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terça-feira, 6 de maio de 2014

Brasil/MORREU DOM TOMÁS BALDUÍNO, O BISPO DA REFORMA AGRÁRIA E DOS INDÍGENAS

3 maio 2014, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

 


Morreu sexta-feira, em Goiânia, aos 91 anos, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino, o bispo da reforma agrária e dos indígenas.


A Rádio Nacional da Amazônia foi a primeira da dar a triste notícia do falecimento de um dos maiores símbolos da igreja progressista no Brasil e no mundo. “Morreu nessa sexta-feira (2), às 23h30, em Goiânia, o bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino. O religioso tinha 91 anos e morreu em decorrência de uma tromboembolia pulmonar. Ele ficou internado de 14 a 24 de abril no Hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar no dia 24, mas foi novamente internado no dia seguinte, no Hospital Neurológico, onde permaneceu até ontem”, informou a repórter Maíra Heinen. Para quem teve a alegria de conhecer o carismático dom Tomás Balduino em algumas reuniões, a notícia foi um choque.

Em nota divulgada neste sábado (3), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) fez um breve relato da trajetória combativa e abnegada do líder religioso -- que reproduzo abaixo na íntegra:

Dom Tomás Balduino, fundador da CPT, fez a sua páscoa

Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou...
tempo de lutar e tempo de viver em paz”.
(Eclesiastes 3:1-8)

É com grande pesar e muita tristeza que a Comissão Pastoral da Terra (CPT)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Brasil e Paraguay/CARTA ABERTA AO PRESIDENTE FERNANDO LUGO

(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
22 abril 2009/http.www.adital.com.br

Dom Tomás Balduíno *

Caro Amigo Presidente Fernando Lugo,
Acompanhei as notícias que levaram ao conhecimento público o seu relacionamento com uma mulher e o nascimento de um filho. A mídia brasileira repercutiu seguidamente o fato, fazendo coro, de bom grado, com os membros paraguaios do Partido Colorado, destacando-se o congressista Víctor Bogado, que se arvorou em seu juiz e o apedrejou. Chegou até mim também uma parte da comunicação da Conferência Episcopal do Paraguai pedindo "perdão pelos pecados da Igreja" católica, numa implícita referência a você.
Não posso deixar de me manifestar neste seu caso. Sou impelido a isso pela nossa velha amizade, desde os bons tempos de sua participação nos encontros em São Paulo, no grupo ecumênico e latino americano de bispos. Sou impelido sobretudo pelo que eu conheço da sua trajetória, pelo que eu venho acompanhando e refletindo sobre o grande significado de sua providencial subida à Presidência da República do Paraguai, carregado pelo povo pobre do seu País, tornando esta Nação uma das auspiciosas referências do processo de libertação do nosso Continente.
E minha manifestação, depois ter ponderado com alguns irmãos e irmãs, é em primeiro lugar para dar-lhe os parabéns, fazendo eco à declaração do meu amigo e bispo Mons. Mário Melano Medina, seu compatriota, pelo seu ato de "valentia e sinceridade" ao reconhecer a criança. Uno-me também ao bispo metodista emérito Federico Pagura ao expressar-lhe, também em carta aberta, sua solidariedade: "ante tu decisión de hacer públicas tus relaciones com tu compañera, y tu compromisso de assumir plenamente tu responsabilidad de padre". Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher.
Os bispos paraguaios fizeram um ato público de pedido de perdão. É salutar que a Igreja o faça sempre. É, aliás, o que a liturgia nos propõe todas as vezes que celebramos a Eucaristia. É verdade que não vi o texto completo desta declaração dos bispos, mas pelo discurso que ouvi do Sr. Arcebispo de Assunção no Te Deum" de sua posse como Presidente do Paraguai, receio que este pedido de perdão não se refira às omissões da Igreja com relação aos poderosos da política e ao sofrimento do povo durante os anos de tirania do governo paraguaio.
O risco de uma declaração apressada e ingênua da Igreja é desta declaração se somar com a onda da mídia e com o bloco de forças da elite de oposição que, ficam sempre à espreita de qualquer chance de desestabilização do seu governo, mesmo sob a capa do moralismo mais hipócrita.
Dou-lhe também os parabéns sobretudo porque o vejo disposto a continuar sua caminhada de luta com seu povo e a enfrentar as dificuldades atuais do seu governo, inclusive esta última. Por tudo isso, caro Amigo, receba a minha plena solidariedade.
O Senhor Jesus, que apareceu aos discípulos ressuscitado e chagado, esteja ao seu lado, o acompanhe, o ilumine, o faça sempre forte e corajoso diante destas e de outras dificuldades que certamente advirão na sua caminhada a serviço do seu admirável Povo.
Abraço-o com fraterna amizade.

Goiânia, 18 de abril de 2009

Dom Tomás Balduino

Bispo emérito de Goiás

* Bispo Emérito de Goiás - GO. Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=38313
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