Mostrando postagens com marcador marxismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marxismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

BRICS/Porque Rússia e China permanecem unidas


por Andre Vltchek*

O mundo capitalista está em decadência. O ocidente está apodrecendo. Raiva e niilismo surgem no império imperialista cujos cidadãos estão frustrados e não em paz consigo mesmos.

A América do Norte e a Europa imperialistas estão furiosas com países como a Venezuela e Cuba, porque os seus pensadores e líderes estão expondo a terrível deterioração dos valores dos países neocolonialistas e historicamente imperialistas.

São a China e a Rússia que estão na vanguarda, apesar da malevolência dos países do ocidente e dos seus propagandistas. E tudo se tornou grotesco. A Rússia que salvou o mundo do nazismo e ajudou a descolonizar dezenas de nações, agora é o "país menos apreciado" da Europa. A Alemanha, que matou milhões de judeus, ciganos, eslavos e outros, é a mais apreciada. No ocidente, ninguém parece importar-se com o facto de a Alemanha ainda pilhar nações como a Venezuela, enquanto usa o seu poder industrial e bancário para espoliar as riquezas de nações indefesas.

A China, um poderoso país comunista (ou diga-se, "país socialista com características chinesas"), está a ser ridicularizada e humilhada pela propaganda ocidental. A arrogância dos doutrinadores europeus e norte-americanos e a maioria de seus pseudo-intelectuais servis, do chamado centro até à direita, não tem fronteiras. A maioria deles

sábado, 28 de setembro de 2019

Abya Yala/Nota sobre la historia del pensar de los latinoamericanos


Marzo de 2016, Prensa Latina (Cuba) https://firmas.prensa-latina.cu/index.php?opcion=ver-article&authorID=121&articleID=1257&SEO=castro-herrera-guillermo-nota-sobre-la-historia-del-pensar-de-los-latinoamericanos

Por Guillermo Castro H.*
Exclusivo para Firmas Selectas, de Prensa Latina

Para Armando Hart Dávalos, maestro de martianos

En lo más usual, la historia del pensamiento latinoamericano ha sido pensada y difundida entre nosotros de manera lineal, como el producto de una serie de influencias provenientes del exterior que han venido a animar nuestra vida interior, como si ella careciera de vida y creatividad propias.

Esas influencias van desde el cristianismo medieval en lucha con el laicismo capitalista emergente entre los siglos XVI y XVIII, pasando por los conflictos entre el liberalismo y el pensamiento conservador en el XIX, y las afinidades y contradicciones de ese liberalismo con el marxismo soviético en el XX, hasta el triunfo del neoliberalismo como doctrina de Estado hacia la década de 1990 y su confrontación en el XXI con movimientos populares que se expresan a través de un amplio abanico de ismos.

Hay algún grado de verdad en esa visión, sin duda, aunque resulte falsa en cuanto se sustenta en la exageración unilateral de uno de los aspectos de la verdad del proceso al que alude. Porque, en efecto, el pensar de los latinoamericanos se forma y se transforma en un diálogo constante con todas las corrientes de pensamiento que expresan los avatares del desarrollo del capitalismo a escala mundial, pero lo hace concurriendo a ese diálogo con voces a la vez propias y diversas.

En lo contemporáneo,  el punto de partida de ese pensar está en José Martí. Su acta de nacimiento es el ensayo Nuestra América, publicado

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

BRICS, БРИКС/Discurso do presidente chinês na Comemoração do Dia da Vitória

3 setembro 2015, Embaixada da República Popular da China no Brasíl  http://br.china-embassy.org (Brasil)




Beijing (Xinhua) -- Segue o texto completo do discurso feito nesta quinta-feira pelo presidente Xi Jinping na Comemoração do 70º aniversário da Vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Antifascista Mundial, realizada no centro da capital chinesa.

Discurso do Presidente da República Popular da China

Sr. Xi Jinping

na Comemoração do 70º Aniversário da Vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Antifascista Mundial

3 de setembro de 2015

Compatriotas de todo o país,

Excelentíssimos Chefes de Estado, de Governo e Representantes das Nações Unidas e outras organizações internacionais,

Ilustres convidados,

Todos os oficiais e soldados que participam neste desfile militar,

Senhoras e Senhores, Camaradas e Amigos,

Hoje é um dia que merece ser lembrado pelos povos do mundo para sempre. No hoje de setenta anos atrás, depois de 14 anos de lutas difíceis e árduas, o povo chinês conseguiu a grande vitória da Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, declarando a vitória total da Guerra Antifascista Mundial. A luz do sol da paz brilhou de novo sobre a terra.

Aqui, gostaria de, em nome do Comitê Central do Partido Comunista da China (CCPCC), da Assembleia Popular Nacional, do Conselho de Estado, da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), da Comissão Militar Central do Partido Comunista da China, manifestar a nossa alta consideração e respeito aos veteranos, personalidades patrióticas e generais e comandantes do todo o país que participaram na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, bem como aos descendentes chineses domésticos e ultramarinos que fizeram contribuições importantes para a vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa. Gostaria de manifestar os nossos sinceros agradecimentos aos governos estrangeiros e amigos internacionais que apoiaram e ajudaram o povo chinês na resistência contra a agressão. Gostaria de dar as calorosas boas-vindas aos convidados e amigos militares de todos os países que participam na comemoração de hoje.

Senhoras e Senhores, Camaradas e Amigos!

A Guerra do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e a Guerra Antifascista Mundial são uma grande batalha decisiva entre a justiça e o mal, a luz e a escuridão, o progresso e a reação. Naquela guerra feroz e brutal, a Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa começou mais cedo e durou mais tempo. Perante os agressores, o povo chinês, indomável e determinante, lutou com o seu sangue, derrotando de forma completa os agressores militaristas japoneses, e salvaguardando os frutos de civilizações da nação chinesa que tinha desenvolvido por mais de 5,000 anos e a causa da paz da história da humanidade, forjando um cenário esplêndido na história de

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O REGRESSO DO FASCISMO – A propósito do Charlie Hebdo

13 janeiro 2015, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Jorge Beinstein

Como era de prever, o ataque contra o Charlie Hebdó desencadeou uma onde mediática global de condenação ao "terrorismo islâmico". Sente-se um certo fedor de "11 de Setembro à francesa" [1] . Como também era de prever, a direita ocidental capitaliza essa onda procurando orientá-la para uma combinação de islamofobia e autoritarismo, de justificação da cruzada colonial contra a periferia muçulmana e ao mesmo tempo de impulso no ocidente à discriminação interna contra as minorias de imigrantes árabes, turcos e outras. E como também era de prever, não faltaram cortesãos progressistas do sistema que – depois de abrir o guarda-chuva assinalando em primeiríssimo lugar que o "ataque terrorista"... "deve ser condenado sem atenuantes"atribuindo-o ao "fanatismo religioso" (obviamente islâmico) – passam sisudamente a enumerar algumas culpas ocidentais sem darem tempo para um mínimo de prudência e decoro diante de um assunto que cheira a podre.

O mínimo que se pode dizer é que o caso Charlie Hebdo ingressou velozmente no pântano da confusão. Os dois supostos atacantes foram liquidados dois dias depois dos ataque, ainda não se sabe bem como foram tão facilmente identificados numas poucas horas – salvo se aceitarmos a incrível versão policial de que um deles esqueceu o seu documento de identidade no automóvel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex-subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, assinala que "a polícia encontrou o cartão de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (próximo da sede do Charlie Hebdo). Soa familiar? Recordem que as autoridades (estado-unidenses) afirmaram haver encontrado o passaporte intacto de um dos supostos sequestradores do 11 de Setembro entre as ruínas das torres gémeas. Uma vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais

A HIPOCRISIA DO MEME “EU SOU CHARLIE” E DA TAL “LIVRE MANIFESTAÇÃO”

13 janeiro 2015, Redecastorfoto http://redecastorphoto.blogspot.com.br (Brasil)

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real; de outro, é o protesto contra a miséria real. A religião é o soluço da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o espírito de uma situação carente de espirito. É o ópio do povo. (Marx)

O ataque à redação de Charlie Hebdo chocou o público, horrorizado pela morte violenta de 12 pessoas, no centro de Paris. As imagens de vídeo, vistas por milhões, dos pistoleiros disparando e matando um policial já ferido, deram extraordinária atualidade aos eventos da 4ª-feira (7/1/2015).

Imediatamente depois do tiroteio, estado e imprensa-empresa imediatamente se puseram a tentar explorar o medo e o estado de confusão em que a opinião pública foi lançada. Mais uma vez, aí está exposto o caráter do terrorismo, de total fracasso político e de ação essencialmente

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DEMITAM-NOS!

26 novembro 2014, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Daniel Vaz de Carvalho

Temos de remover os economistas (neoliberais e neoclássicos) das suas posições de poder e influência. Tira-los dos bancos centrais, ministérios, comunicação social, universidades, onde quer que eles estejam e espalhem a sua perniciosa ignorância. Eles não fazem a mínima ideia do que estão a falar e fazem por ignorar toda a evidência que contradiz as suas teorias. (p.2-3)

De acordo com o mito capitalista todo o progresso está dependente dos capitalistas. Eles são os únicos capazes de conduzirem a iniciativa e os grandes esquemas. (…) Sem eles nós cairíamos na estagnação e as nossas sociedades colapsariam na anarquia. Todos os déspotas, monarcas e imperadores através dos tempos venderam esta história. (p.133)
in Sack the economists 
[1]

1- O pensamento neoliberal: uma pseudo ciência económica 
Os economistas a que Geoff Davies se refere são os neoliberais e os neoclássicos. Trata-se de uma obra que à semelhança de outros trabalhos, por exemplo de Mike Whitney, Michael Hudson, Paul Craig Roberts, James Petras, J. Stiglitz, só mencionando não marxistas, não deixam pedra sobre pedra do edifício neoliberal, o capitalismo atual, na sua fase senil, incapaz de dar solução aos problemas que cria.

Para G. Davies o pensamento neoliberal “está centrado no mercado “livre” e no

terça-feira, 4 de março de 2014

VENEZUELA, REVERTIR EL PROCESO DEMOCRÁTICO

19 febrero 2014, La Jornada http://www.jornada.unam.mx (México)

Marcos Roitman Rosenmann

Derrocar gobiernos democráticos, al menos en América Latina, requiere un elaborado plan donde se busca deslegitimar las políticas populares bajo el argumento de ser portadoras de odio social e ideologías ajenas a la idiosincrasia nacional, identificándolas con el marxismo, el comunismo o el socialismo. Dichas ideologías atentarían contra la propiedad privada, la paz, la familia cristiana, la religión católica o la libertad individual, poniendo el peligro la unidad de la patria. Los responsables de tal situación no son otros que los partidos de izquierda, al querer instaurar un orden totalitario cuyo propósito sería aniquilar la oposición y amordazar la prensa. Así se desarrolla el lenguaje de la desestabilización y se urde la trama del golpe de Estado. El postulado es maniqueo. La patria está secuestrada en manos de revolucionarios, sin principios ni moral. Es necesario acudir al rescate. De esta forma se llama a movilizarse, tomar la calle, protestar y rebelarse contra el gobierno. Invirtiendo las tornas, los conspiradores se apropian del discurso democrático y comienzan a practicar la violencia callejera, la descalificación política y la provocación. Buscan tensar la cuerda y obligar al gobierno a tomar decisiones que puedan presentarse ante la opinión pública como parte de la intolerancia y la negativa al dialogo.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

FALEMOS A SÉRIO SOBRE A DESIGUALDADE

21 fevereiro 2014,Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
http://www.resistir.info/eua/zoltan_11fev14_p.html

por Zoltan Zigedy*

"A tenacidade dos yankees… é resultado do seu atraso teórico e do seu desprezo anglo-saxão por qualquer teoria. E à conta disso são penalizados por uma fé supersticiosa em todos os absurdos filosóficos e económicos, por um sectarismo religioso, e por experiências económicas idiotas, com as quais, apesar de tudo, certas cliques burguesas lucram". Frederich Engels, carta a Sorge , Londres, 6 de Janeiro, 1892. Tradução para inglês de Leonard E. Mins (1938)

Cento e vinte e dois anos depois, os yankees mantêm-se à margem das teorias ao mesmo tempo que se agarram a todos os esquemas peregrinos que prometem restringir o apetite de um sistema capitalista insaciável. Funcionando sem interrupção, o capitalismo gera cada vez maior riqueza para os seus amos enquanto devora todos os outros à sua volta. Da reforma reguladora a estilos de vida alternativos, de políticas fiscais a esforços cooperativos, os auto-proclamados opositores deste monstro económico voraz têm anunciado êxitos recém-cozinhados no seu caminho destruidor. Enquanto… "as pessoas [nos EUA] têm que tomar consciência dos seus interesses sociais, fazendo asneiras atrás de asneiras…", conforme Engels exprimiu numa outra carta para o seu amigo americano Frederich Sorge, os capitalistas satisfeitos continuam a lucrar alegremente.

A brutal acusação de Engel da alergia norte-americana à teoria e a afinidade por um activismo sem norte foi aligeirada por um optimismo baseado mais na esperança do que na realidade: "O movimento vai passar por muitas e desagradáveis fases, desagradáveis especialmente para os que vivem no país e têm que passar por elas. Mas estou firmemente convencido de que as coisas agora vão avançar aí… apesar do facto de que os americanos por enquanto irão aprender quase exclusivamente com a prática e não tanto com a teoria".

Essa convicção pode parecer desajustada hoje visto que muitos do que afirmam a sua oposição ao capitalismo continuam a desprezar a teoria e a investir em esquemas utópicos e a isolar questões escaldantes de uma crítica geral do capitalismo e das suas políticas sociais.

Nada ilustra melhor o diagnóstico de Engels do que a actual discussão pública sobre a desigualdade e a pobreza. É uma tentação

domingo, 14 de julho de 2013

PROBLEMAS NO PARAÍSO



8 julho 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Problemas no Inferno parecem compreensíveis – sabemos por que as pessoas estão protestando na Grécia ou na Espanha, mas por que é que há problemas no Paraíso, em países prósperos ou que, ao menos, passam por um período de rápido desenvolvimento, como a Turquia, a Suécia e o Brasil? Por Slavoj Žižek

Slavoj Žižek  

Em seus textos de juventude, Marx descreveu a situação alemã como aquela em que a solução de problemas particulares só era possível através da solução universal (revolução global radical). Ali reside a fórmula mais resumida da diferença entre um período reformista e um revolucionário: em um período reformista, a revolução global continua a ser um sonho que, na melhor das hipóteses, sustenta nossas tentativas para aprovar alterações locais – e, no pior dos casos, impede-nos de concretizar mudanças reais –, ao passo que uma situação revolucionária surge quando se torna claro que apenas uma mudança global radical pode resolver os problemas particulares. Nesse sentido puramente formal, 1990 foi um ano revolucionário: tornou-se claro que as reformas parciais dos Estados comunistas não seriam suficientes, que era necessário uma ruptura global radical para resolver até mesmo problemas parciais (fornecimento adequado de alimentos etc.).

Então onde é que estamos, hoje, em relação a essa diferença? Seriam os problemas e protestos dos últimos anos sinais de uma crise global que está gradual e inexoravelmente se aproximando, ou seriam estes apenas pequenos obstáculos que podem ser contidos, se não resolvidos, por meio de intervenções precisas e específicas? A característica mais estranha e ameaçadora sobre eles é que não estão explodindo apenas (ou principalmente) nos pontos fracos do sistema, mas também em lugares que eram até agora tidos como histórias de sucesso.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Brasil/Theotonio dos Santos, Premio Economista Marxista 2013: “El camino es la integración”



11 junio 2013, ALAI América Latina en Movimiento http://alainet.org (Brasil)

Osvaldo León

ALAI AMLATINA -- En el acto de apertura del VIII Foro de la Asociación Mundial de Economía Política (Florianópolis, 23-26 de mayo de 2013), el científico social brasileño Theotonio dos Santos fue galardonado con el Premio Economista Marxista 2013, que otorga esta entidad desde el año 2011, como reconocimiento a su dilatada producción intelectual que tiene como uno de los ejes la “Teoría de la Dependencia”, habida cuenta de que participó en la sustentación inicial de ella.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bolivia/García Linera participará en Foro de la Izquierda 2013 en New York


5 junio 2013, Agencia Boliviana de Información (ABI) http://www3.abi.bo (Bolivia)
 
La Paz (ABI) -- El vicepresidente Álvaro García Linera participará del 7 al 9 de junio en el Left Forum (Foro de la Izquierda) 2013 que se realizará en la Universidad Pace de la ciudad de New York, donde se abordarán temas referidos a la 'Movilización para la Transformación ecológica- económica', informaron fuentes oficiales.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

COLÔMBIA/AS FARC-EP, MEIO SÉCULO DE LUTA PELA PAZ



1º. Junho 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


Os Diálogos para a Paz entre as FARC e o governo colombiano chegaram a um importante acordo sobre a Reforma Agrária. O difícil processo negocial prossegue. As FARC estão conscientes de que a conquista da Paz é inseparável do desmantelamento da oligarquia que utiliza o Estado como instrumento da sua política de classe, marcada por uma repressão feroz.

O comunicado conjunto divulgado em Havana no dia 26 de maio pelas delegações das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia-Exercito Popular e do governo de Bogotá assinalou a abertura de um novo ciclo dos Diálogos para a Paz iniciados naquela cidade.

Após seis meses de conversações difíceis, os representantes da guerrilha e do executivo colombiano assinalaram um acordo para uma «Reforma Rural Integral», primeiro ponto da Agenda em debate.

O documento prevê transformações radicais no mundo agrário.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Brasil/CURSO DE INTRODUÇÃO AO MARXISMO

Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho – CeCAC : http://www.cecac.org.br

CeCAC e Jornal Arma da Crítica promovem Curso de Introdução ao Marxismo
· Marx: sua obra no contexto histórico e revolucionário

· Conceitos básicos sobre a teoria marxista (2 aulas)
· A questão do Estado e as revoluções socialistas

Duração: 4 semanas (1 aula por semana)
Horários disponíveis: Segunda, de 18h30 às 21h, Quarta, de 14h às 17h, Sábado, de 10h às 13h

Contribuição: R$ 40 reais Para estudante: R$ 20,00 + cópia dos textos (opcional)
Inscrições no local ou por telefone até 10 de setembro

Aberto de segunda à sexta, entre 14h e 18h
Contato: cecac@terra.com.br

Tels: (21) 2524-6042   e (21) 8892-5202
Início das aulas: 15 de setembro

"Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de formas diferentes. Trata-se, porém, de transformá-lo"(Karl Marx)
Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho – CeCAC : http://www.cecac.org.br

Rua Haddock Lobo, 408 / sala 101 (térreo) - Tijuca (próximo ao Metrô Afonso Pena) - Rio de Janeiro/RJ
Telefones: (21) 2524-6042 e (21) 8892-5202

E-mail: cecac@terra.com.br  - sítio: www.cecac.org.br

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cultura/Brasil/DOMENICO LOSURDO E A LINGUAGEM DO IMPÉRIO

3 maio 2010/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Estudioso de Nietszche e Heidegger e crítico do pensamento liberal, o autor italiano vem a ao Brasil para o lançamento do livro "A linguagem do Império - léxico da ideologia estadunidense". Nele, Lusardo busca definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente. Ele debaterá com intelectuais brasileiros, a partir de 3 de maio, em São Paulo (USP e PUC), Marília (Unesp), Campinas (Unicamp), Belo Horizonte (UFMG), Fortaleza (parceria com a Prefeitura) e Rio de Janeiro (UFF e Uerj). (Redação. Data: 01/05/2010)

Marcando o lançamento de A linguagem do Império – léxico da ideologia estadunidense , a Boitempo traz ao Brasil o filósofo Domenico Losurdo, para uma série de conferências em universidades brasileiras. Losurdo debaterá com intelectuais brasileiros como Antonio Carlos Mazzeo, Marcos Del Roio, João Quartim de Morais, Ruy Braga, Giovanni Semeraro e Gaudêncio Frigotto, entre outros, a partir de 3 de maio, em São Paulo (USP e PUC), Marília (Unesp), Campinas (Unicamp), Belo Horizonte (UFMG), Fortaleza (parceria com a Prefeitura) e Rio de Janeiro (UFF e Uerj).

Estudioso de Nietszche e Heidegger, crítico do pensamento liberal pretensamente universalista, o autor busca neste livro definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente. Segundo Losurdo, os Estados Unidos utilizam-se de categorias como "terrorismo", "fundamentalismo", "ódio ao Ocidente" e "antiamericanismo" como "armas de guerra" para rotular não só seus inimigos como também os que não mostram disposição em cerrar fileiras neste combate aos que ameaçam seu modelo de sociedade. "Quem não estiver com a América é automaticamente inimigo da paz e da civilização", aponta Losurdo, que busca nesta obra refletir sobre os perigos desta política, a partir da qual "a lista dos possíveis alvos pode ser continuamente atualizada e aumentada".

Programação

São Paulo (USP) – 03/05, 18h
Com a participação de Ruy Braga (USP) e Antonio Carlos Mazzeo (Unesp)
Local: Casa de Cultura Japonesa (USP). Av. Prof. Lineu Prestes,
159 - Cidade Universitária.
Organização: Boitempo e Cenedic-USP

Marília – 04/05, 20h
Apresentação e coordenação de Marcos Del Roio (Unesp)
Local: Anfiteatro I da FFC- UNESP / Marília. Av. Hygino Muzzi Filho, 737
Organização: Boitempo; GP Cultura e Política do Mundo do Trabalho; Programa de PG em Ciências Sociais; Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da UNESP

Campinas – 05/05, 14h
Debatedor: João Quartim de Morais (Unicamp)
Local: Auditório do IFCH. Rua Cora Coralina S/N. Cidade Universitária “Zeferino Vaz”
Organização: Boitempo e Cemarx/IFCH-Unicamp

Belo Horizonte – 06/05, 15h
Debate “Nietzsche e o marxismo”, com: Antonio Julio Menezes, Rosemary Dore, Rogério Antonio Lopes
Local: Sala de Teleconferência da Faculdade de Educação da UFMG. Av. Antônio Carlos, 6627
Organização: Linhas de pesquisa Política, Trabalho e Formação Humana e Políticas Públicas de Educação: Concepção, Implementação e Avaliação do Programa de Pós- Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFMG.

São Paulo (PUC) – 10/05, 19h30
Apresentação de Maria Margarida Cavalcanti Limena (PUC)
Local: Auditório 239 - Prédio Novo. Entrada Rua Ministro Godoi,
969, Perdizes.
Organização: Boitempo e “Núcleo de Estudos de História: trabalho, ideologia e poder”, da graduação e pós da História, das Faculdades de Ciências Sociais e Serviço Social da PUC-SP

Fortaleza – 12/05, 17h30
Conferência de Domenico Losurdo
Local: Mercado dos Pinhões - Pça. Visconde de Pelotas
Promoção: Prefeitura Municipal de Fortaleza (Comissão de Participação Popular e Secretaria de Cultura Municipal) e Boitempo Editorial.

Rio (UFF) – 13/05, 18h30
Coordenação e apresentação de Giovanni Semeraro (UFF)
Local: Auditório Florestan Fernandes, Bloco D, Campus do Gragoatá. Av. Visconde de Rio Branco, s/n
Organização: Boitempo e Programa de PG em Educação e Núcleo de Estudos e Pesquisas em Filosofia Política e Educação.
(NUFIPE/UFF)

Rio (UERJ) – 14/05, 18h
Com a participação de Gaudêncio Frigotto (UERJ e UFF)
Local: Capela Ecumênica. Rua São Francisco Xavier, 524.
Organização: Boitempo, PPFH e LPP-UERG.

sábado, 8 de agosto de 2009

EM MEIO À RESSACA DO NEOLIBERALISMO, A PRIMEIRA RESISTÊNCIA NA AMÉRICA CENTRAL

As mobilizações em Honduras contra o golpe civil-militar são um primeiro sinal de revolta das massas na região

27 julho 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Pedro Carrano *

A América Central tem sido um privilegiado laboratório do capitalismo na sua versão neoliberal. O fim do ciclo de ascenso das lutas populares, característico dos anos 1970 e 80, veio carregado de uma ressaca terrível no pequeno continente. Super-exploração de trabalhadores e rebaixamento do horizonte político das organizações de classe são a base que o período anterior forneceu para o atual momento. As mobilizações em Honduras contra o golpe civil-militar são um primeiro sinal de revolta das massas na região, ainda limitado pela falta de uma alternativa popular de poder. Mas a resistência pode representar um novo salto de qualidade nas lutas e nas organizações dos trabalhadores no pequeno istmo.

Fronteiras, na América Central, são formalidades políticas, uma vez que transnacionais e governos imperialistas aplicam políticas a Honduras, Guatemala, Nicarágua e El Salvador como um todo. No começo dos anos 1990, a região viveu o final dos embates armados, encerrados com os acordos de paz. Na Nicarágua, o governo sandinista conheceu a derrota eleitoral, frente à chantagem do embargo estadunidense. Em El Salvador e Guatemala, as armas da guerrilha popular foram depostas. Honduras não passou imune às lutas deste período, pelo contrário: o fato de ser o centro de operações dos Estados Unidos resultou em muita repressão interna contra a militância, mesmo sem um movimento popular armado como nos países vizinhos.

Em El Salvador, frente ao “empate” militar entre as forças populares e o exército oficial, patrocinado pelos EUA, organizações como a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), analisam que a assinatura dos tratados de paz teve caráter estratégico e foi uma derrota para as oligarquias, uma vez que, naquele país, as eleições viriam a ser desmilitarizadas e abertas. Porém, na década de 1990, tudo passou a ser permitido na América Central, de acordo com a conjuntura mundial. São características deste cenário:

- Super-exploração da mão-de-obra, por meio das fábricas maquiladoras. As maquiladoras são unidades de montagem de mercadorias que se caracterizam pela completa falta de direitos trabalhistas, a coação moral, e os salários que não repõem sequer a força de trabalho;


- Predomínio das transnacionais no campo e o abandono de políticas de produção alimentar interna, com o conseqüente abandono do campo pelos agricultores, rumo aos centros urbanos e ao exterior;

- Migração, aumento da dependência em relação à economia estadunidense. De um lado, o projeto das elites de oferecimento de mão-de-obra abundante, após o abandono do mercado interno. Em troca, as remessas de dólares passam a ser vitais para as elites destes países. A tentativa do Mercomum, ainda durante o período desenvolvimentista dos anos 1950, estava completamente enterrada.

- A violência a serviço do capital e a introdução da cultura das gangues (Maras), trazidas pelos jovens imigrantes deportados dos EUA. O fim das guerras desarma as forças populares organizadas, mas o capital multiplica suas formas de proteção à mercadoria, além de patrocinar a repressão contra o povo, nas periferias;

- Corredores e tratados de livre comércio (TLCs) assinados ou aplicados pela via dos fatos. Em 2006, governos da América Central e República Dominicana assinaram o Tratado de Livre-Comércio entre a região e os EUA (DR-Cafta);

- Privatizações dos serviços sociais e dos recursos naturais. Um exemplo marcante é o avanço de empresas como a canadense Pacific Rim, na extração de ouro na Guatemala e Honduras, atividade altamente destrutiva para o meio-ambiente e comunidades originárias.

Em suma, as oligarquias adotam o modelo importador, deslocam-se para o setor de serviços, favorecidas pelas remessas e pela facilidade do fluxo de capitais. As fábricas maquiladoras são a síntese deste novo projeto das oligarquias: a isenção de impostos para as plantas produtivas faz delas um verdadeiro paraíso fiscal, o que favorece o seu caráter transitório e dificulta a organização de trabalhadores.

A imagem concreta está na cidade de San Salvador, onde parte considerável da força de trabalho é vendida em mercados populares: cerca de quinhentos mil trabalhadores, em 23 mercados da capital, buscam vender toda a sorte de mercadoria, enquanto no campo aumentam as fileiras da migração. Por sua vez, os bancos e os núcleos familiares são dependentes das remessas de estrangeiros em uma proporção que, em Honduras, chega a 16% do PIB. Dos tantos muros erguidos após a queda do Leste Europeu, um deles está na América Central: a fronteira entre Nicarágua e Costa Rica tornou-se um pólo de migração massivo.

Claro que antigas formas de domínio e exploração são mantidas e têm influência política: a empresa bananeira Chiquita, antiga United Fruit Company (o conhecido “octopus” do continente), responsável pela derrocada do governo progressista de Jacobo Arbenz na Guatemala (1954), mudou de nome, mas não de prática, e atualmente teve seus lucros abalados pelas políticas laborais de Mel Zelaya.

Este é o cenário de terra arrasada deixado pelo período de domínio neoliberal e derrota das organizações populares. Hoje, o novo período de crise do capitalismo impõe mudanças estruturais para os países centro-americanos e força um rearranjo das massas populares. De súbito, milhares de migrantes estão de volta para a América Central. Só em 2008, 80 mil salvadorenhos voltaram ao perder o emprego no exterior.

Até onde o golpe de Honduras pode ecoar
A resistência contra o golpe de Estado em Honduras deve abrir um salto no movimento de massas na América Central. Embora neste momento não aponte para a organização de espaços nos quais o programa e as bandeiras populares se configurem como uma alternativa de poder. O retorno de Mel Zelaya é a luta imediata do movimento social, articulado na Frente de Resistência Popular. Embora represente uma derrota para as elites, este objetivo tem se revelado mais difícil do que aparentava. Há cenários nos quais a volta de Zelaya seria possível em troca de moderação. O presidente deposto aceitou o retorno negociado. Mas os golpistas, não. Neste sentido, há uma coesão política forte entre os golpistas, que permanecem intactos mesmo após mais de vinte dias de protestos e toma de ruas, o que reforça a tese de apoio velado dos Estados Unidos.

Dentre os quatro países, em Honduras já havia sinais de reascenso da luta de massas desde 2008, quando três paralisações gerais foram levadas a cabo no país. Na falta de um projeto político e popular, Zelaya encabeçou um processo de transformação a partir de política laborais, tensionado à esquerda pelo ingresso no campo político da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), que ofereceu uma saída para a dependência de petróleo da América Central, que ajudava a alçar o preço da comida às alturas.

Em Honduras, a divisão da política entre liberais e nacionalistas torna o horizonte político mais do que Nicarágua e El Salvador – onde, em linhas gerais, a divisão está mais clara para o povo entre um projeto de esquerda e direita. Em Honduras, até 2005, Zelaya venceu o candidato Pepe Lobo por pequenas nuances no seu projeto. Por sorte, as coisas estão em movimento e a tendência é de abalo na hegemonia dos dois partidos.

A crise política pode alcançar os países vizinhos. Em El Salvador, a vitória de Maurício Funes, da Frente Farabundo Martí, esbarra em um partido unitário e coeso da direita, declaradamente “anti-comunista”: a Arena. Na Nicarágua, por sua vez, as eleições municipais de novembro de 2008 revelaram a fúria do Partido Liberal, que lançou mão de todas as estratégias para isolar o governo do sandinista Daniel Ortega. É consenso entre os movimentos sociais que tampouco o “Orteguismo” representa uma transformação estrutural. Mas isto não oculta a ingerência da embaixada estadunidense naquele episódio, bem como as sanções impostas por EUA e Europa. O Movimento de Renovação ao Sandinismo (MRS), na ânsia de denunciar Ortega, na realidade fez coro nos editoriais das elites, enquanto o povo estava nas ruas revoltado contra os liberais.

Zelaya, Ortega e Funes não traduzem em seus programas um projeto da classe trabalhadora, acumulado na luta dos movimentos sociais e sindicais. Um exemplo recente estava no programa de candidatura de Mauricio Funes, que não trazia as lutas dos atingidos por barragens, um dos principais cenários da luta de classes no pequeno continente. Assim mesmo, na América Central, as oligarquias que controlam o aparelho do Estado não parecem dispostas a ceder nem um milímetro.

Democracia em disputa
As palavras de ordem usadas nos protestos de rua são o retorno de Mel Zelaya à presidência. A reivindicação por democracia, a assembleia constituinte, a participação popular expõem o totalitarismo das elites. A democracia está em disputa neste momento em Honduras e, nestes quatro países, somente as massas urbanas e o campesinato têm a necessidade de exigi-la. No fundo, trata-se do momento de fazer o embate entre a democracia de discurso das elites e a democracia conseqüente exigida pelo povo.

As características da burguesia local não dão qualquer mostra de que ela lutaria nas ruas por uma constituinte. A democracia, neste caso, é bandeira e exigência dos “de baixo”, e têm marcado os processos de Venezuela, Bolívia e Equador. E não apenas: mesmo a Outra Campanha no México - avessa às ações no marco institucional – teve como objetivo inicial formular a proposta de uma nova constituição mexicana.

Novas características estão colocadas na luta atual. Se, na década de 1970, a ala progressista e de base da igreja católica foi decisiva na luta popular, agora em Honduras têm se mostrado vacilante, na figura do cardeal do país – novamente, resultado do refluxo do período anterior. Outra questão: o exercício de unidade entre os movimentos sociais dos diferentes países é um fator fundamental, por meio de organizações como a Alba e Via Campesina. A experiência histórica acumulada comprova que a luta tem que ser articulada em conjunto na América Central e Caribe, apenas desse jeito o imperialismo estadunidense seria golpeado, como defendeu o militante haitiano Didier Dominique em passagem pelo Brasil.

Ainda há um longo caminho para os movimentos sociais centro-americanos, mas a atual tarefa de lutar pela democracia e pela assembleia constituinte deve ser levada a cabo com todas as energias, uma bandeira que as massas populares aspiram e que nunca, na História concreta, conheceram. Uma derrota do retorno de Zelaya, nesta conjuntura de crise, significa o caminho aberto para um maior recuo nos direitos políticos e econômicos dos trabalhadores, em Honduras e noutros países do continente. Golpes são articulados “de fora”, mas só a luta e a conscientização da população dentro do país, no final das contas, pode alterar a correlação de forças.

É certo que a janela para a revolta popular não é aberta pelo mero desejo dos revolucionários. Mas, para os movimentos sociais brasileiros, a tenacidade e também limitação do movimento hondurenho neste momento nos deixam algumas provocações. O fato de vivenciarmos um momento de descenso da luta de massas não significa que não tenhamos que propagandear as bandeiras populares e buscar a construção de um projeto. As jornadas unitárias e as bandeiras levantadas deveriam servir de mote para um trabalho intenso e contínuo de conscientização do povo, lançando mão de diferentes métodos de agitação, para acumular na consciência e identidade de classes, com o objetivo de plantar esta semente de conscientização, que cumprirá seu papel apenas em um período futuro, de salto nas lutas – algo que, claro, não podemos determinar. Equador, Argentina, Bolívia e agora Honduras são exemplos suficientes de que a ação das organizações populares apenas em um momento de crise pode permitir que a revolta popular passe e encontre a todos despreparados, sem uma mínima rede de inserção popular nas cidades e trabalho anterior de base e conscientização.

* Pedro Carrano é Jornailsta do Brasil de Fato

Referências:
DALTON, Roque. Miguel Mármol Los sucesos de 1932 en El Salvador.
EQUIPO MAIZ. La crisis en Estados Unidos, novembro de 2008.
HARNECKER, Marta. Con la Mirada en El Alto.
FRENTE FARABUNDO MARTÍ DE LIBERACIÓN NACIONAL. La Revolución Democrática em Transición al socialismo, 2005.
LÊNIN, V. I. Duas táticas da Social Democracia na revolução democrática
GUNDER FRANK, André, O inimigo Imediato, in O Marxismo na América Latina, uma antologia de 1909 aos dias atuais, org. de Michael Löwy.
LÖWY, Michael. O Marxismo na América Latina, uma antologia de 1909 aos dias atuais.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da Dependência.
______, idem. Vida e Obra.
OLIVEIRA, Venâncio de. Crisis Global y el problema de la soberania alimentaria en El Salvador. CEICOM, 2009.

segunda-feira, 23 de março de 2009

LA INVOLUCIÓN DE LA IGLESIA CATÓLICA

Luinés Daniela Sánchez

El Vaticano hizo público en 1999, un documento a través del cual pidió perdón por algunos de los "pecados" históricos de la Iglesia Católica, iniciativa que fue impulsada por el extinto papa Juan Pablo II. Desde colectivos tanto religiosos como laicos se denuncia que la dirección eclesiástica presenta un carácter involutivo, a diez años del acto de contricción.

14 marzo 2009/TeleSUR

"El cuerpo de la Iglesia está lleno de cicatrices y de prótesis", declaró quien fungía como presidente de la Comisión Vaticana para el Jubileo, el cardenal, Roger Etchegaray, en la presentación del acto litúrgico donde se dio a conocer el informe metodológico, en el que se reconocieron algunos pecados de la Iglesia.
El documento fue elaborado por la Comisión Teológica Internacional. Se estructuró, de manera no exhaustiva, en seis grandes categorías. En primer lugar, señaló los pecados cometidos al servicio de la verdad: Intolerancia y violencia contra los disidentes, guerras de religión, actos de violencia extrema cometidas durante las cruzadas y métodos coactivos de la Inquisición.
Le siguieron las violaciones contra el Cuerpo de Cristo, es decir, las excomuniones, persecuciones y divisiones que se han operado en el seno del cristianismo. También figuraron los pecados cometidos en el ámbito de las relaciones con Israel (desprecio, actos de hostilidad, silencios), así como los pecados contra el amor, la paz, los derechos de los pueblos, el respeto a las culturas y a otras religiones.
La Comisión creadora del texto, le añadió pecados contra la dignidad humana y la unidad del género humano, hacia las mujeres, las razas, las etnias. Y finalmente reflejó las infracciones en el terreno de los derechos fundamentales de las personas y contra la justicia social.
El Secretario de la citada Comisión Teológica, George María Cottier, reconoció las limitaciones de este juicio. "No somos mejores que los hombres y mujeres que vivieron en épocas pasadas. Por eso debemos juzgar sus actos con gran modestia, 'con temor y con temblor'. No es ocioso preguntarse, ¿qué pensarán de nosotros las generaciones futuras?".

Detrás de Juan Pablo II
El documento Memoria y reconciliación: La Iglesia y las culpas del pasado, redactado por la Comisión Teológica Internacional a instancias de quien era entonces su presidente el cardenal Ratzinger, actual Papa Benedicto XVI, no juzga a profundidad, los hechos ocurridos en la historia de la Iglesia.
De apenas 90 páginas, el texto se limita a brindar un soporte teológico histórico, basado en citas de las homilías que realizaba el papa Juan Pablo II.
El Pontífice había señalado por ejemplo que la Iglesia "no puede atravesar el umbral del nuevo milenio sin empujar a sus hijos a purificarse, en el arrepentimiento de los errores, de la infidelidad, de la incoherencia, de la laxitud. Reconocer las debilidades del pasado es un acto de lealtad y de coraje. Reconocer la verdad es fuente de reconciliación y de paz".
Este acto de reconocimiento otorgó al Papa en funciones, Juan Pablo II, un ropaje en el que muchos fieles intentaron encontrar ecos de otro tiempo, un renacimiento del espíritu conciliador del Concilio Vaticano Segundo, que hizo de la figura de Juan XXIII un personaje de culto, para los católicos practicantes, aún en nuestro tiempo.
En este sentido, el Doctor en Teología y rector de Universidad Católica Santa Rosa de Venezuela, Martín Zapata, explicó en entrevista exclusiva a la página Web de TeleSUR, que no es totalmente cierta la calidad de progresista del anterior papa, "Juan Pablo II se presenta como un papa comunicacionalmente moderno, pero doctrinalmente muy conservador".
"Ratzinger, es el cerebro intelectual del papa Juan Pablo II, porque Ratzinger era el prefecto de la congregación de la fe, el que maneja toda la fe. En la doctrina de la Iglesia, entonces, con Ratzinger o Benedicto XVI, Se profundiza la vuelta a las dimensiones más conservadoras y más retrógradas que ha tenido la iglesia católica", continuó.

"La doble moral" de la Iglesia Católica
El 11 de octubre de 1962, en la plaza San Pedro del Vaticano, estado situado en la capital italiana, más de dos mil 500 obispos, dieron inicio al Concilio Vaticano II.
Este fue un acontecimiento fundamental en la historia cristiana, que marcó a todas las Iglesias. "El concilio Vaticano segundo presentó una propuesta de renovación de la iglesia, podríamos decir que es una renovación copernicana, porque le dio un vuelco y un giro total a la acción pastoral de la iglesia", dijo en declaraciones a la página Web de TeleSUR, el Doctor en Teología, Martín Zapata.
Sin embargo, el proceso de asimilación de su mensaje no ha concluido. Muchos han intentado borrar su recuerdo porque los desafíos del Concilio Vaticano II les resultan muy incómodos por "revolucionarios".
"La Iglesia antes del Concilio era una Iglesia conservadora, atada a los dogmas, con prácticas muy conservadoras, con prácticas alejadas del hombre, y la propuesta del Vaticano es un giro antropológico, es darle una vuelta, es decir es mirar al hombre cara a cara" expresó el Doctor Zapata.
Insistió en que "Juan Pablo II, comunicacionalmente, se presenta como un papa moderno, pero tiene toda una ideología teológica conservadora. Es decir, es el papa de la involución, el que echa para atrás todas las propuestas del Concilio, se llama Juan Pablo II".
En este sentido, el entrevistado habló de lo que denominó "la doble moral" de la Iglesia católica.
Para explicar su teoría citó el caso de niña brasileña de nueve años que desde los seis era violada por su padrastro, y quedó embarazada de gemelos. Su vida corría peligro, por lo que un grupo de médicos y su madre decidieron practicarle un aborto terapéutico.
La respuesta de la Iglesia en este caso fue excomulgar a los médicos y a la progenitora de la infante, pero el padrastro no fue castigado por las leyes de Roma.
"En este caso, en el gesto de la violación, que es una acción pecadora, porque implica violentar la dignidad de otra personas en el acto sexual contra su voluntad, no se le considera excomulgado al pecador" refiere el doctor en Teología, Martín Zapata.
"Un pecado más importante para iglesia es excomulgar a los médicos y las familias, quienes están evitando que ese niño no deseado venga al mundo y no permitir que la niña asuma una responsabilidad que no es capaz, psicológica y biológicamente, de llevar a cabo", lo que consideró una doble moral.
Ante la pregunta de si la Iglesia va a pedir perdón, por los sufrimientos que causa, sostuvo que "pedir perdón se puede pedir perdón todos los días. El pedir perdón no es el problema, el problema es enmendar las acciones que se cometen. El problema está en que si yo no enmiendo, mañana te vuelvo a hacer el mismo hecho, y te vuelvo a pedir perdón".
"No solamente con pedir perdón, porque ya la iglesia lo ha hecho con pecados sociales, con pecados históricos, el problema es no ver el rostro del hombre, no tener el sentido de humanidad que exige el mismo evangelio", afirmó en declaraciones al equipo Web de TeleSUR, quien también fue sacerdote, el rector de la Universidad Católica Santa Rosa, y doctor en Teología, Martín Zapata.

Una nueva mirada al pecado
En la actualidad, seguidores y no seguidores de la iglesia se preguntan, por qué "pecados" que se cometen en nombre de la fe, muchas veces esperan eternamente por la justicia o pasan siglos antes de que sean admitidos por el organismo eclesiástico.
Pecado proviene del latín Peccatum, que significa "transgresión voluntaria de leyes y preceptos religiosos" o bien "cualquier cosa que se aparta de lo recto y justo".
La fragilidad de la carne, que según la iglesia es lo que hace pecar, no parece ser ajena a una buena parte de los jueces entre lo divino y lo humano.
Un informe oficial eclesiástico divulgado el pasado viernes 13 de marzo, indicó que la Iglesia Católica estadounidense pagó 436 millones de dólares en el año 2008 por casos de abusos sexuales en los que estaban involucrados miembros del clero.
La enorme suma fue pagada por acuerdos alcanzados con las víctimas, y el informe señala además que en el año 2008 se presentaron 803 nuevas denuncias de abusos, de las cuales, más de la mitad corresponde a niños; en 2007 hubo 692 denuncias.
Alrededor de 22 millones de dólares se destinaron el año pasado a pagar tanto terapias para las víctimas como apoyo a los abusadores acusados, afirma el documento, encargado por la Conferencia Episcopal de la Iglesia Católica de Estados Unidos en los últimos seis años.
Sin embargo, la Red de Sobrevivientes de Abusos de Sacerdotes (SNAP por sus siglas en inglés) acusa al informe de enfocarse en las víctimas de los abusos pero sin mencionar a "los obispos que ocultaron información crucial sobre los pedófilos en la Iglesia que (obrando al contrario) bien pudo haber impedido futuros traumas en la infancia".
"Prácticamente ningún obispo se hizo responsable de haber ocultado a los agresores", dice la Barbara Dorris, funcionaria de la SNAP.
Ante estos acontecimientos, vale recordar el pensamiento de uno de los más importantes intelectuales del siglo veinte, Max Horkheimer, (1895-1973), quien trabajó en la escuela de Frankfurt y fue uno de los padres de la llamada teoría crítica, corriente que estuvo influenciada por el marxismo occidental, y elaboró un estudio de la cultura en el contexto del capitalismo.
Horkheimer escribió en una ocasión que "quien lee el evangelio y no ve que Jesús murió en contra de sus actuales representantes, ese no sabe leer, es el sarcasmo más increíble que jamás le haya sucedido a un pensamiento".

Iglesia jerárquica contra Iglesia Popular
En un artículo publicado en el portal de Rebelión, el sociólogo brasileño Michael Lowy, se pasea por un intento, dentro de las bases católicas cristianas, por devolver la religión al creyente. Un ensayo liberador para acabar con ese aspecto tan conservador y alejado de la población, en que convirtieron una creencia, que inició siendo la esperanza de hombres y mujeres sometidos a la esclavitud, en un pensamiento al servicio de la dominación.
El autor se refiere a la corriente nacida en su país conocida como Teología de la Liberación, de la que dos de sus principales referentes, Leonardo Boff y Frei Betto, se cuentan también "entre los precursores e inspiradores del altermundismo; con sus escritos y sus palabras participan activamente en las movilizaciones del "movimiento de los movimientos" y en los encuentros del Foro Social Mundial".
Estos dos teólogos destacaron que esta nueva forma de ver el catolicismo como una "opción preferente para los pobres".
"La diferencia -capital- es que el cristianismo de la liberación ya no considera a los pobres como simples objetos de ayuda, compasión o caridad, sino como protagonistas de su propia historia, artífices de su propia liberación".
Pero la jerarquía eclesiástica ha convertido en una nueva cruzada la persecución de la nueva corriente.
Y no sólo contra los disidentes de la ortodóxia, sino también contra cualquiera que no piense exactamente como dictan las conservadoras Conferencias Episcopales.
En este inicio del siglo veintiuno, con la llegada de gobiernos populares a América Latina, parece que han crecido los "enemigos a perseguir".
Ahora la dirigencia católica se ha convertido, según denuncian varios presidentes, como por ejemplo Hugo Chávez y Evo Morales, en parte activa de las fuerzas políticas de la derecha.
El fenómeno no parece haber sido bien recibido por las mayorías que han llevado a esos gobiernos de izquierda al poder, quiza esta sea una de las razones del debilitamiento de una iglesia que fue, hasta no hace mucho, inmensamente fuerte.

Hablan las estadísticas
En los últimos tiempos se puede observar que ha disminuido considerablemente la credibilidad de la Iglesia Católica. Recientes estudios realizados por el Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de Argentina, revelan que el 72,1 por ciento de los argentinos cree en Dios y son católicos, pero sólo el 11, 8 por ciento participa en los oficios religiosos.
También, estadísticas del Index of leading Catholic Indicators, (Índice de los Principales Indicadores Católicos) de Kenneth Jones, demuestran que los sacerdotes, después de ascender a unos 27 mil en 1930 y a 58 mil en 1965, el número de ellos en los Estados Unidos, para esta fecha, disminuyó a 45 mil.
En el año 2020, según una proyección del citado instituto, el número de sacerdotes ordenados será sólo de 31 mil. También el estudio señala que en la actualidad hay más consagrados entre las edades de 80 a 84 años que los de 30 a 34 años de edad.
Otra cifra que maneja el organismo estadounidense, revela que el número de seminaristas entre 1965 y el año 2002 cayó de 49 mil a 4 mil 700 estudiantes. Esto, aunado a que el celibato aparece como una carga insoportable a potenciales candidatos al sacerdocio, causa en gran medida el déficit de personal consagrado.

Lea también
Los Sin Tierra : el sueño de la tierra libre

Radio Rebelde sigue siendo la voz de la verdad

27 de Febrero: El día que el pueblo dijo ¡Ya Basta!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Venezuela/A MAIS NOVA BATALHA DE CHÁVEZ

O cientista político Theotonio dos Santos analisa, à luz da Revolução Bolivariana, referendo sobre a reeleição ilimitada

Igor Ojeda, da Redação

6 fevereiro 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

A Venezuela passa por mais um processo eleitoral. No dia 15, a população do país decidirá, em referendo, se os ocupantes de cargos que sejam eleitos mediante o voto poderão candidatar-se indefinidamente ao mesmo posto.
Obviamente, os debates sobre a proposta, que vêm tomando conta do país, concentram-se na possibilidade do presidente venezuelano, Hugo Chávez, manter-se no governo por mais tempo – no dia 2, ele completou dez anos no comando da chamada Revolução Bolivariana.
Na campanha pelo “sim”, o mandatário vem insistindo na promessa de que, caso o “não” saia vitorioso, ele apenas esperará o cumprimento de seu mandato para dedicar-se a seu projeto pessoal de vida. Ou seja, deixará a política. Nos seus discursos, Chávez dá a entender que o processo de transformações liderado por ele está em jogo na consulta sobre a reeleição ilimitada.
“Ele quer ficar um período a mais no governo para poder terminar o projeto que ele apresentou ao povo venezuelano. É um projeto que exige um cumprimento de longo prazo. E também há a dificuldade de se formar uma liderança forte como a dele”, analisa o cientista político Theotonio dos Santos, um dos formuladores da Teoria da Dependência.
Para ele, a falta de tradição de poder dos setores populares dificulta a construção de lideranças preparadas, capazes de administrar processos tão complexos como o da Venezuela. “Então, temos que preservar a liderança que a gente tem”. Leia, a seguir, a entrevista com Theotonio.

Brasil de Fato – O senhor acha que, de alguma forma, pode-se explicar a convocação desse referendo como parte de uma nova etapa da Revolução Bolivariana? Acredita que o presidente Hugo Chávez pensa nesse sentido?

Theotonio dos Santos – Isso já estava proposto no plebiscito anterior [o referendo constitucional realizado em dezembro de 2007, com derrota do governo]. Então, não vai nesse sentido. Chávez quer ficar um período a mais no governo para poder terminar o projeto que ele apresentou ao povo venezuelano. É um projeto que exige um cumprimento de longo prazo. E também há a dificuldade de se formar uma liderança forte como a dele, porque não surgem líderes revolucionários assim todo dia. Realmente, não é fácil formar. Há uma certa preocupação de que uma nova liderança tenha dificuldade de comandar um processo tão complexo. Essa é a preocupação básica de Chávez, já que o processo venezuelano está se aprofundando. A reforma agrária já avançou bastante nos últimos anos. A nacionalização de empresas importantes também. Tanto o projeto de desenvolvimento econômico quanto a parte social igualmente. Por exemplo, a educação: teve a alfabetização, as universidades também estão avançando muito... a ideia é ter uma em cada cidade. Na parte de saúde, por exemplo, 90% da população já é atendida gratuitamente, e com alta qualidade. Porque você tem atenção imediata na sua casa, e no seu bairro, há, normalmente, uma clínica. O problema mais complicado, a habitação, tem avançado também, mas isso exige mais recursos e é um processo um pouco mais complexo.
Então, existe uma grande preocupação com o plano da consciência, com o que o Fidel Castro chamou de “batalha de idéias”. E há muito investimento nisso. E um grande desenvolvimento da capacidade da população de compreender e participar da política do país. Tudo isso foi parte do programa que Chávez apresentou durante as eleições e que foi aprovado por 60% do povo venezuelano. Então, a questão, agora, é dar continuidade a isso. E, para tal, é necessária uma liderança forte, e é o que ele pretende ser durante pelo menos uma ou duas eleições mais.

Nos últimos discursos de Chávez, ele vem insinuando que o futuro do processo estaria em jogo nesse referendo. O senhor acha que a consulta define o futuro da Revolução Bolivariana?

É verdade que existe a preocupação de que a população não dê ao governo esse instrumento da reeleição. Isso pode ser realmente um fator bastante negativo. A preocupação é correta.

O que o senhor acha que pode acontecer caso Chávez saia derrotado?

A direita está organizada, combativa. É uma massa importante que se apresenta. Ademais, tem apoio internacional e tudo isso. Possuem os recursos. O que está faltando é uma estratégia, porque eles não têm muito o que oferecer. Eles têm para oferecer para uma classe média. Esses 30% da população que perde um pouco com o avanço das políticas de distribuição de renda, com a aplicação de maiores recursos no setor social, com o desaparecimento de certas vantagens que sempre usufruíram. Então, realmente, esse setor se sente afastado, retirado do poder, e reage. Mas é um setor bastante pequeno. Então, se o outro lado se mantiver unificado, eles não têm muita chance não.

Mas essa preocupação do Chávez mostra que a Revolução Bolivariana não está consolidada o suficiente?

Esse movimento de oposição ainda é grande, com muitos recursos, com muito apoio, inclusive, de setores da intelectualidade, de profissionais. Então, não é brincadeira. É um processo em curso.
Um processo revolucionário não deveria prescindir da figura de um único líder? O senhor acha que, nesse ponto, ainda se tem muito o que caminhar para o surgimento de lideranças novas, e para que a própria população se aproprie do processo?
Esse assunto foi discutido muito, desde o século 19. A classe dominante, que já tem séculos no poder, ainda necessita de lideranças fortes para manter a dominação delas. Imagine no caso dos setores populares, que não têm nenhuma tradição de poder. É muito difícil, para eles, construir lideranças novas todos os dias. Não temos faculdades, escolas, todo um fortíssimo instrumental de comunicação, de formação, ou as religiões que formaram essa gente... Não é fácil formar lideranças. Então, temos que preservar a liderança que a gente tem.

Mas o que fazer para que esse processo revolucionário não dependa, nessa proporção, da figura do Chávez?

Precisamos de escolas. Formar gerações de intelectuais marxistas, por exemplo. Isso não é coisa fácil não. Inclusive, com a deformação que o marxismo teve, por exemplo, no processo soviético. Grande parte dessa liderança política soviética não tinha nenhuma noção de marxismo. Afastou-se realmente, apesar de usar oficialmente o marxismo como uma referência. Os chineses, por exemplo, estão preocupadíssimos com isso. Eles também têm problemas de formação marxista. Mas têm a vantagem de possuírem uma experiência burocrática de gestão muito grande. Há o sistema de gerações. Cada geração tem um período de dez, doze anos no poder, e já abre caminho para outra. Há um acordo entre eles nesse sentido, mas isso é produto de uma experiência histórica milenar. Não é fácil formar a liderança. Nós tivemos, na América Latina, várias experiências nesse sentido. Emiliano Zapata e Pancho Villa, os líderes da Revolução Mexicana, por exemplo, quando chegaram no poder, o abandonaram. Porque queriam reforma agrária e pronto. Não estavam preparados para gerir realmente uma economia nacional, muito mais ampla. Nós temos ainda muitos problemas, dentro do movimento popular, para poder dispensar a liderança do tipo da do Chávez.

Desde que ele tomou posse, um dos maiores méritos do seu governo foi ter incentivado a politização do povo venezuelano e ter fortalecido a organização e a democracia no âmbito comunitário: ou seja, fortalecendo a democracia participativa. O referendo da reeleição não é contraditório com essas conquistas?

A democracia comunitária ainda não está tendo instrumentos para chegar à direção nacional. Esse foi um dos pontos que foi derrotado na proposta do referendo anterior. Chávez propôs que o Parlamento cedesse poder para as direções comunitárias. Essa foi, também, uma das razões para ele perder. O Parlamento entrou na questão, refez muitas coisas, ampliou... foi um dos fatores que dificultou, inclusive, a compreensão da reforma constitucional. Na verdade, esse passo teria ajudado para que as comunidades tivessem um peso maior na política nacional, mas isso ainda não foi devidamente aceito. E há ainda muitos setores, inclusive da própria esquerda, que têm muitas restrições à ideia de que as comunidades tenham um poder realmente maior. Eles prefeririam se fosse um poder de partido, de gente que já está, digamos, dentro do controle político, em vez de entregá-lo realmente à comunidade, e lutar dentro dela por uma hegemonia. Isso não é nada fácil. O Chávez sempre esteve do lado de uma solução no sentido de fortalecer a comunidade, mas, digamos, os políticos locais não se sentem muito atraídos por essa visão.

As últimas pesquisas têm apontado que o “sim” vai sair vitorioso em 15 de fevereiro. O que o senhor acha que vai acontecer caso isso se confirme? A tendência é o governo Chávez radicalizar sua proposta rumo ao que ele chama de socialismo do século 21?

Eu acho que sim. Se ele triunfar, vai começar a avançar mais, no sentido de retomar grande parte dos objetivos do plebiscito anterior. Que estavam dentro dessa idéia de uma socialização maior, mais poder à comunidade. Há algo que muitos pensam que é contraditório: ao mesmo tempo que Chávez queria aumentar o poder na comunidade, queria aumentar o poder do Estado, para fazer planejamentos mais globais da economia. Mas não há, necessariamente, contradição nisso, porque as comunidades têm compreensão de que certas coisas devem ser decididas num plano mais geral. O que tem que haver é uma fórmula em que elas possam intervir nesse plano geral, mas de uma outra forma que não seja diretamente em representação da comunidade. Enfim, são questões que ele pretende ainda avançar. Além disso, Chávez quer a centralização do planejamento do Estado sobre toda uma região [a faixa do Rio Orinoco] que pode converter a Venezuela na detentora da maior reserva de petróleo do mundo. Está previsto que essa região vai se converter no grande centro da economia venezuelana. E ele quer que, junto com grandes investimentos, exista um projeto social, político, que permita que essa área já se organize sob uma inspiração socialista mais avançada. Isso não é nada fácil também, mas é parte de uma luta por uma perspectiva mais avançada.

E o senhor acha que, nesse contexto, ele pode ter mais força para realizar uma ruptura, mesmo que gradual, com os marcos institucionais, políticos e econômicos da democracia burguesa?

Ele pretende. Quer desenvolver mais o papel do planejamento na economia e pretende muito que as próprias empresas, com os trabalhadores, participem desse processo. Empresas dirigidas pelos próprios trabalhadores. Já há experiências nesse campo, mas são, ainda, pilotos. Não é uma lei geral, uma fórmula geral. Ele está sendo aplicado em alguns casos, na busca desse tipo de empresas, que ele chama de empresas socialistas.

E qual o senhor acha que pode ser o papel do recém-criado PSUV [Partido Socialista Unido da Venezuela] nesse processo?

Acho que a criação desse partido foi uma iniciativa precipitada. Deveriam, antes, ter passado por uma experiência de frentes, até se chegar realmente ao partido. Porque a necessidade de formá-lo tão imediatamente assim começa a facilitar o surgimento de quadros intermediários, que não são devidamente formados para liderar um processo desse e que começam a se aproveitar da situação de poder. Então, realmente, a idéia do partido precisava ter amadurecido mais. Mas, se já existe, o que tem que ser feito é um processo de formação de quadros e de educação política muito fortes. E a criação de mecanismos de participação direta dos trabalhadores na gestão do partido. Tudo isso não é nada fácil de fazer, mas tem que ser feito.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/a-mais-nova-batalha-de-chavez

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A TERRA E O NOSSO FUTURO

O tempo e o horizonte da agricultura familiar

Paul Singer compara o modo como o agronegócio empresarial e a agricultura familiar se relacionam com o tempo: para o primeiro, a relação com o tempo é medida pelos prazos de envios dos relatórios à bolsa de valores a cada três meses. Já para a agricultura familiar, o horizonte são as gerações, os filhos e os netos. Essa diferença diz muito sobre os conceitos de desenvolvimento e progresso em debate hoje.

Data: 26/06/2008/Agência Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Falando sobre agricultura familiar e economia no campo brasileiro, Paul Singer, Secretário Nacional de Economia Solidária fez uma platéia de quase mil pessoas poder refletir sobre tempo, natureza humana e temporalidade das ações, na relação com o meio ambiente. O fôlego e a densidade do debate aberto pelo professor titular em macroeconomia da USP, contudo, não assustaram os participantes desta I Conferência Nacional. Nem poderiam. Com a simplicidade que lhe é característica, o professor analisou alguns dos problemas que têm contribuído para que a relação entre a humanidade e o planeta tenha tomado a forma de uma contradição manifesta. E a aparência de um destino.

Um desses problemas é o modo como as atividades econômicas produtivas e lucrativas se relacionam com o tempo. Para o agronegócio empresarial que transformou a agricultura num dos braços do mercado de commodities, a relação com o tempo é medida pelos prazos de envios dos relatórios e balanços financeiros à bolsa de valores, em regra, a cada três meses. Já para a agricultura familiar, anotou Paul Singer, “o horizonte são as gerações, dos seus filhos, dos seus netos”.

Um horizonte mais largo é por si só uma diferença importante? A destruição da natureza pelo homem é medida somente pelo tempo? Não, mas a qualidade das mudanças provocadas pelas atividades econômicas determinam, pelo menos ao longo dos últimos séculos, a temporalidade da vida na sociedade e, por conseguinte, da relação dos homens com a exploração, dominação e uso dos recursos da natureza. E é nessa qualidade que reside a diferença entre o potencial predatório do mercado de commodities em relação, por exemplo, à atividade econômica da agricultura familiar.

Porque essa diferença evidencia que a qualidade das mudanças nos preços de commodities não depende de contrapartidas ou referências reais para se constituir, de modo que pode nunca deixar de ser uma mera arbitrariedade, não à toa chamada por Marx de fetiche. No reino da troca absoluta, nada se mede na realidade e a mudança deixa de ser categoria determinante da inteligibilidade dos fenômenos sociais.

E é assim, despedindo-se da realidade, que a lógica capitalista se permite destruir recursos naturais como fosse uma conseqüência, se assim se pode dizer, natural. Em contrapartida, marcar o tempo na duração de gerações constitui uma qualidade completamente distinta de mudança na natureza, sobretudo na atual quadra histórica. Entender essa diferença, contudo, não requer compromissos com versões finalistas da história: não é o progresso versus o atraso o que explica a diferença entre a temporalidade do mercado de commodities e a temporalidade marcada nos rostos e na carne das pessoas que vivem de, com e através dos recursos naturais, como é o caso da agricultura familiar, exemplarmente.

Disso se segue que não se trata de julgar a velocidade do mercado de commodities em oposição, puramente ideológica, à atividade produtiva das populações que produzem alimentos, segundo padrões sustentáveis, mas de levar o tempo a sério, como uma das características que determinam o estado das coisas no mundo, entre elas, a da atual crise de alimentos.

Pode parecer evidente que a velocidade de uma colheita não é comparável à avaliação de preços numa tarde da Bolsa de Mercadorias Futuras. Então, o que é mesmo que torna essa velocidade um problema sério, inclusive quanto ao meio ambiente? Paul Singer responde a essa pergunta possível com um olhar prudente sobre a construção de modelos de sociedades, sobretudo a partir de “postulados” a respeito da natureza humana, isto é, a partir de abstrações; um olhar, vale dizer, que vê no diagnóstico das teorias neoclássicas da natureza humana um problema: se a medida do tempo não é única, quando tomada com referência às coisas que mudam e que são mudadas na natureza, faz sentido referir-se aos homens como indivíduos prontos e acabados?

Com que autoridade se deduz e pretende legitimar um sistema econômico e político a partir de postulações sobre a natureza humana? Não estaria ela, a própria natureza humana, submetida ao tempo? Ou seria um conceito estático, caído no planeta recentemente, vindo sabe-se lá de onde? Para Singer, nós não apenas não conhecemos a natureza humana e não podemos pensá-la a despeito do fato de que ela está sempre mudando.

Qual ou quais as contrapartidas às marchas do tempo de que se fazem as histórias, do capitalismo e das suas resistências? Qual o pressuposto metodológico que autoriza o marxismo a, desde sempre, sustentar a sua crítica à economia política em todas as suas variantes? O pressuposto é uma unidade entre pensamento e experiência, entre sujeito e objeto, entre intenção e extensão, que tornou a história e o pensamento do tempo histórico elementos centrais para o entendimento e a superação das contradições incontornáveis do capitalismo, que hoje ganham a dimensão de ameaça climática e alimentar, no planeta.

É um pressuposto de que a prática ensina, à medida que a intenção organiza, e que autorizou Marx a ratificar a tese de que o conceito sem a intuição é vazio e de que a intuição sem o conceito é cega. É assim que as idéias e o exemplo de Paul Singer ganham, devidamente, força. Com a defesa de que o papel dos que pensam é observar, entender, examinar e experimentar, e não postular sociedades e homens fictícios.

“Portanto”, disse enfaticamente o professor, “não temos modelo, e eu gostaria de afirmar isso com muita convicção a vocês”. Na autocrítica ao método, se assim se pode dizer, socialista, de que Singer se disse herdeiro, ele acrescenta o compromisso de tentar fazer empiricamente, segundo o velho método da tentativa e erro. Assim não se corre o risco, hoje mais evidente que nunca, de destruir, devastar e matar de fome. Assim não se perde a medida real do tempo, para se submeter ao espaço e ao poder que o delírio fetichista tem imposto às economias e estômagos do mundo, sobretudo do mundo pobre e já faminto.

A medida real do tempo se faz de quê, afinal? Da vida das pessoas, de gente e do Planeta. Pode-se considerar a economia solidária como uma utopia; ou uma das iniciativas ingênuas e evasivas que caracterizaram a história da resistência moral à miséria que o avanço do capitalismo deixa como rastro. O problema dessa acusação não é tampouco só de natureza moral – ainda que também o seja -; nem é o preço que ela tem a pagar – que já está pagando; o problema dessa acusação é o destino de Baixio das Bestas, para o campo e as cidades brasileiras.

Na abertura do mais vigoroso e bem dirigido filme brasileiro dos últimos anos, Baixio das Bestas, de Cláudio Assis, pode-se ler uma referência que talvez esclareça esse lembrete: “O tempo vai consumir os engenhos, a usina, a mim e a você”, porque, ao contrário do delírio das variantes da economia política do século XIX, cada vez mais capengas e autoritárias, nem o mercado, nem a natureza humana são eternos. Talvez seja isso, afinal, o que a atual crise global de preços e de abastecimento deixe como evidência, empiricamente verificável: a contradição entre humanidade e planeta não é destino.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15077&alterarHomeAtual=1