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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Brasil/Primaz do Brasil e Arcebispo de Salvador se revolta contra Proposta de Emenda à Constituição 241 (PEC 241)

30 outubro 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)

 


Em uma nota surpreendente, o arcebispo Dom Murilo Krieger, da Arquidiocese de Salvador, não somente faz uma defesa contundente do posicionamento vigoroso da CNBB desta semana contra a PEC 241 (agora PEC 55, no Senado), mas vai além. Diz, por exemplo, que "para o capital mundial, esta PEC é tudo o que ele gostaria de ver aprovado. Os bancos, que já ganharam muito nos últimos anos, vão ganhar ainda mais. Sobrará dinheiro para investirem na imprensa, dizendo que esse sacrifício é mesmo necessário para o bem 'do Brasil'". Dom Murilo pergunta: "Se a PEC 241 é tão boa assim, porque seu conteúdo não foi colocado para a sociedade discutir? Por que foi aprovada pela Câmara Federal tão rapidamente?"
Por Robson Sávio Reis Souza

Estou surpreso com uma nota publicada no Facebook da Arquidiocese de Salvador (abaixo). Nela, Dom Murilo Krieger, primaz do Brasil, não somente faz uma defesa contundente do posicionamento vigoroso da CNBB (desta semana) contra a PEC 241 (agora PEC 55, no Senado), como vai além. Diz, por exemplo, que "para o capital mundial, esta PEC é tudo o que ele gostaria de ver aprovado. Os bancos, que já ganharam muito nos últimos anos, vão ganhar ainda mais. Sobrará dinheiro para investirem na imprensa, dizendo que esse sacrifício é mesmo necessário para o bem "do Brasil".
Dom Murilo pergunta: "Se a PEC 241 é tão boa assim, porque seu conteúdo não foi colocado para a sociedade discutir? Por que foi aprovada pela Câmara Federal tão rapidamente? (Alguém se lembra de outra Proposta de Emenda à Constituição aprovada em tão pouco tempo?...)"
E o arcebispo de Salvador desafia: "chamar de marxista quem pensa diferente de nós é o mesmo que condenar Jesus por ter dito aos apóstolos, diante da fome da multidão: "Dai-lhes vós mesmos de

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Brasil/Teia realiza encontro para articular luta por terra e território no Maranhão



26 julho 2016, Conselho Indigenista Missionário-CIMI* http://www.cimi.org.br (Brasil)

A Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão realizou no último final de semana seu primeiro encontro, na aldeia Geralda Toco Preto, do povo Krepym Katejê, município de Itaipava do Grajaú. A mensagem foi direta: "Esses projetos que conhecemos com os nomes de Programa Grande Carajás e Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA integram o modelo de desenvolvimento capitalista”.

O encontro foi permeado pela construção de estratégias comuns entre os povos e comunidades tradicionais para o enfrentamento àquilo chamado de dor da Mãe Terra. "Por isso, estamos retomando nossos territórios, revitalizando a nossa cultura, nossos rituais, nossas próprias organizações com a transmissão da sabedoria dos anciãos e anciãs às novas gerações”, diz trecho na

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Brasil/CARTA ABERTA AO PADRE ROBERTO FRANCISCO DANIEL (PADRE BETO)



Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados http://www.padrescasados.org (Brasil)

FIDELIDADE, OBEDIÊNCIA E LIBERDADE DE PENSAR.

Caro irmão no sacerdócio, Padre Beto:

Nós, o Movimento das Famílias dos Padres Casados – MFPC, dirigimo-nos ao senhor, em primeiro lugar, para mostrar nossa solidariedade neste momento em que foi atingido na essência do ser humano: o direito de pensar e expressar-se livremente.Lamentamos, em seguida, profundamente que, na nossa Igreja, a porta do acesso ao diálogo se apresenta cada vez mais estreita, enquanto o diálogo é exatamente uma daquelas portas largas, abrindo o caminho que leva ao Reino, conforme mostra Jesus no diálogo com a mulher samaritana (cf. João 4). Lamentamos o fato que, por parte da hierarquia eclesiástica, a arma usada é a do Direito Canônico, ou seja, as leis, feitas por homens, são colocadas, novamente, acima da mensagem libertadora e dos preceitos e das atitudes do Evangelho.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Brasil/"... SOU HUMANA! E O MARCO FELICIANO NÃO ME REPRESENTA"


Brasil/O LADO "BOM" DE FELICIANO



11 abril 2013, O Tempo (Brasil)

Murilo Rocha

O deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) protagoniza, há um mês, manchetes de noticiários em todo o Brasil. Desde o acordo para a sua eleição na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Feliciano desfere um festival de idiotices, desrespeito e estupidez, principalmente, quando tenta se defender de acusações de racismo e homofobia. Todos os dias surgem novos vídeos com declarações absurdas do parlamentar, como, por exemplo, a da existência de uma maldição sobre os negros ou a da interferência divina no assassinato de John Lennon por este ter cometido heresia quando comparou a popularidade dos Beatles à de Jesus Cristo.

Há quem veja como ruim esse excesso de publicidade - mesmo sendo negativa - dada ao político de opiniões tão esdrúxulas. E isso é realmente perigoso. Ao criticar Feliciano, a imprensa acaba dando uma visibilidade nunca imaginada pelo pastor. Parece impossível, mas a cada nova polêmica, se ganha críticas, ele também ganha novos adeptos. Brincadeira ou não, seu nome já foi até cogitado por seus colegas de partido para uma disputa à Presidência da República.

No entanto, nem tudo está perdido. O preconceito exalado por Feliciano e sua trupe no último mês também evidenciou como há um segmento de pessoas no Brasil pensando dessa maneira e, alguns deles, ocupando importantes cargos públicos. Mesmo se não fosse eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Feliciano continuaria a existir dentro do Congresso com as mesmas ideias. Dar voz ao parlamentar e espaço para seus preconceitos, amparados pelo uso falacioso de textos religiosos, também é uma forma de desqualificá-lo e desencadear reações reprovando o comportamento do pastor até de representantes de outras igrejas evangélicas.

É sempre um risco, nestes tempos de reação e falta de utopias, dar espaço ao conservadorismo e ao desrespeito, mas, no caso de Feliciano, parece estar surtindo um efeito contrário e positivo. A impropriedade e o anacronismo de seu pensamento fazem despertar, em igual proporção, o quanto é criminoso o preconceito racial e a homofobia. Como é grave, também, a exploração de pessoas mais pobres por meio de um charlatanismo religioso descarado, no qual, para se chegar a uma bênção divina, aceita-se pagamento em vale-transporte, em tíquete refeição ou em cartão de crédito dividido em dez parcelas.

Tão importante quanto brigar pela saída do deputado e pastor Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos é combater a disseminação de suas ideias na vida cotidiana, nas instituições públicas e, também, nas privadas. Nesse ponto, as redes sociais têm desempenhado um importante papel.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Brasil/EXCRESCÊNCIA DA POLÍTICA BRASILEIRA



9 abril 2013, http://www.diretodaredacao.com (Brasil)

Mário Augusto Jakobskind

O caso do pastor Marco Feliciano, que se arrasta há um mês, não se restringe apenas ao parlamentar, muito menos à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Trata-se de uma ofensiva conservadora, especialmente fundamentalista religiosa, que representa um retrocesso para o país.

Feliciano, segundo a Folha de S. Paulo, agora em defesa protocolada no Supremo Tribunal Federal, confirmou suas anteriores declaraçõe racistas afirmando que “paira sobre os africanos uma maldição divina”.

Remover Feliciano do cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias é uma necessidade, sem dúvida, mas não basta. Ele representa uma excrescência da política brasileira e é preciso frear a ousadia de seus pares que formam a Frente Parlamentar Evangélica.

Se isso não for feito o quanto antes, o Parlamento brasileiro acabará até aprovando projeto do Deputado João Campos, do PSDB, que, pasmem, na prática levará ao fim do estado laico.
O correligionário de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, entre outros, elaborou proposta incluindo as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Se aprovado em plenário, já foi na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, o projeto irá para votação no Senado. Se este retrocesso não for abortado, as entidades religiosas poderão questionar decisões judiciais já adotadas pelos Ministros do STF, desde a autorização para o uso de células troncos até a união estável para casais do mesmo sexo.

Podem imaginar como um retrocesso dessa natureza em pleno século XXI repercutiria no exterior? Enquanto os Parlamentos da Argentina e Uruguai aprovam a união estável, no Brasil uma Frente Parlamentar Evangélica se mobiliza até para acabar com a laicidade do Estado.

Como se não bastasse a desmoralização da Comissão de Direitos Humanos sob a presidência de Feliciano, integra também o espaço agora dominado pelos fundamentalistas uma outra excrescência da política brasileira, o Deputado Jair Bolsonaro, que além de defensor veemente do golpe de 64, em várias ocasiões chegou a justificar a tortura.

Mas a ocupação da Comissão pelos fundamentalistas se deve basicamente a partidos como o PMDB, PT, PSDB, PC do B e outros, que se desinteressaram pelo tema deixando que o Partido Social Cristão (PSC) indicasse Feliciano.

Além de declarações racistas e homofóbicas, bem como proceder de forma autoritária e policialesca como presidente da Comissão ao proibir a entrada do povo em sessões, para não falar das acusações de estelionato que responde no STF, Feliciano tem passado dos limites com menções sobre “satanás” e outras contra parlamentares que não rezam por sua cartilha fundamentalista.

Tem até vídeo em que este senhor farsante afirma que as mortes de John Lenon e do grupo Mamonas Assassinas foram uma ação de deus. Pode uma coisa destas presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados?

Neste contexto, que não se restringe ao PSC, soma-se a recente declaração do Senador do PSDB, Aécio Neves considerando o golpe de 1964 como “revolução de 64”. O político mineiro se traiu, porque geralmente os que se utilizam da referida linguagem sempre apoiaram a quebra da ordem constitucional que representou a derrubada do Presidente João Goulart.

Para completar a ofensiva conservadora, que passa também pela Opus Dei, o Governador de São Paulo tem como assessor particular um tal de Ricardo Salles, defensor veemente do golpe de 64 e fundador do grupo intitulado Endireita Brasil.

Salles representa a velha direita, acoplada a nova direita que ao longo dos últimos anos tem feito de tudo para doar o que ainda resta sob controle do Estado brasileiro. Nesta ofensiva se inserem os leilões de petróleo, já marcados para maio próximo, e que tiveram início no governo entreguista de FHC.
Por estas e muitas outras, se não houver uma maciça mobilização dos movimentos sociais, o Brasil será palco em breve de um retrocesso que remonta aos piores momentos de sua história no século passado.

Seria uma espécie de repetição como farsa, agora caminhando para 50 anos, do golpe civil militar de 64.

Brasil/O OUTRO LADO DO "FORA FELICIANO"





7 abril 2012, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br  (Brasil)

Trata-se de uma demonstração – talvez sem precedentes – que a sociedade civil ainda vê sentido em lutar por um Congresso Nacional melhor. Sim, as pessoas estão se mobilizando para disputar os rumos de uma Comissão da Câmara de Deputados.

Há algo de novo na cena política nacional. A mobilização pela saída do deputado Marcos Feliciano da Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal é um movimento sem centro político, sem lideranças, foi disseminado rapidamente, em especial, através das redes sociais. É possível concluir que, de fato, estamos diante de um novo tipo de ativismo. Mas não é apenas isso. Trata-se de uma demonstração – talvez sem precedentes – que a sociedade civil ainda vê sentido em lutar por um Congresso Nacional melhor. Sim, as pessoas estão se mobilizando para disputar os rumos de uma Comissão da Câmara de Deputados.

Estamos tão habituados a concordar irrefletidamente com a tese de que o Congresso Nacional é uma casa desmoralizada, sem respaldo social e desacreditada que mal nos damos conta de que o movimento contra a permanência de Feliciano na Presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH) é um sinal evidente que, ao menos essa parcela da sociedade mobilizada, não percebe a Câmara Federal como um espaço descartável ou inútil. Ninguém ali está pedindo o fim da Comissão, nem o fechamento do Congresso. Pelo contrário, a reivindicação da troca de comando da CDH demonstra que nem todos concordam com a tese de que eles são todos iguais.

Pela repercussão nacional e pela dimensão que o movimento tomou, cumpre refletir a respeito de suas possíveis implicações para o futuro da relação entre o Parlamento, os Partidos e o eleitorado. Já havíamos visto algo semelhante na ocasião da escolha de Renan Calheiros para a Presidência do Senado; aquele porém, não alcançou a mesma amplitude do movimento em curso. Teria a tão difundida “crise de legitimidade” do Congresso chegado ao seu clímax? É possível supor que a sociedade civil resolveu desafiar a alienação que parece presidir algumas das negociações na Câmara e no Senado Federal? O debate sobre a CDH pode abrir uma janela para a reaproximação do Congresso às aspirações da sociedade civil?

Não seria recomendável aos partidos adotarem uma postura de indiferença frente a essas questões. Em primeiro lugar, porque, num regime democrático, não é admissível que o Parlamento ignore as pressões sociais sobre a atividade parlamentar, reduzindo sua relação direta com o eleitor, exclusivamente, aos períodos eleitorais. E se é verdade que o Legislador foi eleito para um período de quatro anos, também é verdadeiro o fato de que compete à cidadania acompanhar e fiscalizar suas ações. Os partidos devem estar cientes de que sua ação política corre, sempre, o risco de ser desaprovada pelos seus próprios eleitores. Então, algumas das movimentações partidárias, realizadas no Congresso para acomodar interesses e compor maiorias, podem encontrar resistências por parte dos cidadãos(ãs) que devem ser estimulados a acompanhar a vida parlamentar e não o contrário.

O alheamento da cidadania em relação aos debates feitos no Legislativo talvez tenha habituado os partidos a uma situação deveras confortável, como se jamais devessem prestar contas à sociedade durante o exercício da atividade parlamentar. Só assim, podemos compreender a indicação de Feliciano, com todo o seu histórico, à Presidência da CDH. Porém, tanto as mobilizações contra Renan e as realizadas agora parecem demonstrar que há algo de novo no comportamento da sociedade civil e que as investidas dessa natureza deverão ser mais bem avaliadas no futuro pelos partidos.

Não obstante, o que parece ser uma ato de confrontação frente a uma escolha infeliz do Parlamento, também pode ser um sinal de que é possível requalificar as relações entre o Congresso Nacional e a sociedade brasileira. Com sabedoria e habilidade política, a Câmara e os deputados federais podem sair-se dessa situação melhor do que entraram. Ou seja, atender ao clamor das ruas e acolher a insatisfação pública, transformando o espisódio numa demonstração clara de que não estão indiferentes ao que ocorre fora dos bastidores do Congresso Nacional será uma excelente forma de recolocar o debate sobre a representação política no Brasil em outro patamar.

Vejamos o que a inteligência dos partidos reunida no Congresso será capaz de produzir para a resolução desse impasse. Estamos diante de uma possibilidade ímpar de avançarmos na reconstrução da legitimidade de nosso Parlamento Federal. É uma oportunidade que não deve ser perdida. Nossa democracia agradece!

 (*) Secretário Geral de Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No twitter: @vinicius_wu