Noticias, artigos e análises sobre economia, politica e cultura dos países membros do Mercosul, CPLP e BRICS | Noticiero, articulos e analisis sobre economia, politica e cultura de los paises miembros del Mercosur, CPLP y BRICS
terça-feira, 17 de setembro de 2019
BRICS, Rússia/Intervenção do Presidente Vladimir Putin na sessão plenária do Fórum Económico Oriental, nos dias 6 e 7, em Vladivostok
segunda-feira, 24 de março de 2014
Resultado de referendo en Crimea era predecible, según analista
sexta-feira, 21 de março de 2014
Rusia reemplaza a OTAN por BRICS en sector alimentario
Tras reconocer el aspecto irreversible de la dependencia de Rusia de los suministros del extranjero, el director del Departamento de Comercio y Servicios moscovita ha enfatizado la búsqueda de unos proveedores y suministradores alternativos.
En este sentido, el sector alimenticio de Moscú tiene previsto reorientar y aprovechar, aún más, las ofertas de los productores de América del Sur, en especial Brasil.
Asimismo, considera a los países de la Comunidad de Estados Independientes, China y Asia Central como capaces de ampliar sus ofertas alimentarias a Rusia.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Países industrializados incumplieron compromisos económicos con América Latina
6 julio 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net
La Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), denunció la víspera que las naciones industrializadas han incumplido con el compromiso de ayudar en materia económica a los países de la región, al entregar en 2009 sólo una parte de lo acordado.
La responsabilidad de pago de esas naciones era entregar un 0,2 por ciento del 0,7 por ciento de su Producto Interno Bruto (PIB) durante el 2009, de acuerdo con el informe titulado "El progreso de América Latina y el Caribe hacia los Objetivos de Desarrollo del Milenio. Desafíos para lograrlos con igualdad".
Los líderes del G8 (Alemania, Canadá, Estados Unidos, Francia, Italia, Japón, Reino Unido y Rusia), admitieron en la Cumbre celebrada en Toronto, Canadá hace dos semanas que la crisis económica del mundo ha desafiado el cumplimiento de los objetivos de desarrollo del Milenio para 2015, entre los que destaca la disminución de la pobreza en el mundo a la mitad.
En este sentido, las llamadas potencias extranjeras justificaron su falta de compromiso con la CEPAL, al tiempo que reconocieron su imposibilidad para entregar la ayuda que no llega al 50 por ciento de lo acordado.
El aporte económico para la asistencia humanitaria cayó a 18 mil millones de dólares de los 50 mil millones establecidos para este 2010.
A este respecto, el secretario ejecutivo alterno del organismo regional, Antonio Prado, aseguró que en lo que va de 2010, el aporte entregado alcanza un 0,4 por ciento de lo establecido por los países desarrollados como una manera de impulsar el crecimiento económico de las naciones latinoamericanas.
El funcionario de CEPAL sostuvo el lunes que los problemas que presentan las naciones de América Latina, requieren de la ayuda internacional y nuevas opciones de financiamiento, y no de reformas fiscales o estructurales.
Prado aseguró que debido al incumplimiento de las potencias internacionales, el crecimiento económico de las naciones que recibirían el beneficio disminuyó considerablemente sumado a la estrechez sufrida en la inversión extranjera, remesas y exportaciones.
Por su parte, el Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD), considera que los objetivos del milenio están amenazados además por el conjunto de los altos precios en los alimentos y el impacto de la crisis del mundo.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O Brasil não é mais coadjuvante no cenário internacional -- Lula
Nem os países do norte são tão grandes quando imaginavam, nem os países do sul são tão pequenos. O mapa mundi está mais igual e o Brasil vem conquistando cada vez mais espaço nas decisões globais. Isso cria ciumes em muita gente, mas para os novos diplomatas brasileiros, formandos da turma 2007/2009 do Instituto Rio Branco, deve gerar é muito orgulho, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (20/4) durante cerimônia realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.
O Brasil, afirmou Lula, não é mais coadjuvante nas decisões globais, o País cresceu e ganhou importância no cenário internacional, o que pode ser comprovado pela atuação brasileira em grandes eventos como as reuniões do G8, G20 e COP 15, entre outras. O presidente brasileiro fez questão de elogiar muito o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), “o melhor diplomata em ação que conheço”.
Lula reafirmou a importância da diversificação da relação do Brasil com outros países e disse que se o País é mais respeitado hoje é porque “está colocando o pé em espaços que outrora não colocava” e porque tem políticas importantes. Aconselhou aos formandos do Itamaraty que mantenham em alta não só a excelência da diplomacia brasileira mais também a sua autoestima perante os negociadores dos países europeus e americanos. “Eles podem ser mais ricos do que a gente, mas a nossa terra é tão importante quanto a deles.”
Para ilustrar o novo comportamento do Brasil no exterior, o presidente Lula contou algumas histórias aos novos diplomatas, como as da reunião do G8 realizada em Evian, na Suíça, em 2003, quando acabara de assumir o cargo no Brasil, e da reunião da ONU em Copenhague (COP 15), em dezembro de 2009, mostrando que o Brasil não precisa e não pode mais baixar a cabeça -- e justamente por adotar essa nova postura, vem sendo mais respeitado no mundo. Lula falou também das críticas que o País sofreu por preferir negociar com seus vizinhos em questões delicadas, como o gás natural da Bolívia ou o pagamento ao Paraguai pela energia de Itaipu, do que impor decisões à força.
“O Brasil precisa ser mais generoso, que estende a mão, que ajuda”, disse Lula. “Temos que tratar melhor os nossos vizinhos. O nosso crescimento tem que servir para eles crescerem também.”
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Brasil/Lula diz que G8 é "um clube de amigos" caduco
"Já não existe nenhum motivo para manter o G8. É algo assim como um clube de amigos que se reúne de vez em quando, mas que já não tem o poder de há 30 anos. Hoje em dia já não fazem sentido reuniões sem China, Índia, Brasil, Rússia, ou sem África e México", diz Lula em entrevista que publica hoje o jornal alemão "Handelsblatt".
A poucos dias da cúpula do G20 em Pittsburgh (EUA) Lula sustenta que quantos mais países discutirem um problema, antes serão encontrados compromissos com os quais todos se sintam vinculados.
Em relação à cúpula sobre mudança climática em dezembro em Copenhague, na qual se deveria fixar um tratado de redução de gases do efeito estufa que substitua o Protocolo de Kioto, Lula acredita em um acordo, tendo em vista que começa a haver movimento no debate.
O presidente diz na entrevista que no início de outubro deve visitar alguns países, como Alemanha e Estados Unidos, com o objetivo de sondar as possibilidades de buscar uma posição comum, "apesar de sermos de outra opinião que os países ricos".
"Estamos dispostos a discutir sobre objetivos (de redução de emissões) fixos, mas esses objetivos têm que guardar relação com a percentagem de poluição de cada país", ressalta.
Lula crê que finalmente se poderão superar as diferenças que ainda dividem os países ricos dos pobres e emergentes e que em Copenhague se encontrará um "bom acordo".
"Espero, no entanto, que países como os Estados Unidos, que até agora nem sequer assinaram o Protocolo de Kioto, se atenham depois a esse compromisso", conclui.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Brasil/“GOVERNOS DOS PAÍSES RICOS SÃO CULPADOS PELA CRISE”, diz Lula
Américo Martins - Editor-executivo da BBC para as Américas
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou duramente os "países ricos", o G8 e outros organismos internacionais, e responsabilizou os governos de países desenvolvidos pela crise econômica mundial.
"Os governos dos países ricos são os culpados (pela crise) por que não cuidaram da regulamentação do mercado", disse o presidente, em entrevista exclusiva à BBC sobre o colapso do sistema financeiro global.
Lula se posicionou como uma espécie de porta-voz informal dos países em desenvolvimento desde o começo da crise. Ele vem defendendo o que acredita ser os interesses dos pobres em lugares como América Latina, África e Ásia, pedindo mudanças no sistema financeiro global.
Na entrevista com a BBC, Lula afirmou que os governos dos países ricos "sabiam como dar palpite em tudo sobre a economia dos países em desenvolvimento. Agora, quando a dor de barriga aconteceu com eles, eles não sabiam como agir".
Suas críticas também foram dirigidas a instituições econômicas internacionais: "O FMI não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. O Banco Mundial não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. E os governos também não tinham!”
'Banqueiros de olhos azuis'
O presidente Lula também insistiu em afirmar que a crise foi criada por banqueiros brancos de olhos azuis no mundo rico. A expressão causou polêmica quando o líder brasileiro a pronunciou pela primeira vez, em março deste ano, ao lado de Gordon Brown, durante visita do primeiro-ministro britânico a Brasília.
Àquela época, Lula foi criticado por ter usado a expressão, considerada por muitos como inapropriada, quase racista. Durante essa entrevista, gravada para a série especial "The Love of Money", da BBC 2, o presidente disse que não se arrependia, e voltou a falar da mesma forma.
"Aquilo que eu queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. O que eu quis dizer era que não eram os índios ou os negros que deveriam pagar a conta (pela crise), mas sim os responsáveis pela crise, que eram os banqueiros de olhos azuis. E que não jogassem a culpa em cima dos pobres do mundo, como sempre acontece quando tem uma crise econômica", disse Lula.
O presidente, entretanto, parece muito confiante em que os líderes do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) consigam encontrar soluções para a crise, se continuarem a trabalhar juntos.
Eles se encontrarão novamente para discutir a crise em Pittsburgh, nos EUA, nos dias 24 e 25 de setembro, e o Brasil espera influenciar o debate, pedindo a consolidação do grupo e mais mudanças no sistema financeiro.
Lula defendeu o grupo, afirmando que o G20 está se tornando um fórum extremamente importante para debater e encontrar soluções para a economia. Ele também argumenta, entretanto, que o grupo deve ampliar seus objetivos e começar a discutir e implementar políticas para acelerar o desenvolvimento de países pobres.
"Espero que não seja um fórum apenas para resolver o problema da crise. Os pobres do mundo, os emergentes do mundo são chamados apenas para resolver o problema da crise e, quando a crise terminar, acaba-se com o G-20 e volta ao G-8".
De acordo com o presidente brasileiro, o G8 não tem credibilidade para lidar com os novos desafios da economia global.
"O problema é que o G-8 é um clube fechado. Do ponto de vista da discussão da crise econômica, acho que o G8 não tem legitimidade", disse ele. Leia abaixo a entrevista do presidente Lula à BBC.
BBC - Dia 15 de setembro de 2008. O banco de investimentos Lehman Brothers quebra. O senhor pode me contar como foi informado da quebra? Como o senhor recebeu a notícia? Qual foi o impacto dela?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - A notícia foi dada com muito destaque em todos os meios de comunicação do Brasil. Lembro que no dia seguinte fizemos uma reunião com o Ministério da Fazenda e o Banco Central para discutir os efeitos da quebra do Lehman Brothers. E, na verdade, o que constatamos é que a quebra do Lehman Brothers era apenas o resultado de um modelo econômico que estava falindo, de um modelo baseado na especulação financeira, que tinha dado sinais muito fortes (de fragilidade) um ano antes. Lembro que estava no Panamá quando saíram as primeiras notícias do subprime, dos títulos imobiliários americanos, eu estava numa reunião empresarial. Alguns empresários ficaram preocupados, alguns brasileiros, e comecei a brincar, perguntando se alguns deles tinham dinheiro aplicado no subprime. A partir dali fazíamos reuniões mensais (de avaliação da crise do subprime) no Brasil, até que quebrou o Lehman Brothers. Aí acho que chegamos ao ápice da crise porque, com a quebra do Lehman Brothers, a sequência natural foi a extinção do crédito internacional. Acabou o crédito para todo mundo, sumiram os dólares que estavam passeando pelo mundo. Diziam que havia trilhões e trilhões de dólares atravessando o oceano e, de repente, desapareceram esses dólares. Não tinha mais crédito no mundo e isso teve, inclusive no Brasil, efeitos muito desastrosos.
BBC - Especificamente no dia ou no dia seguinte, com quem o senhor conversou? Em que momento o senhor entrou em contato com os Estados Unidos, por exemplo? Quem é que lhe deu a notícia?
Lula - Na verdade não entrei em contato com os EUA porque havia contatos do ministro da Fazenda brasileiro com o ministro americano, do presidente do Banco Central brasileiro com o do Banco Central americano. Minha conversa era diretamente com o pessoal da área econômica brasileira. Começamos a sentir problemas mais sérios, como a falta de crédito. Empresas como Petrobras, Vale do Rio Doce, tinham problemas de tomar dinheiro lá fora. Nossos exportadores começaram a ter problemas e problemas. Antes fazíamos uma avaliação de que a crise chegaria no Brasil com um efeito muito pequeno. Não apenas economistas do governo, mas economistas da oposição. Todo mundo dizia que por conta do subprime a crise seria muito pequena no Brasil. Até que quebra o Lehman Brothers. O que aconteceu? Tivemos em setembro, outubro, novembro e dezembro muito pânico junto ao empresariado brasileiro, aos meios de comunicação. Acho que houve um exagero de setores empresariais brasileiros. Como a indústria automobilística, que deu férias coletivas no final do ano, ficou praticamente um mês sem produzir para desovar o estoque. (Isso) causou um impacto muito grande no PIB industrial, coisa que não precisaria ter causado. Alguns empresários que estavam com projetos de investimentos já aprovados pelo BNDES pararam para ver o que estava acontecendo. E aí todo mundo começou a ficar com medo. Fui à TV no dia 22 de dezembro convocar o povo a comprar, porque dizia-se que se o povo comprasse, fizesse dívida e ficasse desempregado, não teria como pagar. Eu fui dizer que se ele não comprasse poderia perder o emprego, porque a economia ficaria atrofiada. O dado concreto é que no comércio varejista continuamos crescendo. Ninguém reclamou. O povo continuou consumindo e o Estado continuou fazendo seus investimentos, ou seja, a crise se deu exatamente na iniciativa privada, no sistema financeiro, no crédito internacional. Porque também os bancos brasileiros não estavam subordinados à especulação como estava a economia internacional. Porque nós temos uma regulamentação em que o sistema financeiro só pode alavancar até 10 vezes seu patrimônio líquido, quando no exterior você poderia especular 30 vezes, 35 vezes.
BBC - Voltando um pouco, presidente, em que momento exatamente o senhor se deu conta de que crise poderia bater forte no Brasil?
Lula - O momento mais duro foi quando vi a Petrobras ir à Caixa Econômica tomar dinheiro emprestado, competindo com pequenos empresários. E por que a Petrobras foi à Caixa Econômica? Porque não tinha crédito fora (do Brasil). Agora imagine você, uma empresa como a Petrobras, com valor patrimonial de mais de US$ 200 bilhões, não conseguir empréstimo no exterior é porque a coisa estava realmente muito ruim. Bem, depois disso, eu acredito que tomamos algumas decisões importantes. É importante lembrar que havíamos criado o PAC em 2007. Não se falava em crise quando adotamos o maior programa de investimentos em obras de infraestrutura já feito no Brasil. Eram US$ 304 bilhões previstos até 2010 na área de infraestrutura, na área de saneamento básico, na área de habitação. Quando a crise se aprofundou, começamos a tomar medidas anticíclicas, que permitiram que a economia brasileira fosse analisada como a que tinha entrado por último na crise, e que poderia sair primeiro da crise. E isso nos deixou mais otimistas. Alguns setores empresariais começaram a fazer mais investimentos. Em reuniões com o BNDES provoquei meu amigo Luciano Coutinho (presidente do banco) para que chamasse os empresários que tinham investimentos financiados pelo BNDES a começar a tocar as obras. Em todas as obras de infraestrutura, acordamos para que as empresas contratassem dois ou três turnos, para que a gente pudesse gerar os empregos que a economia precisava. E penso que isso conseguiu estabilizar. No primeiro semestre de 2009, por exemplo, a indústria automobilística vendeu mais que no mesmo período de 2008. Porque nós demos incentivos. Abrimos mão de determinados tributos para fomentar a linha branca, geladeira, máquina, fogões, carros, material de construção civil. Lançamos um programa muito grande de construção, de um milhão de casas, para incentivar a construção civil. Tudo isso permitiu que nós, sem abrir mão de nenhum centavo na política social, sem abrir mão de um centavo no PAC, criássemos mais políticas de investimento para enfrentar a crise. Porque nós também entendíamos que era uma crise diferente. Não era uma crise de contenção ou de ajuste fiscal, era uma crise de investimento. Era uma crise na qual o Estado deveria aparecer como sujeito da história. O Estado precisava fazer aquilo que a iniciativa privada não conseguia fazer. E, graças a Deus, nós conseguimos dar passos importantes.
BBC - Na sua opinião, quais foram os fatores que levaram a essa crise?
Lula - Acho que a primeira coisa foi a falta de regulamentação do sistema financeiro. Quando você tinha crise na Ásia, na Rússia, no Brasil ou no México, eram crises de países em desenvolvimento. As pessoas não davam muita importância, exigiam que os países fizessem ajustes fiscais muito fortes, a economia ficava atrofiada, até falamos de década perdida. No fundo foram duas décadas perdidas na América do Sul. Essa crise acontece quando todos os países da América do Sul, da América Latina, vivem um momento excepcional de crescimento. E a especulação, bancada pelos países ricos, é que levou a essa crise. Não havia nenhuma regulamentação no sistema financeiro. O que justificou o preço da soja e de outras commodities subirem de forma astronômica, sem nenhum critério, a não ser a especulação financeira? As pessoas estavam fugindo do subprime e entraram no mercado futuro de commodities. Quando os preços das commodities começam a voltar à normalidade, começa a especulação imobiliária nos Estados Unidos. E, depois disso, começamos a saber que os bancos não tinham a menor regulamentação. Acho que foi uma lição de vida para todo mundo. O sistema financeiro não pode deixar de ter regulamentação. E o Estado não pode deixar de ter um papel importante, de indutor e regulador da economia dos países. Aquela tese do Consenso de Washington de que o Estado tem que ser mínimo, de que o Estado não pode nada, de que o Estado atrapalha e de que o mercado podia tudo acabou! Acabou porque, quando o sistema financeiro quebrou, quem era o paizão que tinha que ajudar? Era o Estado. Foi o Estado americano que teve que colocar dinheiro, o Estado brasileiro que teve que colocar dinheiro, o Estado alemão que teve que colocar dinheiro. Penso que agora as pessoas estão percebendo que o Estado tem um papel extraordinário no equilíbrio das relações econômicas internas e externas.
BBC - Essas foram as causas. Quem são os responsáveis por isso?
Lula - São os governos. Os governos, que não cuidaram da regulamentação.
BBC - Que governos especificamente?
Lula - Veja, não tem uma pessoa. É um sistema. Não era possível que os bancos continuassem ganhando dinheiro sem produzir uma caneta, uma folha de papel, um sapato. Apenas especulando, especulando. Era o papel A que passava para a mão do banqueiro B, depois o papel C passava para mão do B, ou seja, o mesmo papel fazia muita gente ganhar dinheiro sem produzir uma peça qualquer.
BBC - Sim a culpa é dos governos. Mas de todos os governos? Ou dos governos dos países ricos?
Lula - Acho que nesse caso é dos países ricos. Por quê? Porque acreditaram durante décadas que o mercado por si só resolveria todos os problemas. Aí quando o mercado se mostrou frágil, incompetente, aí os Estados começaram a perceber que tinham que agir. E agir fortemente. E no Brasil nós não vacilamos. No Brasil nós tomamos as medidas que tínhamos que tomar para permitir que a economia se recuperasse mais rapidamente. Os países ricos são os mais culpados porque sabiam dar palpite em tudo sobre a economia dos países em desenvolvimento. Agora, quando a dor de barriga aconteceu com eles, eles não sabiam como agir. O FMI não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. O Banco Mundial não tinha solução, não tinha certeza e não tinha resposta. E os governos também não tinham! Daí a importância das decisões que foram tomadas, de articular o G20. O G8 já não resolvia mais o problema da crise econômica, até porque eram os países do G8 que tinham a maior responsabilidade pela crise financeira. E eles sabiam que a irracionalidade do sistema financeiro deles ia causar prejuízos mais fortes nos países mais pobres, sobretudo nos países da África, e aí se criou o G20, que, acho, começou a encaminhar soluções importantes para o problema da crise econômica.
BBC - Do seu ponto de vista, o Brasil fez toda a lição de casa, estava num grande momento, ia explodir e acontece a crise. Como o senhor pessoalmente se sentiu quando percebeu que, apesar de ter feito toda a lição de casa...
Lula - Essa é uma coisa muito engraçada porque, no mês de junho (de 2008), fizemos uma reunião da equipe econômica e da coordenação de governo, nós estávamos preocupados com o excesso de crescimento do Brasil. Ou seja, estávamos com um olho na inflação e, ao mesmo tempo, com um olho no alto consumo brasileiro. A indústria automobilística estava vendendo muito, o povo estava comprando muito, e eu sei que me foi feita a sugestão de que a gente começasse a fazer um pouco de contenção no consumo. E eu dizia que a gente não poderia fazer contenção no consumo, porque se a gente aumentasse o preço do carro, diminuísse a quantidade de prestações, criasse o IOF, a gente ia dar injeção na veia para desativar a economia brasileira, e eu não queria. E aí veio a crise, sabe, desativou por conta própria. Eu diria um pouco porque ela foi muito forte e um pouco porque muitos empresários brasileiros ficaram com medo. Essa é a verdade. Nós tivemos 50% ou 60% de crise e nós tivemos 40% de pânico. Muitas pessoas agiram de forma precipitada no enfrentamento da crise, sobretudo os investidores. E no governo nos resolvemos, então, tomar as medidas que tínhamos que tomar.
BBC - Mas como o senhor se sentiu, pessoalmente, quando o senhor percebeu...
Lula - Eu me senti decepcionado. Porque depois de 20 anos sem crescimento econômico, depois de o Brasil fazer tudo o que tinha que fazer, depois de a gente estabilizar a economia brasileira, depois de a gente controlar a inflação, depois de a gente lançar um programa de desenvolvimento... Não apenas o Brasil mas toda a América do Sul e América Latina vinham vivendo um momento de ouro. As economias cresciam acima de 5% em todos os países e, de repente, nós, que passamos a vida inteira sofrendo a amargura da instabilidade, quando estávamos estáveis, o mundo rico, que parecia estável, estava instável. Houve uma mudança de comportamento nas crises e foi muito decepcionante para países da América do Sul, países africanos, da América Latina, porque nós estamos sendo vítimas da irresponsabilidade dos países ricos.
BBC - Vamos então para o G20, um assunto que o senhor já tocou. Antes da reunião do G20, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, visitou o Brasil, numa preparação para o G20. E, ao lado dele, o senhor deu aquela famosa declaração de que a responsabilidade da crise é dos banqueiros brancos de olhos azuis. O que o senhor queria dizer com aquela frase, dita ao lado do primeiro-ministro da Grã-Bretanha?
Lula - Aquilo que eu queria dizer está mais forte hoje do que estava na época. Porque o que é que tem acontecido na Europa? Muitos países, para resolver o problema da crise, estão dificultando a vida dos imigrantes. Ou seja, os pobres do mundo que trabalham no mundo rico são as primeiras vítimas da crise econômica. Tem muita gente que faz até campanha, dizendo que é preciso diminuir a migração para que sobre emprego para os europeus em detrimento aos pobres do mundo que estão aqui (na Europa). O que eu quis dizer era que não eram os índios ou os negros que deveriam pagar a conta mas sim os responsáveis pela crise, que eram os banqueiros de olhos azuis. Ou seja, não eram os índios, não eram os negros, sabe, não eram os asiáticos que estavam aqui, não era povo pobre do mundo árabe. Eram os ricos que tinham sido responsáveis pela crise. E que não jogassem a culpa em cima dos pobres do mundo, como sempre acontece quando tem uma crise econômica.
BBC - Tinha algum significado especial o senhor falar aquela frase ao lado do primeiro-ministro Gordon Brown? O tom da pergunta é porque na Grã-Bretanha isso foi interpretado como um sinal de fraqueza do Gordon Brown. Ele vai visitar o mundo e encontra um líder de uma grande nação criticando os países ricos. Ele não tem olhos azuis, mas é branco e tido como um dos responsáveis pela crise...
Lula - Eu jamais teria a intenção de ofender o Gordon Brown, por quem tenho um profundo respeito. Foi um homem que, enquanto ministro da Economia do Reino Unido defendeu o Brasil e foi solidário com meu governo desde o momento em que tomei posse. Eu jamais teria interesse em fazer qualquer ofensa ao Gordon Brown. O que eu fiz foi uma relação entre os pobres do mundo, que iriam ser vítimas da crise, e os ricos do mundo, que causaram a crise.
Clique Leia mais: 'G8 não tem legitimidade para discutir crise econômica', diz Lula
sábado, 22 de agosto de 2009
Gobiernos de Angola y Sudáfrica mantendrán consultas permanentes
Luanda – Los gobiernos de Angola y de Sudáfrica decidirán mantener consultas permanentes sobre los diferentes dominios de cooperación bilateral, de modo a impulsar la materialización de los acuerdos firmados en el jueves, en Luanda.
De acuerdo con el Presidente de Sudáfrica, Jacob Zuma, en conferencia de prensa en el Palacio Presidencial, los instrumentos jurídicos rubricados hoy indican que las conversaciones a nivel presidencial y ministerial fueron positivas.
Los dos gobiernos decidieron igualmente continuar concertando cuestiones de interés bilateral y global, principalmente la interacción con la Unión Africana (UA), Naciones Unidas y el grupo de los ocho países más industrializados del mundo (G8).
Jacob Zuma, que se encuentra en el país para una visita de Estado de dos días, concuerda con su homólogo José Eduardo dos Santos en considerar esta visita histórica y benéfica para los dos pueblos.
“La visita a Angola es una vuelta a casa. Espero que abra una nueva era en la cooperación”, dijo, augurando que la misma estimule la integración de África Austral, región del continente del cual los dos países forman parte.
El hecho de Angola ser uno de los mayores productores de petróleo y Sudáfrica una de las mayores economías del continente africano, fue apuntado por el presidente sudafricano como un elemento que justifica una mayor dinámica en el relacionamiento entre los dos países.
En la presencia de los jefes de Estado José Eduardo dos Santos y Jacob Zuma, los gobiernos de Angola y de Sudáfrica firmaron el jueves, dos acuerdos en los dominios de los servicios aéreos y consultas diplomáticas y cuatro memorandos sobre deporte, recreación, comercio, industria y asentamiento humano.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
O G8 E O NOVO LUGAR DO BRASIL NO MUNDO
Foi preciso o diário econômico alemão Handelsblatt chamar a atenção: atrás da mesa de trabalho do chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, há uma intrigante tapeçaria, um mapa-múndi de 1503, onde o hemisfério Sul, e portanto o Brasil, fica na parte de cima.
Enquanto os visitantes de Amorim ''olham, perplexos, o mapa, ele mesmo já transmitiu sua mensagem. O Brasil deixou de ser periferia'', escreveu o jornal.
A cúpula do G8+G5, realizada em L'Aquila, Itália, voltou a emitir sinais de que o mapa do ministro é mais que uma excentricidade. O Brasil está mudando seu lugar no mundo.
Esta é uma análise onde qualquer chauvinismo emproado só pode atrapalhar. O fenômeno faz parte de uma redefinição de conjunto do tabuleiro global, num planeta em transição. Os Estados Unidos perdem posições, empurrados pela crise e pelos fracassos de sua política unilateral. O G8 agoniza, mesmo que diplomatas ligados à direita, no Brasil, recusem-se a reconhecer este fato. Outros atores mundiais se adiantam, a começar pela China, com suas três décadas de crescimento de dois dígitos, desacelerado em 2009 para 8%.
Mas é notável a desenvoltura com que o Brasil se movimenta nesse cenário, e ganha terreno. A mídia estrangeira registra que nunca ele teve um peso tão elevado na cena internacional.
Em L'Aquila discutiu-se a mudança climática. O Brasil defendeu que os países têm que se comprometer a reduzir a emissão de gases, mas com responsabilidades diferenciadas, entre os ricos, que se industrializaram há 100 ou 200 anos, e os pobres, que mal começam a se industrializar - uma tese já tradicional da diplomacia brasileira, e que agora começa a ser acatada até pelos mais ricos.
L'Aquila não foi um raio em céu azul. Este mesmo protagonismo se reflete nas negociações sobre o livre comércio e crise global, reforma da ONU, os direitos humanos, o recente golpe em Honduras e o espinhoso conflito do Oriente Médio.
A mídia local torce o nariz, menospreza, mofa. Mas a despeito dela, o lugar do Brasil já não é o de antes, em um canto do mundo, no Extremo Ocidente, à sombra dos EUA. A cena mundial em transição propiciou a base para esse deslocamento. Mas há aqui também engenho e arte.
O Itamaraty, dentro de uma tradição que vem desde o barão do Rio Branco, diplomata e capoeirista, há muito se preparava para tal papel. Tanto que a política externa brasileira em geral situou-se alguns passos à frente de outras esferas da política de Estado.
Porém com Lula a disposição avançada da diplomacia encontrou um presidente que a endossa, impulsiona e encarna. Primeiro, por atacar calcanhar de Aquiles do país e de sua imagem, que são as iniquidades sociais. Segundo, por redefinir prioridades, pondo à frente a relaçãocom os vizinhos sul-americanos, seguida pelas parcerias Sul-Sul, com a África, a China, a Índia, o mundo árabe.
Há ainda um terceiro elemento, mais impalpável e subjetivo: Lula, formado na exigente escola negociadora sindical, revela-se um excepcional diplomata, que não só assimilou as manhas do ofício mas dá a ele seu aporte pessoal. Ao tourear George W. Bush, ou constatar que Ahmadinejad venceu a eleição iraniana, ou presentear camisas da seleção canarinha a chefes de Estado, ''o cara'' tem conferido à diplomacia brasileira um rosto que a ajuda a avançar.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Brasil/Entidade defende criação do 'G8 dos países lusófonos'
"Nós somos oito países e para não haver confusão agora que o G8 [grupo dos países mais ricos do mundo] foi ampliado para 20, nós vamos criar o nosso G8", disse Ferreira à Agência Lusa, no lançamento do 5º Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesa.
O evento, que pretende promover e aumentar os negócios das empresas lusófonas é uma organização do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, que acontece entre 28 e 29 de setembro em Fortaleza.
Ferreira explicou que, além do Rio de Janeiro, o encontro já foi lançado em outras três capitais brasileiras (Belo Horizonte, São Paulo e Salvador), "onde a presença portuguesa é mais significativa e onde também estão sediadas a maior parte das empresas que fazem negócios neste mundo da língua portuguesa".
O Brasil, afirma Ferreira, tem um papel preponderante para criar novos negócios, principalmente nos países africanos de língua oficial portuguesa (Palop), onde ainda há um "desconhecimento muito grande".
"Os desafios começam pela informação. As empresas têm que se conhecer. É necessário demonstrar e evidenciar quais são as oportunidades de negócio", afirmou.
Ferreira acrescentou que são setores transversais a todas as economias e os mais promissores são os ramos do turismo, agronegócio e infraestrura.
"Todos esses países estiveram em guerra e estão com as redes rodoviárias, portos, aeroportos e energia a necessitar de muitas parcerias, know how e investimento", frisou.
Potencial
O cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, o embaixador Antonio Almeida Lima, concorda com a posição de Ferreira, destacando o "potencial extraordinário" para desenvolver o grupo dos oito países de língua portuguesa.
"Nós temos uma herança que é a língua comum e temos que pôr a render essa herança. Não é só a língua, é também muito da cultura que está presente em todos estes oito países e que tem raízes comuns", afirmou.
Almeida Lima disse ainda que a lusofonia pode ser o ambiente propício para encontrar familiaridade nos locais onde negócios são realizados.
"O fato de estarmos presentes nos cinco continentes permite visualizarmos oportunidades de negócios em áreas geográficas muito diversas", afirmou ao realçar que o encontro de negócios poderá ser uma "boa oportunidade para mostrar que existe uma capacidade e um potencial de fazer negócios em língua portuguesa".
Idioma
Além disso, o presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Rômulo Alexandre Soares, admitiu que o Brasil e Portugal são países preponderantes na comunidade lusófona e realçou que o desafio para integrar os Palop é abrir espaço para "falar mais" sobre as oportunidades de negócios.
"As ligações culturais entre os países de língua portuguesa tem crescido muito nos últimos anos", assim como os negócios em língua portuguesa, disse à Agência Lusa, colocando o idioma como um fator facilitador.
"Todos os países reconhecem no Brasil um papel importante pelo número de habitantes (quase 150 milhões de pessoas que falam português). O Brasil tem um papel decisivo e é um ator preponderante nesse processo e todos os outros sete países sabem disso", disse.
Soares destacou ainda que há "sinergias que podem ser criadas entre os oito países".
A divulgação do encontro empresarial será feita este mês na cidade de Praia (Cabo Verde), e em maio em Luanda (Angola) e Maputo (Moçambique).
A quinta edição do encontro contará com um fórum e uma rodada de negócios sobre cinco temas considerados relevantes para o grupo dos oito países: turismo, infraestruturas, recursos naturais, agronegócios e inovação tecnológica.
A última edição do evento empresarial foi realizada em 2007, no Rio de Janeiro, com o tema energia no centro das discussões, precedida por Salvador (2005), São Paulo (2003) e Belo Horizonte (2001).
terça-feira, 31 de março de 2009
DECLARACIÓN DE ASC FRENTE A LA REUNIÓN DEL G20
La actual crisis económica internacional ha significado en primer lugar la bancarrota de la ideología neoliberal. Es preciso decir que el epicentro del terremoto financiero no estuvo en los llamados países en desarrollo sino en los países más poderosos que impusieron durante todos estos años las terapias de choque al resto del mundo con el argumento de estabilizar la economía. Justamente ha sido el ilegítimo G8 formado por las mayores economías del planeta, que comandó con el auxilio de las instituciones financieras multilaterales y la OMC esta tragedia anunciada. Son estos los médicos que resultaron los peores enfermos, y si nunca tuvieron legitimidad para comandar el mundo, han perdido ahora toda autoridad para imponer sus recetas. La ideología del fin de la historia enfrenta su propio fin.
Los portavoces de la campaña mundial por el empequeñecimiento de los estados han sido sustituidos rápidamente por gigantes intervenciones económicas de los estados para rescatar bancos y empresas, cuyos precios en las Bolsas de Valores se han empequeñecido al extremo. Los grandes bancos de inversión, y muchas de las poderosas transnacionales como GM, Chrysler y otras gigantes acuden como falsas ovejas buscando la ayuda del estado.
A pesar del cataclismo, quienes condujeron hasta él insisten en evitar los cambios necesarios para darle una salida a la crisis que no perjudique a millones de personas y procuran encontrar caminos para que los poderosos sean rescatados a costa de los trabajadores y de la gente común.
A pesar de la indignación popular que crece a cada día en los países centrales, estos dueños de la verdad pretenden en el mayor fingimiento, mantener las operaciones de “rescate” y las mismas recetas que condujeron a la crisis sin precedentes que vivimos.
Encontrar una salida favorable a los pueblos exige ir a la raíz de la crisis que es la imposición de la maximización del lucro de los grandes inversionistas como principio motor de la economía y de la sociedad.
El proceso de liberalización del comercio y las inversiones significó el desmonte de los pocos elementos de regulación que fueron construidos en el marco internacional después de la Segunda Guerra Mundial, creando realmente un mercado mundial sin restricciones ni obstáculos para el capital, con aumentos en la concentración de ganancias en escala verdaderamente internacional. Y son justamente el comercio y las inversiones liberalizadas los vectores globales de la crisis bancaria que se expande a cada día para el conjunto de los países del mundo capitalista.
Y esa brutal acumulación ha sido realizada en un mundo que fue colocando en competición a todos los trabajadores y trabajadoras entre sí, al mismo tiempo en que no les permite el acceso a esa producción ampliada, a pesar del derrame de crédito barato.
Por eso a la hora de las soluciones conservadoras se habla en mantener y ampliar el crédito y en regulación de los mercados para que el capital ficticio no pueda continuar el estilo laissez faire que lo llevó a su propia ruina.
Sin embargo, esta crisis se da en un marco muy diferente de crisis civilizatoria. El crecimiento ilimitado de la producción está cuestionado de forma contundente.
El actual modelo de desarrollo que persiste en el centro y la periferia del sistema y los patrones de consumo especialmente de los países ricos pero también de sectores y grupos del Sur, se han evidenciado completamente insustentables.
Por estos motivos la Alianza Social Continental denuncia públicamente el carácter ilegitimo, antidemocrático y sin transparencia de este G20, que continua la lógica del G8 aún cuando se le sumen algunos miembros del Sur.
Los movimientos sociales nos pronunciamos por:
1 – el rechazo al principio de la liberalización progresiva del comercio y las inversiones.
2 – la reformulación de las reglas y principios del comercio internacional y de las inversiones de forma a permitir el desarrollo sustentable y con equidad social de todos los países.
3 – el fortalecimiento de mecanismos de gobernabilidad global transparentes y democráticos que permitan la convivencia internacional armoniosa y sustentable de los pueblos del mundo.
4 - la garantía social plena de los derechos fundamentales a la alimentación, el agua, la vivienda, la salud, la educación, la cultura y el ambiente sano, por encima de cualquier derecho de los inversionistas y sin estar sometidos al ánimo de lucro.
5 - la extensión de la propiedad y la intervención económica públicas para garantizar estos derechos, así como también los beneficios comunes de la producción y servicios estratégicos como la energía, los bancos y las comunicaciones.
Finalmente, en el continente americano y América Latina en particular, sus movimientos y organizaciones sociales, que han enfrentado en los últimos años con bastantes éxitos al libre comercio y la globalización neoliberal, asumimos el desafío de construir la integración regional como respuesta estratégica a la crisis que también afecta a la región.
La integración regional, más que una posibilidad, aparece hoy como una alternativa viable para que los países de la región superen la crisis económica global a través de la creación de lazos económicos dinámicos y solidarios entre ellos y caminen hacia un nuevo modelo de desarrollo, más sustentable y justo que el que hasta hoy fue delineado en nuestros países.
La Integración regional desde los pueblos de la región ofrece mayores oportunidades para nuestros países, pues puede sobreponer el principio de la solidaridad al de la competencia salvaje y el libre mercado, que como sabemos, y bien lo ha demostrado esta crisis, ni lleva al equilibrio ni apunta a la justicia, como pretenden algunos teóricos. Esta integración deberá estar fundada en los principios de la complementariedad y solidaridad, y enfocada al alcance de sociedades más justas y equitativas económica y socialmente, donde el buen vivir de hombres y mujeres, sea el objetivo supremo.
La Alianza Social Continental apoya las movilizaciones que se desarrollan en todo el mundo entre el 28 de marzo y el 4 de abril frente a la reunión del G20.
Minga Informativa de Movimientos Sociales http://movimientos.org/
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Brasil/LULA FALA DURO PARA O G8
11 julho 2008/Editorial do Vermelho http://vermelho.org.br
Esta conclusão resulta do desempenho da diplomacia brasileira sob o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que se fortalece como um dos principais líderes dos chamados países emergente, como ficou visível na reunião que o G5 - África do Sul, Brasil, China, Índia e México - realizou paralelamente ao encontro do G8 - Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia - encerrado dia 9, na ilha japonesa de Hokkaido. Alio estavam presentes os dirigentes das treze nações mais influentes no mundo de hoje.
Perante os governantes do G8, Lula insistiu na pauta que interessa aos países emergentes. Criticou duramente a criminalização, pelos EUA e pela Europa, da entrada de estrangeiros. Condenou os subsídios agrícolas dos países ricos. Acusou os países industrializados pela alta nos preços do petróleo e dos alimentos. Insistiu na necessidade dos países industrializados tomarem medidas concretas contra a emissão de gases do efeito estufa. Em sua intervenção naquele encontro, articulou todos estes temas em torno de um único argumento: a defesa do desenvolvimento.
O tratamento que o Brasil aos imigrantes alemães em 1850, aos italianos em 1875, e depois espanhóis, depois japoneses e, mais recentemente, muita gente da América do Sul é o tratamento que queremos para migrantes brasileiros e latino-americanos, disse o presidente do Brasil. ''Temos consciência de que é sempre um problema, mas nunca pode ser tratado como um problema de polícia'', mas como ''um problema social, um problema de desenvolvimento econômico'', enfatizou.
Contra aqueles que acusam os biocombustíveis pela escassez de alimentos, garantiu que ''o Brasil continua produzindo onde produzia, como produzia, aperfeiçoando''. Ele apontou a responsabilidade da especulação financeira pelos altos preços: quem teve perdas com o subprime americano agora usa ''o dinheiro dos fundos para especular com petróleo e com alimentos'', disse.
Em relação à imigração ilegal, Lula argumentou que ela resulta do subdesenvolvimento. Contra ela, defendeu perante os dirigentes dos países do G8 a abertura dos seus mercados e a redução dos subsídios agrícolas para apoiar o desenvolvimento dos países mais pobres e, em consequência, reduzir as imigrações. ''Se não houver o fim dos subsídios, a chance desses países pobres se desenvolverem é muito mais difícil, e a chance deles serem migrantes é muito mais fácil. A lógica é trabalhar para que esses países se desenvolvam'', disse.
É um verdadeiro braço de ferro travado entre os países ricos e emergentes, que já não aceitam pagar a conta pelos ajustes econômicos impostos pelos dominantes nas últimas décadas, jogando sobre os povos conta dos desequilíbrios e da crise das economias centrais. Esta relação está mudando e, em nossos dias, Europa e EUA deixaram de ser as locomotivas do mundo, substituídos pelos emergentes, particularmente pela China. É um quadro em que a diplomacia brasileira, posta a serviço do Brasil e também dos povos, ganha pontos e firma-se como importante interlocutor nos fóruns internacionais.
Uma nação só é respeitada no exterior quando defende, de peito aberto e com decisão, seus interesses, enfrenta os poderosos e faz todos os esforços para reunir outros governos que partilham de agenda semelhente e, buscando a união, reforçam-se mutuamente na defesa de sua soberania, sua independência e seu desenvolvimento. Esta é a lição que as relações internacionais vão deixando em nosso tempo.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
VIA CAMPESINA CONTESTA COMUNICADO FINAL DO G8
[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
9 julho 2008
Adital - Ante a declaração dos líderes do G8 sobre segurança alimentar global publicada anteontem, em Hokkaido, o Sr Yoshitaka Mashima, líder camponês membro da Via Camponesa, comentou: "Não entendemos como os líderes do G8 pretendem solucionar a crise alimentar com mais livre comercio, visto que é a liberação da agricultura e dos mercados de alimentos que está nos levando à crise atual. Para proteger-se da instabilidade dos mercados mundiais, a população deve consumir comida local. Não necessitamos de mais comida importada".
Em uma coletiva de imprensa ocorrida hoje, os líderes camponeses afirmaram que os governos do G8 estão utilizando a atual crise alimentar e climática para promover um programa de livre comércio que beneficia as grandes empresas em vez dos produtores ou consumidores. A declaração dos líderes do G8 insiste em reanimar as negociações moribundas da OMC, e em impedir que cada país regule a exportação de alimentos.
Contudo, os pequenos camponeses de todo o mundo têm experimentado os efeitos devastadores das políticas de livre comercio e da OMC em suas vidas e na produção local de alimentos. Defendem o direito de cada país proteger seus mercados locais, a apoiar a agricultura familiar sustentável, e a comercializar os alimentos no lugar em que são produzidos.
A declaração dos líderes do G8 tampouco menciona duas das causas principais da atual crise de preços dos alimentos: a especulação por parte de grandes comerciantes e empresas transnacionais, e o desenvolvimento de agrocombustiveis como nova fonte de energia. É importante levar em consideração que estas causas profundas da crise alimentaria são conseqüência das políticas neoliberais que promovem os governos do G8, a OMC, o Banco Mundial e outras instituições.
"Perguntamos-nos como as nações mais ricas do mundo pensam apoiar aos pequenos camponeses se nem sequer lhes permitem entrar nos países em que se reúnem", afirmou Mashima. Dezenove camponeses coreanos da rede internacional da Via Campesina foram deportados do aeroporto de Hokkaido no dia 5 de julho, passaram 48 horas detidos com o pretexto de que podiam perturbar as reuniões oficiais.
Segundo o comunicado da Via, os camponeses e pequenos produtores de alimentos atualmente produzem a maior parte dos alimentos do planeta; promovem a produção local de alimentos à pequena escala para os mercados locais, o que cria emprego e protege a saúde dos consumidores e o meio ambiente, respeitando as diversas culturas e comunidades; Além disso não se encontrará solução nenhuma para a crise atual sem escutar as vozes dos camponeses.
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33914
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Brasil saúda proposta da França e apoio da Rússia sobre G8
Brasília, 28 agosto 2007 - O Brasil recebeu muito bem a proposta do presidente francês, Nocolas Sarkozy, para que o país sul-americano passe a integrar o grupo das oito nações mais industrializadas (G-8) - idéia que mereceu apoio da Rússia -, ampliando-o para 13 membros permanentes, disse nesta terça-feira à Agência Lusa o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Na avaliação do chanceler brasileiro, a proposta de Sarkozy é uma espécie de "curto-circuito" nesse processo de ampliação, tendo sido muito bem-vindo também o apoio de um país de peso como a Rússia.
De acordo com o Itamaraty, a ampliação do G-8, com a inclusão do Brasil, China, Índia, México e África do Sul, é um processo evolutivo. "Brasil, China e os outros países não podem estar fora das grandes discussões internacionais", destacou o ministério brasileiro.
Na sexta-feira, Sarkozy defendeu a entrada de países emergentes no G-8, formado pela própria França, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.
Nesta terça, o Ministério russo das Relações Exteriores declarou que "os problemas globais não podem resolver-se com êxito sem a participação dos grandes estados da Ásia, África e América Latina que se desenvolvem de forma dinâmica".
"O G-8, como importante elemento do mecanismo informal de liderança coletiva dos Estados mais desenvolvidos, deve ser mais representativo do ponto de vista geográfico e cultural", disse o porta-voz daquele Ministério, Mijaíl Kaminin.
Kaminin não comentou outra iniciativa de Sarkozy para que o novo Conselho de Segurança da ONU passe a contar entre os seus membros permanentes com a Alemanha, Brasil, Índia, Japão e "uma justa representação da África".
O Conselho de Segurança da ONU conta com 15 membros, sendo que cinco deles detêm uma cadeira permanente no grupo - Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China - e os demais são rotativos, com mandatos de dois anos. (Lusa)
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Cúpula Alternativa considera reunião do G8 ilegítima
A Cúpula Alternativa deverá reunir, até quinta-feira, cerca de mil participantes, incluindo alguns ativistas internacionais, como a Prêmio Nobel da Paz Alternativo, a indiana Vandana Shiva, e o cineasta Michael Moore, famoso pelas contundentes críticas ao sistema e ao presidente americano, George W. Bush.
A Cúpula foi organizada por 40 diferentes organizações não governamentais, com destaque para a americana ATTAC e para os ambientalistas do Greenpeace.
A Cúpula Alternativa pretende fazer o contraste com a Cúpula dos líderes do G8 (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Japão e Rússia), que será realizada a partir de amanhã até 8 de Junho, num luxuoso hotel de Heiligendamm, estância balneária do Mar Báltico.
"Trata-se de lutar contra uma ordem mundial exterminadora e absurda", disse hoje a jornalistas, em Rostock, o relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, Jean Ziegler, que fará a intervenção inaugural da Cúpula Alternativa, hoje à noite, na Igreja de S. Nicolau, em Rostock.
Segundo os organizadores, a Cúpula não é contra a globalização, "mas sim por uma globalização a partir das bases, que seja justa, social, e marcada por relações justas entre os países industrializados e os países em desenvolvimento".
Em dois dias, a Cúpula terá 120 painéis, nomeadamente sobre combate à pobreza, política climática, justiça global, migrações, racismo, militarização, trabalho e assuntos sociais.
Como os Estados do G8 apenas representam 14% da população mundial, "os bilhões de pessoas atingidas pela sua política também precisam de ter uma voz", argumentam os organizadores da Cúpula Alternativa.
Simultaneamente, distanciaram-se de violentas manifestações de rua contra o G8, que Jean Ziegler considerou "um fenômeno secundário".
A "violência primordial é morrer uma criança com menos de 10 anos a cada cinco segundos no mundo", disse o alto funcionário da ONU. (Vermelho / 5 de junho de 200)
domingo, 3 de junho de 2007
G-8 insiste em "solução de mercado" para problemas globais
Conheça o Draft for Summit Declarations, documento divulgado pelo governo alemão que reúne os pressupostos inamovíveis do G-8 sobre a agenda global contemporânea, do aquecimento global ao desenvolvimento da África.
Na mídia alemã, começa a aparecer com alguma insistência uma palavra incômoda sobre a próxima reunião do G-8 (o grupo dos sete países mais industrializados do mundo, EUA, Reino Unido, Franca, Japão, Canadá, Itália e Alemanha, mais a Rússia): “Schiffbruch”, que quer dizer “Naufrágio”. A marola da palavra atinge também o próprio governo alemão, liderado por Angela Merkel, da União Democrata Cristã (CDU).
O governo alemão investiu muito nesta próxima reunião, cujas preliminares se abrem neste fim de semana, mas que começa para valer a partir do próximo dia 6, quando começam a chegar os chefes de Estado. O próprio presidente Lula, convidado, deverá comparecer, tendo reuniões marcadas para o dia 7 em Berlim, inclusive com o primeiro ministro Putin, da Rússia, e outros no dia 8, em Heiligendamm, cidade portuária no mar Báltico, onde se reúne o G-8.
Em fevereiro deste ano, o governo alemão distribuiu uma minuta do que seria uma possível declaração deste encontro de 2007. Na página do G8 Research Group, da Universidade de Toronto, é possível obter acesso a este documento.
Chamado de “Draft for Summit Declarations”, esse documento tem por tema geral o da pauta do G-8, “Crescimento e responsabilidade”. É uma peça de considerável tamanho e também de considerável esforço lógico e retórico, tentando reunir os pressupostos inamovíveis do G-8 com temas da agenda global contemporânea, como aquecimento global, o desenvolvimento da África, a geração de emprego, o desenvolvimento e a transferência de tecnologia.
Entretanto, o documento não consegue trazer argumentos substantivos para demonstrar a necessária ligação (no seu entendimento) entre as premissas das atuais políticas econômicas nos países do grupo com a solução dos problemas levantados. Torna-se assim mais uma ladainha de princípios e uma enumeração de problemas, esperando que a contigüidade entre elas sirva de argumento.
O documento começa fazendo o elogio do livre mercado e da livre competição para produzir ajustes estáveis e crescimento econômico contínuo. Este é o seu “Fiat Lux”, o “No princípio era o Mercado”. A seguir o documento faz alguns elogios a ajustes nos Estados Unidos (apoio à poupança nacional, reduzindo o déficit orçamentário até chegar ao equilíbrio em 2012), à Europa (aumento na demanda interna e melhora no mercado de trabalho, obediência a políticas econômicas “prudentes”, que colhem os dividendos das “reformas estruturais” anteriormente feitas), ao Japão (reformas estruturais no setor financeiro) e à Rússia (crescem os investimentos e as importações).
O documento também exorta a China a fortalecer o seu setor financeiro, a abrir-se para uma flexibilização cambial, e a voltar-se para o mercado interno (será uma advertência diante do risco da China devastar economias com seus produtos baratos, inclusive nos do G-8?). Também assinala a necessidade dos países produtores de petróleo usarem os excedentes para diversificar suas economias.
Entretanto, o documento assinala que sobre este quadro promissor paira uma ameaça: o risco do aumento do “protecionismo”. Porém esse risco não vem qualificado, não se sabe se é o dos países pequenos contra os grandes ou o destes contra aqueles, que é (este último) a realidade corrente.
Depois deste início, vem nova acentuação de princípios. O G-8 deve afirmar seu compromisso com a liberdade de investimentos, e com a promoção de um ambiente aberto a essa liberdade seja onde for, tanto nos países industrializados como nos recém industrializados, caso do Brasil, China, Índia, África do Sul e México, pelo menos. Esse ideal de liberdade de investimentos e descrito como o melhor para os países em desenvolvimento. O G-8 deverá reforçar as molduras liberais de investimento, bem como lutar contra o que possa se levantar contra elas, a saber, e aqui aparece novamente o vilão, o protecionismo.
O G-8 deveria, então, concordar com o papel central dos mercados livres e abertos a todo o tipo de investimento, como base do crescimento econômico, da prosperidade e do aumento de emprego. Aqui vem o que seja talvez o maior esforço do documento, que e o de pregar a nivelação do tratamento dos investidores. Todos deveriam ter tratamento absolutamente igual, sejam investidores de países ricos em países pobres ou vice versa, o que, na verdade, consagra a desigualdade, pois não e igualitário tratar desiguais como iguais, convenhamos.
Quanto à transferência de tecnologia, o documento assinala que ela é desejável, desde que orientada pelo e para o mercado, ou seja, sem a intervenção de políticas ou de pressão por parte dos Estados. Ela é fundamental, diz textualmente o documento, como catalisadora da globalização.
A partir desse ponto, o documento faz um longo elogio dos atuais fóruns internacionais de diálogo e negociação, como a OCDE, a Organização Mundial do Comércio e a Unctad, cuja próxima reunião de cúpula esta prevista para meados de 2008.
A partir daí o documento registra uma série de temas e pautas que devem ser abordados, desde que aqueles princípios acima descritos sejam obedecidos. O primeiro deles é o de que livres mercados necessitam da inclusão social e da aceitação política de todos os atores, inclusive, em menção explícita, das mulheres. Depois vem a lista de investimento em proteção social, justiça, equanimidade, solidariedade, mas, ressalva o texto, desde que combinados com um sentido de responsabilidade, e de accountability, ou seja, traduzindo por minha conta, adequação fiscal. Seguem ainda o uso sustentável da água, do solo e o aumento da eficiência no uso de energia.
Ainda no capítulo da tecnologia, há uma forte acentuação do respeito à propriedade intelectual, contra a pirataria e a cópia, como um elemento chave para promover a efetividade dos incentivos de mercado às inovações. Enfaticamente, o documento assinala que o respeito à proteção da propriedade intelectual é a espinha dorsal da inovação tecnológica. Quem lê o documento desavisadamente pensa no inventor de fundo de quintal ou no pesquisador universitário, quando o que está em jogo são as reservas de mercado para as grandes corporações nos terrenos complexos da saúde, da informática e comunicações e da energia.
Quanto às mudanças climáticas, o documento chega a algumas precisões, estabelecendo a meta de grandes reduções no consumo de energia fóssil, nas emissões de dióxido de carbono, e no desmatamento, campo onde o Brasil e elogiado. Com isso, espera-se chegar a uma meta de aquecimento global de apenas 2 graus Celsius nas próximas décadas. Fala também em se reduzir o consumo de energia em 20% em relação a 2005, até 2020, com base no aumento da eficiência, na construção de residências sustentáveis, no desenvolvimento de fontes alternativas.
Há uma parte específica sobre a África, falando em conjugar democracia e desenvolvimento, e ainda quanto à necessidade de se incluir na agenda global uma mesa de negociação comum entre os países do G-8 e o Brasil, a China, a Índia, a África do Sul e o México.
Diz também que um dos itens necessários e o da regulamentação dos hedge funds, coisa que vem sendo citada com insistência como uma das possibilidades de naufrágio na reunião do G-8, pois quase ninguém acredita que isso vá além da retórica a respeito.
Essa é uma proposta ainda em aberto, cuja agenda vem sendo elogiada por economistas conservadores, como o professor Jagdish Bhagwati, da Universidade de Columbia, em entrevista ao jornal Die Welt em 31 de maio, mas parcialmente posta em dúvida como superada pelos acontecimentos, como pelo próprio membro do governo alemão de coalizão, Franz Muntefering, Ministro do Trabalho e das Questões Sociais, do SPD.
Também não se sabe ainda qual será a reação e quais serão as propostas dos demais membros do G-8, embora certamente não se espere nenhuma grande guinada nos princípios afirmados. Como tal o documento, até agora, fixa um compromisso retórico entre um ideário econômico estritamente liberal e ortodoxo, e temas da atualidade que expõem o risco de uma devastação planetária sem precedentes, ponto a que se chegou exatamente devido àquele ideário econômico dominante. (Agência Carta Maior / 3 junho 2007)
sábado, 2 de junho de 2007
Brasil / Lula discute comércio na índia e biocombustíveis no G8
Na Alemanha, o presidente terá ainda vários encontros bilaterais com chefes de Estado, como o presidente americano George W. Bush, o russo Vladimir Putin e o francês Nicolas Sarkozy, além do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Depois de uma parada em Londres para assistir ao amistoso Brasil e Inglaterra nesta sexta-feira, o presidente parte no sábado à noite para a Índia, o principal parceiro do Brasil na cooperação política sul-sul.
É a segunda visita do presidente Lula ao país. Em 2004, ele foi convidado especial do governo indiano nas comemorações do Dia da República e em setembro do ano passado recebeu em Brasília o primeiro ministro indiano, Manmohan Singh.
Comitiva de empresários
Brasil e Índia atuam de forma conjunta no G4 (junto com Alemanha e Japão), para pressionar pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, e no G20, que reúne os países em desenvolvimento nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os dois países também formam, junto com a África do Sul, o IBAS.
Faz parte da programação da visita um seminário empresarial sobre comércio e investimento que terá a participação de 108 empresários e executivos de 60 empresas brasileiras, na segunda e terça-feira. O presidente faz um discurso na abertura do evento.
Alemanha
O Brasil participa da reunião ampliada do G8, em Heiligendamm, na Alemanha, junto com outros quatro países - Índia, China, África do Sul e México.
"O principal interesse do presidente está centrado nessa questão dos biocombustíveis, da relação entre mudanças climáticas, biocombustíveis e combate à pobreza. É para isso que o presidente deseja chamar a atenção", afirmou o porta-voz do governo brasileiro.
Integram a comitiva do presidente na primeira parte da viagem os ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Franklin Martins (Comunicação Social), além do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Outros ministros podem viajar diretamente para a reunião do G8. (Vermelho / O Estado de S.Paulo / 1 junho 2007)