Noticias, artigos e análises sobre economia, politica e cultura dos países membros do Mercosul, CPLP e BRICS | Noticiero, articulos e analisis sobre economia, politica e cultura de los paises miembros del Mercosur, CPLP y BRICS
sábado, 6 de junho de 2015
Desenvolvimento do Milénio: Moçambique cumpre na redução da fome
terça-feira, 28 de abril de 2015
Timor-Leste/DISCURSO DO PRESIDENTE TAUR MATAN RUAK NO 60º ANIVERSÁRIO DA CONFERÊNCIA ASIA-ÁFRICA DE 1955 E 10º ANIVERSÁRIO DA NOVA PARCERIA ESTRATÉGICA ÁSIA-ÁFRICA
22 a 24 de Abril de 2015
sábado, 6 de dezembro de 2014
Moçambique/Vaticano: Guebuza recebido pelo Papa Francisco
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Brasil/ONU ELOGIA REDUÇÃO DA FOME. MÍDIA OMITE!
sexta-feira, 27 de junho de 2014
AFRICA PRECISA DE UM CONSELHO DE PAZ E SEGURANÇA
Para que isso aconteça, segundo Vaquina, os países africanos devem concretizar este nobre propósito, liderando os esforços tendentes a eliminação do paradigma de dependência externa que ainda enferma as intervenções e instituições africanas.
“Uma África próspera, digna, internacionalmente activa e respeitada precisa de um Conselho de Paz e Segurança robusto, imparcial e com recursos. Como membros do
segunda-feira, 16 de junho de 2014
FAO e governo brasileiro unem-se para fortalecer pesca em países africanos
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Angola/ÁFRICA UNIDA CONTRA A FOME
Para tal, considerou necessário dar prioridade ao reforço dos investimentos no domínio da agricultura, com vista a garantir a segurança alimentar no continente. Fernando da Piedade Dias dos Santos disse igualmente ser "importante e urgente" o investimento no capital humano e nas
sábado, 3 de maio de 2014
Técnicos chineses fazem produtividade de arroz triplicar em Moçambique
segunda-feira, 21 de abril de 2014
México/Angola contra limitações
A secretária de Estado da Cooperação informou que
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Brasil/Dilma propõe ao Papa uma frente ampla contra exclusão social
23 julho 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)
A proposta foi feita por Dilma no encontro reservado que ela e o papa tiveram na sede do governo fluminense. Fontes do Vaticano e do governo brasileiro anteciparam à 'Carta Maior' que esse assunto seria discutido na audiência privativa e que a posição do papa seria a priori favorável a essa iniciativa.
A proposta foi feita por Dilma no encontro reservado que ela e o papa tiveram na sede do governo fluminense. Fontes do Vaticano e do governo brasileiro anteciparam à Carta Maior que
terça-feira, 23 de julho de 2013
Brasil/Em discurso de boas-vindas ao Papa, Dilma destaca luta em comum contra a desigualdade
Brasil/ÍNTEGRA DOS DISCURSOS DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF E DO PAPA FRANCISCO
DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, DURANTE CERIMÔNIA OFICIAL DE CHEGADA DE SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO
Brasil/FRANCISCO, O PAPA PARA SE ADAPTAR A UMA IGREJA EM DECLÍNIO
Qual é o significado da expressão “papa dos pobres” usada pela imprensa para referir-se a Francisco, o sucessor de Bento XVI, que inicia nesta segunda-feira (22), no Brasil, a sua primeira viagem internacional? A revista norte-americana Time tem programada, para a edição do dia 29, uma chamada de capa com uma variante dessa designação: “O papa do povo”.
A visita de Francisco ao Brasil vem repleta dos significados que envolvem, comumente, a figura do dirigente máximo da Igreja. São significados apostólicos, políticos e, sobretudo ideológicos.
A igreja católica, embora de influência declinante entre o povo, mantém grande força ideológica. Nos últimos papados (João Paulo II e Bento XVI), a igreja condenou a Teologia da Libertação e sua opção preferencial pelos pobres, cuja força cresceu durante o papado de Paulo VI (1963 a 1978). A inclinação social foi rejeitada pela cúpula da Igreja como “marxista”. O último terço de século em que a igreja foi dirigida pelos dois últimos papas foi o período do predomínio dos valores do dinheiro e da riqueza sobre o Vaticano. Neste sentido, João Paulo II e o cardeal Ratzinger (depois Bento XVI) foram campeões do neoliberalismo, como o presidente dos EUA, Ronald Reagan e a premier britânica Margareth Thatcher, que capitanearam a ascensão mundial do predomínio do dinheiro e da riqueza na preocupação dos dirigentes políticos.
João Paulo II foi um anticomunista da mesma estatura de Reagan e Thatcher, e o resultado de sua orientação “espiritual” é visível. Por um lado, representou forte aval ideológico e simbólico ao predomínio neoliberal; na outra ponta traduziu-se na série de escândalos, de toda natureza, que a cúpula da Igreja viveu nestes anos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
China apoia projecto de 1,2 mil milhões de dólares para renascimento da agricultura de Angola até 2012
Segundo nota oficial do governo publicada em Julho em Luanda, o plano visa tirar partido dos recursos naturais de Angola, que antes da independência estava entre os líderes mundiais na produção de bens como café, sisal, cana-de-açúcar ou algodão, permitindo ao mesmo tempo estimular a criação de emprego em zonas rurais e carenciadas.
“O projecto pretende também garantir o abastecimento alimentar, fornecer o mercado interno e tirar partido de oportunidades locais, regionais e internacionais”, refere o documento divulgado em Luanda.
O investimento será financiado por uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China, investimento privado e outros empréstimos, adianta a nota, que não especifica os montantes de cada um destes componentes.
O Banco de Desenvolvimento chinês, através do seu presidente Chen Yuan, havia já garantido em Março estar disponível para abrir uma linha de crédito de mais de mil milhões de dólares para o país Angola, vocacionada para a agricultura, e mesmo para prolongá-la no futuro.
“Estamos prontos para conceder a linha de crédito avaliada em mais de mil milhões de dólares, mas pensamos que o montante é insuficiente e que poderá ser aumentado para atender às necessidades concretas de Angola nos domínios da agricultura, produção de cereais e processamento de produtos agrícolas”, sublinhou o banqueiro chinês após uma audiência com o Presidente da República.
Yuan adiantou que os primeiros financiamentos de projectos concretos angolanos aconteceriam provavelmente já em 2009.
Dado o provável envolvimento de empresas industriais e comerciais no de “renascimento” agrícola do país, este projecto vem também responder ao objectivo estratégico chinês de produção e exportação de bens alimentares a partir de países africanos, sublinhado num recente estudo do investigador Loro Horta.
Angola, refere o investigador em “África: A Nova Taça de Arroz da China”, oferece “grandes oportunidades à China”, tendo uma área superior a 1,24 milhões de quilómetros quadrados para uma população de apenas 16 milhões de pessoas.
Estas oportunidades, adianta, incluem a produção de carne, mas também bens alimentares de luxo em voga na China, como café, especiarias e frutos tropicais.
A nova linha de crédito, que vem somar-se às do Eximbank avaliadas em torno de 5.000 milhões de dólares, torna realidade o objectivo de diversificação da economia angolana, para além do petróleo, e de reanimação da actividade empresarial, numa altura em que o país ainda sente os efeitos do forte abrandamento do preço do barril nos mercados internacionais.
De acordo com dados do Banco Mundial, o contributo da agricultura para o PIB angolano cresceu de 7,3 para 8,2 por cento, entre 2006 e 2008.
Para este ano, estima-se uma produção total de culturas alimentares de 18,8 milhões de toneladas, acrescidas de 67 mil toneladas de produção pecuária, valores considerados insuficientes para cobrir as necessidades alimentares do país.
A estimativa de produção de cereais para 2009 é de 1,8 milhões de toneladas, cerca de 700 mil toneladas abaixo do consumo no país.
O Governo aposta no aumento em quatro milhões de hectares de área de cultivo e na produção de mais de 15 milhões de toneladas de cereais, o que abre as portas à exportação.
“Este é um desafio do Governo e de todas as forças vivas de Angola. O objectivo passa ainda por apoiar mais de um milhão de famílias do meio rural e levar a um crescimento superior às 500 cooperativas e associações em todo o país”, afirmou recentemente o primeiro-ministro angolano, Paulo Kassoma.
Kassoma apontou como meta o envolvimento de mais de dois milhões de pessoas neste esforço nacional de desenvolver o sector agrícola e agro-pecuário, deixando de ter como base a subsistência para um modelo generalizado de obtenção de lucro. (macauub)
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
BRASIL - TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO
www.adital.com.br
14 novembro 2008
Adital - * Manifesto da II Reunião Científica Trabalho Escravo Contemporâneo e Questões Correlatas.
Os 34 pesquisadores reunidos na II Reunião Científica Trabalho Escravo Contemporâneo e Questões Correlatas, realizada nos dias 22 a 24 de outubro de 2008 pelo Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, manifestam-se contrários a esta chaga social, que teima em se manter viva no Brasil e no mundo em pleno século XXI, e denunciam como uma de suas principais causas a ausência de uma reforma agrária ampla, justa e democrática.
O trabalho escravo é resultado do modelo de desenvolvimento capitalista adotado no país - priorizando o agronegócio, a concentração de terras e da renda - que se fortaleceu no período da ditadura militar e alcançou o seu auge com a expansão da fronteira agrícola na Amazônia Legal. Ele se mantém na "modernidade", na qual continuamos comercializando nossos quatro tradicionais produtos de exportação: pedra, pau, água e seres humanos.
O atual sistema econômico privilegia o agronegócio, concentra a terra, desmata, subordina os trabalhadores rurais e as populações tradicionais, destrói a produção familiar, chegando a eliminar vidas humanas. Além da garantia dos direitos das comunidades quilombolas, ribeirinhas, indígenas, caiçaras e outros, são necessárias ainda diversas outras políticas públicas para a superação desse problema.
Consideramos que não basta desapropriar os imóveis rurais que não cumprem sua função social, conforme estabelece a Constituição de 1988, no artigo 184. Os assentamentos rurais, embora sejam fruto de lutas sociais, são insuficientes para democratizar o acesso e o uso da terra, que no Brasil é extremamente concentrada. É preciso uma reforma agrária, agrícola e educacional que propicie condições para o desenvolvimento com a inclusão de todos, na cidade e no campo, de maneira especial com o estímulo à agricultura familiar.
A reforma agrária requer a utilização da terra de forma responsável, com o uso de tecnologia agro-sustentável, produzindo alimentos para abastecer prioritariamente a demanda interna e garantir a segurança alimentar. Consideramos que é urgente o Brasil adotar um novo projeto de sociedade sustentável do ponto de vista econômico, social, ambiental e cultural. Mais do que atitudes isoladas, a erradicação do trabalho escravo depende da mudança de princípios e valores culturais, da luta da sociedade civil organizada e da eficaz implementação de uma política de Estado.
Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2008.
[Enviado por Revista Missões]
http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36031
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Brasil/Amorim defende participação da América Latina e do Caribe em discussões sobre crise
Isabela Vieira, repórter da Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Rio de Janeiro, 6 outubro 2008 - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu hoje (6) a participação dos países da América Latina e do Caribe nas discussões sobre a crise financeira mundial. Ao participar de uma reunião de chanceleres da região, no Rio de Janeiro, Amorim disse que os países não podem ficar de fora de decisões que os afetem.
“É preciso que América Latina e Caribe façam ouvir a sua voz nesse tema que é tão importante para todos. Não é mais possível que nós sejamos aqueles que passivamente sofrem os efeitos da crise nos grandes centros econômicos”, disse o ministro, ao citar uma frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Não podemos ser apenas periferia”, afirmou Amorim.
A reunião no Rio é preparatória para a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, que será realizada nos dias 16 e 17 de dezembro em Salvador.
Durante o encontro, estão sendo discutidas formas de promover parcerias entre os países da América Latina e do Caribe em áreas como comércio exterior, segurança alimentar, combate à fome e à pobreza, mudanças climáticas e biocombustíveis, assuntos que também devem ser discutidos na cúpula em Salvador.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/10/06/materia.2008-10-06.4551804053/vie
sábado, 4 de outubro de 2008
Plataforma Portuguesa denuncia falta de cumprimento dos compromissos
Lisboa, 2 outubro 2008 - A Plataforma Portuguesa Eu Acuso denunciou hoje (quinta-feira) o incumprimentro por parte do Governo dos compromissos assumidos em matéria de migrações na Cimeira UE-África , sobretudo no que toca ao equilíbrio entre a promoção da imigração legal e controlo securitário.
A falta de equilíbrio entre a promoção da imigração legal e o controlo securitário das fronteiras, uma gestão dos fluxos que ignora a protecção internacional de refugiados e a falta de promoção das ligações entre migração e desenvolvimento são alguns dos elementos que fazem parte da primeira acusação formal contra Portugal, lançada hoje pela Plataforma, em Lisboa.
Esta acusação "põe a tónica nas migrações e nos compromissos que o Governo português e os restantes Estados-membros da UE anunciaram em relação a tratar o assunto dos fluxos migratórios como um processo de integração e não na óptica securitária", explicou à Agência Lusa Cláudia Pedra, coordenador da Plataforma Portuguesa Eu Acuso, também hoje apresentada oficialmente.
Esta Plataforma, composta por 13 organizações da sociedade civil, foi criada para avaliar os "(in)cumprimentos" dos objectivos estabelecidos na Cimeira UE-África de 2007 e no Fórum da Sociedade Civil pelos países europeus e africanos em áreas como as "migrações, cooperação para o desenvolvimento, segurança alimentar, questões de género, Objectivos do Milénio da ONU e Paz e Segurança", explicou a responsável.
Na área das migrações,"afirmou-se que se ira facilitar a mobilidade e a livre circulação de pessoas em Árica e na UE, promover e gerir melhor a migração por vias legais, tendo em vista apoiar o desenvolvimento socioeconómico dos países de origem e destino", lembrou.
"Também que se iria tratar das causas profundas da migração e dos fluxos de refugiados e reforçar a capacidade para assegurar a protecção internacional das pessoas que dela necessitam", entre outros, acrescentou.
Porém, Cláudia Pedra lamentou que a União Europeia, incluindo Portugal, "pouco tenham feito", encontrando-se ambos, mas especialmente Lisboa, por ter sido promotor da dita Cimeira, em "clara violação dos compromissos assumidos".
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
RODADA DOHA, O BRASIL E O AGRONEGÓCIO
IHU - Unisinos *
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
Adital – 1 agosto 2008
O debate foi intenso acerca das definições a partir da Rodada Doha, mas esta foi um fracasso, segundo o governo brasileiro. Fracasso porque o Brasil foi contra o G20 e aceitou baixar tarifas para exportações e abrir mais ainda o setor de serviços, enquanto países como a Argentina e Índia se mostraram contra essas concessões e defenderam o direito de manter e criar novas salvaguardas para sua agricultura. Muitos movimentos sociais brasileiros já alertaram e se mostraram contra as posições do governo brasileiro, comemorando o fracasso desta rodada. Para Fátima Mello, esse formato de negociação do qual o Brasil participou é inaceitável. "Índia e China constataram o problema, e é uma pena que o Brasil não o tenha constatado, na medida em que os movimentos sociais sempre insistiram nesse ponto: o de que o tema das salvaguardas em agricultura trata basicamente do direito que os países querem ter de proteger e promover a sua agricultura interna, aquela que abastece com alimentos a população dos países", afirmou ela, nesta entrevista concedida a IHU On-Line por telefone.
Fátima Mello é secretária executiva da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip) e coordenadora do Núcleo Brasil Sustentável da Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase). É graduada em História, pela PUC-Rio, onde também recebeu o título de mestre em Relações Internacionais.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - O que significaram essas negociações da Rodada Doha?
Fátima Mello - Para o governo brasileiro, a aposta principal era a de que no ambiente multilateral da OMC se pudesse obter regras que aumentasse ainda mais o acesso aos mercados da Europa e dos Estados Unidos para exportações do agronegócio brasileiro, principalmente de commodities agrícolas. Então, o Brasil jogou todas as fichas nessa negociação para poder ampliar esse acesso aos mercados. Em troca disso, o Brasil estava concordando em fazer concessões que, em nossa opinião, são inaceitáveis. Essas concessões se davam principalmente em dois setores. Um deles é o das tarifas para importação de produtos industriais, que era o "filé mignon" que os Estados Unidos e Europa queriam. Esses países têm todo o interesse em ampliar suas exportações de alto valor agregado para os países do sul, e o Brasil estava concordando em baixar suas tarifas para acolher essa demanda dos Estados Unidos e Europa. O outro é o de serviços, que no Brasil já é bastante liberado e privatizado, no qual se concederia mais aberturas nesse setor. Então, a lógica negociadora do Brasil era essa. Esse formato de negociação é absolutamente inaceitável, porque seria transformar e consolidar o Brasil, no sistema internacional, como país exportador de commodities agrícolas de baixíssimo valor agregado e que exigem muitos recursos naturais para sua produção. Em troca disso, teremos de nos consolidar no papel de país desindustrializado, que importa produtos de alto valor agregado industrializado do norte. Por isso, desde sempre fomos contra os termos dessa Rodada.
IHU On-Line - Qual é a sua avaliação da política econômica do governo Lula?
Fátima Mello - Uma das principais bases de sustentação dessa política econômica foram exatamente essas exportações, que têm um peso enorme na balança comercial brasileira, as exportações de commodities agrícolas, ou seja, soja, etanol etc. O ponto-chave que fica com o fracasso da Rodada Doha é que deveríamos repensar as prioridades de política econômica, no sentido de voltar a nossa produção para o mercado doméstico e regional. Ou seja, o modelo cujo núcleo central são as exportações está esgotado. Nós precisamos passar a pensar a nossa produção nacional, voltada para o mercado doméstico, para garantir a segurança alimentar do povo brasileiro.
IHU On-Line - Há explicação para o fato de Celso Amorim ter aceitado a Rodada Doha?
Fátima Mello - Existem muitas explicações, mas a principal delas é que a política externa de um país é sempre definida, orientada pelos interesses hegemônicos que existem numa sociedade. Se na sociedade brasileira o agronegócio tem um peso tão grande em termos econômicos e políticos, entendemos por que as posições defendidas pelo Brasil dentro da política internacional refletem essa hegemonia que existe no país. Não é um problema de Celso Amorim, e sim de uma lógica de formação de política externa que é dada por esses interesses.
IHU On-Line - O que contribuiu para o fracasso da Rodada Doha?
Fátima Mello - A explicação para o fracasso da rodada é que os países não estão mais dispostos a fazer as concessões que as premissas da OMC exigem. Ela foi criada em meados dos anos 1990, quando as premissas do neoliberalismo estavam no auge do seu vigor. Essas premissas que estão presentes na mesa da Rodada Doha exigem liberação progressiva, a redução do papel do Estado, a condenação de políticas públicas etc. Tudo isso está posto em xeque porque os países não estão mais dispostos a abrir mão do papel que eles podem ter para garantir a segurança alimentar, os serviços essenciais para a população, até o papel regulador.
As teses da OMC estão ultrapassadas, o que fez com que a Rodada não pudesse ir adiante. Nós vimos os temas que, ao final, emperraram o andamento da Rodada. Índia e China constataram o problema, e é uma pena que o Brasil o não tenha constatado, na medida em que os movimentos sociais sempre insistiram nesse ponto: o de que o tema das salvaguardas em agricultura trata basicamente do direito que os países querem ter de proteger e promover a sua agricultura interna, aquela que abastece com alimentos a população dos países. No caso do Brasil, cerca de 70% do abastecimento de alimentos do mercado interno vem da agricultura familiar e camponesa e não dessa grande agricultura exportadora. Nós sempre defendemos que os países precisam ter o direito de ter políticas públicas e salvaguardas que protejam essa agricultura da competição com as transnacionais. Esse tema emperrou a essa Rodada. Índia e China disseram que queriam ter salvaguardas, e o Brasil não quis, apesar dos movimentos sociais do campo sempre terem defendido isso.
Outro tema que emperrou foi o chamado NAMA, que é a sigla em inglês para negociações de redução tarifas industriais, pois a Argentina cansou de dizer que queria conservar o direito de ter tarifas porque é um instrumento importante de política industrial. O Brasil quis abrir mão disso, mas essa proposta também emperrou a Rodada. Isso mostra que os países querem voltar a ter o direito de regular as suas economias, o que também emperrou a Rodada.
IHU On-Line - O fracasso de Doha pode ampliar as disputas comerciais?
Fátima Mello - Pode acontecer muita coisa agora. É muito difícil fazer um exercício de previsão. Um cenário que poderia ser positivo após o fracasso é que os países podem se voltar mais para o comércio regional, ter apoios de comércio e de cooperação para o desenvolvimento dentro das regiões. Agora, um outro cenário, mais interessante para as grandes empresas, envolve a tentativa de retomada dos acordos de livre comércio bilaterais e intra-regionais: é o caso do acordo de livre comércio que estava em negociação entre Mercosul e União Européia. Ele está parado há alguns anos e agora se fala em sua retomada, o que seria muito ruim porque seus termos são muito parecidos com os da Alca. Muito exercício de cenário está sendo feito, mas o cenário dos acordos bilaterais seria o pior possível.
IHU On-Line - De certa forma, ao se posicionar a favor da Rodada Doha, o Brasil "traiu" o G-20?
Fátima Mello - Eu não diria isso. Eu diria o seguinte: o Brasil, em Cancun, na reunião ministerial da OMC de 2003, quando também houve um colapso, liderou junto com a Índia a formação do G20. Naquela época, ele foi erguido, nos pilares de agricultura que interessavam tanto ao Brasil quanto à Índia. Havia três pilares igualmente importantes: o de acesso a mercados, o de redução de subsídios domésticos nos Estados Unidos e Europa e o do interesse da Índia no desenvolvimento rural. Esses três pilares organizaram o G20. O problema é que o G20 de lá para cá vem abandonando - e nisso o Brasil tem um responsabilidade - o tema que interessava mais à Índia. O G20 foi se concentrando apenas na agenda de acesso a mercados, ou seja, de liberação maior para acesso aos mercados do norte. Isso estremeceu o G20 porque a agenda se restringiu a agenda de interesses de apenas alguns países. Não é só o Brasil o responsável. Eu acho que seria uma leitura fácil demais responsabilizar apenas o nosso país.
IHU On-Line - O que a Rodada Doha pode significar para as relações entre os países do Mercosul?
Fátima Mello - É preciso voltar a priorizar as relações aqui na região. De fato, essa última rodada de negociações fez com que Brasil e Argentina se distanciassem em termos da sua aliança, muito por conta dessa história dos produtos industriais, da redução de tarifas, em que a Argentina defendeu uma posição de maior resistência. Então, agora é preciso recompor o ambiente de debate no âmbito do Mercosul sim; não é o fim do mundo. Temos novidades políticas importantes na região como a posse do Lugo no Paraguai, o que pode dar uma nova inspiração para o bloco. Existe uma agenda para ser dado o devido andamento no Mercosul e o fracasso da Rodada Doha pode, se for bem trabalhado, ajudar a fortalecer a agenda sub-regional.
IHU On-Line - Para vocês, qual o futuro de Doha agora?
Fátima Mello - Está claro que a Rodada Doha está esgotada. Insistir nela é apostar numa agenda que se mostrou completamente ultrapassada.
* Instituto Humanitas Unisinos
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=34296
quinta-feira, 10 de julho de 2008
VIA CAMPESINA CONTESTA COMUNICADO FINAL DO G8
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
9 julho 2008
Adital - Ante a declaração dos líderes do G8 sobre segurança alimentar global publicada anteontem, em Hokkaido, o Sr Yoshitaka Mashima, líder camponês membro da Via Camponesa, comentou: "Não entendemos como os líderes do G8 pretendem solucionar a crise alimentar com mais livre comercio, visto que é a liberação da agricultura e dos mercados de alimentos que está nos levando à crise atual. Para proteger-se da instabilidade dos mercados mundiais, a população deve consumir comida local. Não necessitamos de mais comida importada".
Em uma coletiva de imprensa ocorrida hoje, os líderes camponeses afirmaram que os governos do G8 estão utilizando a atual crise alimentar e climática para promover um programa de livre comércio que beneficia as grandes empresas em vez dos produtores ou consumidores. A declaração dos líderes do G8 insiste em reanimar as negociações moribundas da OMC, e em impedir que cada país regule a exportação de alimentos.
Contudo, os pequenos camponeses de todo o mundo têm experimentado os efeitos devastadores das políticas de livre comercio e da OMC em suas vidas e na produção local de alimentos. Defendem o direito de cada país proteger seus mercados locais, a apoiar a agricultura familiar sustentável, e a comercializar os alimentos no lugar em que são produzidos.
A declaração dos líderes do G8 tampouco menciona duas das causas principais da atual crise de preços dos alimentos: a especulação por parte de grandes comerciantes e empresas transnacionais, e o desenvolvimento de agrocombustiveis como nova fonte de energia. É importante levar em consideração que estas causas profundas da crise alimentaria são conseqüência das políticas neoliberais que promovem os governos do G8, a OMC, o Banco Mundial e outras instituições.
"Perguntamos-nos como as nações mais ricas do mundo pensam apoiar aos pequenos camponeses se nem sequer lhes permitem entrar nos países em que se reúnem", afirmou Mashima. Dezenove camponeses coreanos da rede internacional da Via Campesina foram deportados do aeroporto de Hokkaido no dia 5 de julho, passaram 48 horas detidos com o pretexto de que podiam perturbar as reuniões oficiais.
Segundo o comunicado da Via, os camponeses e pequenos produtores de alimentos atualmente produzem a maior parte dos alimentos do planeta; promovem a produção local de alimentos à pequena escala para os mercados locais, o que cria emprego e protege a saúde dos consumidores e o meio ambiente, respeitando as diversas culturas e comunidades; Além disso não se encontrará solução nenhuma para a crise atual sem escutar as vozes dos camponeses.
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33914
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sábado, 7 de junho de 2008
FAO: MAIS LIVRE COMÉRCIO, MAIS FOME
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br
6 junho 2008
Ontem (5), terminou a Cúpula de Alto Nível sobre Segurança Alimentar da FAO (Organização para Alimentação e Agricultura da ONU) que foi celebrada neste dias em Roma. As conclusões do encontro não indicam uma mudança de tendência nas políticas que vêm sendo aplicadas nos últimos anos e que têm conduzido à situação de crise atual.
As declarações de boas intenções e as promessas de milhões de Euros para acabar com a fome no mundo realizadas por vários governantes não vão pôr fim às causas estruturais que têm gerado essa crise. Além disso, as propostas realizadas pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, de aumentar em 50% a produção de alimentos e rechaçar as limitações impostas à exportação por parte de alguns países afetados parecem reforçar mais as causas da crise do que conduzir a saídas reais que garantam a segurança alimentar da maioria das populações no Sul.
O monopólio de determinadas corporações multinacionais de cada um dos trechos da cadeia de produção de alimentos, desde as sementes passando pelos fertilizantes até a comercialização e distribuição do que comemos, é algo que não se tratou nessa cúpula. No entanto, e apesar da crise, as principais companhias de sementes, Monsanto, DuPont e Syngenta, reconheceram um aumento crescente de seus lucros e o mesmo ocorreu com as principais indústrias de fertilizantes químicos. As maiores empresas processadoras de alimentos como Nestlé ou Unilever também anunciam um aumento em seus lucros, embora abaixo das que controlam os primeiros trechos da cadeia. Do mesmo modo, as grandes distribuidoras de alimentos como Wal-Mart, Tesco ou Carrefour afirmam seguir aumentando seus lucros.
Os resultados da cúpula da FAO refletem o consenso alcançado entre a ONU, o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para manter políticas econômicas e comerciais de dependência Sul-Norte e de apoio às multinacionais da agroalimentação. As recomendações lançadas a favor de uma maior abertura dos mercados no Sul, de subsidiar as importações de alimentos a partir da ajuda ao desenvolvimento e a aposta por uma nova revolução verde apontam nesta direção.
Aqueles que trabalham e cultivam a terra, nas mãos de quem deveria estar nossa alimentação, os camponeses e as camponesas, foram excluídos do debate. Quando representante de organizações camponesas tentaram apresentar suas propostas, coincidindo com a abertura oficial da cúpula, foram retirados à força. Em reuniões anteriores de alto nível, havia sido permitida uma maior participação dos coletivos sociais e agora, diante da gravidade da situação, as portas se mantiveram fechadas, como denunciou a rede internacional Via Campesina.
Acabar com a situação de crise implica pôr um fim no modelo de agricultura e de alimentação atual que coloca os interesses econômicos de grandes multinacionais acima das necessidades alimentares de milhões de pessoas. É necessário abordar as causas estruturais: as políticas neoliberais que vem sendo aplicadas de forma sistemática nos últimos 30 anos, promovidas pelo BM, FMI, e pela Organização Mundial do Comércio (OMC) com os Estados unidos e a União Européia à frente. Políticas que significam liberalização econômica em escala global, abertura sem freio dos mercados, privatização de terras dedicadas ao abastecimento local e sua reconversão em monocultivos de exportação..., conduzindo-nos à grave situação de insegurança alimentar atual. Segundo o BM, calcula-se que a cifra de 850 milhões de pessoas que hoje padecem de fome aumentará nos próximos anos até 950.
A saída para a crise passa por regular e controlar o mercado e o comércio internacional; reconstruir as economias nacionais; devolver o controle da produção de alimentos às famílias camponesas e garantir seu acesso livre à terra, às sementes, à água; tirar a agricultura dos tratados de livre comércio e da OMC; e pôr um fim na especulação com a fome.
O mercado não pode resolver o problema. Diante das declarações do número dois da FAO, José Maria Sumpsi, afirmando que se trata de um problema de oferta e de demanda, devido ao aumento do consumo em países emergentes como Índia, China ou Brasil, há de se lembrar que nunca antes se havia dado uma maior produção de comida no mundo.
Hoje se produz três vezes mais que nos anos sessenta, enquanto a população mundial somente duplicou desde então. Não há uma crise de produção de alimentos e sim uma impossibilidade de acesso aos mesmos por parte de amplas populações que não podem pagar os preços atuais. A solução não pode ser mais livre comércio porque, como se tem demonstrado, mais livre comércio implica mais fome e menor acesso aos alimentos. Não se trata de colocar mais lenha na fogueira.
[Tradução: ADITAL. As matérias sobre Segurança Alimentar são produzidas com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil].
* Diagonal
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33383
