Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST
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5 junho 2011/Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br
Assunção, Paraguai (Prensa Latina) Com 20 anos às costas, não exentos de contradições, vicissitudes, vitórias e defeitos, o Mercado Comum do Sur (Mercosul) celebrou no Paraguai a XLI Cúpula sob a consígnia de seguir avançando à integração. Estas duas décadas decorridas serviram aos mandatários membros do bloco: Dilma Rousseff (Brasil), José Mujica (Uruguai) e Fernando Lugo (Paraguai), e ao sócio Rafael Correia (Equador), para refletir sobre os avanços e quanto falta ainda por percorrer num mundo a cada vez mais complexo em todos os âmbitos.
O quarto integrante pleno do esquema, Argentina, não compareceu à cita por se encontrar sua presidenta, Cristina Fernández, sob prescrição médica.
Junto aos chefes de Estado dantes mencionados, assistiram ao conclave chanceleres, ministros de Economia-Fazenda e Indústria e Comércio, Presidentes de Bancos Centrais dos Estados partes e sócios, e representantes de organismos internacionais.
Entre os convidados especiais estiveram os titulares de Relações Exteriores de Japão, Takeaki Matsumoto, e Patricia Espinosa, do México.
Antes da cúpula sessionou a reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC) onde foram perfilados os documentos que aprovaram os dignatários.
O CMC aprovou, entre outras coisas, a liberdade de trânsito de mercadorias no Mercosul e a criação de um grupo de alto nível para supervisionar a eliminação da Dupla Cobrança e Distribuição da Renda Alfandegária.
A primeira destas decisões permitirá que as mercadorias e os meios de transporte terrestre e fluvial dos Estados partes do bloco "gozem de liberdade de trânsito dentro dos territórios" dos demais países.
Esta iniciativa foi impulsionada por Paraguai durante a presidência pró tempore, que entregou a Uruguai ao finalizar a reunião, e tem por objetivo garantir o livre fluxo do comércio internacional pelas vias de deslocação no espaço comunitário.
Vinte anos de avanços e retrocessos
Os discursos dos presidentes estiveram centrados em reconhecer a vitalidade do Mercosul enquanto mecanismo de integração, que tem deixado atrás suas origens iniciais de se constituir apenas em mercado comum.
São 20 anos de agregação, experiências e avanços, "mas também temos retrocessos", afirmou Lugo no discurso inaugural.
A persistência das profundas assimetrias -enfatizou- não têm podido ser superadas plenamente neste período de vida institucional.
O governante paraguaio disse que as duas décadas decorridas chamam a uma pausa para refletir "sobre o presente e o futuro de nosso processo de integração".
Esta Cúpula é uma ocasião propícia, em um momento privilegiado de nossa construção, para propor-nos a superar erros, disse.
Recordou que os pilares em que se fundou o bloco de integração em 1991 estão insertos no priemiro artigo do Tratado de Assunção, referente à livre circulação de bens e mercadorias, a qual, opinou, "não se esgota em seu aspecto comercial".
O mandatário considerou que o livre acesso aos mercados dos países membros tem uma significação política e de solidariedade profundas, ao ser o signo da democratização das relações comerciais e econômicas entre os Estados partes.
Garantir o livre acesso aos mercados é garantir o fortalecimento de nosso bloco de integração, de forma que travas e obstáculos "não farão mais que retardar o clamor de nossos povos por um desenvolvimento social e por uma integração com solidariedade".
Lugo fez um chamado a avançar decididamente para a eliminação dos problemas históricos de assimetrias e desigualdades de desenvolvimento no interior do Mercosul.
Mujica manifestou que talvez circulem com liberdade as mercadorias e os homens pelo Mercosul, "se previamente circulem por nossas cabeças as ideias da liberdade".
Isso significa, acrescentou, interpretar de forma parecida à época e o mundo que nos toca viver e, sobretudo, para onde vamos.
O dignatario uruguaio remarcou que nesse mundo que está por vir "sobreviverão os fortes, e a lei de ser fortes, para os pequenos, é se juntar".
Destacou que a mensagem do Mercosul é a unificação de América do Sul no marco de sua economia e sua autodefesa.
Ao referir-se ao Mercosul disse que em realidade este não é uma meta, mas sim um meio para tentar juntar os latinoamericanos ao redor, mas para poder chegar bem, assinalou, "devemos tentar andar o mais juntos que possamos".
Este esquema de integração -agregou- tem de ser um convite a seguir somando e somando. Simultaneamente, advogou pela incorporação da Venezuela "o mais cedo" ao bloco, "porque é uma das maneiras de enfrentar as assimetrias".
"O Brasil não tem a culpa de ser tão grande, nem nós temos a culpa de ser tão pequenos. Mas não podemos chorar, isto se arranja multiplicando os atores", assegurou.
O negócio das assimetrias arranja-se convidando a muitos outros para dançar conosco, e esses muitos outros virão se lhes convém. E para que lhes convenha há que ter garantias e nos respeitar, sustentou.
A presidenta brasileira, por sua vez, mencionou uma série de vitórias atingidas em 20 anos, como a consolidação da democracia, a qual disse, "ainda é imperfecta".
Recordou que tão só em o 2010 foi aprovado o Código Alfandegário, se lançou o acordo de investimento e criou o protocolo de Contratações Públicas, além de avançar no crescimento científico e tecnológico, como base para a tecnologia do conhecimento.
Rousseff afirmou que os 20 anos do Mercosul são exemplo de que pode ser avançado, integrados, "mas se precisa promover mais a integração nas correntes produtivas de médio e grande porte, que abrem possibilidades de negociar e ampliar o mercado".
Nesse sentido propôs investir e integrar a região em setores estratégicos como energia, petróleo e indústria automotriz, começando pela tecnologia e inovações.
Fez um chamado, igualmente, a estimular ao bloco para o crescimento e desenvolvimento com a geração de empregos, avançar em venda e colocação de produtos, e instou a aproveitar o momento excepcional de desenvolvimento da região.
O equatoriano Rafael Correia, em tanto, propôs construir na América Latina processos de integração que façam frente "aos abusos do capital".
Da mesma maneira pediu terminar com a autonomia dos bancos centrais, ao constituir-se esta em esquema montado para manter a ordem vigente.
Qualificou de absurdo que nossos países tenham que colocar suas reservas monetárias em bancos de países desenvolvidos percebendo juros do um por cento, os quais terminam emprestando esse mesmo dinheiro a taxas de cinco a sete por cento.
Documentos finais
No texto final os presidentes dos Estados partes do Mercosul e países associados reafirmaram o compromisso de aprofundar esse esquema de integração em suas dimensões política, econômica, produtiva, social, educativa, cultural e cidadã.
Os dignatários reiteraram, ademais, o compromisso com os valores, instituições democráticas e com o Estado de Direito, e sublinharam a não injerência em assuntos internos.
Destacaram que o processo de integração na área política permitiu "fortalecer os laços históricos e culturais, coordenar iniciativas conjuntas no campo regional e internacional, bem como avançar no desenho de políticas públicas regionais".
Assim mesmo coincidiram em que a consolidação do Mercosul contribuirá a atingir um desenvolvimento integral, erradicar a pobreza e assegurar a conformação de sociedades mais justas, inclusivas e equitativas.
Os chefes de Estado manifestaram o respaldo ao avanço da integração energética regional, bem como à plena potestade dos Estados de dispor livremente de seus recursos energéticos.
Ao respeito, lamentaram que Estados Unidos decidisse impor sanções de caráter unilateral que afetam à indústria petrolera venezuelana e observaram com preocupação que as mesmas podem ter um impacto econômico e social negativo para esse país.
O documento sublinhou que a adoção de medidas unilaterais não resulta compatível com a resolução das Nações Unidas, e chamaram a solucionar "o quanto antes" velhas disputas de soberania, entre elas a de Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas.
Os Presidentes reafirmaram seu compromisso na luta contra o terrorismo em todas suas formas e manifestações, e na cooperação para a prevenção dos atos de terrorismo, evitar a impunidade para quem os cometam e proteger às vítimas de ditos atos.
Também se congratularam pela entrada em vigor do Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-americanas, o 11 de março passado, ao ser ratificado pelo Uruguai.
Em outro documento divulgado, os governantes recusaram as lamentáveis declarações do Ministro de Defesa britânico, com respeito à disposição de aviões de combate e poder naval na zona das Ilhas Malvinas.
Afirmaram que com declarações "deste timbre" o Reino Unido da Grã-Bretanha continua ignorando os chamados da comunidade internacional para resolver a disputa de soberania".
Os Estados partes do Mercosul e países associados reiteraram seu respaldo "aos legítimos e imprescriptíveis direitos" da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.
Cúpula Social
Paralela à reunião de Presidentes sessionou a IX Cúpula Social do Mercosul com a participação de organizações e ativistas sociais, camponeses, indígenas e comunitários.
Ao inaugurar este encontro popular, o ministro paraguaio de Relações Exteriores, Jorge Lara, destacou o momento histórico que vive América Latina e, especialmente a região, com os movimentos sociais como protagonistas das grandes mudanças em a cada um de nossos países.
Estamos em um momento em que após tantos anos se instala definitivamente aquela ideia de integração que sonharam nossos próceres da independência, afirmou.
Saúde, mudança climática, igualdade de gênero, deficiência, comunicação, educação, desportos, povos originarios e afrodescendientes, trato de pessoas, migrações, tecnologias, sociais, integração e soberania energética, foram os temas instalados em 18 mesas de trabalho.
O chefe de Promoção e Intercâmbio de Políticas Sociais Regionais do Instituto Social do Mercosul, Mariano Nascone, assegurou em entrevista com Prensa Latina que esta reunião foi um fato essencial para poder consolidar todo o que se vem fazendo desde edições anteriores.
Disse que o trabalho é muito forte, são muitas as áreas temáticas, mas se está trabalhando para retomar o acumulado e ver como se podem solidificar e aprofundar o atingido.
Nascone comentou que se trabalha em como adotar e reduzir a brecha entre a estrutura do Mercosul, e por outro lado, a das organizações sociais e comunitárias que trabalham desde os diferentes países.
O jovem argentino recordou que o Instituto Social tem um papel muito forte em buscar as sinergias e potencialidades entre todo esse acumulado dentro do espaço do Mercosul.
Ao finalizar a Cúpula Estela Carlotto, presidenta da Associação Avós da Praça de Maio, foi declarada Cidadã Ilustre do Mercado Comum do Sur, segunda em receber a alta distinção, após o escritor uruguaio Eduardo Galeano, quem recebeu-a em 2008.
"Graças à vida porque tenho podido dar o que não pensava dar, estar em os lugares que jamais sonhei. É um sonho de um primeiro inferno onde agora estamos passando ao céu, à felicidade de nossos povos", expressou ao receber a condição.
Grupo São Paulo *
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
17 setembro 2008/ Adital www.adital.com.br
A vitória de Fernando Lugo é, sem dúvida, um marco histórico para o pequeno e esperançoso Paraguai. Ela acaba com seis décadas consecutivas de dominação do Partido Colorado, no poder desde 1947. Quando Lugo tomou posse no palácio presidencial de Assunção - o Mburuvicha Roga, "casa do chefe" na língua dos guaranis - foi a primeira vez na história do país em que ocorreu a transferência de governo de um partido a outro resultante de eleições livres, não fraudulentas e sem a ocorrência de golpe de Estado ou revolução.
San Pedro del Paraná, o distrito de onde o novo presidente é natural, e do qual foi bispo, é uma das regiões mais pobres do Paraguai, marcada pelo grande número de conflitos entre trabalhadores rurais sem terra, em sua maioria indígenas, e o latifúndio. Lá, Fernando Lugo projetou-se como bispo progressista, ligado à Teologia da Libertação. Destacou-se por entrar em choque com as oligarquias locais, com os conservadores da Igreja Católica, ganhou a confiança dos camponeses e o apoio da população indígena de todo o país.
Em 2006, Dom Lugo liderou um movimento contra a violação da Constituição pelo presidente da República e pela Corte Suprema de Justiça que o apoiava. O movimento reuniu 40 mil pessoas. O bispo lançou o desafio de unificar todas as oposições em uma única candidatura para enfrentar os colorados e afastá-los do poder. A opinião pública o apontou como única pessoa capaz de concretizar essa empreitada.
Como a Constituição paraguaia não permite que pessoas com cargos religiosos sejam candidatos, um abaixo-assinado, com 100 mil nomes, pediu que ele renunciasse a sua condição de bispo e fosse o candidato de uma aliança eleitoral que reuniu nove partidos de oposição, além de entidades da sociedade civil. Dom Lugo solicitou seu desligamento à Igreja, mas, como ele mesmo fala, continua um homem de fé.
Lugo lançou-se candidato da coligação Tekojoja, que significa "viver entre iguais" em guarani. Foi eleito presidente do Paraguai pela coalizão La Alianza Patriótica Para el Cambio (APC). Ela tem como força principal o segundo maior partido tradicional, o Partido Liberal Radical Auténtico (PLRA), que indicou o candidato a vice-presidente. As duas principais bandeiras de campanha da coligação foram a reforma agrária ampla e a soberania energética, renegociando o preço da energia de Itaipu com o Brasil e de Yacyretá com a Argentina. O PLRA as aceitou como única forma de derrotar o Partido Colorado, mas estas não são bandeiras históricas desse partido, composto por muitos fazendeiros.
A vitória de Lugo expressa o desejo de mudança e é carregada de muita esperança, porém o novo presidente deverá governar em circunstâncias bastante difíceis. Do total de parlamentares eleitos pela APC, 5% são de esquerda e o restante do PLRA; portanto, a maior parte de seus aliados eleitos é conservadora. Para compor uma maioria no Legislativo, terá de buscar alianças com parlamentares ligados aos dissidentes do Partido Colorado. Além disso, o Judiciário é controlado pelo presidente desse partido.
O Paraguai está perdendo seu perfil rural. A proporção populacional, que já foi de 70% no campo e 30% na cidade, mudou bastante, está quase 50% no campo e 50% na cidade. O país sofre com o agravamento dos problemas urbanos como a falta de emprego, marginalidade, perda do sentido da ética etc. Essa é mais uma razão que sustenta a importância da reforma agrária.
Itaipu fornece um quinto da energia elétrica consumida pelo Brasil e tem papel crucial no centro-sul do nosso país. Segundo o intelectual paraguaio Juan Díaz Bordenave, o tratado da Usina de Itaipu, assinado em 1973, foi firmado entre ditadores que sabiam exatamente que o Paraguai ficaria em desvantagem. Eles, porém, tiveram as vantagens: os "homens de Itaipu" tornaram-se, em pouco tempo, os mais ricos do Paraguai. Os negociadores sabiam que a única parte que podia ter excedente em Itaipu era o Paraguai. Até terminar de pagar a dívida, em 2022, o Brasil iria ter, a preço de custo, a energia que o Paraguai não utilizaria. Para o Paraguai utilizar a energia que por imposição do tratado hoje vende ao Brasil, precisa construir linhas de transmissão e ainda desenvolver um parque industrial que utilize a energia. Para isso é necessário dinheiro, o dinheiro que virá se o Brasil pagar ao Paraguai o preço de mercado da energia, não o de custo. "A visão do Brasil como um grande imperialista é inevitável para qualquer paraguaio", completa Bordenave.
Outro desafio importante será colocar o Paraguai presente no cenário regional de integração no Mercosul. O país necessita implantar políticas que superem as assimetrias entre os parceiros, principalmente quanto aos dois grandes, Brasil e Argentina. Para o engenheiro agrônomo paraguaio Henrique Rodriguez (representante da FAO no Paraguai), "a proposta do Mercosul de que todos os seus Estados produzam os produtos considerados ‘rentáveis’ para o bloco é absurda. Não se pode usar toda a terra do Paraguai para plantar cana-de-açúcar para o etanol, que muito interessa ao Brasil. Nem para plantar soja, como interessa à Argentina. Podemos plantar isso, sim, em regiões delimitadas. O Mercosul deveria aproveitar do Paraguai o que ele tem de melhor, suas condições climáticas e geográficas ‘únicas’ para a produção de orgânicos. É preciso que o Mercosul exija do Paraguai algo que podemos oferecer e viabilize o mercado para vendermos a produção".
Mais um desafio do novo governo será favorecer os setores da economia popular, como os camponeses e pequenos produtores, frente à ação predatória dos grandes capitais, e recuperar a soberania sobre os recursos naturais. O governo de Lugo será acompanhado de perto por seus vizinhos e pelos EUA porque, além de grande produtor de energia, o país está no centro do Aqüífero Guarani, uma reserva de água doce, sob quatro países, que supera em tamanho a Espanha, Portugal e França juntos. Se é verdade que as guerras do futuro serão pela água e não pelo petróleo, está claro que o Paraguai é um alvo estratégico único. Não é sem motivo que em 2005 os EUA conseguiram que o governo de Assunção autorizasse o uso de suas bases aéreas e concedesse "imunidade" para os militares americanos que precisassem atuar na região.
Na parede da sala da modesta casa de Fernando Lugo, que tem apenas um quarto, um pequeno depósito, cozinha e um estúdio no andar de cima, existe um quadro que traz os dizeres "o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos". Desejamos que o presidente Fernando Lugo consiga fazer o Paraguai viver seu sonho de mudança.
[Elisa Helena Rocha de Carvalho, Alejandro Buenrostro y Arellano, Andrea Paes Alberico, Guga Dorea e José Juliano de Carvalho Filho, do Grupo de São Paulo - um grupo de 10 pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ].
* gruposp@correiocidadania.com.br
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35066
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Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra http://www.mst.org.br
27 agosto 2008
Neste sábado (30/8), a Via Campesina Brasil festeja o aniversário de três anos da I Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA), localizada no assentamento Contestado, município da Lapa (à 70 km de Curitiba-PR).
A escola fundada em 27 de agosto de 2005, pelos campones, é mais instrumento na luta pela construção de uma nova matriz de produção, baseada na agroeocologia e na preservação do meio ambiente. No local estão sendo formados tecnólogos em Agroecologia para contribuir no avanço deste modelo de produção no campo.
“A construção da ELAA tem sido fundamental para fortalecer a articulação da Via Campesina na América Latina, preparando jovens de vários movimentos socais para atuar nas comunidades onde vivem”, afirma José Maria Tardin, da equipe pedagógica da escola.
As comerações terão início às 9h, com uma mística de abertura. Às 9h30 os participantes farão uma visita aos espaços da escola. Às 11h será realizada um Ato Político com autoridades e religiosos convidados, às 13h será servido almoço, e às 14h30 serão realizadas atividades culturais.
Hoje, a ELAA conta com 88 educandos de 18 estados brasileiros e do Paraguai. Todos filhos de camponeses, assentados e pequenos agricultores, ligados a movimentos latino-americanos da Via Campesina. São duas turmas em funcionamento na escola. A primeira, chamada “Mata Atlântica” está na sexta etapa do curso e a turma “Resistência Camponesa” inicia a quarta etapa em outubro.
O curso de graduação é ministrado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e conta com três anos de duração, com aulas que funcionam por etapas, em regime de alternância, entre tempo escola e tempo comunidade, com uma média de 60 a 70 dias cada etapa.
A ELAA foi criada numa parceria entre a Via Campesina, o governo da Venezuela, governo do Paraná, UFPR e o MST, para possibilitar a estruturação de uma rede de intercâmbio entre os camponeses latino-americanos e defender a soberania alimentar dos povos.
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5743
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
9 julho 2008
Adital - Ante a declaração dos líderes do G8 sobre segurança alimentar global publicada anteontem, em Hokkaido, o Sr Yoshitaka Mashima, líder camponês membro da Via Camponesa, comentou: "Não entendemos como os líderes do G8 pretendem solucionar a crise alimentar com mais livre comercio, visto que é a liberação da agricultura e dos mercados de alimentos que está nos levando à crise atual. Para proteger-se da instabilidade dos mercados mundiais, a população deve consumir comida local. Não necessitamos de mais comida importada".
Em uma coletiva de imprensa ocorrida hoje, os líderes camponeses afirmaram que os governos do G8 estão utilizando a atual crise alimentar e climática para promover um programa de livre comércio que beneficia as grandes empresas em vez dos produtores ou consumidores. A declaração dos líderes do G8 insiste em reanimar as negociações moribundas da OMC, e em impedir que cada país regule a exportação de alimentos.
Contudo, os pequenos camponeses de todo o mundo têm experimentado os efeitos devastadores das políticas de livre comercio e da OMC em suas vidas e na produção local de alimentos. Defendem o direito de cada país proteger seus mercados locais, a apoiar a agricultura familiar sustentável, e a comercializar os alimentos no lugar em que são produzidos.
A declaração dos líderes do G8 tampouco menciona duas das causas principais da atual crise de preços dos alimentos: a especulação por parte de grandes comerciantes e empresas transnacionais, e o desenvolvimento de agrocombustiveis como nova fonte de energia. É importante levar em consideração que estas causas profundas da crise alimentaria são conseqüência das políticas neoliberais que promovem os governos do G8, a OMC, o Banco Mundial e outras instituições.
"Perguntamos-nos como as nações mais ricas do mundo pensam apoiar aos pequenos camponeses se nem sequer lhes permitem entrar nos países em que se reúnem", afirmou Mashima. Dezenove camponeses coreanos da rede internacional da Via Campesina foram deportados do aeroporto de Hokkaido no dia 5 de julho, passaram 48 horas detidos com o pretexto de que podiam perturbar as reuniões oficiais.
Segundo o comunicado da Via, os camponeses e pequenos produtores de alimentos atualmente produzem a maior parte dos alimentos do planeta; promovem a produção local de alimentos à pequena escala para os mercados locais, o que cria emprego e protege a saúde dos consumidores e o meio ambiente, respeitando as diversas culturas e comunidades; Além disso não se encontrará solução nenhuma para a crise atual sem escutar as vozes dos camponeses.
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33914
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
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18 junho 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br
Por Plínio de Arruda Sampaio*
A alta dos preços dos alimentos veio para ficar. Conseqüentemente, estamos de novo diante da perspectiva de crises de fome aguda nos países mais pobres. Perspectiva semelhante, em 1975, deu lugar à Conferência Mundial da Alimentação, cujas propostas para evitar a repetição do fenômeno deram em nada.
Desta vez, os países ricos não se viram na necessidade de montar outra farsa como a de 1975. Em três dias, os chefes de 43 Estados reuniram-se em Roma e despacharam o assunto.
Ao pedido de 30 bilhões de dólares para enfrentar o problema, feito pelo diretor geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a resposta dos chefes de Estado foi assim: toma dez e não se fala mais no assunto.
O episódio é bem indicativo dos tempos que estamos vivendo: "os ricos perderam mesmo o medo dos pobres", escreveu Eric Hobsbawm, em 1989.
Podemos, portanto, preparar-nos para ver novamente nos noticiários da televisão o triste desfile de multidões de crianças famintas e de adultos esquálidos.
Contudo, convém ponderar que o resultado da reunião de Roma, salvo enquanto revelador da conduta dos países mais ricos do mundo diante de uma mortandade anunciada, não altera essencialmente a problemática da fome no mundo.
Se os chefes de governo, em vez de oferecer dez, tivessem oferecido os 30 bilhões solicitados pela FAO, o problema da fome seria temporariamente atenuado, mas não resolvido.
Para resolvê-lo, definitivamente, não basta comprar excedentes da produção dos países ricos e enviar comboios com alimentos para as regiões de fome aguda. Na lógica do capitalismo, isto pode ser até um bom negócio para as multinacionais do "agrobusiness".
Fome resolve-se com reforma agrária; planejamento agrícola; preços administrados; educação e saúde para a população do campo.
Qualquer avanço importante nesse terreno fere imediatamente os poderosos interesses dos grandes proprietários rurais e das multinacionais da agroindústria. Por isso, nenhuma dessas reformas sai do papel.
As classes populares ainda não têm força política para reformar a agricultura capitalista e menos ainda para propor um modelo socialista de desenvolvimento da agricultura.
Quem está, de fato, preocupado em solucionar a questão da fome não pode se iludir com os paliativos propostos nessas reuniões de cúpula e nem imaginar que a humanidade pode se ver livre do fantasma da fome dentro dos marcos do capitalismo. Basta atentar para o fato de que no país capitalista mais rico do mundo, o governo, a fim de garantir renda aos produtores, subsidia os agricultores que deixam de cultivar parte de suas terras. Pois, mesmo com esse enorme potencial de produção alimentar, graves deficiências nutricionais afetam porcentagem significativa de sua população e grandes filas de pessoas com fome formam-se diariamente nos "sopões" da caridade.
* Plinio Arruda Sampaio é advogado, ex-deputado constituinte, presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do jornal Correio da Cidadania.
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5501
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