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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sínodo: TEÓLOGO DENUNCIA QUE ‘SACERDOTES DE JUAN PABLO II’, FRENAN CAMBIOS EN LA IGLESIA

5 novembro 2015, ADITAL Agencia de Información Fray Tito para América Latina (Brasil)

Con la realización de la Asamblea General Ordinaria del Sínodo de los Obispos, a pesar de las expectativas generadas después de un largo trabajo de investigación en la comunidad católica del mundo entero, no habrá cambios teológicos profundos en la Iglesia con respecto a su concepción y a las doctrinas relacionadas a la familia. Para Héctor Torres, sociólogo, teólogo colombiano, y columnista de Adital, debemos, sin embargo, reconocer avances en el "hacer Iglesia", vivenciado por los obispos presentes en el Sínodo, concluido en el último día 25 de octubre, en el Vaticano.

"El Papa insistió y logró que los obispos perdieran el miedo de decir lo que piensan. Me llamó mucho la atención que, en las conferencias de prensa, los obispos estaban entusiasmados porque el Papa les había hecho un llamado a hablar con toda libertad. Eso ya ha producido cambios y continuará produciendo", explica Torres.

También habría quedado entre los obispos la conciencia de que el mundo cambió y la Iglesia necesita acompáñarlo. "A los padres sinodales el Papa les dijo, palabra más, palabra menos: el mundo cambió y nosotros debemos cambiar".

Para Torres, las resistencias a los cambios se producen por haber e en el seno de la Iglesia un grupo eclesial conservador muy fuerte. Sin embargo, la Iglesia respira nuevos aires, que deben generar frutos en el futuro. "Las mayores resistencias tienen que ver con

terça-feira, 28 de maio de 2013

Argentina/TRAS LAS REJAS, MURIÓ VIDELA, SOCIO DE STROESSNER



Diálogos do Sul http://www.dialogosdosul.org.br (Brasil)

Martín Almada* descubridor de los archivos secretos de la Operación Cóndor

Stella Calloni, define la Operación Cóndor como el pacto criminal entre los gobiernos militares de la década del 70 , Argentina, Brasil, Bolivia, Chile, Paraguay y Uruguay que dejó como saldo más de 100.000 víctimas en el Cono Sur. Sus víctimas fueron los dirigentes sindicales, estudiantes, profesores, periodistas ,religiosos/as, los seguidores de la Teología de la Liberación, abogados, médicos, cooperativistas, intelectuales ,es decir la clase pensante de América Latina.

El entonces Secretario norteamericano Henry Kissinger fue el cerebro del mal que dio la orden al general Augusto Pinochet de Chile de limpiar el aparato Estado, la sociedad civil y

sábado, 23 de março de 2013

Vaticano/“HABEMUS PAPAM”: FRANCISCO

16 de Março de 2013, Patria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)
Frei Beto*

É a primeira vez na história que um papa adota o nome daquele que sonhou que a Igreja desabava e cabia a ele reconstruí-la. O tempo dirá a que veio

O papa Francisco – nome adotado pelo cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio - ao ser eleito novo chefe da Igreja Católica terá pela frente difíceis desafios. O maior deles, imprimir colegialidade ao governo da Igreja e reformar a Cúria Romana.

Para mexer nesse ninho de cobras, terá de remover presidentes de congregações (que, no Vaticano, equivalem a ministérios) e nomear para dirigi-las prelados que, hoje, vivem fora de Roma e são, portanto, virtualmente imunes à influência da “famiglia curiale”, a que, de fato, exerce o poder na Igreja.

Para modificar a estrutura monárquica da Igreja, Francisco terá de repensar o estatuto das nunciaturas, valorizar as conferências episcopais e o sínodo dos bispos e, quem sabe, criar novas instituições, como um colégio de leigos capaz de representar a Igreja como Povo de Deus, e não como sociedade clericalizada pretensamente perfeita.

Não será surpresa se, em breve, o novo papa promover o seu primeiro consistório, elevando ao cardinalato bispos e arcebispos dos cinco continentes (e talvez até padres e leigos, os chamados “cardeais in pectore”, que não são de conhecimento público).

Tal iniciativa deverá incluir o atual arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta. Paira certa incongruência no fato de a arquidiocese carioca não ter, há anos, cardeal titular, como há em São Paulo. Sobretudo considerando que o Rio acolherá, em julho próximo, a Jornada Mundial da Juventude, à qual o novo pontífice estará presente.

A imagem da Igreja Católica está manchada, hoje, por escândalos sexuais e falcatruas financeiras. Não se espere do novo papa atitudes ousadas enquanto Bento XVI lhe fizer sombra na área do Vaticano. Mas seria uma irresponsabilidade o papa Francisco não abrir, no interior da Igreja, o debate sobre a moral sexual.

Nesse tema, são muitas as questões a serem aprofundadas, a começar pela seleção dos candidatos ao sacerdócio. Já há uma instrução de Roma aos bispos para que não sejam aceitos jovens notoriamente afeminados – o que me parece uma discriminação incompatível com os valores evangélicos. Equivale a impedir o ingresso na carreira sacerdotal de candidatos heterossexuais dotados de uma masculinidade digna de Don Juan.

O problema não é questão de aparência, e sim de vocação. Se a Igreja pretende ampliar o número de padres terá que, necessariamente, retomar o padrão dos seus primeiros séculos e distinguir vocação ao sacerdócio de vocação ao celibato.

Aqueles que se sentem em condições de se abster de vida sexual (já que apenas aos anjos é dado prescindir da sexualidade) devem abraçar a via monástica, religiosa, ainda que alguns se tornem sacerdotes para o serviço comunitário. Já ao clero diocesano seria facultado escolher a vida matrimonial, como ocorre hoje nas Igrejas ortodoxa e anglicana, e com os pastores de Igrejas protestantes.

O caminho mais curto e mais sábio seria o papa admitir a reinserção de padres casados no ministério sacerdotal. Eles são milhares. No mundo, calcula-se cerca de 100 mil; no Brasil, 5 mil. Muitos gostariam de voltar ao serviço pastoral com direito a administrar sacramentos e celebrar missa.

A medida mais inovadora seria permitir o acesso de mulheres ao sacerdócio. Não há precedente na história da Igreja, exceto em países socialistas onde, clandestinos, bispos despreparados ordenaram mulheres cujo sacerdócio, ao vir à lume, não foi reconhecido por Roma.
Nos evangelhos há mulheres notoriamente apóstolas, embora não figurem na lista canônica dos doze apóstolos. Em Lucas 8, 1, constam os nomes de mulheres pertencentes à comunidade apostólica de Jesus: Maria Madalena, Joana, Susana “e várias outras”.

A samaritana (João 4) foi apóstola, no sentido rigoroso do termo – a primeira pessoa a anunciar Jesus como o Messias. E Maria Madalena, a primeira testemunha da ressurreição de Jesus.

Facultar às mulheres o acesso ao sacerdócio implica modificar um dos pontos mais anacrônicos da ortodoxia católica, que ainda hoje considera a mulher ontologicamente inferior ao homem. É a famosa pergunta em aula de teologia: pode o escravo se tornar padre? Sim, desde que liberto, pois como homem goza da plenitude humana. Já a mulher, ser inferior ao homem, está excluída desse direito, pois não goza da plenitude humana.



Outros desafios se apresentam ao novo papa, como o diálogo inter-religioso. Nos últimos pontificados Roma deu passos significativos para melhorar as relações do catolicismo com o judaísmo, levando o papa a visitar o Muro das Lamentações, em Jerusalém, e isentando os judeus da pecha de assassinos de Jesus.

No entanto, retrocedeu quanto à relação com os muçulmanos. Em sua visita à Universidade de Regensburg, na Alemanha, em 2006, Bento XVI cometeu a infelicidade de citar uma história do século XIV em que o imperador bizantino pede a um persa que lhe mostre "o que Maomé trouxe de novo, e você só encontrará coisas más e desumanas, como sua ordem de espalhar pela espada a fé que pregava". Embora a intenção do papa fosse condenar o uso da violência pela religião – no qual a Igreja da Inquisição foi mestra – a comunidade islâmica, com razão, se sentiu ofendida.

Ao visitar os EUA, em 2008, Bento XVI esteve numa sinagoga de Nova York, sem no entanto dirigir-se a uma mesquita, o que teria demonstrado sua imparcialidade e abertura à diversidade religiosa, além de combater o preconceito estadunidense de que muçulmano rima com terrorista.

Há que aprofundar o diálogo com as religiões do Oriente, como o budismo e as tradições espirituais da Índia. E buscar melhor aproximação com os cultos animistas da África e os ritos indígenas da América Latina.

É chegada a hora de a Igreja Católica admitir a pertinência das razões que provocaram sua ruptura com as Igrejas Ortodoxas e a de Lutero com Roma. E, num gesto ecumênico, buscar a unidade na diversidade, de modo a testemunharem uma única Igreja de Cristo.

Convém reconhecer, como propõe o Concilio Vaticano II, que as sementes do Evangelho vigoram também em denominações religiosas não cristãs, ou seja, fora da Igreja Católica há sim salvação.

O papa Francisco terá que optar entre os três dons do Espírito Santo oferecidos aos discípulos de Jesus: sacerdote, doutor ou profeta. A ser um sacerdote como João Paulo II, teremos uma Igreja voltada a seus próprios interesses como instituição clerical, com leigos tratados como ovelhas subservientes e desconfiança frente aos desafios da pós-modernidade.

A ser um doutor como Bento XVI, o novo pontífice reforçará uma Igreja mais mestra do que mãe, na qual a preservação da doutrina tradicional importará mais do que encarnar a Igreja nos novos tempos em que vivemos, incapaz de ser, como São Paulo, “grego com os gregos e judeu com os judeus”.

Assumindo seu múnus profético, como João XXIII, o papa Francisco se empenhará numa profunda reforma da Igreja, para que nela transpareça a palavra e o testemunho de Jesus, no qual Deus se fez um de nós.

“Habemus papam!” Já sabemos quem: Francisco. É a primeira vez na história que um papa adota o nome daquele que sonhou que a Igreja desabava e cabia a ele reconstruí-la. O tempo dirá a que veio.
*Frei Betto é escritor, autor de “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.


quinta-feira, 21 de março de 2013

Argentina/WIKILEAKS: O papa Bergoglio e os Kirchner

14 março 2013, Agência Pública http://www.apublica.org (Brasil)

Por Marcus V F Lacerda

Telegramas da embaixada americana em Buenos Aires mostram a influência do novo papa na política argentina e sua ligação com a oposição

Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo Wikileaks, revelam que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.

Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010 mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um agente político poderoso contra os Kirchner.

O atual papa Francisco I é citado em um documento do final de outubro de 2006 que trata do revés político sofrido pelo aliado de Néstor Kirchner, então presidente, na província de Missiones, no nordeste do país. Carlos Rovira, tentara um plebiscito para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto Iguazú, Monsignor Piña.

“O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires, ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos, incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.

E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos revelam que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de 2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Néstor Kirchner é descrita como “tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na Argentina”. Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro de 2010.

A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois, os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das festividades de Buenos Aires para Salta.

Um líder manchado pela relação com a ditadura

Outro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31 casos de tortura e 42 sequestros.

Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.

Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio. “Entretando, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar questões politicais, sociais ou econômicas”.


VATILEAKS: UMA MÁQUINA DO TEMPO QUE EXPÔS PRÁTICAS ANTIGAS DO VATICANO

12 março 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


À Carta Maior, o jornalista Gianluigi Nuzzi, autor do livro que revelou segredos incômodos do Vaticano, fala sobre a crise moral mais profunda que a igreja já conheceu. “Os vatileaks são como uma máquina do tempo. Estas histórias sempre existiram dentro do Vaticano, mas hoje temos uma fotografia nítida, uma reconstrução documentada”, diz Nuzzi. Por Eduardo Febbro, de Roma.



Eduardo Febbro

Roma – O nome de Gianluigi Nuzzi desperta um desconforto visível nos arredores do Vaticano. Este jornalista investigativo é autor do livro que revelou os assuntos sujos do Vaticano, os “vatileaks”: Sua Santidade, as Cartas Secretas de Bento XVI. Ali estão compiladas todas as cartas, as notas, mensagens e telegramas que fornecem do Vaticano a imagem de um inferno governado por disputas de poder, conspirações, conjurações e, sobretudo, percorrido por uma densa trama onde personagens lutam nas sombras pelo controle do dinheiro, ou seja, do IOR, mais conhecido como o Banco do Vaticano.



Em Roma, Nuzzi tem um apelido: “correio dos monsenhores e cardeais descontentes”. É preciso reconhecer que suas informações são sólidas. Em seu livro precedente, Vaticano SPA, Nuzzi desnudou o lado mais obscuro das finanças vaticanas. Agora foi mais longe. Os Vatileaks que tornou públicos provocaram a crise moral mais profunda que a igreja já conheceu. Seu resultado está na eleição de um novo papa e na renúncia de Bento XVI ao pontificado.



Carta Maior – Se buscarmos uma síntese do que foi revelado pelo caso do vazamento dos documentos privados do papa que você publicou em seu livro “Sua Santità, le carte segrete di Benedetto XVI”, como você a definiria?

Gianluigi Nuzzi – Os vatileaks mostram pela primeira vez a filigrana e a história do Vaticano não já com o enfoque espiritual do trabalho ou da mensagem do pastor que é o papa, mas sim como Estado. O Vaticano é um pequeno Estado e dentro dele há muitos poderes e muito dinheiro, conspirações, denúncias de corrupção. Os vatileaks são como uma máquina do tempo. Estas histórias sempre existiram dentro do Vaticano, mas hoje temos uma fotografia nítida, uma reconstrução documentada. Até agora, a informação que emanava do Vaticano estava sempre muito controlada com um tipo de ideia que encontramos nos Evangelhos. Os Evangelhos observam que “o que se diz ao ouvido se predica em segredo”. Este livro sobre os vatileaks provocou uma ruptura com o passado.



CM – Quando se mergulha em seu livro e no conjunto dos vatileaks fica a sensação de que houve e há uma guerra entre a fé, o poder e o dinheiro.

GN – Sim, pode-se dizer isso. Joseph Ratzinger falava da ambição do poder e do carreirismo, do individualismo. Ratzinger foi um grande pastor que assumiu o desafio de reformar a cúria romana e mudá-la.



CM – Mas, resumindo a questão, a grande ruptura que atravessa todo o escândalo que desembocou na renúncia do papa é o dinheiro e, particularmente, todos os assuntos ligados a OIR, o chamado Banco do Vaticano. O controle dessa instituição deu lugar a uma guerra de alta intensidade entre vários bandos da cúria romana. O Vaticano parece uma espécie de paraíso fiscal oculto.

GN – Esta é uma parte da história. Falta muito para que o IOR, o Banco do Vaticano, responda aos critérios de transparência da União Europeia. Mas, efetivamente, houve um confronto muito forte em torno do controle e dos mecanismos de transparência desse banco. Seus atores foram Gotti Tedeschi, o ex-presidente do Vaticano partidário da transparência, e o Secretário de Estado, Monsenhor Bertone, partidário da opacidade. Tedeschi assumiu como sua a missão que o papa encomendou par limpar as contas do banco, mas foi impedido de levá-la adiante.



CM – Monsenhor Bertone emerge como o grande vilão dessa história. O Secretário de Estado é, segundo suas revelações, um operador que desfaz o que o papa faz. Que setor ele representa?

GN – Bertone é um salesiano e é o primeiro Secretário de Estado que não vem da escola diplomática do Vaticano. Bertone reuniu contra si uma enorme quantidade de críticas e controvérsias. De fato, ele defendeu seus próprios interesses e nada mais. É um homem que colocou seus aliados em todos os postos chave da economia do Vaticano. Muitos o acusam de ser o centro das conspirações e das operações de lavagem de dinheiro.



CM – Você revela questões delicadas como, por exemplo, a existência no Banco do vaticano de contas sem nome e outras sutilezas desse tipo.

GN – Bom, isso não é novo. Na década de 70 e de 80 houve fortes somas de dinheiro da Cosa Mostra que foram, digamos, branqueadas pelo IOR. Basta lembrar o assassinato de Roberto Calvi, em 1982. Calvi era o presidente do Banco Ambrosiano e sabia como circulava o dinheiro mafioso através do Banco do Vaticano.

Nos anos 90, o IOR criou uma espécie de rede de contas em nome de fundações flasas por trás das quais havia empresários, empreiteiros e mafiosos. A máfia se servia do Banco do Vaticano para gerir parte do dinheiro de seus assuntos políticos e industriais. O IOR esteve também implicado na história da maior comissão oculta da história da Itália, o caso do grupo Enimonte. Na verdade, funcionou uma espécie de Banco do Vaticano paralelo que serviu para limpar o dinheiro da corrupção. O problema de hoje está nestas contas que pertencem aos religiosos que emprestam seu nome para que sirvam para outras coisas.



CM – Na sua avaliação, foi a guerra financeira que precipitou a renúncia do papa?

GN – Este foi um dos elementos fundamentais ao qual se somaram outros que precipitaram essa situação. O cansaço, os problemas internos, a situação da igreja no mundo, a não implementação de uma série de decisões. Os elementos são vários e, combinados, conduziram à situação que vivemos hoje. O dinheiro não explica tudo.



Tradução: Marco Aurélio Weissheimer



EN LATINOAMÉRICA DUDAN DE LA AGENDA DEL NUEVO PAPA

18 marzo 2013, Rebelion http://www.rebelion.org (Mexico)

Fuente: http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20130316/156641508.html

Vicky Peláez, Ria Novosti


“Que siempre por señales o razones se suelen descubrir las intenciones”

(Alonso de Ercilla y Zúñiga, 1533–1594)



El humo blanco que emanó de la Capilla Sixtina, anunciando la elección del nuevo Papa, en este caso al arzobispo de Buenos Aires, jesuita Jorge Mario Bergoglio quien eligió el nombre de Francisco como expresión de humildad y sencillez que supuestamente caracterizará su pontificado, llenó de júbilo a Latinoamérica.



Sus primeros gestos y palabras revivieron una esperanza entre los creyentes sobre la posibilidad de renovación de la institución. Sin embargo, es demasiado temprano para hacer pronósticos hacia el futuro teniendo en cuenta la trayectoria de la Iglesia católica en casi dos mil años de existencia.



La historia de la Iglesia Católica ha estado ligada implícita y tácitamente con los poderes económicos, políticos y financieros de cada época para así cumplir su función ideológica – espiritual y mantener a la población disciplinada y obediente al orden establecido por la clase dominante de turno. De esta manera se ubicaba hábilmente en cada espacio y tiempo que le tocaba.



En la historia moderna es harto conocido el rol del Papa Pío XII, que lideró el Vaticano de 1939 a 1958, en la lucha contra los países llamados comunistas. Esto explica su colaboración con el régimen nazi durante la Segunda Guerra Mundial y simultáneamente con los aliados, convirtiéndose en el Papa de la Guerra Fría al finalizar la guerra.

En el año 1948 Pío XII anunció que cualquier católico italiano que apoyara a los candidatos comunistas en las elecciones parlamentarias de ese año, sería excomulgado e instó a Azione Cattolica para que apoyara al Partido Demócrata Cristiano creado financiado por los norteamericanos en los primeros años de postguerra.



Su sucesor Juan XXIII llamado “el Papa Bueno” tuvo que contestar a otros desafíos durante su papado que duró de 1958 a 1963. Era la época del despertar del Tercer Mundo cuyo resultado fue el surgimiento de un fuerte movimiento anticolonialista en África y la diseminación de las ideas revolucionarias en América Latina inspiradas por la revolución cubana. Juan XXIII tuvo que asumir el rol de un papa transitorio, tratando de adaptar a la iglesia a las necesidades de ese tiempo. Nombró cardenales africanos y dio su propósito de no perder futuras generaciones de creyentes.



En realidad, lo que sabemos ahora como las Organizaciones No Gubernamentales (ONG) nacieron en su papado cuando los sacerdotes y laicos, que creyeron inocentemente en la sinceridad de la Iglesia, se identificaron con los pobres y entraron a vivir en los barrios populares y los pueblos campesinos formando sindicatos y organizaciones populares.



No sabían que fue una maniobra del Vaticano de desviar el movimiento guerrillero que tomaba la fuerza. Precisamente en este período el capellán auxiliar de la Universidad Nacional de Colombia, Camilo Torres Restrepo unió el fusil y evangelio enrolándose en el movimiento guerrillero colombiano Ejército de Liberación Nacional.



El Papa Pablo VI que dirigió el Vaticano de 1963 a 1978 reabrió el Concilio de Vaticano II pero ya en condiciones del avance de la contrarrevolución y golpes de Estado en América Latina. Los jerarcas de la Iglesia Católica asumieron entonces una posición dubitativa, conciliadora y frecuentemente colaboradora con las dictaduras militares.

Los partidarios de la Teología de la Liberación fueron perseguidos por los gobiernos dictatoriales mientras la Iglesia Católica no se atrevía a pronunciarse en defensa de los derechos humanos.



El siguiente Papa Juan Pablo I tuvo solamente 33 días al cargo del papado pero ya en este corto período su frase, “Dios es padre y más aún la madre”, produjo revuelo en el Vaticano.



Murió misteriosa y repentinamente llegando al poder eclesiástico Juan Pablo II, uno de los más destacados luchadores contra el socialismo en Europa. La elección del polaco Karol Wojtyla como pontífice se debió a la importancia estratégica de la región para los que empezaron a llamarse los globalizadores.



Dio por terminada la Teología de la Liberación y silenció a sus más destacados representantes. Nadie olvida en Latinoamérica que en este tiempo, Juan Pablo II le dio la espalda a Monseñor Arnulfo Romero quien murió baleado durante la misa en El Salvador, junto a él docenas de sacerdotes y monjas que abrazaban la Teología de la Liberación en Centro América fueron muertos y desaparecidos.



El presidente de los Estados Unidos Ronald Reagan coordinó con este papa el plan del desmantelamiento del bloque socialista y suministró dinero necesario para hacerlo. El pontífice hizo alianza con los más ricos y poderosos del planeta y cerró los ojos a la corrupción y a la pedofilia que llegaron a los extremos durante su papado entre 1978 y 2005. Entre otros, todavía está presente la bendición que le dio públicamente al dictador Augusto Pinochet.



Benedicto XVI fue elegido por la jerarquía católica como un pontífice transitorio para que diera continuidad al pontificado de Juan Pablo II y para que tomara medidas necesarias para mantener el “status quo” de la iglesia, postergando la modernización y la apertura, que era el clamor de los creyentes.



No pudo cumplir con esta tarea como tampoco parar las intrigas, malversación de fondos, lavado el dinero, lujuria y el abuso sexual de los clérigos denunciado en Vatileaks.



La crisis de la Iglesia obligó a la curia romana a buscar un nuevo Papa transitorio para dar una imagen de austeridad y humildad en la institución católica.



La designación del cardenal argentino Jorge Bergoglio como el Papa Francisco también es una necesidad del Vaticano, parte del poder mundial globalizado, para solidificar su posición en América Latina que cada año está adquiriendo una mayor importancia estratégica en el planeta.



Y no se trata solamente de sus abundantes recursos naturales y su capacidad de tomar medidas para no contagiarse de la crisis que está sumergiendo en la desesperación a la Unión Europea y a los Estados Unidos, sino de sus procesos de integración y transformaciones sociales y económicas que hacen peligrar el actual Orden Mundial Globalizado establecido por las transnacionales.



La Iglesia católica, igual como la única superpotencia en el mundo, ha descuidado a Latinoamérica donde está creciendo cada vez más la simpatía y el apoyo al proyecto del Socialismo del Siglo XXI como alternativa al neoliberalismo impuesto por los globalizadores iluminados. Ahora llegó el momento para hacer todo lo posible y parar este proceso, les es urgente hacer retornar a las ovejas descarriadas del ALBA, UNASUR y CELAC hacia su antiguo amo que está añorando recuperar el poder sobre su “patio trasero” perdido.



Un Papa jesuita es ideal para esta misión. Durante el pontificado de Juan Pablo II y del Benedicto XVI, el Vaticano fue dominado por el poder financiero del Opus Dei que sin embargo no tuvo el poder político internacional de la Compañía de Jesús.



En los Estados Unidos, varios directores de la CIA y del Departamento de Defensa han sido jesuitas: William Casey (director de la CIA 1981-1987), Robert Gates (CIA 1991-1993, Secretario de Defensa 2006-2011), George Tenet (CIA 1997-2004), Leon Panetta (CIA 2009-2011, Secretario de Defensa 2011-2013), John Brennan- el actual director de la CIA. En realidad esta lista podría ser infinita pero esto pertenece a otro tema.



Lo que nos interesa es hacia donde irá en su gestión el Papa Francisco. Es considerado como un sacerdote serio, austero y humilde. Ha vivido siempre en un modesto departamento, el mismo cocinaba su comida, tomaba el transporte público en Buenos Aires. Lavaba pies a los leprosos y a los enfermos de la SIDA. También hablaba de la necesidad de poner fin a la pobreza, pero al mismo tiempo no escatimó sus esfuerzos para oponerse a los programas sociales progresistas de los presidentes Néstor Kirchner y Cristina Fernández pero al mismo tiempo defendió ardorosamente las reformas neoliberales de Carlos Menem que llevaron al país a un colapso económico.



Retornando al pasado, el archivo fotográfico lo muestra junto con el ex presidente Rafael Videla durante la dictadura militar (1976-1983) dándole comunión al hombre acusado en desaparición de 30,000 personas. El periodista argentino Horacio Verbitsky pone en duda en su libro “La mano izquierda de Dios. La última dictadura (1976-1983)” las actuales declaraciones de Francisco sobre su desconocimiento sobre la represión durante la dictadura militar.



El sacerdote Bergoglio fue acusado inclusive de ser colaboracionista de la represión militar a los sacerdotes Orlando Yorio y Francisco Jalics quienes le imputan haberlos entregado a los militares así como la desaparición de varios catequistas que trabajaban en la villa miseria de Flores en 1976. Debido a esta denuncia el cardenal fue llamado a declarar en la “Causa ESMA” ante el Tribunal Federal № 5. Yorio y Jalics sostienen que Bergoglio les quitó la protección de la Compañía de Jesús al negarse ellos su orden de abandonar el trabajo social. Los dos fueron secuestrados en 1976 al perder el apoyo eclesiástico y fueron torturados en la ESMA durante seis meses. Posteriormente les drogaron y dejaron en un descampado en afueras de Buenos Aires. Los dos lograron sobrevivir su martirio pero nunca perdonaron al provincial de la Compañía de Jesús su traición.



Las Madres de la Plaza Mayo, organización que luchó durante décadas para dar con el paradero de miles de desaparecidos, pidiendo ayuda entre otras muchas a la iglesia, declararon hace unos días que para ellas era difícil aceptar que un “hombre de esa naturaleza este sentado en la silla papal”.



Por supuesto, todos estos antecedentes del Papa Francisco, de modales finos y de actuar duro contra sus adversarios serán ignorados y tapados por los medios globalizados de comunicación pero quedarán sin duda alguna en la conciencia de la curia romana y en la del pontífice que es de acuerdo a Víctor Hugo, “la presencia de Dios en el hombre” y que es a la vez testigo, fiscal y juez.





O JORNAL QUE INCOMODA FARDAS E BATINAS

16 março 2013, Carta Maior.http://www.cartamaior.com.br (Brasil)



Na manhã seguinte ao anúncio de um Papa argentino, o jornal ‘Página 12’ sacudiu Buenos Aires com a manchete: ‘!Dios, Mio!’



Na 6ª feira, dois dias depois, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como ‘acusações caluniosas e difamatórias’ envolvendo o passado do Sumo Pontífice.



Em seguida atribui-as a ‘elementos da esquerda anticlerical’.



Alvo: o ‘Página 12’ .



Com ele, seu diretor, o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.



A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o ‘Página 12’ como ‘de esquerda’ – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.



Mas erra esfericamente ao espetá-lo como ‘anticlerical’.



O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio.



Fundado ao final da ditadura, em maio de 1987, o ‘Página 12’ é reconhecido como o grande ponto de encontro da luta pelo direito à memória na Argentina.



Não foi algo premeditado.



No crepúsculo da ditadura militar, um grupo de jornalistas de esquerda vislumbrou a oportunidade de criar um veículo enxuto, no máximo 12 páginas (daí o nome), mas dotado de densa capacidade analítica.



E, sobretudo, radicalmente comprometido com a redemocratização e com os seus desafios.



A receita das 12 páginas baseava-se num cálculo curioso.



Era o máximo que se conseguiria produzir com qualidade naquele momento; e o suficiente para a sociedade reaprender a refletir sobre ela mesma.



A fidelidade a essa diretriz (hoje o total de páginas cresceu e a edição digital tem mais de 500 mil acessos/dia) levou-o, naturalmente, a investigar os crimes da ditadura.



Seu jornalismo tornou-se um acelerador da transição que os interesses favorecidos pelo regime militar gostariam de maquiar.



Não apenas interesses econômicos.



Lá, como cá, existe um núcleo de poderosas empresas de comunicação, alvo agora da ‘Ley de Medios’, no caso da Argentina, que, por interesse financeiro, identidade ideológica ou simples covardia integrou-se ao aparato repressivo.



Usufruiu e desfruta vantagens dessa intimidade. Até hoje. O quase monopólio das comunicações é uma delas – combatida agora pelo governo de lá.



Naturalmente, a pauta dos direitos humanos dispunha de um espaço acanhado e ambíguo nessa engrenagem.



Não por falta de familiaridade com o assunto.



Mais de uma centena de jornalistas foram presos e muitos desapareceram na ditadura argentina.



A principal fábrica de papel de imprensa do país foi praticamente expropriada de seus donos.



Eles estavam presos, foram torturados. E então a transferência de propriedade se deu.



A sociedade compradora tinha como participantes o próprio governo militar e os principais jornais apoiadores do regime. Entre eles o ‘El Clarín’, de oposição frontal ao governo Cristina, atualmente.



O ‘Página 12’ não se deteve diante das conveniências. E vasculhou esses impérios sombrios.



Fez o equivalente em relação aos direitos humanos em outros países. Não raro, com a mesma mordacidade que incomoda agora o Vaticano.



Quando Pinochet morreu em 2006, a manchete indagava: ‘Que terá feito o inferno para merecer isso?’



A condenação do ditador Videla à prisão perpétua, em 2010, mereceu letras garrafais: ‘Deus existe!’



Foi com essa ironia, debochada, às vezes, mas sempre intransigente em defesa dos direitos humano, que o ‘Página 12’ tornou-se um espaço apropriado pelos familiares dos desaparecidos políticos.



Por solicitação de Estela Carlotto, atual dirigente das Abuelas de Plaza de Mayo, passou a publicar, desde 1988, pequenas atualizações da trajetória familiar de vítimas da ditadura.



Os anúncios sugerem uma espécie de prosseguimento da vida dos que foram precoce e violentamente apartados dela.



Filhos que perderam os pais ainda crianças, mencionam os netos que esses avós jamais viram; avós falam dos bisnetos.



O efeito é tocante. Ao se deparar com a foto de um jovem desaparecido, sabe-se que hoje ele poderia estar brincando com os netinhos, filhos dos filho que agora tem a idade com a qual ele morreu.



Em 2007, o ‘Página 12’ recebeu na Espanha o prêmio da Liberdade de Imprensa, instituído pela Casa da América, junto com a Chancelaria espanhola e o governo da Catalunha.



Motivo: a seriedade na defesa dos direitos humanos e o compromisso com o rigor da informação, requisito da liberdade de expressão.



No momento em que pairam sombras sobre o Vaticano, o que deve fazer essa cepa de jornalismo?



O ‘Página 12’ faz o que, em geral, desagrada aos poderes terrenos e celestiais: investiga, pergunta, rememora.



Ao contrário do que sugere o porta-voz da Santa Sé, não se trata de um cacoete anticlerical.



O assunto extravasa o campo religioso e envolve uma questão de interesse político de toda a sociedade.



Trata-se de uma responsabilidade ecumênica e universal, da qual o ‘Página 12’ não abre mão: o dever de todos, sobretudo das autoridades, de zelar e fazer respeitar os direitos humanos e democráticos dos cidadãos.



Sob quaisquer circunstancias; mas principalmente quando são ameaçados. Como na ditadura dos anos 70/80.



Há dúvidas se o passado do cardeal Mario Jorge Bergoglio nesse campo honra o manto santo que agora envolve Francisco, o desenvolto sucessor do atormentado Bento XVI.



As dúvidas estão marmorizadas em um lusco-fusco de pejo, silêncios e versões contrastantes.



É preciso esclarecer.



Há nomes, testemunhos, relatos, datas e um cenário dantesco: os anos de chumbo vividos pela sociedade argentina, entre 1976 e 1983.



O país do então líder dos jesuítas, Mario Jorge Bergoglio, vivia o inferno na terra, sob a ação genocida de uma ditadura cujos atos confirmam a indiferença aterrorizante dos aparatos clandestinos em relação à vida e à dor.



O que se ouve ainda arrepia.



A mesma sensação inspira o rosto endurecido e gasto dos líderes militares, julgados e condenados. Um a um; em grande parte, graças a pressão inquebrantável das denúncias e investigações ecoadas nas edições do 'Página 12'



Em sete anos, o aparato militar montou e azeitou uma máquina de torturar, matar e eclipsar corpos que operou de forma infatigável.



Nessa moenda 30 mil pessoas foram liquidadas ou desapareceram.



Mais de 4 mil e duzentos corpos por ano.



Filhos de militantes de esquerda foram sequestrados, entregues a famílias simpáticas ao regime.



Muitos permanecem nesse limbo.



No dia em que a ‘fumata bianca’ do Vaticano anunciou o ‘habemus papam’ e em seguida emergiu a figura do cardeal argentino, no balcão do Vaticano, Graciela Yorio esmurrou as paredes de seu apartamento, a 11.200 quilômetros de distancia, em Buenos Aires.



O relato está nos jornais argentinos e também na Folha de São Paulo.



A revolta deve-se a uma certeza guardada há 36 anos na memória dessa sexagenária.



Em maio de 1976, seu irmão, padre Orlando Yorio, foi delatado à ditadura sedenta e recém-instalada.



Juntamente com o sacerdote Francisco Jalics, este vivo, na Alemanha— Yorio ficou cinco meses nas mãos dos militares.



Incomunicáveis, na temível Escola Mecânica da Marinha, adaptada para ser a máquina de moer ossos do regime.



O delator dos dois religiosos teria sido o cardeal Bergoglio -- o Papa, então com cerca de 40 anos, líder conservador dos jesuítas argentinos.



Essa é a convicção de Graciela, baseada no que ouviu do irmão, falecido em 2000, militante da Teologia da Libertação, como Jalics.



Jalics não se pronunciou. Alegando viagem, emitiu uma nota na Alemanha em que se diz em paz e reconciliado com Bergoglio.

A nota compassiva não nega a dor que leva Graciela ainda a esmurrar paredes.



A estupefação tampouco é apenas dela.



Ainda que setores progressistas argentinos optem por uma certa moderação em público, muitas vozes não se calam.



Estela Carlotto, a dirigente das Abuelas de Mayo, em entrevista ao ‘Página 12’ deste sábado, procura manter a objetividade num relato que adiciona mais nuvens às sombras.



Carlotto afirma que o Cardeal Bergoglio nunca fez um gesto de solidariedade para ajudar a luta mundialmente reconhecida das mães e avós de desaparecidos políticos argentinos.



Poderia, mas não facilitou a reunião do grupo com o Papa. Ao contrário.



O primeiro encontro, em 1980, no Brasil, só aconteceu por interferência de religiosos brasileiros.



As abuelas só seriam recebidas em Roma três anos mais tarde; de novo, graças a contatos alheios ao cardeal Bergoglio.



Prossegue Estela Carlotto.



O cardeal teria sido conivente com o sequestro de pelo menos uma criança nascida na prisão.



Procurado por familiares da desaparecida política, Elena de la Quadra, teria aconselhado: ‘Não busquem mais por essa criança que está em boas mãos’.



E desfechou sentença equivalente em relação às demais.



O ‘Jornal Página 12’ tem sido o principal eco desses relatos e dessa revolta, que muitos relativizam e gostariam de esquecer.



O que o jornal faz ao investigar as dúvidas que pairam sobre Francisco é coerente com o 'manual de redação' sedimentado na prática da democracia argentina nesses 25 anos de existência: não sacrificar a memória ao conforto das conveniências.



Pode soar anticlerical a setores da Igreja que gostariam de esquecer o que já se cometeu neste mundo, em nome de Deus.



Mas é um reducionismo improcedente, que se dissolve na trajetória reconhecidamente qualificada do 'Página 12'.



Na Argentina, graças à persistência de vozes como a de seus jornalistas, a memória deixou de ser o espaço da formalidade.



Hoje ela é vista como um pedaço do futuro. Um mirante poderoso para se entender o presente e superar as forças, e a lógica, que esmagaram a sociedade no passado.

Carta Maior orgulha-se de ser parceira do jornalismo criterioso e corajoso de ‘Página 12’ no Brasil.

domingo, 17 de março de 2013

Vaticano/FRANCISCO I VEM DISPUTAR O CONSENSO SOCIAL

13 março 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Julio C. Gambina*

A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder económico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a considerar em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização uma vez que esta civilização contemporânea está ordenada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.

Quando o sistema mundial era desafiado pelo avanço dos povos e pelo socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu-se caminho a teologia da libertação, em aberta confrontação com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim, a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do Sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar este rumo que abria passagem entre os padres de base e permitiu um grande debate mundial no seio da Igreja.

Os rumos da ofensiva popular batiam à porta da instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhando a ofensiva capitalista para recuperar o poder do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 contra o socialismo e os povos, abrindo o caminho ao poder reaccionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.

Há 40 anos o neoliberalismo foi ensaiado em nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para a seguir estender-se por toda a orbe. A Igreja da Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a ditadura genocida nesse parto neoliberal, ainda que agora fale contra a pobreza e a ética.

Um PAPA polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o próprio carácter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Leste da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Leste da Europa, já abandonado o projecto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o rumo unipolar do capitalismo, transnacional e neoliberal.

O rumo unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou pelos processos específicos que emergem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.

Com a morte de Chávez e milhões mobilizados para constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança à arena o símbolo de um chefe da Igreja nascido no Sul e compenetrado com o projecto do Norte.

O PAPA argentino, Francisco I, vem cumprir o projecto do poder mundial para disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não só se trata de sustentar posições contrárias ao matrimónio igualitário, ou contra o aborto, amplamente difundidas pelo bispo Bergoglio, como de gestar uma consciência de disciplinamento para com a ordem contemporânea, reaccionária, de dominação transnacional.

Nossa América é hoje laboratório de mudança política. A Igreja instituição quer intervir neste processo – não para pressionar essas mudanças e sim para travá-las. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de ideias, pela mudança, ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de estender o rumo socialista. Necessitam disputar o consenso.

Mas, apesar das tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, incluída a igreja dos pobres, o movimento religioso popular, persiste na busca pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bom viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.

O PAPA Francisco I vem com a sua. Nós os povos devemos continuar nossa busca e experimentação em favor de uma nova sociedade, por outro mundo possível, esse que se constrói na luta contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.

Ver também:
juicioesma.blogspot.pt/2010/11/el-cardenal-bergoglio-que-tanto-sabe.html
www.infoeducasares.com.ar/?p=1223
www.taringa.net/...

* Presidente da Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas, FISYP .
O original encontra-se em http://www.argenpress.info/2013/03/francisco-i-viene-disputar-consenso.html



FRANCISCO E OS PASSARINHOS...


15 março 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Charge de Aroeira no Facebook




Argentina/LA SANTA ALIANZA

16 marzo 2013, Pagina12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)


El Pais (España)
Por Eduardo Febbro

Desde Ciudad del Vaticano

El Vaticano es una caja fuerte que contiene secretos planetarios, entre ellos muchos archivos con documentos clave sobre los episodios más cruentos de la dictadura argentina de 1976. La controversia entre el papa argentino, ampliada por la intervención del portavoz de la Santa Sede, Federico Lombardi, tiene casi la misma raíz que llevó el año pasado a la explosión del escándalo de los Vatileaks y a la posterior renuncia de Benedicto XVI: la santa alianza sellada en los años ’70 y ’80 entre el Vaticano y el ex presidente norteamericano Ronald Reagan. Esa colusión entre los intereses de la primera potencia mundial y los de la Santa Sede inauguró un período de casi cuatro décadas de corrupción, apoyo a dictaduras militares, financiamiento secreto de movimientos anticomunistas –Polonia con Solidaridad– y sostén ideológico de regímenes sucios. Uno de los operadores iniciales de esa “santa alianza” no es otro que el arzobispo, cardenal y diplomático Pio Laghi. Hombre de siniestras referencias, Laghi fue nuncio apostólico en la Argentina entre 1974 y 1980, o sea, en plena dictadura. Sus actividades en el país están marcadas por el sello de la acusación de haber colaborado a sabiendas con la dictadura de Videla y compañía. En 1997, Pio Laghi fue denunciado ante la Justicia italiana por las Madres de Plaza de Mayo en su calidad de cómplice en la desaparición de opositores durante la dictadura.

Sobre el papel de Laghi hay muchas versiones, pruebas y contrapruebas, personas decentes que lo defienden y otras que lo incriminan. El 27 de abril de 1995 Laghi declaró: “¿Cómo podía saber que estaba tratando con monstruos capaces de arrojar personas desde un avión y otras atrocidades similares? Se me acusa del espantoso delito de omisión, miedo o denuncia cuando mi único pecado era la ignorancia de lo que verdaderamente estaba pasando”. Sin embargo, no es únicamente su paso por la Argentina y lo que hizo o no hizo para ayudar a los perseguidos Pio Laghi sino, también, lo que construyó después: Pio Laghi es el arquitecto del acercamiento entre Washington y el Vaticano con el único propósito de combatir un enemigo común: la Teología de la Liberación. En 1980, Juan Pablo II nombró a Pio Laghi delegado apostólico en los Estados Unidos y luego pro nuncio. Laghi se encargó de remodelar el Episcopado apoyándose en los obispos fieles a al línea del papa polaco y también de iniciar la purga de los partidarios de la Teología de la Liberación.

Es un rompecabezas encontrar en Roma un religioso con nombre y apellido que hable sobre lo que subyace en los actos de Pio Laghi. Bajo el anonimato, algunos, ya muy ancianos, describen a Laghi como “el hombre orquesta del silencio”. Silencio quiere decir concretamente el hombre que organizó la protección global de los actos de la Iglesia durante la dictadura mediante la confiscación de documentos, es decir, archivos. Es la existencia de esos archivos la que le valió a Jorge Bergoglio ser citado a declarar como “testigo” por la magistrada francesa Sylvia Caillard. Esta abogada del Tribunal de Gran Instancia de París envió en 2011 una Comisión Rogatoria a Buenos Aires para que Bergoglio declarara sobre la posible existencia de archivos capaces de elucidar el asesinato del sacerdote francés Gabriel Longueville. Para muchos especialistas de la diplomacia vaticana, la Nunciatura de Buenos Aires jugó un papel central en el ocultamiento de los documentos relativos a la desaparición de personas. Horacio Verbitsky ya reveló cómo la Conferencia Episcopal de Argentina había informado al Vaticano que los desaparecidos eran exterminados por la Junta Militar. El documento secreto que la Conferencia Episcopal Argentina envió al papa Pablo VI da cuenta de un encuentro entre los obispos Raúl Primatesta, Juan Carlos Aramburu y Vicente Zazpe y el general Videla. La conversación tuvo lugar en abril de 1978. Videla fue claro al decir que los “desaparecidos ya están muertos”. El obispo Primatesta le dijo al dictador: “La Iglesia quiere comprender, cooperar, es consciente del estado caótico en que estaba el país” y también es consciente “del daño que se le puede hacer al gobierno con referencia al bien común si no se guarda la debida altura”. El Vaticano tiene en su poder documentos con infinitas memorias del horror. No sería inoportuno que abriera esas arcas para que no haya tantos asesinos impunes y tantas dudas sobre lo que hicieron o no los representantes de la Santa Sede en los países sometidos a la represión.

sábado, 21 de abril de 2012

EL DIPLOMÁTICO ITALIANO ENRICO CALAMAI, UN HÉROE SILENCIOSO

17 abril 2012/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


Enrico Calamai
  
Si Italia fuera una meca del cine político como lo era en los años 60 y 70, seguramente los estudios romanos de Cinecittá habrían filmado algo parecido a la Lista de Schlinder, aquella producción de Hollywood sobre un magnate alemán que rescató un millar de judíos condenados a morir en Auschwitz. El protagonista del filme que nunca se realizó sería el diplomático italiano Enrico Calamai, un héroe silencioso que se desempeñó en el Consulado en Buenos Aires durante la dictadura.

Roma - Si Italia fuera una meca del cine político como lo era en los años 60 y 70, seguramente los estudios romanos de Cinecittá habrían filmado algo parecido a la Lista de Schlinder, aquella producción de Hollywood sobre un magnate alemán que rescató un millar de judíos condenados a morir en Auschwitz.

El protagonista del filme que nunca se realizó sería el diplomático italiano Enrico Calamai, un héroe silencioso que se desempeñó en el Consulado en Buenos Aires durante la dictadura,cuando arriesgó su vida y su carrera para facilitar la fuga de cientos de disidentes políticos y partisanos alzados en armas contra el experimento neonazi de los generales argentinos.

"Nunqué me detuve a contar la gente que pasó por el Consulado, en un programa de la RAI (TV italiana) dijeron que fueron más de 400, sinceramente no sé si ese númer es correcto, no sé cuántos recibieron nuestra ayuda para poder salir con vida de Argentina".

La biografía de Calamai es la de un diplomático inusual en el otoño porteño de 1976 cuando la llegada al poder del general Videla era bien acogida por la mayorías de las embajadas occidentales y conmemorada secretamente por de Brasil, como consta en la intensa comunicación generada por el entonces embajador Joao Batista Pinheiro.

DESAFIANDO AL CONDOR
"Nosotros sabíamos que el Cóndor estaba actuando, aún no lo conocíamos por ese nombre, pero teníamos noticias de que los militares brasileños y argentinos se habían articulado para atrapar a quienes huían de la matanza en Buenos Aires, por eso decidí viajar con dos italo argentinos, Piero Carmelutti y Santiago Camarda, hasta Rio de Janeiro, era arriesgado que fueran solos. Fue en el carnaval de 1977".

"Estos muchachos estuvieron un tiempo ocultos en el Consulado, uno de ellos tenia una destreza artesanal para falsificar documentos y confeccionó unos que lo único auténtico que tenían eran las fotos.

Lo hizo con mi auxiliio utilizando algunos sellos que le facilité, era un método no formal de hacerse de documentación para salir del país, no teníamos apoyo institucional, todo lo hicimos a espaldas de la Embajada, que no me apoyaba en esto.

Tampoco la obtuve de un funcionario de Alitalia al que propuse que haga la vista gorda y nos dieran pasajes directos hasta Roma, lo que este hombre rechazó escandalizándose.
Finalmente logramos los pasajes directos gracias al representante de Varig en Argentina, un italo-brasileño robusto y cordial".

"Nuestra premisa era evitar que fueran interrogados en Rio, porque allí posiblemente había gente del aparato de inteligencia militar, y mi función era estar junto a ellos para hacer valer mi condición de diplomático denunciando un eventual secuestro, como ocurriría en 1980 con el italo-argentino Domingo Campiglia, capturado precisamente en Rio de Janeiro" cuenta Calamai, con rigor propio de un historiador.

"Ellos no podía permanecer en Buenos Aires pero a la vez había que atravesar el cerco del Cóndor en Rio, la única forma de que llegaran con vida a Italia".

La resistencia a la dictadura había sido fracturada militarmente en 1977, año de intenso intercambio entre los servicios de inteligencia de los dictadores Ernesto Geisel y Jorge Videla.

Documentos a los que tuvo acceso Carta Maior, fechados en auel año , confirman la prioridad dada por Brasilia a la ubicación y detención de "elementos de (de las organizaciones guerrilleas) Montoneros y ERP", para ser entregados a Buenos Aires.

Los aparatos represivos trabajaban en notable sintonía. Tanto que las agencias de inteligencia brasileñas recibían informaciones sobre las actividades de la resistencia argentina en Italia.

Dentro de la documentación hasta ahora secreta, obtenida por este sitio, consta un dossier del Estado Mayor del Ejército brasileño,originado en Italia en junio de 1978, caratulado como “Movimiento Peronista Montonero en el exterior, Accionar, Contactos, Conexiones con Grupos Terroristas, Antecedentes”.

OMERTA DIPLOMATICA
Los cientos de argentinos que huyeron del genocidio gracias al trabajo de Calamai no le valieron de mucho para obtener una promoción en su carrera diplomática, dado que luego de haber trabajado 5 años Argentina, un destino considerado de relativa importancia, fue enviado a otro considerado irrelevante:Nepal.

Distinta fue la suerte del embajador Joao Batista Pinheiro quien, luego de sus buenos oficios ante la Junta Militar porteña, fue promovido a jefe de la misión diplomática en Washington.

Poco despúes del derrocamiento del gobierno civil argentino Pinheiro trabajó para que Geisel enviara en abril de 1977, a un representante a Buenos Aires, un gesto crucial para Videla quien temía sufrir el asilamiento diplomático que padecía su colega chileno Augusto Pinochet.

"Hasta ahora no se ha estudiado demasiado como actuaron los servicios diplomáticos en general frente a la dictadura", apunta Calamai durante la conversación con Carta Maior en Roma.

Y amplia: "no lo digo sólo por Italia, me refiero a la mayoría de los paises occidentales, que fueron completamente omisos ante las violaciones de los derechos humanos en Argentina".

Como en los pactos mafiosos, el grueso de los diplomáticos apostados en Buenos Aires, salvo los la embajada de México donde recibió refugio durante años el ex presidente democrático Héctor Cámpora, optó por omertá.

"Directamente o indirectamente las principales embajadas, incluyo acá a las de Italia, y creo lógico que también Brasil, aunque no tengo información concreta, fueron informadas con de que se venía el golpe de Estado".

"Estos avisos sobre el inminente derrocamiento del gobierno civil eran también una forma de advertir que no aceptarían que las embajadas reciban refugiados, como lo había hecho nuestra embajada y otras después del golpe de Chile. Y casi todos los países que recibieron el aviso de los militares argentinos, por lo visto, entendieron el recado y lo aceptaron".

"Ahora, con el pasar del tiempo, comprendo que alrededor del Cóndor había una colaboración estrecha de las embajadas y los militares argentinos, y de las embajadas y sus propios agregados militares. La diplomacia es algo muy cercano al poder, y lo fue durante las dictaduras, los diplomáticos saben que si se oponen al poder o lo marginan o lo eliminan, en esa época esto era un riego real".

SANTA COMPLICIDAD
Antes de la entrevista Calamai nos muestra el Antico Café del Brasile, a pocos metros de su casa: "antes de ser papa, Juan Pablo II, cuando era seminarista, venía habitualmente a este café, es un lugar simple, como ven".

Las exequias de Juan Pablo I, antecesor del papa polaco que frecuentaba el barrio de Calamai, fueron un pretexto para estrechar las relaciones entre el Vaticano y Videla, que fue uno de los jefes de estado convidados. Las gestiones para el viaje de Videla y su encuentro con el entonces premier italiano, fueron realizadas por la logia masónica Propaganda Due (P2), según consta en un libro lanzado este año en la Universidad Roma Tres.

"La logia P2 se movía como un poder oculto, gozaba de una notable influencia en el servicio exterior italiano y en el Vaticano, y uno de sus principales hombres, Licio Gelli, mantenía buenas relaciones en la Iglesia".

"El Vaticano estuvo muy cerca del régimen argentino, no sólo porque coincidía con su anticomunismo, sino porque contribuía en la decision de Roma de terminar con la teología de la liberación en América Latina. Se decía que el nuncio apostólico jugaba tenis con el almirante (Emilio) Massera", uno de los miembros de la Junta y a quien le correspondía el control del Ministerio de Exteriores argentino.

"Pero también hay que recordar que los motivos ideológicos que tuvo el Vaticano para apoyar a los militares eran tan importante com los intereses económicos de empresas ligadas a la Iglesia que estaban radicadas en Argentina".

Estas razones contribuyen a explicar, según Calamai, porque el Estado Vaticano omitió durante años denunciar el genocidio argentina y negó toda ayuda a los familiares de los desaparecidos y prisioneros.

"Hay muchas cosas que han escapado de mi memoria, pero lo que recuerdo es que cuando hablaba con diplomáticos de otros países sobre las violaciones de los derechos humanos, prácticamente todo el mundo que nadie iba a la Nunciatura porque no los recibían".


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Brasil/FORO SOCIAL MUNDIAL INICIA CON GRANDES EXPECTATIVAS Y RETOS

29 enero 2009/Minga Informativa de Movimientos Sociales

En el marco de la crisis global las organizaciones sociales e indígenas se congregan en el séptimo Foro Social Mundial a debatir en los diferentes ejes temáticos sus propuestas. La Minga Informativa recoge estos debates en http://www.movimientos.org/fsm2009/, además de audios en http://www.radioteca.net/indice.php?id_usuario=1300027 y fotos en http://www.movimientos.org/fsm2009/fotos.php

* Protagonismo indígena en el Foro Social Mundial
El inicio de las actividades en el Foro Social Mundial estuvo marcado por el protagonismo del movimiento indígena quienes convocan a Movilización Global en defensa de la Madre Tierra. (CAOI) 28/01/09
http://www.movimientos.org/fsm2009/show_text.php3?key=13644

* Comenzó el Foro Social Mundial en Belem de Para, Brasil
Este 27 de enero las calles de Belem de Pará, en la Amazonia fueron escenario de una gran marcha, expresión de la riqueza diversa y a la vez idéntica de los seres humanos que se unen en la convicción general de que otro mundo es posible. (José Ramón Vidal y Tamra Roselló) 27/01/09
http://www.movimientos.org/fsm2009/show_text.php3?key=13641

* Foro Mundial Teología y Liberación apuesta por la ecología
Definido como un “gran espacio donde se puede dialogar y superar los fundamentalismos” se desarrolló en Belem el tercer Foro Mundial de Teología y Liberación (FMTL), en días previos a la séptima edición de Foro Social Mundial (FSM). (ALAI/Minga Informativa) 27/01/09
http://www.movimientos.org/fsm2009/show_text.php3?key=13640
http://www.radioteca.net/result.php?id=13030013 (audio)

* Foro Mondiale Teologia e Liberazione scommessa per l'ecologia
Definito come un "grande spazio dove è possibile dialogare e superare i fondamentalismi" nei giorni precedenti alla settima edizione del Social Forum Mondiale (FSM), che inizia nel pomeriggio del 27 gennaio, si è svolto a Belem il terzo Forum Mondiale di Teologia e Liberazione (FMTL). (ALAI/Minga Informativa) 27/01/09
http://www.movimientos.org/fsm2009/show_text.php3?key=13642

* Por descolonialidad y Buen Vivir
Pueblos Indígenas inician actividades en el Foro Social Mundial 2009. Convocan a Minga
Global en defensa de la Madre Tierra y al Foro Social Mundial Temático “Crisis civilizatoria, Descolonialidad y Buen Vivir” en enero del 2010. (CAOI) 26/01/09
http://www.movimientos.org/fsm2009/show_text.php3?key=13630

* Unificar as lutas por um mundo melhor
De 27 de janeiro a 02 de fevereiro Belém se transformará na cidade das lutas sociais por um mundo melhor. Com a realização do Fórum Social Mundial mais cem mil pessoas de diferentes partes do planeta se encontrarão em nossa cidade para debater e construir caminhos novos para a humanidade. (Vía Campesina – Pará) 26/01/09

http://www.movimientos.org/fsm2009/show_text.php3?key=13626