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quinta-feira, 5 de março de 2015

Brasil/QUEM TEM MEDO DO LULA?

3 março 2015, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Por Emir Sader, no site Carta Maior


A direita – midiática, empresarial, partidária, religiosa – entra em pânico quando imagina que o Lula possa ser o candidato mais forte para voltar a ser presidente em 2018. Depois de ter deixado escapar a possibilidade de vencer em 2014, com uma campanha que trata de colocar o máximo de obstáculos para o governo de Dilma – em que o apelo a golpe e impeachment faz parte do desgaste –, as baterias se voltam sobre o Lula.

De que adiantaria ajudar a condenar a Dilma

terça-feira, 6 de maio de 2014

Brasil/MORREU DOM TOMÁS BALDUÍNO, O BISPO DA REFORMA AGRÁRIA E DOS INDÍGENAS

3 maio 2014, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

 


Morreu sexta-feira, em Goiânia, aos 91 anos, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino, o bispo da reforma agrária e dos indígenas.


A Rádio Nacional da Amazônia foi a primeira da dar a triste notícia do falecimento de um dos maiores símbolos da igreja progressista no Brasil e no mundo. “Morreu nessa sexta-feira (2), às 23h30, em Goiânia, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino. O religioso tinha 91 anos e morreu em decorrência de uma tromboembolia pulmonar. Ele ficou internado de 14 a 24 de abril no Hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar no dia 24, mas foi novamente internado no dia seguinte, no Hospital Neurológico, onde permaneceu até ontem”, informou a repórter Maíra Heinen. Para quem teve a alegria de conhecer o carismático dom Tomás Balduino em algumas reuniões, a notícia foi um choque.

Em nota divulgada neste sábado (3), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) fez um breve relato da trajetória combativa e abnegada do líder religioso -- que reproduzo abaixo na íntegra:

Dom Tomás Balduino, fundador da CPT, fez a sua páscoa

Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou...
tempo de lutar e tempo de viver em paz”.
(Eclesiastes 3:1-8)

É com grande pesar e muita tristeza que a Comissão Pastoral da Terra (CPT)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Brasil/CALARAM MAIS UM PROFETA NA AMAZÔNIA

22 setembro 2009/[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
http://www.adital.com.br

Márcia Maria de Oliveira *

Na tarde escaldante deste dia 20 de setembro, milhares de pessoas, entre lágrimas e cantos, deram seu último adeus ao Pe. Ruggero Ruvoletto. O missionário de 52, da Diocese italiana de Pádua fora, covardemente, alvejado por um tiro certeiro, preliminarmente planejado nas rodas de "boca-de-fumo" do crime organizado de um dos bairros mais violentos da periferia da cidade de Manaus.

Na manhã do dia 19 de setembro, seu sangue profético regou o chão da Amazônia. O último gesto corajoso de Pe. Ruggero foi estampado na capa dos jornais da cidade: de joelhos junto de sua simples cama oferecera a Deus, em oração, talvez, seus últimos minutos de vida. Uma vida marcada pela missão corajosa junto aos mais pobres e excluídos da sociedade.

Desde que chegara à Amazônia no início de 2008, Pe. Ruggero iniciou sua caminhada de oblação. Com um histórico missionário de opção evangélica pelos mais pobres e esquecidos do nordeste brasileiro, em Manaus, foi designado a uma região da periferia da cidade. Aqui, encontrou inúmeros agentes de pastoral ansiosos por sua sábia ajuda. Também encontrou muitos desafios pastorais e um silêncio da população com relação à atuação do crime organizado do tráfico de drogas na região.

Sua missão, no início, desenvolveu-se timidamente num processo intenso de visita às famílias, de escuta, de abertura ao novo. Freqüentemente solicitava ajuda, nos nossos "debates sociológicos", para melhor compreender a dinâmica da cidade. Queria conhecer mais sobre os indígenas e ribeirinhos e entender porque continuam migrando, sempre em ordem crescente, para as periferias da cidade. Logo entendeu que a Amazônia vive um histórico de descaso dos poderes públicos nos municípios do interior e centraliza todos os bens e serviços nas capitais, principalmente na cidade de Manaus com seu fantasmagórico projeto de Zona Franca que canaliza todos os recursos federais para uma elite da indústria de montagem. Por isso essa realidade marcada pelo êxodo rural, pelos crimes ambientais, pelos conflitos agrários e pelas ocupações urbanas que indicam o grande déficit de políticas públicas de moradia, educação, emprego e segurança.

Sua presença simpática e acolhedora foi cirando laços de amizade e comprometimento. Sempre preocupado com as questões sociais, sugeriu a organização de um calendário permanente de debate sobre a situação das várias comunidades que atendia na Área Missionária Imaculado Coração de Maria (AMICOM). Sua intuição profética motivou várias iniciativas por parte das lideranças das comunidades e dos movimentos sociais na criação de espaços de formação permanente de lideranças tais como a Escola de Fé e Cidadania que abrange outras áreas. Não era presença somente na AMICOM. Logo passou a acompanhar a organização pastoral de outras áreas missionárias da Zona Norte da cidade. Passou a apoiar os organismos arquidiocesanos ligados à dimensão missionária e às Comunidades Eclesiais de Base.

Com uma prática litúrgica muito sensível e inculturada, fazia das celebrações eucarísticas momentos fortes de celebração da vida, das esperanças e do compromisso evangélico. Nas reflexões com os grupos nas comunidades ou nas famílias, embaixo das árvores, ou nas áreas externas nas pequenas casas, estava sempre atento aos clamores e lamentos das pessoas. Suas palavras davam novo alento e fazia o povo voltar a ter esperança em uma realidade marcada pela violência e pelo descaso das políticas públicas.

Depois de intensas reuniões e debates, juntamente com os agentes de pastoral, elaboraram uma carta-denúncia que foi lida, rezada e reformulada nas várias celebrações comunitárias. Na carta estava contido o clamor do povo que já não suporta mais tanta violência resultante do tráfico de drogas na região. Denunciava o descaso público para com a educação, o transporte coletivo, o abastecimento d’água e tantas outras deficiências por parte dos poderes públicos.

Com a carta-denúncia em mãos, o povo resolveu se pronunciar. Na manhã do dia 15 de agosto as ruas do bairro de Santa Etelvina foram tomadas pelos cantos e frases de protesto. Uma manifestação pacífica de centenas de pessoas cobrando o exercício pleno da cidadania. Esse dia marca o fim do silêncio e do medo histórico que amordaçava os moradores deste bairro. Durante a caminhada, Pe. Ruggero, o homem da palavra, não fez uso dos microfones. Sob um sol de quase 40 graus, acompanhou tudo de forma muito discreta, fotografando e distribuindo panfletos aos transeuntes e curiosos que saíam às portas para ver o povo passar.

Em dado momento, já na metade da manifestação, quando algumas pessoas lhe pediam para se pronunciar aos microfones, se aproximou e disse: "Márcia, estou pensando que é melhor eu não me pronunciar porque já vi passando algumas pessoas ligadas ao tráfico de drogas que vêm me ameaçando e me ‘aconselhando’ a deixar essas denúncias de lado. Eu lhe garanto que não vou deixar a luta porque já não é mais possível ficar calado diante de tanta violência e injustiça. Não agüento mais ouvir tantas mães desesperadas com seus filhos nas drogas sem poder fazer nada. Sei que é arriscado, mas não tenho medo".

Foi uma das últimas conversas que tivemos. Uma semana depois passou rapidamente por minha casa depois da celebração e comentou que estava animado com a repercussão da carta e da manifestação. Novamente afirmou que se sentia ameaçado por pessoas ligadas ao tráfico de drogas do bairro de Santa Etelvina que atuavam também nos bairros visinhos, especialmente no Lagoa Azul. Parecia muito preocupado, mas sempre destemido, reafirmava o compromisso com a causa da justiça. Como sempre fazia, pediu algumas orientações no campo sociológico. Queria entender por que a pouca polícia que atua nos bairros da periferia não inspira a confiança do povo? Por que os assaltos aos ônibus coletivos e residências continuam aumentando e por que o 12º Distrito Policial do Bairro continuava desativado e sem nada que o substituísse? Comentou ainda sobre o alto índice de assassinatos no bairro, quase todos ligados ao tráfico de drogas. Estava muito preocupado, principalmente com os jovens, vítimas das drogas e da prostituição. Ao se despedir toquei no assunto das ameaças. Olhou-me sereno e, sorrindo me disse: "estou tranqüilo. Sei que esse tipo de gente, quando quer matar, não manda recados".

Nas semanas que se passaram continuou se pronunciando sobre a necessidade da organização popular. Mas, parecia mais discreto do que o habitual. Talvez percebera que era preciso ter mais cautela pois estava mexendo numa "caixa preta" que envolve grandes traficantes e gente da polícia.

Após seu assassinato, a polícia trabalha com a suspeita de latrocínio. Pode ser que vão seguir com esta versão para não ter muito trabalho com a investigação. É mais simples afirmar que foi roubo seguido de assassinato. Muitos dos que estavam no velório também acreditam nesta versão. Talvez porque já estão habituados a acreditar em tudo o que a polícia diz, mesmo quando não se tem fundamentos convincentes. Entretanto, várias das milhares de pessoas que lotaram o ginásio de esportes do Santa Etelvina para se despedir do Pe. Ruggero, não acreditam nessa "orquestração". O povo sabe a verdade. Talvez tenha medo de dizer, mas o certo é que sabe que não foi nenhum "ladrãozinho", como afirma a polícia que alvejou o padre. Pode até ser que um ladrãozinho tenha sido contratado para disparar o tiro certeiro. Mas, todos sabem que por traz disso estão os controladores do tráfico que se sentiam incomodados com a atuação do Pe. Ruggero.

Desde que se espalhou a notícia, a comoção tomou conta de todos. Centenas de pessoas, durante todo o dia de sábado estiveram organizando o local do velório, preparando os cartazes de despedida, ensaiando os cantos e o último adeus. A chegada do corpo tomou a todos de grande comoção. Durante toda a noite de sábado e a manhã deste domingo, as comunidades se revezaram para prestar sua última homenagem. Algumas pessoas vinham de longe, trazendo flores dos seus jardins, como é costume na região. Uma adolescente "coroinha" trouxe pétalas vermelhas e espalhou ao redor do caixão. Chorava e falava baixinho com ele certa de que era escutada. Os idosos se aproximavam e o chamavam de "filho querido". Foram inúmeras as demonstrações de carinho e emoção junto ao caixão. Na celebração da oblação, um gesto muito forte: representantes das várias comunidades se aproximaram do caixão no momento do ofertório, o levantaram e o ofereceram ao altar da imolação. Nas falas e nos cartazes o destaque era o clamor por justiça.

Até a hora da despedida, o povo seguiu cantando "se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão!" Todos os momentos de oração e celebração foram marcados por muitos gestos que falavam por si e por cânticos alegres e muito bem cantados seguindo o ritmo das águas dos rios e da sinfonia da floresta e das coisas bonitas da Amazônia.

No início desta manhã, um sinal importante indicava que "a semente que caiu na terra vai logo brotar": Os agentes de pastoral da AMICOM e as lideranças dos movimentos sociais se reuniram logo cedo, ali mesmo, num cantinho do ginásio e formularam um pequeno panfleto exigindo justiça. Deliberaram as tarefas e em poucas horas, o folheto já havia sido digitado, fotocopiado e distribuído a todas as pessoas que estiveram na celebração enquanto alguns jovens saíram pelas ruas do bairro distribuindo-o a todos e convocando para uma manifestação no dia seguinte à missa de sétimo dia. O resumo do folheto afirma que a morte do Pe. Ruggero não será em vão. O último parágrafo é digno de reprodução neste breve ensaio: "Por isso gritamos que chega de violência! Queremos paz e ação enérgica do governo que tem sido incompetente e mentiroso afirmando que, por causa dele, devemos ter orgulho de ser amazonenses".

Resta concluir que o Pe. Ruggero é mais um mártir da Amazônia e que sua luta seguirá na vez e na voz de todos aqueles e aquelas que descobriram que sua esperança está na força da união. Essa gente, ninguém mais segura. Oxalá que o sangue derramado deste profeta regue o chão da Amazônia e produza muitos frutos de justiça.
Manaus, 21 de setembro de 2009.

* Socióloga e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Coordenadora do Departamento de Educação do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social - SARES

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Brasil/“GOVERNOS DOS PAÍSES RICOS SÃO CULPADOS PELA CRISE”, diz Lula

15 setembro 2009/Página Um

Américo Martins - Editor-executivo da BBC para as Américas

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou duramente os "países ricos", o G8 e outros organismos internacionais, e responsabilizou os governos de países desenvolvidos pela crise econômica mundial.

"Os governos dos países ricos são os culpados (pela crise) por que não cuidaram da regulamentação do mercado", disse o presidente, em entrevista exclusiva à BBC sobre o colapso do sistema financeiro global.

Lula se posicionou como uma espécie de porta-voz informal dos países em desenvolvimento desde o começo da crise. Ele vem defendendo o que acredita ser os interesses dos pobres em lugares como América Latina, África e Ásia, pedindo mudanças no sistema financeiro global.

Na entrevista com a BBC, Lula afirmou que os governos dos países ricos "sabiam como dar palpite em tudo sobre a economia dos países em desenvolvimento. Agora, quando a dor de barriga aconteceu com eles, eles não sabiam como agir".

Suas críticas também foram dirigidas a instituições econômicas internacionais: "O FMI não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. O Banco Mundial não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. E os governos também não tinham!”

'Banqueiros de olhos azuis'

O presidente Lula também insistiu em afirmar que a crise foi criada por banqueiros brancos de olhos azuis no mundo rico. A expressão causou polêmica quando o líder brasileiro a pronunciou pela primeira vez, em março deste ano, ao lado de Gordon Brown, durante visita do primeiro-ministro britânico a Brasília.

Àquela época, Lula foi criticado por ter usado a expressão, considerada por muitos como inapropriada, quase racista. Durante essa entrevista, gravada para a série especial "The Love of Money", da BBC 2, o presidente disse que não se arrependia, e voltou a falar da mesma forma.

"Aquilo que eu queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. O que eu quis dizer era que não eram os índios ou os negros que deveriam pagar a conta (pela crise), mas sim os responsáveis pela crise, que eram os banqueiros de olhos azuis. E que não jogassem a culpa em cima dos pobres do mundo, como sempre acontece quando tem uma crise econômica", disse Lula.

O presidente, entretanto, parece muito confiante em que os líderes do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) consigam encontrar soluções para a crise, se continuarem a trabalhar juntos.

Eles se encontrarão novamente para discutir a crise em Pittsburgh, nos EUA, nos dias 24 e 25 de setembro, e o Brasil espera influenciar o debate, pedindo a consolidação do grupo e mais mudanças no sistema financeiro.

Lula defendeu o grupo, afirmando que o G20 está se tornando um fórum extremamente importante para debater e encontrar soluções para a economia. Ele também argumenta, entretanto, que o grupo deve ampliar seus objetivos e começar a discutir e implementar políticas para acelerar o desenvolvimento de países pobres.

"Espero que não seja um fórum apenas para resolver o problema da crise. Os pobres do mundo, os emergentes do mundo são chamados apenas para resolver o problema da crise e, quando a crise terminar, acaba-se com o G-20 e volta ao G-8".

De acordo com o presidente brasileiro, o G8 não tem credibilidade para lidar com os novos desafios da economia global.

"O problema é que o G-8 é um clube fechado. Do ponto de vista da discussão da crise econômica, acho que o G8 não tem legitimidade", disse ele. Leia abaixo a entrevista do presidente Lula à BBC.

BBC - Dia 15 de setembro de 2008. O banco de investimentos Lehman Brothers quebra. O senhor pode me contar como foi informado da quebra? Como o senhor recebeu a notícia? Qual foi o impacto dela?

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - A notícia foi dada com muito destaque em todos os meios de comunicação do Brasil. Lembro que no dia seguinte fizemos uma reunião com o Ministério da Fazenda e o Banco Central para discutir os efeitos da quebra do Lehman Brothers. E, na verdade, o que constatamos é que a quebra do Lehman Brothers era apenas o resultado de um modelo econômico que estava falindo, de um modelo baseado na especulação financeira, que tinha dado sinais muito fortes (de fragilidade) um ano antes. Lembro que estava no Panamá quando saíram as primeiras notícias do subprime, dos títulos imobiliários americanos, eu estava numa reunião empresarial. Alguns empresários ficaram preocupados, alguns brasileiros, e comecei a brincar, perguntando se alguns deles tinham dinheiro aplicado no subprime. A partir dali fazíamos reuniões mensais (de avaliação da crise do subprime) no Brasil, até que quebrou o Lehman Brothers. Aí acho que chegamos ao ápice da crise porque, com a quebra do Lehman Brothers, a sequência natural foi a extinção do crédito internacional. Acabou o crédito para todo mundo, sumiram os dólares que estavam passeando pelo mundo. Diziam que havia trilhões e trilhões de dólares atravessando o oceano e, de repente, desapareceram esses dólares. Não tinha mais crédito no mundo e isso teve, inclusive no Brasil, efeitos muito desastrosos.

BBC - Especificamente no dia ou no dia seguinte, com quem o senhor conversou? Em que momento o senhor entrou em contato com os Estados Unidos, por exemplo? Quem é que lhe deu a notícia?

Lula - Na verdade não entrei em contato com os EUA porque havia contatos do ministro da Fazenda brasileiro com o ministro americano, do presidente do Banco Central brasileiro com o do Banco Central americano. Minha conversa era diretamente com o pessoal da área econômica brasileira. Começamos a sentir problemas mais sérios, como a falta de crédito. Empresas como Petrobras, Vale do Rio Doce, tinham problemas de tomar dinheiro lá fora. Nossos exportadores começaram a ter problemas e problemas. Antes fazíamos uma avaliação de que a crise chegaria no Brasil com um efeito muito pequeno. Não apenas economistas do governo, mas economistas da oposição. Todo mundo dizia que por conta do subprime a crise seria muito pequena no Brasil. Até que quebra o Lehman Brothers. O que aconteceu? Tivemos em setembro, outubro, novembro e dezembro muito pânico junto ao empresariado brasileiro, aos meios de comunicação. Acho que houve um exagero de setores empresariais brasileiros. Como a indústria automobilística, que deu férias coletivas no final do ano, ficou praticamente um mês sem produzir para desovar o estoque. (Isso) causou um impacto muito grande no PIB industrial, coisa que não precisaria ter causado. Alguns empresários que estavam com projetos de investimentos já aprovados pelo BNDES pararam para ver o que estava acontecendo. E aí todo mundo começou a ficar com medo. Fui à TV no dia 22 de dezembro convocar o povo a comprar, porque dizia-se que se o povo comprasse, fizesse dívida e ficasse desempregado, não teria como pagar. Eu fui dizer que se ele não comprasse poderia perder o emprego, porque a economia ficaria atrofiada. O dado concreto é que no comércio varejista continuamos crescendo. Ninguém reclamou. O povo continuou consumindo e o Estado continuou fazendo seus investimentos, ou seja, a crise se deu exatamente na iniciativa privada, no sistema financeiro, no crédito internacional. Porque também os bancos brasileiros não estavam subordinados à especulação como estava a economia internacional. Porque nós temos uma regulamentação em que o sistema financeiro só pode alavancar até 10 vezes seu patrimônio líquido, quando no exterior você poderia especular 30 vezes, 35 vezes.

BBC - Voltando um pouco, presidente, em que momento exatamente o senhor se deu conta de que crise poderia bater forte no Brasil?

Lula - O momento mais duro foi quando vi a Petrobras ir à Caixa Econômica tomar dinheiro emprestado, competindo com pequenos empresários. E por que a Petrobras foi à Caixa Econômica? Porque não tinha crédito fora (do Brasil). Agora imagine você, uma empresa como a Petrobras, com valor patrimonial de mais de US$ 200 bilhões, não conseguir empréstimo no exterior é porque a coisa estava realmente muito ruim. Bem, depois disso, eu acredito que tomamos algumas decisões importantes. É importante lembrar que havíamos criado o PAC em 2007. Não se falava em crise quando adotamos o maior programa de investimentos em obras de infraestrutura já feito no Brasil. Eram US$ 304 bilhões previstos até 2010 na área de infraestrutura, na área de saneamento básico, na área de habitação. Quando a crise se aprofundou, começamos a tomar medidas anticíclicas, que permitiram que a economia brasileira fosse analisada como a que tinha entrado por último na crise, e que poderia sair primeiro da crise. E isso nos deixou mais otimistas. Alguns setores empresariais começaram a fazer mais investimentos. Em reuniões com o BNDES provoquei meu amigo Luciano Coutinho (presidente do banco) para que chamasse os empresários que tinham investimentos financiados pelo BNDES a começar a tocar as obras. Em todas as obras de infraestrutura, acordamos para que as empresas contratassem dois ou três turnos, para que a gente pudesse gerar os empregos que a economia precisava. E penso que isso conseguiu estabilizar. No primeiro semestre de 2009, por exemplo, a indústria automobilística vendeu mais que no mesmo período de 2008. Porque nós demos incentivos. Abrimos mão de determinados tributos para fomentar a linha branca, geladeira, máquina, fogões, carros, material de construção civil. Lançamos um programa muito grande de construção, de um milhão de casas, para incentivar a construção civil. Tudo isso permitiu que nós, sem abrir mão de nenhum centavo na política social, sem abrir mão de um centavo no PAC, criássemos mais políticas de investimento para enfrentar a crise. Porque nós também entendíamos que era uma crise diferente. Não era uma crise de contenção ou de ajuste fiscal, era uma crise de investimento. Era uma crise na qual o Estado deveria aparecer como sujeito da história. O Estado precisava fazer aquilo que a iniciativa privada não conseguia fazer. E, graças a Deus, nós conseguimos dar passos importantes.

BBC - Na sua opinião, quais foram os fatores que levaram a essa crise?

Lula - Acho que a primeira coisa foi a falta de regulamentação do sistema financeiro. Quando você tinha crise na Ásia, na Rússia, no Brasil ou no México, eram crises de países em desenvolvimento. As pessoas não davam muita importância, exigiam que os países fizessem ajustes fiscais muito fortes, a economia ficava atrofiada, até falamos de década perdida. No fundo foram duas décadas perdidas na América do Sul. Essa crise acontece quando todos os países da América do Sul, da América Latina, vivem um momento excepcional de crescimento. E a especulação, bancada pelos países ricos, é que levou a essa crise. Não havia nenhuma regulamentação no sistema financeiro. O que justificou o preço da soja e de outras commodities subirem de forma astronômica, sem nenhum critério, a não ser a especulação financeira? As pessoas estavam fugindo do subprime e entraram no mercado futuro de commodities. Quando os preços das commodities começam a voltar à normalidade, começa a especulação imobiliária nos Estados Unidos. E, depois disso, começamos a saber que os bancos não tinham a menor regulamentação. Acho que foi uma lição de vida para todo mundo. O sistema financeiro não pode deixar de ter regulamentação. E o Estado não pode deixar de ter um papel importante, de indutor e regulador da economia dos países. Aquela tese do Consenso de Washington de que o Estado tem que ser mínimo, de que o Estado não pode nada, de que o Estado atrapalha e de que o mercado podia tudo acabou! Acabou porque, quando o sistema financeiro quebrou, quem era o paizão que tinha que ajudar? Era o Estado. Foi o Estado americano que teve que colocar dinheiro, o Estado brasileiro que teve que colocar dinheiro, o Estado alemão que teve que colocar dinheiro. Penso que agora as pessoas estão percebendo que o Estado tem um papel extraordinário no equilíbrio das relações econômicas internas e externas.

BBC - Essas foram as causas. Quem são os responsáveis por isso?

Lula - São os governos. Os governos, que não cuidaram da regulamentação.

BBC - Que governos especificamente?

Lula - Veja, não tem uma pessoa. É um sistema. Não era possível que os bancos continuassem ganhando dinheiro sem produzir uma caneta, uma folha de papel, um sapato. Apenas especulando, especulando. Era o papel A que passava para a mão do banqueiro B, depois o papel C passava para mão do B, ou seja, o mesmo papel fazia muita gente ganhar dinheiro sem produzir uma peça qualquer.

BBC - Sim a culpa é dos governos. Mas de todos os governos? Ou dos governos dos países ricos?

Lula - Acho que nesse caso é dos países ricos. Por quê? Porque acreditaram durante décadas que o mercado por si só resolveria todos os problemas. Aí quando o mercado se mostrou frágil, incompetente, aí os Estados começaram a perceber que tinham que agir. E agir fortemente. E no Brasil nós não vacilamos. No Brasil nós tomamos as medidas que tínhamos que tomar para permitir que a economia se recuperasse mais rapidamente. Os países ricos são os mais culpados porque sabiam dar palpite em tudo sobre a economia dos países em desenvolvimento. Agora, quando a dor de barriga aconteceu com eles, eles não sabiam como agir. O FMI não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. O Banco Mundial não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. E os governos também não tinham! Daí a importância das decisões que foram tomadas, de articular o G20. O G8 já não resolvia mais o problema da crise econômica, até porque eram os países do G8 que tinham a maior responsabilidade pela crise financeira. E eles sabiam que a irracionalidade do sistema financeiro deles ia causar prejuízos mais fortes nos países mais pobres, sobretudo nos países da África, e aí se criou o G20, que, acho, começou a encaminhar soluções importantes para o problema da crise econômica.

BBC - Do seu ponto de vista, o Brasil fez toda a lição de casa, estava num grande momento, ia explodir e acontece a crise. Como o senhor pessoalmente se sentiu quando percebeu que, apesar de ter feito toda a lição de casa...

Lula - Essa é uma coisa muito engraçada porque, no mês de junho (de 2008), fizemos uma reunião da equipe econômica e da coordenação de governo, nós estávamos preocupados com o excesso de crescimento do Brasil. Ou seja, estávamos com um olho na inflação e, ao mesmo tempo, com um olho no alto consumo brasileiro. A indústria automobilística estava vendendo muito, o povo estava comprando muito, e eu sei que me foi feita a sugestão de que a gente começasse a fazer um pouco de contenção no consumo. E eu dizia que a gente não poderia fazer contenção no consumo, porque se a gente aumentasse o preço do carro, diminuísse a quantidade de prestações, criasse o IOF, a gente ia dar injeção na veia para desativar a economia brasileira, e eu não queria. E aí veio a crise, sabe, desativou por conta própria. Eu diria um pouco porque ela foi muito forte e um pouco porque muitos empresários brasileiros ficaram com medo. Essa é a verdade. Nós tivemos 50% ou 60% de crise e nós tivemos 40% de pânico. Muitas pessoas agiram de forma precipitada no enfrentamento da crise, sobretudo os investidores. E no governo nos resolvemos, então, tomar as medidas que tínhamos que tomar.

BBC - Mas como o senhor se sentiu, pessoalmente, quando o senhor percebeu...

Lula - Eu me senti decepcionado. Porque depois de 20 anos sem crescimento econômico, depois de o Brasil fazer tudo o que tinha que fazer, depois de a gente estabilizar a economia brasileira, depois de a gente controlar a inflação, depois de a gente lançar um programa de desenvolvimento... Não apenas o Brasil mas toda a América do Sul e América Latina vinham vivendo um momento de ouro. As economias cresciam acima de 5% em todos os países e, de repente, nós, que passamos a vida inteira sofrendo a amargura da instabilidade, quando estávamos estáveis, o mundo rico, que parecia estável, estava instável. Houve uma mudança de comportamento nas crises e foi muito decepcionante para países da América do Sul, países africanos, da América Latina, porque nós estamos sendo vítimas da irresponsabilidade dos países ricos.

BBC - Vamos então para o G20, um assunto que o senhor já tocou. Antes da reunião do G20, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, visitou o Brasil, numa preparação para o G20. E, ao lado dele, o senhor deu aquela famosa declaração de que a responsabilidade da crise é dos banqueiros brancos de olhos azuis. O que o senhor queria dizer com aquela frase, dita ao lado do primeiro-ministro da Grã-Bretanha?

Lula - Aquilo que eu queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. Porque o que é que tem acontecido na Europa? Muitos países, para resolver o problema da crise, estão dificultando a vida dos imigrantes. Ou seja, os pobres do mundo que trabalham no mundo rico são as primeiras vítimas da crise econômica. Tem muita gente que faz até campanha, dizendo que é preciso diminuir a migração para que sobre emprego para os europeus em detrimento aos pobres do mundo que estão aqui (na Europa). O que eu quis dizer era que não eram os índios ou os negros que deveriam pagar a conta mas sim os responsáveis pela crise, que eram os banqueiros de olhos azuis. Ou seja, não eram os índios, não eram os negros, sabe, não eram os asiáticos que estavam aqui, não era povo pobre do mundo árabe. Eram os ricos que tinham sido responsáveis pela crise. E que não jogassem a culpa em cima dos pobres do mundo, como sempre acontece quando tem uma crise econômica.

BBC - Tinha algum significado especial o senhor falar aquela frase ao lado do primeiro-ministro Gordon Brown? O tom da pergunta é porque na Grã-Bretanha isso foi interpretado como um sinal de fraqueza do Gordon Brown. Ele vai visitar o mundo e encontra um líder de uma grande nação criticando os países ricos. Ele não tem olhos azuis, mas é branco e tido como um dos responsáveis pela crise...

Lula - Eu jamais teria a intenção de ofender o Gordon Brown, por quem tenho um profundo respeito. Foi um homem que, enquanto ministro da Economia do Reino Unido defendeu o Brasil e foi solidário com meu governo desde o momento em que tomei posse. Eu jamais teria interesse em fazer qualquer ofensa ao Gordon Brown. O que eu fiz foi uma relação entre os pobres do mundo, que iriam ser vítimas da crise, e os ricos do mundo, que causaram a crise.

Clique Leia mais: 'G8 não tem legitimidade para discutir crise econômica', diz Lula

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ecuador/Correa toma posesión del cargo de presidente bajo ritual indígena



El acto contó con la presencia de los líderes de los movimientos indígenas de Ecuador. (Foto: teleSUR)


9 agosto 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El presidente de Ecuador recibió este domingo una toma de posesión simbólica de su cargo a través de rituales indígenas ejecutados por los taitas y mamas en el día internacional de los pueblos indígenas.

El acto contó con la presencia del mandatario boliviano Evo Morales y de la premio Nobel de la paz, Rigoberta Menchú, quienes recibieron también las bendiciones del ritual de limpieza realizado por los líderes indígenas.

Los taitas y mamas le pidieron a la pachamama que encendiera en "nuestros pueblos las llamas del amor" para que los presidentes Correa y Morales "hagan lo mejor por nuestros pueblos".

"Ponemos toda la madera para que puedan gobernar de la mejor manera al pueblo, para que sean humildes, no estirados, humildes como nuestros abuelos (...) queremos estar unidos como el saco del maiz, cuidemoslo para que no se rompa, para que no se desgrane y estemos todos unidos y no otros por aquí y otros por allá, eso se los encomiendo a ustedes hermanos, para que no permitan la desunión de nuestros pueblos, para que dirijan con amor, porque en el amor hacia el pueblo es que está el progreso" expresó el taita que realizó el ritual ancestral.

Los líderes indígenas le entregaron al presidente Correa un poncho de color rojo que representa la tierra del país. De igual manera le entregaron un medallón con el escudo de la cruz de los pueblos indígenas, para que lo proteja en el camino.

El taita puso en manos de Correa un bastón sagrado espiritual "construido por los taitas y mamas que tienen las escrituras sagradas de nuestros pueblos, te lo entregamos para que te guie en el camino" y agregó "los mandadores se acabaron lo que queremos es un hombre entendible y comprensible (...) esto es lo que queremos de un pueblo y de un presidente"

En líder indígena que realizó el ritual, encomendó a los tres dirigentes "para que no permitan la desunión de nuestros pueblos, para que dirijan con amor, porque en el amor hacia el pueblo es que está el progreso".

"Queremos estar unidos como el saco del maiz, cuidemoslo para que no se rompa, para que no se desgrane, y estemos todos unidos y no unos por aquí y otros por allá, eso se los encomiendo a ustedes hermano"

Por su parte la líder indígena guatemalteca, Rigoberta Menchú, expresó su alegría por poder estar prensente en el acto, y recordó que hoy, 9 de agosto, es el día internacional de los pueblos indígenas, porque "hace más de 30 años un grupo de hermos y hermans indígenas llegaron a las Naciones Unidas para exigir una declaración de los derechos indígenas porque la declaracion universal no reconoció a la diversidad, no reconoció a los púeblos indigenas, los derechos de nuestros ancestros, nuestro derecho a las tierras que ocupamos desde tiempos milenarios".

"Es un día para recordar a todos nuestros hermanos que han luchado para que existan pueblos pluriculturales, para que se reconozcan los derechos de todos nuestros pueblos" afirmó Menchú..

El presidente boliviano Evo Morales, también hizo uso de la palabra y recordó la lucha de los pueblos indígenas a lo largo de la historia.

"Algunos imperios intentaron exterminar a los pueblos indígenas hoy en día son otros tipos de imperios los que intentan acabar con nosotros, pero seguimos luchando contra ellos, porque los indígenas no morimos, a lo largo de la historia hemos sabido superar a esas políticas de exterminio".

Morales destacó la necesidad de unión entre los pueblos ancestrales hermanos porque "cuando tratamos de unirnos respetando nuestras diferencias y cuando trabajamos unidos por la dignidad de nuestros pueblos hemos logrados grandes avances, debemos seguir trabajando unidos porque todavía queda mucho por hacer por nuestros pueblos".

Por su parte el presidente ecuatoriano, Rafael Correa, afirmó que su gobierno no es excluyente pero que también está consciente que tiene que tener preferencias por todos los que han sido siempre postergables.

"No somos excluyentes, no discriminamos, sabemos que somos el Gobierno de todas y todos los ecuatorianos, pero sabemos que también debemos tener opciones preferenciales. Preferencias por aquellos que siempre han sido postergados, los pobres, nuestros pueblos indígenas" afirmó el mandatario.

El presidente realizó un sentido homenaje a la líder indígena ecuatoriana fallecida recientemente, Tránsito Amaguaña de quien dijo que es una bandera libertaria que recorre los campos y las tierras de la región.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Equador/Correa rechaza tratados de libre comercio con EE.UU.

"Cuidado nos meten un tratado de libre comercio", advirtió a sus seguidores el presidente Rafael Correa, en su cierre de campaña, ante las próximas elecciones generales que se celebrarán en Ecuador.

24 abril 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El presidente de Ecuador, Rafael Correa, durante el cierre de campaña, rechazó este jueves la posibilidad de establecer tratados de libre comercio con el Gobierno estadounidense.
Durante un mitin que ofreció el mandatario Rafael Correa en el puerto de Guayaquil, 280 km al sudoeste de Quito, dijo: "Lo que ofrecimos lo cumplimos: dijimos que íbamos a tirar ese tratado de libre comercio a la basura, que hubiera significado la quiebra de nuestra agricultura".
En octubre del año 2003 el Gobierno de Ecuador, a través de un comunicado de su entonces presidente Lucio Gutiérrez, dirigido al que era para el momento su homólogo en Estados Unidos (EE.UU.) George W. Bush., solicitó iniciar un proceso de negociaciones con el objetivo de suscribir un acuerdo de Tratado de Libre Comercio (TLC).
Posteriormente, en el mes de mayo de 2007, el presidente de Ecuador, Rafael Correa, ratificó su rechazo a firmar un Tratado de Libre Comercio (TLC) con Estados Unidos (EEUU), y aseguró que "no vamos a negociar un TLC que perjudicaría nuestra agricultura", en referencia al acuerdo que impulsaba el gobierno que lo precedió.
Ante la nutrida manifestación, Correa advirtió a los campesinos sobre el libre mercado. "¡Cuidado nos destrozan la agricultura; (...); cuidado vienen con cuentos de libre mercado!", afirmó.
El jefe de Estado llamó mentiroso y cobarde al ex presidente Gutiérrez y recordó cómo el ex mandatario salió huyendo en 2005, cuando fue destituido en medio de una protesta popular.
Por su parte, el ex Jefe de Estado, Lucio Gutiérrez, quien también es candidato para las próximas elecciones generales a celebrarse el 26 de abril en Ecuador, promete impulsar nuevamente un acuerdo de libre comercio en caso de acceder por segunda vez a la presidencia.
Alrededor de 10,5 millones de ecuatorianos están convocados a las urnas para designar el próximo domingo al presidente y vicepresidente de la República, 124 integrantes de la Asamblea Nacional, 46 prefectos y viceprefectos, 221 alcaldes y mil 581 concejales municipales.
En este sentido, el presidente Rafael Correa llamó al electorado a votar masivamente el próximo domingo, para evitar una segunda vuelta y tomar el control de la Asamblea Legislativa.
"Ya nos quieren ganar la Asamblea para tratar de privatizar todo, para imponernos el neoliberalismo, desestabilizar al gobierno, (por eso) es sumamente importante que ganemos la Asamblea", subrayó.
Asimismo, destacó su preferencia por los pobres y aseguró que seguirá trabajando "por un sistema económico más humano, sin explotación laboral, que proteja el empleo y la producción".

http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/48184-NN/correa-rechaza-tratados-de-libre-comercio-con-eeuu/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Júri popular condena o Estado brasileiro por violência e omissão contra a pobreza

Marli Moreira, repórter http://www.agenciabrasil.gov.br

6 dezembro 2008/Agência Brasil

São Paulo - Intelectuais, artistas, políticos e representantes de movimentos sociais - integrantes do Tribunal Popular - condenaram hoje (6) o Estado brasileiro a pena máxima por considerá-lo responsável pela violência que atinge a população pobre, principalmente, os negros e índios e omisso na promoção de ações contra a desigualdade social.

Aberto na última quinta-feira (4), o fórum teve três sessões com julgamento final encerrado por volta das 15h. O resultado foi uma forma simbólica de mostrar a sociedade a gravidade da situação, segundo explicou uma das coordenadoras do projeto, Angela Mendes de Almeida, historiadora do Observatório das Violências Policiais, vinculado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

Segundo Angela, a condenação é contra os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e os agentes do Estado nas três esferas: municipal, estadual e federal. “As execuções sumárias que acontecem nas ruas é um fenômeno observado em vários estados. Por isso trouxemos aqui pessoas do Rio de Janeiro, da Bahia e de São Paulo”, justificou.
De acordo com a historiadora, “ a idéia do Tribunal é dar visibilidade a esses crimes que, com pequena diferença, são cometidos usualmente contra as populações pobres, sobretudo negras e indígenas, em vários estados do Brasil”.

Ela destacou entre os presentes Wagner Santos, músico sobrevivente da chacina da Candelária e que “hoje vive na Suíça porque se vivesse hoje no Rio, provavelmente, seria vítima de vingança dos policiais”.
Almeida relatou ainda que o Tribunal foi criado por influência de ações sociais do gênero em Nova Orleans, nos Estados Unidos, quando, em 2005, ocorreu o furacão Katrina, um dos mais devastadores dos últimos tempos. "Lá, os negros pobres foram completamente marginalizados no processo de reconstrução e apenas os ricos mereceram a atenção do Estado”, contou.
Para ela, o “ Estado democrático de direito só serve para a classe média e para os ricos, os pobres são violentamente reprimidos dos seus direitos fundamentais, sobretudo do direito à vida. São violentados cotidianamente."
Um dos interlocutores do movimento norte-americano, em torno desse episódio em Nova Orleans, compareceu ao encontro. Kawame Kalimari, do grupo Malcon X Grass Roots Movement ,aproveitou a participação para defender a retirada das tropas brasileiras do Haiti.
Durante o ato, foi feita uma homenagem ao garoto de 8 anos, Matheus Rodrigues, morto com um tiro que, segundo testemunhas, teria sido disparado por policiais militares, na Baixa do Sapateiro, Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
O promotor do Tribunal, Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) e diretor do Correio da Cidadania, concluiu que “o Estado precisa ser condenado por não ser um estado justo, ele criminaliza o pobre, é imparcial, ficando apenas de um lado da sociedade e precisa ser de todos. Esta é a razão da condenação: o comportamento do Estado por omissão, impondo sofrimentos desnecessários à gente pobre”, disse Sampaio.
Na análise do jurista, para que a sociedade venha a ter direitos iguais há que se percorrer um longo caminho que passa, fundamentalmente, por uma mudança no regime de governo, passando do capitalismo para o socialismo. Ele, no entanto, admite que não há menor chance de uma mudança nesse sentido, no curto prazo."Mas, se for desenvolvido um trabalho, ao longo de décadas, o povo brasileiro pode se convencer de que é melhor viver em uma sociedade de iguais.”
O único representante de nível estadual foi o promotor Roberto Tardelli, do Tribunal do Júri de São Paulo, que reconheceu existir crimes contra a humanidade, mas pediu pena atenuante contra o Estado.

Participaram do corpo de jurados:
- Cecília Coimbra, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de janeiro
- José Guajajara, militante do movimento indígena, membro do Centro Étnico Conhecimento Sócio-Ambiental Cauiré
- Ivan Seixas, diretor do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo
- José Arbex Jr., jornalista e escritor
- Marcelo Freixo, deputado estadual P-SOL/RJ
- Marcelo Yuka , músico e compositor
- Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora
- Paulo Arantes, professor de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP)
- Wagner Santos, músico sobrevivente da chacina da Candelária
- Waldemar Rossi, militante da Pastoral Operária e do Movimento de Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo
- Adriana Fernandes, presidente da Associação de Familiares e Amigos de Presos da Bahia (Asfap/BA)
- Dom Tomás Balduíno, bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/06/materia.2008-12-06.9460665243/view