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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Roma/Vaticano saúda movimentos populares do Brasil



7 junho 2016, Brasil de Fato https://www.brasildefato.com.br (Brasil)

Redação
 
Em carta, Cardeal Turkson relembra tarefas que Papa Francisco propôs durante encontro na Bolívia

Belo Horizonte, 7 de Junho de 2016 

"Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo 
com Papa Francisco" ocorreu entre os dias 2 e 4 de junho, 
em Mariana / Lidyane Ponciano / CUT-Minas

Em nome do Pontífice Conselho Justiça e Paz, o cardeal Peter K.A. Turkson enviou uma carta, direto do Vaticano, saudando movimentos reunidos em Mariana, entre os dias 2 e 4 de junho, no "Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco".  Na carta, ele afirma que o Brasil está vivendo um momento crítico, mas que vale a pena lutar por uma democracia plena e participativa.

Além disso, ele recorda as tarefas que o Papa Francisco propôs durante o encontro, em 2015, na Bolívia, que é colocar a economia a serviço dos povos, unir os povos por paz e justiça e cuidar da “Mãe-Terra”. “O Papa tem nos lembrado que

segunda-feira, 13 de julho de 2015

"ESTA ECONOMIA MATA. PRECISAMOS E QUEREMOS UMA MUDANÇA DE ESTRUTURAS", afirma o Papa Francisco

10 julho 2015, Instituto Humanitas Unisinos http://www.ihu.unisinos.br (Brasil)

"A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada. A propriedade, sobretudo quando afeta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo. Não basta deixar cair algumas gotas, quando os pobres agitam este copo que, por si só, nunca derrama. Os planos de assistência que acodem a certas emergências deveriam ser pensados apenas como respostas transitórias. Nunca poderão substituir a verdadeira inclusão: a inclusão que dá o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário", afirmou o Papa Francisco, num discurso considerado por lideranças dos movimentos populares como 'irretocável", proferido no Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra, no dia 09-07-2015.

Segundo o Papa, "os movimentos populares têm um papel essencial, não apenas exigindo e reclamando, mas fundamentalmente criando. Vós sois poetas sociais: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global".

Para ver o vídeo,

O DISCURSO HISTÓRICO DO PAPA FRANCISCO NA BOLIVIA

10 julho 2015, Pragmatismo Político http://www.pragmatismopolitico.com.br (Brasil)

Em discurso histórico, Papa Francisco pede perdão pelos crimes da Igreja durante a colonização da América, condena a "lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social", chama o capitalismo de 'ditadura sutil' e tece duras críticas ao monopólio dos meios de comunicação.

Francisco esteve na Bolívia reunido com cerca de 1.500 representantes de movimentos sociais de mais de 40 países nesta quinta-feira. O pontífice fez um discurso contra o sistema capitalista, o qual chamou de “ditadura sutil”, e pediu desculpas pelos crimes da Igreja contra indígenas na região. Ainda em Santa Cruz, visitou a prisão de Palmasola, a mais perigosa do país andino.

Capitalismo

Para o líder da Igreja Católica, o atual sistema global “que impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza (…) é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos…. E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra,

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

DECLARAÇÃO POLÍTICA DO ENCONTRO DA REDE DE INTELECTUAIS, ARTISTAS E MOVIMENTOS SOCIAIS EM DEFESA DA HUMANIDADE

22 dezembro 2014, Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

Passou pouco mais de uma semana sobre a realização deste Encontro. Mas verificaram-se desde então importantes acontecimentos que dizem respeito à zona do Caribe em particular. Acontecimentos que exigem não o afrouxamento mas o reforço da solidariedade com Cuba, com a Venezuela, com todos os países e povos da América Latina que conduzem uma árdua luta anti-imperialista.

Hoje mais que nunca a humanidade vive assédios e agressões de tal magnitude que põem em grave perigo a existência da nossa espécie. O próprio planeta chegou ao limite de sua capacidade para a reprodução da vida. Tal como já afirmara há dez anos o Comandante Chávez, no seu discurso de instalação do primeiro encontro mundial da nossa rede: Existe um caminho de destruição da vida e outro de salvação da humanidade.

Esse caminho de destruição da vida e da espécie humana é o que está seguindo o sistema capitalista mundial, cuja crise se aprofundou nos dez anos transcorridos. A mundialização neoliberal conduziu a uma disputa selvagem de recursos naturais e estratégicos através da guerra, da militarização das sociedades e das economias, da violação crescente e sistemática do direito internacional, cujas sequelas de

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Abya Yala, Patria Grande, Brasil/XII JOGOS DOS POVOS INDÍGENAS



30 outubro 2013, Ministério do Esporte http://www.esporte.gov.br (Brasil)


Entre os dias 8 e 16 de novembro, a cidade de Cuiabá se transformará na capital indígena das Américas. No Jardim Botânico, região do Sucuri, a 15 minutos do centro, estarão reunidos cerca de 1,6 mil representantes indígenas de 48 etnias brasileiras, entre homens, mulheres, jovens e sábios, para a 12ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas. Também se espera a presença de representações de 18 países amigos.

Organizados pelo Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC) e idealizados como uma iniciativa indígena, os Jogos são patrocinados pelo Ministério do Esporte e, neste ano, contam com o envolvimento dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Cultura, da Justiça e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, além de Infraero, Universidade Federal do Mato Grosso, governo do Mato Grosso e prefeitura de Cuiabá.

Criados em 1996, com apoio do então ministro do Esporte, Pelé, os Jogos dos Povos Indígenas têm o seguinte lema: “O importante não é competir, sim celebrar”.

Dois aspectos inéditos deverão ocorrer paralelamente aos jogos tradicionais, por sugestão dos coordenadores indígenas do ITC. O primeiro é

terça-feira, 13 de julho de 2010

Bolivia/Evo Morales quer que água seja declarada direito humano irrevogável

13 julho 2010/Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta segunda-feira (13) que seu governo apresentou perante as Nações Unidas um projeto de resolução para que o acesso à água seja um direito humano irrevogável.

Em entrevista coletiva no Palácio de Governo, Morales ressaltou que o direito à vida, incluído na carta de Direitos Humanos da ONU, "é impossível" sem a água. "Meu pedido, desde a Bolívia, aos presidentes e aos Governos dos cinco continentes que são parte das Nações Unidas, é que aprovem a água como direito humano", sentenciou.

O líder lembrou que a Constituição de seu país, promulgada no ano passado, já considera o acesso à água um direito da população boliviana, e agora espera que se faça o mesmo no organismo internacional.

Segundo Morales, isso ajudaria a cumprir com os Objetivos do Milênio para o ano 2015, entre os quais se encontra a dotação de água potável e saneamento em todo o mundo. "Seria totalmente contraditório para as Nações Unidas dizer que aprova como objetivo dotar o mundo de água potável e saneamento, e não declarar a água um direito humano", opinou.

Morales fez uma chamada aos movimentos sociais para que pressionem os Governos "que não querem debater". "Se a água continuar sendo um negócio privado, é uma forma de prejudicar os direitos humanos e por isso deve haver uma resolução para declarar a água um direito humano no mundo todo. (...) Em alguns países, infelizmente, ela está como um direito e negócio privado, quando deveria ser de serviço público", assegurou.

Morales explicou que, por causa da mudança climática, a falta de água afeta cada vez mais o mundo. "Sem água não podemos viver, estamos trabalhando para que a água seja declarada um direito humano", concluiu.

De acordo com o embaixador da Bolívia nas Nações Unidas, Pablo Solón, a falta de acesso à água potável e serviços de saneamento de qualidade provoca a morte de uma criança a cada oito segundos, a mais alta taxa de letalidade das patologias no planeta.

Para ele, o fato de a água não estar listada entre os direitos humanos obrigatórios tem permitido que as decisões políticas relacionadas ao tema sejam tratadas por instituições que não respondem aos Estados membros da ONU e não se aderem a suas normas. Portanto, “é muito importante que muitos Estados contribuam com esta resolução e que ela seja aprovada com a linguagem clara”, disse o embaixador.

A proposta boliviana faz parte de uma das medidas solicitadas na carta de motivos da I Conferência Mundial de Povos e Direitos da Mãe Terra, que aconteceu em abril na cidade de Cochabamba, na Bolívia.

O jornal boliviano Los Tiempos afirma que a solicitação lembra que quando se escreveu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, ninguém podia prever no dia no qual a água seria uma área de dificuldade, mas que agora não é um exagero dizer que a falta de acesso à água limpa é a maior violação aos direitos humanos no mundo. “O mundo precisa de um sinal claro que mostre que a água é um assunto prioritário”, disse Solón. (Com agências)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Brasil/Terra Terena – do confinamento ao retorno

4 junho 2008/Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3250&eid=352

Enganou-se quem dizia que Terena não luta pela terra,

Enganou-se quem anunciou o fim integrado dos Terena,

“Do Índio ao Caboclo”,

Enganou-se quem sonhava o Terena submisso e submerso,

Engendrado nos meandros dos territórios urbanos,

Enganou-se, enfim, quem seu fim proclamou!

Retomando a Volta

Por questão de brevidade do escrito não vamos refazer o longo e tortuoso caminho das estratégias Terena, do Chaco ao Pantanal, dos serviços da guerra aos proclamas de paz, da terra livre à prisão dos confinamentos, das terras invadidas à territorialização ressignificada em qualquer espaço.

As estratégias Terena foram tecidas com muita habilidade e sabedoria, política e diplomacia, articulando audácia e autonomia. Não é por acaso que o movimento indígena emergente a partir das décadas de 60 e 70, tenha sua raiz e disputa inicial marcada pelos Terena. Não é por acaso que ele tenha se consolidado, enquanto organização, simultaneamente em Campo Grande e em Brasília. A União das Nações Indígenas nasceu em berço e disputa Terena. Dividiu-se com dois Terena presidentes: Marcos e Domingos Veríssimo.

Vamos olhar para o processo de lento rompimento dos confinamentos, aos estratégicos enfrentamentos com o sistema fundiário da monocultura, especialmente do agronegócio e do latifúndio fazendeiro. Todo esse processo de envolvimento e invasão dos pequenos espaços da produção agrícola Terena e do surgimento e avanço das vilas e cidades sobre as terras das aldeias e comunidades desse povo, obrigou os Terena a um tipo de competição em terrenos estranhos, particularmente nas periferias das cidades da região e em particular em Campo Grande.

Surgiu então a tese de que os Terena não mais lutam por terra, mas disputam os espaços com os não índios, da aldeia à academia, da roça à fábrica, do artesanato à industrialização, dos alimentos da roça aos pratos da casa e aos mercados. Desse processo surgiram movimentos, aldeias urbanas, especialmente em Campo Grande, onde existem inúmeros núcleos Terena nas periferias e três aldeias urbanas consolidadas – Marçal de Souza, Água Bonita e Darci Ribeiro.

Ledo engano quem pensou que estava traçado o destino Terena de uma “aculturação” que dissolvesse sua identidade no caldeirão da integração e miscigenação. Do Terena ao caboclo, do caboclo ao cidadão, o fim de uma nação! Essa era a proclamação dos arautos da homogeneização fulminante, que previam um Brasil sem índios até o ano 2000.

Nos últimos dez anos o povo Terena demonstrou que sua sabedoria e astúcia são capazes de provar a seus inimigos e opressores, de ontem e de hoje, que seus caminhos plurais são diversos dos preconizados pelas elites. Estão fortalecendo suas raízes, cultura e valores e retornando às terras das quais foram expulsos. Assim foi Limão Verde, Buriti, Chachoeirinha-Mãe Terra e agora Passarinho e Moreira.

Passarinho e a gaiola do confinamento

“O pessoal se cansou. A população se revoltou. Não agüenta mais”. Foi assim que uma das lideranças expressou a ação de retomada feita pela comunidade no dia 28 de maio. “Só tem umas dez famílias que conseguem fazer uma rocinha. O resto é obrigado ir para os canaviais, as usinas”.

Romper a prisão, a invasão, a gaiola, o confinamento. Essa foi a decisão tomada por um grupo expressivo dos quase cinco mil Terena vivendo em 159 hectares na periferia de Miranda a 200 km de Campo Grande, no pantanal sul matogrossense. Essa é a triste realidade a que estão submetidos. É um dos menores índices de terra por habitante indígena, no país.

A história dessa terra indígena não é diferente das demais da região. No início do século 20 o Serviço de Proteção ao Índio – SPI, destinou a um grupo de famílias Terena dois mil hectares, próximo ao vilarejo de Miranda. A vila se tornou cidade e avançou sobre a aldeia. Os dois mil hectares foram reduzidos a menos de 10% de sua área original. Uma estrada dividiu o terreno, ficando para a aldeia de Moreira 45 hectares e Passarinho com 114 hectares.

Sacramentou-se a invasão. Os Terena, dentro da política do “bom convívio com o não índio”, foram sendo espremidos, transformado-se hoje praticamente num “bairro bem arborizado”. As imensas e inúmeras mangueiras e outras árvores frutíferas, com algumas pequenas plantações de banana, feijão, milho, dentre outros, são hoje o cenário de uma “Terra Indígena tradicional”. Está dentro da área original boa parte da cidade e de vários bairros.

Tempo de solução

Em documento encaminhado ao presidente da Funai, eles afirmam que “a retomada mobilizou aproximadamente 300 famílias indígenas. A realidade é trágica. Estamos confinados em 114 hectares, que encontra lotada por aproximadamente cinco mil indígenas, na qual relatos dos nossos ancestrais essa área é de aproximadamente dois mil hectares”.

Perguntam: “Porque os estudos sobre a nossa terra foram arquivados?”. Depois relataram os estudos feitos na década de 80 e depois outro estudo feito pelo antropólogo Gilberto Azanha, já em 2000 e que também não foi concluído, nem publicado o relatório.

Não foi preciso andar muito na área para perceber o drama de mais uma das graves situações de terra indígena no Mato Grosso do Sul. São situações insustentáveis. E, a qualquer movimentação do grupo pelos seus direitos, não tardam as reações. Dois dias após o retorno em um pequeno espaço contíguo, da terra demarcada pelo SPI, a juíza local, Vânia de Paula Arantes, expediu a reintegração de posse. Num ato considerado ilegal pelo assessor jurídico do Cimi, que esteve com uma delegação dos índios do Mãe Terra no local, “pois em se tratando de terra indígena, a questão é de competência federal”, explica.

Uma delegação de lideranças da área foi a Brasília para solicitar encaminhamentos que dêem continuidade ao processo de regularização dessa terra indígena, junto à Funai.

Egon Heck

Coordenação regional Cimi - Campo Grande, 2 de junho de 2008

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3250&eid=352