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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Brasil/Dilma vai receber índios, MST, evangélicos e movimento negro nos próximos dias



3 julho 2013, Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br (Brasil)

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff continuará a receber movimentos sociais e organizações da sociedade civil para discutir as demandas apresentadas durante as manifestações que ocorreram no país. No entanto, segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, nos encontros, a presidenta não deverá discutir pautas tradicionais dos movimentos, mas tratar da atual situação do país.

Na sexta-feira (5), Dilma vai se reunir com organizações ligadas ao campo, representadas por entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de quilombolas e pequenos agricultores.

Na próxima semana, será a vez dos povos indígenas, que

terça-feira, 25 de junho de 2013

Brasil/lNOTA DE REPÚDIO À APROVAÇÃO NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, DO PROJETO HOMOFÓBICO DA ‘CURA GAY’



21 junho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

ABGLT

Nota de Repúdio da ABGLT à Aprovação na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em 18 de junho de 2013, do Projeto Homofóbico da "Cura Gay” (Projeto de Decreto Legislativo da Câmara dos Deputados nº 234/2011)

A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais –entidade de abrangência nacional, fundada em 1995, atualmente congrega 285 organizações congêneres e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população,
vem a público repudiar veementemente o Projeto de Decreto Legislativo nº 234/2011:

Considerando que em 1973 (há 39 anos) a Associação Americana de Psicologia retirou a homossexualidade da classificação de transtornos mentais daquele país;

Considerando que em 1985, o Conselho Federal de Medicina do Brasil retirou a homossexualidade da condição de desvio sexual;

Considerando que em 1990, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a retirada da homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças adotada pela Organização Mundial da Saúde e pelos Estados Membros, inclusive o Brasil;

Considerando que em 2009, relatório de estudo encomendado pela Associação Americana de Psicologia concluiu que "é improvável que tentativas de mudar a orientação sexual das pessoas tenham êxito, podendo - pelo contrário – haver risco de causar danos;”

Considerando que em 2012 a Organização Pan-Americana da Saúde veio a público se manifestar contra "Curas para uma doença que não existe”, afirmando que "as supostas terapias de mudança de orientação sexual carecem de justificativa médica e são eticamente inaceitáveis”;

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Brasil/"... SOU HUMANA! E O MARCO FELICIANO NÃO ME REPRESENTA"


Brasil/O LADO "BOM" DE FELICIANO



11 abril 2013, O Tempo (Brasil)

Murilo Rocha

O deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) protagoniza, há um mês, manchetes de noticiários em todo o Brasil. Desde o acordo para a sua eleição na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Feliciano desfere um festival de idiotices, desrespeito e estupidez, principalmente, quando tenta se defender de acusações de racismo e homofobia. Todos os dias surgem novos vídeos com declarações absurdas do parlamentar, como, por exemplo, a da existência de uma maldição sobre os negros ou a da interferência divina no assassinato de John Lennon por este ter cometido heresia quando comparou a popularidade dos Beatles à de Jesus Cristo.

Há quem veja como ruim esse excesso de publicidade - mesmo sendo negativa - dada ao político de opiniões tão esdrúxulas. E isso é realmente perigoso. Ao criticar Feliciano, a imprensa acaba dando uma visibilidade nunca imaginada pelo pastor. Parece impossível, mas a cada nova polêmica, se ganha críticas, ele também ganha novos adeptos. Brincadeira ou não, seu nome já foi até cogitado por seus colegas de partido para uma disputa à Presidência da República.

No entanto, nem tudo está perdido. O preconceito exalado por Feliciano e sua trupe no último mês também evidenciou como há um segmento de pessoas no Brasil pensando dessa maneira e, alguns deles, ocupando importantes cargos públicos. Mesmo se não fosse eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Feliciano continuaria a existir dentro do Congresso com as mesmas ideias. Dar voz ao parlamentar e espaço para seus preconceitos, amparados pelo uso falacioso de textos religiosos, também é uma forma de desqualificá-lo e desencadear reações reprovando o comportamento do pastor até de representantes de outras igrejas evangélicas.

É sempre um risco, nestes tempos de reação e falta de utopias, dar espaço ao conservadorismo e ao desrespeito, mas, no caso de Feliciano, parece estar surtindo um efeito contrário e positivo. A impropriedade e o anacronismo de seu pensamento fazem despertar, em igual proporção, o quanto é criminoso o preconceito racial e a homofobia. Como é grave, também, a exploração de pessoas mais pobres por meio de um charlatanismo religioso descarado, no qual, para se chegar a uma bênção divina, aceita-se pagamento em vale-transporte, em tíquete refeição ou em cartão de crédito dividido em dez parcelas.

Tão importante quanto brigar pela saída do deputado e pastor Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos é combater a disseminação de suas ideias na vida cotidiana, nas instituições públicas e, também, nas privadas. Nesse ponto, as redes sociais têm desempenhado um importante papel.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Brasil/Ao STF, Feliciano reafirma que 'africanos são amaldiçoados'



5 abril 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Em defesa protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) reafirmou que paira sobre os africanos uma maldição divina e procurou justificar a fala com uma afirmação que, publicamente, tem rechaçado: a de que atrelou seu mandato parlamentar à sua crença religiosa.

Alan Marques, Folhapress


Manifestantes protestam contra Marco Feliciano do lado de fora da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é alvo de inquérito no STF por preconceito e discriminação por uma declaração no microblog Twitter. Em 2011, ele escreveu que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição".

Na época, Feliciano também postou que africanos são amaldiçoados pelo personagem bíblico Noé. "Isso é fato", escreveu no microblog. O post depois foi deletado. As declarações provocaram protestos que tomaram conta de redes sociais e das sessões da comissão. A Procuradoria Geral da República o denunciou ao STF - onde também responde a uma ação acusado de estelionato.

Feliciano é acusado de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, sujeito a prisão de um a três anos e multa. Não existe tipificação penal para homofobia. Em sua defesa no STF, protocolada no dia 21, Feliciano diz que não é homofóbico e racista. Reafirma, porém, a sua interpretação de que há a maldição contra africanos.

"Africanos descendem de Cão"
"Citando a Bíblia [...], africanos descendem de Cão [ou Cam], filho de Noé. E, como cristãos, cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as maldições", afirmou, na peça protocolada em seu nome pelo advogado Rafael Novaes da Silva.

"Ao comentar [no Twitter] acerca da 'maldição que acomete o continente africano', diz sua defesa, o deputado quis afirmar que é "como se a humanidade expiasse por um carma, nascido no momento em que Noé amaldiçoou o descendente de Cão e toda sua descendência, representada por Canaã, o mais moço de seus filhos, e que tinha acabado de vê-lo nu".

A defesa do deputado diz ainda que há uma forma de "curar a maldição", entregando "os seus caminhos ao Senhor". "Tem ocorrido isso no continente africano. Milhares de africanos têm devotado sua vida a Deus e por isso o peso da maldição tem sido retirado", diz o texto.

Historicamente, interpretações distorcidas do trecho da Bíblia citado pelo pastor serviram como justificativa para atitudes e manifestações racistas, como as dos proprietários de escravos no Brasil e nos EUA no século 19.

Ao STF, Feliciano não entra em detalhes sobre sua afirmação sobre os gays - diz apenas que não há lei que criminalize sua conduta.

Fé e mandato
O pastor também afirma que seu mandato está atrelado à religião, embora tenha dito durante a atual crise que sua crença não afeta sua atuação na Câmara. Usou esse argumento para se manter na presidência da comissão. Ao STF, afirmou que suas manifestações no Twitter estão "ligadas ao exercício de seu mandato". As estratégia é vincular as declarações à imunidade parlamentar.

Fonte: Folha de S.Paulo

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Honduras/"GOLPE LEVOU AO POVO CONSCIÊNCIA DA LUTA DE CLASSE"

19 agosto 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O golpe militar articulado pelas oligarquias nacionais hondurenhas fez com que o povo hondurenho se conscientizasse da luta de classes que existe em seu país. Este é o ponto de vista do líder da resistência pacífica ao golpe em Honduras, Gilberto Rios, que desde o início da investida militar tem articulado manifestações pacíficas em todo o país e, em visita ao Brasil nesta semana, concedeu entrevista exclusiva sobre o golpe.

Apesar de o presidente deposto Manuel Zelaya ter chegado a incitar o povo hondurenho a pegar nas armas para derrubar o governo militar, a resistência popular no país tem sido pacífica. Todos os dias, multidões saem de suas casas e unem-se nas ruas para manifestar contra o golpe, num movimento que, de acordo com Rios, não para de crescer. “Hoje geralmente tem 100 mil pessoas na rua, às vezes chega a meio milhão”, conta.

A mobilização, segundo Rios, não aumentou somente quantitativamente, mas também qualitativamente. “Antes da consulta (que foi o argumento dos militares para derrubar Zelaya), falava-se em aprofundar a democracia. Agora, fala-se em um governo sem oligarcas, fala-se da luta de classes”, aponta o militante. Brincando, ele diz que o golpe “ajudou a mobilização” do povo hondurenho.

Confira a íntegra da entrevista de Gilberto Ríos à Revista Fórum:.

Depois de quase dois meses do golpe em Honduras, como está a resistência do povo? Quais são os grupos sociais envolvidos?
Depois de 52 dias, quase dois meses de resistência, temos mais pessoas nas ruas, indo contra as previsões de que iria diminuir. Os trabalhadores principalmente, mas há muitos estudantes e também professores universitários, do primário e secundário, que se incorporaram ao movimento das ruas.

Mas, em nível nacional, é bastante diversa e ampla a participação que há. Na zona ocidental, por exemplo, há muita participação indígena. Na região onde o presidente estava há muitos aldeões, aos quais também se juntaram desempregados e pessoas que trabalhavam diretamente com o presidente.

Há o partido liberal, toda a esquerda está nas ruas, todos os movimentos sociais suspenderam seus trabalhos e agora estão dedicados somente ao protesto contra o golpe. Ao contrário do que esperávamos, o povo respondeu muito mais e cada vez vemos mais pessoas na luta. Hoje, geralmente um protesto tem 400 mil pessoas na rua, às vezes chega a meio milhão.

Como estão as condições do povo, agora depois do golpe?
No momento, não faltam suprimentos de alimentação, nem há nenhum problema com os serviços básicos. O que existe é uma forte censura de todos os meios de comunicação. Só se transmite a voz do Estado. É mais provável que os estrangeiros entendam mais do que está acontecendo em Honduras do que os próprios hondurenhos.

A manifestação midiática está alegre com a morte de civis, como no franquismo. A origem do golpe no fascismo é evidente. Na década de 1940, (Roberto) Micheletti foi à Itália para se juntar numa coluna de Mussolini. Mas hoje a população não está em condições mais precárias do que as que já vivia: pessoas com fome, que não têm sapatos e caminham todo dia nas ruas. Nós estamos buscando estratégias para hidratar as pessoas, para nutri-las melhor e vitaminar a luta.

A embaixada dos EUA já afirmou que pode ofertar armas à população caso ela queira se envolver no conflito armado. Por que a resistência se mantém pela via pacífica?
Para a indústria estadunidense não lhe serve a resistência pacífica. Só lhe interessa se houver demanda de armas e que haja conflito armado, porque isso contribuiria com a economia do país, que ultimamente não anda muito bem. Além do que, é uma boa retaguarda para a ofensiva que os Estados Unidos planejam contra a Venezuela. Para se ter uma idéia, Honduras corresponde a 0,3% da economia dos Estados Unidos, e eles representam para nós 80% de nossas exportações. Como se diz, o país que compra, manda, e o país que vende, serve.

Você acredita então que os Estados Unidos já sabiam do golpe e participaram dele?
Claro. Até a ultra-direita norte-americana disse que quem apoia e está se encarregando do golpe é a CIA. Precisamos lembrar que ainda enfrentamos uma escalada militar no Oriente Médio, que a própria população norte-americana não aprova.

Então se precisava de um novo espetáculo militar. Os Estados Unidos precisam de uma guerra em Honduras para intervir militarmente. Por isso continuamos mantendo a resistência pacífica. Em algum momento teremos que usar armas, mas em um momento específico.

Qual é sua avaliação do governo Zelaya? Havia uma caminhada em direção ao socialismo? Agora a alternativa é somente socialista?
Havia um processo de reforma capitalista importante, porque em Honduras a oligarquia tinha muito controle da economia e uma dominação tremendamente ideológica sobre a população. A oligarquia hondurenha concentra 90% da renda em torno de dez famílias. Houve três vias pelas quais se deu a acumulação de capital da oligarquia hondurenha: a primeira foi pelo roubo direto do Estado; a segunda foi pela superexploração; e a terceira foi pelo narcotráfico.

Antes da consulta, se falava em aprofundar a democracia. Agora, fala-se em um governo sem oligarcas, fala-se da luta de classes. Antes, as pessoas acreditavam na democracia, e o golpe introduziu nas pessoas a consciência de classe.

Então a consciência política do povo aumentou com a mobilização pós-golpe?
Sim. Pode-se dizer que, em porcentagem, as pessoas que participavam da resistência ao golpe e manifestavam-se nas ruas era muito baixo. Agora, a maioria das pessoas tem participado do debate político e está a favor das forças sociais mais importantes. Pode-se dizer que o golpe, do ponto de vista da esquerda, contribuiu enormemente para a incorporação de pessoas à luta.

Como está a ajuda internacional para o país? A maioria apoia o golpe ou a resistência?
Há dois tipos de ajuda internacional: a oficial, através do governo, que agora está paralisado porque nenhum governo do mundo reconhece o governo de Micheletti; e o apoio internacional à resistência. Basicamente o apoio à resistência é moral, e isso anima muito os hondurenhos a continuar nas ruas porque entendem que a luta exemplifica o que deve ser a luta popular contra ações como a que foi tomada pela oligarquia.

Houve participação da Igreja no golpe?
Toda a Igreja Católica apoiou o golpe e a igreja evangélica também. São da igreja evangélica os mais ligados à classe dominante. O representante máximo da Manuel Zelaya, o Cárdena, só ele tem uma fortuna de US$ 40 milhões. Ele é “a” oligarquia de Honduras.

Fonte: Revista Fórum