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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Brasil/Com protestos da oposição, comissão do Senado aprova PEC 55 (Ex-PEC 241)*

10 novembro 2016,10 novembro 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (9), depois de sete horas de discussões, a íntegra do relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que congela os gastos públicos – o que permite que a matéria seja encaminhada para votação no plenário da Casa.


No parecer, o relator, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), rejeitou as 59 emendas apresentadas. A oposição protestou e apresentou um texto substitutivo e dois votos em separado, estes últimos, para condicionar a implementação das medidas de ajuste à aprovação da proposta por meio de uma consulta popular, mas as duas alternativas foram rejeitadas.

No final, a matéria foi aprovada diante de uma cena insólita no Congresso, na qual foram os senadores que vaiaram a manifestação de um grupo pequeno de estudantes. “Vocês envergonham o país. É muito fácil para vocês falarem na crise econômica e na situação do povo brasileiro aprovando medidas como essa que só vão afetar a vida dos mais pobres”, gritaram duas moças, em meio a risos e levantes por parlamentares da base do governo.

“Nunca vi uma coisa dessas, de senadores vaiarem o povo na casa que é do povo”, ironizou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Brasil/Saiba como votou cada deputado na entrega do Pré-Sal e da Petrobras

6 outubro 2016, 5 outubro 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 

Com a aprovação nesta quinta-feira (6) na Câmara do projeto de lei que desobriga a Petrobras de ser a operadora de todos os blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção (PL 4567/16, do Senado), o Pré-Sal e a Petrobras não são mais do Brasil. Os golpistas entregam o Pré-Sal, nossa riqueza natural que  deveria financiar a educação pública, às multinacionais. 


Os partidos de oposição se posicionaram radicalmente contra o projeto e conseguiram obstruir a votação por três dias, desde a noite da última segunda-feira (3). Deputados do PT, PCdoB, PDT, Psol e Rede usaram o que chamaram de “kit obstrução”, com a apresentação de inúmeros requerimentos de retirada de pauta e adiamento de votação.

Veja a lista dos 292 parlamentares golpistas que votaram SIM, favoravelmente à perda da soberania

terça-feira, 14 de junho de 2016

Brasil/GOVERNO TOMADO DE ASSALTO POR PARLAMENTARES CORRUPTOS!



12 junho 2016, Pravda.ru http://port.pravda.ru (Rússia)

GOVERNO TOMADO DE ASSALTO POR PARLAMENTARES CORRUPTOS!


1.      O parlamento comprovadamente mais corrupto da nossa história elegeu para presidente da Câmara um político corrupto desde a época de Collor (Eduardo Cunha). Este, sentindo a ameaça do primeiro governo até hoje que investigou a fundo a corrupção política, iniciou o impeachment da presidente, naquele espetáculo descrito pelo ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como "de chorar de vergonha".

2.      Devido à vergonha e desmoralização internacional de ter um parlamentar comprovadamente corrupto como substituto do Presidente da República, o STF afastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara, que foi substituído pelo seu suplente, Valdir Maranhão, também comprovadamente corrupto, o qual, em represália, ameaçou anular o impeachment. Seus colegas o seguraram e a presidente foi afastada pelo Senado.

3.      Para surpresa das pessoas iludidas, o vice-presidente Temer, ele próprio tão inelegível para novas eleições quanto Maranhão e pela mesma razão (financiamento de candidatos nas eleições de 2014 em valores não condizentes com sua renda), constituiu um governo com 6 ministros que são políticos investigados por corrupção

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Brasil/Comissão evidencia falta de base jurídica para o impeachment



9 abril 2016, Agência PT http://www.pt.org.br (Brasil)

Em 12 horas de debate na Comissão que analisa o impeachment de Dilma, deputados demonstraram fragilidade do relatório que pede a saída da presidenta


As mais de 12 horas de debates entre os parlamentares que compõem a comissão especial que analisa o pedido de impeachment contra a presidenta, Dilma Rousseff, evidenciaram o caráter golpista e falta de sustentação jurídica de quem tenta retirá-la do cargo. A sessão que começou por volta das 15h desta sexta-feira (8) e adentrou a madrugada deste sábado (9) cristalizou o fato de que não há qualquer fundamento para sustentar a ocorrência de crime de responsabilidade por Dilma e, portanto, o pedido de impeachment do relatório do deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO) é uma maneira de passar por cima da vontade das urnas.

“Estamos aqui fazendo um debate para destituir de um cargo uma presidenta da República com 54 milhões de votos ganhos dentro das regras do jogo. Não quero de maneira nenhuma

terça-feira, 15 de março de 2016

Brasil/Carina repudia ataque contra UNE e reafirma compromisso com democracia



12 março 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 

 

Numa demonstração de ação orquestrada, vândalos picharam a sede da UNE (União Nacional dos Estudantes), em São Paulo, neste sábado (12). A sede estadual do PCdoB também amanheceu pichada com ofensas ao ex-presidente Lula e a deputado Jandira Feghali.


Em vídeo nas redes sociais, a presidente da entidade, Carina Vitral lembra que a última vez que a UNE foi atacada dessa maneira foi no 1° de abril de 1964, quando a ditadura militar incendiou a sede da UNE na Praia do Flamengo. “Não aceitaremos que tempos de ódio e intolerância voltem ao nosso país, resistiremos

sexta-feira, 4 de março de 2016

Brasil/Luciana: Vamos mobilizar o país todo para barrar essa marcha golpista



4 março 2016, Vermelho http//www.vermelho.org.br (Brasil)

A presidenta do PCdoB, deputada Luciana Santos, esclarece em vídeo qual o verdadeiro significado da operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Lula. Para Luciana, o que está em curso “é uma provocação, de caráter eminentemente político”. “Eles querem impor a agenda deles, agenda que foi derrotada nas urnas.” “Vai ter luta! Vamos reagir. Golpe não passará! Vamos desde já mobilizar o país todo para barrar essa marcha golpista.”

“Esta é uma operação midiática para poder acelerar um golpe que está

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Brasil/PCdoB e aliados solicitam afastamento de Cunha do comando do golpe

9 dezembro 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Para evitar nova afronta à Constituição, parlamentares do PCdoB, PT, PDT, PSOL, PSB, Rede, PTN e PTdoB protocolaram representação na Procuradoria Geral da República (PGR) nesta quarta (9), pedindo o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do comando do processo de impeachment na Casa.

“Cunha vem tentando impedir o funcionamento legal desta Casa. Ele tem demonstrado falta de isenção e de espírito público. É um presidente que rasga a Constituição a todo momento. Acreditamos que não tem mais condições de conduzir os trabalhos. Isso sem falar na falta de autoridade política e moral de Cunha, envolvido em inúmeras denúncias,” destaca a presidente nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE).

A ideia é provocar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que adote medidas permitindo o julgamento do caso pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima quarta-feira (16). Nesse dia, a Corte analisará outra ação do PCdoB, uma Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que questiona

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Brasil/Frente Brasil Popular será lançada em BH contra golpismo e por avanços

31 de agosto de 2015, 31 de agosto de 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Em defesa da democracia e do mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff, forças progressistas realizam no próximo sábado (5), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, a Conferência Nacional Popular em defesa da democracia e por uma nova política econômica.

Por Eliz Brandão



O encontro tem como ponto de partida assegurar a preservação dos compromissos assumidos pela presidenta Dilma Rousseff e os avanços conquistados nos últimos anos, além de combater a onda conservadora recentemente aflorada.

Para unificar a luta e construir uma ampla organização popular de resistência, os diversos setores e agrupamentos sociais e os partidos políticos consolidarão a Frente Brasil Popular.

Nela, atuarão militantes que

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Brasil/1º DE MAIO CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO E EM DEFESA DA DEMOCRACIA

29 de abril de 2015,Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Este 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, será celebrado mundo afora para dar visibilidade e fortalecer as lutas contra o desemprego e contra o corte histórico de direitos que foram conquistados ao longo de muitas batalhas.

Por Renato Rabelo*, em seu blog


Hoje, na era do rentismo, da especulação financeira, da agiotagem em grande escala, e com o capitalismo preso numa crise que se arrasta desde 2008, os governos repetem a velha fórmula: Salvam os monopólios, salvaguardam os fabulosos lucros dos banqueiros e jogam sobre os ombros dos trabalhadores a conta da crise.

No Brasil, a classe trabalhadora vai às praças e às ruas com um grito de protesto contra uma grave ameaça que paira sobre os milhões de brasileiros e brasileiras que vivem do trabalho: A ampliação da terceirização para toda e qualquer atividade laboral. Terceirização que significa menos salário, menos direitos, menor duração do vínculo empregatício e mais horas de trabalho. Um retrocesso. Uma punhalada nos direitos dos trabalhadores!

Diante dessa ameaça, as verdadeiras centrais sindicais dos trabalhadores, os movimentos sociais e

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Brasil/Durante Congresso, Cacique destaca presença indígena na política


15 novembro 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A reportagem da Rádio Vermelho, que está no 13º Congresso do PCdoB, conversou com o integrante do Partido em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, Cacique Aruã Pataxó, que destacou a importância da representação indígena na política.

Por Deborah Moreira, da Rádio Vermelho no 13º Congresso do PCdoB

Clécio Almeida

“A perspectiva é que as populações indígenas possam fazer parte de um partido, que lutou a favor da democracia, queremos que o índio seja reconhecido como um potencial político”, afirmou Aruã.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

AS CENTRAIS SINDICAIS BRASILEIRAS: HISTÓRIA, CONCEPÇÕES E FORMAS DE ATUAÇÃO

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

20 AGOSTO 2009/http://www.adital.com.br

CUT *
Este texto faz parte das propostas de ações da Secretaria de Política Sindical da

CUT Nacional para o debate, e faz uma rápida análise da história do movimento sindical brasileiro a partir dos anos 80, até sua configuração atual, com o reconhecimento das centrais sindicais. Procuramos ainda, a partir da análise, propor alguns pontos que consideramos prioritários para a atuação dos sindicatos cutistas nesta nova conjuntura. O texto, e principalmente, as propostas de ação aqui apresentadas, são apenas uma contribuição a um necessário debate, e que pretendemos aprimorar a partir de um encontro com as secretarias de política sindical das CUTs estaduais e ramos e na avaliação das experiências concretas que forem obtidas a partir da definição e da aplicação do nosso plano estratégico.

Legalização das centrais
A legalização das centrais sindicais brasileiras tem colocado na ordem do dia a discussão sobre qual central sindical pode melhor representar os trabalhadores. Esse é um debate que diz respeito não apenas aos sindicalistas, mas principalmente aos maiores interessados, os trabalhadores, pois o resultado desta escolha pode proporcionar uma direção com maior ou menor envolvimento com as lutas do cotidiano. A destinação de recursos financeiros para uma central sindical, a ser definida pelo sindicato, deve levar parte dos dirigentes sindicais a fazer uma reflexão sobre o tema, uma vez que é grande o número de sindicatos não filiados a nenhuma central sindical.

Nessa conjuntura tem aparecido um grande número de centrais sindicais em busca da legalização, algumas antigas e conhecidas, como é o caso da CUT e da Força Sindical e outras mais recentes, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que resultou de uma fusão da Social Democracia Sindical (SDS), Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e parte da Força Sindical, a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), que reúne parte das federações e confederações oficiais, que defendem a atual estrutura sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), ligada ao MR8, o Conlutas, ligado ao PSTU, (mas que não se apresenta enquanto central sindical) e mais recentemente, a Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB), ligada ao PCdoB.

História
O 1º Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) foi realizado na Praia Grande em 1981 com o objetivo de construir uma central única dos trabalhadores brasileiros. No entanto, parcela dos sindicalistas presentes não tinha clareza sobre a necessidade de fundar a CUT naquele momento e foi constituída uma Comissão Pró-CUT, para fundar a central no congresso seguinte.

Naquele momento configuravam-se duas fortes vertentes no sindicalismo, de um lado o chamado "sindicalismo autêntico" que reunia os dirigentes vinculados ao PT, ala progressista da igreja católica, e trotskistas, que mais tarde fundariam a CUT. E um outro agrupamento, constituído de sindicalistas formados no corporativismo sindical, defensores da estrutura sindical vigente. O racha foi inevitável e resultou na fundação da CUT em 1983, presidida por Jair Menegueli e da Conclat (Coordenação Nacional da Classe trabalhadora) que em 1986 se transformaria na Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), presidida por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, e depois por Antonio Rogério Magri, que mais tarde seria ministro do trabalho do governo Collor.

Um terceiro grupo de sindicalistas não aparece neste contexto, exatamente por serem contrários a criação de uma central sindical, eram os sindicalistas que dirigiam a quase totalidade das federações e confederações da estrutura oficial e sem qualquer referência nas lutas dos trabalhadores. As federações e confederações que dirigiam não praticava o contato e o diálogo com os sindicatos ou com as bases, pois a estrutura sindical permitia - e permite até hoje - a sustentação desta estrutura através do imposto sindical.

Onde estão hoje as forças políticas do período da criação da CUT?

Das forças que originalmente criaram a CUT, parte dos trotskistas, então agrupados na "Convergência Socialista", se transformaram em partido político, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), juntamente com uma parcela de ex-petistas que também se transformaram em partido político, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), constituíram o Conlutas. Outra parcela do PSOL, com uma pequena parcela de petistas, construiu a "Intersindical". Vale lembrar que nem o Conlutas e nem a Intersindical se definem como centrais sindicais.

Foram várias as mudanças na composição das forças políticas que criaram a CGT em 1986, em relação à realidade sindical atual. Os sucessivos rachas na CGT foram dando espaços a pensamentos políticos mais homogêneos e partidários. Da CGT original surgiram: CGTB, CAT, SDS, FS, CGT e CTB.

Uma parcela da CGT, ligada ao MR8 constituiu sua própria central sindical, a CGTB, outra parcela constituiu a Força Sindical (FS). É importante recordar que a FS nasceu a partir de uma iniciativa do então presidente Fernando Collor de Mello, que queria uma central sindical que o apoiasse e que se opusesse a CUT, procurando conseguir assim o apoio de parte do movimento sindical ao seu projeto de governo. Em 2007 foi fundada a UGT, resultado da fusão da CAT, SDS, CGT e parte da FS. E finalmente, a CSC, que saiu da CGT e entrou na CUT em 1992, de onde saiu novamente para fundar sua própria central, em 2007.

Um terceiro segmento: os "sindicalistas", instalados na maioria das confederações e federações oficiais e contrárias à construção de uma central sindical; criou a NCST, com o intuito de garantir que os recursos financeiros de seus sindicatos filiados continuem sendo canalizados para a manutenção de suas estruturas, a partir da legalização das centrais.

O vai e vem da CSC
A CTB é o braço sindical do PCdoB, embora neguem publicamente. Para se contrapor a esta afirmação, alegam que no interior da Corrente Sindical Classista (CSC) e agora na CTB militam sindicalistas filiados ao PSB e ao PDT. Embora possam existir sindicalistas de outros partidos, figuram mais como adorno, pois são inexpressivos. A maior parte dos sindicalistas, filiados ao PDT, encontra-se na FS, como é o caso inclusive do seu presidente.

Foi da direção nacional do PCdoB a decisão de não ingressar na CUT em 1983 e ingressar na CGT. Foi também da direção nacional do PCdoB, a decisão de que a CSC deveria sair da CGT e entrar na CUT, em 1992. E é novamente, por determinação da direção nacional do PCdoB a saída da CSC da CUT para fundar uma nova central sindical. As plenárias e congressos realizados para esta tomada de decisão são apenas instrumentos utilizados para referendar no movimento sindical uma decisão partidária.

A saída da CSC da CUT, e sua constituição em uma central sindical acontecem por razões facilmente entendidas. No interior da CUT a CSC era minoritária e as posições políticas do PCdoB não eram refletidas nas resoluções da CUT, tais como a filiação internacional, a unicidade sindical, ou a defesa da convenção 87 da OIT, em que o PCdoB tem posições antagônicas à CUT. Logo, como as posições do PCdoB não tinham repercussão na CUT, a alternativa encontrada foi aproveitar o momento de legalização das centrais para criar sua própria central sindical, assim, além de divulgar no movimento sindical as posições do partido em nível nacional e internacional, terão ainda recursos financeiros, o que não acontecia antes.

Mas, para entender que as posições políticas partidárias é que definiram a saída da CSC da CUT para criar a CTB, e importante entender a conjuntura em que essa central foi criada. Na verdade, a CTB surge para representar sindicalmente o chamado "bloquinho", que aglutina no plano partidário o PCdoB, PDT e PSB, ou seja, a concepção do "bloquinho" partidário está refletido na CTB, sendo que o "bloquinho" sindical tem uma representação muito maior do PCdoB do que a do PDT e PSB, partidos extremamente reduzidos na composição da direção desta central.

Após o 9º Concut, a CSC ameaçou sair da CUT caso não tivessem de volta o cargo da vice-presidência, que ocupavam até então, e que passou a ser ocupado por uma dirigente rural. Para contornar o problema, a direção da CUT decidiu pela criação de duas vice-presidências, solução que agradou os comunistas e apaziguou os ânimos. No entanto, concomitante a isso, na Câmara Federal o PT entrava na disputa da presidência da Câmara, derrotando o então presidente, Aldo Rebelo, do PCdoB. A partir daí inicia-se o processo de construção do bloquinho, visando o lançamento de Ciro Gomes à presidência da República e de Aldo Rebelo para a prefeitura de São Paulo. A partir desta movimentação política do PCdoB a sua direção nacional decide pela saída da CSC e a construção de sua própria central sindical.

Portanto é falsa a polêmica de que a CSC deixou a CUT devido a "falta de democracia interna", ou "seu atrelamento ao PT", ou "dependência do governo". A CSC ficou na CUT durante 15 anos mesmo tendo posições políticas contrárias à central e sem questionamentos em relação à sua democracia interna. A saída da CSC da interior deu-se única e exclusivamente por uma decisão da direção nacional do PCdoB que aconteceu no início de 2007 e que desembocou em um congresso da CSC, ainda em 2007, para homologar a decisão da direção do PCdoB.

Filiação internacional
A CUT já nasceu com uma das maiores centrais sindicais do mundo e obviamente era cortejada internacionalmente para se filiar a uma das entidades internacionais existentes então, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL), a Confederação Mundial do Trabalho (CMT) e a Federação Sindical Mundial (FSM).

A CUT permaneceu sem filiação internacional enquanto fazia o debate interno, pois existiam posições favoráveis e críticas a todas centrais internacionais. Após longo debate, a CUT se posicionou pela filiação a CIOSL e sobre a necessidade de uma intervenção da CUT, juntamente com outras centrais sindicais do terceiro mundo, no interior da CIOSL procurando imprimir um novo relacionamento e uma nova visão sobre o mundo do trabalho, considerando como necessária a filiação internacional em uma sociedade cada vez mais globalizada.

Com a unificação da CIOSL e a CMT em 2006, criando a Confederação Sindical Internacional (CSI), a CUT passa a ser filiada a esta nova internacional e o movimento sindical mundial passa a ter apenas duas centrais, a CSI que abriga sindicatos de todos os continentes e a FSM, restrita a sindicatos em poucos países, tais como a CTC de Cuba, a CTP do Peru, a CTE do Equador, entre outras. No Brasil antes da CTB, a CGTB era (e continua) filiada a FSM, sendo que o presidente da CGTB, Antonio Neto, foi presidente mundial da FSM. Embora existam duas centrais mundiais, podemos afirmar que a representação da FSM é inexpressiva em relação a CSI.
Nas Américas, aconteceu em 2008, na cidade do Panamá, a construção da Confederação Sindical das Américas (CSA), unificando a Organização Regional Internacional dos Trabalhadores (ORIT), organização regional da antiga CIOSL e a Confederação Latino- Americana de Trabalhadores (CLAT), confederação regional da antiga CMT.

Relação com o governo Lula
No aspecto de relação com o governo Lula, os críticos da CUT - à direita ou à esquerda - costumam argumentar que antigos dirigentes da central, hoje se encontram em cargos importantes no governo federal, o que faria com que a CUT perdesse sua independência frente ao governo. É inegável o fato de que uma parcela dos dirigentes da CUT são filiados ao PT, assim como grande parte dos dirigentes da CTB são filiados ao PCdoB, da FS são filiados ao PDT, e assim por diante. A CUT apoiou Lula para presidente da República, entendendo ser o melhor candidato para fazer um governo voltado para os trabalhadores e setores mais explorados da população. A FS apoiou Geraldo Alckmin, o Conlutas e o PSOL apoiaram Heloisa Helena.

Consideramos que é inegável que o governo Lula foi, e continua sendo, melhor para os trabalhadores do que seria um governo neoliberal, pois abriu e mantém diálogo com as centrais e movimentos sociais. São inegáveis os avanços obtidos como a redução da pobreza, a diminuição do desemprego, a participação das centrais em diversos conselhos, a legalização das centrais sindicais, os aumentos do salário-mínimo, discutidos com os atores envolvidos, os acordos salariais com ganhos acima da inflação, o acesso de populações pobres, negras e indígenas às universidades, a desoneração de impostos para produtos essenciais à população de baixa renda, como produtos da cesta básica e material de construção. Enfim, são conquistas importantes para os trabalhadores, onde a CUT se sente elemento importante e ativo no processo.

O fato de apoiar não significa apoio incondicional. Não foram poucas as vezes que a CUT se manifestou contra a taxa de juros determinada pelo Copom, contra a terceirização no serviço público e realização de concursos, pela recuperação dos salários dos servidores federais que foram praticamente congelados durante o governo FHC, pela ratificação da convenção 158 da OIT, aprovada, mas denunciada ao STF pelo governo FHC, na coleta de assinaturas, em conjunto com outras centrais, para a aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e na realização de quatro marchas à Brasília.

Convenção 87 da OIT
A defesa da Convenção 87 da OIT é um dos elementos que coloca a CUT em posição oposta às demais centrais sindicais. A CUT sempre defendeu a total liberdade de organização sindical, sem a intromissão do Estado, o que quer dizer que os trabalhadores é que decidem em qual sindicato querem se filiar e lhes dá liberdade para organizar seu próprio sindicato. Aí está uma grande diferença entre a concepção cutista de organização sindical e das demais centrais. Enquanto a CUT defende que os trabalhadores é que definem a melhor forma de se organizarem, as demais centrais defendem a unicidade sindical, ou seja, um único sindicato por categoria em cada cidade impondo limitações para a organização dos trabalhadores. O que as demais centrais chamam de fragmentação da atuação sindical nós chamamos de liberdade de organização.

Taxas compulsórias
A cobrança compulsória de taxas para a manutenção da estrutura sindical é outro ponto divergente da CUT em relação as demais centrais sindicais. A CUT, desde sua fundação, defendeu que os trabalhadores, além de definirem qual a melhor forma de se organizarem, também devem definir de que forma sustentam financeiramente suas lutas. A CUT entende que os sindicatos devem sobreviver das mensalidades sindicais e das taxas assistenciais, definidas em assembléia das categorias profissionais.

Enquanto a CUT é contra, as demais centrais defendem a cobrança do "imposto sindical" que representa o desconto de um dia de trabalho de cada assalariado, e é o grande responsável pela manutenção de tantos sindicatos, federações e confederações sem qualquer compromisso com a base, pois sua sustentação financeira não passa pela filiação, mas apenas pelo imposto compulsoriamente cobrado dos trabalhadores.

Organização por ramo ou por categoria
Outra diferença que podemos apontar é se a organização dos trabalhadores se dá por ramo ou por categoria. A CUT defende a organização por ramos por entender que a criação de diversos sub-segmentos profissionais dentro de uma mesma categoria dificulta cada vez mais a organização por categoria. A introdução de novas tecnologias e a qualificação/desqualificação progressiva do trabalho tem levado ao surgimento de um amplo leque profissional fragmentando, comparando-se às antigas grandes categorias profissionais. A organização por ramos, desta forma, é mais apropriada, pois parte do princípio de organização de todos os profissionais envolvidos naquele ramo profissional, e não exclusivamente uma determinada categoria, que é bem menos expressiva numérica e economicamente do que o ramo. A organização por ramos de atividades e sua progressiva reestruturação para fusão a ramos similares é um processo histórico em andamento em diversos países, pois aumenta o poder de pressão sindical e combate corporativismos de categorias.

A CUT ainda desenvolve projetos de construção de redes sindicais organizando sindicatos, filiados ou não a CUT, em redes nacionais e internacionais em conjunto com as Federações Sindicais Internacionais (FSIs).

O que fazer?
Diante do quadro descrito, a CUT nacional, estaduais e ramos devem priorizar o trabalho junto aos nossos sindicatos, pautados em três eixos fundamentais: 1) manutenção e fortalecimento dos atuais sindicatos filiados à CUT; 2) a conquista de novos sindicatos; 3) ampliação da participação de nossos sindicatos na sociedade.
Certamente cada um desses itens requer uma estratégia específica, pois cada tema precisa necessariamente ser acompanhado de um conjunto de ações para que sejam atingidos os objetivos específicos.
Para manter e fortalecer os atuais sindicatos filiados à CUT, por exemplo, é necessário um autodiagnóstico do desenvolvimento de nossos sindicatos, para podermos levantar nossos pontos fortes e nossos pontos fracos, e então, a partir daí, elaborar estratégias para o fortalecimento dos nossos pontos fortes, e de superação dos nossos pontos fracos, visando acabar -ou ao menos diminuir- as debilidades detectadas em nossas entidades sindicais, o que requer o aprofundamento da democracia interna, maior transparência financeira e administrativa, melhoria nas formas de comunicação, promoção de maior incidência das atividades junto à base, fortalecendo as OLTs existentes e criando estratégias para sua ampliação, enraizando a CUT nos locais de trabalho. Ter uma maior aproximação entre os sindicatos com as estaduais e os ramos da CUT, além de uma maior integração com os atuais parceiros prioritários, aproximação com novos parceiros e maior intervenção da CUT na sociedade.
A conquista de novos sindicatos requer a definição de uma estratégia das estaduais e dos ramos, para a intervenção em eleições sindicais consideradas prioritárias para a ampliação de nossa base sindical. O mesmo raciocínio podemos aplicar em relação a ampliação da participação da CUT na sociedade, junto aos parceiros, movimentos sociais, partidos políticos, ONGs e governos estaduais e municipais.
Enfim, a discussão desses e outros temas, e a definição de estratégias de ação sindical é uma tarefa bastante complexa e que pretendemos aprofundar posteriormente, a partir de reuniões a serem agendadas brevemente, visando construir coletivamente com as secretarias da CUT nacional, CUTs estaduais e ramos - em debate que deverá ser aprofundado na 12º Plenária - uma estratégia comum, para ampliar a referência dos nossos sindicatos junto aos trabalhadores e na sociedade, e conseqüentemente, ampliar nossa base de atuação sindical.

* Central Única dos Trabalhadores

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Secretário do PCdoB defende condenação do Brasil a Israel

De São Paulo, Priscila Lobregatte

Blogue Somos Todos Palestinos http://somostodospalestinos.blogspot.com

Atuante na luta antiimperialista, pela soberania e direitos dos povos, o PCdoB tem incentivado seus militantes a integrarem as manifestações que acontecem por todo o país contra o genocídio na Faixa de Gaza. Um dos principais momentos de mobilização ocorrerá na abertura do Fórum Social Mundial, dia 27, em Belém. Em entrevista ao Vermelho, o secretário de Relações Internacionais do partido, José Reinaldo Carvalho, analisa a situação e defende a condenação enérgica pelo governo brasileiro às ações de Israel e o apoio à causa palestina.

Qual seria a saída para o fim dos conflitos entre Israel e Palestina?

A saída é muito difícil porque as razões que levaram a essa nova escalada são históricas e a situação é complexa. Só vejo solução se os problemas históricos e de fundo forem enfrentados. De qualquer maneira, é preciso lutar de imediato pela suspensão dos bombardeios, da ocupação terrestre e contra o cerco à Faixa de Gaza, assim como contra a campanha de aniquilamento da Resistência. É preciso também acabar com essa hipocrisia de dizer que as partes que estão negociando vão promover uma trégua e que o pressuposto é que o Hamas “pare de dar tiros”, como se se tratasse de uma guerra entre dois exércitos. O que há ali é massacre e uma luta desigual. Israel não pode continuar impunemente submetendo a população palestina e as forças da Resistência a uma operação de cerco e extermínio.

Porém, os problemas na região remontam à criação do Estado de Israel...

O Estado de Israel foi criado na base da usurpação do território da Palestina. Quando a Assembléia Geral das Nações Unidas de 28 de novembro de 1947 determinou, através da Resolução 181 a criação do Estado de Israel, estabeleceu também a criação do Estado da Palestina. Havia, então, a expectativa de que ambos os estados seriam capazes de conviver em harmonia. O que aconteceu, no entanto, é que desde então Israel foi se expandindo cada vez mais e inviabilizou a criação do Estado palestino. Não há o que tergiversar sobre isso. E mais: houve a guerra de 1967, quando Israel ocupou ainda mais territórios palestinos e árabes, revelando-se um Estado expansionista na região do Oriente Médio. Além disso, todo o processo de colonização dos territórios que passaram a ser de Israel foi feito na base da usurpação de terras das famílias palestinas, o que gerou um grande êxodo. Existem cerca de 4 milhões de refugiados. Por tudo isso, além da questão imediata deste conflito, é preciso avançar para a criação do Estado da Palestina livre, independente, com plena soberania, tendo por capital Jerusalém Oriental. Enquanto estas questões não forem resolvidas, não haverá paz na Palestina.

E os Estados Unidos têm papel fundamental no acirramento dos conflitos...

Sim. A resolução 242 da ONU, posterior ao conflito de 1967, determina a devolução de todos os territórios ocupados então e a criação do Estado Nacional Palestino. Então, quem está violando o direito internacional é Israel e os protetores de Israel, ou seja, os países imperialistas, especialmente os Estados Unidos, mas também a União Européia. A situação se complica com a tentativa dos Estados Unidos de impor o chamado Plano de Reestruturação do Oriente Médio, um engendro da Administração Bush, que corresponde às ambições hegemônicas do imperialismo norte-americano. Israel é a cabeça de ponte para a realização desse plano; é um Estado artificial que existe em nome dos interesses do imperialismo. É por isso que Israel guerreia não só contra os palestinos, mas também contra o Líbano, contra a Síria e outros países da região. E é por isso que urde planos para agredir o Irã. E, claro, desta estratégia faz parte também o apoio dos EUA a regimes árabes reacionários, que se comportam como “cavalos de Tróia” dentro do mundo árabe.

Que peso tem a vitória obtida pelo Hamas nas eleições parlamentares de 2006 nos conflitos atuais?


É curioso. Os países imperialistas aparecem como paladinos da democracia, exigiram eleições na Palestina e chegaram a monitorá-las. O Hamas se apresentou como força política, aceitou jogar as regras eleitorais e foi o vencedor daquelas eleições por conta de sua força política. Porém, esses mesmos países que supostamente defendem a democracia não reconheceram a vontade do povo palestino. Ou seja, para eles as regras democráticas só valem se uma determinada força ganha a eleição. A não aceitação dos resultados eleitorais e o anúncio do bloqueio dos fundos da Palestina feitos por Israel, Estados Unidos e União Européia certamente contribuíram para deteriorar a situação, que culminou com o sítio a Gaza, inviabilizando o suprimento do território em gêneros de primeira necessidade e medicamentos. O problema, portanto, não está no fato de ser o Hamas, islâmico e xiita. O problema é que Israel, os EUA e a UE não aceitam a emergência de forças da Resistência nacional. O mesmo acontece no Líbano com o Hezbollah.

Como se deu o fortalecimento de organizações com o Hamas e o Hezbollah?

Houve um momento importante na luta dos povos árabes durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, quando emergiu o nacionalismo pan-árabe, formado por importantes forças republicanas, laicas, patrióticas, que chegaram ao poder em vários países árabes como fruto de revoluções nacionais, democráticas e anti-monárquicas. Uma das grandes figuras desse período foi o presidente (Gamal Abdel) Nasser, no Egito. Essas forças entraram em decadência por razões variadas e isso levou à emergência do que se chama de fundamentalismo islâmico. Tanto o Hamas quanto o Hezbollah crescem no vácuo deixado pelo enfraquecimento dessas forças e, claro, pelos seus méritos próprios como forças políticas capazes de se ligarem ao seu povo e de defender a identidade nacional, levando esta luta às últimas conseqüências. Existe, claro, um componente religioso, que é habilmente explorado pelo inimigo para semear a divisão das forças patrióticas e da Resistência nacional. Nós, comunistas, não concordamos com a idéia de um Estado teocrático, mas reconhecemos nessas organizações forças ligadas ao povo e cuja atuação tem sentido antiimperialista.

No conflito atual, como analisa a atuação dos principais países do tabuleiro político internacional, especialmente Estados Unidos e França?

O imperialismo norte-americano demonstrou, mais uma vez, seu apoio indeclinável a Israel. Bloqueiam qualquer possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU tomar medidas efetivas em favor do cessar-fogo. A última Resolução foi um pedido de cessar-fogo, com a abstenção dos EUA. Esta potência imperialista propagandeia – com o apoio da mídia pressurosa em difundir esta idéia – que Israel está se defendendo do Hamas. Isso é falso. Tentam transformar o agressor em vítima. O imperialismo atua no sentido de legitimar os ataques e o genocídio e corrobora a estratégia israelense de aniquilar a Resistência palestina. A União Européia age no mesmo sentido. Os presidentes da França e da República Tcheca (esta última no exercício da presidência da UE), por exemplo, declararam seu apoio a Israel na luta contra o Hamas. Por isso o Hamas repudiou a intervenção da UE e em particular da França classificando-a como parcial, por tomar o lado de Israel. O presidente Nicolas Sarkozy envergonhou a França com o comportamento de trapalhão durante a semana passada trombeteando ter patrocinado um acordo de paz, sendo imediatamente desmentido por todas as partes envolvidas. Diga-se entre parênteses que poucas semanas antes ele veio ao Brasil desfrutar das demonstrações de sabujice de setores das classes dominantes brasileiras e da mídia que o paparicaram e fizeram com que se sentisse um imperador. Veio tentar atrair o Brasil e o Mercosul para a área de influência da União Européia. No que se refere ao Oriente Médio a UE pretende ocupar uma posição de destaque na crise. O plano apresentado por França e Egito é inócuo porque nem de longe faz menção clara à questão principal já referida aqui: criar um Estado palestino livre, independente e autônomo. Por fim, fazem parte das metas da União Européia a criminalização do Hamas e do conjunto da Resistência palestina.

E a postura do governo brasileiro?

Entre as forças políticas que integram o governo brasileiro, o PCdoB é uma das que mais valorizam a política que o presidente Lula e sua chancelaria têm feito em relação ao Oriente Médio. O ponto alto foi a realização da Cúpula América do Sul e Países Árabes, que atraiu a hostilidade dos EUA e de Israel. Foi muito positiva a declaração espontânea do presidente Lula quando condenou os EUA por impedirem uma ação da ONU em favor do cessar-fogo na crise atual. Corajosamente, criticou a própria ONU. Mas, me permito dizer que a posição formal do Itamaraty apenas “deplorando” a agressão israelense por ser “desproporcional” é uma posição tíbia, digamos, tecnicista, protocolar. É preciso condenar os ataques. A clareza política não pode ser obnubilada pelos rituais diplomáticos. O Brasil deve jogar um papel mais afirmativo em favor da causa palestina e condenar o terrorismo israelense. O presidente Lula deveria, inclusive, rever a decisão de visitar Israel este ano. Além disso, o Brasil não pode permitir que se concretize a proposta de realizar um acordo bilateral entre o Mercosul e Israel. Nossa diplomacia, que com muito talento desmontou a Alca, deveria ajudar a desmontar essa proposta. Aproveito para aplaudir a atitude do presidente Hugo Chávez de romper relações com Israel. O Estado terrorista e genocida de Israel merece ser repudiado e sancionado pela comunidade internacional.

Que papel o PCdoB pode desempenhar neste momento?

O PCdoB luta pela paz e apoia os esforços pela paz e, de imediato, para que cesse o genocídio e a crise humanitária em Gaza. Mas, é preciso que se apresentem planos sérios, factíveis. Será inócuo qualquer plano de paz que não parta de uma condenação clara à ofensiva israelense, de uma caracterização clara de que Israel está fazendo um genocídio e de uma exigência impositiva de que acabem imediatamente com os bombardeios e a ocupação em Gaza. Estamos orientando nossa militância a realizar manifestações em todo o Brasil, fortalecendo as organizações que lutam pela paz e praticam a solidariedade internacionalista, participando dos protestos e contribuindo para fortalecer a unidade do movimento pela paz. Estamos principalmente conclamando nossa militância, quadros e organizações sob nossa influência a transformarem o ato público de abertura do Fórum Social Mundial em Belém, dia 27, num grande ato contra o genocídio perpetrado por Israel nos territórios palestinos. O partido estará lá cumprindo seu papel de força internacionalista e solidária.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Líder do PCdoB visita Portugal a convite de comunistas lusos

Lisboa, 11 julho 2008 (Lusa) - Uma delegação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) chega neste domingo a Lisboa para uma visita de trabalho de cinco dias, a convite do Partido Comunista Português (PCP).

Fonte do secretariado do PCP disse à Agência Lusa que a delegação é composta pelo presidente e vice-presidente do PCdoB, Renato Rabelo e José Reinaldo Carvalho, respectivamente, e que vai a Lisboa para retribuir uma viagem do secretário-geral dos comunistas lusos, Jerónimo de Sousa.

Durante a permanência em Portugal, além de encontros com a direção do PCP, Renato Rabelo e José Reinaldo Carvalho farão duas conferências para quadros comunistas, uma em Lisboa e outra no Porto, para falar sobre as perspectivas do socialismo para o século 21 no Brasil e na América Latina.

Segundo a fonte, os líderes do PCdoB serão também recebidos pelo presidente do Parlamento português, Jaime Gama, e terão encontros com os líderes dos diferentes grupos parlamentares.

O Partido Comunista do Brasil foi fundado em 25 de março de 1922, depois de realizado um congresso no Rio de Janeiro, que contou com a presença de 73 militantes.
Reorganizado em 1962, o PCdoB permaneceu na ilegalidade até 1985.