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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Brasil/COLÔNIA, MONARQUIA, REPÚBLICA: PACTOS DE ELITE NA HISTÓRIA BRASILEIRA

15 novembro 2010/Carta Maior www.cartamaior.com.br

Emir Sader

Tivemos a proclamação da República mais de seis décadas depois da independência, porque esta nos levou de Colônia à Monarquia pelas mãos do monarca português, que ainda nos ofendeu, com as palavras – que repetíamos burocraticamente na escola- “antes que algum aventureiro o faça”. Aventureiros éramos nós, algum outro Tiradentes, ou algum Bolívar, Artigas, Sucre, San Martin O´Higgins, que lideraram revoluções de independência nos seus países, expulsando os colonizadores em processos articulados dos países da região.

Foi o primeiro pacto de elite da nossa história, em que as elites mudam a forma da dominação, para imprimir continuidade a ela, sob outra forma política. Neste caso, impôs-se a monarquia. Tivemos dois monarcas descendentes da família imperial portuguesa, ao invés da República, construindo estados nacionais independentes, expulsando os colonizadores ao invés do “jeitinho” da conciliação.

Como sempre acontece com os pactos de elite, o povo é quem paga o seu preço. Enquanto nos outros países do continente, as guerras de independência terminaram imediatamente com a escravidão, esta se prolongou no Brasil, fazendo com que fossemos o último país a terminar com ela, prolongando-a por várias décadas mais. Nesse intervalo de tempo foi proclamada a Lei de Terras, de 1850, que legalizou – mediante a grilagem, aquela falcatrua em que o documento forjado é deixado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer um documento antigo – todas as terras nas mãos dos latifundiários. Assim, quando finalmente terminou a escravidão, não havia terras para os escravos, que se tornaram livres, mas pobres, submetidos à exploração dos donos fajutos das terras.

Dessa forma, a questão colonial se articulou com a questão racial e com a questão agrária. Esse pacto de elite responde pelo prolongado poder do latifúndio e pela discriminação contra a primeira geração de trabalhadores no Brasil, os negros que, trazidos à força da África vieram para produzir riquezas para a nobreza européia como classe inferior. Desqualificava-se ao mesmo tempo o negro e o trabalho.

A República foi proclamada como um golpe militar, que a população assistiu “bestializada”, segundo um cronista da época, sem entender do que se tratava – o segundo grande pacto de elite, que marginalizou o povo das grandes transformações históricas.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Honduras/O “LOBBY” GOLPISTA APOSTA TUDO EM HILLARY

16 julho 2009/Carta Maior

No domingo o Los Angeles Times alegou que a derrubada do presidente Manuel (Mel) Zelaya é diferente – “exemplo de uma rebelião de novo tipo na luta da América Latina, no qual os líderes da esquerda desafiam o status quo e testam os limites da democracia”. Afirmou ainda: “naquela noite os militares de Honduras desligaram telefones para não ter de falar com autoridades dos EUA”. Será? Na verdade até o truque de fingir que nada tem a ver com o golpe pode ser repetição de ações passadas dos EUA. A análise é de Argemiro Ferreira.

Argemiro Ferreira

Data: 15/07/2009

Bastaria um mínimo de atenção às fotos da situação em Honduras (com repressão de protestos, ataque a jornalistas e reza de marchadeiras) para qualquer um concluir que o golpe militar em nada difere de outros da tradição imposta ao continente para servir aos EUA – desde os tempos da United Fruit, que deu origem à expressão “república de banana” e nas últimas décadas tem mudado de nome (foi também United Brands, mas agora virou Chiquita Brands).

No domingo o Los Angeles Times alegou que a derrubada do presidente Manuel (Mel) Zelaya é diferente – “exemplo de uma rebelião de novo tipo na luta da América Latina, no qual os líderes da esquerda desafiam o status quo e testam os limites da democracia”. Afirmou ainda: “naquela noite os militares de Honduras desligaram telefones para não ter de falar com autoridades dos EUA”.

Será? Na verdade até o truque de fingir que nada tem a ver com o golpe pode ser repetição de ações passadas dos EUA (como em 1964, quando o cínico embaixador Lincoln Gordon jurou que o golpe tinha sido “100% brasileiro”). Em Honduras outra semelhança foi a ação precipitada de grupelhos: como a de um general e dois coroneis que invadiram a casa de Zelaya de madrugada, arrancaram-no da cama e tornaram o golpe fato consumado ao enfiá-lo de pijama no avião militar.

Um golpe igual aos outros
Ao contrário do que disse o Times californiano, nada se inovou, foi “golpe no velho estilo” – expressão usada por outro jornal americano em 1964, para qualificar o que acontecia então no Brasil. Os ingredientes estão no próprio relato do diário de Los Angeles: elite indignada com gastos em programas sociais, coro da mídia golpista e a palavra piedosa de figurões da Igreja pagos pelos bushistas do National Endowment for Democracy (NED).

Observem o que ocorre agora. Pelo menos mais dois líderes de movimentos populares foram assassinados. Roger Bados (do Bloco Popular e da Resistência Popular, além de membro da coalizão do governo Zelaya), foi baleado e morto em San Pedro Sula. Ramon Garcia foi retirado por militares do ônibus em que viajava e executado. Anunciou-se a suspensão do toque de recolher, mas ele continua em vigor.

Essas e outras informações estão no website “Postcards from the Revolution” de Eva Golinger, advogada venezuelana que atua em Nova York e publicou, entre outros livros, The Chávez Code – Cracking US Intervention in Venezuela (O Código Chávez – Destroçando a intervenção dos EUA na Venezuela), sobre o golpe fracassado de 2002. Ela citou ainda a prisão e expulsão de jornalistas estrangeiros da agência espanhola EFE e de dois canais da Venezuela, Telesur e VTV.

Um jornal de Tegucigalpa citou com ligeireza o fato, atribuindo as prisões insolitamente a “roubo de carro”. Os veículos hondurenhos adotam uma linha golpista semelhante à da mídia brasileira. Filiam-se todos, como a nossa grande imprensa, à notória Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que se diz defensora da liberdade de imprensa mas tradicionalmente aplaude os golpes apoiados pelos EUA – como o de Pinochet no Chile em 1973.

O lobista e as marchadeiras do cardeal
O golpe trouxe ainda a versão hondurenha da “marcha da família com Deus pela liberdade”. Como os golpistas foram incapazes de obter reconhecimento em qualquer país (até Israel repudiou a idéia), o cardeal Andrés Rodriguez (beneficiário de verbas do NED, a organização dos EUA que patrocina golpes a pretexto de defender a democracia) faz concentrações e rezas em vários países implorando a Deus pelo sucesso do golpe.

O dado mais preocupante, revelado pelo New York Times, é sobre uma ofensiva de relações públicas lançada pelos golpistas nos EUA. Segundo o jornal, já trabalha nesse sentido junto à secretária Hillary Clinton (de quem foi conselheiro na campanha presidencial de 2008) o lobista Lanny J. Davis, ex-advogado pessoal do presidente Bill Clinton na Casa Branca. Outro ligado a Clinton que já estaria a serviço dos golpistas é Bennett Ratcliff, da Califórnia.

A ofensiva golpista nos EUA pode revelar-se decisiva. Se Barack Obama declarou-se no primeiro momento pelo imediato retorno ao poder do presidente legítimo (Zelaya), sua secretária de Estado tem sido ambígua. Agora, destacou Golinder, Hillary pode até já ter concordado com cinco condições (exigidas pelos golpistas) que ameaçam reduzir Zelaya a mera figura decorativa:

1. Zelaya teria a presidência mas não o poder;
2. Ficaria proibido de insistir no plano de reforma da Constituição ou mesmo de realizar referendos ou votações de qualquer natureza;
3. Seria obrigado a se distanciar do presidente venezuelano Hugo Chávez;
4. Compartilharia a governança com o Congresso e os golpistas até o fim do mandato;
5. Assumiria o compromisso de anistiar os envolvidos no golpe.

“El negrito que no sabe de nada”?
Também nisso o golpe de Honduras imita o Brasil – de 1961, quando militares golpistas exigiram que se retirasse os poderes de João Goulart antes de empossá-lo. Nada destoa do figurino clássico do golpe latino-americano, até por ter nascido em Honduras a expressão banana republic. Só o que difere é a reação inicial de Obama, enfático no repúdio. Terá ele depois deixado a bola para o Departamento de Estado que herdou de Bush?

Ali dois veteranos do golpe venezuelano de 2002, Thomas A. Shannon e Hugo Llorens, podem tentar sob a liderança da secretária Hillary desconstruir Obama. Shannon está onde Bush o colocou – é secretário assistente para assuntos hemisféricos, o mesmo posto no qual seu ex-chefe cubano Otto Reich encaminhara o outro golpe (revertido em 48 horas). E em Tegucigalpa está Llorens, enviado no ano passado por Bush.

Quadro perfeito para o contágio no continente, onde a mídia parece atraída por modelito “diferente” – a new kind of coup, na expressão do Los Angeles Times – para responder ao que a elite latino-americana teme como ameaça a séculos de sua perversidade social. Só não faz sentido ver Obama metido no papel de um Bush obcecado por Chávez, já que sua promessa foi o contrário: mudança.

Estará nos planos do presidente americano, a reboque da secretária de Estado, tal confraternização promíscua com a insaciável elite branca, tão bem representada na figura grotesca de Enrique Ortez Colindres, ministro do Exterior do golpe, que escancarou o racismo ao reagir ao repúdio de Obama? “Ele é só um negrinho que não sabe de nada”, disse. Colindres, claro, teve de cair fora. Mas o resto da turma golpista, de igual linhagem nobre, confia na loura Hillary.

Blog de Argemiro Ferreira

sábado, 18 de outubro de 2008

Campesinos bolivianos continúan marcha hacia La Paz


Unos 10 mil indígenas, campesinos y obreros esperan llegar el lunes a La Paz, luego de haber recorrido alrededor de 200 km. (Foto: TeleSUR)

El sector oficial convocó para este sábado a sesiones del Congreso bicameral para aprobar la convocatoria a referendo constitucional, mientras parlamentarios opositores se mudaron a oficinas del poder Legislativo, con ropa, comida y bolsas de dormir.

18 octubre 2008/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Unos 10 mil indígenas, campesinos y obreros continúan marchando hacia La Paz. Este sábado se encuentran en la población de Ayo Ayo, a unos 70 km de la capital, esperan llegar el lunes a La Paz tras recorrer a pie alrededor de 200 km para exigir al Parlamento que convoque un plebiscito en búsqueda de la aprobación de la nueva Carta Magna.

"Tenemos que estar conscientes de que esta movilización es clave, vamos a solicitar al Congreso que aprueba la Constitución ", dijo el líder de los indígenas del oriente boliviano, Adolfo Chávez, informaron este sábado medios locales.

El sector oficial convocó para este sábado a sesiones del Congreso bicameral para aprobar la convocatoria a referendo constitucional, mientras decenas de parlamentarios opositores se mudaron a oficinas del poder Legislativo, con ropa, comida y bolsas de dormir.

"Llegaremos a la plaza Murillo (plaza de Armas donde se encuentra el poder Legislativo), tal como estaba pautado", afirmó el líder de los campesinos, Fidel Surco, dirigente del gobernante Movimiento Al Socialismo (MAS), citado por el matutino La Prensa.

Al menos 15 mil personas, entre trabajadores, campesinos, cocaleros, indígenas, colonizadores, mujeres campesinas, rentistas, maestros rurales, fabriles, trabajadoras del hogar y transporte libre, se sumaron a la marcha en demanda por la nueva Constitución en Bolivia, que comenzó el pasado 13 de octubre.

Al inicio de la marcha el presidente de Bolivia, Evo Morales, siguió a sus compañeros de ideales alrededor de unos tres kilómetros de la marcha, reforzando de esta manera su compromiso con las clases populares.

Morales fue recibido con gran cariño por sus simpatizantes quienes lo condujeron hasta un pequeño altar preparado para un ritual andino, donde le encomendaron a Pachamama (madre tierra), el éxito de la movilización.

"Esta es una marcha para la refundación de Bolivia, histórica y fundamental", resaltó el presidente de Bolivia mientras era abordado por la prensa.

Los campesinos e indígenas consideran que en el proyecto de la nueva Constitución tienen un papel crucial que desempeñar, "tras años de exclusión".

"Por fin dejaremos de ser ciudadanos de segunda tras 500 años de olvido", afirmó Juan Choque, un labrador de una remota población del norte de Potosí en alusión a la época de la colonia española y posteriormente a la fundación de la República en 1825, proceso del que los indígenas consideran no formaron parte.

Afirman que el objetivo es reunir entre 10 mil y 20 mil indígenas o más. "Ojalá que los senadores y diputados de la oposición entiendan este gran movimiento, lo mejor sería que nos entreguen la ley de convocatoria al referendo en media marcha, antes de llegar a La Paz".

El proyecto de Constitución impulsado por el Gobierno de Evo Morales propone dar más poder a la mayoría indígena de los Andes, y consolidar la nacionalización de la economía.

A este proyecto se opone la extrema derecha de las regiones de la llanura oriental que impulsan a contramano procesos autonómicos.

Evo de reposo
Por otra parte el presidente de Bolivia, Evo Morales, suspendió todas sus actividades, desde este viernes en la noche, por recomendación médica, confirmó el portavoz de la Presidencia, Iván Canelas.

Este sábado, el Jefe de Estado tenía previsto un encuentro con los dirigentes de la Federación de Cooperativas Mineras (Fencomin), entre otras reuniones.

Los médicos le pidieron al presidente Morales un reposo al menos de un par de días, debido a que en las últimas horas se sufrió algunos dolores de cabeza por la intensa actividad que realiza todos los días, desde la 5 de la mañana hasta pasada la medianoche.

Por ello su participación a una serie de reuniones y actividades públicas este domingo, está también sujeta a una previa evaluación médica, mientras tanto el mandatario permanecerá en la residencia de San Jorge.

http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/34388-NN/campesinos-bolivianos-continuan-marcha-hacia-la-paz/

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