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terça-feira, 18 de agosto de 2015
Haitiano faz websérie para combater preconceito que sofre no Brasil
Imigrantes haitianos, em
São Paulo, estão produzindo uma websérie para contar aos brasileiros as
dificuldades que enfrentam por aqui. O projeto Superação é uma forma de buscar
integração e combater o preconceito. O primeiro episódio da websérie, que foi
lançando na semana passada, é uma parceria entre a associação Comunidade
Haitianos no Brasil e as secretarias de Cultura e Direitos Humanos de Santo
André.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
BRILHAM OS HIPÓCRITAS NA PASSARELA PARISIENSE
O REGRESSO DO FASCISMO – A propósito do Charlie Hebdo
O mínimo que se pode dizer é que o caso Charlie Hebdo ingressou velozmente no pântano da confusão. Os dois supostos atacantes foram liquidados dois dias depois dos ataque, ainda não se sabe bem como foram tão facilmente identificados numas poucas horas – salvo se aceitarmos a incrível versão policial de que um deles esqueceu o seu documento de identidade no automóvel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex-subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, assinala que "a polícia encontrou o cartão de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (próximo da sede do Charlie Hebdo). Soa familiar? Recordem que as autoridades (estado-unidenses) afirmaram haver encontrado o passaporte intacto de um dos supostos sequestradores do 11 de Setembro entre as ruínas das torres gémeas. Uma vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais
A HIPOCRISIA DO MEME “EU SOU CHARLIE” E DA TAL “LIVRE MANIFESTAÇÃO”
SOBRE OS ASSASSINATOS NO CHARLIE-HEBDO
Sua Eminência, Hassan Nasrallah, do Hezbollah: “Takfiris
ofendem muito mais o Profeta que a tal revista”
Imã Mahdi em Beirute em 9/1/2015
EU NÃO SOU CHARLIE, JE NE SUIS PAS CHARLIE
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
AS FRONTEIRAS DA GLOBALIZAÇÃO
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, dois partidos de extrema-direita, racistas e xenófobos, ganharam as eleições no Reino Unido e na França da Revolução Francesa e dos Direitos do Homem. Na Suiça foram colocados entraves à entrada de imigrantes. É uma política de Estado. O passo seguinte é permitir a entrada de apenas 16.000 estrangeiros por ano, por “razões ecológicas”. Em toda a União Europeia o caminho é restringir a imigração. Enquanto foi necessária mão-de-obra escrava para as grandes obras públicas, os imigrantes, sobretudo africanos, eram desejados. Agora são escorraçados.
Os governos dos países ricos estão
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Brasil/ONG católica diz que manual da JMJ sobre sexualidade está descolado da realidade
Repórter da Agência Brasil
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Cabo Verde/Centro de migrante arranca com novos serviços de apoio
O centro, na Cidade da Praia, é uma iniciativa liderada por Portugal e enquadrada na Parceria para a Mobilidade estabelecida entre Cabo Verde e a União Europeia em Junho de 2008, informou hoje (domingo) fonte diplomática.
Segundo a fonte, o centro disponibilizará novos serviços de atendimento, a fim de apoiar o potencial migrante cabo-verdiano na "orientação pré-partida" ou no retorno ao país de origem.
Tendo como pano de fundo promover uma melhor gestão dos fluxos migratórios entre a União Europeia e Cabo Verde, o CAMPO pretende também promover a correspondência entre vagas de trabalho disponíveis para cidadãos estrangeiros e a competência do potencial migrante no país de origem.
Além do apoio que já era assegurado aos jovens que desejavam prosseguir os seus estudos em Portugal, o CAMPO ambiciona afirmar-se como uma ferramenta útil na identificação de vagas de trabalho na União Europeia, às quais o potencial migrante cabo-verdiano se possa candidatar.
Do mesmo modo, o CAMPO quer assumir-se como um pólo de divulgação das alternativas ao projecto migratório existentes em Cabo Verde, como sejam oportunidades de qualificação profissional, formação ou acesso a projetos de micro-crédito.
Na orientação para a reintegração, sublinhou a fonte, o CAMPO, criado a 24 de Janeiro de 2008, aspira ser um instrumento de difusão e esclarecimento de programas ou acções já em curso da iniciativa de instituições cabo-verdianas.
Nesse sentido, disponibilizará informação sobre as oportunidades de formação em Cabo Verde, mas também sobre investimentos, contas especiais emigrante e acesso ao crédito, entre outros serviços.
A implementação do CAMPO é assegurada em estreita articulação com os institutos de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e das Comunidades (IC), o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O projeto conta com o cofinanciamento da Comissão Europeia, do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
O centro visa sobretudo combater a emigração irregular, dando à partida informações claras e concretas, e fazendo também a ligação com associações cabo-verdianas em Portugal.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Brasil e Espanha/AH, QUER DIZER QUE EMIGRAR PRA CÁ, VALE?
Por indicação de um leitor, tomei conhecimento do texto publicado no JB por Mauro Santayana, que reproduzo, estarrecido, para vocês. Leiam, e eu comento a seguir:
Tendo assumido o controle da Coelba, a companhia baiana de eletricidade, durante o governo FHC, a empresa espanhola Iberdrola está oferecendo aos desempregados da província de Castellon, na Espanha, contratos para a execução do programa Luz para Todos, no interior da Bahia. É nisso que deu a “privatização”: se o ministro Lupi nisso concordar, teremos o dinheiro público usado para combater o desemprego na Espanha. Se não há eletricistas no mercado, bastam dois meses para formá-los, como sabem os técnicos do setor.
Seria um contrassenso oferecer emprego aos espanhóis, quando brasileiros são ali tratados pela polícia como facínoras, os homens; e como prostitutas, as nossas filhas, esposas, namoradas e irmãs. Um país que se respeita exige que seus cidadãos sejam respeitados. Não podemos tratar os espanhóis com a mesma violência e desprezo, mas nem por isso devemos oferecer-lhes trabalho que falta aos brasileiros.
Confesso que, embora crível porque vem de um dos mais respeitados jornalistas brasileiros, a informação parecia ser exagerada. Não é. Olhem a notícia que reproduzo ao lado do jornal Las Províncias.
Não tenho e abomino qualquer tipo de xenofobia. Venho de uma família de imigrantes, e creio que é provável que o próprio Santayana, pelo sobrenome, deva ter ascendência espanhola. Fizeram um dos grandes fluxos migratórios para cá se integraram perfeitamente à vida brasileira. Mas não estamos falando de pessoas que juntam seus coisas e vêm para cá espontaneamente. Estamos diante de um processo empresarial, onde há um recrutamento deliberado de mão de obra, que envolverá passagens, acomodação e que, pior, é um programa de emprego rotativo, onde não virão as famílias, mas apenas os trabalhadores para “temporadas” aqui.
São eletricistas de média e alta tensão, setores onde dizem que não há mão de obra qualificada aqui. Então, porque não importam instrutores, capazes de, em pouco tempo, formarem levas enormes de trabalhadores qualificados. Sairia mais barato que deslocá-los às centenas, não é? Não fazem porque, como o próprio jornal espanhol diz, a “destruição do emprego” por lá ronda a casa de 20%.
Atenção, como diz o Santayana, Ministro Carlos Lupi. Estão querendo fazer o programa “Luz para todos, pero empleo para nosotros”.
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50 RESPOSTAS PARA “AH, QUER DIZER QUE EMIGRAR PRA CÁ, VALE?”
1. Dias Melhores — 9 de junho de 2010 @ 7:35
Obrigado deputado pela atenção, mas agora precisamos nos mover e impedir que o fato seja consumado.
Aproveito para informar que, existem sim, instrutores em número suficiente na Bahia e caso contrário se poderia buscar profissionais em outros estados.
2. Maria Helena Correa — 9 de junho de 2010 @ 7:44
Vamos fazer um abaixo assinado ao Ministro Lupi? O governo já possui uma estrutura de treinamento (porta de saída do Bolsa Familia), além do sistema S que é subvencionado por todos nós. E hoje em dia a Espanha já tem lucros imensos na telefonia no Brasil. Além de exportar capitais, cujos rendimentos seguram seus balanços, vai querer exportar trabalhadores?
Ler mais respostas em: Tijolaço http://www.tijolaco.com
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Perú/Após crítica à lei do Arizona, OEA debate situação de Honduras
Os chanceleres que assitem à Assembleia Geral da Organização de Estados Americanos (OEA), em Lima, Peru, iniciam seus trabalhos, nesta segunda, discutindo o tema da possível reincorporação de Honduras ao Sistema Interamericano. No domingo, o secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza, criticou a lei do Arizona que criminaliza imigrantes.
Apesar de não ser o ponto principal do encontro, se espera que o golpe que tirou o presidente Manuel Zelaya do poder há quase um ano tenha destaque na cúpula, assim como o chamado para que o novo governo permita a volta de Zelaya ao país, sem que lhe sejam violadas as garantias constitucionais. O assunto deve dividir o bloco.
Honduras foi suspensa da OEA em 4 de julho do ano passado, após o golpe de Estado contra Zelaya e a instalação de um governo de fato. Esta edição da Assembleia Geral foi inaugurada no domingo pelo secretário geral do organismo, José Miguel Insulza, que ressaltou as diferenças de opinião entre as nações americanas no que diz respeito à reincorporação de Honduras ao grupo.
"Todos estamos de acordo sobre a conveniência de um pronto retorno de Honduras à organização. A única diferença está em que alguns consideram que isso deve ocorrer sem maior demora e outros crêem que é necessário que se cumpram algumas exigências adicionais", assinalou Insulza. A situação do exílio de Zelaya também está em pauta, uma vez que essa condição "contraria as normas de direitros humanos e a própria Constituição de Honduras", completou.
O secretário geral do organismo expressou que "um retorno de Honduras é positivo para esse país e para a OEA", porque seria uma forma de "apoiar os esforços dos que querem uma plena normalização, sem exclusões ou perseguições. E porque permitiria abordar de melhor maneira os problemas dos direitos humanos e outros que estão pendentes", disse.
Críticas à lei anti-imigrante
Neste domingo, Insulza também criticou a Lei SB1070 do estado do Arizona por seu "cenário inegável de discriminação contra a população latina, migrante e não migrante". Em seu discurso inaugural, ele considerou que esta lei do estado americano, assim como a chamada "direção do retorno" da União Europeia "apontam para repreender artificialmente fenômenos que são naturais, e ambas as coisas preocuparam especialmente nossos membros".
Insulza lembrou que os países da América Latina e do Caribe abrigam a 8% da população mundial, mas são emissores de 16% dos movimentos migratórios no mundo, o que transforma a emigração em um fenômeno continental.
Na qualidade de anfitrião do evento, o presidente do Peru, Alan García, propôs como tema para a cúpula o debate sobre a aquisição de armas na região. Uma declaração conjunta dos líderes participantes do encontro é esperada para a terça-feira, último dia da assembleia.
A cúpula ocorre em um momento em que o prestígio da OEA desce ladeira abaixo, o que se tornou mais explícito durante o golpe de Honduras, quando a entidade não teve forças para pressionar pelo restabelecimento da ordem constitucional. A entidade, que há muito é apelidada de "ministério das colônias dos Estados Unidos", é acusada de ser instrumentalizada pelos norte-americanos e não jogar papel efetivo em defesa dos interesses da região.
O organismo ficou ainda mais esvaziado depois que, em fevereiro deste ano, foi criado um novo bloco regional, sem os Estados Unidos e o Canadá - a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). A entidade propõe uma nova diplomacia, baseada no diálogo, na solidariedade e integração entre as nações, respeitando a soberania e a auto-determinação dos povos. (Com agências)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Brasil/Anistia a estrangeiros beneficia mais de 40 mil pessoas
Bolivianos foram os que mais aderiram à anistia: 17 mil se apresentaram para se regularizar. Estrangeiros beneficiados receberam visto provisório com validade de dois anos e poderão solicitar residência permanente no Brasil
Por Bianca Pyl*
Mais de 40 mil estrangeiros que vivem no Brasil não deixaram escapar a chance de se afastar da ilegalidade. O público estimado de pessoas que conseguiu o visto temporário durante o segundo semestre de 2009 - período designado para o acolhimento dos pedidos de regularização - superou a marca das duas outras vezes nas últimas décadas (1988 e 1998) em que a anistia foi concedida. Os números - que podem chegar até a 44 mil atendidos, de acordo com as projeções do governo federal - foram divulgados pelo Ministério da Justiça (MJ) na quarta-feira (6) da semana passada.
Desta vez, a anistia aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lei 1.664, em julho do ano passado, permitiu a legalização de todos os estrangeiros que entraram no país até 1º de fevereiro de 2009. A comunidade de imigrantes bolivianos foi a que alcançou o maior número de beneficiados, com mais de 17 mil contemplados. A maioria absoluta deles (16,3 mil) se apresentou no Estado de São Paulo.
Os chineses compuseram o segundo maior grupo de estrangeiros que requisitaram a anistia (5,5 mil). Na seqüência, apareceram os peruanos (4,6 mil), os paraguaios (4,1 mil) e os coreanos (1,1 mil). Aproximadamente 2,4 mil europeus procuraram a Polícia Federal (PF) para regularizar sua permanência, o que causou surpresa a representantes do MJ.
Os estrangeiros beneficiados pela anistia receberam um visto provisório de dois anos. Com isso, poderão requerer a residência permanente. Para isso, deverão comprovar que estão trabalhando, que não possuem débitos fiscais e antecedentes criminais no Brasil e no exterior, além de não terem se ausentado do território nacional por intervalo superior a 90 dias consecutivos durante a residência provisória.
"Aqui nos defendemos a regularização migratória como um instrumento de inserção social. É um não à criminalização", afirmou o ministro interino da Justiça, Luis Paulo Barreto, durante coletiva de imprensa. Cerca de um milhão de pessoas, de diversas nacionalidades, vivem regularmente no Brasil. O número é quatro vezes menor que a soma de aproximadamente quatro milhões de brasileiros que estão morando fora do país.
As taxas e multas em 2009 foram, segundo o ministério, cinco vezes menores do que as cobradas nas anistias anteriores. Mesmo assim, Alvaro Araoz, encarregado de assuntos consulares da Embaixada da Bolívia no Brasil, apontou alguns empecilhos para dar entrada no procedimento. "A dificuldade foi basicamente cumprir com algumas exigências. Por exemplo, provar o ingresso no Brasil antes de fevereiro de 2009. Muitas pessoas não tinham comprovante. Algumas perderam seus documentos, entre outros motivos".
Muitos bolivianos que já tinham o visto temporário por causa do acordo bilateral de 2005 entre Brasil e Bolívia migrou para o benefício da nova anistia, de acordo com Alvaro. "A importância de conseguir regularizar a situação é grande. A partir do momento em que se têm documentos, os direitos são reconhecidos", avalia o membro da representação boliviana no Brasil.
Contudo, o encarregado de assuntos consulares da Embaixada da Bolívia adverte que alguns órgãos ainda não reconhecem plenamente a residência provisória. "Estamos trabalhando nisso, em cooperação com o MJ, para que esses documentos sejam reconhecidos e os cidadãos estrangeiros possam conseguir atendimento médico, vagas em escolas etc. Enfim, ser um cidadão com direitos e deveres", complementa Alvaro.
Nos últimos anos, contingentes significativos de cidadãos de países pobres da América do Sul migraram para o Brasil, em busca de melhores condições de vida. Em condição de ilegalidade, muitos deles se sujeitaram à exploração em condições degradantes e análogas à escravidão em pequenas confecções situadas principalmente na capital paulista. São corriqueiras as denúncias de oficinas de costura que funcionam sem estrutura adequada e que se vale da superexploração de trabalhadores estrangeiros. Mediante este quadro, órgãos públicos tem lançado iniciativas como o Pacto Municipal Tripartite Contra a Fraude e a Precarização, e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo.
*Com informações da assessoria de imprensa do Ministério da Justiça (MJ)
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Moçambique/ Governo quer maior controlo sobre mão-de-obra nacional no exterior
22 setembro 2009/Notícias
A decisão sobre esta matéria foi tomada recentemente no decurso do Conselho Coordenador do Ministério do Trabalho realizado na província de Sofala, durante o qual a Direcção do Trabalho Migratório deste pelouro foi instruída no sentido de criar bases para o seu envolvimento directo no recrutamento e colocação de moçambicanos noutros países que não seja apenas a África do Sul.
Dados apurados pela nossa Reportagem indicam que, actualmente, existe um número considerável de moçambicanos a trabalhar em países como Suazilândia, Zimbabwe, Botswana, Angola, Lesotho, entre outros, sobre os quais pouco se sabe, sobretudo relativamente às condições em que se encontram empregados.
Ligado a este objectivo, decorre no país o processo de preparação de um projecto de leis sobre a adesão à Convenção da Organização Internacional de Trabalho (OIT) sobre o trabalho migratório, instrumento que deverá ser submetido à aprovação da Assembleia da República.
Com relação a este assunto, o delegado do Ministério do Trabalho na África do Sul, Elias Nhambe, disse que a medida resulta do facto de o país estar a enfrentar dificuldades na criação de postos de trabalho suficientes para atender à crescente demanda, sobretudo por parte dos jovens que procuram espaço no mercado do trabalho pela primeira vez, sendo que uma das saídas seria a sua colocação nos países vizinhos, desde que seja em condições vantajosas, não só para eles, como também para o país.
Trata-se, segundo Elias Nhambe, de um desafio que se coloca ao Ministério do Trabalho, que já encetou as primeiras demarches no sentido de conseguir uma maior aproximação às representações diplomáticas dos países vizinhos com quem deverá trabalhar em regime de parceria intensiva.
Um dos passos a ser dados nesta perspectiva é a implementação do projecto de informatização do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), por forma a facilitar a adesão dos trabalhadores no estrangeiro, passando estes a desfrutar também dos benefícios do sistema de segurança social.
Ao longo dos últimos cinco anos foram recrutados 61 769 trabalhadores moçambicanos para as minas da África do Sul e 33 220 para o sector agrícola daquele país, facto que se reflectiu na redução do desemprego e consequente angariação de divisas para o país, mesmo considerando o impacto negativo da crise financeira mundial e os actos de xenofobia perpetrados contra estrangeiros naquele país vizinho.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Anistia a imigrantes ilegais deve ser sancionada até 6 de julho
Se o texto for mantido, estrangeiros em situação irregular que ingressaram no Brasil até 1º de fevereiro de 2009 poderão protocolar pedido de residência provisória no período de 180 dias após publicação da sanção presidencial
Por Bianca Pyl*
Centenas de milhares de estrangeiros em situação irregular no país contam os dias à espera da nova anistia, que agora depende apenas da assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles esperam a sanção do Projeto de Lei (PL) 1.664/2007, aprovado em 4 de junho e enviado ao Palácio do Planalto no último dia 16. A partir da chegada do projeto, o presidente dispõe de 15 dias úteis (contando a data do envio) para sancionar a proposta vinda do Congresso. Lula deve referendar a medida até o próximo dia 6 de julho.
Apresentado pelo deputado federal oposicionista William Woo (PSDB-SP) e relatado na Câmara Federal pelo governista Carlos Zarattini (PT-SP), o PL 1.664/2007 beneficia estrangeiros que vivem na ilegalidade e que ingressaram no Brasil até 1º de fevereiro de 2009. Se o texto for mantido como está (ressalte-se que o presidente tem o poder de fazer alterações nesta etapa final), aqueles que preencherem esses requisitos básicos e quiserem permanecer regularmente no país poderão entrar com um pedido de residência provisória durante o período de seis meses (180 dias) que correrá após a publicação do ato político no Diário Oficial da União (DOU).
No final do ano passado, o governo federal já havia acenado com a possibilidade de anistia aos imigrantes ilegais, por meio do Ministério da Justiça. A intenção inicial de elaborar uma proposta própria do Executivo foi substituída pela "aceitação" de projetos que já tramitavam no Parlamento. "O governo estava cogitando preparar a anistia, mas como já havia dois projetos de lei, um meu e outro do deputado William Woo, nós sentamos e decidimos por um projeto que contemplaria as nossas propostas e as do governo", esclarece Carlos Zarattini (PT-SP), que relatou o projeto na Câmara.
"É um momento histórico. Enquanto a maioria dos paises ricos fecha as suas portas, o Brasil acolhe esse povo que precisa de trabalho", resume o padre Mario Geremia, do Centro Pastoral do Migrante (CPM) da Paróquia Nossa Senhora da Paz, na região central de São Paulo (SP).
Presidente do Instituto Migrações e Direitos Humanos, Rosita Milesi destaca que muitos imigrantes têm receio até de procurar postos de saúde quando enfermos por causa da situação de ilegalidade. "Trata-se do primeiro passo para a garantia dos direitos sociais", complementa.
Rosita vê com bons olhos a mudança da data limite de entrada dos estrangeiros - que havia sido estipulada inicialmente pelos parlamentares para 1º de novembro de 2008 e depois foi alterada, ainda na própria Câmara dos Deputados, para 1º de fevereiro de 2009. Segundo ela, muitos imigrantes de países vizinhos da América do Sul, como é o caso de bolivianos e peruanos, deixaram o país momentaneamente do Brasil no final do ano para visitar suas famílias. Caso a alteração de datas não fosse confirmada, muita gente que já vive no Brasil poderia perder o direito de se regularizar.
"As pessoas de diferentes países que estão no Brasil, de todas as culturas, estão muito agradecidas", definiu Mario Geremia. O pároco que atende estrangeiros avalia que é difícil mensurar a quantidade de estrangeiros em situação irregular no país "porque se trata de uma comunidade que está na clandestinidade". Segundo estimativas do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Brasil abriga cerca de 600 mil estrangeiros sem documentação legal.
Processo
Para requerer a anistia, o projeto aprovado pelos congressistas exige que os imigrantes apresentem comprovante do pagamento de 25% do valor (atualmente fixado em R$ 124,00) para a expedição da Carteira de Identidade de Estrangeiro (CIE); comprovante do pagamento da taxa de registro (para o qual se cobra R$ 64,00); declaração de próprio punho que não responde a processo criminal ou foi condenado criminalmente, no Brasil e no exterior; e comprovante de entrada no Brasil ou qualquer outro documento que permita atestar o ingresso no território nacional dentro da data limite prevista.
"A anistia vem para facilitar a regularização do estrangeiro. Por isso, a declaração relativa a processos criminais pode ser escrita pelo próprio requerente. Isso agiliza o processo. É claro que as declarações serão checadas pela Polícia Federal e estarão sob as penas da lei", esclarece Carlos Zarattini.
Ainda de acordo com a proposta aprovada no Congresso, a residência provisória será valida por dois anos. O artigo 7º do projeto de lei estipula o prazo de 90 dias antes de terminar o prazo provisório para que o estrangeiro possa requerer a residência permanente. Para isso, deve comprovar que está trabalhando, não possui débitos fiscais e antecedentes criminais no Brasil e no exterior, além de não ter se ausentado do território nacional por prazo superior a 90 dias consecutivos durante o período de residência provisória.
"Nós acreditamos que a anistia ajuda, mas não é a solução. Uma nova lei de imigração deve ser aprovada o quanto antes. Nós defendemos também a lei de residência do Mercosul, que permite a livre circulação das pessoas entre países que fazem parte do bloco", acrescenta o padre Mario Geremia.
O Brasil foi o último país do Mercosul a assinar a Convenção sobre a Proteção dos Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e Membros de suas Famílias - negociado no âmbito da Organização das Nações Unidas Unidas (ONU). A adesão brasileira só foi confirmada no dia 8 de dezembro do ano passado, após decisão unânime tomada pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), presidido pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).
Durante a 98ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça, evento que comemorou os 90 anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o presidente Lula citou a aprovação da anistia, "enquanto o mundo rico anda jogando a culpa em cima dos imigrantes". Rosita Milesi, do Instituto Migrações e Direitos Humanos, frisa que qualquer decisão em sentido oposto seria uma "contradição inaceitável", vez que existem cerca de quatro milhões de brasileiros que migraram para outros países e lutam por dignidade.
*Colaborou Maurício Hashizume
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Parlamentares Latino-americanos alertam sobre crise econômica
Vários legisladores declararam a Prensa Latina que o deterioro da situação causa uma crescente inquietude do outro lado do Oceano Atlântico e criticaram ao chamado Grupo dos 20 (G20) por sua atuação nas atuais circunstâncias.
O G20 em suas duas recentes cúpulas (Washington, novembro de 2008) e Londres faz em uma semana) tem limitado seu interesse às questões financeiras, enquanto as dificuldades econômicas aumentam os riscos nos países latino-americanos, apontaram.
No entanto, uma resolução aprovada no fórum de Madri só instou a estabelecer mecanismos e políticas coordenadas para superar a crise financeira e alertou sobre suas conseqüências sociais.
Com uma forte incidência da parte européia, a cúpula madrilenha restringiu seu pronunciamento a exigir medidas que promovam o emprego e assegurem os direitos de cobertura universal.
Mas foi clara em reiterar os acordos do G20 sobre uma reforma do sistema financeiro internacional e a necessidade de evitar a implantação de medidas protecionistas, indicou um delegado latino-americano.
A reunião de parlamentares aprovou uma denominada Carta Euro-Latino-americana para a Paz e a Segurança que estabelece ações conjuntas em matéria de luta contra o narcotráfico, o crime organizado, o terrorismo, o tráfico de armas e de pessoas.
Esse texto contém 20 artigos que vão desde a cooperação para o desenvolvimento sustentável e a defesa do meio ambiente até assuntos como a pobreza, os objetivos do Milênio, segurança alimentaria e energética, mudança climática e o direito à água.
Outros pontos referem-se ao uso, tráfico ilícito e proliferação de armas de destruição em massa, a cooperação em matéria judicial, penal e de inteligência policial e a criação de um centro de prevenção de catástrofes.
Em contraposição às resoluções oficiais aprovadas aqui, os deputados dos partidos de Esquerda de ambas regiões afirmaram em um texto separado que o G20 não tomou decisões capazes de responder aos graves problemas econômicos e sociais que atravessa o mundo.
O documento qualifica de inconexas e de caráter cosmético as medidas lembradas em Londres para reformar o sistema financeiro e denúncia que se produziu um reforço das instituições cujas políticas são responsáveis pela atual crise.
Os deputados de esquerda dentro de Euro-Lat também reiteraram sua demanda aos Estados Unidos para que levante o bloqueio imposto a Cuba e liberte a cinco lutadores anti-terroristas cubanos presos em cárceres norte-americanas desde 1998.
Também saudaram o triunfo eleitoral da Frente Farabundo Martí em El Salvador e a aprovação da emenda constitucional na Bolívia, “a qual abre as portas ao aprofundamento da participação popular e amplia os direitos civis e políticos”.
O fórum aprovou outra resolução que considera o acesso à água como um direito humano fundamental e instou aos Estados a modernizar seus serviços públicos de captação e fornecimento do líquido e a estabelecer controles quando sua gestão corresponde a empresas privadas.
Os assistentes à assembléia receberam ademais um enérgico protesto de organizações de imigrantes latino-americanos na Europa contra as redadas e detenções seletivas e por quotas realizadas pela polícia espanhola contra pessoas estrangeiras.
A demanda exige o apoio dos parlamentos para que as autoridades deste país ibérico cessem essas práticas, deixem sem efeito os expedientes de expulsão abertos e libertem a imigrantes detidos nos chamados centros de internamento de estrangeiros.
No fórum de Madri participaram representantes dos parlamentos Europeu, Latino-americano, Andino, Centro-americano e do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) e das comissões parlamentares mistas UE-México e UE-Chile.
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=9b2f00f37307f2c2f372acafe55843f3&cod=3839
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Chanceler português visita Brasília para preparar cúpula
Brasília, 9 outubro 2008 (Lusa) - O ministro português das Relações Exteriores, Luís Amado, chega nesta sexta-feira a Brasília, onde terá um encontro com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, para preparar a 9ª Cúpula Brasil-Portugal, que será realizada no dia 28, em Salvador.
Segundo fontes diplomáticas brasileiras e portuguesas, a cúpula entre o presidente Lula da Silva e o primeiro-ministro luso José Sócrates deverá mostrar o "excelente patamar das relações luso-brasileiras", num momento em que os dois países estão interessados na promoção da língua portuguesa no exterior.
Com a entrada em vigor do acordo ortográfico, que terá períodos diferentes de transição em cada um dos oito países de língua portuguesa, especialistas acreditam que o idioma será fortalecido e que a cooperação para a promoção do português no quadro internacional será facilitada.
Este será um dos temas de destaque na Cúpula Brasil-Portugal e no encontro dos ministros das Relações Exteriores, assim como a preocupação com a crise financeira mundial.
Amado deverá interessar-se sobre os reflexos na economia brasileira da crise que começou nos Estados Unidos e se alastra pela Europa, já que os portugueses têm investidos no Brasil mais de US$ 11 bilhões (R$ 25,19 bilhões) em cerca de 700 empresas.
Embora o presidente Lula insista que o país está preparado para enfrentar as turbulências, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) obedece à tendência de queda em todo o mundo - já perde 37% este ano -, o dólar subiu muito e o governo já admite que a crise é a mais séria desde 1929.
Esta semana, o governo brasileiro adotou medidas contra a falta de liquidez no mercado brasileiro, devido ao estrangulamento do crédito, entre outras providências para que o Banco Central possa socorrer bancos que venham a ter dificuldades.
Amorim e Amado devem trocar impressões também a respeito das eleições nos Estados Unidos e do quadro sul-americano, com foco na Bolívia, Venezuela e Equador.
Outros assuntos na agenda de discussão são a possível retomada das negociações comerciais entre União Européia (UE) e Mercosul, após o novo fracasso da Rodada de Doha, no último mês de julho, e o programa de ação para a parceria estratégica UE-Brasil, cuja 2ª Cúpula está marcada para 22 de dezembro, no Rio de Janeiro.
O problema da imigração deverá aparecer também nas discussões bilaterais, uma vez que os brasileiros constituem, segundo as autoridades portuguesas, mais de 30% dos imigrantes em situação irregular em Portugal.
A abordagem deste tema, todavia, passou para outra esfera com a parceria estratégica estabelecida em julho do ano passado entre a UE e o Brasil, âmbito em que estão sendo tratados os problemas de imigração diante das novas leis européias em vigor.
As estratégias para o fortalecimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é também um outro tema que está sempre na pauta das relações Brasil-Portugal.
No plano bilateral, de acordo com diplomatas dos dois países, não há quaisquer bloqueios de natureza administrativa para o comércio.
No ano passado, as trocas comerciais entre Brasil e Portugal aumentaram 20% em comparação com 2006, chegando a US$ 2,1 bilhões (R$ 4,8 bilhões), com exportações brasileiras de US$ 1,7 bilhão (R$ 3,89 bilhões) e importações de US$ 340,9 milhões (R$ 778 milhões).
Já as discussões sobre o reconhecimento de graus e títulos também devem ser mantidas.
O Brasil defende a constituição de um conselho de grandes universidades para harmonizar os procedimentos de reconhecimento de graus e títulos, porque existe uma grande descentralização neste tema no país, assim como em Portugal.
A última cúpula luso-brasileira foi realizada no Porto, norte de Portugal, em outubro de 2005.
Em 2006, o primeiro-ministro português José Sócrates realizou uma visita oficial ao Brasil, onde se encontrou com o presidente Lula, mas não houve uma cúpula dos dois países.
No ano passado, as atenções concentraram-se no encontro UE-Brasil, para onde migraram muitos temas da agenda bilateral.
sábado, 4 de outubro de 2008
Plataforma Portuguesa denuncia falta de cumprimento dos compromissos
Lisboa, 2 outubro 2008 - A Plataforma Portuguesa Eu Acuso denunciou hoje (quinta-feira) o incumprimentro por parte do Governo dos compromissos assumidos em matéria de migrações na Cimeira UE-África , sobretudo no que toca ao equilíbrio entre a promoção da imigração legal e controlo securitário.
A falta de equilíbrio entre a promoção da imigração legal e o controlo securitário das fronteiras, uma gestão dos fluxos que ignora a protecção internacional de refugiados e a falta de promoção das ligações entre migração e desenvolvimento são alguns dos elementos que fazem parte da primeira acusação formal contra Portugal, lançada hoje pela Plataforma, em Lisboa.
Esta acusação "põe a tónica nas migrações e nos compromissos que o Governo português e os restantes Estados-membros da UE anunciaram em relação a tratar o assunto dos fluxos migratórios como um processo de integração e não na óptica securitária", explicou à Agência Lusa Cláudia Pedra, coordenador da Plataforma Portuguesa Eu Acuso, também hoje apresentada oficialmente.
Esta Plataforma, composta por 13 organizações da sociedade civil, foi criada para avaliar os "(in)cumprimentos" dos objectivos estabelecidos na Cimeira UE-África de 2007 e no Fórum da Sociedade Civil pelos países europeus e africanos em áreas como as "migrações, cooperação para o desenvolvimento, segurança alimentar, questões de género, Objectivos do Milénio da ONU e Paz e Segurança", explicou a responsável.
Na área das migrações,"afirmou-se que se ira facilitar a mobilidade e a livre circulação de pessoas em Árica e na UE, promover e gerir melhor a migração por vias legais, tendo em vista apoiar o desenvolvimento socioeconómico dos países de origem e destino", lembrou.
"Também que se iria tratar das causas profundas da migração e dos fluxos de refugiados e reforçar a capacidade para assegurar a protecção internacional das pessoas que dela necessitam", entre outros, acrescentou.
Porém, Cláudia Pedra lamentou que a União Europeia, incluindo Portugal, "pouco tenham feito", encontrando-se ambos, mas especialmente Lisboa, por ter sido promotor da dita Cimeira, em "clara violação dos compromissos assumidos".
sexta-feira, 4 de julho de 2008
LIMPEZA ÉTNICA NA EUROPA FASCISTA
Altamiro Borges *
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
2 julho 2008
Adital - O Parlamento do Mercosul, reunido na cidade argentina de San Miguel de Tucumán, aprovou ontem uma dura resolução de repúdio às novas regras migratórias em vigor na União Européia, a fascista "Diretiva de Retorno". Segundo relatos de bastidores, o documento foi articulado pelo ministro de Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Celso Amorin, foi consensual entre os países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e teve o entusiástico apoio dos governos da Venezuela e Bolívia, ainda em fase de adesão formal ao bloco regional.
"O Parlamento do Mercosul declara seu repúdio à denominada Diretiva de Retorno, que constitui uma violação aos direitos humanos básicos, em particular ao direito de livre circulação... Declara a sua esperança na capacidade do Parlamento Europeu rever, com base nos valores civilizatórios da Europa, essa decisão equivocada e estéril, que mancha a imagem da União Européia", afirma a incisiva resolução, que será encaminhada a todas as instâncias internacionais. Alguns governos latino-americanos também não descartam a possibilidade de adotar duras medidas de represália, no espírito do direito à reciprocidade, como forma de pressão sobre as nações européias.
Oito milhões de "criminosos"
A Diretiva de Retorno, aprovada pelo parlamento europeu em 18 de junho, representa uma brutal regressão na política migratória e reflete a atual onda direitista no velho continente, com a vitória de vários governantes xenófobos. Ela relembra a fúria racista do período nazi-fascista. Fixa que, a partir de 2010, o estrangeiro em situação irregular em qualquer país da União Européia terá de sete a 30 dias para voltar ao seu país de origem, independentemente do tempo de residência na Europa e mesmo de sua situação familiar. Caso não deixe o país, ele ficará sujeito à detenção por seis meses, prorrogáveis por mais 12 meses. Os filhos nascidos na Europa também poderão ser separados dos pais imigrantes e os deportados não poderão retornar à Europa durante cinco anos.
Segundo estimativas, atualmente há oito milhões de imigrantes ilegais no continente - entre eles, cerca de 800 mil brasileiros. A partir da vigência desta lei, já batizada de Diretiva da Vergonha, todos passarão a viver como criminosos, perseguidos pela polícia migratória e discriminados por europeus envenenados pelas manipulações racistas difundidas na mídia hegemônica. O clima de terror já impera. Na Itália, o magnata da mídia Silvio Berlusconi, durante a sua campanha para o terceiro governo, pregou abertamente a "tolerância zero contra o rom [ciganos], os clandestinos e os criminosos". Eleito, já ordenou a destruição de acampamentos e a prisão sumária de ciganos.
Arsenal de desgraças do colonizador
Na França, liderada por outro fascista, Nicolas Sarkozy, foram fixadas cotas anuais de expulsão de estrangeiros. Também foi autorizado o interrogatório de "suspeitos" durante seis dias, sem a presença de advogados, e as normas de controle dos aeroportos agora serão secretas. O governo francês ainda decretou que os patrões deverão denunciar funcionários sem documentos sob pena de multa de 15 mil euros e cinco anos de prisão. Na Espanha, o social-democrata Luis Zapatero se vangloriou de ter expulsado 330 mil imigrantes - 50% mais do que nos últimos quatro anos de José Aznar. Outros países autorizaram a polícia a deter os imigrantes por 42 dias sem acusação formal e os serviços secretos já vasculham, sem sentença judicial, os correios eletrônicos.
Na opinião do jornalista Luis Eça, a escalada xenófoba na Europa, que explica a recente vitória de governantes fascistas, teria vários motivos. "A aversão da população européia aos imigrantes se explica, em parte, pelo racismo - nem sempre expresso, mas, em geral, latente -, herdado dos tempos coloniais, quando os africanos eram acoimados de selvagens e os asiáticos de bárbaros que deveriam ser ‘civilizados’. Outra razão, talvez mais importante, é o temor de que os intrusos venham a tomar postos de trabalho da população local". Os imigrantes seriam as vítimas destas injustiças. "Após séculos, primeiro escravizando e depois explorando impiedosamente a África, a América Latina e parte da Ásia, a Europa parece não ter esgotado o seu arsenal de desgraças".
Novos escravos da Europa
No seu calvário, o imigrante sofre ao tentar ingressar no "primeiro mundo", ao ser violentamente explorado e, agora, ao ser perseguido e expulso. Ele trabalha nas áreas mais penosas e insalubres, numa jornada média de 60 horas semanais, com salários baixos e sem qualquer direito. Temendo ser denunciado à polícia, ele se submete às horas não pagas, à truculência patronal, às demissões arbitrárias, à ausência de indenizações e ao trabalho noturno e no final de semana. Os imigrantes ilegais, mas também os legais, são utilizados pela burguesia para instigar a concorrência entre os trabalhadores, o que estimula a divisão na própria classe e os piores instintos xenófobos.
Reportagem contundente do jornal O Estado de S. Paulo, intitulada "Novos escravos da Europa", revelou o drama de dois africanos, Adam Mohamed e John Kawala, que venderam suas lojas de artesanato em Gana "para reunir dinheiro e pagar todas as propinas necessárias para cruzar várias fronteiras e chegar a Europa. Em três semanas, passaram por Gana, Togo, Benin, Níger, Líbia e finalmente cruzaram o mar Mediterrâneo até o sul da Itália. Gastaram 4 mil cada um na viagem. Tudo isso para, três meses depois, viverem na condição parecida com a da escravidão na Europa. ‘Se eu soubesse que viria ao inferno, não teria iniciado a viagem’, afirma Kawala, 35 anos".
Violação dos direitos humanos
O artigo mostra que esta é a sina da maioria dos 500 mil africanos, latino-americanos e asiáticos que ingressa no bloco todos os anos. O grosso trabalha ilegalmente, sendo responsável por quase 12% do PIB europeu. Muitos vivem "em condições de indigência. Eles sofrem diariamente com violência, vivem em edifícios abandonados, sem eletricidade ou água, e infestados de ratos. Pior: não podem voltar diante das dívidas que acumularam com seus patrões. Conhecida por criticar as condições de trabalho na produção da cana-de-açúcar no Brasil ou de têxteis na China, a Europa está sendo obrigada agora a admitir a existência dessas violações em seu próprio território".
No trabalho nos campos da Itália, França ou Espanha, "quem ousa fugir é até perseguido pelos capatazes das fazendas. Há dois anos, a região [da Calábria] ainda foi tomada por um escândalo envolvendo a morte de poloneses que também trabalhavam no campo. Investigações feitas pela Justiça mostraram que algumas das mulheres encontradas mortas poderiam ter sido estupradas e aquela foi a primeira vez que os italianos passaram a saber a real situação dos imigrantes... Hoje, os que morrem não têm muitas vezes nem como ter seu corpo transportado para seus países".
Resposta deve ser dura
Além de comer o pão que o diabo amassou, em condições desumanas de trabalho, o imigrante será agora mais perseguido e humilhado. Para Emir Sader, "a mensagem européia é clara. Diz um colunista espanhol: ‘Imigrante, não, muito obrigado. Petróleo, passe, por favor’. Em outras palavras, livre comércio, mas, numa sociedade que considera o ser humano mercadoria, estes são excluídos da lei geral. As mercadorias podem circular livremente, os seres humanos, não... Não é necessário recordar que sempre aceitamos imigrantes europeus, sem nenhuma política de cotas".
Para o renomado sociólogo, é urgente repudiar esta barbárie fascista. "Uma vez García Márquez anunciou que não permitiria mais a venda dos seus livros na Espanha se passasse a ser solicitado visto aos colombianos. Agora, Hugo Chávez anuncia que deixará de vender petróleo aos países que aplicarem a Diretiva da Vergonha". A resposta dos governos e dos povos latino-americanos, africanos e asiáticos deve ser dura. Nos séculos 19 e 20, os países do Sul "receberam milhões de italianos, portugueses, franceses, alemães, espanhóis e ingleses, que para cá vieram em busca de melhores oportunidades que seus países não ofereciam. Mas, na Europa de Berlusconi, Sarkozy, Merkel e Brown, gratidão não é um argumento levado em conta", ironiza Luis Eça.
* Jornalista, editor da revista
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
Representante da OEA afirma que lei de imigração européia é "diretriz da vergonha"
Da Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
2 julho 2008
Brasília - O integrante do Comitê Jurídico da Organização dos Estados Americanos (OEA) Ricardo Antônio Silva Seitenfus afirmou hoje (2) que a União Européia deu um “péssimo exemplo” ao aprovar a nova lei de imigração. “Ela é chamada pelos europeus de Lei de Retorno, mas, de fato, é uma diretriz da vergonha”, criticou , em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Aprovada pelo Parlamento Europeu no dia 18 de junho, a Lei de Retorno criminaliza o imigrante sem documentos, de acordo com o representante da OEA. Segundo ele, a norma obriga os 27 países da União Européia a unificar suas políticas de controle de imigração. “Os europeus calculam em cerca de 8 milhões de imigrantes nessa situação [sem documentos]”, disse.
De acordo com a nova lei, o imigrante terá entre sete e 30 dias para deixar a Europa. Caso a medida seja descumprida, ele estará sujeito a até 18 meses de detenção. Seitenfus ressaltou que os deportados não poderão retornar à União Européia por cinco anos. Para ele, essa proibição dificulta o reagrupamento familiar e impossibilita o asilo político.
O representante da OEA previu que os países do Mercosul e em desenvolvimento devem esperar fortes embates com relação à posição da União Européia e classificou o Tratado de Madri, que aproxima os dois blocos, de “um sonho de verão”.
Na avaliação de Seitenfus, os países do Mercosul têm toda a razão ao repudiar a medida e a unanimidade do bloco se mostra indispensável neste momento. Todos os chefes de Estado presentes à 35ª Cúpula do Mercosul e dos Estados Associados defenderam ontem (1º) uma reação regional frente à Lei de Retorno.
Ao discursar durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou os europeus de racismo. “Outro lado do oceano desencadeia odiosa perseguição aos latinos-americanos, muitas vezes cercada de conteúdo racistas”, afirmou.
A opinião de Lula foi compartilhada pelos outros chefes de Estado do bloco. Para Seitenfus, o Mercosul deveria reagir de maneira mais contudente à Lei de Retorno européia.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/02/materia.2008-07-02.9237701395/view
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Mercosul repudia novas regras imigratórias da União Européia
Mylena Fiori, enviada Especial/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
30 junho 2008
San Miguel de Tucumán (Argentina) - Reunido na cidade argentina de San Miguel de Tucuman, o Parlamento do Mercosul aprovou resolução de repúdio às novas regras imigratórias da União Européia. No documento, os deputados argentinos, brasileiros, uruguaios e paraguaios convocam os demais parlamentos latino-americanos a aderirem ao protesto e alertarem seus governos sobre a necessidade de se tomar medidas legais contra a Lei de Retorno, que endurece as normas de tratamento aos imigrantes ilegais.
“O Parlamento do Mercosul declara seu repúdio à denominada Diretiva [Lei] de Retorno, que constitui uma violação aos direitos humanos básicos, em particular ao direito à livre circulação”, diz o documento, que será encaminhado ao Parlamento Europeu, ao Conselho da União Européia, à Organização dos Estados Americanos (OEA), à Comissao Interamericana de Direitos Humanos, às Nações Unidas e ao Parlatino, Parlacen e Parlamento Andino.
Os parlamentares também solicitam ao Conselho do Mercado Comum – instância máxima decisória do grupo – que tome as medidas necessárias para a revisão e revogação imediata da Lei de Retorno. “O Parlamento do Mercosul declara sua esperança na capacidade do Parlamento Europeu de rever, com base nos valores civilizatórios da Europa, essa decisão equivocada e estéril, que mancha a imagem da União Européia”, finaliza a resolução, que tem o apoio da Venezuela, o país em fase de adesão ao bloco regional.
Aprovada no dia 18 de junho pelo parlamento Europeu, a Lei de Retorno harmoniza procedimentos referentes à deportação de imigrantes ilegais e estabelece regras mais rígidas. A partir de 2010, o estrangeiro que se encontrar em situação irregular em qualquer país membro da União Européia terá entre sete e 30 dias para voltar a seu país de origem, independentemente do tempo em que esteja na Europa e de sua situação familiar. Caso não deixe o país no período previsto, o imigrante estará sujeito a detenção por até seis meses, prorrogáveis por mais 12 meses, em casos excepcionais. Os deportados não poderão retornar à União Européia durante cinco anos. Segundo estimativas da Comissão Européia, há oito milhões de imigrantes ilegais na região.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/06/30/materia.2008-06-30.1801539112/view
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