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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Sínodo Pan-Amazônico/Cardeal Hummes: "A missão da Igreja hoje na Amazônia é o núcleo central do Sínodo"


07/10/2019 21:00, Rádio Vaticano, Vatican News.va (Cidade do Vaticano) https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2019-10/cardeal-hummes-discurso-abertura-sinodo-amazonia.html

Papa Francisco e o relator-geral do Sínodo para a Amazônia,
cardeal Cláudio Hummes  (ANSA)

 

O Sínodo dos Bispos para a Amazônia tem como tema "Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. "O tema ressoa grandes linhas pastorais características do Papa Francisco. Definir novos caminhos. Desde o início de seu ministério papal, Francisco sublinha a necessidade de a Igreja caminhar", disse o cardeal Hummes em seu discurso.

Cidade do Vaticano
O relator-geral do Sínodo para a Amazônia, cardeal Cláudio Hummes, presidente da Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), fez seu pronunciamento na abertura do Sínodo, nesta segunda-feira (07/10).

Segue a íntegra do texto.

O tema do Sínodo, que ora iniciamos, é o seguinte: “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O tema ressoa grandes linhas pastorais características do Papa Francisco. Definir novos caminhos. Desde o início de seu ministério papal, Francisco sublinha a necessidade de a Igreja caminhar. Ela não pode ficar sentada em casa,  cuidando de si mesma, cercada de muros de proteção. Muito menos ainda, olhando para trás com certa nostalgia de tempos passados. Ela precisa abrir as portas, derrubar  muros que a cercam e construir pontes, sair e pôr-se a caminho na história, nos tempos atuais de mudança de época, caminhando sempre próxima de todos, principalmente de quem vive nas periferias da humanidade.  Igreja “em saída”. Para que sair? Para acender luzes e aquecer corações, que ajudem as pessoas, as comunidades, os países e a humanidade global a encontrar o sentido da vida e da história. Essas luzes são principalmente o anúncio da pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado e seu reino, bem como a prática da misericórdia, da caridade e da solidariedade  sobretudo para com os pobres, os sofridos, os esquecidos e descartados do mundo de hoje, os migrantes e os indígenas. 

“Esse caminhar a torna fiel à verdadeira tradição. Uma coisa é o tradicionalismo que fica preso no passado, outra é a verdadeira tradição que

Abya Yala*/Como o Sínodo Panamazônico pode nos surpreender


07/10/2019 17:34, Carta Maior (Brasil) https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Mae-Terra/Como-o-Sinodo-Panamazonico-pode-nos-surpreender/3/45412

Por Leonardo Boff*

Entre os dias 6-27 de outubro acontecerá em Roma o Sínodo Panamazônico. Já em 1974 o Papa Paulo VI instituíu a figura do Sínodo, primeiro dos dos Bispos, com representantes de todos os continentes mas também os Sínodos regionais como o Sínodo dos Bispos holandeses em 1980 e o Sínodo dos bispos alemães que está ocorrendo em 2019 e outros.

O sínodo, cujo significado etimológico significa “fazer um caminho juntos” representa uma ocasião para as Igrejas locais ou regionais tomarem o pulso do caminhar de suas igrejas, analisando os problemas, identificando os desafios e buscando juntos caminhos de implementação e atualização do evangelho.

Especial relevância é o Sínodo Panamazônico, pois revela um duplo grau de consciência no próprio tema básico: “Novos caminhos para a Igreja e para a Ecologia integral”.Trata-se de definir um outro tipo de presença da Igreja nas Américas e especificamente nesta vasta região amazônica que recobre 9 países numa extensão de mais de 8 milhões de kilômetros quadrados. O outro grau de consciência

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Brasil/Primaz do Brasil e Arcebispo de Salvador se revolta contra Proposta de Emenda à Constituição 241 (PEC 241)

30 outubro 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)

 


Em uma nota surpreendente, o arcebispo Dom Murilo Krieger, da Arquidiocese de Salvador, não somente faz uma defesa contundente do posicionamento vigoroso da CNBB desta semana contra a PEC 241 (agora PEC 55, no Senado), mas vai além. Diz, por exemplo, que "para o capital mundial, esta PEC é tudo o que ele gostaria de ver aprovado. Os bancos, que já ganharam muito nos últimos anos, vão ganhar ainda mais. Sobrará dinheiro para investirem na imprensa, dizendo que esse sacrifício é mesmo necessário para o bem 'do Brasil'". Dom Murilo pergunta: "Se a PEC 241 é tão boa assim, porque seu conteúdo não foi colocado para a sociedade discutir? Por que foi aprovada pela Câmara Federal tão rapidamente?"
Por Robson Sávio Reis Souza

Estou surpreso com uma nota publicada no Facebook da Arquidiocese de Salvador (abaixo). Nela, Dom Murilo Krieger, primaz do Brasil, não somente faz uma defesa contundente do posicionamento vigoroso da CNBB (desta semana) contra a PEC 241 (agora PEC 55, no Senado), como vai além. Diz, por exemplo, que "para o capital mundial, esta PEC é tudo o que ele gostaria de ver aprovado. Os bancos, que já ganharam muito nos últimos anos, vão ganhar ainda mais. Sobrará dinheiro para investirem na imprensa, dizendo que esse sacrifício é mesmo necessário para o bem "do Brasil".
Dom Murilo pergunta: "Se a PEC 241 é tão boa assim, porque seu conteúdo não foi colocado para a sociedade discutir? Por que foi aprovada pela Câmara Federal tão rapidamente? (Alguém se lembra de outra Proposta de Emenda à Constituição aprovada em tão pouco tempo?...)"
E o arcebispo de Salvador desafia: "chamar de marxista quem pensa diferente de nós é o mesmo que condenar Jesus por ter dito aos apóstolos, diante da fome da multidão: "Dai-lhes vós mesmos de

quarta-feira, 16 de março de 2016

Brasil/Apelo ao ex-presidente Lula para assumir um ministério no Governo Dilma



12 março 2016 Leonardo Boff https://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Caro amigo-irmão Lula

Escrevo-lhe sob a premência da situação política atual e a pedido de muitos amigos comuns.
           
Direi poucas palavras.

Há o risco de que as conquistas sociais conseguidas para os mais vulneráveis de nosso país, graças a suas políticas de inclusão social produtiva, sejam anuladas e se percam. O projeto da macroeconomia global sob a pressão dos grupos neoliberais nacionais e internacionais, pode levar ao poder aqueles para os quais as grandes maiorias são peso morto da história e para as quais há apenas políticas pobres para os pobres. Esse projeto social do PT,  de seus aliados e também da Igreja da libertação que encontra apoio no amor aos pobres  do Papa Francisco, tem que ser salvo como ponto de honra, como imperativo ético e como  sentido da mais alta humanidade.

Por isso, sou da opinião de que

domingo, 17 de março de 2013

Vaticano/FRANCISCO I VEM DISPUTAR O CONSENSO SOCIAL

13 março 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Julio C. Gambina*

A Igreja é parte do poder mundial, e não só do poder económico. A Igreja disputa historicamente o consenso da sociedade. É uma realidade a considerar em tempos de crise capitalista, considerada também uma crise de civilização uma vez que esta civilização contemporânea está ordenada pelo regime do capital, ou seja, pela exploração do homem pelo homem, pela depredação da Natureza.

Quando o sistema mundial era desafiado pelo avanço dos povos e pelo socialismo (como forma que tentava ser alternativa da ordem mundial) abriu-se caminho a teologia da libertação, em aberta confrontação com o poder institucional de uma Igreja retrógrada. Assim, a Igreja dos pobres mostrava-se a partir do Sul do mundo, mais precisamente da Nossa América. A Igreja oficial não podia negar este rumo que abria passagem entre os padres de base e permitiu um grande debate mundial no seio da Igreja.

Os rumos da ofensiva popular batiam à porta da instituição. A resposta contemporânea da instituição Igreja foi acompanhando a ofensiva capitalista para recuperar o poder do regime do capital. Essa ofensiva materializou-se nos anos 80 contra o socialismo e os povos, abrindo o caminho ao poder reaccionário dos Ratzinger e dos Bergoglio.

Há 40 anos o neoliberalismo foi ensaiado em nossos territórios com as ditaduras e o terrorismo de Estado, para a seguir estender-se por toda a orbe. A Igreja da Argentina, salvo honrosas e escassas excepções, acompanhou a ditadura genocida nesse parto neoliberal, ainda que agora fale contra a pobreza e a ética.

Um PAPA polaco chegou à Igreja para acompanhar o princípio do fim da experiência socialista, ainda que se discuta o próprio carácter daquela experiência. O capitalismo mundial necessitava do Leste da Europa. A Alemanha assim o entendeu. Os EUA também. Sem o Leste da Europa, já abandonado o projecto socialista original, o mundo deixou de ser bipolar e constituiu-se o rumo unipolar do capitalismo, transnacional e neoliberal.

O rumo unipolar está a ser desafiado pela mudança política na Nossa América e o ressurgir do socialismo, seja pela mão da revolução cubana ou pelos processos específicos que emergem em alguns países (Venezuela ou Bolívia), inclusive em variados movimentos políticos, sociais, intelectuais, culturais, na nossa região.

Com a morte de Chávez e milhões mobilizados para constituírem-se em sujeitos pelo cumprimento do legado revolucionário e socialista de Hugo Chávez, a Igreja lança à arena o símbolo de um chefe da Igreja nascido no Sul e compenetrado com o projecto do Norte.

O PAPA argentino, Francisco I, vem cumprir o projecto do poder mundial para disputar o consenso da sociedade, especialmente dos povos. Não só se trata de sustentar posições contrárias ao matrimónio igualitário, ou contra o aborto, amplamente difundidas pelo bispo Bergoglio, como de gestar uma consciência de disciplinamento para com a ordem contemporânea, reaccionária, de dominação transnacional.

Nossa América é hoje laboratório de mudança política. A Igreja instituição quer intervir neste processo – não para pressionar essas mudanças e sim para travá-las. A disputa é pelas consciências. É uma batalha de ideias, pela mudança, ou pelo retrocesso. Preocupa-os o efeito Chávez na região. Preocupa-os a sucessão política na Venezuela e a capacidade de estender o rumo socialista. Necessitam disputar o consenso.

Mas, apesar das tentativas institucionais para acompanhar a ofensiva do capital contra o trabalho, os trabalhadores e os sectores populares, incluída a igreja dos pobres, o movimento religioso popular, persiste na busca pela organização da sociedade do viver bem (Bolívia), do bom viver (Equador), do socialismo cubano, ou da luta pela emancipação social de grande parte da sociedade dos de baixo na Nossa América.

O PAPA Francisco I vem com a sua. Nós os povos devemos continuar nossa busca e experimentação em favor de uma nova sociedade, por outro mundo possível, esse que se constrói na luta contra a exploração, pela emancipação social, contra o capitalismo e o imperialismo, pelo socialismo.

Ver também:
juicioesma.blogspot.pt/2010/11/el-cardenal-bergoglio-que-tanto-sabe.html
www.infoeducasares.com.ar/?p=1223
www.taringa.net/...

* Presidente da Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas, FISYP .
O original encontra-se em http://www.argenpress.info/2013/03/francisco-i-viene-disputar-consenso.html



Vaticano/UMA MULTINACIONAL

14 março 2013, Avante! http://www.avante.pt (Portugal)

Filipe Diniz

Toda a gente opina sobre a questão do novo Papa. Para quem está de fora, suscita uma certa perplexidade que a generalidade das opiniões seja acerca de questões que não pareceriam propriamente ser do foro de uma instituição religiosa: actividades bancárias obscuras, escândalos de diverso tipo, intrigalhada de todo o género.

É tal a predominância desses temas que os textos mais interessantes são aqueles que não estão com rodeios, mesmo que o façam com ironia. É o caso de um («Pope, CEO», «The Economist», 9.03.2013) que começa com o seguinte e lapidar parágrafo: «A Igreja católica romana é a mais antiga multinacional do mundo. É também, em muitos aspectos, a de maior sucesso, com 1,2 mil milhões de clientes, dezenas de milhões de voluntários, uma rede de distribuição global, um logotipo universalmente reconhecível, um polimento sem rival no lobbying e, suscitando os melhores auspícios para o futuro, uma actuação de sucesso junto dos mercados emergentes».

Para o autor do artigo esta multinacional, se tem problemas, só precisa de seguir o exemplo das outras multinacionais para os ultrapassar. Se estão a braços com escândalos, montam uma campanha de relações públicas para convencer os seus clientes e empregados de que os estão a resolver. Se há a questão das operações bancárias obscuras, é subcontratar as actividades como fazem a IBM e a Ford, em vez de ter um banco próprio («o único no mundo que tem máquinas multibanco com instruções em latim»). E se querem consolidar o sucesso nos mercados emergentes, têm que instalar quartéis-generais nos locais, como fez por exemplo a Cisco criando uma nova sede em Bangalore.

Este artigo, sob a sua inteligente ironia, coloca reflexões bem interessantes. Uma delas é como é que uma estrutura ainda profundamente formatada – segundo a observação de Gramsci – pelo papel dos eclesiásticos enquanto intelectuais orgânicos do mundo feudal, e que mantém a sua hierarquia (com os seus «príncipes») estruturada ainda sobre esse modelo, permanece a «multinacional de maior sucesso» na fase imperialista do capitalismo? A resposta talvez esteja exactamente aí: esse sucesso não resulta das suas formas organizativas, mas de uma milenar aliança histórica com as classes dominantes.


Argentina/Novo papa já foi acusado de cumplicidade com crimes da ditadura argentina

13 março 2013, Opera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)

Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes
Recém-eleito papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio é acusado de ter sido cúmplice de crimes cometidos pela ditadura cívico-militar de seu país (1976-1983). Arcebispo de Buenos Aires, o cardeal chegou a ser convocado para testemunhar em julgamento sobre a desaparição de sacerdotes durante os anos de terrorismo de Estado.



De acordo com a Associação Mães da Praça de Maio, Bergoglio foi "cúmplice da ditadura". O cardeal é acusado de facilitar o sequestro dos sacerdotes jesuítas Francisco Jalics e Orlando Yorio, versão corroborada pelo jornalista Horacio Verbistky, autor de diversos livros sobre o assunto. “[Ele] era chefe da Companhia de Jesus, às quais eles pertenciam, mas em vez de protegê-los, lhes tirou a proteção eclesiástica e poucos dias depois foram sequestrados”.



“Ele os denunciou por estarem vinculados com a subversão e de terem desobedecido seus superiores hierárquicos”, continuou o jornalista, em entrevista de 2010 à televisão pública argentina, afirmando que a informação estava documentada na chancelaria argentina.



Em 2011, durante as audiências do processo sobre o plano sistemático de roubo de bebês - nascidos em prisões clandestinas, durante a ditadura, e adotados ilegalmente por outras famílias, em sua maioria próximas a autoridades militares –, Bergoglio chegou a ser citado para declarar, após testemunhas apontarem que ele estava ciente deste tipo de crime.



“Como é que o Bergoglio diz que só sabe do roubo de bebês há 10 anos?”, questionou em uma audiência Estela de la Cuadra, que apresentou ao tribunal cartas de seu pai ao arcebispo, agora papa, nos quais pedia que este intercedesse na procura por sua filha desaparecida, e de sua neta, que nasceu em um centro clandestino de prisão e tortura da ditadura.

Segundo o depoimento de Alicia De la Cuadra, primeira presidente da Associação Avós da Praça de Maio, durante a busca por sua neta, Bergoglio teria dado a ela uma carta na qual dizia que o bispo argentino Mario Piqui intercederia no caso. Após o contato com autoridades policiais, no entanto, o bispo teria afirmado que a criança estava vivendo com um "bom casal” e que a suposta adoção já não tinha “volta atrás”.



Além dos indícios de que sabia do esquema de roubo e apropriação ilegal de menores, Bergoglio deveria declarar acerca do sequestro de religiosos durante a repressão. Segundo a imprensa local, em depoimento de cerca de quatro horas, o cardeal afirmou que se reuniu com integrantes da Junta Militar que governava o país - Jorge Rafael Videla e Emilio Eduardo Massera - para pedir a libertação dos sacerdotes.



Em entrevista à televisão pública argentina, no entanto, o jornalista Verbitsky afirma que na audiência ante os tribunais, Bergoglio negou informações concedidas a ele em uma entrevista.



Segundo a reportagem, o novo papa deu ao jornalista detalhes sobre uma ilha chamada El Silencio, no delta do Rio Tigre, que teria sido vendida em 1979 pelo episcopado argentino para a Marinha, com o objetivo de servir como centro clandestino de prisão. “[Ele] negou [perantes os juízes] fatos que eu tenho claramente documentados”, disse Verbistky.



Em audiência sobre crimes cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (Esma), centro de detenção clandestino da ditadura, a ex-presa e desaparecida María Elena Funes relatou que o arcebispo de Buenos Aires tinha proibido um dos jesuítas de atuar como padre na região de Bajo Flores, no sul da capital argentina, por razões ideológicas.



Bergoglio foi denunciado pela primeira vez por cumplicidade com crimes da ditadura em 1986, no livro Igreja e Ditadura, escrito por Emilio Mignone, autor defensor dos direitos humanos que teve sua filha desaparecida.

*Com informações dos jornais Página 12 e Tiempo Argentino


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Brasil/ARTIGOS SOBRE COMBATE AO NARCOTRÁFICO NO RIO DE JANEIRO

1- A ARTE DA GUERRA NO RIO DE JANEIRO

2- QUE GILMAR MENDES NÃO SOLTE OS BANDIDOS DO RIO

3- COMBATER O BRAÇO FINANCEIRO E INSTITUCIONAL DO CRIME

4- VIOLÊNCIA DO CRIME ORGANIZADO



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1- A ARTE DA GUERRA NO RIO DE JANEIRO

2 dezembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Luciano Rezende *

Sun Tzu disse: “Na guerra, o objetivo principal é a vitória. Se esta tardar, embotam-se as armas e deprime-se o moral”. Décadas da presença do crime organizado em vastas regiões da cidade do Rio de Janeiro, com a cumplicidade de setores da própria polícia, fizeram com que a reputação desta corporação e dos poderes constituídos do Estado fosse maculada perante o povo. Resgatar a confiança e a credibilidade das instituições de segurança pública é tarefa das mais importantes.

Sun Tzu disse: “Ataca onde quer que o inimigo esteja despreparado; irrompe quando ele não te esperar”. Como se diz: “Quando o trovão ribomba, não há tempo de tapar os ouvidos”. A complexidade do tráfico faz necessário que além das ações mais enérgicas e de enfrentamento ostensivo se invista no trabalho de inteligência. Sitiar as movimentações financeiras é uma forma de manter o inimigo sob pressão e esgotá-lo.

Sun Tzu disse: “A natureza do terreno é o fator fundamental para o exército consolidar sua vitória”. “(...) Em terreno íngreme, devo tomar posições nas elevações ensolaradas e aguardar o inimigo”. Com as instalações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nos topos dos morros, deslocando os traficantes de suas antigas bases estratégicas, contribuirá sobremaneira para uma efetiva ocupação destas comunidades que, por sua topografia irregular, necessita contar com visão privilegiada para dificultar o retorno do inimigo. “Quando um gato se posta diante de um buraco de ratos, dez mil ratos não saem; quando o tigre vigia o vau, dez mil carneiros não atravessam o rio”.

Sun Tzu disse: “Um exército sem agentes secretos é exatamente como um homem sem olhos e sem ouvidos”. Nesse quesito, parece que os traficantes sempre dispuseram de informações privilegiadas partindo de dentro da própria polícia. Em contrapartida, percebe-se que agora a própria população, ao readquirir o moral de combatentes auxiliares desta guerra, passa a ser informante contra o tráfico, apoiando a polícia através de importantes denúncias telefônicas.

Sun Tzu disse: “Quando as tropas estão em situação favorável, o covarde é bravo; quando não, o bravo é covarde. Na arte da guerra não existem regras fixas. Estas dependem unicamente das circunstâncias”. Esperemos que a firmeza do discurso oficial no atual momento seja mantida com o decorrer do tempo e que as políticas sociais de fato “subam o morro” e sejam implantadas com a coragem necessária para superar de vez as práticas assistencialistas do inimigo.

Sun Tzu disse: “Não permitas que seus inimigos se aliem. Examina o conteúdo dessas alianças e provoca sua ruptura. Se o inimigo tem alianças, o problema é grave e a posição dele, muito forte; se não as tem, o problema é menor e a posição dele, muito fraca”. O crime organizado no Rio conseguiu tecer vasta rede de colaboradores. Tem representação no Parlamento e está infiltrado em várias repartições com anuência de vários agentes do poder público. Romper esse consórcio é tarefa a ser perseguida.

Sun Tzu disse muito mais em “A Arte da Guerra”. Documento milenar que a despeito de seu contexto histórico guarda enorme atualidade. Mas Sun Tzu não viveu o capitalismo. Não desconfiava de poder existir um modo de produção capaz de disseminar uma cultura de guerra e violência de fazer inveja aos antigos senhores de guerra.

A cultura da violência vem do berço no capitalismo que sobrevive do espírito de uma bestial competição, em todos os sentidos. A própria insegurança da população é um ótimo negócio a ser comercializado pela indústria da segurança, inclusive por milícias. Banalizou-se a violência como em poucos momentos da história da civilização. Hoje uma criança pede à mãe para comprar um “caveirão” do Bope de brinquedo, assistindo um ingênuo Pica-pau vermelho e azul meter uma paulada na cabeça de um índio. Todos riem.

Relembrando Brecht: “Muitos acusam o rio de violento, mas poucos são os que condenam as margens que o reprimem”. Em meio a mais uma cobertura midiática sensacionalista, é fundamental que, ao reafirmarmos a validade das operações policiais, também sejamos capazes de fazer uma leitura histórica e científica da violência no Rio, no Brasil e no mundo. Não ser ingênuo a ponto de pensar que o tráfico vai ser vencido apenas com políticas sociais, mas também não imaginar que somente a ação policialesca será suficiente para se alcançar o apaziguamento. O rio (e o Rio) está (ão) cada vez mais estreito (s).

A verdadeira paz só será atingida com outro sistema social, o que exigirá um outro tipo de guerra, mais prolongada, de longo fôlego. Sun Tzu disse: “A invencibilidade depende de nós. A vulnerabilidade do rival depende dele”. O capitalismo é débil por natureza, perecerá mais cedo ou mais tarde, a depender de nossa estratégia.
* Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Professor do Instituto Federal do Amazonas (IFAM).


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2- QUE GILMAR MENDES NÃO SOLTE OS BANDIDOS DO RIO

2 dezembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Messias Pontes *

O Brasil inteiro assistiu, atônito, nos últimos dias, às ações das forças militares e policiais no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Toda a sociedade apoiou o combate sem trégua aos bandidos e aplaudiu por não atingir pessoas inocentes nos morros da Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Muita droga – maconha, cocaína e crack – e muita arma pesada e farta munição foram apreendidas, causando enorme prejuízo financeiro aos traficantes, calculado em mais de R$ 100 milhões.

A sociedade brasileira aplaudiu também a prisão de vários “chefões” do tráfico, mas espera que os que conseguiram furar o cerco sejam presos no curto prazo. Espera também que haja uma averiguação rigoroso para apurar denúncias de que maus policiais facilitaram a fuga de alguns bandidos tanto no morro da Vila Cruzeiro como no Complexo do alemão. Há denúncias também de excesso por parte de policiais e até mesmo de roubo, conforme declarou um morador da Vila Cruzeiro que um soldado lhe roubou R$ 31 mil, dinheiro recebido da rescisão de contrato de trabalho.

Mas o que os brasileiros de bem esperam mesmo é que o ministro Gilmar Mendes – ou Gilmar Dantas, conforme o jornalista Ricardo Noblat – não venha a decretar a liberdade dos bandidos presos durante a operação policial-militar. A preocupação é procedente, pois este ministro, que infelizmente chegou à presidência da mais alta Corte de Justiça do País, tem sido benevolente, para não dizer um pai, com bandidos de colarinho branco.

Para surpresa geral, Gilmar Mendes soltou o banqueiro-bandido italiano Alberto Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, que deu um rombo de mais de R$ 1,5 bilhão. Em liberdade, Cacciola fugiu para o seu país, e só foi preso pela Interpol quando resolveu passear no Principado de Mônaco, e depois extraditado para cá. Ele foi condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.

Gilmar Mendes, para não perder a fama, concedeu celeremente dois habeas corpus ao também banqueiro-bandido Daniel Dantas, indiciado por vários crimes, entre eles gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além de proteger o banqueiro-bandido, Gilmar Mendes perseguiu implacavelmente o delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha que apurou a roubalheira do dono do banco Opportunity ; também perseguiu o delegado federal Paulo Lacerda, então diretor da ABIN, e o juiz Federal Fausto di Sanctis que decretou as prisões de DD.

A posição e as decisões do ministro Gilmar Mendes foram tão esdrúxulas que um movimento nacional ganhou corpo para o seu impeachment, o que acabou não acontecendo porque a maioria dos senadores é muito conservadora e medrosa, para não dizer covarde. Dezenas de entidades nacionais se manifestaram pelo impeachment desse ministro que foi indicado pelo Coisa Ruim (FHC) para o Supremo Tribunal Federal apesar das advertências feitas pelo grande jurista Dalmo de Abreu Dallari.

Setores progressistas da igreja católica têm denunciado as ações antidemocráticas de Gilmar Mendes, notadamente na criminalização dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Comprometido com os interesses do baronato da mídia, esse ministro tornou sem efeito a obrigatoriedade do diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.

Agora, para indignação geral, o ministro Gilmar Mendes põe em liberdade o médico-monstro Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, em primeira instância, por crimes sexuais contra 60 pacientes. O relato das vítimas desse monstro, que é milionário, chocou a todos, menos ao ministro do STF que não gosta de ver bandido de colarinho branco na cadeia.

A consciência democrática brasileira não aceita, por hipótese alguma, que o ministro Gilmar Mendes tenha a petulância de ordenar a soltura dos traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro, presos nos últimos dias nas comunidades de Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB.


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3- COMBATER O BRAÇO FINANCEIRO E INSTITUCIONAL DO CRIME

29 novembro 2010/Vermelho EDITORIAL http://www.vermelho.org.br

A provocação irracional e inaceitável iniciada pelo crime organizado com a onda de violência desencadeada no dia 21, teve um desdobramento inesperado não só para os bandidos mas também para toda população.

Pela primeira vez houve uma ação coordenada das polícias fluminenses, das Forças Armadas e de forças policiais da União para não só reprimir a ação criminosa, como também, numa verdadeira operação de guerra, desalojá-los dos espaços que controlavam e que transformaram em bases de operação para distribuir drogas ilegais, esconder seus arsenais, encontrar repouso e atendimento médico quando necessário depois de conflitos com a polícia ou adversários de outras facções criminosas. Eles construíram, em favelas e outras comunidades pobres do Rio de Janeiro verdadeiros para-estados, à margem da lei e das instituições.

A operação coordenada desta semana indica que é possível combater o tráfico e o crime organizado a ele associado. Ela teve um êxito inicial e o mérito cabe ao governo do Rio de Janeiro e do governo federal.

Há notícias de que o descontentamento dos criminosos que degenerou naqueles ataques decorreria da implementação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), primeiro passo para a ocupação dos territórios antes entregues aos bandidos. Através das UPPs, o Estado retomou sua presença nas comunidades, seja através da prestação de segurança, como de outras políticas públicas, em benefício da população.

O apoio da população à ação bélica contra os bandidos (que pode ser medido pelo alto número de ligações anônimas feitas para o disque-denúncia, e que permitiu a localização e a prisão de inúmeros traficantes) revela o sucesso alcançado pelas UPPs, cuja mera existência passa a ser um sinal de reocupação pública de espaços dominados por facções. Para a deputada federal eleita Jandira Feghali (PCdoB-RJ), “antigamente a população tinha mais medo da policia do que dos traficantes e milícias, mas desta vez a população não apenas apoiou como colaborou”. E este apoio continuará sendo decisivo nesta etapa em que, ocupado o território, começa a varredura casa a casa para uma verdadeira “limpeza” do terreno e consolidação da “conquista”.

Vai durar? Esta é outra pergunta que está em muitas mentes. Setores conservadores se assanham com a presença das Forças Armadas nas ruas, mesmo que não tenham se envolvido no combate direto mas participado do apoio logístico e material e do controle do território tomado aos bandidos. Há, aqui, um eco de velhos sonhos antidemocráticos de “botar o Exército na rua” para ações policiais que não fazem parte de sua missão constitucional, que é a de defender a soberania e a integridade nacional.

A participação das Forças Armadas na operação ocorrida no Rio de Janeiro foi inestimável e merece elogios justamente pelo sentimento de respeito à lei demonstrado pelos militares, definindo claramente o papel e a função que tiveram na operação, manifestando a disposição de ir para o sacrifício e contribuir para consolidar a vitória obtida e subordinar-se ao comando civil da operação.

Foi essa participação que permitiu a vitória. E é possível imaginar que permitiu por várias razões que incluem o uso de veículos blindados, helicópteros, barcos, soldados e oficiais que se tornaram exímios em ações desse tipo. Mas há outra razão que precisa ser lembrada: a mera presença de oficiais das Forças Armadas nesta ação deve ter contribuído para encorajar os policiais honrados, que constituem a maioria, e intimidar a “banda podre” da polícia carioca, que a opinião quase unânime dos especialistas aponta como um dos principais fatores de existência e reforço do crime organizado com o qual mantém relações cúmplices de proteção e envolvimento em negócios altamente rentáveis como o tráfico de drogas e também de armas pesadas que asseguram o poderio bélico da criminalidade.

Vários especialistas opinam que a permanência do sucesso de uma operação dessa envergadura será consequência não do envolvimento das Forças Armadas no combate ao crime, mas de uma profunda reforma da polícia que elimine a “banda podre” formada por poderosos focos de corrupção e envolvimento com o crime. O antropólogo Luiz Eduardo Soares, que foi (em 1999/2000) coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do Rio, usa palavras fortes para descrever a situação atual e justificar a necessidade de uma reforma profunda da polícia. Há uma “degradação institucional em curso”, diz ele.

Uma outra ponta do tráfico que precisa ser combatida com vigor semelhante ao demonstrado nesta semana no Rio de Janeiro é aquilo que se poderia chamar de “braço financeiro e institucional” do tráfico. Os financiadores do tráfico, de drogas e de armas, aqueles que se encarregam da lavagem do dinheiro, certamente não moram nas favelas nem nos morros, diz a deputada Jandira Feghali. Certamente eles sofrerão enormes prejuízos em consequência da operação militar desta semana. Mas é preciso ir além – identificá-los e submetê-los aos rigores da lei da mesma forma como se faz com os gerentes do tráfico e com a chefia intermediária, aquela que está nas favelas e nos presídios.


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4- VIOLÊNCIA DO CRIME ORGANIZADO

26 novembro 2010/Zillah Branco Escreve http://zillahbrancoescreve.blogspot.com/

Não há dúvida de que os dois mandatos do governo Lula plantaram na sociedade brasileira as sementes democráticas que agora, com Dilma, deverão ser defendidas e orientadas para a construção de instituições públicas livres do domínio oligárquico exercido pela velha elite mandante. Todos os que participaram dessa construção de uma dinâmica que implanta os princípios democráticos em cada expressão do Estado de Direito sabem que o caminho de transformação, com base nas alianças entre todas as forças sociais e políticas nacionais, é longo e exige tenacidade em cada passo.

Foram diferentes iniciativas, alterando a legislação e as normas administrativas, buscando a participação dos cidadãos para definir o caminho do país, analisando criticamente o funcionamento dos órgãos de serviço público, fortalecendo um sistema democrático de atendimento ao povo, combatendo preconceitos e abusos de poder que desvirtuam o papel do Estado, denunciando os obstáculos criados por uma oposição criminosa ao desenvolvimento social e estabelecendo os limites éticos da ação política e administrativa na gestão do patrimônio nacional. Foi aberto o caminho para que instituições verdadeiramente democráticas passem a definir o Estado e que a impunidade deixasse de entravar a justiça no país.

Vemos, neste episódio de guerra do narcotráfico contra as forças policiais do Rio de Janeiro, o quanto a sociedade evoluiu no tratamento dos problemas sociais afetados pela ação do crime organizado. A Segurança Pública do Rio de Janeiro, que há perto de trinta anos combate as ações criminosas que têm suas bases nas favelas onde vivem centenas de milhares de famílias de trabalhadores, foi agora organizada com fundamentos técnicos militares e conhecimento científico para entender o comportamento dos cidadãos envolvidos – de bandidos e de moradores inocentes – conduzindo com maestria um enfrentamento decisivo com um mínimo de vítimas pessoais.

O processo gradual que minou e desesperou os chefes do narcotráfico.tornou-se possível como reflexo do novo caminho aberto com a meta democrática. As forças militares e policiais de todo o país ofereceram a sua ajuda que foi sendo aceita na medida das necessidades para um confronto final e rápido. Não houve competição entre poderes, houve solidariedade nacional. Os tanques da Marinha, os aviões blindados da Aeronáutica, o apoio de militares para garantir a ordem liberando as polícias estaduais para darem seqüência ao plano de pacificação que vem sendo implantado em todas as favelas há longos meses através da fixação de UPP (unidades policiais de pacificação). Os especialistas em segurança pública, os analistas científicos e os militantes dos movimentos sociais concordam em que a polícia evoluiu de uma fase de vigilância, como poder externo, para a de ajuda integrada com os moradores. Só assim conseguiram quebrar a força de proteção popular exercida pelos criminosos e criar condições para que o Estado assumisse as suas funções e conquistasse a confiança da população.

Foram dados exemplos de profunda significação na chefia da Segurança Pública em contacto permanente com a população através dos telefones de apoio. Os erros denunciados, de ligação de elementos da Polícia com o crime organizado, de prática de violência contra civis inocentes, de abusos de poder – que desde a vigência da ditadura em 1964 se tornara habitual e assustador – foram banidos e a impunidade deixou de vigorar nas ações policiais e militares. Resta agora que o sistema judicial e carcerário nacional entre no mesmo caminho de saneamento tanto de leis inadequadas como de comportamento irresponsável que limita a luta da sociedade contra o crime organizado. No Rio de Janeiro, nesta semana, foram alcançados êxitos admiráveis de aliança democrática dos órgãos de segurança pública e a população que passou a participar solidariamente com confiança no Estado, e a adesão da mídia integrada aos objetivos de luta do comando unificado contra o crime organizado.

Todos os que elegeram Lula em 2002 e que o acompanharam dentro ou fora do aparelho governamental, sabem que o processo segue o seu curso, agora com Dilma, na consolidação das primeiras conquistas democráticas (são muitas, a começar do combate à fome e pela integração social da maior parte da população brasileira com benefícios institucionais e no desenvolvimento nacional com independência) e que a fase de consolidação das conquistas abrirá novos caminhos para aprofundar as mudanças. Todos sabem que novas formas de oposição vão surgir, dos que encontram apoio em forças criminosas antidemocráticas criadas para gerar o caos nas sociedades que se levantam. A história da humanidade apresenta este quadro em várias épocas e diferentes regiões do planeta. Surgem razões pessoais, questões transitórias, ambições de grupos políticos, que se unem para destruir o que o povo constrói.

Assim é a violência que se desencadeou recentemente no Rio de Janeiro para intimidar os defensores de uma estratégia pacificadora das numerosas favelas onde se escondem as redes do crime organizado. Assim foi a campanha de difamação que se multiplicou através da internet e dos meios de comunicação social que apoiavam a fraca oposição à eleição de Dilma. Assim agiram os colonialistas britânicos no Oriente Médio dividindo os territórios árabes, os colonizadores europeus da África e da Ásia semeando a discórdia entre povos vizinhos, e o imperialismo norte-americano que sucedeu ao colonialismo globalmente. Com características de atos isolados, de rebeldia de grupos que perdem seus antigos privilégios, são confundidos com situações de insatisfação populares e as suas causas atribuídas à incapacidade ou erros dos governantes. A responsabilidade da mídia nesses momentos é decisiva para evitar que a violência de poucos seja utilizada por interesses privados contra as mudanças democráticas.

As dificuldades que se avizinham são atenuadas pelos vigorosos passos dados no sentido da solidariedade real da população e de meios de comunicação social com o Estado na medida em que se reestrutura com os recursos do conhecimento científico das questões sociais e das metas democráticas.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Brasil/Serra obriga Globo a ir a hospital e sustentar farsa da agressão

21 outubro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A farsa da suposta “agressão de militantes petistas” ao candidato à Presidência José Serra (PSDB) contou, nesta quarta-feira (20), com a mãozinha da TV Globo. É o que informa, em seu blog, o deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ).

Por André Cintra

Ao chegar ao Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro (SP) — após ser atingido por uma bolinha de papel e iniciar uma patética encenação —, Serra cobrou a presença da emissora da família Marinho. Conforme o relado de Brizola Neto, o tucano viu que não havia veículo nenhum da grande mídia à porta do hospital para sustentar o embuste.

Irritado, o candidato do PSDB “voltou e um telefonema foi disparado para a TV Globo, exigindo a presença de um repórter e cinegrafista. Às pressas, foi mandado o repórter Helder Duarte, que, como pode ser visto no vídeo postado no Jornal da Globo, segurava o único microfone na entrevista onde Serra fala de suas ‘convicções democráticas’”.

Brizola Neto também cobra pronta apuração do episódio. “Porque ninguém pode ser agredido impunemente. Nem um candidato a presidente, nem milhões de brasileiros, atingidos na cabeça com uma versão fantasiosa dos fatos capaz de provocar muito mais estragos que uma bolinha de papel.”

Para azar de Serra, o médico Jacob Kligerman — que lhe fez até ressonância magnética — foi a público para informar que não encontrou lesão alguma, mas recomendou um dia de descanso. Será que o precavido Serra, em queda nas pesquisas, ficará mesmo um dia parado em casa e perderá sua aparição diária no Jornal Nacional?


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Brasil/A VERDADE CONTRA O JOGO SUJO NA CAMPANHA DO 2º TURNO

18 outubro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A frase final da nota em que o comando tucano-privatista tenta negar o envolvimento com a montanha de panfletos ilegais contra Dilma Rousseff apreendidos neste final de semana numa gráfica em São Paulo é esclarecedora do instinto raivoso que orienta a campanha do neoliberal José Serra. Gráfica, aliás, da qual Satiko Kobayashi, irmã de um dos coordenadores da campanha tucana, Sérgio Kobayashi, é dona de 50%.

“A Igreja Católica não é a CUT”, diz aquela nota num tom arrogante de desrespeito para com os religiosos que apoiam Dilma e as centrais sindicais e demais organizações de trabalhadores e profissionais que, como aquela frase insinua grosseiramente, cumpririam ordens de comandos de campanha. A insinuação constrange organizações independentes, religiosas ou não, e que legitimamente participam da disputa eleitoral.

A frase é reveladora dos métodos esquivos de campanha da direita e seus aliados. A montanha de panfletos – a gráfica foi contratada para produzir 2,2 milhões, dos quais a Polícia Federal apreendeu um milhão – infringe a lei e a moralidade em vários e importantes pontos. O papelório, que foi apresentado como se tivesse a chancela da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (que prontamente desmentiu qualquer relação com aquela encomenda criminosa), contém mentiras contra a candidata Dilma Rousseff e a campanha das forças democráticas e populares neste segundo turno.

O maremoto de baixarias contra Dilma, cujo epicentro está nas cercanias da campanha do privatista José Serra, inspira uma reflexão sobre a natureza das campanhas políticas.

Disputas eleitorais existem para que os candidatos possam expor à sociedade as ideias e programas para dirigir o país, cabendo ao eleitor a decisão, que será revelada nas urnas. A cabine eleitoral é a arena onde estes rumos diferentes se confrontam, e o eleitor precisa estar suficientemente esclarecido a respeito das opções em jogo.

Não é o que se vê na campanha tucana, cujo jogo sujo serve para confundir o eleitor e esconder dele suas propostas neoliberais, antinacionais e antidesenvolvimentistas que não podem confessar no horário eleitoral. E que, por isso, são camufladas por mentiras, calúnias, injúrias e muita desconversa. Como os fariseus do Evangelho, batem no peito e proclamam uma religiosidade que até as paredes da Catedral da Praça da Sé, em São Paulo, sabem que é falso; como diz o adágio popular, são “santinhos do pau oco”; proclamam-se contra o aborto, sabendo tratar-se de questão de saúde pública; escondem suspeitos de roubo de arrecadações de campanha; difundem mentiras sobre as relações da esquerda brasileira com forças insurgentes de outros países; cobrem-se de opróbrio ao mentir sobre o tráfico de drogas; enxovalham o passado altaneiro e patriótico de Dilma Rousseff mentindo sobre sua participação na resistência contra a ditadura, sua prisão e as torturas que sofreu.

A campanha eleitoral é um momento de verdade, mas não é isso o que se vê na campanha tucana em que o jogo sujo é o biombo para esconder o programa neoliberal que infelicitou o país quando eles estiveram na Presidência, com Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Programa que o eleitor rejeitou em 2002, 2006 e vai voltar a derrotar este ano.

Os tucanos transformaram a campanha eleitoral num jogo de tudo ou nada. Repetem o mesmo figurino da direita que sempre foi fator de atraso e instabilidade no cenário político. Como não podem esclarecer seus propósitos, tratam a campanha eleitoral na ponta da faca. Sem força social ou política para saídas golpistas com as quais sonham, usam a força da mídia sob seu controle para seu jogo sujo. Demonstram querer tomar a Presidência da República de assalto, a qualquer custo, escondendo seu programa inconfessável atrás de palavras sonoras.

“Contra a mentira deles, a nossa verdade, o nosso trabalho”, disse o presidente Lula, reagindo a essa campanha de ódio marcada pela falta “de caráter e de hombridade”. Lula tem razão; é a disputa limpa, leal e de peito aberto que faz a democracia avançar. O eleitor vota com o cérebro e o coração; junta raciocínio e sentimento e sua escolha revela a adesão a um programa para o país e para os brasileiros. Por isso precisa ficar atento ao que os candidatos dizem na propaganda e comparar com o que fizeram no governo. É uma comparação fatal para o neoliberalismo tucano, da qual seu candidato José Serra foge.

Mas o eleitor vota também com suas ações combativas. Ocupa as ruas e praças para manifestar sua opção avançada. A mobilização é a força do povo contra o poder do dinheiro e do monopólio da mídia patronal. É a maneira mais eficiente de proclamar ao país qual o caminho escolhido. A convencer os indecisos e iludidos. A deixar claro: no dia 31 de outubro o eleitor não se engana e vota em Dilma Rousseff para o Brasil continuar mudando.

*Tucano - Ave muito comum na América Latina que foi tomada como simbolo do partido direitista PSDB. José Serra é o seu candidato à presidência da república. O seu pensamento político é o mesmo de Fernando Henrique Cardoso, outro membro deste grupo partidário, cujo mandato presidencial caracterizou-se pela privatização das mais importantes empresas do estado a favor de grupos estrangeiros (Mercosul & CPLP)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Brasil/A VERDADE CONTRA O JOGO SUJO NA CAMPANHA DO 2º TURNO

18 outubro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A frase final da nota em que o comando tucano-privatista tenta negar o envolvimento com a montanha de panfletos ilegais contra Dilma Rousseff apreendidos neste final de semana numa gráfica em São Paulo é esclarecedora do instinto raivoso que orienta a campanha do neoliberal José Serra. Gráfica, aliás, da qual Satiko Kobayashi, irmã de um dos coordenadores da campanha tucana, Sérgio Kobayashi, é dona de 50%.

“A Igreja Católica não é a CUT”, diz aquela nota num tom arrogante de desrespeito para com os religiosos que apoiam Dilma e as centrais sindicais e demais organizações de trabalhadores e profissionais que, como aquela frase insinua grosseiramente, cumpririam ordens de comandos de campanha. A insinuação constrange organizações independentes, religiosas ou não, e que legitimamente participam da disputa eleitoral.

A frase é reveladora dos métodos esquivos de campanha da direita e seus aliados. A montanha de panfletos – a gráfica foi contratada para produzir 2,2 milhões, dos quais a Polícia Federal apreendeu um milhão – infringe a lei e a moralidade em vários e importantes pontos. O papelório, que foi apresentado como se tivesse a chancela da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (que prontamente desmentiu qualquer relação com aquela encomenda criminosa), contém mentiras contra a candidata Dilma Rousseff e a campanha das forças democráticas e populares neste segundo turno.

O maremoto de baixarias contra Dilma, cujo epicentro está nas cercanias da campanha do privatista José Serra, inspira uma reflexão sobre a natureza das campanhas políticas.

Disputas eleitorais existem para que os candidatos possam expor à sociedade as ideias e programas para dirigir o país, cabendo ao eleitor a decisão, que será revelada nas urnas. A cabine eleitoral é a arena onde estes rumos diferentes se confrontam, e o eleitor precisa estar suficientemente esclarecido a respeito das opções em jogo.

Não é o que se vê na campanha tucana, cujo jogo sujo serve para confundir o eleitor e esconder dele suas propostas neoliberais, antinacionais e antidesenvolvimentistas que não podem confessar no horário eleitoral. E que, por isso, são camufladas por mentiras, calúnias, injúrias e muita desconversa. Como os fariseus do Evangelho, batem no peito e proclamam uma religiosidade que até as paredes da Catedral da Praça da Sé, em São Paulo, sabem que é falso; como diz o adágio popular, são “santinhos do pau oco”; proclamam-se contra o aborto, sabendo tratar-se de questão de saúde pública; escondem suspeitos de roubo de arrecadações de campanha; difundem mentiras sobre as relações da esquerda brasileira com forças insurgentes de outros países; cobrem-se de opróbrio ao mentir sobre o tráfico de drogas; enxovalham o passado altaneiro e patriótico de Dilma Rousseff mentindo sobre sua participação na resistência contra a ditadura, sua prisão e as torturas que sofreu.

A campanha eleitoral é um momento de verdade, mas não é isso o que se vê na campanha tucana em que o jogo sujo é o biombo para esconder o programa neoliberal que infelicitou o país quando eles estiveram na Presidência, com Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Programa que o eleitor rejeitou em 2002, 2006 e vai voltar a derrotar este ano.

Os tucanos transformaram a campanha eleitoral num jogo de tudo ou nada. Repetem o mesmo figurino da direita que sempre foi fator de atraso e instabilidade no cenário político. Como não podem esclarecer seus propósitos, tratam a campanha eleitoral na ponta da faca. Sem força social ou política para saídas golpistas com as quais sonham, usam a força da mídia sob seu controle para seu jogo sujo. Demonstram querer tomar a Presidência da República de assalto, a qualquer custo, escondendo seu programa inconfessável atrás de palavras sonoras.

“Contra a mentira deles, a nossa verdade, o nosso trabalho”, disse o presidente Lula, reagindo a essa campanha de ódio marcada pela falta “de caráter e de hombridade”. Lula tem razão; é a disputa limpa, leal e de peito aberto que faz a democracia avançar. O eleitor vota com o cérebro e o coração; junta raciocínio e sentimento e sua escolha revela a adesão a um programa para o país e para os brasileiros. Por isso precisa ficar atento ao que os candidatos dizem na propaganda e comparar com o que fizeram no governo. É uma comparação fatal para o neoliberalismo tucano, da qual seu candidato José Serra foge.

Mas o eleitor vota também com suas ações combativas. Ocupa as ruas e praças para manifestar sua opção avançada. A mobilização é a força do povo contra o poder do dinheiro e do monopólio da mídia patronal. É a maneira mais eficiente de proclamar ao país qual o caminho escolhido. A convencer os indecisos e iludidos. A deixar claro: no dia 31 de outubro o eleitor não se engana e vota em Dilma Rousseff para o Brasil continuar mudando.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Brasil/Plebiscito: 95% a favor da limitação do tamanho das fazendas

19 outubro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

95% dos participantes do plebiscito promovido pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo afirmaram ser favoráveis à fixação de um limite para o tamanho das propriedades rurais.

Este resultado foi divulgado nesta terça-feira em Brasília por representantes do Forum, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), durante entrevista coletiva. A consulta integra a primeira etapa de um movimento que pretende colher até o final do ano 1,2 milhão de assinaturas em todo o país para apresentar ao Congresso Nacional em 2011 um projeto visando a estabelecer o limite de 35 módulos fiscais para as terras devolutas e improdutivas.

Mais de 500 mil pessoas ouvidas em 23 estados e no Distrito Federal se disseram favoráveis à ideia de fixar um limite máximo para o tamanho das propriedades rurais. Elas foram consultadas entre os dias 1° e 12 de setembro, em plebiscito promovido pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, entre outras entidades.

Entre os 519.623 cidadãos consultados, apenas 3,52% se posicionaram contrários ao estabelecimento de limite para a terra rural. O percentual de votos em branco foi de 0,63% e o de nulos, de 0,34%. Quanto à pergunta que vinculou o tamanho da propriedade à produção, apenas 4,27% apenas julgaram irrelevante o limite, 0,89% votou em branco e 0,45%, nulo. A maioria concordou também que o limite da propriedade possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade.

Se aprovada, a medida vai atingir entre 42 mil e 50 mil propriedades rurais, numa área total equivalente a 100 milhões de hectares. Se for fixado o limite da propriedade em mil hectares, ele atingiria 68 mil propriedades rurais no país. O conceito de módulo fiscal varia nos estados, de acordo com as condições locais, entre 7 hectares a 100 hectares.

O representante do Fórum Nacional pela Reforma Agrária, Gilberto Portes, destacou o alcance do plebiscito, lembrando que, na consulta, foram ouvidas mais de 500 mil pessoas.

O representante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), padre Gabriele Cipriani, afirmou que a questão da terra deveria ter destaque na agenda dos candidatos à Presidência da República, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), que vão disputar o cargo no dia 31, em segundo turno.

Segundo Cipriani, fazer a reforma agraria "é democratizar o uso da terra como um direito da população para produzir alimentos para o mercado interno e para exportação”. (De Brasília. Com informações da Agência Brasil)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Brasil/O DIA DAS BOAS ALMAS

18 outubro, 2010/Afinsophia http://afinsophia.wordpress.com

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu ao Partido dos Trabalhadores liminar para que a Policia Federal apreendesse panfletos que seriam distribuídos em igrejas com conteúdos caluniosos contra a candidata Dilma Rousseff.

Segundo os proprietários da Editora Gráfica Panda, em Cambuci, na Zona Sul de São Paulo, onde o material foi imprimido, o pedido teria sido feito pelo bispo dom Luiz Gonzaga da Diocese da Regional Sul 1. O pedido foi de 20 milhões de exemplares para serem distribuídos aos fieis de várias igrejas. Como a gráfica não tem suporte para imprimir a quantidade pedida, os coordenadores da campanha de Dilma acreditam que outras gráficas estão fazendo o trabalho.

Com a liminar, a Polícia Federal apreendeu mais de 1 milhão de impressos que foram levados para a Justiça Eleitoral para exame, e saber se se trata de crime eleitoral. Na ocasião a Polícia Federal recebeu dos proprietários da gráfica Alexander Ogawa, pai, e Paulo Ogawa, filho, que acompanharam a operação, documentos que trazem a assinatura do bispo cabo eleitoral de Serra.

Com mais essa descoberta de atuação da campanha de Serra, fica mais do que comprovado que essa eleição para a direita não tem nenhum sentido político. Nada de democracia, mas tentativa irracional de se apossar do poder, não importando se os meios sejam os mais espúrios, sórdidos e doentios.

# O bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o mesmo bispo que no dia 3 de outubro, dia das eleições, distribuiu em sua igreja panfletos contra a candidata Dilma e o Partido dos Trabalhadores, afirmando que Dilma é a favor do aborto, está sendo acusado como o responsável pelo pedido de impressão de mais de 20 milhões de panfletos na Editora Gráfica Panda, com o mesmo conteúdo, que seria distribuído em algumas igrejas católicas. Como já ocorreu em igrejas de São Paulo e Minas Gerais. A declaração contra o bispo foi feita pelo pai do dono da gráfica, que afirmou que a pessoa que contratou o serviço disse que era colaborador do bispo, cabo eleitoral de Serra.

Como o ocorrido envolve o reincidente bispo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se reuniu em caráter extraordinário para examinar a denúncia contra dom Luiz Gonzaga, que faz parte da ala ultra-direita da CNBB. A ala fundamentalista que não tem Cristo como seu senhor, mas tão somente suas pulsões inconscientes que o levam a ter essa posição da forma prepotente que vem apresentando.

Diante do ocorrido, que só confirma a forma sórdida como vem sendo a campanha de Serra, o que depõe contra a democracia, a campanha de Dilma entrou com duas representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma argumenta que se trata de uma propaganda eleitoral que oculta tal intenção. A segunda que argumenta que material de propaganda política não pode ser financiado por entidades religiosas.

O deputado Adriano Diogo argumentou que a CNBB não autoriza que sua logomarca seja colocada em manifesto político, por isso ele entende que há algo mais perigoso no fato. “Esse documento é falso. Falsificou o timbre da CNBB, falsificou o texto, que não é da CNBB. O documento é frio, não tem nada que ver com a CNBB. As assinaturas dos bispos são frias. É falsidade ideológica.

Nenhuma igrejinha pode rodar uma tiragem desta. Há alguém muito poderoso, com muita bala na agulha, mandando rodar o material. Ninguém pode afirmar que tem algum partido político por trás disso. Mas o teor é totalmente partidário. Não é um documento eclesial.

Isso é a campanha do obscurantismo. Não tem nada a ver com política. É a campanha dos porões, dos subterrâneos. Eles estão desesperados. Querer usar a fé, falsificar assinatura de bispo, isso é coisa criminosa, é um delírio”, afirmou Diogo.

Aproveitando a campanha de calúnia contra Dilma promovida pelo membros do partido da direita, mais padres, bispos, pastores e grupos nazistas, Serra, Tasso Jereissati, Mão Santa, Lúcio Alcantara e outros foram à igreja de São Francisco de Canindé fazer campanha política. Quando o padre percebeu o intento do grupo, parou a celebração e se opôs contra a distribuição de panfletos que obrigavam os fiéis a não votar em Dilma. “Acusam a candidata do PT em nome da igreja. Não é verdade. A igreja não está autorizando esta coisas”, disse o padre Francisco Gonçalves, ao mesmo tempo que era aplaudido pelos fiéis.

“Gostaria que a missa não fosse tumultuada com os políticos que chegaram. Se vieram com outra intenção, peço que saiam assim como entraram. Isso é uma profanação”, afirmou o padre Francisco Gonçalves, que enquanto falava olha diretamente para Serra, Tasso, e todos do grupo que se encontravam na primeira fila.

O padre afirmou que eram mentirosos os panfletos que estavam sendo distribuídos difamando Dilma. Nesse momento, Tasso, que se encontrava sentado próximo ao padre se levantou seguindo em direção ao sacerdote gritando que ele era “um padre petista”. Formou-se uma confusão e o padre teve que sair escoltado por seguranças.

Os fiéis não gostaram do ato do candidato da direita, José Serra, que não respeita nem Jesus Cristo, posto que usa seu nome em vão, e vaiaram com entusiasmo Serra e sua trupe de exploradores da fé cristã.

Essa, a forma como a turma do Serra faz campanha. A forma mais torpe jamais vista em toda a história do Brasil.



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Brasil/Evangélicos e católicos se unem em favor de Dilma

14 outubro 2010/Afinsophia http://afinsophia.wordpress.com

MANIFESTO DE CRISTÃOS E CRISTÃS EVANGÉLICOS/AS E CATÓLICOS/AS EM FAVOR DA VIDA E DA VIDA EM ABUNDÂNCIA!

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40)

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras. Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:

Dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás Velho, e presidente honorário da CPT nacional.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Feliz do Araguaia-MT.
Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales-SP e presidente da Cáritas nacional.
Dom Luiz Eccel – Bispo de Caçador-SC
Dom Antonio Possamai, bispo emérito da Rondônia.
Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana- Maranhão.
Dom Xavier Gilles, bispo emérito de Viana- Maranhão.
Padre Paulo Gabriel, agente de pastoral da Prelazia de São Feliz do Araguaia /MT
Jether Ramalho, líder ecumênico, Rio de Janeiro.
Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo
Professor Candido Mendes, cientista político e reitor
Luiz Alberto Gómez de Souza, cientista político, professor
Zé Vicente, cantador popular. Ceará
Chico César. Cantador popular. Paraíba/são paulo
Revdo Roberto Zwetch, Igreja IELCB e professor de teologia em São Leopoldo.
Pastora Nancy Cardoso, metodista, Vassouras / RJ
Antonio Marcos Santos, Igreja Evangélica Assembléia de Deus – Juazeiro – Bahia
Maria Victoria Benevides, professora, da USP
Monge Joshin, Comunidade Zen Budista do Brasil, São Paulo
Antonio Cecchin, irmão marista, Porto Alegre.
Ivone Gebara, religiosa católica, teóloga e assessora de movimentos populares.
Fr. Luiz Carlos Susin – Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Frei Betto, escritor, dominicano.
Luiza E. Tomita – Sec. Executiva EATWOT(Ecumenical Association of Third World Theologians)
Ir. Irio Luiz Conti, MSF. Presidente da Fian Internacional
Pe. João Pedro Baresi, pres. da Comissão Justiça e Paz da CRB (Conferência dos religiosos do Brasil) SP
Frei José Fernandes Alves, OP. – Coord. da Comissão Dominicana de Justiça e Paz
Pe. Oscar Beozzo, diocese de Lins.
Pe. Inácio Neutzling – jesuíta, diretor do Instituto Humanitas Unisinos
Pe. Ivo Pedro Oro, diocese de Chapecó / SC
Pe. Igor Damo, diocese de Chapecó-SC.
Irmã Pompeia Bernasconi, cônegas de Santo Agostinho
Cibele Maria Lima Rodrigues, Pesquisadora.
Pe. John Caruana, Rondônia.
Pe. Julio Gotardo, São Paulo.
Toninho Kalunga, São Paulo,
Washingtonn Luiz Viana da Cruz, Campo Largo, PR e membro do EPJ (Evangélicos Pela Justiça)
Ricardo Matense, Igreja Assembléia de Deus, Mata de São João/Bahia
Silvania Costa
Mercedez Lopes,
André Marmilicz
Raimundo Cesar Barreto Jr, Pastor Batista, Doutor em ética social
Pe. Arnildo Fritzen, Carazinho. RS.
Darciolei Volpato, RS
Frei Ildo Perondi – Londrina PR
Ir. Inês Weber, irmãs de Notre Dame.
Pe. Domingos Luiz Costa Curta, Coord. Dioc de Pastoral da Diocese de Chapecó/SC.
Pe. Luis Sartorel,
Itacir Gasparin
Célio Piovesan, Canoas.RS
Toninho Evangelista – Hortolândia/SP
Geter Borges de Sousa, Evangélicos Pela Justiça (EPJ), Brasília.
Caio César Sousa Marçal – Missionário da Igreja de Cristo – Frecheirinha/CE
Rodinei Balbinot, Rede Santa Paulina
Pe. Cleto João Stulp, diocese de Chapecó.
Odja Barros Santos – Pastora batista
Ricardo Aléssio, cristão de tradição presbiteriana, professor universitário.
Maria Luíza Aléssio, professora universitária, ex-secretária de educação do Recife
Rosa Maria Gomes
Roberto Cartaxo Machado Rios
Rute Maria Monteiro Machado Rios
Antonio Souto, Caucaia, CE
Olidio Mangolim – PR
Joselita Alves Sampaio – PR
Kleber Jorge e silva, teologia – Passo Fundo – RS
Terezinha Albuquerque
PR. Marco Aurélio Alves Vicente – EPJ – Evangélicos pela Justiça, pastor-auxiliar da Igreja Catedral da Família/Goiânia-GO
Padre Ferraro, Campinas.
Ir, Carmem Vedovatto
Ir. Letícia Pontini, discípulas, Manaus.
Padre Manoel, PR
Magali Nascimento Cunha, metodista
Stela Maris da Silva
Ir. Neusa Luiz, Abelardo Luz- SC
Lucia Ribeiro, socióloga
Marcelo Timotheo da Costa, historiador
Maria Helena Silva Timotheo da Costa
Ianete Sampaio
Ney Paiva Chavez, professora educação visual, Rio de janeiro
Antonio Carlos Fester
Ana Lucia Alves, Brasília
Ivo Forotti, Cebs – Canoas – RS
Agnaldo da Silva Vieira – Pastor Batista. Igreja Batista da Esperança – Rio de Janeiro
Irmã Claudia Paixão, Rio de Janeiro
Marlene Ossami de Moura, antropóloga / Goiânia.
Ir. Maria Celina Correia Leite, Recife
Pedro Henriques de Moraes Melo – UFC/ACEG
Fernanda Seibel, Caxias do Sul.
Benedito Cunha, pesquisador popular, membro do Centro Mandacaru – Fortaleza
Pe. Lino Allegri – Pastoral do Povo da Rua de Fortaleza, CE.
Juciano de Sousa Lacerda, Prof. Doutor de Comunicação Social da UFRN
Pasqualino Toscan – Guaraciaba SC
Francisco das Chagas de Morais, Natal – RN.
Elida Araújo
Maria do Socorro Furtado Veloso – Natal, RN
Maria Letícia Ligneul Cotrim, educadora
Maria das Graças Pinto Coelho/ professora universitária/UFRN
Ismael de Souza Maciel membro do CEBI – Centro de Estudos Bíbicos Recife
Xavier Uytdenbroek, prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP
Maria Mércia do Egito Souza, agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS
Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito
Targelia de Souza Albuquerque
Maria Lúcia F de Barbosa, Professora UFPE
Débora Costa-Maciel, Profª. UPE
Maria Theresia Seewer
107. Ida Vicenzia Dias Maciel
108. Marcelo Tibaes
109. Sergio Bernardoni, diretor da CARAVIDEO- Goiânia – Goiás
110. Claudio de Oliveira Ribeiro. Pastor da Igreja Metodista em Santo André, SP.
104 . Pe. Paulo Sérgio Vaillant – Presbítero da Arquidiocese de Vitória – ES
106. Roberto Fernandes de Souza. RG 08539697-6 IFP RJ – Secretario do CEBI RJ
107. Sílvia Pompéia.
108. Pe. Maro Passerini – coordenador Past. Carcerária – CE
109. Dora Seibel – Pedagoga, caxias do sul.
110. Mosara Barbosa de Melo
111. Maria de Fátima Pimentel Lins
112. Prof. Renato Thiel, UCB-DF
114 . Alexandre Brasil Fonseca , Sociólogo, prof. da UFRJ, Ig. Presbiteriana e coordenador da Rede FALE)
115 Daniela Sanches Frozi, (Nutricionista, profa. da UERJ, Ig. Presbiteriana, conselheira do CONSEA Nacional e vice-presidente da ABUB)
116. Marcelo Ayres Camurça – Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião – Universidade Federal de Juiz de Fora
117. Revd. Cônego Francisco de Assis da Silva,Secretário Geral da IEAB e membro da Coordenação do Fórum Ecumênico Brasil
118. Irene Maria G.F. da Silva Telles
119. Manfredo Araújo de Oliveira
120. Agnaldo da Silva Vieira – Pedagogo e Pastor Auxiliar da Igreja Batista da Esperança-Centro do Rio de Janeiro
121. Pr. Marcos Dornel – Pastor Evangélico – Igreja Batista Nova Curuçá – SP
122. Adriano Carvalho.
123. Pe. Sérgio Campos, Fundação Redentorista de Comunicações Sociais – Paranaguá/Pr.
124. Eduardo Dutra Machado, pastor presbiteriano
125. Maria Gabriela Curubeto Godoy – médica psiquiatra – RS
126. Genoveva Prima de Freitas- Professora – Goiânia
127. M. Candida R. Diaz Bordenave
128. Ismael de Souza Maciel membro do CEBI – Centro de Estudos Bíbicos Recife
129. Xavier Uytdenbroek prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP
130. Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
131. Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS
132. Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito
133. Targelia de Souza Albuquerque
134. Maria Lúcia F de Barbosa (Professora – UFPE)
135. Paulo Teixeira, parlamentar, São Paulo.
136. Alessandro Molon, parlamentar, Rio de janeiro.
137. Adjair Alves (Professor – UPE)
138. Luziano Pereira Mendes de Lima – UNEAL
139. Cláudia Maria Afonso de Castro-psicóloga- trabalhadora da Saúde-SMS Suzano-SP
140. Fátima Tavares, Coordenadora do Programa de Pos-Graduação em Antropologia FFCH/UFBA
141. Carlos Cardoso, Professor Associado do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBA.
142. Isabel Tooda
143. Joanildo Burity (Anglicano, cientista político, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco,
144. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Professor de Teologia PUC- Rio
145. Aristóteles Rodrigues – Psicólogo, Mestre em Ciência da Religião
146. Zwinglio Mota Dias – Professor Associado III – Universidade Federal de Juiz de Fora
147. Antonio Francisco Braga dos Santos- IFCE
148. Paulo Couto Teixeira, Mestrando em Teologia na EST/IECLB
149. Rev. Luis Omar Dominguez Espinoza
150. Anivaldo Padilha – Metodista, KOINONIA, líder ecumênico
151. Nercina Gonçalves
152. Hélio Rios, pastor presbiteriano
153. João José Silva Bordalo Coelho, Professor- RJ
154. Lucilia Ramalho. Rio de janeiro.
155. Maria Tereza Sartorio, educadora, ES
156. Maria José Sartorio, saúde, ES
157. Nilda Lucia Sartorio, secretaria de ação social, Espírito santo
158. Ângela Maria Fernandes -Curitiba 159. Lúcia Adélia Fernandes
160. Jeanne Nascimento – Advogada em São Paulo/SP
161. Frei José Alamiro, franciscano, São Paulo, SP
162. Otávio Velho, antropólogo
163. Iraci Poleti,educadora
164. Antonio Canuto
165. Maria Luisa de Carvalho Armando
166. Susana Albornoz
167. Maria Helena Arrochellas
168. Francisco Guimarães
169. Eleny Guimarães

Brasil/DESMONTE DE UMA FALÁCIA

A questão do aborto está sendo instrumentalizada para fins eleitorais

7 outubro 2010/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br
D. Demétrio Valentini

A questão do aborto está sendo instrumentalizada para fins eleitorais. Esta situação precisa ser esclarecida e denunciada.

Está sendo usada uma questão que merece toda a atenção e isenção de ânimo para ser bem situada e assumida com responsabilidade, e que não pode ficar exposta a manobras eleitorais, amparadas em sofismas enganadores.

Nesta campanha eleitoral está havendo uma dupla falácia, que precisa ser desmontada.

Em primeiro lugar, se invoca a autoridade da CNBB para posições que não são da entidade, nem contam com o apoio dela, mas se apresentam como se fossem manifestações oficiais da CNBB.

Em segundo lugar, se invoca uma causa de valor indiscutível e fundamental, como é a questão da vida, e se faz desta causa um instrumento para acusar de abortistas os adversários políticos, que assim passam a ser condenados como se estivessem contra a vida e a favor do aborto.

Concretamente, para deixar mais clara a falácia, e para urgir o seu desmonte:

A Presidência do Regional Sul 1 da CNBB incorreu, no mínimo, em sério equívoco quando apoiou a manifestação de comissões diocesanas, que sinalizavam claramente que não era para votar nos candidatos do PT, em especial na candidata Dilma.

Ora, os Bispos do Regional já tinham manifestado oficialmente sua posição diante do processo eleitoral. Por que a Presidência do Regional precisava dar apoio a um documento cujo teor evidentemente não correspondia à tradição de imparcialidade da CNBB? Esta atitude da Presidência do Regional Sul 1 compromete a credibilidade da CNBB, se não contar com urgente esclarecimento, que não foi feito ainda, alertando sobre o uso eleitoral que está sendo feito deste documento assinado pelos três bispos da presidência do Regional.

Esta falácia ainda está produzindo conseqüências. Pois no próprio dia das eleições foram distribuídos nas igrejas, ao arrepio da Lei Eleitoral, milhares de folhetos com a nota do Regional Sul 1, como se fosse um texto patrocinado pela CNBB Nacional. E enquanto este equívoco não for desfeito, infelizmente a declaração da Presidência do Regional Sul 1 da CNBB continua à disposição da volúpia desonesta de quem a está explorando eleitoralmente. Prova deste fato lamentável é a fartura como está sendo impressa e distribuída.

Diante da gravidade deste fato, é bem vindo um esclarecedor pronunciamento da Presidência Nacional da CNBB, que honrará a tradição de prudência e de imparcialidade da instituição. A outra falácia é mais sutil, e mais perversa. Consiste em arvorar-se em defensores da vida, para acusar de abortistas os adversários políticos, para assim impugná-los como candidatos, alegando que não podem receber o voto dos católicos.

Usam de artifício, para fazerem de uma causa justa o pretexto de propaganda política contra seus adversários, e o que é pior, invocando para isto a fé cristã e a Igreja Católica.

Mas esta falácia não pára aí. Existe nela uma clara posição ideológica, traduzida em opção política reacionária. Nunca relacionam o aborto com as políticas sociais que precisam ser empreendidas em favor da vida.

Votam, sem constrangimento, no sistema que produz a morte, e se declaram em favor da vida.

Em nome da fé, julgam-se no direito de condenar todos os que discordam de suas opções políticas. Pretendem revestir de honestidade, uma manobra que não consegue esconder seu intento eleitoral.

Diante desta situação, são importantes, e necessários, os esclarecimentos. Mais importante ainda é a vigilância do eleitor, que tem todo o direito de saber das coisas, também aquelas tramadas com astúcia e malícia.

D. Demétrio Valentini é bispo de Jales – SP (São Paulo)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Angola/Bispo do Namibe considera que sonho de Agostinho Neto está a ser realizado

17 setembro 2009 -- O bispo da Igreja Católica no Namibe, Mateus Feliciano Tomás, disse hoje que o sonho de Agostinho Neto de ver uma Angola em paz, liberdade, unida e em desenvolvimento está a ser cumprido.

Em declarações à Angop, à propósito do Dia do Herói Nacional, que hoje se assinala, o religioso disse que deve-se sempre seguir os ensinamentos dos antepassados, tirando uma lição para o futuro.“Devemos valorizar os nossos heróis, por isso, o 17 de Setembro é uma data digna de ser comemorada”, sublinhou.

Apontou a reconstrução nacional e a melhoria das condições sociais das populações como o cumprimento de um objectivo de Neto, quando a 11 de Novembro de 1975 proclamou a Independência Nacional.

“Estamos no caminho certo, no que diz respeito a democratização do país, liberdade em todos os sentidos, temos que trabalhar cada
vez mais, sempre fieis aos ensinamentos dos nossos antepassados”, realçou.

Considerou ser uma honra para os namibenses acolher o acto central do 17 de Setembro, devendo aproveitar a ocasião para mostrar o crescimento da província.

Segundo disse, a cidade está em crescimento em todos os sentidos, destacando o surgimento de novas residências, escolas e hospitais, tendo considerado as inaugurações de infra-estruturas, no quadro do 17 de Setembro, um sinal da vitalidade da província.

Nascido em 17 de Setembro de 1922, no Icolo e Bengo, a 60 quilómetros a norte de Luanda, Neto morreu em Moscovo, capital da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a 10 de Setembro de 1979, por doença.

Tido como um homem de cultura e de poesia, o “Herói Nacional” fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países, naquela que ficou designada como a guerra colonial portuguesa.

Foi preso pela PIDE-DGS, antiga polícia política portuguesa, e deportado para o Tarrafal, Cabo Verde, sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do MPLA, do qual já era presidente honorário desde 1962. (Notícias Lusófonas)

sábado, 12 de setembro de 2009

Brasil/DOM HELDER CAMARA E A ESPIRITUALIDADE DO CONFLITO

Carlo Tursi *

10 setembro 2009/Adital http://www.adital.com.br

"Não pensem que eu vim trazer paz à terra...!" (Mt 10,34)
Hoje, somos todos reféns daquilo que agrada às multidões. E nada agrada-lhes mais do que o discurso da "paz". Parece que, depois de três décadas de lutas, manifestações, punhos erguidos, discursos inflamados e palavras de ordem gritadas, a "turma" se cansou e procura agora profetas e sacerdotes (-cantores?) de "fala mansa" que prometem bonança e serenidade, de preferência sem ninguém ter que suar a camisa. "Felizes os mansos" (Mt 5,5) e - sobretudo - os sorridentes, pois o grande público irá escutá-los. Toda palavra mais grossa, discussão mais acalorada, qualquer dissenso ou polêmica são ojerizados; preza-se viver em um ambiente harmônico, tranqüilo e isento de perturbações. Se existem conflitos - e não há como negar sua existência, nem na sociedade, nem na Igreja - , há de se silenciar acerca deles, pois viver um conflito, ainda mais às vistas do público, seria hoje desastroso para a imagem de qualquer instituição ou comunidade. E é assim que mantemos - nos lares, nas igrejas, nas repartições - a fachada da unidade-unanimidade e da paz, varrendo os grandes problemas e conflitos debaixo do famigerado "tapete".

A uma espiritualidade cristã autêntica, porém, esta ânsia por "paz a qualquer preço" sempre pareceu hipócrita. Já a denunciava o profeta bíblico: "Do menor ao maior, são todos aproveitadores, do profeta ao sacerdote, todos enganadores. Sem responsabilidade querem curar a ferida do meu povo, dizendo apenas "Shalom! Shalom!", quando paz não existe!" (Jr 6,13-14). E o próprio Cristo, anunciado como "manso e humilde de coração" na nossa atual mentalidade eclesial, foi, na realidade, um grande polemizador das causas justas, que discutiu com juristas canônicos e sacerdotes, chamando-os de hipócritas, guias cegos e sepulcros caiados (Mt 23). Jesus pegou pesado com ricos ("Ai de vós!") e políticos ("Raposa"), mas também não costumava bajular as multidões que o escutavam ("geração má e adúltera!"). "Não vim trazer a paz, mas a espada", disse ele certa vez. Ou seja, veio para nos forçar a uma tomada de posição: ou a favor ou contra as prioridades do Reinado de Deus - e os seus preferidos.

Esta espiritualidade bíblico-evangélica só pode chocar a mentalidade cristã vigente. Repete-se, em todas as paróquias, o lema da Campanha da Fraternidade ad nauseam ("A paz é fruto da justiça"), mas não se encontra quem queira denunciar as tremendas injustiças e desigualdades que permeiam nosso convívio social brasileiro. Tomar partido? É complicado...! Ninguém quer "pegar (no) pesado", tudo deve ser "light" e facilmente digerível, senão os "fiéis" vão embora...

Dom Helder Camara, cujo centenário de nascimento (1909) comemoramos este ano, exercia-se na espiritualidade cristã autêntica e não fazia concessões ao "gosto" das multidões. No seu já célebre livro "Revolução dentro da Paz" (RJ 1968), o pastor-profeta dizia: "Trata-se de convencer os senhores de hoje a completar a abolição da escravatura, contribuindo, de modo decisivo, não para um amplo movimento filantrópico e assistencialista, mas para um autêntico movimento de promoção humana" (p.79). Sabia da inocuidade de certos discursos eclesiásticos em favor da paz e da justiça, quando desacompanhados de ações concretas no terreno sócio-político: "Se não creio na violência armada, também não chego à ingenuidade de pensar que bastam conselhos fraternos, apelos líricos, para que tombem estruturas sócio-econômicas, como ruíram os muros de Jericó" (p.37).

É esta espiritualidade mais profunda de Dom Helder que não só sabe dar pão aos pobres, mas que pergunta pelas causas da pobreza e que, por conseqüência, aceita ser "perseguida por causa da justiça" (Mt 5,10) que "O GRUPO", aqui em Fortaleza, está querendo relançar ao povo cristão, durante noite de conferência no Colégio Santo Tomás de Aquino, no decurso da SEMANA DOM HELDER CAMARA. A conferência, intitulada "Dom Helder e a espiritualidade do conflito", será proferida por um padre e velho amigo do falecido Dom, João Pubben, no dia 29 de setembro, às 19:00 h, no auditório daquela instituição de ensino. Vamos conferir. Está na hora de avançar para águas mais profundas...

* Teólogo católico e membro da recém-eleita coordenação arquidiocesana de CEBs, em Fortaleza, Ceará

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sábado, 5 de setembro de 2009

Brasil/CARTA DE APOIO DA CNBB AO 15º GRITO DOS EXCLUÍDOS

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br
[ADITAL] 4 setembro 2009

CNBB *


Irmãos e Irmãs!

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz - CNBB, juntamente com a coordenação nacional do Grito dos Excluídos, Pastorais Sociais e Movimentos Populares, convida as comunidades, Igrejas, escolas, universidades e organizações sociais, a participarem das diversas atividades do Grito dos Excluídos Nacional, que se realiza em localidades de todos os Estados do País, na semana que antecede o dia 7 de setembro.

O Grito dos Excluídos, em seus 15 anos de existência, vem se afirmando como importante mobilização popular, na Semana da Pátria, em vista da construção de um projeto popular para o Brasil.

O tema deste ano, "Vida em primeiro lugar: a força da transformação está na organização popular", pretende anunciar, através das diferentes manifestações, sinais de esperança, unidade, organização e da luta popular, e denunciar as formas de injustiça social e degradação do Planeta.

No dia 7 de setembro, junto com o 15º Grito dos Excluídos, acontece, em Aparecida, (SP), a 22ª Romaria dos Trabalhadores com o lema: "A sabedoria dos pobres derrota as armas dos poderosos". O grito visa também; lutar contra as formas de exclusão e as causas que levam o povo a viver em condições de vida precárias e, muitas vezes, sem perspectiva de futuro; denunciar a política econômica que privilegia o capital financeiro em detrimento dos direitos sociais básicos; construir alternativas que tragam esperança aos excluídos e perspectivas de vida para as comunidades locais; promover a pluralidade e igualdade de direitos, bem como o respeito nas relações de gênero, raça e etnia; multiplicar assembléias populares para discutir a organização social a partir do Município, fortalecendo o poder popular.

Diante de situações de exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e o direito a uma vida digna para todo o ser humano. O compromisso com esta causa nos compromete no esforço de superação da exclusão, participando da construção de uma sociedade justa e solidária.

Dom Pedro Luiz Stringhini
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

04/09/2009

* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

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