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terça-feira, 5 de novembro de 2013

TODOS ALIADOS, A LA VEZ TRAIDORES Y VASALLOS



31 de octubre de 2013, Pagina12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)

 

El testimonio del jefe de la NSA desnuda la hipocresia de los servicios de espionaje de occidente

 

Después de las revelaciones sobre el espionaje con las que Washington gratificó a sus queridos aliados de Alemania, España y Francia, el imperio se lanzó al contraataque. Europa es socio en el espionaje, dijo el jefe de la NSA.

Por Eduardo Febbro
Desde París

Las bases del concurso están abiertas: ¿quién es más asustadizo o mentiroso o ladrón? Europa y Estados Unidos se desgarran en el inmenso cuadrilátero que se instaló con el espionaje a escala industrial y planetaria realizado por la Agencia de Seguridad Norteamericana, la NSA. Después de las sucesivas revelaciones sobre el espionaje con las que Washington gratificó a sus queridos aliados de Alemania, España y Francia, el imperio se lanzó al contraataque. El jefe de la NSA, el general Keith Alexander, dio vuelta el arma contra los denunciantes y acusó a sus amigos de Europa de ser los responsables tanto del espionaje de que son objeto sus ciudadanos como del envío a Washington de las informaciones recopiladas. Con el cinismo escénico al que ya nos tiene acostumbrados, el general Keith Alexander

sábado, 23 de março de 2013

Vaticano/“HABEMUS PAPAM”: FRANCISCO

16 de Março de 2013, Patria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)
Frei Beto*

É a primeira vez na história que um papa adota o nome daquele que sonhou que a Igreja desabava e cabia a ele reconstruí-la. O tempo dirá a que veio

O papa Francisco – nome adotado pelo cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio - ao ser eleito novo chefe da Igreja Católica terá pela frente difíceis desafios. O maior deles, imprimir colegialidade ao governo da Igreja e reformar a Cúria Romana.

Para mexer nesse ninho de cobras, terá de remover presidentes de congregações (que, no Vaticano, equivalem a ministérios) e nomear para dirigi-las prelados que, hoje, vivem fora de Roma e são, portanto, virtualmente imunes à influência da “famiglia curiale”, a que, de fato, exerce o poder na Igreja.

Para modificar a estrutura monárquica da Igreja, Francisco terá de repensar o estatuto das nunciaturas, valorizar as conferências episcopais e o sínodo dos bispos e, quem sabe, criar novas instituições, como um colégio de leigos capaz de representar a Igreja como Povo de Deus, e não como sociedade clericalizada pretensamente perfeita.

Não será surpresa se, em breve, o novo papa promover o seu primeiro consistório, elevando ao cardinalato bispos e arcebispos dos cinco continentes (e talvez até padres e leigos, os chamados “cardeais in pectore”, que não são de conhecimento público).

Tal iniciativa deverá incluir o atual arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta. Paira certa incongruência no fato de a arquidiocese carioca não ter, há anos, cardeal titular, como há em São Paulo. Sobretudo considerando que o Rio acolherá, em julho próximo, a Jornada Mundial da Juventude, à qual o novo pontífice estará presente.

A imagem da Igreja Católica está manchada, hoje, por escândalos sexuais e falcatruas financeiras. Não se espere do novo papa atitudes ousadas enquanto Bento XVI lhe fizer sombra na área do Vaticano. Mas seria uma irresponsabilidade o papa Francisco não abrir, no interior da Igreja, o debate sobre a moral sexual.

Nesse tema, são muitas as questões a serem aprofundadas, a começar pela seleção dos candidatos ao sacerdócio. Já há uma instrução de Roma aos bispos para que não sejam aceitos jovens notoriamente afeminados – o que me parece uma discriminação incompatível com os valores evangélicos. Equivale a impedir o ingresso na carreira sacerdotal de candidatos heterossexuais dotados de uma masculinidade digna de Don Juan.

O problema não é questão de aparência, e sim de vocação. Se a Igreja pretende ampliar o número de padres terá que, necessariamente, retomar o padrão dos seus primeiros séculos e distinguir vocação ao sacerdócio de vocação ao celibato.

Aqueles que se sentem em condições de se abster de vida sexual (já que apenas aos anjos é dado prescindir da sexualidade) devem abraçar a via monástica, religiosa, ainda que alguns se tornem sacerdotes para o serviço comunitário. Já ao clero diocesano seria facultado escolher a vida matrimonial, como ocorre hoje nas Igrejas ortodoxa e anglicana, e com os pastores de Igrejas protestantes.

O caminho mais curto e mais sábio seria o papa admitir a reinserção de padres casados no ministério sacerdotal. Eles são milhares. No mundo, calcula-se cerca de 100 mil; no Brasil, 5 mil. Muitos gostariam de voltar ao serviço pastoral com direito a administrar sacramentos e celebrar missa.

A medida mais inovadora seria permitir o acesso de mulheres ao sacerdócio. Não há precedente na história da Igreja, exceto em países socialistas onde, clandestinos, bispos despreparados ordenaram mulheres cujo sacerdócio, ao vir à lume, não foi reconhecido por Roma.
Nos evangelhos há mulheres notoriamente apóstolas, embora não figurem na lista canônica dos doze apóstolos. Em Lucas 8, 1, constam os nomes de mulheres pertencentes à comunidade apostólica de Jesus: Maria Madalena, Joana, Susana “e várias outras”.

A samaritana (João 4) foi apóstola, no sentido rigoroso do termo – a primeira pessoa a anunciar Jesus como o Messias. E Maria Madalena, a primeira testemunha da ressurreição de Jesus.

Facultar às mulheres o acesso ao sacerdócio implica modificar um dos pontos mais anacrônicos da ortodoxia católica, que ainda hoje considera a mulher ontologicamente inferior ao homem. É a famosa pergunta em aula de teologia: pode o escravo se tornar padre? Sim, desde que liberto, pois como homem goza da plenitude humana. Já a mulher, ser inferior ao homem, está excluída desse direito, pois não goza da plenitude humana.



Outros desafios se apresentam ao novo papa, como o diálogo inter-religioso. Nos últimos pontificados Roma deu passos significativos para melhorar as relações do catolicismo com o judaísmo, levando o papa a visitar o Muro das Lamentações, em Jerusalém, e isentando os judeus da pecha de assassinos de Jesus.

No entanto, retrocedeu quanto à relação com os muçulmanos. Em sua visita à Universidade de Regensburg, na Alemanha, em 2006, Bento XVI cometeu a infelicidade de citar uma história do século XIV em que o imperador bizantino pede a um persa que lhe mostre "o que Maomé trouxe de novo, e você só encontrará coisas más e desumanas, como sua ordem de espalhar pela espada a fé que pregava". Embora a intenção do papa fosse condenar o uso da violência pela religião – no qual a Igreja da Inquisição foi mestra – a comunidade islâmica, com razão, se sentiu ofendida.

Ao visitar os EUA, em 2008, Bento XVI esteve numa sinagoga de Nova York, sem no entanto dirigir-se a uma mesquita, o que teria demonstrado sua imparcialidade e abertura à diversidade religiosa, além de combater o preconceito estadunidense de que muçulmano rima com terrorista.

Há que aprofundar o diálogo com as religiões do Oriente, como o budismo e as tradições espirituais da Índia. E buscar melhor aproximação com os cultos animistas da África e os ritos indígenas da América Latina.

É chegada a hora de a Igreja Católica admitir a pertinência das razões que provocaram sua ruptura com as Igrejas Ortodoxas e a de Lutero com Roma. E, num gesto ecumênico, buscar a unidade na diversidade, de modo a testemunharem uma única Igreja de Cristo.

Convém reconhecer, como propõe o Concilio Vaticano II, que as sementes do Evangelho vigoram também em denominações religiosas não cristãs, ou seja, fora da Igreja Católica há sim salvação.

O papa Francisco terá que optar entre os três dons do Espírito Santo oferecidos aos discípulos de Jesus: sacerdote, doutor ou profeta. A ser um sacerdote como João Paulo II, teremos uma Igreja voltada a seus próprios interesses como instituição clerical, com leigos tratados como ovelhas subservientes e desconfiança frente aos desafios da pós-modernidade.

A ser um doutor como Bento XVI, o novo pontífice reforçará uma Igreja mais mestra do que mãe, na qual a preservação da doutrina tradicional importará mais do que encarnar a Igreja nos novos tempos em que vivemos, incapaz de ser, como São Paulo, “grego com os gregos e judeu com os judeus”.

Assumindo seu múnus profético, como João XXIII, o papa Francisco se empenhará numa profunda reforma da Igreja, para que nela transpareça a palavra e o testemunho de Jesus, no qual Deus se fez um de nós.

“Habemus papam!” Já sabemos quem: Francisco. É a primeira vez na história que um papa adota o nome daquele que sonhou que a Igreja desabava e cabia a ele reconstruí-la. O tempo dirá a que veio.
*Frei Betto é escritor, autor de “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.


quinta-feira, 21 de março de 2013

Argentina/WIKILEAKS: O papa Bergoglio e os Kirchner

14 março 2013, Agência Pública http://www.apublica.org (Brasil)

Por Marcus V F Lacerda

Telegramas da embaixada americana em Buenos Aires mostram a influência do novo papa na política argentina e sua ligação com a oposição

Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo Wikileaks, revelam que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.

Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010 mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um agente político poderoso contra os Kirchner.

O atual papa Francisco I é citado em um documento do final de outubro de 2006 que trata do revés político sofrido pelo aliado de Néstor Kirchner, então presidente, na província de Missiones, no nordeste do país. Carlos Rovira, tentara um plebiscito para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto Iguazú, Monsignor Piña.

“O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires, ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos, incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.

E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos revelam que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de 2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Néstor Kirchner é descrita como “tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na Argentina”. Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro de 2010.

A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois, os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das festividades de Buenos Aires para Salta.

Um líder manchado pela relação com a ditadura

Outro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31 casos de tortura e 42 sequestros.

Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.

Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio. “Entretando, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar questões politicais, sociais ou econômicas”.


VATILEAKS: UMA MÁQUINA DO TEMPO QUE EXPÔS PRÁTICAS ANTIGAS DO VATICANO

12 março 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


À Carta Maior, o jornalista Gianluigi Nuzzi, autor do livro que revelou segredos incômodos do Vaticano, fala sobre a crise moral mais profunda que a igreja já conheceu. “Os vatileaks são como uma máquina do tempo. Estas histórias sempre existiram dentro do Vaticano, mas hoje temos uma fotografia nítida, uma reconstrução documentada”, diz Nuzzi. Por Eduardo Febbro, de Roma.



Eduardo Febbro

Roma – O nome de Gianluigi Nuzzi desperta um desconforto visível nos arredores do Vaticano. Este jornalista investigativo é autor do livro que revelou os assuntos sujos do Vaticano, os “vatileaks”: Sua Santidade, as Cartas Secretas de Bento XVI. Ali estão compiladas todas as cartas, as notas, mensagens e telegramas que fornecem do Vaticano a imagem de um inferno governado por disputas de poder, conspirações, conjurações e, sobretudo, percorrido por uma densa trama onde personagens lutam nas sombras pelo controle do dinheiro, ou seja, do IOR, mais conhecido como o Banco do Vaticano.



Em Roma, Nuzzi tem um apelido: “correio dos monsenhores e cardeais descontentes”. É preciso reconhecer que suas informações são sólidas. Em seu livro precedente, Vaticano SPA, Nuzzi desnudou o lado mais obscuro das finanças vaticanas. Agora foi mais longe. Os Vatileaks que tornou públicos provocaram a crise moral mais profunda que a igreja já conheceu. Seu resultado está na eleição de um novo papa e na renúncia de Bento XVI ao pontificado.



Carta Maior – Se buscarmos uma síntese do que foi revelado pelo caso do vazamento dos documentos privados do papa que você publicou em seu livro “Sua Santità, le carte segrete di Benedetto XVI”, como você a definiria?

Gianluigi Nuzzi – Os vatileaks mostram pela primeira vez a filigrana e a história do Vaticano não já com o enfoque espiritual do trabalho ou da mensagem do pastor que é o papa, mas sim como Estado. O Vaticano é um pequeno Estado e dentro dele há muitos poderes e muito dinheiro, conspirações, denúncias de corrupção. Os vatileaks são como uma máquina do tempo. Estas histórias sempre existiram dentro do Vaticano, mas hoje temos uma fotografia nítida, uma reconstrução documentada. Até agora, a informação que emanava do Vaticano estava sempre muito controlada com um tipo de ideia que encontramos nos Evangelhos. Os Evangelhos observam que “o que se diz ao ouvido se predica em segredo”. Este livro sobre os vatileaks provocou uma ruptura com o passado.



CM – Quando se mergulha em seu livro e no conjunto dos vatileaks fica a sensação de que houve e há uma guerra entre a fé, o poder e o dinheiro.

GN – Sim, pode-se dizer isso. Joseph Ratzinger falava da ambição do poder e do carreirismo, do individualismo. Ratzinger foi um grande pastor que assumiu o desafio de reformar a cúria romana e mudá-la.



CM – Mas, resumindo a questão, a grande ruptura que atravessa todo o escândalo que desembocou na renúncia do papa é o dinheiro e, particularmente, todos os assuntos ligados a OIR, o chamado Banco do Vaticano. O controle dessa instituição deu lugar a uma guerra de alta intensidade entre vários bandos da cúria romana. O Vaticano parece uma espécie de paraíso fiscal oculto.

GN – Esta é uma parte da história. Falta muito para que o IOR, o Banco do Vaticano, responda aos critérios de transparência da União Europeia. Mas, efetivamente, houve um confronto muito forte em torno do controle e dos mecanismos de transparência desse banco. Seus atores foram Gotti Tedeschi, o ex-presidente do Vaticano partidário da transparência, e o Secretário de Estado, Monsenhor Bertone, partidário da opacidade. Tedeschi assumiu como sua a missão que o papa encomendou par limpar as contas do banco, mas foi impedido de levá-la adiante.



CM – Monsenhor Bertone emerge como o grande vilão dessa história. O Secretário de Estado é, segundo suas revelações, um operador que desfaz o que o papa faz. Que setor ele representa?

GN – Bertone é um salesiano e é o primeiro Secretário de Estado que não vem da escola diplomática do Vaticano. Bertone reuniu contra si uma enorme quantidade de críticas e controvérsias. De fato, ele defendeu seus próprios interesses e nada mais. É um homem que colocou seus aliados em todos os postos chave da economia do Vaticano. Muitos o acusam de ser o centro das conspirações e das operações de lavagem de dinheiro.



CM – Você revela questões delicadas como, por exemplo, a existência no Banco do vaticano de contas sem nome e outras sutilezas desse tipo.

GN – Bom, isso não é novo. Na década de 70 e de 80 houve fortes somas de dinheiro da Cosa Mostra que foram, digamos, branqueadas pelo IOR. Basta lembrar o assassinato de Roberto Calvi, em 1982. Calvi era o presidente do Banco Ambrosiano e sabia como circulava o dinheiro mafioso através do Banco do Vaticano.

Nos anos 90, o IOR criou uma espécie de rede de contas em nome de fundações flasas por trás das quais havia empresários, empreiteiros e mafiosos. A máfia se servia do Banco do Vaticano para gerir parte do dinheiro de seus assuntos políticos e industriais. O IOR esteve também implicado na história da maior comissão oculta da história da Itália, o caso do grupo Enimonte. Na verdade, funcionou uma espécie de Banco do Vaticano paralelo que serviu para limpar o dinheiro da corrupção. O problema de hoje está nestas contas que pertencem aos religiosos que emprestam seu nome para que sirvam para outras coisas.



CM – Na sua avaliação, foi a guerra financeira que precipitou a renúncia do papa?

GN – Este foi um dos elementos fundamentais ao qual se somaram outros que precipitaram essa situação. O cansaço, os problemas internos, a situação da igreja no mundo, a não implementação de uma série de decisões. Os elementos são vários e, combinados, conduziram à situação que vivemos hoje. O dinheiro não explica tudo.



Tradução: Marco Aurélio Weissheimer



EN LATINOAMÉRICA DUDAN DE LA AGENDA DEL NUEVO PAPA

18 marzo 2013, Rebelion http://www.rebelion.org (Mexico)

Fuente: http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20130316/156641508.html

Vicky Peláez, Ria Novosti


“Que siempre por señales o razones se suelen descubrir las intenciones”

(Alonso de Ercilla y Zúñiga, 1533–1594)



El humo blanco que emanó de la Capilla Sixtina, anunciando la elección del nuevo Papa, en este caso al arzobispo de Buenos Aires, jesuita Jorge Mario Bergoglio quien eligió el nombre de Francisco como expresión de humildad y sencillez que supuestamente caracterizará su pontificado, llenó de júbilo a Latinoamérica.



Sus primeros gestos y palabras revivieron una esperanza entre los creyentes sobre la posibilidad de renovación de la institución. Sin embargo, es demasiado temprano para hacer pronósticos hacia el futuro teniendo en cuenta la trayectoria de la Iglesia católica en casi dos mil años de existencia.



La historia de la Iglesia Católica ha estado ligada implícita y tácitamente con los poderes económicos, políticos y financieros de cada época para así cumplir su función ideológica – espiritual y mantener a la población disciplinada y obediente al orden establecido por la clase dominante de turno. De esta manera se ubicaba hábilmente en cada espacio y tiempo que le tocaba.



En la historia moderna es harto conocido el rol del Papa Pío XII, que lideró el Vaticano de 1939 a 1958, en la lucha contra los países llamados comunistas. Esto explica su colaboración con el régimen nazi durante la Segunda Guerra Mundial y simultáneamente con los aliados, convirtiéndose en el Papa de la Guerra Fría al finalizar la guerra.

En el año 1948 Pío XII anunció que cualquier católico italiano que apoyara a los candidatos comunistas en las elecciones parlamentarias de ese año, sería excomulgado e instó a Azione Cattolica para que apoyara al Partido Demócrata Cristiano creado financiado por los norteamericanos en los primeros años de postguerra.



Su sucesor Juan XXIII llamado “el Papa Bueno” tuvo que contestar a otros desafíos durante su papado que duró de 1958 a 1963. Era la época del despertar del Tercer Mundo cuyo resultado fue el surgimiento de un fuerte movimiento anticolonialista en África y la diseminación de las ideas revolucionarias en América Latina inspiradas por la revolución cubana. Juan XXIII tuvo que asumir el rol de un papa transitorio, tratando de adaptar a la iglesia a las necesidades de ese tiempo. Nombró cardenales africanos y dio su propósito de no perder futuras generaciones de creyentes.



En realidad, lo que sabemos ahora como las Organizaciones No Gubernamentales (ONG) nacieron en su papado cuando los sacerdotes y laicos, que creyeron inocentemente en la sinceridad de la Iglesia, se identificaron con los pobres y entraron a vivir en los barrios populares y los pueblos campesinos formando sindicatos y organizaciones populares.



No sabían que fue una maniobra del Vaticano de desviar el movimiento guerrillero que tomaba la fuerza. Precisamente en este período el capellán auxiliar de la Universidad Nacional de Colombia, Camilo Torres Restrepo unió el fusil y evangelio enrolándose en el movimiento guerrillero colombiano Ejército de Liberación Nacional.



El Papa Pablo VI que dirigió el Vaticano de 1963 a 1978 reabrió el Concilio de Vaticano II pero ya en condiciones del avance de la contrarrevolución y golpes de Estado en América Latina. Los jerarcas de la Iglesia Católica asumieron entonces una posición dubitativa, conciliadora y frecuentemente colaboradora con las dictaduras militares.

Los partidarios de la Teología de la Liberación fueron perseguidos por los gobiernos dictatoriales mientras la Iglesia Católica no se atrevía a pronunciarse en defensa de los derechos humanos.



El siguiente Papa Juan Pablo I tuvo solamente 33 días al cargo del papado pero ya en este corto período su frase, “Dios es padre y más aún la madre”, produjo revuelo en el Vaticano.



Murió misteriosa y repentinamente llegando al poder eclesiástico Juan Pablo II, uno de los más destacados luchadores contra el socialismo en Europa. La elección del polaco Karol Wojtyla como pontífice se debió a la importancia estratégica de la región para los que empezaron a llamarse los globalizadores.



Dio por terminada la Teología de la Liberación y silenció a sus más destacados representantes. Nadie olvida en Latinoamérica que en este tiempo, Juan Pablo II le dio la espalda a Monseñor Arnulfo Romero quien murió baleado durante la misa en El Salvador, junto a él docenas de sacerdotes y monjas que abrazaban la Teología de la Liberación en Centro América fueron muertos y desaparecidos.



El presidente de los Estados Unidos Ronald Reagan coordinó con este papa el plan del desmantelamiento del bloque socialista y suministró dinero necesario para hacerlo. El pontífice hizo alianza con los más ricos y poderosos del planeta y cerró los ojos a la corrupción y a la pedofilia que llegaron a los extremos durante su papado entre 1978 y 2005. Entre otros, todavía está presente la bendición que le dio públicamente al dictador Augusto Pinochet.



Benedicto XVI fue elegido por la jerarquía católica como un pontífice transitorio para que diera continuidad al pontificado de Juan Pablo II y para que tomara medidas necesarias para mantener el “status quo” de la iglesia, postergando la modernización y la apertura, que era el clamor de los creyentes.



No pudo cumplir con esta tarea como tampoco parar las intrigas, malversación de fondos, lavado el dinero, lujuria y el abuso sexual de los clérigos denunciado en Vatileaks.



La crisis de la Iglesia obligó a la curia romana a buscar un nuevo Papa transitorio para dar una imagen de austeridad y humildad en la institución católica.



La designación del cardenal argentino Jorge Bergoglio como el Papa Francisco también es una necesidad del Vaticano, parte del poder mundial globalizado, para solidificar su posición en América Latina que cada año está adquiriendo una mayor importancia estratégica en el planeta.



Y no se trata solamente de sus abundantes recursos naturales y su capacidad de tomar medidas para no contagiarse de la crisis que está sumergiendo en la desesperación a la Unión Europea y a los Estados Unidos, sino de sus procesos de integración y transformaciones sociales y económicas que hacen peligrar el actual Orden Mundial Globalizado establecido por las transnacionales.



La Iglesia católica, igual como la única superpotencia en el mundo, ha descuidado a Latinoamérica donde está creciendo cada vez más la simpatía y el apoyo al proyecto del Socialismo del Siglo XXI como alternativa al neoliberalismo impuesto por los globalizadores iluminados. Ahora llegó el momento para hacer todo lo posible y parar este proceso, les es urgente hacer retornar a las ovejas descarriadas del ALBA, UNASUR y CELAC hacia su antiguo amo que está añorando recuperar el poder sobre su “patio trasero” perdido.



Un Papa jesuita es ideal para esta misión. Durante el pontificado de Juan Pablo II y del Benedicto XVI, el Vaticano fue dominado por el poder financiero del Opus Dei que sin embargo no tuvo el poder político internacional de la Compañía de Jesús.



En los Estados Unidos, varios directores de la CIA y del Departamento de Defensa han sido jesuitas: William Casey (director de la CIA 1981-1987), Robert Gates (CIA 1991-1993, Secretario de Defensa 2006-2011), George Tenet (CIA 1997-2004), Leon Panetta (CIA 2009-2011, Secretario de Defensa 2011-2013), John Brennan- el actual director de la CIA. En realidad esta lista podría ser infinita pero esto pertenece a otro tema.



Lo que nos interesa es hacia donde irá en su gestión el Papa Francisco. Es considerado como un sacerdote serio, austero y humilde. Ha vivido siempre en un modesto departamento, el mismo cocinaba su comida, tomaba el transporte público en Buenos Aires. Lavaba pies a los leprosos y a los enfermos de la SIDA. También hablaba de la necesidad de poner fin a la pobreza, pero al mismo tiempo no escatimó sus esfuerzos para oponerse a los programas sociales progresistas de los presidentes Néstor Kirchner y Cristina Fernández pero al mismo tiempo defendió ardorosamente las reformas neoliberales de Carlos Menem que llevaron al país a un colapso económico.



Retornando al pasado, el archivo fotográfico lo muestra junto con el ex presidente Rafael Videla durante la dictadura militar (1976-1983) dándole comunión al hombre acusado en desaparición de 30,000 personas. El periodista argentino Horacio Verbitsky pone en duda en su libro “La mano izquierda de Dios. La última dictadura (1976-1983)” las actuales declaraciones de Francisco sobre su desconocimiento sobre la represión durante la dictadura militar.



El sacerdote Bergoglio fue acusado inclusive de ser colaboracionista de la represión militar a los sacerdotes Orlando Yorio y Francisco Jalics quienes le imputan haberlos entregado a los militares así como la desaparición de varios catequistas que trabajaban en la villa miseria de Flores en 1976. Debido a esta denuncia el cardenal fue llamado a declarar en la “Causa ESMA” ante el Tribunal Federal № 5. Yorio y Jalics sostienen que Bergoglio les quitó la protección de la Compañía de Jesús al negarse ellos su orden de abandonar el trabajo social. Los dos fueron secuestrados en 1976 al perder el apoyo eclesiástico y fueron torturados en la ESMA durante seis meses. Posteriormente les drogaron y dejaron en un descampado en afueras de Buenos Aires. Los dos lograron sobrevivir su martirio pero nunca perdonaron al provincial de la Compañía de Jesús su traición.



Las Madres de la Plaza Mayo, organización que luchó durante décadas para dar con el paradero de miles de desaparecidos, pidiendo ayuda entre otras muchas a la iglesia, declararon hace unos días que para ellas era difícil aceptar que un “hombre de esa naturaleza este sentado en la silla papal”.



Por supuesto, todos estos antecedentes del Papa Francisco, de modales finos y de actuar duro contra sus adversarios serán ignorados y tapados por los medios globalizados de comunicación pero quedarán sin duda alguna en la conciencia de la curia romana y en la del pontífice que es de acuerdo a Víctor Hugo, “la presencia de Dios en el hombre” y que es a la vez testigo, fiscal y juez.





O JORNAL QUE INCOMODA FARDAS E BATINAS

16 março 2013, Carta Maior.http://www.cartamaior.com.br (Brasil)



Na manhã seguinte ao anúncio de um Papa argentino, o jornal ‘Página 12’ sacudiu Buenos Aires com a manchete: ‘!Dios, Mio!’



Na 6ª feira, dois dias depois, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como ‘acusações caluniosas e difamatórias’ envolvendo o passado do Sumo Pontífice.



Em seguida atribui-as a ‘elementos da esquerda anticlerical’.



Alvo: o ‘Página 12’ .



Com ele, seu diretor, o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.



A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o ‘Página 12’ como ‘de esquerda’ – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.



Mas erra esfericamente ao espetá-lo como ‘anticlerical’.



O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio.



Fundado ao final da ditadura, em maio de 1987, o ‘Página 12’ é reconhecido como o grande ponto de encontro da luta pelo direito à memória na Argentina.



Não foi algo premeditado.



No crepúsculo da ditadura militar, um grupo de jornalistas de esquerda vislumbrou a oportunidade de criar um veículo enxuto, no máximo 12 páginas (daí o nome), mas dotado de densa capacidade analítica.



E, sobretudo, radicalmente comprometido com a redemocratização e com os seus desafios.



A receita das 12 páginas baseava-se num cálculo curioso.



Era o máximo que se conseguiria produzir com qualidade naquele momento; e o suficiente para a sociedade reaprender a refletir sobre ela mesma.



A fidelidade a essa diretriz (hoje o total de páginas cresceu e a edição digital tem mais de 500 mil acessos/dia) levou-o, naturalmente, a investigar os crimes da ditadura.



Seu jornalismo tornou-se um acelerador da transição que os interesses favorecidos pelo regime militar gostariam de maquiar.



Não apenas interesses econômicos.



Lá, como cá, existe um núcleo de poderosas empresas de comunicação, alvo agora da ‘Ley de Medios’, no caso da Argentina, que, por interesse financeiro, identidade ideológica ou simples covardia integrou-se ao aparato repressivo.



Usufruiu e desfruta vantagens dessa intimidade. Até hoje. O quase monopólio das comunicações é uma delas – combatida agora pelo governo de lá.



Naturalmente, a pauta dos direitos humanos dispunha de um espaço acanhado e ambíguo nessa engrenagem.



Não por falta de familiaridade com o assunto.



Mais de uma centena de jornalistas foram presos e muitos desapareceram na ditadura argentina.



A principal fábrica de papel de imprensa do país foi praticamente expropriada de seus donos.



Eles estavam presos, foram torturados. E então a transferência de propriedade se deu.



A sociedade compradora tinha como participantes o próprio governo militar e os principais jornais apoiadores do regime. Entre eles o ‘El Clarín’, de oposição frontal ao governo Cristina, atualmente.



O ‘Página 12’ não se deteve diante das conveniências. E vasculhou esses impérios sombrios.



Fez o equivalente em relação aos direitos humanos em outros países. Não raro, com a mesma mordacidade que incomoda agora o Vaticano.



Quando Pinochet morreu em 2006, a manchete indagava: ‘Que terá feito o inferno para merecer isso?’



A condenação do ditador Videla à prisão perpétua, em 2010, mereceu letras garrafais: ‘Deus existe!’



Foi com essa ironia, debochada, às vezes, mas sempre intransigente em defesa dos direitos humano, que o ‘Página 12’ tornou-se um espaço apropriado pelos familiares dos desaparecidos políticos.



Por solicitação de Estela Carlotto, atual dirigente das Abuelas de Plaza de Mayo, passou a publicar, desde 1988, pequenas atualizações da trajetória familiar de vítimas da ditadura.



Os anúncios sugerem uma espécie de prosseguimento da vida dos que foram precoce e violentamente apartados dela.



Filhos que perderam os pais ainda crianças, mencionam os netos que esses avós jamais viram; avós falam dos bisnetos.



O efeito é tocante. Ao se deparar com a foto de um jovem desaparecido, sabe-se que hoje ele poderia estar brincando com os netinhos, filhos dos filho que agora tem a idade com a qual ele morreu.



Em 2007, o ‘Página 12’ recebeu na Espanha o prêmio da Liberdade de Imprensa, instituído pela Casa da América, junto com a Chancelaria espanhola e o governo da Catalunha.



Motivo: a seriedade na defesa dos direitos humanos e o compromisso com o rigor da informação, requisito da liberdade de expressão.



No momento em que pairam sombras sobre o Vaticano, o que deve fazer essa cepa de jornalismo?



O ‘Página 12’ faz o que, em geral, desagrada aos poderes terrenos e celestiais: investiga, pergunta, rememora.



Ao contrário do que sugere o porta-voz da Santa Sé, não se trata de um cacoete anticlerical.



O assunto extravasa o campo religioso e envolve uma questão de interesse político de toda a sociedade.



Trata-se de uma responsabilidade ecumênica e universal, da qual o ‘Página 12’ não abre mão: o dever de todos, sobretudo das autoridades, de zelar e fazer respeitar os direitos humanos e democráticos dos cidadãos.



Sob quaisquer circunstancias; mas principalmente quando são ameaçados. Como na ditadura dos anos 70/80.



Há dúvidas se o passado do cardeal Mario Jorge Bergoglio nesse campo honra o manto santo que agora envolve Francisco, o desenvolto sucessor do atormentado Bento XVI.



As dúvidas estão marmorizadas em um lusco-fusco de pejo, silêncios e versões contrastantes.



É preciso esclarecer.



Há nomes, testemunhos, relatos, datas e um cenário dantesco: os anos de chumbo vividos pela sociedade argentina, entre 1976 e 1983.



O país do então líder dos jesuítas, Mario Jorge Bergoglio, vivia o inferno na terra, sob a ação genocida de uma ditadura cujos atos confirmam a indiferença aterrorizante dos aparatos clandestinos em relação à vida e à dor.



O que se ouve ainda arrepia.



A mesma sensação inspira o rosto endurecido e gasto dos líderes militares, julgados e condenados. Um a um; em grande parte, graças a pressão inquebrantável das denúncias e investigações ecoadas nas edições do 'Página 12'



Em sete anos, o aparato militar montou e azeitou uma máquina de torturar, matar e eclipsar corpos que operou de forma infatigável.



Nessa moenda 30 mil pessoas foram liquidadas ou desapareceram.



Mais de 4 mil e duzentos corpos por ano.



Filhos de militantes de esquerda foram sequestrados, entregues a famílias simpáticas ao regime.



Muitos permanecem nesse limbo.



No dia em que a ‘fumata bianca’ do Vaticano anunciou o ‘habemus papam’ e em seguida emergiu a figura do cardeal argentino, no balcão do Vaticano, Graciela Yorio esmurrou as paredes de seu apartamento, a 11.200 quilômetros de distancia, em Buenos Aires.



O relato está nos jornais argentinos e também na Folha de São Paulo.



A revolta deve-se a uma certeza guardada há 36 anos na memória dessa sexagenária.



Em maio de 1976, seu irmão, padre Orlando Yorio, foi delatado à ditadura sedenta e recém-instalada.



Juntamente com o sacerdote Francisco Jalics, este vivo, na Alemanha— Yorio ficou cinco meses nas mãos dos militares.



Incomunicáveis, na temível Escola Mecânica da Marinha, adaptada para ser a máquina de moer ossos do regime.



O delator dos dois religiosos teria sido o cardeal Bergoglio -- o Papa, então com cerca de 40 anos, líder conservador dos jesuítas argentinos.



Essa é a convicção de Graciela, baseada no que ouviu do irmão, falecido em 2000, militante da Teologia da Libertação, como Jalics.



Jalics não se pronunciou. Alegando viagem, emitiu uma nota na Alemanha em que se diz em paz e reconciliado com Bergoglio.

A nota compassiva não nega a dor que leva Graciela ainda a esmurrar paredes.



A estupefação tampouco é apenas dela.



Ainda que setores progressistas argentinos optem por uma certa moderação em público, muitas vozes não se calam.



Estela Carlotto, a dirigente das Abuelas de Mayo, em entrevista ao ‘Página 12’ deste sábado, procura manter a objetividade num relato que adiciona mais nuvens às sombras.



Carlotto afirma que o Cardeal Bergoglio nunca fez um gesto de solidariedade para ajudar a luta mundialmente reconhecida das mães e avós de desaparecidos políticos argentinos.



Poderia, mas não facilitou a reunião do grupo com o Papa. Ao contrário.



O primeiro encontro, em 1980, no Brasil, só aconteceu por interferência de religiosos brasileiros.



As abuelas só seriam recebidas em Roma três anos mais tarde; de novo, graças a contatos alheios ao cardeal Bergoglio.



Prossegue Estela Carlotto.



O cardeal teria sido conivente com o sequestro de pelo menos uma criança nascida na prisão.



Procurado por familiares da desaparecida política, Elena de la Quadra, teria aconselhado: ‘Não busquem mais por essa criança que está em boas mãos’.



E desfechou sentença equivalente em relação às demais.



O ‘Jornal Página 12’ tem sido o principal eco desses relatos e dessa revolta, que muitos relativizam e gostariam de esquecer.



O que o jornal faz ao investigar as dúvidas que pairam sobre Francisco é coerente com o 'manual de redação' sedimentado na prática da democracia argentina nesses 25 anos de existência: não sacrificar a memória ao conforto das conveniências.



Pode soar anticlerical a setores da Igreja que gostariam de esquecer o que já se cometeu neste mundo, em nome de Deus.



Mas é um reducionismo improcedente, que se dissolve na trajetória reconhecidamente qualificada do 'Página 12'.



Na Argentina, graças à persistência de vozes como a de seus jornalistas, a memória deixou de ser o espaço da formalidade.



Hoje ela é vista como um pedaço do futuro. Um mirante poderoso para se entender o presente e superar as forças, e a lógica, que esmagaram a sociedade no passado.

Carta Maior orgulha-se de ser parceira do jornalismo criterioso e corajoso de ‘Página 12’ no Brasil.

terça-feira, 19 de março de 2013

Vaticano/UM FRANCISCO SERVIDOR DA REPRESSÃO?


14 março 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

O papel do cardeal Bergoglio no desaparecimento de religiosos foi confirmado por cinco testemunhas, há três anos, em depoimento ao jornalista Horácio Verbitsky, do jornal ‘Página 12’, de Buenos Aires. O novo Papa é acusado de ter retirado a proteção a sacerdotes procurados pela repressão militar. Ao comentar sobre o novo pontífice, a presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, foi lacônica: "Só temos que dizer: Amém". Por Dermi Azevedo

Dermi Azevedo

A Igreja Católica da Argentina "nunca se interessou" pela situação de 150 sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos católicos assassinados pela ditadura militar desse país. "Pelo contrário: ficou calada e nunca reclamou por eles", disse quarta-feira (13), na Itália, a presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini. Sobre a escolha do novo pontífice, foi lacônica: "Sobre esse Papa, só temos que dizer: Amém".
O papel do cardeal Bergoglio no desaparecimento de religiosos foi confirmado por cinco testemunhas, há três anos, em depoimento ao jornalista Horácio Verbitsky, do jornal ‘Página 12’, de Buenos Aires. O novo Papa é acusado de ter retirado a proteção a sacerdotes procurados pela repressão militar: uma teóloga professora de catequese na diocese de Morón, o ex-superior de uma casa de padres, além de três vítimas da tortura (dois leigos e um sacerdote).
Dois meses após o golpe militar de 1976, o bispo de Morón, Miguel Raspanti, tentou proteger os padres Orlando Yorio y Francisco Jalics, e foi desautorizado por Bergoglio. Outro testemunho é o do padre Alejandro Dausa, que foi sequestrado em Córdoba, quando era seminarista; sofreu torturas durante seis meses. Dausa diz ter ouvido de Yorio e de Jalics que foram entregues à repressão pelo novo Papa.
Um relatório sobre esses crimes contra a humanidade foi encaminhado, à época, à Conferência Episcopal Argentina e permanece, até hoje, sem qualquer resposta. Essa denúncia denota o sentimento de perplexidade que domina os militantes de direitos humanos na Argentina, no Brasil e em todo o mundo, diante da eleição do cardeal portenho para o Pontificado Romano.
Sem resposta também se encontra, até agora, a carta que o advogado católico e líder dos direitos humanos Emilio Fermín Mignone (pai da jovem Mônica Maria Candelária, desaparecida política) encaminhou à direção da conferência dos bispos, que participava de um almoço em Buenos Aires, com um dos principais chefes da ditadura, general Jorge Rafael Videla.

Na carta, entregue a um dos bispos por um portador, Mignone critica os bispos pelo segredo e afirma que "o Povo de Deus deve ser bem informado". Como informa Horácio Verbitsky, do jornal ‘Página 12’, da Argentina, Videla confessou à Igreja Católica, em 1978, o que veio a público somente 34 anos depois: os presos desaparecidos foram todos assassinados
Compensação
Essas denúncias que envolvem o novo papa o acompanharão aonde for. Por isso, comenta-se no Vaticano que Francisco poderá decidir beatificar alguns dos padres mortos pela repressão argentina. Essa seria, para alguns assessores do papa, uma saída conveniente para tentar acalmar os familiares das vítimas do genocídio cometido pelos golpistas no país vizinho.

domingo, 17 de março de 2013

Vaticano/FRANCISCO I VEM DISPUTAR O CONSENSO SOCIAL

13 março 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Julio C. Gambina*

A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder económico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a considerar em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização uma vez que esta civilização contemporânea está ordenada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.

Quando o sistema mundial era desafiado pelo avanço dos povos e pelo socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu-se caminho a teologia da libertação, em aberta confrontação com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim, a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do Sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar este rumo que abria passagem entre os padres de base e permitiu um grande debate mundial no seio da Igreja.

Os rumos da ofensiva popular batiam à porta da instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhando a ofensiva capitalista para recuperar o poder do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 contra o socialismo e os povos, abrindo o caminho ao poder reaccionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.

Há 40 anos o neoliberalismo foi ensaiado em nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para a seguir estender-se por toda a orbe. A Igreja da Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a ditadura genocida nesse parto neoliberal, ainda que agora fale contra a pobreza e a ética.

Um PAPA polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o próprio carácter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Leste da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Leste da Europa, já abandonado o projecto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o rumo unipolar do capitalismo, transnacional e neoliberal.

O rumo unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou pelos processos específicos que emergem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.

Com a morte de Chávez e milhões mobilizados para constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança à arena o símbolo de um chefe da Igreja nascido no Sul e compenetrado com o projecto do Norte.

O PAPA argentino, Francisco I, vem cumprir o projecto do poder mundial para disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não só se trata de sustentar posições contrárias ao matrimónio igualitário, ou contra o aborto, amplamente difundidas pelo bispo Bergoglio, como de gestar uma consciência de disciplinamento para com a ordem contemporânea, reaccionária, de dominação transnacional.

Nossa América é hoje laboratório de mudança política. A Igreja instituição quer intervir neste processo – não para pressionar essas mudanças e sim para travá-las. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de ideias, pela mudança, ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de estender o rumo socialista. Necessitam disputar o consenso.

Mas, apesar das tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, incluída a igreja dos pobres, o movimento religioso popular, persiste na busca pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bom viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.

O PAPA Francisco I vem com a sua. Nós os povos devemos continuar nossa busca e experimentação em favor de uma nova sociedade, por outro mundo possível, esse que se constrói na luta contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.

Ver também:
juicioesma.blogspot.pt/2010/11/el-cardenal-bergoglio-que-tanto-sabe.html
www.infoeducasares.com.ar/?p=1223
www.taringa.net/...

* Presidente da Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas, FISYP .
O original encontra-se em http://www.argenpress.info/2013/03/francisco-i-viene-disputar-consenso.html



FRANCISCO E OS PASSARINHOS...


15 março 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Charge de Aroeira no Facebook




Vaticano/UMA MULTINACIONAL

14 março 2013, Avante! http://www.avante.pt (Portugal)

Filipe Diniz

Toda a gente opina sobre a questão do novo Papa. Para quem está de fora, suscita uma certa perplexidade que a generalidade das opiniões seja acerca de questões que não pareceriam propriamente ser do foro de uma instituição religiosa: actividades bancárias obscuras, escândalos de diverso tipo, intrigalhada de todo o género.

É tal a predominância desses temas que os textos mais interessantes são aqueles que não estão com rodeios, mesmo que o façam com ironia. É o caso de um («Pope, CEO», «The Economist», 9.03.2013) que começa com o seguinte e lapidar parágrafo: «A Igreja católica romana é a mais antiga multinacional do mundo. É também, em muitos aspectos, a de maior sucesso, com 1,2 mil milhões de clientes, dezenas de milhões de voluntários, uma rede de distribuição global, um logotipo universalmente reconhecível, um polimento sem rival no lobbying e, suscitando os melhores auspícios para o futuro, uma actuação de sucesso junto dos mercados emergentes».

Para o autor do artigo esta multinacional, se tem problemas, só precisa de seguir o exemplo das outras multinacionais para os ultrapassar. Se estão a braços com escândalos, montam uma campanha de relações públicas para convencer os seus clientes e empregados de que os estão a resolver. Se há a questão das operações bancárias obscuras, é subcontratar as actividades como fazem a IBM e a Ford, em vez de ter um banco próprio («o único no mundo que tem máquinas multibanco com instruções em latim»). E se querem consolidar o sucesso nos mercados emergentes, têm que instalar quartéis-generais nos locais, como fez por exemplo a Cisco criando uma nova sede em Bangalore.

Este artigo, sob a sua inteligente ironia, coloca reflexões bem interessantes. Uma delas é como é que uma estrutura ainda profundamente formatada – segundo a observação de Gramsci – pelo papel dos eclesiásticos enquanto intelectuais orgânicos do mundo feudal, e que mantém a sua hierarquia (com os seus «príncipes») estruturada ainda sobre esse modelo, permanece a «multinacional de maior sucesso» na fase imperialista do capitalismo? A resposta talvez esteja exactamente aí: esse sucesso não resulta das suas formas organizativas, mas de uma milenar aliança histórica com as classes dominantes.


Argentina/LA SANTA ALIANZA

16 marzo 2013, Pagina12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)


El Pais (España)
Por Eduardo Febbro

Desde Ciudad del Vaticano

El Vaticano es una caja fuerte que contiene secretos planetarios, entre ellos muchos archivos con documentos clave sobre los episodios más cruentos de la dictadura argentina de 1976. La controversia entre el papa argentino, ampliada por la intervención del portavoz de la Santa Sede, Federico Lombardi, tiene casi la misma raíz que llevó el año pasado a la explosión del escándalo de los Vatileaks y a la posterior renuncia de Benedicto XVI: la santa alianza sellada en los años ’70 y ’80 entre el Vaticano y el ex presidente norteamericano Ronald Reagan. Esa colusión entre los intereses de la primera potencia mundial y los de la Santa Sede inauguró un período de casi cuatro décadas de corrupción, apoyo a dictaduras militares, financiamiento secreto de movimientos anticomunistas –Polonia con Solidaridad– y sostén ideológico de regímenes sucios. Uno de los operadores iniciales de esa “santa alianza” no es otro que el arzobispo, cardenal y diplomático Pio Laghi. Hombre de siniestras referencias, Laghi fue nuncio apostólico en la Argentina entre 1974 y 1980, o sea, en plena dictadura. Sus actividades en el país están marcadas por el sello de la acusación de haber colaborado a sabiendas con la dictadura de Videla y compañía. En 1997, Pio Laghi fue denunciado ante la Justicia italiana por las Madres de Plaza de Mayo en su calidad de cómplice en la desaparición de opositores durante la dictadura.

Sobre el papel de Laghi hay muchas versiones, pruebas y contrapruebas, personas decentes que lo defienden y otras que lo incriminan. El 27 de abril de 1995 Laghi declaró: “¿Cómo podía saber que estaba tratando con monstruos capaces de arrojar personas desde un avión y otras atrocidades similares? Se me acusa del espantoso delito de omisión, miedo o denuncia cuando mi único pecado era la ignorancia de lo que verdaderamente estaba pasando”. Sin embargo, no es únicamente su paso por la Argentina y lo que hizo o no hizo para ayudar a los perseguidos Pio Laghi sino, también, lo que construyó después: Pio Laghi es el arquitecto del acercamiento entre Washington y el Vaticano con el único propósito de combatir un enemigo común: la Teología de la Liberación. En 1980, Juan Pablo II nombró a Pio Laghi delegado apostólico en los Estados Unidos y luego pro nuncio. Laghi se encargó de remodelar el Episcopado apoyándose en los obispos fieles a al línea del papa polaco y también de iniciar la purga de los partidarios de la Teología de la Liberación.

Es un rompecabezas encontrar en Roma un religioso con nombre y apellido que hable sobre lo que subyace en los actos de Pio Laghi. Bajo el anonimato, algunos, ya muy ancianos, describen a Laghi como “el hombre orquesta del silencio”. Silencio quiere decir concretamente el hombre que organizó la protección global de los actos de la Iglesia durante la dictadura mediante la confiscación de documentos, es decir, archivos. Es la existencia de esos archivos la que le valió a Jorge Bergoglio ser citado a declarar como “testigo” por la magistrada francesa Sylvia Caillard. Esta abogada del Tribunal de Gran Instancia de París envió en 2011 una Comisión Rogatoria a Buenos Aires para que Bergoglio declarara sobre la posible existencia de archivos capaces de elucidar el asesinato del sacerdote francés Gabriel Longueville. Para muchos especialistas de la diplomacia vaticana, la Nunciatura de Buenos Aires jugó un papel central en el ocultamiento de los documentos relativos a la desaparición de personas. Horacio Verbitsky ya reveló cómo la Conferencia Episcopal de Argentina había informado al Vaticano que los desaparecidos eran exterminados por la Junta Militar. El documento secreto que la Conferencia Episcopal Argentina envió al papa Pablo VI da cuenta de un encuentro entre los obispos Raúl Primatesta, Juan Carlos Aramburu y Vicente Zazpe y el general Videla. La conversación tuvo lugar en abril de 1978. Videla fue claro al decir que los “desaparecidos ya están muertos”. El obispo Primatesta le dijo al dictador: “La Iglesia quiere comprender, cooperar, es consciente del estado caótico en que estaba el país” y también es consciente “del daño que se le puede hacer al gobierno con referencia al bien común si no se guarda la debida altura”. El Vaticano tiene en su poder documentos con infinitas memorias del horror. No sería inoportuno que abriera esas arcas para que no haya tantos asesinos impunes y tantas dudas sobre lo que hicieron o no los representantes de la Santa Sede en los países sometidos a la represión.

Argentina/PAPAS

16 marzo 2013, Pagina12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)
Por Luis Bruschtein
Hay algo desproporcionado en tener un papa argentino, es algo que impresiona y no deja de sorprender. Y también es desproporcionada la conferencia de prensa del Vaticano contra Página/12. Todo parece llevado a una escala casi galáctica. Federico Lombardi, el portavoz papal, apuntó contra una “izquierda anticlerical” por las acusaciones contra el papa Francisco por su actuación durante la dictadura, que se publicaron en Página/12 a partir de una investigación de Horacio Verbitsky y agregó algunos comentarios más sobre “medios especializados en campañas difamatorias” o en “acusaciones poco creíbles”.

En realidad, no se trata de una izquierda anticlerical –seguramente en el diario habrá más de uno–, sino de dos sacerdotes jesuitas que fueron secuestrados y torturados durante la dictadura, y ya en democracia hicieron esas denuncias, a las que se sumaron los familiares de otros laicos, militantes cristianos, que fueron secuestrados en esa oportunidad, la mayoría de los cuales continúan desaparecidos.

En un sentido riguroso, más que de complicidad, los testimonios hablan de omisión, de cerrar los ojos, o de retirar la protección de la Iglesia a los secuestrados en esa oportunidad, acusados de integrar las organizaciones guerrilleras. En contrapartida, hay otras declaraciones que reivindican la actitud de Bergoglio durante la dictadura, protegiendo a fugitivos y ayudando a escapar a otros. Estos testimonios tienen la misma veracidad que los otros y no son contradictorios entre sí.

Claro que el fiel de esa balanza termina por inclinarse durante los años en que fue arzobispo de Buenos Aires y cardenal primado de la Argentina, cuando prefirió no reunirse ni convocar a los organismos de derechos humanos y, por el contrario, abrir uno de los conflictos más duros del gobierno kirchnerista con el obispo castrense Antonio Baseotto, defensor de secuestradores y represores de la dictadura. Los derechos humanos se convirtieron en una temática central en la transición hacia una democracia plena y, bajo su báculo, la Iglesia argentina no tuvo ningún gesto importante en ese sentido.

En todo caso, la actuación del entonces jefe de los jesuitas, Jorge Bergoglio, se encuadró en la actitud de toda la cúpula de la Iglesia, en este caso sí de complicidad con los jefes militares, al aceptar calladamente la práctica de horror y exterminio que estaban llevando a cabo. Esa política los llevó incluso a aceptar el asesinato de uno de sus hermanos, el obispo Enrique Angelelli, y presumiblemente también del entonces obispo de San Nicolás, Carlos Ponce de León.

Todas estas situaciones fueron publicadas por Página/12 y afirmar que se trata de una “campaña de desprestigio” orquestada por “una izquierda anticlerical” constituye una pobre defensa. No se trata de un argumento sostenido con pruebas que puedan demostrar que no ocurrieron los hechos cuyo relato les ofende. Después de la dictadura, la Iglesia argentina quedó “en capilla”, como se suele decir.

Cualquier hecho relacionado con la Argentina de los últimos cuarenta años está indefectiblemente atravesado por los derechos humanos. No era tan fácil advertirlo a la salida de la dictadura. Es probable que los que asumieron esa importancia, lo hicieron más por sensibilidad que por una visión a largo plazo. La Iglesia como estructura no tuvo esa sensibilidad y reaccionó más con cola de paja que como Iglesia. Ese lugar, desde los católicos fue entonces ocupado en parte por laicos como Augusto Conte y Emilio Mignone entre otros, e incluso por algunos obispos como Jorge Novak, Jaime de Nevares y Esteban Hessayne, que eran permanentemente hostigados por las altas jerarquías. Estos obispos ya fallecidos no fueron reemplazados por otros altos prelados en su importante lugar en los derechos humanos. Ese espacio tampoco lo ocupó Bergoglio ni alentó a ningún otro obispo a que lo hiciera durante todos los años que estuvo al frente de la Iglesia argentina.

Los organismos defensores de los derechos humanos en Argentina, que han sido tan importantes desde el punto de vista espiritual y simbólico para la construcción democrática, apenas han tenido relación con Bergoglio. Esa relación era prácticamente imposible en la medida en que no hubiera una visión autocrítica de lo actuado en la dictadura y se mantuviera la protección sobre curas como Christian Von Wernich, que participó en interrogatorios a prisioneros que después fueron exterminados. Von Wernich fue condenado por la Justicia, pero la Iglesia encabezada por Bergoglio nunca tomó una medida de castigo.

En ese sentido no ha sido la decisión más feliz del nuevo papa Francisco encarar su relación con los derechos humanos como jefe de la Iglesia con esta desmentida pobre, que además no desmiente nada sino que agrede al mensajero, al medio que publicó una información que no estaba oculta, sino que ningún otro quiso publicar. Estaríamos fritos si hablar de los derechos humanos fuera solamente una prerrogativa de sectores de izquierda anticlerical. Desde el punto de vista del desarrollo histórico de este país, los derechos humanos pasaron a tener una importancia fundamental y les fue mal a los que intentaron negar esta realidad, en especial a la Iglesia argentina, que tendría que haber ocupado el mismo lugar que ocupó la Iglesia de Chile en este aspecto. Si fue un error, nunca es tarde para subsanarlo.

La conferencia de prensa del sacerdote Federico Lombardi descalificando a este medio pareció desmesurada y hasta poco meditada. Aquí en Argentina, otros periodistas y medios más poderosos que Página/12 se han victimizado y rasgado las vestiduras por el supuesto atentado a la libertad de prensa cuando la presidenta Cristina Fernández criticó alguna de sus publicaciones. Página/12 ha polemizado con otros presidentes, como lo puede hacer ahora sin necesidad de victimizarse. Solamente hizo una denuncia de ese tipo cuando se amenazó o se tomaron medidas concretas contra el diario.

Un papa argentino tiene una proyección insondable para Argentina. Es muy difícil predecir cualquier consecuencia, porque la escala está sobredimensionada. Y mucho tendrá que ver la forma en que el papa Francisco encare el mundo desde ese lugar tan difícil de líder espiritual de 1200 millones de personas. Siempre fue vertical, de absoluta disciplina hacia la jerarquía en una organización que viene de dos reinados muy conservadores y derechistas, como los de Juan Pablo II y Benedicto XVI, que representaron la globalización y la hegemonía del neoliberalismo en el planeta. Su lealtad a esa estructura de poder definió su cuestionada actitud con la dictadura. Pero la herencia que recibe ahora de los dos papas anteriores es un Vaticano envuelto en escándalos financieros y de corrupción, y con innumerables denuncias por hechos de pedofilia. Mientras Juan Pablo II y Benedicto XVI se encargaban de perseguir y desplazar a los obispos progresistas, se fueron creando esos nichos de corrupción que impregnan a la curia vaticana. Esto no lo dice la izquierda anticlerical sino que se comenta en todos los corrillos de Roma. Se dice incluso que el Vaticano necesitaba un hombre con la austeridad, la astucia y el carácter de Bergoglio para limpiar estas vergüenzas. A Francisco le toca un mundo diferente del que vivieron Juan Pablo II y Benedicto XVI. El cardenal Bergoglio fue parte de la visión del mundo que expresaron esos dos papas. Francisco tiene la posibilidad, y hasta se diría que la obligación, de dar su propia versión si quiere rescatar al Vaticano de su crisis. Pero la desmentida de ayer lo pone más en el camino agotado de sus antecesores.



Argentina/Novo papa já foi acusado de cumplicidade com crimes da ditadura argentina

13 março 2013, Opera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)

Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes
Recém-eleito papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio é acusado de ter sido cúmplice de crimes cometidos pela ditadura cívico-militar de seu país (1976-1983). Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a ser convocado para testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes durante os anos de terrorismo de Estado.



De acordo com a Associação Mães da Praça de Maio, Bergoglio foi "cúmplice da ditadura". O cardeal é acusado de facilitar o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio, versão corroborada pelo jornalista Horacio Verbistky, autor de diversos livros sobre o assunto. “[Ele] era chefe da Companhia de Jesus, às quais eles pertenciam, mas em vez de protegê-los, lhes tirou a proteção eclesiástica e poucos dias depois foram sequestrados”.



“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, continuou o jornalista, em entrevista de 2010 à televisão pública argentina, afirmando que a informação estava documentada na chancelaria argentina.



Em 2011, durante as audiências do processo sobre o plano sistemático de roubo de bebês - nascidos em prisões clandestinas, durante a ditadura, e adotados ilegalmente por outras famílias, em sua maioria próximas a autoridades militares –, Bergoglio chegou a ser citado para declarar, após testemunhas apontarem que ele estava ciente deste tipo de crime.



“Como é que o Bergoglio diz que só sabe do roubo de bebês há 10 anos?”, questionou em uma audiência Estela de la Cuadra, que apresentou ao tribunal cartas de seu pai ao arcebispo, agora papa, nos quais pedia que este intercedesse na procura por sua filha desaparecida, e de sua neta, que nasceu em um centro clandestino de prisão e tortura da ditadura.

Segundo o depoimento de Alicia De la Cuadra, primeira presidente da Associação Avós da Praça de Maio, durante a busca por sua neta, Bergoglio teria dado a ela uma carta na qual dizia que o bispo argentino Mario Piqui intercederia no caso. Após o contato com autoridades policiais, no entanto, o bispo teria afirmado que a criança estava vivendo com um "bom casal” e que a suposta adoção já não tinha “volta atrás”.



Além dos indícios de que sabia do esquema de roubo e apropriação ilegal de menores, Bergoglio deveria declarar acerca do sequestro de religiosos durante a repressão. Segundo a imprensa local, em depoimento de cerca de quatro horas, o cardeal afirmou que se reuniu com integrantes da Junta Militar que governava o país - Jorge Rafael Videla e Emilio Eduardo Massera - para pedir a libertação dos sacerdotes.



Em entrevista à televisão pública argentina, no entanto, o jornalista Verbitsky afirma que na audiência ante os tribunais, Bergoglio negou informações concedidas a ele em uma entrevista.



Segundo a reportagem, o novo papa deu ao jornalista detalhes sobre uma ilha chamada El Silencio, no delta do Rio Tigre, que teria sido vendida em 1979 pelo episcopado argentino para a Marinha, com o objetivo de servir como centro clandestino de prisão. “[Ele] negou [perantes os juízes] fatos que eu tenho claramente documentados”, disse Verbistky.



Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (Esma), centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa e desaparecida María Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.



Bergoglio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

*Com informações dos jornais Página 12 e Tiempo Argentino


Argentina/ “Bergoglio fue parte del silencio cómplice de la Iglesia con la dictadura genocida”


15 marzo 2013, Fracción Trotskista-Cuarta Internacional http://www.ft-ci.org (Argentina)

por : PTS, Argentina

Declaraciones de la abogada que interrogó al Papa por el destino de los desaparecidos
(PTS, 14/03/2013) Myriam Bregman, abogada del CeProDH (Centro de Profesionales por los Derechos Humanos), del PTS y de la querella en el juicio de la ESMA (Escuela de Mecánica de la Armada), se refirió a Jorge Mario Bergoglio, recientemente elegido por el Vaticano como Papa Francisco I.

Durante uno de los juicios a los militares genocidas de la ESMA (desarrollado entre los años 2010 y 2011), Bregman representó a Patricia Walsh, hija del periodista y escritor desaparecido Rodolfo Walsh, y tuvo la oportunidad de interrogar al entonces arzobispo primado de Buenos Aires Jorge Bergoglio. Fue una de las abogadas que exigió al Tribunal que lo cite a declarar en calidad de testigo a partir de la denuncia hecha por la catequista María Elena Funes, quien lo acusó de facilitar el secuestro de los curas jesuitas Francisco Jalics y Orlando Yorio, que integraban la misma orden que Bergoglio. Sobre aquel suceso, la abogada relató:
“Contrariamente a la imagen que hoy se da de él como una persona humilde, Bergoglio no tuvo empacho en utilizar todos los privilegios que le daba su investidura, negándose a ir a declarar como cualquier persona a los Tribunales, por lo que se hizo trasladar todo el juicio a la sede de la Curia en Buenos Aires y tuvimos que hacer el interrogatorio allí mismo. Durante su declaración, el hoy Papa contestó con evasivas y contradijo lo que había dicho la testigo anterior. Trató de hacer una defensa formal de su accionar durante el período que duró el secuestro de los curas jesuitas por parte de los militares, afirmando que al enterarse que habían sido secuestrados se lo informó a sus superiores. Hizo también algunas afirmaciones muy graves, como que dos o tres días después de haberse perpetrado este secuestro él ya sabía que estaban en la ESMA. Algo que hasta el día de hoy ni muchas Madres de Plaza de Mayo saben respecto de sus hijos, a pesar de su intensa búsqueda. ¿Cómo se enteró? Relató que se entrevistó con Videla y Massera, pero bastante tiempo después. También reconoció que cuando Jalics y Yorio fueron liberados le contaron que quedaba gente secuestrada en la ESMA, y aun así hizo nada”.

Pero lo que recuerda con mayor detalles la abogada Myriam Bregman de aquel interrogatorio es cuando le preguntó sobre la apropiación bebés durante la dictadura: “Jamás olvidaré la cara que puso Bergoglio cuando le preguntamos por los niños apropiados [...]. contestó que se había enterado hace poco, hace unos diez años, o sea, en el 2000, cuando toda la sociedad sabía de la búsqueda de Abuelas de Plaza de Mayo al menos desde el año 1983, y algunos familiares de La Plata afirman que conoce el caso de Ana Libertad Baratti de La Cuadra desde 1977”.
Por último, Bregman señaló: “La actitud reticente de Bergoglio a contestar y lo acotado de sus respuestas en aquel entonces tuvo coherencia con la línea de silencio y ocultamiento adoptada por la jerarquía eclesiástica durante todos los años posteriores a la dictadura, negándose sistemáticamente a aportar archivos y documentos con que cuentan. Es parte de la política de la cúpula de la Iglesia Católica, que bendijo y colaboró directamente con la dictadura iniciada en Argentina en 1976. No me extraña que a sacerdotes como Christian Von Wernich, que están condenados por ser autores del genocidio, del plan de tortura y exterminio de la dictadura, no se los haya excomulgado y puedan seguir dando misa como cualquier otro cura. Lo mismo sucedió con el cura Grassi, condenado por abusar de niños, y por cuya expulsión la Iglesia que Bergoglio comandaba hasta ayer no movió un dedo. Nadie puede negar que el hoy Papa Francisco I encubrió a genocidas y pederastras en las filas de la Iglesia”.

Myriam Bregman: (011) 15 4170 2398
@myriambregman
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