8 julho 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)
Problemas no Inferno parecem compreensíveis –
sabemos por que as pessoas estão protestando na Grécia ou na Espanha, mas por
que é que há problemas no Paraíso, em países prósperos ou que, ao menos, passam
por um período de rápido desenvolvimento, como a Turquia, a Suécia e o Brasil?
Por Slavoj Žižek
Slavoj Žižek
Em seus textos de
juventude, Marx descreveu a situação alemã como aquela em que a solução de
problemas particulares só era possível através da solução universal (revolução
global radical). Ali reside a fórmula mais resumida da diferença entre um
período reformista e um revolucionário: em um período reformista, a revolução
global continua a ser um sonho que, na melhor das hipóteses, sustenta nossas
tentativas para aprovar alterações locais – e, no pior dos casos, impede-nos de
concretizar mudanças reais –, ao passo que uma situação revolucionária surge
quando se torna claro que apenas uma mudança global radical pode resolver os
problemas particulares. Nesse sentido puramente formal, 1990 foi um ano revolucionário:
tornou-se claro que as reformas parciais dos Estados comunistas não seriam
suficientes, que era necessário uma ruptura global radical para resolver até
mesmo problemas parciais (fornecimento adequado de alimentos etc.).
Então onde é que estamos, hoje, em relação a essa diferença? Seriam os problemas e protestos dos últimos anos sinais de uma crise global que está gradual e inexoravelmente se aproximando, ou seriam estes apenas pequenos obstáculos que podem ser contidos, se não resolvidos, por meio de intervenções precisas e específicas? A característica mais estranha e ameaçadora sobre eles é que não estão explodindo apenas (ou principalmente) nos pontos fracos do sistema, mas também em lugares que eram até agora tidos como histórias de sucesso.
Então onde é que estamos, hoje, em relação a essa diferença? Seriam os problemas e protestos dos últimos anos sinais de uma crise global que está gradual e inexoravelmente se aproximando, ou seriam estes apenas pequenos obstáculos que podem ser contidos, se não resolvidos, por meio de intervenções precisas e específicas? A característica mais estranha e ameaçadora sobre eles é que não estão explodindo apenas (ou principalmente) nos pontos fracos do sistema, mas também em lugares que eram até agora tidos como histórias de sucesso.