas por líderes de organizações camponesas que integram a coalizão de amplo espectro político que levou Lugo ao poder.
Em contrapartida, o ex-bispo reconheceu que a reforma do Estado precisará de tempo, mas antecipou que reforçará a coordenação do governo.
"Não queremos que nenhum Ministério funcione como um rancho à parte, por isso teremos o gabinete social, de educação, político no total e absoluta coordenação", disse.
PosseLugo também anunciou a possibilidade de os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez ficarem mais um dia em Assunção após a posse em 15 de agosto para uma reunião bilateral ainda em trâmite.
O dia da posse será muito cansativo,"mas há possibilidade de o presidente Lula ou o presidente Chávez ficarem até o dia 16 para continuar conversando sobre temas pendentes com estes países", afirmou Lugo.
Ao ato de posse confirmaram também presenças os governantes da Argentina, Cristina Kirchner; Bolívia, Evo Morales; Equador, Rafael Correa; Chile, Michelle Bachelet; Panamá, Martín Torrijos, e Honduras, José Manuel Zelaya.
Além disso, deverão estar presentes o príncipe Felipe de Bourbon da Espanha e delegações de vários países da região.
Lugo explicou que está preparando uma semana cultural por ocasião da posse, pelo que alguns convidados chegarão "um dia antes para participar de alguns eventos", assim como do jantar de despedida do qual Nicanor Duarte, presidente em fim de mandato, será anfitrião.
Ele comentou que também está previsto que, no dia 14, o líder boliviano jogue uma partida de futebol na residência presidencial de Mburuvichá Róga, onde Morales já disputou um encontro em junho de 2007. (Fonte: Efe)

http://padreorvandil.blogspot.com/2008/07/paraguai-ter-reforma-agrria-mais.html

quinta-feira, 10 de julho de 2008

VIA CAMPESINA CONTESTA COMUNICADO FINAL DO G8

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

9 julho 2008

Adital - Ante a declaração dos líderes do G8 sobre segurança alimentar global publicada anteontem, em Hokkaido, o Sr Yoshitaka Mashima, líder camponês membro da Via Camponesa, comentou: "Não entendemos como os líderes do G8 pretendem solucionar a crise alimentar com mais livre comercio, visto que é a liberação da agricultura e dos mercados de alimentos que está nos levando à crise atual. Para proteger-se da instabilidade dos mercados mundiais, a população deve consumir comida local. Não necessitamos de mais comida importada".

Em uma coletiva de imprensa ocorrida hoje, os líderes camponeses afirmaram que os governos do G8 estão utilizando a atual crise alimentar e climática para promover um programa de livre comércio que beneficia as grandes empresas em vez dos produtores ou consumidores. A declaração dos líderes do G8 insiste em reanimar as negociações moribundas da OMC, e em impedir que cada país regule a exportação de alimentos.

Contudo, os pequenos camponeses de todo o mundo têm experimentado os efeitos devastadores das políticas de livre comercio e da OMC em suas vidas e na produção local de alimentos. Defendem o direito de cada país proteger seus mercados locais, a apoiar a agricultura familiar sustentável, e a comercializar os alimentos no lugar em que são produzidos.

A declaração dos líderes do G8 tampouco menciona duas das causas principais da atual crise de preços dos alimentos: a especulação por parte de grandes comerciantes e empresas transnacionais, e o desenvolvimento de agrocombustiveis como nova fonte de energia. É importante levar em consideração que estas causas profundas da crise alimentaria são conseqüência das políticas neoliberais que promovem os governos do G8, a OMC, o Banco Mundial e outras instituições.

"Perguntamos-nos como as nações mais ricas do mundo pensam apoiar aos pequenos camponeses se nem sequer lhes permitem entrar nos países em que se reúnem", afirmou Mashima. Dezenove camponeses coreanos da rede internacional da Via Campesina foram deportados do aeroporto de Hokkaido no dia 5 de julho, passaram 48 horas detidos com o pretexto de que podiam perturbar as reuniões oficiais.

Segundo o comunicado da Via, os camponeses e pequenos produtores de alimentos atualmente produzem a maior parte dos alimentos do planeta; promovem a produção local de alimentos à pequena escala para os mercados locais, o que cria emprego e protege a saúde dos consumidores e o meio ambiente, respeitando as diversas culturas e comunidades; Além disso não se encontrará solução nenhuma para a crise atual sem escutar as vozes dos camponeses.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33914

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sexta-feira, 27 de junho de 2008

RICOS PERDERAM MEDO DOS POBRES

18 junho 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br

Por Plínio de Arruda Sampaio*

A alta dos preços dos alimentos veio para ficar. Conseqüentemente, estamos de novo diante da perspectiva de crises de fome aguda nos países mais pobres. Perspectiva semelhante, em 1975, deu lugar à Conferência Mundial da Alimentação, cujas propostas para evitar a repetição do fenômeno deram em nada.

Desta vez, os países ricos não se viram na necessidade de montar outra farsa como a de 1975. Em três dias, os chefes de 43 Estados reuniram-se em Roma e despacharam o assunto.

Ao pedido de 30 bilhões de dólares para enfrentar o problema, feito pelo diretor geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a resposta dos chefes de Estado foi assim: toma dez e não se fala mais no assunto.

O episódio é bem indicativo dos tempos que estamos vivendo: "os ricos perderam mesmo o medo dos pobres", escreveu Eric Hobsbawm, em 1989.

Podemos, portanto, preparar-nos para ver novamente nos noticiários da televisão o triste desfile de multidões de crianças famintas e de adultos esquálidos.

Contudo, convém ponderar que o resultado da reunião de Roma, salvo enquanto revelador da conduta dos países mais ricos do mundo diante de uma mortandade anunciada, não altera essencialmente a problemática da fome no mundo.

Se os chefes de governo, em vez de oferecer dez, tivessem oferecido os 30 bilhões solicitados pela FAO, o problema da fome seria temporariamente atenuado, mas não resolvido.

Para resolvê-lo, definitivamente, não basta comprar excedentes da produção dos países ricos e enviar comboios com alimentos para as regiões de fome aguda. Na lógica do capitalismo, isto pode ser até um bom negócio para as multinacionais do "agrobusiness".

Fome resolve-se com reforma agrária; planejamento agrícola; preços administrados; educação e saúde para a população do campo.

Qualquer avanço importante nesse terreno fere imediatamente os poderosos interesses dos grandes proprietários rurais e das multinacionais da agroindústria. Por isso, nenhuma dessas reformas sai do papel.

As classes populares ainda não têm força política para reformar a agricultura capitalista e menos ainda para propor um modelo socialista de desenvolvimento da agricultura.

Quem está, de fato, preocupado em solucionar a questão da fome não pode se iludir com os paliativos propostos nessas reuniões de cúpula e nem imaginar que a humanidade pode se ver livre do fantasma da fome dentro dos marcos do capitalismo. Basta atentar para o fato de que no país capitalista mais rico do mundo, o governo, a fim de garantir renda aos produtores, subsidia os agricultores que deixam de cultivar parte de suas terras. Pois, mesmo com esse enorme potencial de produção alimentar, graves deficiências nutricionais afetam porcentagem significativa de sua população e grandes filas de pessoas com fome formam-se diariamente nos "sopões" da caridade.

* Plinio Arruda Sampaio é advogado, ex-deputado constituinte, presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do jornal Correio da Cidadania.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5501


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