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terça-feira, 23 de julho de 2019

Brasil/Bolsonaro é o racista-chefe da Ku Klux Klan e do lixo branco brasileiro


17 juin 2019, Sens Public https://sens-public.org (France) https://sens-public.org/article1419.html?lang=fr


Résumé : Six mois après sa prise de fonction, le gouvernement Bolsonaro est confronté au dégoût d’un certain nombre de ses électeurs. Les preuves du complot pour écarter Lula de la vie politique viennent d’être publiées par The Intercept. Elles encouragent les opposants au gouvernement, mais obligent aussi les institutions discréditées à faire bloc pour ne pas tomber. Cela accroît provisoirement l’impunité dont bénéficie le pouvoir en l’absence d’un front parlementaire capable de porter un projet alternatif. Dans cet article, Jessé Souza souligne le fait que le succès électoral de Bolsonaro repose sur la frustration sociale d’une petite classe moyenne viscéralement raciste à proportion de ce qu’elle ne se distingue que par ses origines européennes des pauvres issus de l’esclavage. Les déclarations les plus excessives de Bolsonaro visent à fédérer cet électorat en répondant à cette demande de distinction par la stigmatisation des adversaires.

Abstract : Six months after taking office, the Bolsonaro government faces disgust from a number of its constituents. The evidence of the plot to remove Lula from politics has just been published by The Intercept. It encourages the opponents, but also force discredited institutions to

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Brasil/O GOLPE NO BRASIL PREOCUPA TODO O CONTINENTE -- Celso Amorim



18 maio 2016, Naval http://navalbrasil.com (Brasil)
Agência Brasil


O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, concedeu uma entrevista ao periódico chileno La Tercera sobre a crise política gerada pelo golpe no Brasil.

Para o ex-chanceler brasileiro, até mesmo setores conservadores estão preocupados com o golpe porque se trata de uma fraude gravíssima contra a democracia.

Celso Amorim foi ministro das Relações Exteriores em três ocasiões: de 1993 a 1995, durante o governo de Itamar Franco; de 2003 a 2011, na gestão Lula e de 2011 a 2015, durante a administração de Dilma.

Leia a entrevista na íntegra:

Qual é sua análise sobre a votação em favor do início do impeachment contra Dilma Rousseff?
O que aconteceu era esperado, não há surpresa, mas todo o processo é lamentável porque o que é imputável à presidenta

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Abyay Yala, Patria Grande∕MARTÍ, INICIADOR DEL ANTIMPERIALISMO LATINO-CARIBEÑO

21 mayo 2015, Rebelión http://www.rebelion.org (México)


El 19 de mayo de 1895, hace 120 años, cayó en combate José Martí, no solo Apóstol de la independencia de Cuba sino el iniciador indiscutible del antimperialismo moderno en América Latina y el Caribe. Como también continuador de las ideas de plena soberanía, unidad e integración latino-caribeñas de Miranda y Bolívar, que enriqueció a lo largo de su fecunda vida.

Martí llegó a los veintidós años “al México republicano, liberal y juarista de Lerdo de Tejada, que le abrió los brazos y lo sentó al lado de Guillermo Prieto, Manuel Altamirano, Ignacio Ramírez el Nigromante,Juan José Baz, Vicente Villada, Manuel Mercado, fogueados en las luchas contra la intervención francesa, y de hombres de la nueva generación como Justo Sierra y Juan de Dios Peza”, ha escrito el doctor Alfonso Herrera Franyutti, ilustre biógrafo de su relación con México y estudioso consagrado de su vida y obra.

Aquí el cubano investigó muy en serio la civilización mesoamericana y comprendió que “cuando eche a andar el indio, echará a andar América”. Idea presente en parte importante de su obra junto a

terça-feira, 6 de maio de 2014

Brasil/MORREU DOM TOMÁS BALDUÍNO, O BISPO DA REFORMA AGRÁRIA E DOS INDÍGENAS

3 maio 2014, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

 


Morreu sexta-feira, em Goiânia, aos 91 anos, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino, o bispo da reforma agrária e dos indígenas.


A Rádio Nacional da Amazônia foi a primeira da dar a triste notícia do falecimento de um dos maiores símbolos da igreja progressista no Brasil e no mundo. “Morreu nessa sexta-feira (2), às 23h30, em Goiânia, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino. O religioso tinha 91 anos e morreu em decorrência de uma tromboembolia pulmonar. Ele ficou internado de 14 a 24 de abril no Hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar no dia 24, mas foi novamente internado no dia seguinte, no Hospital Neurológico, onde permaneceu até ontem”, informou a repórter Maíra Heinen. Para quem teve a alegria de conhecer o carismático dom Tomás Balduino em algumas reuniões, a notícia foi um choque.

Em nota divulgada neste sábado (3), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) fez um breve relato da trajetória combativa e abnegada do líder religioso -- que reproduzo abaixo na íntegra:

Dom Tomás Balduino, fundador da CPT, fez a sua páscoa

Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou...
tempo de lutar e tempo de viver em paz”.
(Eclesiastes 3:1-8)

É com grande pesar e muita tristeza que a Comissão Pastoral da Terra (CPT)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Brasil/Ao STF, Feliciano reafirma que 'africanos são amaldiçoados'



5 abril 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Em defesa protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) reafirmou que paira sobre os africanos uma maldição divina e procurou justificar a fala com uma afirmação que, publicamente, tem rechaçado: a de que atrelou seu mandato parlamentar à sua crença religiosa.

Alan Marques, Folhapress


Manifestantes protestam contra Marco Feliciano do lado de fora da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é alvo de inquérito no STF por preconceito e discriminação por uma declaração no microblog Twitter. Em 2011, ele escreveu que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição".

Na época, Feliciano também postou que africanos são amaldiçoados pelo personagem bíblico Noé. "Isso é fato", escreveu no microblog. O post depois foi deletado. As declarações provocaram protestos que tomaram conta de redes sociais e das sessões da comissão. A Procuradoria Geral da República o denunciou ao STF - onde também responde a uma ação acusado de estelionato.

Feliciano é acusado de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, sujeito a prisão de um a três anos e multa. Não existe tipificação penal para homofobia. Em sua defesa no STF, protocolada no dia 21, Feliciano diz que não é homofóbico e racista. Reafirma, porém, a sua interpretação de que há a maldição contra africanos.

"Africanos descendem de Cão"
"Citando a Bíblia [...], africanos descendem de Cão [ou Cam], filho de Noé. E, como cristãos, cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as maldições", afirmou, na peça protocolada em seu nome pelo advogado Rafael Novaes da Silva.

"Ao comentar [no Twitter] acerca da 'maldição que acomete o continente africano', diz sua defesa, o deputado quis afirmar que é "como se a humanidade expiasse por um carma, nascido no momento em que Noé amaldiçoou o descendente de Cão e toda sua descendência, representada por Canaã, o mais moço de seus filhos, e que tinha acabado de vê-lo nu".

A defesa do deputado diz ainda que há uma forma de "curar a maldição", entregando "os seus caminhos ao Senhor". "Tem ocorrido isso no continente africano. Milhares de africanos têm devotado sua vida a Deus e por isso o peso da maldição tem sido retirado", diz o texto.

Historicamente, interpretações distorcidas do trecho da Bíblia citado pelo pastor serviram como justificativa para atitudes e manifestações racistas, como as dos proprietários de escravos no Brasil e nos EUA no século 19.

Ao STF, Feliciano não entra em detalhes sobre sua afirmação sobre os gays - diz apenas que não há lei que criminalize sua conduta.

Fé e mandato
O pastor também afirma que seu mandato está atrelado à religião, embora tenha dito durante a atual crise que sua crença não afeta sua atuação na Câmara. Usou esse argumento para se manter na presidência da comissão. Ao STF, afirmou que suas manifestações no Twitter estão "ligadas ao exercício de seu mandato". As estratégia é vincular as declarações à imunidade parlamentar.

Fonte: Folha de S.Paulo

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Brasil/COLÔNIA, MONARQUIA, REPÚBLICA: PACTOS DE ELITE NA HISTÓRIA BRASILEIRA

15 novembro 2010/Carta Maior www.cartamaior.com.br

Emir Sader

Tivemos a proclamação da República mais de seis décadas depois da independência, porque esta nos levou de Colônia à Monarquia pelas mãos do monarca português, que ainda nos ofendeu, com as palavras – que repetíamos burocraticamente na escola- “antes que algum aventureiro o faça”. Aventureiros éramos nós, algum outro Tiradentes, ou algum Bolívar, Artigas, Sucre, San Martin O´Higgins, que lideraram revoluções de independência nos seus países, expulsando os colonizadores em processos articulados dos países da região.

Foi o primeiro pacto de elite da nossa história, em que as elites mudam a forma da dominação, para imprimir continuidade a ela, sob outra forma política. Neste caso, impôs-se a monarquia. Tivemos dois monarcas descendentes da família imperial portuguesa, ao invés da República, construindo estados nacionais independentes, expulsando os colonizadores ao invés do “jeitinho” da conciliação.

Como sempre acontece com os pactos de elite, o povo é quem paga o seu preço. Enquanto nos outros países do continente, as guerras de independência terminaram imediatamente com a escravidão, esta se prolongou no Brasil, fazendo com que fossemos o último país a terminar com ela, prolongando-a por várias décadas mais. Nesse intervalo de tempo foi proclamada a Lei de Terras, de 1850, que legalizou – mediante a grilagem, aquela falcatrua em que o documento forjado é deixado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer um documento antigo – todas as terras nas mãos dos latifundiários. Assim, quando finalmente terminou a escravidão, não havia terras para os escravos, que se tornaram livres, mas pobres, submetidos à exploração dos donos fajutos das terras.

Dessa forma, a questão colonial se articulou com a questão racial e com a questão agrária. Esse pacto de elite responde pelo prolongado poder do latifúndio e pela discriminação contra a primeira geração de trabalhadores no Brasil, os negros que, trazidos à força da África vieram para produzir riquezas para a nobreza européia como classe inferior. Desqualificava-se ao mesmo tempo o negro e o trabalho.

A República foi proclamada como um golpe militar, que a população assistiu “bestializada”, segundo um cronista da época, sem entender do que se tratava – o segundo grande pacto de elite, que marginalizou o povo das grandes transformações históricas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

AS CENTRAIS SINDICAIS BRASILEIRAS: HISTÓRIA, CONCEPÇÕES E FORMAS DE ATUAÇÃO

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

20 AGOSTO 2009/http://www.adital.com.br

CUT *
Este texto faz parte das propostas de ações da Secretaria de Política Sindical da

CUT Nacional para o debate, e faz uma rápida análise da história do movimento sindical brasileiro a partir dos anos 80, até sua configuração atual, com o reconhecimento das centrais sindicais. Procuramos ainda, a partir da análise, propor alguns pontos que consideramos prioritários para a atuação dos sindicatos cutistas nesta nova conjuntura. O texto, e principalmente, as propostas de ação aqui apresentadas, são apenas uma contribuição a um necessário debate, e que pretendemos aprimorar a partir de um encontro com as secretarias de política sindical das CUTs estaduais e ramos e na avaliação das experiências concretas que forem obtidas a partir da definição e da aplicação do nosso plano estratégico.

Legalização das centrais
A legalização das centrais sindicais brasileiras tem colocado na ordem do dia a discussão sobre qual central sindical pode melhor representar os trabalhadores. Esse é um debate que diz respeito não apenas aos sindicalistas, mas principalmente aos maiores interessados, os trabalhadores, pois o resultado desta escolha pode proporcionar uma direção com maior ou menor envolvimento com as lutas do cotidiano. A destinação de recursos financeiros para uma central sindical, a ser definida pelo sindicato, deve levar parte dos dirigentes sindicais a fazer uma reflexão sobre o tema, uma vez que é grande o número de sindicatos não filiados a nenhuma central sindical.

Nessa conjuntura tem aparecido um grande número de centrais sindicais em busca da legalização, algumas antigas e conhecidas, como é o caso da CUT e da Força Sindical e outras mais recentes, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que resultou de uma fusão da Social Democracia Sindical (SDS), Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e parte da Força Sindical, a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), que reúne parte das federações e confederações oficiais, que defendem a atual estrutura sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), ligada ao MR8, o Conlutas, ligado ao PSTU, (mas que não se apresenta enquanto central sindical) e mais recentemente, a Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB), ligada ao PCdoB.

História
O 1º Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) foi realizado na Praia Grande em 1981 com o objetivo de construir uma central única dos trabalhadores brasileiros. No entanto, parcela dos sindicalistas presentes não tinha clareza sobre a necessidade de fundar a CUT naquele momento e foi constituída uma Comissão Pró-CUT, para fundar a central no congresso seguinte.

Naquele momento configuravam-se duas fortes vertentes no sindicalismo, de um lado o chamado "sindicalismo autêntico" que reunia os dirigentes vinculados ao PT, ala progressista da igreja católica, e trotskistas, que mais tarde fundariam a CUT. E um outro agrupamento, constituído de sindicalistas formados no corporativismo sindical, defensores da estrutura sindical vigente. O racha foi inevitável e resultou na fundação da CUT em 1983, presidida por Jair Menegueli e da Conclat (Coordenação Nacional da Classe trabalhadora) que em 1986 se transformaria na Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), presidida por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, e depois por Antonio Rogério Magri, que mais tarde seria ministro do trabalho do governo Collor.

Um terceiro grupo de sindicalistas não aparece neste contexto, exatamente por serem contrários a criação de uma central sindical, eram os sindicalistas que dirigiam a quase totalidade das federações e confederações da estrutura oficial e sem qualquer referência nas lutas dos trabalhadores. As federações e confederações que dirigiam não praticava o contato e o diálogo com os sindicatos ou com as bases, pois a estrutura sindical permitia - e permite até hoje - a sustentação desta estrutura através do imposto sindical.

Onde estão hoje as forças políticas do período da criação da CUT?

Das forças que originalmente criaram a CUT, parte dos trotskistas, então agrupados na "Convergência Socialista", se transformaram em partido político, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), juntamente com uma parcela de ex-petistas que também se transformaram em partido político, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), constituíram o Conlutas. Outra parcela do PSOL, com uma pequena parcela de petistas, construiu a "Intersindical". Vale lembrar que nem o Conlutas e nem a Intersindical se definem como centrais sindicais.

Foram várias as mudanças na composição das forças políticas que criaram a CGT em 1986, em relação à realidade sindical atual. Os sucessivos rachas na CGT foram dando espaços a pensamentos políticos mais homogêneos e partidários. Da CGT original surgiram: CGTB, CAT, SDS, FS, CGT e CTB.

Uma parcela da CGT, ligada ao MR8 constituiu sua própria central sindical, a CGTB, outra parcela constituiu a Força Sindical (FS). É importante recordar que a FS nasceu a partir de uma iniciativa do então presidente Fernando Collor de Mello, que queria uma central sindical que o apoiasse e que se opusesse a CUT, procurando conseguir assim o apoio de parte do movimento sindical ao seu projeto de governo. Em 2007 foi fundada a UGT, resultado da fusão da CAT, SDS, CGT e parte da FS. E finalmente, a CSC, que saiu da CGT e entrou na CUT em 1992, de onde saiu novamente para fundar sua própria central, em 2007.

Um terceiro segmento: os "sindicalistas", instalados na maioria das confederações e federações oficiais e contrárias à construção de uma central sindical; criou a NCST, com o intuito de garantir que os recursos financeiros de seus sindicatos filiados continuem sendo canalizados para a manutenção de suas estruturas, a partir da legalização das centrais.

O vai e vem da CSC
A CTB é o braço sindical do PCdoB, embora neguem publicamente. Para se contrapor a esta afirmação, alegam que no interior da Corrente Sindical Classista (CSC) e agora na CTB militam sindicalistas filiados ao PSB e ao PDT. Embora possam existir sindicalistas de outros partidos, figuram mais como adorno, pois são inexpressivos. A maior parte dos sindicalistas, filiados ao PDT, encontra-se na FS, como é o caso inclusive do seu presidente.

Foi da direção nacional do PCdoB a decisão de não ingressar na CUT em 1983 e ingressar na CGT. Foi também da direção nacional do PCdoB, a decisão de que a CSC deveria sair da CGT e entrar na CUT, em 1992. E é novamente, por determinação da direção nacional do PCdoB a saída da CSC da CUT para fundar uma nova central sindical. As plenárias e congressos realizados para esta tomada de decisão são apenas instrumentos utilizados para referendar no movimento sindical uma decisão partidária.

A saída da CSC da CUT, e sua constituição em uma central sindical acontecem por razões facilmente entendidas. No interior da CUT a CSC era minoritária e as posições políticas do PCdoB não eram refletidas nas resoluções da CUT, tais como a filiação internacional, a unicidade sindical, ou a defesa da convenção 87 da OIT, em que o PCdoB tem posições antagônicas à CUT. Logo, como as posições do PCdoB não tinham repercussão na CUT, a alternativa encontrada foi aproveitar o momento de legalização das centrais para criar sua própria central sindical, assim, além de divulgar no movimento sindical as posições do partido em nível nacional e internacional, terão ainda recursos financeiros, o que não acontecia antes.

Mas, para entender que as posições políticas partidárias é que definiram a saída da CSC da CUT para criar a CTB, e importante entender a conjuntura em que essa central foi criada. Na verdade, a CTB surge para representar sindicalmente o chamado "bloquinho", que aglutina no plano partidário o PCdoB, PDT e PSB, ou seja, a concepção do "bloquinho" partidário está refletido na CTB, sendo que o "bloquinho" sindical tem uma representação muito maior do PCdoB do que a do PDT e PSB, partidos extremamente reduzidos na composição da direção desta central.

Após o 9º Concut, a CSC ameaçou sair da CUT caso não tivessem de volta o cargo da vice-presidência, que ocupavam até então, e que passou a ser ocupado por uma dirigente rural. Para contornar o problema, a direção da CUT decidiu pela criação de duas vice-presidências, solução que agradou os comunistas e apaziguou os ânimos. No entanto, concomitante a isso, na Câmara Federal o PT entrava na disputa da presidência da Câmara, derrotando o então presidente, Aldo Rebelo, do PCdoB. A partir daí inicia-se o processo de construção do bloquinho, visando o lançamento de Ciro Gomes à presidência da República e de Aldo Rebelo para a prefeitura de São Paulo. A partir desta movimentação política do PCdoB a sua direção nacional decide pela saída da CSC e a construção de sua própria central sindical.

Portanto é falsa a polêmica de que a CSC deixou a CUT devido a "falta de democracia interna", ou "seu atrelamento ao PT", ou "dependência do governo". A CSC ficou na CUT durante 15 anos mesmo tendo posições políticas contrárias à central e sem questionamentos em relação à sua democracia interna. A saída da CSC da interior deu-se única e exclusivamente por uma decisão da direção nacional do PCdoB que aconteceu no início de 2007 e que desembocou em um congresso da CSC, ainda em 2007, para homologar a decisão da direção do PCdoB.

Filiação internacional
A CUT já nasceu com uma das maiores centrais sindicais do mundo e obviamente era cortejada internacionalmente para se filiar a uma das entidades internacionais existentes então, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL), a Confederação Mundial do Trabalho (CMT) e a Federação Sindical Mundial (FSM).

A CUT permaneceu sem filiação internacional enquanto fazia o debate interno, pois existiam posições favoráveis e críticas a todas centrais internacionais. Após longo debate, a CUT se posicionou pela filiação a CIOSL e sobre a necessidade de uma intervenção da CUT, juntamente com outras centrais sindicais do terceiro mundo, no interior da CIOSL procurando imprimir um novo relacionamento e uma nova visão sobre o mundo do trabalho, considerando como necessária a filiação internacional em uma sociedade cada vez mais globalizada.

Com a unificação da CIOSL e a CMT em 2006, criando a Confederação Sindical Internacional (CSI), a CUT passa a ser filiada a esta nova internacional e o movimento sindical mundial passa a ter apenas duas centrais, a CSI que abriga sindicatos de todos os continentes e a FSM, restrita a sindicatos em poucos países, tais como a CTC de Cuba, a CTP do Peru, a CTE do Equador, entre outras. No Brasil antes da CTB, a CGTB era (e continua) filiada a FSM, sendo que o presidente da CGTB, Antonio Neto, foi presidente mundial da FSM. Embora existam duas centrais mundiais, podemos afirmar que a representação da FSM é inexpressiva em relação a CSI.
Nas Américas, aconteceu em 2008, na cidade do Panamá, a construção da Confederação Sindical das Américas (CSA), unificando a Organização Regional Internacional dos Trabalhadores (ORIT), organização regional da antiga CIOSL e a Confederação Latino- Americana de Trabalhadores (CLAT), confederação regional da antiga CMT.

Relação com o governo Lula
No aspecto de relação com o governo Lula, os críticos da CUT - à direita ou à esquerda - costumam argumentar que antigos dirigentes da central, hoje se encontram em cargos importantes no governo federal, o que faria com que a CUT perdesse sua independência frente ao governo. É inegável o fato de que uma parcela dos dirigentes da CUT são filiados ao PT, assim como grande parte dos dirigentes da CTB são filiados ao PCdoB, da FS são filiados ao PDT, e assim por diante. A CUT apoiou Lula para presidente da República, entendendo ser o melhor candidato para fazer um governo voltado para os trabalhadores e setores mais explorados da população. A FS apoiou Geraldo Alckmin, o Conlutas e o PSOL apoiaram Heloisa Helena.

Consideramos que é inegável que o governo Lula foi, e continua sendo, melhor para os trabalhadores do que seria um governo neoliberal, pois abriu e mantém diálogo com as centrais e movimentos sociais. São inegáveis os avanços obtidos como a redução da pobreza, a diminuição do desemprego, a participação das centrais em diversos conselhos, a legalização das centrais sindicais, os aumentos do salário-mínimo, discutidos com os atores envolvidos, os acordos salariais com ganhos acima da inflação, o acesso de populações pobres, negras e indígenas às universidades, a desoneração de impostos para produtos essenciais à população de baixa renda, como produtos da cesta básica e material de construção. Enfim, são conquistas importantes para os trabalhadores, onde a CUT se sente elemento importante e ativo no processo.

O fato de apoiar não significa apoio incondicional. Não foram poucas as vezes que a CUT se manifestou contra a taxa de juros determinada pelo Copom, contra a terceirização no serviço público e realização de concursos, pela recuperação dos salários dos servidores federais que foram praticamente congelados durante o governo FHC, pela ratificação da convenção 158 da OIT, aprovada, mas denunciada ao STF pelo governo FHC, na coleta de assinaturas, em conjunto com outras centrais, para a aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e na realização de quatro marchas à Brasília.

Convenção 87 da OIT
A defesa da Convenção 87 da OIT é um dos elementos que coloca a CUT em posição oposta às demais centrais sindicais. A CUT sempre defendeu a total liberdade de organização sindical, sem a intromissão do Estado, o que quer dizer que os trabalhadores é que decidem em qual sindicato querem se filiar e lhes dá liberdade para organizar seu próprio sindicato. Aí está uma grande diferença entre a concepção cutista de organização sindical e das demais centrais. Enquanto a CUT defende que os trabalhadores é que definem a melhor forma de se organizarem, as demais centrais defendem a unicidade sindical, ou seja, um único sindicato por categoria em cada cidade impondo limitações para a organização dos trabalhadores. O que as demais centrais chamam de fragmentação da atuação sindical nós chamamos de liberdade de organização.

Taxas compulsórias
A cobrança compulsória de taxas para a manutenção da estrutura sindical é outro ponto divergente da CUT em relação as demais centrais sindicais. A CUT, desde sua fundação, defendeu que os trabalhadores, além de definirem qual a melhor forma de se organizarem, também devem definir de que forma sustentam financeiramente suas lutas. A CUT entende que os sindicatos devem sobreviver das mensalidades sindicais e das taxas assistenciais, definidas em assembléia das categorias profissionais.

Enquanto a CUT é contra, as demais centrais defendem a cobrança do "imposto sindical" que representa o desconto de um dia de trabalho de cada assalariado, e é o grande responsável pela manutenção de tantos sindicatos, federações e confederações sem qualquer compromisso com a base, pois sua sustentação financeira não passa pela filiação, mas apenas pelo imposto compulsoriamente cobrado dos trabalhadores.

Organização por ramo ou por categoria
Outra diferença que podemos apontar é se a organização dos trabalhadores se dá por ramo ou por categoria. A CUT defende a organização por ramos por entender que a criação de diversos sub-segmentos profissionais dentro de uma mesma categoria dificulta cada vez mais a organização por categoria. A introdução de novas tecnologias e a qualificação/desqualificação progressiva do trabalho tem levado ao surgimento de um amplo leque profissional fragmentando, comparando-se às antigas grandes categorias profissionais. A organização por ramos, desta forma, é mais apropriada, pois parte do princípio de organização de todos os profissionais envolvidos naquele ramo profissional, e não exclusivamente uma determinada categoria, que é bem menos expressiva numérica e economicamente do que o ramo. A organização por ramos de atividades e sua progressiva reestruturação para fusão a ramos similares é um processo histórico em andamento em diversos países, pois aumenta o poder de pressão sindical e combate corporativismos de categorias.

A CUT ainda desenvolve projetos de construção de redes sindicais organizando sindicatos, filiados ou não a CUT, em redes nacionais e internacionais em conjunto com as Federações Sindicais Internacionais (FSIs).

O que fazer?
Diante do quadro descrito, a CUT nacional, estaduais e ramos devem priorizar o trabalho junto aos nossos sindicatos, pautados em três eixos fundamentais: 1) manutenção e fortalecimento dos atuais sindicatos filiados à CUT; 2) a conquista de novos sindicatos; 3) ampliação da participação de nossos sindicatos na sociedade.
Certamente cada um desses itens requer uma estratégia específica, pois cada tema precisa necessariamente ser acompanhado de um conjunto de ações para que sejam atingidos os objetivos específicos.
Para manter e fortalecer os atuais sindicatos filiados à CUT, por exemplo, é necessário um autodiagnóstico do desenvolvimento de nossos sindicatos, para podermos levantar nossos pontos fortes e nossos pontos fracos, e então, a partir daí, elaborar estratégias para o fortalecimento dos nossos pontos fortes, e de superação dos nossos pontos fracos, visando acabar -ou ao menos diminuir- as debilidades detectadas em nossas entidades sindicais, o que requer o aprofundamento da democracia interna, maior transparência financeira e administrativa, melhoria nas formas de comunicação, promoção de maior incidência das atividades junto à base, fortalecendo as OLTs existentes e criando estratégias para sua ampliação, enraizando a CUT nos locais de trabalho. Ter uma maior aproximação entre os sindicatos com as estaduais e os ramos da CUT, além de uma maior integração com os atuais parceiros prioritários, aproximação com novos parceiros e maior intervenção da CUT na sociedade.
A conquista de novos sindicatos requer a definição de uma estratégia das estaduais e dos ramos, para a intervenção em eleições sindicais consideradas prioritárias para a ampliação de nossa base sindical. O mesmo raciocínio podemos aplicar em relação a ampliação da participação da CUT na sociedade, junto aos parceiros, movimentos sociais, partidos políticos, ONGs e governos estaduais e municipais.
Enfim, a discussão desses e outros temas, e a definição de estratégias de ação sindical é uma tarefa bastante complexa e que pretendemos aprofundar posteriormente, a partir de reuniões a serem agendadas brevemente, visando construir coletivamente com as secretarias da CUT nacional, CUTs estaduais e ramos - em debate que deverá ser aprofundado na 12º Plenária - uma estratégia comum, para ampliar a referência dos nossos sindicatos junto aos trabalhadores e na sociedade, e conseqüentemente, ampliar nossa base de atuação sindical.

* Central Única dos Trabalhadores

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Júri popular condena o Estado brasileiro por violência e omissão contra a pobreza

Marli Moreira, repórter http://www.agenciabrasil.gov.br

6 dezembro 2008/Agência Brasil

São Paulo - Intelectuais, artistas, políticos e representantes de movimentos sociais - integrantes do Tribunal Popular - condenaram hoje (6) o Estado brasileiro a pena máxima por considerá-lo responsável pela violência que atinge a população pobre, principalmente, os negros e índios e omisso na promoção de ações contra a desigualdade social.

Aberto na última quinta-feira (4), o fórum teve três sessões com julgamento final encerrado por volta das 15h. O resultado foi uma forma simbólica de mostrar a sociedade a gravidade da situação, segundo explicou uma das coordenadoras do projeto, Angela Mendes de Almeida, historiadora do Observatório das Violências Policiais, vinculado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

Segundo Angela, a condenação é contra os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e os agentes do Estado nas três esferas: municipal, estadual e federal. “As execuções sumárias que acontecem nas ruas é um fenômeno observado em vários estados. Por isso trouxemos aqui pessoas do Rio de Janeiro, da Bahia e de São Paulo”, justificou.
De acordo com a historiadora, “ a idéia do Tribunal é dar visibilidade a esses crimes que, com pequena diferença, são cometidos usualmente contra as populações pobres, sobretudo negras e indígenas, em vários estados do Brasil”.

Ela destacou entre os presentes Wagner Santos, músico sobrevivente da chacina da Candelária e que “hoje vive na Suíça porque se vivesse hoje no Rio, provavelmente, seria vítima de vingança dos policiais”.
Almeida relatou ainda que o Tribunal foi criado por influência de ações sociais do gênero em Nova Orleans, nos Estados Unidos, quando, em 2005, ocorreu o furacão Katrina, um dos mais devastadores dos últimos tempos. "Lá, os negros pobres foram completamente marginalizados no processo de reconstrução e apenas os ricos mereceram a atenção do Estado”, contou.
Para ela, o “ Estado democrático de direito só serve para a classe média e para os ricos, os pobres são violentamente reprimidos dos seus direitos fundamentais, sobretudo do direito à vida. São violentados cotidianamente."
Um dos interlocutores do movimento norte-americano, em torno desse episódio em Nova Orleans, compareceu ao encontro. Kawame Kalimari, do grupo Malcon X Grass Roots Movement ,aproveitou a participação para defender a retirada das tropas brasileiras do Haiti.
Durante o ato, foi feita uma homenagem ao garoto de 8 anos, Matheus Rodrigues, morto com um tiro que, segundo testemunhas, teria sido disparado por policiais militares, na Baixa do Sapateiro, Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
O promotor do Tribunal, Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) e diretor do Correio da Cidadania, concluiu que “o Estado precisa ser condenado por não ser um estado justo, ele criminaliza o pobre, é imparcial, ficando apenas de um lado da sociedade e precisa ser de todos. Esta é a razão da condenação: o comportamento do Estado por omissão, impondo sofrimentos desnecessários à gente pobre”, disse Sampaio.
Na análise do jurista, para que a sociedade venha a ter direitos iguais há que se percorrer um longo caminho que passa, fundamentalmente, por uma mudança no regime de governo, passando do capitalismo para o socialismo. Ele, no entanto, admite que não há menor chance de uma mudança nesse sentido, no curto prazo."Mas, se for desenvolvido um trabalho, ao longo de décadas, o povo brasileiro pode se convencer de que é melhor viver em uma sociedade de iguais.”
O único representante de nível estadual foi o promotor Roberto Tardelli, do Tribunal do Júri de São Paulo, que reconheceu existir crimes contra a humanidade, mas pediu pena atenuante contra o Estado.

Participaram do corpo de jurados:
- Cecília Coimbra, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de janeiro
- José Guajajara, militante do movimento indígena, membro do Centro Étnico Conhecimento Sócio-Ambiental Cauiré
- Ivan Seixas, diretor do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo
- José Arbex Jr., jornalista e escritor
- Marcelo Freixo, deputado estadual P-SOL/RJ
- Marcelo Yuka , músico e compositor
- Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora
- Paulo Arantes, professor de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP)
- Wagner Santos, músico sobrevivente da chacina da Candelária
- Waldemar Rossi, militante da Pastoral Operária e do Movimento de Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo
- Adriana Fernandes, presidente da Associação de Familiares e Amigos de Presos da Bahia (Asfap/BA)
- Dom Tomás Balduíno, bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/06/materia.2008-12-06.9460665243/view

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Brasil/CDH, do Senado, aprova cota para negros em empresas

27 agosto 2008/Agência Estado

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) aprovou hoje o projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) que estabelece cotas para negros nas empresas públicas e privadas. O texto reserva 20% dos cargos em comissão do grupo de Direção e Assessoramento Superiores (DAS) da administração pública, "que será ampliada gradativamente até que a ocupação desses cargos por afro-brasileiros seja equivalente à proporção dessas pessoas na população brasileira".
Quanto às empresas privadas, as que tiverem mais de 200 empregados, deverão reservar 46% delas para negros.
O projeto estabelece ainda que os empregadores não poderão pedir fotografia ou declaração de raça ou cor dos candidatos a emprego. A tramitação do projeto está apenas começando. Terá ainda de ser examinado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, antes de ser encaminhada à Câmara dos Deputados.
No seu parecer, Paim afirma que a discriminação por motivo de raça, cor, ascendência ou origem racial ou étnica ainda persiste no mercado de trabalho brasileiro. Ele diz que a sua intenção é a de promover a inclusão nos setores público e privado. Para o senador, seria ingênuo, em boa fé, ou cínicos, em má-fé, se não reconhecesse o preconceito na sociedade brasileira. Daí porque entende que contra "essas regras não escritas, a Constituição de 1988 oferece remédios das ações afirmativas".

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Brasil/Carnaval baiano é luta contra racismo, diz jornal alemão

Vermelho/5 fevereiro 2008

O jornal alemão Sueddeutsche Zeitung afirma, em sua edição desta terça-feira, que “o Brasil negro ensaia um levante no carnaval de Salvador”.
Em um artigo intitulado ''A luta contra o racismo cordial'', dedicado ao carnaval da cidade - descrito como ''uma demonstração de beleza e auto-confiança negras'' - o jornal diz que ''atrás dos sons eufóricos do samba está um claro posicionamento político; o da exigência do fim do racismo''.

O jornal diz que o carnaval, na forma como é celebrado por blocos como Olodum, Araketu e Ilê Ayê, e a tradição da capoeira, uma ''filosofia em movimento'' que é tema do carnaval de 2008 na cidade, hoje estão ''a serviço da luta cultural contra o 'racismo cordial'''.

''Não são as leis que discriminam as pessoas, como foi o caso na África do Sul, ou as instituições, como foi o caso nos Estados Unidos. O que põe por terra o mito da elogiada democracia racial no Brasil são as inúmeras proibições sutis, que excluem uma grande parte das pessoas da vida social'', relata a reportagem.

''O racismo é uma realidade brasileira, que cai no esquecimento em meio às notícias sobre guerra de traficantes nas favelas e o crime organizado nas grandes metrópoles''.

O jornal alemão acrescenta que existem ''tendências racistas evidentes'' no Brasil: ''quem for jovem, do sexo masculino e negro morre cedo nas ruas brasileiras ou muitas vezes não sobrevive a uma estadia na prisão''.

No carnaval de Salvador, a maior cidade africana fora da África e onde ''ainda nos anos 70 os brancos tiravam as crianças das ruas quando os 'blocos afros' passavam'', os ''marginalizados são reis e os tambores negros assumem por seis dias o poder na cidade'', diz o diário.
O jornal elogia o trabalho de conscientização e resgate da história feito pelos blocos, em uma cidade onde ''cerca de 80% dos moradores são afro-brasileiros'', mas ''faltam os heróis negros nas salas de aula''.

Carnaval alemão

Já o carnaval na terra do periódico alemão chegou a seu ponto alto nesta segunda-feira (4) com os maiores desfiles de rua do país nas cidades de Mainz, Colônia e Dusseldorf.

Milhões de alemães saíram às ruas para festejar o Fastnacht ou carnaval alemão, que tem uma longa tradição na região ao longo do Rio Reno, no oeste do país.

Os desfiles incluíram grandes carros alegóricos que satirizam políticos e outras personalidades conhecidas, inclusive o papa Bento 16.

Grupos fantasiados saem marchando pelas ruas ao som de bandas uniformizadas e jogam balas para o público.

O maior desfile de carnaval do país acontece em Colônia, onde mais de dez mil foliões fazem um percurso de sete quilômetros.

Nas cidades de Mainz e Dusseldorf os desfiles duram mais de quatro horas.

O carnaval alemão é bem diferente dos festejos no Brasil. A maior diferença, no entanto, está no clima: os foliões enfrentam este ano uma temperatura de poucos graus acima de zero.

Estima-se que dois milhões de pessoas tenham saído às ruas para pular carnaval na Alemanha. (Fonte: BBC Brasil)


http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=31996

domingo, 9 de dezembro de 2007

Bolivia/Relator de la ONU asemeja a Mandela y Evo por cambiar sociedades injustas

La Paz, diciembre 2007 (ABI) - El relator de la ONU sobre los derechos de los pueblos indígenas, el mexicano Rodolfo Stavenhagen, dijo este viernes que el presidente boliviano, Evo Morales, se parece al sudafricano Nelson Mandela porque trata de cambiar sociedades injustas.
"Yo creo que hay mucho paralelismo entre Nelson Mandela y Evo Morales en términos de factores para la transformación de sociedades injustas o violadoras de los derechos humanos en una sociedad más equitativa", dijo el representante de la ONU, citado por la agencia Efe.
El relator, quien este viernes concluyó una visita de 12 días a Bolivia durante la cual se entrevistó dos veces con Morales, dijo que también hay una similitud porque ambos líderes fueron electos en contextos de racismo y exclusión social.
Indicó que Mandela fue el primer presidente negro de Sudáfrica y Morales el primer gobernante indígena de Bolivia.
Mandela fue elegido presidente con el 62,2 por ciento de los votos en las primeras elecciones libres de su país en 1994, cuatro años después de salir de prisión donde permaneció 27 años.
En tanto que Morales fue elegido en 2005 con el 53,7 por ciento de apoyo, el mayor respaldo obtenido por un candidato desde que se restableció la democracia en Bolivia en 1982.
Stavenhagen señaló que en la actual sociedad boliviana los indígenas fueron históricamente humillados, pero que ahora surgen para reclamar sus derechos en una sociedad igualitaria.
El mexicano destacó el papel precursor de Bolivia y de Ecuador en materia de derechos de los indígenas, al subrayar que ambos países instalaron una Asamblea Constituyente que incluye los derechos de esos sectores.
Stavenhagen aseguró que en Bolivia "se ha iniciado un proceso de cambio muy importante con algunas leyes" que reconocen esos derechos y plantean "una reforma fundamental no sólo del Estado sino de la visión de país".
El funcionario de la ONU abogó porque el proceso de las reformas se dirima de manera "consensuada" y si no es así "cuando menos, en forma democrática".
Insistió, sin embargo, en que es necesario un cambio, porque "todavía subsiste la discriminación, el racismo y la pobreza de los indígenas" y no hay un reconocimiento de sus derechos como pueblos, lo que "no puede ser" en un país "auténticamente democrático".
Stavenhagen llegó a Bolivia el 25 de noviembre para investigar en varias regiones del país la situación de los derechos humanos de los indígenas bajo el Gobierno de Morales y destacó que, aunque hay avances para el sector, todavía subsiste la discriminación.

http://www.abi.bo/index.php?i=noticias_texto_paleta&j=20071207222931&PHPSESSID=4bf598813355c9293b0e6d1c58f9e8c7

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Brasil/Suíço é preso em aeroporto do Rio acusado de racismo

São Paulo, 23 outubro 2007 - A Polícia Federal prendeu no último domingo um cidadão suíço após uma suposta ofensa a uma funcionária negra de uma companhia aérea no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, informou comunicado da PF nesta terça-feira. Davide Bianchi, de 38 anos, disse que estava no Brasil desde o dia 14 de outubro para um campeonato de bocha.

Segundo o comunicado, Bianchi teria ficado irritado com o atraso de seu vôo e com a suposta falta de atenção prestada por uma funcionária da empresa aérea.

A PF informou que, de acordo com relatos do suíço, a representante da empresa teria dado tratamento preferencial para um amigo e não para ele, o que 'acabou por irritá-lo um pouco mais, fazendo com que proferisse as palavras de significativo teor racista'.

Sobre as ofensas, 'negra e macaca', confirmadas por testemunhas, 'o suíço preso limitou-se a dizer que ele 'é que se sentia sofrendo crime de racismo aqui no Brasil em função do atraso do seu vôo'', informou a nota da PF.

A pena para injúria qualificada é de um a três anos de prisão.

'Após a formalização dos procedimentos em sede policial, o preso foi conduzido ao sistema prisional do Estado do Rio de Janeiro, onde permanecerá à disposição da Justiça', concluiu a nota. (Reuters)