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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Brasil/Igreja Católica repudia Proposta de Emenda Constitucional 241 (PEC 241): Devastadora e brutal

13 outubro 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)


A proposta de Emenda Constitucional 241/2016 focaliza a transferência de recursos públicos das áreas sociais para o pagamento de juros e para a redução da dívida pública. Estabelece um "Novo Regime Fiscal", encaminhado para a Câmara de Deputados no dia 15 de junho de 2016.

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz*

Esta medida de contenção asfixiante, parte de uma premissa falsa segundo o economista Francisco Funcia, da PUC- SP, que seria a grave situação econômica do país; em nota à imprensa, foi divulgado pelo Ministério da Fazenda, em 24 de junho de 2016: "A situação do Brasil é de solidez e segurança porque os fundamentos são robustos. O país tem expressivo volume de reservas internacionais e o ingresso tem sido suficiente para financiar as transações correntes. As condições de financiamento da dívida pública brasileira permanecem sólidas neste momento de volatilidade nos mercados financeiros em função de eventos externos. A dívida publica federal Nacional conta com amplo colchão de liquidez". 

Como se verifica na declaração não há no país uma situação caótica que exija um ajuste tão violento e brutal, a ponto de "congelar" as despesas federais no patamar dos valores de 2016, por um prazo de 20 anos.

1. Qual o objetivo é finalidade da PEC 241?
A agenda explícita desta proposta é

segunda-feira, 21 de março de 2016

Brasil/CNBB não aceita que aproveitem crise para dar golpe, diz bispo

20 março 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Dom Ailton Menegussi, bispo da Diocese de Crateús, rejeitou de forma enfática a tentativa golpista da oposição que investe contra a presidenta Dilma Rousseff. “Não aceitamos que partido político nenhum aproveite-se dessa crise para dar golpe no país”, disse, falando pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 


Segundo ele, nenhum bispo do Brasil concorda com corrupção e todos apoiam que investigações sejam feitas, denúncias sejam apuradas e, “uma vez provadas – não antes”, que se punam os culpados. “Mas os culpados não são desse partido ou daquele só, não. Tem corrupto em tudo que é partido”, discursou, sob palmas dos fiéis, em Tauá, no Sertão cearense.

O bispo afirmou ainda que “a corrupção não foi inventada de 15 anos para cá, não sejamos inocentes”. Para Menegussi, o que está acontecendo é que agora se está permitindo que “as coisas apareçam”.

“Não vamos apoiar troca de governo, de pessoas interesseiras, que querem se apossar porque são carreiristas. Tem muita gente posando de santinho, mas que nunca pensou em pobre. Fazem discurso bonito porque querem o poder. E com isso a CNBB não concorda”, criticou.

O religioso foi duro nas críticas à seletividade das denúncias. “Sabemos que há um monte de processo contra outros políticos, que são engavetados, mas, quando se trata de um governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim”, disse. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Papa pede aos bispos do Brasil que se interessem pela Síria



28 outubro 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil) 

O papa Francisco enviou, por meio da Nunciatura Apostólica em Brasilia, uma carta a todos os bispos do Brasil, pedindo que acompanhem a situação da Síria.

Dermi Azevedo

O papa Francisco acaba de enviar, por meio da Nunciatura Apostólica em Brasilia, uma carta a todos os bispos do Brasil, pedindo que não deixem de acompanhar, como algo de interesse prioritário, a situação política da Síria.

O Papa manifesta sua preocupação como as milhares de familias que fogem do território sírio para os países vizinhos e que enfrentam a fome a e precariedade do atendimento.

Paralelamente, Francisco reuniu-se com os dirigentes na Companhia de Jesus, que é a sua ordem religiosa, para pedir que colaborem na divulgação mundial da posição do Vaticano, inteiramente contrária a qualquer ameaça de intervenção de potências estrangeira em território sírio.

Em suas publicações, como é o caso da revista francesa Études,

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Brasil/OAB convoca ato público nesta segunda para discutir pauta da cidadania



21 de junho de 2013, Ordem dos Advogados do Brasil http://www.oab.org.br (Brasil)  

Brasília – A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e diversas outras entidades da sociedade civil realizarão ato público nesta segunda-feira (24), às 10 horas, na sede do Conselho Federal da OAB para aprovar uma pauta de reivindicações que espelhe a vontade das manifestações ocorridas em todo o país nos últimos dias.“Queremos dar concretude às justas reivindicações que ecoam nas ruas”,

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Brasil/CARTA ABERTA AO PADRE ROBERTO FRANCISCO DANIEL (PADRE BETO)



Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados http://www.padrescasados.org (Brasil)

FIDELIDADE, OBEDIÊNCIA E LIBERDADE DE PENSAR.

Caro irmão no sacerdócio, Padre Beto:

Nós, o Movimento das Famílias dos Padres Casados – MFPC, dirigimo-nos ao senhor, em primeiro lugar, para mostrar nossa solidariedade neste momento em que foi atingido na essência do ser humano: o direito de pensar e expressar-se livremente.Lamentamos, em seguida, profundamente que, na nossa Igreja, a porta do acesso ao diálogo se apresenta cada vez mais estreita, enquanto o diálogo é exatamente uma daquelas portas largas, abrindo o caminho que leva ao Reino, conforme mostra Jesus no diálogo com a mulher samaritana (cf. João 4). Lamentamos o fato que, por parte da hierarquia eclesiástica, a arma usada é a do Direito Canônico, ou seja, as leis, feitas por homens, são colocadas, novamente, acima da mensagem libertadora e dos preceitos e das atitudes do Evangelho.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Brasil/Moradores de Bauru (SP) protestam contra excomunhão de padre



2 maio 2013, Gazeta do povo http://www.gazetadopovo.com.br (Brasil)

A Diocese de Bauru disse que o bispo d. Caetano Ferrari não comentaria as declarações do padre Beto sobre semelhança do ato de excomunhão da Igreja com as posições do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP)


Moradores de Bauru, no interior de São Paulo, se organizam para protestar contra a excomunhão do padre Roberto Francisco Daniel, o padre Beto. Menos de três dias após o anúncio do ato pela Igreja Católica, milhares de simpatizantes do padre já se declararam contra a excomunhão.

Uma moção de repúdio à decisão da Igreja postada na segunda-feira (29), havia recebido mais de 3,5 mil adesões até o fim da tarde de quarta-feira (1º) e a expectativa é de atingir 5 mil nesta quinta (2). O grupo Eu Apoio Padre Beto, formado na segunda, na internet, já contava com mais de 2,1 mil participantes.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Paraguai/Codas: Eleições no Paraguai foram um remendo, não uma solução



24 abril 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)  

As eleições que deram a vitória ao Partido Colorado no Paraguai mostram que a democracia do país tem limites muito estreitos e que as forças conservadoras têm mecanismos para bloquear a vontade popular de mudança. A avaliação é de Gustavo Codas, jornalista, economista paraguaio e analista internacional, que conversou com o Blog do Zé diretamente de Assunção.

Ele associa a vitória dos colorados ao golpe que derrubou o presidente Fernando Lugo no ano passado. O golpe enfraqueceu os liberais, que apoiaram a queda de Lugo. E agora eles pagam o preço. “É possível que o PLRA [partido dos liberais] enfrente uma crise profunda. Sua representação no Senado caiu de 14 para 12 cadeiras. Perdeu alguns bastiões regionais. Se desmoralizou com o golpe, com seu governo ilegítimo e corrupto e com o resultado eleitoral”.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Brasil/Emendas que não interessam aos pobres estão "desfigurando" a Constituição, diz dom Tomás Balduíno



24 abril 2013, Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br (Brasil)

Alex Rodrigues

Brasília – Militante histórico de causas sociais, o bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno, disse hoje (24), que a Constituição Federal vem sendo “desfigurada” para atender a interesses que nada têm que ver com a parcela da população mais pobre.

“Nossa Constituição Federal já não pode mais ser chamada de Constituição Cidadã, pois é vítima das emendas que atendem a interesses que não são os da [parcela da] sociedade mais carente, aquela que mais necessita do apoio do Estado".

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Unasur presente en los comicios de Paraguay




18 abril 2013, Ciudad de Caracas http://www.ciudadccs.info (Venezuela)
El jefe del Grupo de Alto Nivel de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) para Paraguay, el peruano Salomón Lerner, llegó ayer a Asunción, capital del país, e iniciará reuniones con autoridades electorales y partidos políticos, previo a las elecciones presidenciales y parlamentarias del próximo domingo.
Paraguay deberá elegir en esta ocasión al presidente y vicepresidente de la República, renovar todo el Congreso, las gobernaciones y juntas departamentales y los diputados al Parlamento suramericano.
Se trata de las primeras elecciones a celebrar después que el pasado mes de junio un golpe de Estado parlamentario destituyó al presidente constitucional, Fernando Lugo, en una operación política llevada a cabo por los partidos tradicionales que controlan el actual Congreso, señaló Prensa Latina.
Unasur, a pesar de la negativa del gobierno de Federico Franco de otorgar la correspondiente inmunidad diplomática a su misión observadora de los comicios del próximo domingo, aceptó la invitación para ello cursada por el Tribunal Superior de Justicia Electoral.
Un total de 44 expertos de esa instancia forma parte de la misión y el viaje de Lerner, el segundo que realiza a Paraguay, será para dirigir el despliegue de los observadores en el territorio nacional.
Paraguay se encuentra suspendido de su membresía en Unasur a consecuencia de la remoción de Lugo, que significó la ruptura del orden constitucional y también la conculcación de derechos ciudadanos.
Según el informe oficial del Tribunal, un total de 313 observadores, representando a 12 organizaciones internacionales, confirmaron su presencia en Paraguay durante los comicios y una parte de ellos ya se encuentra aquí realizando esa labor en forma preliminar.
Entre esas entidades están, además de Unasur, la Unión Europea con el mayor número de integrantes, y una misión designada a título personal por el secretario general de la OEA, José Miguel Insulza, sin aprobación del Comité Permanente de esa instancia, agregó PL.
El Frente Guasú, que agrupa a las organizaciones que respaldan a Aníbal Carrillo a la presidencia, y a Fernando Lugo entre sus aspirantes a senadores, ha denunciado irregularidades en el proceso electoral.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PARAGUAI: O TORTUOSO CAMINHO ELEITORAL*



16 abril 2013, Diálogos do Sul http://www.dialogosdosul.org.br (Brasil)

Paraguai caminha para eleições gerais a serem realizadas dia 21 de abril, que podem ser determinantes para o eventual regresso do país ao seio do Mercosul e Unasul, os dois grandes blocos integracionistas sul-americanos dos quais foi suspenso.

Ha quase um ano de vigorar as sanções políticas, o processo eleitoral se aproxima da data chave em meio a posições intransigentes das autoridades no poder, encabeçadas por Federico Franco, empenhadas sem êxito em desconhecer o isolamento internacional a que estão sujeitos.

Apesar das ajudas provenientes de Washington e do secretario geral da OEA, Jose Miguel Insulza, o Paraguai tem sido excluído também da maioria dos foros internacionais realizados, entre eles a cúpula Ibero-americana e a constituição da Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe.

Seus esforços por romper o isolamento terminaram no fracasso e por isso, a maioria das representações diplomáticas acreditadas em Assunção, permanecem vazias de embaixadores, retirados por seus correspondentes governos em sinal de protesto.

O processo eleitoral é disputado por candidatos dos dois maiores partidos tradicionais, o Colorado, com o empresário Horacio Cartes, e o Liberal Autêntico, qcon Efraín Alegre. Ambos se uniram pra materializar a destituição de Lugo e agora disputarão entre si para tratar de impor seus candidatos nas próximas eleições. Segundo as pesquisas os dois encabeçam a preferencia dos eleitores.

O primeiro deles, os colorados, postulam como Associação Nacional Republicana (ANR), que durante 60 anos no poder e apoiou a ditadura de 35 anos de Alfredo Stroessner (1954-1989) com apoio dos Estados Unidos, até que, em 2008, Lugo obteve uma vitória de caráter popular e assumiu a presidência. Além disso Horácio Cartes é investigado por narcotráfico nos Estados Unidos, segundo denúncia de Lídia Ruiz, dirigente de Via Camponesa.

O segundo, apoio do atual governo, carrega sobre as costas a união com os colorados, seus inimigos tradicionais, a troco de desfrutar dos 14 meses no poder que terminará com a posse, em agosto próximo, de quem seja proclamado vencedor das votações planejadas.

Diante disso se opõem o esforço da esquerda agrupada no Frente Guasú, coalização de partidos e organizações sociais indígenas e camponesas, sem os grandes recursos econômicos dos anteriores e impedida pelos mais importantes meios de comunicação de ter acesso igualitário na difusão de seu programa e propostas. O programa televisivo de debate foi ao ar somente com a participação dos candidatos dos quatro maiores partidos.

A Frente, com a direção de Lugo, tem como candidato o médico Aníbal Carrillo, aponta para a consolidação de um aparato político nacional representativo das esperanças populares com o propósito de modificar o sistema neoliberal existente e conseguir mudanças nas terríveis condições de vida de um país com quase 50% de sua população na pobreza.

Lugo aspira uma cadeira de senador na lista da Frente Guasú, integrada pelos partidos Tekojoja, Movimiento Patriótico Popular, Comunista, Frente Amplio, de la Unidad Popular, Solidario y Convergencia Popular Socialista.

Dessa frente luguista e de centroesquerda se desprendeu a coalizão Avanza Pais, que propõe o animador de televisão Mario Ferreiro, e está integrada pelos partidos Movimiento al Socialismo, Revolucionario Febrerista, Demócrata Cristiano, Paraguay Tekopyahú y Movimiento 20 de Abril.

O conjunto de partidos com maior peso se completa com a Unión Nacional de Ciudadanos Éticos (UNACE), do falecido general Lino Oviedo, morto em plena campanha, substituído por um sobrinho com seu mesmo nome mas com menos peso eleitoral, segundo as pesquisas.

Também concorre ao pleito a médica Lilian Soto, candidata do movimento feminista e socialista Kuña Pyrenda (Marcas de Mulher), que foi ministra secretária da Função Pública no governo de Lugo. Dia 21 de abril os paraguaios elegerão presidente, vice-presidente, 45 senadores, 80 deputados, 18 deputados ao Parlasul e 17 governadores, junto a parlamentares de departamentos de número variável segundo a região. Kuña Pyrenda encabeça todas as listas em todas as instâncias com mulheres.

São mais de onze os postulantes a ocupar o Palácio de López, mas as chances dos demais partidos são limitadas. O socialista Mario Ferreiro e o conservador senador Miguel Carrizosa, de Patria Querida, também buscam a preferencia dos três milhões de paraguaios aptos a comparecer às urnas.

A lista de candidatos inclui também Roberto Ferreira Franco, pelo Partido Humanista; Coco Arce, pelo Partido de los Trabajadores; Ricardo Almada, pelo Partido Blanco, e Anastásio Galeano, por Patria Libre.

A guerra das pesquisas de opinião pagas pelos partidos golpistas e os meios de comunicação conservadores só deixam espaço para a vitória dos colorados e liberais, mas ainda em algumas delas se reconhece tangencialmente a importância que posa ter a Frente e outras forças progressistas menos na conformação do futuro Congresso e na eleição presidencial.

Em definitiva, a estratégia da esquerda se centraliza em lutar por cada voto emitido para impedir a fraude, seguir lutando na base até o último momento para orientar aos setores mais humildes e converter-se em uma parede de contenção das decisões antipopulares do próximo governo.

*De Orbe e Telan,  especial para Diálogos do Sul

domingo, 17 de março de 2013

Argentina/PAPAS

16 marzo 2013, Pagina12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)
Por Luis Bruschtein
Hay algo desproporcionado en tener un papa argentino, es algo que impresiona y no deja de sorprender. Y también es desproporcionada la conferencia de prensa del Vaticano contra Página/12. Todo parece llevado a una escala casi galáctica. Federico Lombardi, el portavoz papal, apuntó contra una “izquierda anticlerical” por las acusaciones contra el papa Francisco por su actuación durante la dictadura, que se publicaron en Página/12 a partir de una investigación de Horacio Verbitsky y agregó algunos comentarios más sobre “medios especializados en campañas difamatorias” o en “acusaciones poco creíbles”.

En realidad, no se trata de una izquierda anticlerical –seguramente en el diario habrá más de uno–, sino de dos sacerdotes jesuitas que fueron secuestrados y torturados durante la dictadura, y ya en democracia hicieron esas denuncias, a las que se sumaron los familiares de otros laicos, militantes cristianos, que fueron secuestrados en esa oportunidad, la mayoría de los cuales continúan desaparecidos.

En un sentido riguroso, más que de complicidad, los testimonios hablan de omisión, de cerrar los ojos, o de retirar la protección de la Iglesia a los secuestrados en esa oportunidad, acusados de integrar las organizaciones guerrilleras. En contrapartida, hay otras declaraciones que reivindican la actitud de Bergoglio durante la dictadura, protegiendo a fugitivos y ayudando a escapar a otros. Estos testimonios tienen la misma veracidad que los otros y no son contradictorios entre sí.

Claro que el fiel de esa balanza termina por inclinarse durante los años en que fue arzobispo de Buenos Aires y cardenal primado de la Argentina, cuando prefirió no reunirse ni convocar a los organismos de derechos humanos y, por el contrario, abrir uno de los conflictos más duros del gobierno kirchnerista con el obispo castrense Antonio Baseotto, defensor de secuestradores y represores de la dictadura. Los derechos humanos se convirtieron en una temática central en la transición hacia una democracia plena y, bajo su báculo, la Iglesia argentina no tuvo ningún gesto importante en ese sentido.

En todo caso, la actuación del entonces jefe de los jesuitas, Jorge Bergoglio, se encuadró en la actitud de toda la cúpula de la Iglesia, en este caso sí de complicidad con los jefes militares, al aceptar calladamente la práctica de horror y exterminio que estaban llevando a cabo. Esa política los llevó incluso a aceptar el asesinato de uno de sus hermanos, el obispo Enrique Angelelli, y presumiblemente también del entonces obispo de San Nicolás, Carlos Ponce de León.

Todas estas situaciones fueron publicadas por Página/12 y afirmar que se trata de una “campaña de desprestigio” orquestada por “una izquierda anticlerical” constituye una pobre defensa. No se trata de un argumento sostenido con pruebas que puedan demostrar que no ocurrieron los hechos cuyo relato les ofende. Después de la dictadura, la Iglesia argentina quedó “en capilla”, como se suele decir.

Cualquier hecho relacionado con la Argentina de los últimos cuarenta años está indefectiblemente atravesado por los derechos humanos. No era tan fácil advertirlo a la salida de la dictadura. Es probable que los que asumieron esa importancia, lo hicieron más por sensibilidad que por una visión a largo plazo. La Iglesia como estructura no tuvo esa sensibilidad y reaccionó más con cola de paja que como Iglesia. Ese lugar, desde los católicos fue entonces ocupado en parte por laicos como Augusto Conte y Emilio Mignone entre otros, e incluso por algunos obispos como Jorge Novak, Jaime de Nevares y Esteban Hessayne, que eran permanentemente hostigados por las altas jerarquías. Estos obispos ya fallecidos no fueron reemplazados por otros altos prelados en su importante lugar en los derechos humanos. Ese espacio tampoco lo ocupó Bergoglio ni alentó a ningún otro obispo a que lo hiciera durante todos los años que estuvo al frente de la Iglesia argentina.

Los organismos defensores de los derechos humanos en Argentina, que han sido tan importantes desde el punto de vista espiritual y simbólico para la construcción democrática, apenas han tenido relación con Bergoglio. Esa relación era prácticamente imposible en la medida en que no hubiera una visión autocrítica de lo actuado en la dictadura y se mantuviera la protección sobre curas como Christian Von Wernich, que participó en interrogatorios a prisioneros que después fueron exterminados. Von Wernich fue condenado por la Justicia, pero la Iglesia encabezada por Bergoglio nunca tomó una medida de castigo.

En ese sentido no ha sido la decisión más feliz del nuevo papa Francisco encarar su relación con los derechos humanos como jefe de la Iglesia con esta desmentida pobre, que además no desmiente nada sino que agrede al mensajero, al medio que publicó una información que no estaba oculta, sino que ningún otro quiso publicar. Estaríamos fritos si hablar de los derechos humanos fuera solamente una prerrogativa de sectores de izquierda anticlerical. Desde el punto de vista del desarrollo histórico de este país, los derechos humanos pasaron a tener una importancia fundamental y les fue mal a los que intentaron negar esta realidad, en especial a la Iglesia argentina, que tendría que haber ocupado el mismo lugar que ocupó la Iglesia de Chile en este aspecto. Si fue un error, nunca es tarde para subsanarlo.

La conferencia de prensa del sacerdote Federico Lombardi descalificando a este medio pareció desmesurada y hasta poco meditada. Aquí en Argentina, otros periodistas y medios más poderosos que Página/12 se han victimizado y rasgado las vestiduras por el supuesto atentado a la libertad de prensa cuando la presidenta Cristina Fernández criticó alguna de sus publicaciones. Página/12 ha polemizado con otros presidentes, como lo puede hacer ahora sin necesidad de victimizarse. Solamente hizo una denuncia de ese tipo cuando se amenazó o se tomaron medidas concretas contra el diario.

Un papa argentino tiene una proyección insondable para Argentina. Es muy difícil predecir cualquier consecuencia, porque la escala está sobredimensionada. Y mucho tendrá que ver la forma en que el papa Francisco encare el mundo desde ese lugar tan difícil de líder espiritual de 1200 millones de personas. Siempre fue vertical, de absoluta disciplina hacia la jerarquía en una organización que viene de dos reinados muy conservadores y derechistas, como los de Juan Pablo II y Benedicto XVI, que representaron la globalización y la hegemonía del neoliberalismo en el planeta. Su lealtad a esa estructura de poder definió su cuestionada actitud con la dictadura. Pero la herencia que recibe ahora de los dos papas anteriores es un Vaticano envuelto en escándalos financieros y de corrupción, y con innumerables denuncias por hechos de pedofilia. Mientras Juan Pablo II y Benedicto XVI se encargaban de perseguir y desplazar a los obispos progresistas, se fueron creando esos nichos de corrupción que impregnan a la curia vaticana. Esto no lo dice la izquierda anticlerical sino que se comenta en todos los corrillos de Roma. Se dice incluso que el Vaticano necesitaba un hombre con la austeridad, la astucia y el carácter de Bergoglio para limpiar estas vergüenzas. A Francisco le toca un mundo diferente del que vivieron Juan Pablo II y Benedicto XVI. El cardenal Bergoglio fue parte de la visión del mundo que expresaron esos dos papas. Francisco tiene la posibilidad, y hasta se diría que la obligación, de dar su propia versión si quiere rescatar al Vaticano de su crisis. Pero la desmentida de ayer lo pone más en el camino agotado de sus antecesores.



Argentina/Novo papa já foi acusado de cumplicidade com crimes da ditadura argentina

13 março 2013, Opera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)

Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes
Recém-eleito papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio é acusado de ter sido cúmplice de crimes cometidos pela ditadura cívico-militar de seu país (1976-1983). Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a ser convocado para testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes durante os anos de terrorismo de Estado.



De acordo com a Associação Mães da Praça de Maio, Bergoglio foi "cúmplice da ditadura". O cardeal é acusado de facilitar o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio, versão corroborada pelo jornalista Horacio Verbistky, autor de diversos livros sobre o assunto. “[Ele] era chefe da Companhia de Jesus, às quais eles pertenciam, mas em vez de protegê-los, lhes tirou a proteção eclesiástica e poucos dias depois foram sequestrados”.



“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, continuou o jornalista, em entrevista de 2010 à televisão pública argentina, afirmando que a informação estava documentada na chancelaria argentina.



Em 2011, durante as audiências do processo sobre o plano sistemático de roubo de bebês - nascidos em prisões clandestinas, durante a ditadura, e adotados ilegalmente por outras famílias, em sua maioria próximas a autoridades militares –, Bergoglio chegou a ser citado para declarar, após testemunhas apontarem que ele estava ciente deste tipo de crime.



“Como é que o Bergoglio diz que só sabe do roubo de bebês há 10 anos?”, questionou em uma audiência Estela de la Cuadra, que apresentou ao tribunal cartas de seu pai ao arcebispo, agora papa, nos quais pedia que este intercedesse na procura por sua filha desaparecida, e de sua neta, que nasceu em um centro clandestino de prisão e tortura da ditadura.

Segundo o depoimento de Alicia De la Cuadra, primeira presidente da Associação Avós da Praça de Maio, durante a busca por sua neta, Bergoglio teria dado a ela uma carta na qual dizia que o bispo argentino Mario Piqui intercederia no caso. Após o contato com autoridades policiais, no entanto, o bispo teria afirmado que a criança estava vivendo com um "bom casal” e que a suposta adoção já não tinha “volta atrás”.



Além dos indícios de que sabia do esquema de roubo e apropriação ilegal de menores, Bergoglio deveria declarar acerca do sequestro de religiosos durante a repressão. Segundo a imprensa local, em depoimento de cerca de quatro horas, o cardeal afirmou que se reuniu com integrantes da Junta Militar que governava o país - Jorge Rafael Videla e Emilio Eduardo Massera - para pedir a libertação dos sacerdotes.



Em entrevista à televisão pública argentina, no entanto, o jornalista Verbitsky afirma que na audiência ante os tribunais, Bergoglio negou informações concedidas a ele em uma entrevista.



Segundo a reportagem, o novo papa deu ao jornalista detalhes sobre uma ilha chamada El Silencio, no delta do Rio Tigre, que teria sido vendida em 1979 pelo episcopado argentino para a Marinha, com o objetivo de servir como centro clandestino de prisão. “[Ele] negou [perantes os juízes] fatos que eu tenho claramente documentados”, disse Verbistky.



Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (Esma), centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa e desaparecida María Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.



Bergoglio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

*Com informações dos jornais Página 12 e Tiempo Argentino