Mostrando postagens com marcador Terena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Terena. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Brasil/“CHEGA DE TUTELA, CHEGA DE AUTORITARISMO”: Indígenas denunciam militarização da Funai no MS à ONU e cobram Ministério da Justiça

11 novembro 2016, Conselho Indigenista Missionário-CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)





por Tiago Miotto (DF)

Durante uma semana de muita mobilização, os povos indígenas foram surpreendidos nesta quinta (10) pela nomeação do coronel reformado do Exército Renato Vida Sant’Anna para a coordenação regional da Funai em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Além de militar, Sant'Anna é fazendeiro e sua nomeação foi apoiada pelos ruralistas do estado, onde há uma das situações mais agudas de violência contra indígenas por parte de fazendeiros e suas milícias.

Ainda na tarde de ontem, indígenas do povo Terena ocuparam a sede da Funai em Campo Grande, responsável pelo atendimento das terras indígenas Água Limpa, Buriti, Buritizinho, Cachoeirinha, Guató, Kadiwéu, Lalima, Limão Verde, Nioaque, Nossa Senhora de Fátima, Ofayé-Xavante, Pilad Rebuá e Taunay/Ipegue.

Na tarde desta sexta (11), lideranças dos povos Avá Canoeiro, Krahô, Xerente e Apinayé, do Tocantins, Aikana, Cassupá, Puruburá, Migueleno, Kujubin, Wayoro, Sakyrabiat, Karitiana, Mamaidê-Nambikuara, Uru Eo, Guarasugne, Cabixi e Kwaza, de Rondônia, e Guarani Kaiowa, Guarani Nhandeva, Terena e Kinikinau, do Mato Grosso do Sul, entregaram uma carta direcionada ao

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Brasil/Indígenas dão continuidade a protestos interrompidos pela violência policial

29 maio 2014, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Natasha Pitts


As manifestações que tiveram início em Brasília (DF) na última segunda-feira, 26 de maio, e foram reprimidas violentamente pela polícia nesta terça-feira, 27, já recomeçaram. Cerca de 500 indígenas juntamente com entidades sociais de apoio estão cercando, desde as 8h desta quinta-feira, 29, o Ministério da Justiça a fim pressionar o ministro José Eduardo Cardozo. A intenção das lideranças indígenas é conseguir marcar uma audiência e apresentar suas demandas, que não são novas ou desconhecidas para o poder público. Os movimentos sociais também darão continuidade na sexta-feira, 30, às manifestações.
"Hoje, existem 36 procedimentos de demarcação parados só esperando para serem assinados, por isso, nesda Mobilização Nacional Indígena estão sendo reivindicadas as demarcações, a suspensão de

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Brasil/UM ANO APÓS A DRAMÁTICA CARTA DOS GUARANI KAIOWÁ NADA MUDOU



28 novembro 2013, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra--MST http://www.mst.org.br (Brasil)


Ruy Sposati
Do Cimi


Mais de um ano depois da dramática carta da aldeia-acampamento Pyelito Kue, na fronteira do Mato Grosso do sul com o Paraguai, os Guarani Kaiowá lançam novo documento denunciando a sistemática omissão do governo federal na demarcação das terras indígenas do Mato Grosso do Sul.

"Nós queremos que eles [governo brasileiro] cumpram a sua palavra. Eles falam que vão fazer. Nós já ficamos esperando. E eles não estão cumprindo, não estão chegando e não vem para demarcar a nossa terra", afirma o novo documento.

Frente às declarações públicas de fazendeiros sobre financiamento de seguranças privados para reagir às retomadas indígenas, os Kaiowá de Pyelito Kue afirmam que não desistirão da luta pela demarcação de Pyelito, e que não esperarão mais "de braços cruzados", afirma a comunidade na nova carta. "Nós gritamos que esgotou a nossa paciência (...). Imediatamente precisamos ocupar de volta nosso tekoha".

Os indígenas exigem a presença da Força Nacional e da Polícia Federal para garantir sua segurança, mas concluem: "se houver algum pedido de liminar ou reintegração de posse, já vamos deixar bem claro que a guerra será declaratoriamente (sic)".

Nada mudou
Dois anos após a retomada de 1 hectare de seu território tradicional, pouca coisa mudou na vida da comunidade. Continuam sem escola, sem saúde e sem terra para plantar, confinados entre fazendas de gado, debaixo de barracos de lona.

Em 8 de janeiro, a Fundação Nacional do Índio (Funai) aprovou as conclusões dos estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena Iguatemipegua I, que abrange os Tekohá - terras tradicionais - Mbarakay e Pyelito Kue, reconhecendo como de ocupação tradicional do povo Guarani Kaiowá uma área de 41,5 mil hectares.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Brasil/Terena: Ônibus escolar indígena é incendiado em Miranda



28 novembro 2013, CIMI--Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)

Inserido por: Administrador em 28/11/2013.
Fonte da notícia: Assessoria Cimi/MS

 

Ruy Sposati, de Campo Grande (MS)



Um ônibus que realizava transporte de alunos Terena foi incendiado, na madrugada desta quinta-feira, 28, em Miranda (MS), região do Pantanal. O ônibus levava diariamente cerca de 30 estudantes do ensino fundamental e médio de toda a terra indígena Cachoeirinha. O veículo estava vazio. Ninnguém ficou ferido. Indígenas temem que o ataque esteja relacionado às ameaças de fazendeiros da região.

O veículo estava estacionado na frente da casa do motorista, que presta depoimento à Polícia Civil na manhã de quinta. Segundo informações colhidas por lideranças de Cachoeirinha, o responsável pelo veículo acredita que o ônibus tenha sido intencionalmente incendiado com

sábado, 23 de novembro de 2013

Brasil/CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF SOBRE AS AMEAÇAS E ATAQUES DE RURALISTAS CONTRA POVOS INDÍGENAS: INTERVENÇÃO FEDERAL NO MATO GROSSO DO SUL JÁ



21 novembro 2013, CIMI--Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)
Fonte da notícia:
Cimi - Conselho Indigenista Missionário


À
Presidenta Dilma Rousseff

Desde a morte de Oziel Terena, assassinado por forças policiais durante o cumprimento de uma reintegração de posse na terra indígena Buriti em maio deste ano, uma série de acontecimentos tem colocado em risco a segurança e a vida das comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Em sua guerra particular contra os povos indígenas, fazendeiros tem se manifestado de forma cada vez mais agressiva no discurso e na ação contra estes povos.

Estimulado por declarações violentas e preconceituosas de fazendeiros e seus representantes no Mato Grosso do Sul, o conflito chega a um estado de recrudescimento que exige de nós, organizações indígenas e indigenistas, vir a público mais uma vez denunciar a situação urgente e gravíssima dos povos originários do estado, e exigir uma intervenção federal imediata no Mato Grosso do Sul, de modo a evitar mais uma tragédia anunciada no Brasil.

Em Campo Grande, durante a invasão da sede da Fundação Nacional do Índio por 150 produtores rurais, no dia 19 de novembro, uma fazendeira gritou, dirigindo-se a indígenas que estavam no local: "o dia 30 está chegando

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Brasil/NOTA DA XXXIV ASSEMBLÉIA DO CIMI MARANHÃO



28 junho 2013. Conselho Indigenista Missionário -- CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)

Fonte da notícia: Cimi - Regional Maranhão

Causa Indígena: “Quanto mais difícil o tempo, mas forte deve ser a esperança”
Dom Pedro Casaldáliga

O Conselho Indigenista Missionário, Regional Maranhão, reunido em sua XXXIV Assembléia, durante os dias 24 a 28 de junho, na cidade de São Luis, refletiu, entre outros temas, sobre os direitos da Mãe Terra, a partir da experiência da Constituição da Bolívia, bem como analisou a conjuntura política e indigenista nacional e regional. Nessa análise, constatou-se a apropriação do Estado pelo agronegócio com o objetivo de ampliar a concentração fundiária, promovendo o sacrifício dos povos da terra e dos direitos por estes conquistados.

A ofensiva do agronegócio pode ser percebida no âmbito dos três poderes da República, mas é no Legislativo onde aparece de forma mais ostensiva e agressiva: 214 deputados e 14 senadores da bancada ruralista, equivalente a 41,7% da Câmara e 17,3% do Senado, desconstroem direitos já consolidados como no caso do desmonte do Código Florestal. Agora pretendem aprovar um Código Rural que justifique o trabalho escravo;

terça-feira, 11 de junho de 2013

Brasil/CONTAG se solidariza à Comunidade Indígena Terena



6 junho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)
 
Fonte da notícia:
Diretoria da Contag

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) repudia a violência do Estado e do agronegócio contra a comunidade indígena Terena ocorrida na fazenda Buriti, em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.

Foi com profundo pesar que a CONTAG recebeu a notícia da morte do índio Terena, Oziel Gabriel, e de dezenas de índios feridos durante a trágica demonstração de força do Estado brasileiro sobre famílias desarmadas e indefesas

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Brasil/‘Y-JUCA-PIRAMA - O ÍNDIO: AQUELE QUE DEVE MORRER’



4 junho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Ivo Lesbaupin


Este é o título do "documento de urgência” assinado por um grupo de bispos e missionários divulgado em 1973. Estávamos no quarto ano do governo Médici, o pior período da ditadura civil-militar de 1964. O documento era uma denúncia da política indigenista do regime que, imbuído de uma concepção desenvolvimentista, de "Brasil Grande”, queria a todo custo construir o conjunto de estradas que atravessaria a Amazônia, a Transamazônica. Várias destas estradas cortavam terras indígenas. O governo lidou com este empecilho passando por cima dos povos indígenas que ousaram se contrapor a tais obras.

Os autores do documento afirmam: "Essa calamidade, porém, se justifica dentro da visão do sistema "pois o Parque Nacional do Xingu não pode impedir o progresso do país”, como afirmou o presidente da FUNAI, General Bandeira de Mello (Revista Visão, 25/04/1971)”. E mais adiante: "Referindo-se às diretrizes da FUNAI para 1972, (o General) voltou a ressaltar que o índio não pode deter o desenvolvimento” (O Estado de São Paulo, 26/10/1971).

A história parece estar se repetindo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Brasil/Marcha iniciada hoje (3) no Mato Grosso do Sul reivindica reforma agrária e fim dos conflitos de terra


3 junho 2013, 3 junho 2013, Conselho Indigenista Missionário -- CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)

Tatiana Félix

Indignados com o descaso do governo frente a tantos conflitos de terra envolvendo povos indígenas e quilombolas, e cansados da ausência de políticas de reforma agrária no Mato Grosso do Sul, movimentos sociais resolveram levantar suas bandeiras de luta e levar essas reivindicações para as estradas com a realização da Marcha dos Povos da Terra, iniciada nesta segunda-feira (3).

A atividade, que dá início às Jornadas Unitárias de Luta, começou na manhã de hoje no município de Anhanduí e já reúne cerca de 400 participantes. A expectativa é que pelo menos mil pessoas se somem à marcha que chegará à capital do estado, Campo Grande, entre quarta e quinta-feira.

Brasil/Antropólogos brasileiros divulgam Manifesto sobre demarcação de terras indígenas



3 junho 2013, Conselho Indigenista Missionário -- CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)

De maneira flagrantemente parcial, a mídia brasileira tem criminalizado a regularização fundiária de terras habitadas por populações indígenas no país. Para resumir os alarmantes argumentos, a ideia mais comum veiculada é a de que esses processos são artifícios fraudulentos, que transformariam "terras produtivas” e de "gente que trabalha”, em "reservas indígenas”. Para bom entendedor, meia palavra basta, como é de domínio popular.

O que se anuncia é que terras "produtivas” serão tornadas "improdutivas” e, paralelamente a isso, "gente que trabalha” será como que "substituída” por "gente que não trabalha”, isto é, "índios” – como se os índios não trabalhassem ou produzissem. 

Esta metamorfose perversa é atribuída, em muitos casos, a um suposto concerto criminoso de forças nacionais e internacionais que atuariam em proveito próprio, tendo pouca ou nenhuma relação com os legítimos ocupantes das terras.

Não é de hoje que este tipo de conjunção suspeita de ideias aparece na opinião pública ou mesmo em documentos e outras manifestações formais relacionados a trâmites legais ou matérias igualmente cruciais à existência das populações indígenas.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Brasil/CONSELHO DISTRITAL DE SAÚDE INDÍGENA DE MATO GROSSO DO SUL - NOTA DE REPÚDIO



31 maio 2013, Conselho Indigenista Missionário -- CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)


O Conselho Distrital de Saúde Indígena do estado de Mato Grosso do Sul/CONDISI-MS, instância de Controle Social da Saúde Indígena, legalmente constituído de acordo com as Leis Orgânicas da Saúde, colegiado permanente e deliberativo, vem por meio desta Nota de Repúdio manifestar-se publicamente a sua indignação e tristeza por mais um guerreiro e líder indígena que foi covardemente assassinado nesta manhã (30/05/2013) no município de Sidrolândia/MS.

Dentre os diversos problemas vividos pelos povos indígenas em Mato Grosso do Sul, a questão territorial tem sido tema de debate pelo CONDISI por entender que é impossível ter saúde e qualidade de vida sem ter assegurado de forma legal e em quantidade satisfatória os territórios tradicionais que foram subtraídos dos povos indígenas em algum momento da história do nosso país.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Brasil/Jovem é primeira mulher indígena a tornar-se advogada em Mato Grosso do Sul



30 abril 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)


A jovem Kadiwéu Carla Mayara Alcântara Cruz foi aprovada na última prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e tornou-se a primeira advogada indígena de Mato Grosso do Sul. O estado tem a segunda maior população indígena do país - cerca de 72 mil pessoas de oito etnias diferentes. Atualmente, contando com Carla, há apenas quatro advogados indígenas. Ela foi a primeira mulher indígena a conseguir o título.

Filha de mãe Terena e pai Kadiwéu, a advogada nasceu e cresceu na aldeia Kadiwéu

quarta-feira, 11 de março de 2009

Brasil/Indígenas conquistam diploma universitário na PUC-SP

Ir. Beatriz Maestri e Vanessa Ramos - Cimi-SP

6 março 2009/Conselho Indigenista Missionário (CIMI) http://www.cimi.org.br

“Os que hoje estão se formando são lutadores de uma grande peleja, cuja vitória contou com o esforço de muita gente”. Com essas palavras o líder guarani Emerson abriu a cerimônia de formatura de 11 indígenas dos povos Pankararu, Kaingang e Krenak que aconteceu no dia 4 de março de 2009 na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo.
Os estudantes, que vivem em São Paulo, se formaram em cursos como pedagogia, ciências sociais, letras, ciências contábeis, turismo, enfermagem, mídias digitais e direito. Para eles, esta conquista é o começo de uma grande batalha, como afirmou Joel do povo Guarani: “Cada dia de nossa vida é um grande aprendizado. Não se está ganhando nada, é um direito nosso.”.
Os recém-formados integram o Programa Pindorama, criado em 2001, numa parceria entre a PUC, a Pastoral Indigenista e comunidades indígenas que vivem na capital, tendo em vista a inclusão dos jovens indígenas no ensino superior.
Ao longo desses anos, passaram pelo programa 109 indígenas das etnias Pankararé, Pankararu, Potiguara, Krenak, Atikum, Kaingang, Terena, Guarani Nhandeva, Guarani Mbyá, Pataxó e Xukuru. Destes, já se formaram 38 estudantes.
Uma das exigências do programa é que o aluno-bolsista participe de reuniões mensais, onde debatem os problemas enfrentados, mas que se tornou um espaço de formação. “Vários desses indígenas, sobretudo os nascidos em São Paulo, reencontraram ali suas etnias. E na universidade, novas cobranças surgiram criando a necessidade de eles conhecerem mais sobre o seu próprio povo e sobre sua história”, afirma Benedito Prezia, um dos coordenadores do Programa.
Se por um lado os indígenas conquistam um espaço no ensino superior, por outro, eles levam para dentro do meio universitário o debate sobre os conhecimentos tradicionais e qualificam sua ação na própria comunidade – em São Paulo ou nas aldeias de origem.
A Pankararu Rejane Aparecida Silva, recém formada em Direito, pretende especializar-se em Direitos Humanos para atuar na defesa dos povos indígenas. Ela quer enfrentar os problemas tanto em Pernambuco, de onde veio e onde há terras invadidas por posseiros, como na grande São Paulo, onde a maioria dos Pankararu vive em favelas. “A instrução recebida servirá para auxiliar no processo de emancipação de nossos povos, marginalizados há tantos séculos”, declara a líder.

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3712&eid=244

Ler tambem

Manifesto em favor de uma educação escolar indígena de qualidade
Propostas para as políticas de educação apresentadas pelo movimento indígenas e entidades indigenistas

Ministério Público no Amazonas ouve reclamações dos Sateré Mawé sobre educação
MPF cobrará o pagamento dos professores e o fornecimento de merenda e material às escolas da comunidade

Os Tupinambá e Pataxó Hã-Hã-Hãe ocupam Secretaria de Educação na Bahia
Após ação, secretaria volta a pagar os professores e fornecedores de transporte e merenda escolar

Organização denuncia descaso com educação indígena no Amazonas
Cerca de mil alunos de comunidades Sateré Mawé, em Barreirinha, poderão ficar sem aula nos próximos dias.

Documento sobre educação escolar indígena no Mato Grosso
Regional Mato Grosso denuncia precariedade da situação da educação escolar indígena no Estado

Documento: I Encontro Macro-Regional de Professoras e Professores Indígenas do Leste e Nordeste
Aldeia Vila de Cimbres Povo Xukuru do Ororubá - Pesqueira - PE

Professores indígenas reunidos em Rondônia
Cimi Rondônia

Conselho Nacional de Educação
Uma reunião para debater especialmente a questão indígena(março/2003)

III Assembléia Geral do Conselho dos Professores Indígenas da Amazônia (Copiam)
Documento Final retirado dos três dias de debate (março/2003)

O ensino superior para os povos indígenas
Posicionamento do Cimi quanto às propostas de ensino superior para os povos indígenas (Dezembro/2003)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Brasil/Terra Terena – do confinamento ao retorno

4 junho 2008/Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3250&eid=352

Enganou-se quem dizia que Terena não luta pela terra,

Enganou-se quem anunciou o fim integrado dos Terena,

“Do Índio ao Caboclo”,

Enganou-se quem sonhava o Terena submisso e submerso,

Engendrado nos meandros dos territórios urbanos,

Enganou-se, enfim, quem seu fim proclamou!

Retomando a Volta

Por questão de brevidade do escrito não vamos refazer o longo e tortuoso caminho das estratégias Terena, do Chaco ao Pantanal, dos serviços da guerra aos proclamas de paz, da terra livre à prisão dos confinamentos, das terras invadidas à territorialização ressignificada em qualquer espaço.

As estratégias Terena foram tecidas com muita habilidade e sabedoria, política e diplomacia, articulando audácia e autonomia. Não é por acaso que o movimento indígena emergente a partir das décadas de 60 e 70, tenha sua raiz e disputa inicial marcada pelos Terena. Não é por acaso que ele tenha se consolidado, enquanto organização, simultaneamente em Campo Grande e em Brasília. A União das Nações Indígenas nasceu em berço e disputa Terena. Dividiu-se com dois Terena presidentes: Marcos e Domingos Veríssimo.

Vamos olhar para o processo de lento rompimento dos confinamentos, aos estratégicos enfrentamentos com o sistema fundiário da monocultura, especialmente do agronegócio e do latifúndio fazendeiro. Todo esse processo de envolvimento e invasão dos pequenos espaços da produção agrícola Terena e do surgimento e avanço das vilas e cidades sobre as terras das aldeias e comunidades desse povo, obrigou os Terena a um tipo de competição em terrenos estranhos, particularmente nas periferias das cidades da região e em particular em Campo Grande.

Surgiu então a tese de que os Terena não mais lutam por terra, mas disputam os espaços com os não índios, da aldeia à academia, da roça à fábrica, do artesanato à industrialização, dos alimentos da roça aos pratos da casa e aos mercados. Desse processo surgiram movimentos, aldeias urbanas, especialmente em Campo Grande, onde existem inúmeros núcleos Terena nas periferias e três aldeias urbanas consolidadas – Marçal de Souza, Água Bonita e Darci Ribeiro.

Ledo engano quem pensou que estava traçado o destino Terena de uma “aculturação” que dissolvesse sua identidade no caldeirão da integração e miscigenação. Do Terena ao caboclo, do caboclo ao cidadão, o fim de uma nação! Essa era a proclamação dos arautos da homogeneização fulminante, que previam um Brasil sem índios até o ano 2000.

Nos últimos dez anos o povo Terena demonstrou que sua sabedoria e astúcia são capazes de provar a seus inimigos e opressores, de ontem e de hoje, que seus caminhos plurais são diversos dos preconizados pelas elites. Estão fortalecendo suas raízes, cultura e valores e retornando às terras das quais foram expulsos. Assim foi Limão Verde, Buriti, Chachoeirinha-Mãe Terra e agora Passarinho e Moreira.

Passarinho e a gaiola do confinamento

“O pessoal se cansou. A população se revoltou. Não agüenta mais”. Foi assim que uma das lideranças expressou a ação de retomada feita pela comunidade no dia 28 de maio. “Só tem umas dez famílias que conseguem fazer uma rocinha. O resto é obrigado ir para os canaviais, as usinas”.

Romper a prisão, a invasão, a gaiola, o confinamento. Essa foi a decisão tomada por um grupo expressivo dos quase cinco mil Terena vivendo em 159 hectares na periferia de Miranda a 200 km de Campo Grande, no pantanal sul matogrossense. Essa é a triste realidade a que estão submetidos. É um dos menores índices de terra por habitante indígena, no país.

A história dessa terra indígena não é diferente das demais da região. No início do século 20 o Serviço de Proteção ao Índio – SPI, destinou a um grupo de famílias Terena dois mil hectares, próximo ao vilarejo de Miranda. A vila se tornou cidade e avançou sobre a aldeia. Os dois mil hectares foram reduzidos a menos de 10% de sua área original. Uma estrada dividiu o terreno, ficando para a aldeia de Moreira 45 hectares e Passarinho com 114 hectares.

Sacramentou-se a invasão. Os Terena, dentro da política do “bom convívio com o não índio”, foram sendo espremidos, transformado-se hoje praticamente num “bairro bem arborizado”. As imensas e inúmeras mangueiras e outras árvores frutíferas, com algumas pequenas plantações de banana, feijão, milho, dentre outros, são hoje o cenário de uma “Terra Indígena tradicional”. Está dentro da área original boa parte da cidade e de vários bairros.

Tempo de solução

Em documento encaminhado ao presidente da Funai, eles afirmam que “a retomada mobilizou aproximadamente 300 famílias indígenas. A realidade é trágica. Estamos confinados em 114 hectares, que encontra lotada por aproximadamente cinco mil indígenas, na qual relatos dos nossos ancestrais essa área é de aproximadamente dois mil hectares”.

Perguntam: “Porque os estudos sobre a nossa terra foram arquivados?”. Depois relataram os estudos feitos na década de 80 e depois outro estudo feito pelo antropólogo Gilberto Azanha, já em 2000 e que também não foi concluído, nem publicado o relatório.

Não foi preciso andar muito na área para perceber o drama de mais uma das graves situações de terra indígena no Mato Grosso do Sul. São situações insustentáveis. E, a qualquer movimentação do grupo pelos seus direitos, não tardam as reações. Dois dias após o retorno em um pequeno espaço contíguo, da terra demarcada pelo SPI, a juíza local, Vânia de Paula Arantes, expediu a reintegração de posse. Num ato considerado ilegal pelo assessor jurídico do Cimi, que esteve com uma delegação dos índios do Mãe Terra no local, “pois em se tratando de terra indígena, a questão é de competência federal”, explica.

Uma delegação de lideranças da área foi a Brasília para solicitar encaminhamentos que dêem continuidade ao processo de regularização dessa terra indígena, junto à Funai.

Egon Heck

Coordenação regional Cimi - Campo Grande, 2 de junho de 2008

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3250&eid=352