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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Síria/NÃO TEMOS OUTRA ESCOLHA SENÃO A VITÓRIA! -- Presidente Bachar al-Assad



7 junho 2016, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)
                                                                                                                      
por Presidente Bachar al-Assad*



Senhoras e Senhores,

…

Estas eleições não foram as eleições normais. Aconteceram num momento de grandes tensões territoriais e políticas, regionais e internacionais. Realizaram-se em condições internas extremamente difíceis que levaram alguns a predizer o seu fracasso e que na melhor das hipóteses seriam desconsideradas pelos cidadãos.

Mas o que aconteceu foi exatamente o oposto. Uma vez mais, o povo sírio surpreendeu o mundo por sua ampla participação num importante acontecimento nacional e constitucional. A taxa de participação sem precedentes é uma mensagem clara dizendo ao mundo que quanto mais aumentam as pressões, mais o povo mantém a sua independência; quanto mais as tentativas de ingerência se intensificam, mais o povo mantém o respeito pelas obrigações ditadas pela Constituição, garante da sua independência e

domingo, 8 de junho de 2014

Brasil/AS MALOCAS DA PRAÇA DE MAIO

2 junho 2014, Pátria Latinahttp://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Coluna de José Ribamar Bessa Freire

Na Argentina, elas foram reprimidas por baionetas quando indagaram, em 1977, pelos filhos presos. Os generais golpistas debocharam: "son las locas de Plaza de Mayo". Obstinadas, não desistiram. Desafiaram o terror e continuaram ocupando a Praça de Maio, desfilando o seu protesto semanal diante da Casa Rosada e da catedral até que, finamente, reconhecidas pela sociedade, contribuíram para o fim da ditadura e a prisão dos torturadores.

No Brasil, vários movimentos nos fizeram ouvir a voz de quem foi silenciado. No entanto, como ninguém entende línguas indígenas, nem se interessa por aprendê-las, não se escuta o clamor dos índios, seja de mães indígenas por seus filhos ou de índios por seus pais desaparecidos. Desta forma, os índios, sempre invisíveis na historia do Brasil, ficaram de fora das narrativas e não figuram nas estatísticas dos desaparecidos políticos. Na floresta, não há praças de maio.

Mas agora isso começa a mudar. Relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, que será em breve publicado pela Editora Curt Nimuendajú, de Campinas (SP), dá voz aos índios e mapeia os estragos, comprovando que na Amazônia, mais do que militantes de esquerda, a ditadura eliminou índios, entre outros, Cinta-Larga e Surui (RO/MT), Krenhakarore na rodovia Cuiabá-Santarém, Kanê ou Beiços-de-Pau do Rio Arinos (MT), Avá-Canoeiro (GO), Parakanã e Arara (PA), Kaxinawa e Madiha (AC), Juma, Yanomami e Waimiri-Atroari (AM/RR).

O foco do primeiro relatório,

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Brasil/Indígenas dão continuidade a protestos interrompidos pela violência policial

29 maio 2014, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Natasha Pitts


As manifestações que tiveram início em Brasília (DF) na última segunda-feira, 26 de maio, e foram reprimidas violentamente pela polícia nesta terça-feira, 27, já recomeçaram. Cerca de 500 indígenas juntamente com entidades sociais de apoio estão cercando, desde as 8h desta quinta-feira, 29, o Ministério da Justiça a fim pressionar o ministro José Eduardo Cardozo. A intenção das lideranças indígenas é conseguir marcar uma audiência e apresentar suas demandas, que não são novas ou desconhecidas para o poder público. Os movimentos sociais também darão continuidade na sexta-feira, 30, às manifestações.
"Hoje, existem 36 procedimentos de demarcação parados só esperando para serem assinados, por isso, nesda Mobilização Nacional Indígena estão sendo reivindicadas as demarcações, a suspensão de

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Brasil/Terena: Ônibus escolar indígena é incendiado em Miranda



28 novembro 2013, CIMI--Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)

Inserido por: Administrador em 28/11/2013.
Fonte da notícia: Assessoria Cimi/MS

 

Ruy Sposati, de Campo Grande (MS)



Um ônibus que realizava transporte de alunos Terena foi incendiado, na madrugada desta quinta-feira, 28, em Miranda (MS), região do Pantanal. O ônibus levava diariamente cerca de 30 estudantes do ensino fundamental e médio de toda a terra indígena Cachoeirinha. O veículo estava vazio. Ninnguém ficou ferido. Indígenas temem que o ataque esteja relacionado às ameaças de fazendeiros da região.

O veículo estava estacionado na frente da casa do motorista, que presta depoimento à Polícia Civil na manhã de quinta. Segundo informações colhidas por lideranças de Cachoeirinha, o responsável pelo veículo acredita que o ônibus tenha sido intencionalmente incendiado com

Brasil/CNBB divulga nota sobre Povos Indígenas e Agricultores



27 novembro 2013, CIMI--Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, durante entrevista coletiva de imprensa, na tarde desta quarta-feira, 27 de novembro, uma nota oficial sobre Povos Indígenas e Agricultores. No texto, os bispos se unem "à angústia dos povos indígenas e agricultores diante da inércia do governo federal e dos respectivos governos estaduais em solucionar verdadeira e definitivamente os crescentes conflitos fundiários".

De acordo com a CNBB, "o momento é crítico e exige urgente e efetiva ação por parte do governo brasileiro em defesa da vida, da justiça e da paz entre indígenas e agricultores no país".

A seguir, a íntegra da nota:

Brasília, 27 de novembro de 2013

Nota da CNBB sobre Povos Indígenas e Agricultores

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Brasil/Durante Congresso, Cacique destaca presença indígena na política


15 novembro 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A reportagem da Rádio Vermelho, que está no 13º Congresso do PCdoB, conversou com o integrante do Partido em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, Cacique Aruã Pataxó, que destacou a importância da representação indígena na política.

Por Deborah Moreira, da Rádio Vermelho no 13º Congresso do PCdoB

Clécio Almeida

“A perspectiva é que as populações indígenas possam fazer parte de um partido, que lutou a favor da democracia, queremos que o índio seja reconhecido como um potencial político”, afirmou Aruã.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Brasil/Comissão de Direitos Humanos realiza Audiência Pública para discutir ameaças contra lideranças Xakriabá



12 novembro 2013, CIMI--Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)


A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou nesta sexta-feira (8), na aldeia Várzea Grande, território Xakriabá, no município de Itacarambi, norte de Minas Gerais, uma audiência pública para discutir ameaças contra lideranças do povo Xakriabá. Na foto ao lado, comunidade Xakriabá muda placa de fazenda retomada.
 
Aproximadamente 1.500 índios Xakriabá participaram da audiência que teve como pauta o processo de demarcação das áreas reivindicadas pelos indígenas, ação que vem causando a insatisfação de políticos e do agronegócio, mentores de uma intensa ação de violência, discriminação e preconceito contra os Xakriabá.

Os estudos realizados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) identificaram aproximadamente 44 mil hectares como terra tradicional Xakriabá. A área de demarcação se estende

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

«QUÍMICOS» PASSAM PELAS BRECHAS DO «EIXO» OCIDENTAL CONTRA A SÍRIA



29 agosto 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

Finian Cunningham*

«O resultado de investigações independentes e o que se descobre nelas sobre massacres na Síria, jamais chegam às primeiras páginas dos veículos da imprensa-empresa ocidental. A névoa inicial criada pelas manchetes pejorativas e vastíssima desinformação «midiática» deixa, como planejado, uma impressão residual de culpa contra o governo de Assad.

O suposto ataque, semana passada, com armas químicas, em três subúrbios de Damasco segue o mesmo padrão. Washington capitaneou o ocidente na condenação do governo sírio, sem contudo oferecer qualquer prova. Mas a pergunta realmente interessante, agora, é: qual o contexto político significativo, desta vez?»

Padrão recorrente ao longo da crise síria é a coincidência entre massacres de origem suspeita e momentos em que há mudança no contexto político. É importante ter isso em mente ao avaliar relatos publicados semana passada de um massacre, com uso de armas químicas,

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Brasil/CARTA PÚBLICA DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL À PRESIDENTA DA REPÚBLICA DILMA ROUSSEFF



11 Julho 2013, Comissão Pastoral da Terra (CPT) http://www.cptnacional.org.br (Brasil)

 Em reunião realizada com a presidente da República na tarde de ontem, 10, lideranças e organizações indígenas da APIB e distintos povos do Brasil reivindicam do governo, a construção de uma agenda positiva, com compromissos e metas concretas para atender as demandas dos povos indígenas. A seguir, íntegra da carta entregue à presidente da República. (CIMI)

 

Carta Pública dos Povos Indígenas do Brasil à presidenta da República Dilma Rousseff

À
Excelentíssima Senhora
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
Brasília-DF

Estimada Presidenta:

Nós lideranças indígenas de distintos povos e organizações indígenas das diferentes regiões do Brasil, reunidos nesta histórica ocasião com a vossa excelência no Palácio de Governo, mesmo em número reduzido, mas o suficientemente informados e profundamente conhecedores, mais do que ninguém, dos problemas,  sofrimentos, necessidades e aspirações dos nossos povos e comunidades, viemos por este meio manifestar, depois de tão longa espera,  as seguintes considerações e reivindicações, que esperamos sejam atendidas pelo seu governo como início da superação da dívida social do Estado brasileiro para conosco, após séculos de interminável colonização, marcados por políticas e práticas de violência, extermínio, esbulho, racismo, preconceitos e discriminações.

Estamos aqui, uma pequena mas expressiva manifestação da diversidade étnica e cultural do país, conformada por 305 povos indígenas diferentes falantes de 274 línguas distintas com uma população aproximada de 900 mil habitantes conforme dados do IBGE. E em nome desses povos que:

- Reiteramos o nosso rechaço à acusação de que somos empecilhos ao desenvolvimento do país numa total desconsideração da nossa contribuição na formação do Estado Nacional brasileiro, na preservação de um patrimônio natural e sociocultural invejável, inclusive das atuais fronteiras do Brasil, das quais os nossos ancestrais foram guardiães natos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Brasil/NOTA DA XXXIV ASSEMBLÉIA DO CIMI MARANHÃO



28 junho 2013. Conselho Indigenista Missionário -- CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)

Fonte da notícia: Cimi - Regional Maranhão

Causa Indígena: “Quanto mais difícil o tempo, mas forte deve ser a esperança”
Dom Pedro Casaldáliga

O Conselho Indigenista Missionário, Regional Maranhão, reunido em sua XXXIV Assembléia, durante os dias 24 a 28 de junho, na cidade de São Luis, refletiu, entre outros temas, sobre os direitos da Mãe Terra, a partir da experiência da Constituição da Bolívia, bem como analisou a conjuntura política e indigenista nacional e regional. Nessa análise, constatou-se a apropriação do Estado pelo agronegócio com o objetivo de ampliar a concentração fundiária, promovendo o sacrifício dos povos da terra e dos direitos por estes conquistados.

A ofensiva do agronegócio pode ser percebida no âmbito dos três poderes da República, mas é no Legislativo onde aparece de forma mais ostensiva e agressiva: 214 deputados e 14 senadores da bancada ruralista, equivalente a 41,7% da Câmara e 17,3% do Senado, desconstroem direitos já consolidados como no caso do desmonte do Código Florestal. Agora pretendem aprovar um Código Rural que justifique o trabalho escravo;

terça-feira, 11 de junho de 2013

Brasil/CONTAG se solidariza à Comunidade Indígena Terena



6 junho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)
 
Fonte da notícia:
Diretoria da Contag

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) repudia a violência do Estado e do agronegócio contra a comunidade indígena Terena ocorrida na fazenda Buriti, em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.

Foi com profundo pesar que a CONTAG recebeu a notícia da morte do índio Terena, Oziel Gabriel, e de dezenas de índios feridos durante a trágica demonstração de força do Estado brasileiro sobre famílias desarmadas e indefesas

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brasil/Nota do Cimi: O GOVERNO DILMA, O AGRONEGÓCIO E OS POVOS INDÍGENAS



3 junho 2013, Conselho Indigenista Missionário -- CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)


O Governo Federal dá mostras cada vez mais evidentes que não entende e que não está disposto a entender os povos indígenas brasileiros. As medidas anunciadas pelo governo com o intuito de superar os conflitos em torno das questões indígenas no Brasil parte do pressuposto equivocado segundo o qual os povos indígenas estariam causando os conflitos e agindo sob o comando de organizações não indígenas, de modo especial o Cimi. Além de preconceituosa e racista, uma vez que considera os povos seres inferiores e incapazes de decisões próprias, o pressuposto é sociologicamente falho. Julgamos que algumas informações acerca da realidade que envolve a temática são importantes e suficientes para entendermos a situação. Vejamos.

O governo Dilma aprofundou o processo de retração de demarcações das terras indígenas. É o governo que menos demarca terras indígenas desde a ditadura militar. O governo também tomou medidas administrativas lesivas aos direitos dos povos, tais como a Portaria 419/11, a Portaria 303/12 e o Decreto 7957/13. A presidente Dilma ainda não recebeu os povos indígenas para qualquer conversa ao longo destes mais de dois anos de mandato. No entanto, somente no mês de maio, a presidenta reservou tempo em sua agenda para ao menos cinco encontros com representantes dos ruralistas, inimigos históricos dos povos indígenas.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A HISTÓRIA DE UM MASSACRE NO PERÚ

Face-a-face com o assassino de Accomarca

Vinte e dois anos atrás, um militar conduziu o massacre de 69 civis no povoado de Accomarca, na região andina meridional do Peru. A patrulha comandada por Telmo Hurtado chegou na aldeia e atirou, lançou granadas e queimou os camponeses, a maioria mulheres e crianças.

Ángel Páez (IPS) / Carta Maior/ 23 fevereiro 2008

Lima (IPS) - Para as peruanas Teófila Ochoa e Cirila Pulido encontrar, face-a-face, o major aposentado Telmo Hurtado, em trajes de presidiário e com grilhões nos tornozelos, foi muito parecido com um ato de justiça.
Vinte e dois anos atrás, o militar conduziu o massacre de 69 civis no povoado de Accomarca, na região andina meridional do Peru. Ochoa e Pulido, que então ainda eram meninas, conseguiram salvar-se, mas o mesmo não aconteceu com suas famílias.
"Quando o vi arrastando os pés, vigiado por policiais, senti um alívio incrível. Finalmente Telmo Hurtado estava enfrentando a justiça", disse Ochoa para a IPS. Tinha 12 anos de idade quando os soldados liderados por Hurtado assassinaram sua mãe e cinco irmãos.
"Queria bater nele, gritar-lhe 'assassino', mas me contive. Ali estava o homem que causou tanto mal a tanta gente inocente. Finalmente será feita justiça, apesar de que me da muita tristeza que seja em um tribunal dos Estados Unidos e não do Peru", disse Pulido, cuja mãe e um irmão de nove meses estão entre as 69 vítimas de Accomarca.
No dia 11 de fevereiro, as duas mulheres prestaram depoimento diante do juiz Adalberto Jordan em um tribunal federal da cidade norte-americana de Miami, onde está ocorrendo o processo contra Hurtado por danos e prejuízos aos camponeses assassinados em 14 de agosto de 1985.
A patrulha comandada por Hurtado chegou na aldeia e atirou, lançou granadas e queimou os camponeses, a maioria mulheres e crianças.
A matança foi perpetrada poucas semanas depois que o atual mandatário Alan García assumiu como presidente pela primeira vez, em 28 de julho de 1985. Mas isso não fez com que ele mudasse a política anti-subversão aplicada pelo seu antecessor, Fernando Belaúnde. Na guerra de 20 anos contra grupos subversivos morreram 69.280 pessoas, segundo a independente Comissão da Verdade e Reconciliação.
Hurtado foi preso em março do ano passado por violar as leis migratórias dos EUA. Havia fugido para Miami em 2002, quando, por decisão da Corte Inter-Americana de Direitos Humanos, o Estado peruano derrogou a lei de anistia do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que beneficiava os membros da repressão.
Informadas sobre sua prisão, as vítimas iniciaram gestões para processá-lo, com ajuda do organismo não-governamental Centro de Justiça e Responsabilidade (CJA em sua sigla em inglês). Se o juiz aceitar a demanda civil, ficará aberta a possibilidade de que Hurtado enfrente um processo penal.
Ochoa estava depondo quando o magistrado Jordan interrompeu para anunciar que Hurtado tinha chegado. Então, dirigiu-se ao acusado para informá-lo de que não estava obrigado a escutar o depoimento das testemunhas. O major optou por retirar-se.
"Foi embora porque é covarde", disse Ochoa. "Não manifestou arrependimento nem vergonha. Nem sequer olhou para nós. Quando notei que estava acorrentado, fiquei cheia de alegria. Disse para mim mesma: Finalmente o assassino começou a pagar suas culpas!", acrescentou.
"Não senti nenhuma pena de ver ele assim, vestido de presidiário e com correntes. Você já começou a pagar pelo que fez, eu dizia por dentro. O que sim me causou muita tristeza foi lembrar desse dia horrível em que mataram e queimaram meus familiares e meus conterrâneos", afirmou Pulido.
Na próxima semana, as duas mulheres viajarão até Accomarca para contar ao seu povo a boa notícia sobre o julgamento contra Hurtado.
"Vou dizer aos meus conterrâneos que a espera não foi em vão. Que o assassino Hurtado já está preso e que não vai sair livre até pagar por todo o mal que nos fez", disse Ochoa, sem poder conter o pranto. "Pensei que este sofrimento nunca ia acabar".
"Eu queria dizer para ele: você matou minha mãe e meus irmãozinhos Gerardo, Víctor, Ernestina, Celestino e Edwin, que só tinha um ano", acrescentou Ochoa.
A advogada das vítimas, Karim Ninaquispe, que também viajou até Miami para presenciar a audiência, disse que na primeira semana de março o juiz já poderia dar a sentença e que ela espera que seja favorável.
"As testemunhas comoveram com seu devastador relato sobre como ocorreu o brutal assassinato. Elas escaparam do fogo dos fuzis e das granadas. Viram como agiram os militares", explicou Ninaquispe.
O CJA expressou sua confiança em que o tribunal irá se pronunciar a favor de abrir o processo solicitado pelas sobreviventes de um dos piores crimes da guerra contra o grupo insurgente maoísta Sendero Luminoso (1980-2000). Durante o governo de Fujimori, Hurtado recebeu uma condenação branda na justiça militar e, em vez de ser expulso do exército, foi ascendido e condecorado. Depois, ainda se beneficiou da anistia.
Ninaquispe apontou que Hurtado, em uma tentativa de viciar a audiência e diminuir sua credibilidade, disse ao tribunal que não sabia para que tinha sido chamado. O militar alegou que não tinha dinheiro para pagar por sua defesa e buscou amparo na Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que concede aos réus o direito de não depor contra si mesmos. "Eu pensei que 22 anos depois dos fatos de sangue, Hurtado ia expressar alguma forma de arrependimento ou contrição. Achava que, sabendo da presença de duas vítimas, ia pedir perdão a todo o povo de Accomarca através de Teófila e Cirila. Não fez nada disso", disse Ninaquispe. "Pelo contrário, apresentou-se aparentando soberbia, desafiante, arrogante. Era uma forma de ocultar seu medo, o medo da possibilidade cada vez mais próxima de receber a condenação que merece", acrescentou.
Diante da eventualidade de uma sentença desfavorável, Ninaquispe aspira a que as autoridades norte-americanas deportem Hurtado para o Peru, para que lá ele enfrente um julgamento no Terceiro Juizado Supranacional de Direitos Humanos, conduzido pelo magistrado Armando Salvador Neyra.
Na audiência de Miami também ofereceu seu testemunho o ex-senador Javier Diez Canseco, que fez parte da comissão investigadora do caso Accomarca. Lembrou que Hurtado disse que a ordem que havia recebido era "capturar e eliminar" e que isso foi o que fez.
"Hurtado também reconheceu que ordenou que os prisioneiros, entre os quais havia crianças, fossem trancados em uma casa, onde foram assassinados a tiros, e que ele lançou uma granada para incendiar o lugar", relatou Diez Canseco. Soluçando, Ochoa comentou que "não vamos a recuperar a vida dos nossos familiares, mas queremos dar a eles a dignidade da justiça".
"Nem o abandono, a marginalização ou a impunidade nos derrotaram durante 22 anos. Ter visto Hurtado preso nos encheu de esperança. Em breve haverá menos dor em nosso povo", concluiu Pulido.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14828

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Immanuel Wallerstein, o critico da globalização, lança "O universalismo europeu" no Brasil *

“Immanuel Wallerstein destaca-se como um dos maiores críticos da globalização capitalista e da política internacional dos Estados Unidos, ao lado de intelectuais como Noam Chomsky e Pierre Bourdieu.” – Luiz Alberto Moniz Bandeira

A retórica das potências dominantes para justificar seu império é o tema deste novo livro do sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein. Como os poderosos criam narrativas e conceitos que justificam ataques com interesses econômicos e geopolíticos contra outros países? Com apresentação de Luiz Alberto Moniz Bandeira, a obra analisa, entre outros casos, as raízes da mentalidade dos neoconservadores na defesa da Guerra do Iraque e os paradoxos, limites e contradições das chamadas “intervenções humanitárias”, como as que ocorreram em Kosovo e a missão que o Brasil hoje lidera no Haiti; além da farsa do conceito conhecido como “choque de civilizações”.

O “universalismo europeu” do título é o falso universalismo, em torno das idéias igualitárias da modernidade, como direitos humanos e democracia, usadas, no entanto, para reafirmar uma pretensa superioridade dos países do eixo ocidental (Europa–Estados Unidos), que justificaria suas intervenções militares. No primeiro capítulo, “Quem tem o direito de intervir?”, Wallerstein parte de um debate ocorrido na Espanha, no século XVI, logo após a descoberta da América, entre Bartolomé de las Casas e Juan Ginés de Sepúlveda. Ambos discutiram sobre que direito tinham os conquistadores espanhóis contra os povos indígenas. Para Wallerstein, desde Sepúlveda, defensor de massacres em nome da cristianização, as bases da defesa de intervenções militares são as mesmas. E suas razões de fundo, naquele caso a tomada das riquezas das terras do novo mundo, também. A luta de Las Casas no interior da Corte espanhola para mostrar que o mal infligido pela guerra era muito maior que o pretenso bem de suas justificativas, estava condenada porque questionava a maneira como o próprio poder imperial se legitima e se estrutura.

No segundo capítulo, o autor mostra de que modo o Orientalismo foi usado no período colonial para estabelecer uma relação de superioridade cultural com sociedades complexas, e em muitos casos de raízes muito mais antigas que a ocidental, da Ásia e do norte da África. Retoma a importância da luta anticolonial contra o Orientalismo e a trajetória de dois intelectuais fundamentais – o egípcio Anouar Abdel-Malek e o palestino Edward Said – no desmonte do “particularismo essencialista” que, por meio de estereótipos e de generalizações, caracteriza o outro sempre como o atrasado e assim retira seu direito à autodeterminação.

Wallerstein estuda ainda a separação entre o humanismo e o saber científico na academia, o que gerou o “último e mais poderoso dos universalismos europeus”: o científico, a ciência como verdade. A produção do saber desligada de objetivos do bem comum, com a universidade como ator do mercado e legitimadora acrítica do poder. A superioridade técnica de um povo sobre outro entendida como direito de dominação.

No último capítulo, Wallerstein discute o papel do intelectual no mundo de hoje, em um sistema capitalista que o autor considera em crise final. Diante do risco de um novo mundo ainda mais cruel, desigual, e hierárquico, Wallerstein analisa os becos sem saída do pós-modernismo, e a necessidade e as possibilidades da construção de um universalismo não-europeu, mas de fato universal, para uma outra ordem mundial.

Sobre o autor Immanuel Wallerstein nasceu em Nova York (Estados Unidos), em 1930. É doutor em Sociologia pela Universidade Columbia, onde lecionou. Foi também professor na Universidade McGill (Canadá) e na Universidade Binghamton, em sua cidade natal. Desde 2000, é pesquisador-sênior do Departamento de Sociologia da Universidade Yale. Estudioso do marxismo e crítico do capitalismo global, é uma das principais referências teóricas dos movimentos antiglobalização.

Recolha de Martinho Júnior/Adaptação PU

http://pagina-um.blogspot.com/2007/08/livro-de-wallerstein-grande-critico-da.html

* Título de Mercosul & CPLP