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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Abya Yala, Chile/La carta de 206 profesores de Derecho: "Nos comprometemos a que ninguna violación de DD.HH. quedará impune"



Escrito por  Judith Schönsteiner*


“Ante la grave crisis política y social que vive Chile y las violaciones a los derechos humanos que se han producido”.

Así se titula la carta firmada hoy por 206 académicos -decanas y decanos- de las principales escuelas de derecho del país que reaccionaron ante los casos de abusos policiales y militares que se han conocido tras cinco jornadas de protestas en el país.

“Como profesoras y profesores de derecho de diversas facultades del país y de diversas posturas políticas no podemos guardar silencio ante la situación actual que vive nuestro país”, dice el encabezado de la misiva.

Acto seguido sostienen que “condenamos las graves violaciones a los derechos humanos que se han constatado en diversos lugares del país. Hemos tenido noticia de hechos gravísimos que, con el transcurrir de los días, muestran patrones comunes. Exigimos que

terça-feira, 25 de junho de 2019

Brasil/A carta histórica de Lula ao embaixador Celso Amorim


24 de junho de 2019, 13:42, Brasil 247 https://www.brasil247.com (Brasil) https://www.brasil247.com/poder/a-carta-historica-de-lula-ao-embaixador-celso-amorim

"A pergunta que faço todos os dias aqui onde estou é uma só: por que tanto medo da verdade? A resposta não interessa apenas a mim, mas a todos que esperam por Justiça", escreveu o ex-presidente Lula ao embaixador Celso Amorim, chanceler de seus dois governos, numa carta que ficará para a História

247 O ex-presidente Lula divulgou, nesta segunda-feira 24, uma carta de significado histórico ao amigo e embaixador Celso Amorim. Nela, Lula relata as arbitrariedades a que vem sendo submetido, que já se tornaram escancaradas, e que atendem a inconfessáveis interesses internacionais. Leia, abaixo, a íntegra:

Querido amigo,

A cada dia fico mais preocupado com o que está acontecendo em nosso Brasil. As notícias que recebo são de desemprego, crise nas escolas e hospitais, a redução e até mesmo o fim dos programas que ajudam o povo, a volta da fome. Sei que estão entregando as riquezas do país aos estrangeiros, destruindo ou privatizando o que nossa gente construiu com tanto sacrifício. Traindo a soberania nacional.

É difícil manter a esperança numa situação como essa, mas o brasileiro não desiste nunca, não é verdade? Não perco a fé no nosso povo,

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Argentina/Presidenta de Madres de Plaza de Mayo es amenazada de muerte

21 noviembre 2016, La Jornada http://www.jornada.unam.mx (Mexico)

Stella Calloni
Corresponsal

TODO POR UNA CARTA EN QUE PIDIÓ AL PAPA AYUDA PARA ARGENTINA

Buenos Aires -- La presidenta de la Asociación de Madres de Plaza de Mayo, Hebe de Bonafini, denunció públicamente que la amenazaron de muerte en su casa, después de la carta que escribió al papa Francisco pidiendo ayuda ante el agravamiento de la situación social en el país, donde hay hambre, desempleo y miedo.

De Bonafini anunció este sábado en un video público que cuando la carta al Papa comenzó a circular por todos los medios, “me cortaron el teléfono celular y después empezaron a cortar el teléfono de mi casa. Pero a las 2:30 de la mañana sonó el portero eléctrico. Me levanto, voy con mucho miedo a atender y una voz me dice: ‘vieja de m…, hija de..., terminala, te vamos a reventar, te vamos vamos a matar, terminala con las cartas al Papa y

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Brasil/“CHEGA DE TUTELA, CHEGA DE AUTORITARISMO”: Indígenas denunciam militarização da Funai no MS à ONU e cobram Ministério da Justiça

11 novembro 2016, Conselho Indigenista Missionário-CIMI http://www.cimi.org.br (Brasil)





por Tiago Miotto (DF)

Durante uma semana de muita mobilização, os povos indígenas foram surpreendidos nesta quinta (10) pela nomeação do coronel reformado do Exército Renato Vida Sant’Anna para a coordenação regional da Funai em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Além de militar, Sant'Anna é fazendeiro e sua nomeação foi apoiada pelos ruralistas do estado, onde há uma das situações mais agudas de violência contra indígenas por parte de fazendeiros e suas milícias.

Ainda na tarde de ontem, indígenas do povo Terena ocuparam a sede da Funai em Campo Grande, responsável pelo atendimento das terras indígenas Água Limpa, Buriti, Buritizinho, Cachoeirinha, Guató, Kadiwéu, Lalima, Limão Verde, Nioaque, Nossa Senhora de Fátima, Ofayé-Xavante, Pilad Rebuá e Taunay/Ipegue.

Na tarde desta sexta (11), lideranças dos povos Avá Canoeiro, Krahô, Xerente e Apinayé, do Tocantins, Aikana, Cassupá, Puruburá, Migueleno, Kujubin, Wayoro, Sakyrabiat, Karitiana, Mamaidê-Nambikuara, Uru Eo, Guarasugne, Cabixi e Kwaza, de Rondônia, e Guarani Kaiowa, Guarani Nhandeva, Terena e Kinikinau, do Mato Grosso do Sul, entregaram uma carta direcionada ao

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Brasil/Aragão rebate Janot e classifica Lava Jato como "coerção processual"

14 setembro 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)


Em carta publicada no blog do jornalista Marcelo Auler, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão rebate duramente o discurso do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que durante a posse da ministra Cármen Lúcia à presidência do Supremo Tribunal Federal, em que atacou aqueles que criticam os abusos da Lava Jato.

Aragão classifica a postura de Janot como traição e lembra que os dois chegaram a compartilhar opiniões convergentes sobre o Ministério Público, e inclusive a de que tinham "consciência da inocência de José Genoino", contra quem Janot pediu a prisão logo no primeiro mês no cargo. 
Procurador-geral da República Rodrigo Janot
O ex-ministro reforçou as suas críticas à condução da Operação Lava Jato e disse ainda que Janot se calou sobre o golpe e demorou para afastar Cunha. 

"Na crítica à Lava Jato, entretanto, tenho sido franco e assumido, com risco pessoal de rejeição interna e externa, posições públicas claras contra métodos de extração de informação utilizados, contra vazamentos ilegais de informações e gravações, principalmente em momentos extremamente

sábado, 3 de setembro de 2016

Brasil/Lula envia carta a governantes para denunciar o golpe ao mundo

1º. setembro 2016, Vermelho Brasil http://www.vermelho.org.br (Brasil)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta a governantes do mundo todo essa semana para denunciar o golpe em curso. Na correspondência, enviada a todos os países com os quais o Brasil mantém relação, ele denuncia a investida de forças conservadoras para, "por meios escusos", comandar o Estado, "apossar-se do patrimônio nacional e desmontar a rede de proteção aos trabalhadores e aos pobres que foi ampliada e consolidada nos últimos treze anos".

"As forças conservadoras querem obter por meios escusos aquilo que não conseguiram democraticamente: impedir a continuidade e o avanço do projeto de desenvolvimento e inclusão social liderado pelo PT", diz o texto. A carta também foi encaminhada a ex-governantes com os quais ele dialogou durante seu período na presidência.

"Em oito anos no governo, Lula teve 168 encontros com chefes de estado e de governo em dezenas de países, recebeu governantes estrangeiros em 232 ocasiões, além de ter participado de 84 reuniões de cúpula multilaterais. Entre 2011 e 2015, Lula participou de 132 encontros com governantes e ex-governantes, mantendo sua intensa agenda de diálogo internacional", diz texto publicado

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Brasil/Não respeitar as urnas é desconhecer a democracia, diz Sabatella

30 agosto 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 A atriz Letícia Sabatella enviou uma carta aberta à Dilma Rousseff onde se manifesta, uma vez mais, em defesa da democracia e contra o golpe em curso. No documento, ela se diz tranquila em defender o mandato da presidenta, ao qual sempre fez oposição de esquerda, por acreditar que seria possível avançar mais nas conquistas sociais. Reconhece, porém, que o processo de impeachment evidenciou o quão difícil é trabalhar pelos mais pobres. 

Letícia afirma que os setores mais reacionários da sociedade, responsáveis pelo golpe, pretendem depor a presidenta não pelos seus erros, mas sim por seus acertos. “Como cidadã, carrego as decepções de quem esperava o empoderamento da agricultura familiar e a libertação do coronelismo. Mas acompanhando de perto todo esse processo, entendo a sua dificuldade política ao perceber como é composto o nosso Congresso Nacional e o quanto há de boicote, por parte da maioria dos nossos parlamentares, a uma verdadeira

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vaticano/Papa pede que Jogos Olímpicos tornem o Brasil "mais justo e seguro"



3 agosto 2016, Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br (Brasil)

Da Ansa Brasil



Durante a audiência geral desta quarta-feira (3), o papa Francisco manifestou o desejo de que os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, sirvam para tornar o Brasil um país "mais justo".

Um dia depois de ter dito que o esporte deve promover "a paz no mundo", o líder da Igreja Católica dedicou um pensamento especial à nação que abriga a Olimpíada deste ano, em meio a uma das mais graves crises de sua história recente.

"Para os brasileiros, que com sua alegria e hospitalidade características organizam a festa do esporte, desejo

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Roma/Vaticano saúda movimentos populares do Brasil



7 junho 2016, Brasil de Fato https://www.brasildefato.com.br (Brasil)

Redação
 
Em carta, Cardeal Turkson relembra tarefas que Papa Francisco propôs durante encontro na Bolívia

Belo Horizonte, 7 de Junho de 2016 

"Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo 
com Papa Francisco" ocorreu entre os dias 2 e 4 de junho, 
em Mariana / Lidyane Ponciano / CUT-Minas

Em nome do Pontífice Conselho Justiça e Paz, o cardeal Peter K.A. Turkson enviou uma carta, direto do Vaticano, saudando movimentos reunidos em Mariana, entre os dias 2 e 4 de junho, no "Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco".  Na carta, ele afirma que o Brasil está vivendo um momento crítico, mas que vale a pena lutar por uma democracia plena e participativa.

Além disso, ele recorda as tarefas que o Papa Francisco propôs durante o encontro, em 2015, na Bolívia, que é colocar a economia a serviço dos povos, unir os povos por paz e justiça e cuidar da “Mãe-Terra”. “O Papa tem nos lembrado que

domingo, 25 de outubro de 2015

Portugal/A CARTA QUE O EXPRESSO SE RECUSOU A PUBLICAR


Eugénio Rosa

A publicação deste texto tem um duplo interesse. Por um lado, a argumentação que coloca, desmonta argumentos da ofensiva em curso visando transformar a segurança social em mais uma área de negócio e fonte de lucro à custa de quem trabalha. Por outro, ilustra mais uma vez a forma como os meios de comunicação social assumem um papel inteiramente instrumental nessa ofensiva – como noutras -- ocultando, censurando e combatendo as opiniões inconvenientes. Como a recente campanha eleitoral mostrou de forma flagrante.

Ver o artigo em PDF http://www.odiario.info/b2-img/372015cartaexpresso.pdfhttp://www.odiario.info/b2-img/372015cartaexpresso.pdf


terça-feira, 7 de abril de 2015

CARTA DE ALBERT EINSTEIN ALERTANDO PARA O FASCISMO SIONISTA EM ISRAEL

3 abril 2015, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)
–- Carta enviada ao New York Times em 1948 em protesto contra a visita de Menachem Begin

por Albert Einstein



Universidade de Harvard, 4 de dezembro de 1948

Cartas ao Editor
New York Times

4 de dezembro de 1948

Aos editores do New York Times:

Entre os fenómenos políticos mais perturbadores da nossa época, está o aparecimento, no recém-criado estado de Israel, do "Partido da Liberdade" (Tnuat Haherut), um partido político muito parecido, na organização, nos métodos, na filosofia política e no apelo social, com os partidos nazis e fascistas. Formou-se a partir dos membros do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organização terrorista, de extrema-direita e chauvinista na Palestina.

A atual visita do líder deste partido, Menachem Begin, aos Estados Unidos, é obviamente calculada para

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Roger Waters, do Pink Floyd, faz apelo por boicote ao regime israelense



20 agosto 2013, Resistência http://www.zereinaldo.blog.br (Brasil)

O astro do Pink Floyd, Roger Waters, publicou uma esperada carta na qual insta seus colegas do rock and roll a boicotar Israel.

“Não necessitamos de controle mental”, Roger Waters no muro Israel-Palestina, 2006.

Na missiva, Waters explica que participa há sete anos da campanha “Boicote, Desinvestimento e Sanções contra o sistema israelense de ocupação, colonização e apartheid". Igualmente, o músico britânico assinala que refletiu sobre a publicação desta carta durante os últimos meses, informa o portal The Electronic Intifada.

Waters condena as violações dos direitos humanos pelo regime israelense e cita algumas das razões pelas quais, em sua opinião, esse regime deve sofrer boicote.

“Devido à incapacidade ou falta de vontade de nossos governos,

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Timor-Leste/Alta Comissária da ONU pede a Ramos-Horta que clarifique entrega de Bere à Indonésia

Díli, 6 setembro 2009 (Lusa) - A Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navanethem Pillay, pediu ao Presidente de Timor-Leste, Ramos-Horta, que clarifique as circunstâncias em que Maurtinus Bere, implicado no massacre da Igreja de Suai, foi entregue à Indonésia.

"Apreciaria que me fossem enviadas clarificações mais detalhadas das circunstâncias da libertação de Martinus Bere", solicita Navanethem Pillay, em carta enviada a Ramos-Horta, a que a Lusa teve hoje acesso.

Na missiva, a Alta Comissária salienta que os esforços de reaproximação entre os dois países não se podem sobrepor às obrigações internacionais a que Timor-Leste está vinculado.

"Aprecio o desejo de desenvolver relações saudáveis com a Indonésia e quero saudar o progresso que foi feito nessa área. Porém, confio que terá presente que o Governo de Timor-Leste não deve eximir-se às suas obrigações internacionais, em nome da cooperação bilateral", escreve a Alta Comissária.

Na carta enviada ao Chefe de Estado e datada de 02 de Setembro, aquela representante da ONU manifesta a sua "profunda preocupação" pelas informações que dão conta de que as autoridades timorenses libertaram Martinus Bere, acusado de crimes contra a humanidade, relacionados com o massacre de Suai, ocorrido em 1999.

"Esta decisão não só é extremamente lamentável, como terá consequências sérias para o apuramento de responsabilidades nos graves crimes que aconteceram em 1999", refere Navanethem Pillay, na carta enviada ao Presidente da República.

A Alta Comissária sublinha ainda que tal decisão contraria sucessivas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a responsabilização por crimes passados, ao mesmo tempo que garante que a ONU manterá uma posição firme no sentido de não haver impunidade para crimes graves, como os crimes de guerra, contra a Humanidade e genocídio.

Martinus Bere, referenciado por crimes graves pelas Nações Unidas, cometidos em Suai após ser conhecido o resultado da consulta popular de há 10 anos, foi preso pela Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) no dia 08 de Agosto, depois de ter passado a fronteira.

Permaneceu em prisão preventiva até dia 30, data em que se comemorou solenemente o 10.º aniversário do referendo que determinou a independência e nesse mesmo dia terá sido entregue às autoridades indonésias.

Na carta enviada ao Presidente da República, Pillay aproveita para "felicitar Timor-Leste na ocasião da celebração do 10.º aniversário da consulta popular de 30 de Agosto de 1999", lembrando o apoio do Alto Comissariado a Timor-Leste, no fortalecimento do Estado de Direito e incremento de uma sólida cultura de respeito pelos direitos humanos.

A Lusa tentou obter junto dos serviços da Presidência da República de Timor-Leste uma reacção à carta da Alta Comissária para os Direitos Humanos, o que ainda não foi possível.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

CARTAS PARAGUAIAS

Cartas paraguaias 7: A ARMADILHA DA DÍVIDA DE ITAIPU

No final de 1986, dois anos depois da Itaipu ter começado a operar, a dívida total era inferior a 15 bilhões de dólares

30 março 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Roberto Colman

Dois terços da tarifa da eletricidade de Itaipu estão compostos por amortização e juros da dívida que a binacional tem com a Eletrobrás e o Tesouro brasileiro. O Paraguai questiona esse passivo. Vejamos por quê.
No final de 1986, dois anos depois da Itaipu ter começado a operar, a dívida total era inferior a 15 bilhões de dólares. Analisando o quanto se pagou de amortização (para além dos juros) à Eletrobrás e ao Tesouro brasileiro até o final de 2008, segundo os balanços publicados pela binacional, veremos que foi um valor superior a 16 bilhões de dólares.
Porém, depois de todos esses pagamentos ao longo desses anos, nessa última data a dívida era de 19 bilhões, ou seja, superior a quando começou!!! Como foi possível isso, se havia sido amortizado (até 2008) mais do que se devia ao começar o pagamento das dívidas contraídas (em 1986)?
Como dissemos, Itaipu deve esses montantes à Eletrobrás e ao Tesouro brasileiro. Portanto, quando falamos que, da tarifa que a binacional cobra dos "compradores" (Eletrobrás e ANDE), dois terços vão para pagamento da dívida (amortizações e juros), isso significa que esse dinheiro (mais de dois bilhões de dólares a cada ano) vai diretamente aos cofres do Tesouro e da Eletrobrás. Sai por um lado, entra pelo outro.
Essa dívida “misteriosamente” inflada tem sido muito conveniente para certos interesses no Brasil. Faz com que “a tarifa seja cara”, mas que não afete seu “bolso”, já que o que paga "volta".
Mas, por que falamos em dívida “inflada”? Na próxima Carta, vamos explicar por que, no Paraguai, denunciamos a existência de uma "dívida espúria" e que, em diversas ocasiões, a direção da binacional (por iniciativa dos governos do Brasil nos anos 1980-90 e a cumplicidade dos governos do Paraguai desse período) manobrou para manter a armadilha da dívida, "crescente" porém “conveniente”.
Roberto Colman (rrcolmanf@yahoo.com), sindicalista e eletricitário paraguaio, integra a Frente Social e Popular (FSP) e a Coordenação Nacional pela Soberania e a Integração Energética (CNSIE) do Paraguai.


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Cartas paraguaias 6: O “PREÇO JUSTO” DA ENERGIA PARAGUAIA

Roberto Colman

Em Itaipu, a tarifa (o preço que a binacional cobra da Eletrobrás e da ANDE, que é a empresa de eletricidade paraguaia) é igual ao “custo” de produzir essa energia

25 março 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

O Paraguai tem direito a receber um “preço justo” pela sua parte da energia da Itaipu que vende ao Brasil. Mas não é isso que ocorre hoje. Para entender como se coloca o problema, precisamos detalhar como funciona a hidrelétrica, de acordo com o Tratado firmado entre os dois países.
Em Itaipu, a tarifa (o preço que a binacional cobra da Eletrobrás e da ANDE, que é a empresa de eletricidade paraguaia) é igual ao “custo” de produzir essa energia. Nesse “custo”, somam-se, por exemplo, os de operação da usina, como os “financeiros” (o pagamento da dívida contraída para sua construção), entre outros itens. E, quando o Brasil recebe energia da parte paraguaia, paga um adicional em conceito de “compensação por cessão de energia” (ver quadro). Ou seja, Itaipu, segundo o Tratado, opera “fora do mercado”: vende sua energia pelo seu custo, “independentemente” de qual seja o preço de mercado.
Esse princípio foi aplicado de acordo às conveniências das empresas elétricas brasileiras. E, sempre que necessário, por iniciativa dos governos brasileiros dos anos 1980-90 (e com a cumplicidade dos governos paraguaios desses períodos), o Tratado foi violado nesse ponto. Em vários anos, as empresas elétricas não pagaram a tarifa devida.
Mas vejamos como se está operando essa questão hoje, e o que o Paraguai reivindica. Em primeiro lugar, chama a atenção que 65% da tarifa é para pagamento da dívida (juros e amortizações) que Itaipú tem com Eletrobras e o Tesouro Brasileiro.(Voltaremos a esses dois pontos quando falarmos da dívida de Itaipu).
Mas, com todo esse custo “inflado”, quando o Paraguai “cede” sua energia de Itaipu por um valor igual ao “custo Itaipu + compensação”, esse valor está abaixo do preço do mercado elétrico, seja brasileiro, seja regional.
Isso se deve ao fato de que a “compensação” é um valor chutado, arbitrário, fixado em fórmula de 1973. Na negociação ocorrida em Brasília em 26 de janeiro de 2009, os negociadores brasileiros propuseram duplicar esse valor, que chegaria a mais de duzentos milhões de dólares por ano (hoje é algo acima de cem milhões).
Porém, estudo realizado por técnicos paraguaios mostra que, se houver um ajuste no valor da “compensação” para que a Eletrobrás pague o “preço justo”, esse item deveria ir a quase 800 milhões de dólares (não o dobro, mas oito vezes mais). Isso considerando o mercado elétrico brasileiro.
Para que se veja como, em termos de mercado, a Eletrobrás paga muito abaixo do que deveria, agreguemos que o governo paraguaio recebeu, recentemente, oferta do Chile de compra de energia de outra represa totalmente paraguaia (Acaray) por um valor que leva embutido um beneficio (equivalente à “compensação”) que é 22 vezes o que o Paraguai recebe hoje do Brasil pela “energia cedida”! Quer dizer, no mercado regional de eletricidade, paga-se muito mais ainda!
Resumindo, ao “ceder” sua energia de Itaipu à Eletrobrás por um valor igual ao “custo + compensação”, o Paraguai está subsidiando as empresas brasileiras do setor elétrico e as grandes indústrias que utilizam essa energia (fundamentalmente as grandes empresas de São Paulo). O país pequeno e economicamente mais atrasado subsidiando o país grande e mais industrializado: alguém pode justificar isso!?

Cálculo do Custo de Itaipu (em milhões de dólares) em 2007
pagamento da dívida (amortização e juros) 2.085
royalties aos dois países 428
despesas de funcionamento 643
rendimento de 12% ao ano sobre o capital
integralizado por ANDE e Eletrobrás 44
Custo Total 3.200
O Custo Unitário se calcula dividindo esse valor pelo total de “energia garantida” (75.000 Gwh/ano), dando um valor de 42,7 dólares por MWh.
O Brasil, quando recebe energia da parte paraguaia, ainda paga “compensação pela cesão de energia”, um total de 104 milhões de dólares, ou 2,7 por MWh, o que significa que a tarifa para o Brasil é de 45,4 dólares por MWh.

Para ler mais:
Hugo Lesme e Verónica Echauri, “Justo Precio”. ABC Color, 21 de dezembro de 2008.
SICOM / Presidencia de la República del Paraguay. “Itaipu, a energia de dois povos”. Janeiro, 2009

Roberto Colman (rrcolmanf@yahoo.com), sindicalista e eletricitário paraguaio, integra a Frente Social e Popular (FSP) e a Coordenação Nacional pela Soberania e a Integração Energética (CNSIE) do Paraguai.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/cartas-paraguaias-7-a-armadilha-da-divida-de-itaipu

Leia mais:
Cartas paraguaias 1: Um agradecimento e nosso projeto comum
Cartas paraguaias 2: Um Tratado de duas ditaduras
Cartas paraguaias 3: Uma usina que primeiro gerou corrupção
Cartas paraguaias 4: A soberania de cada país sobre seus recursos: uma bandeira comum?
Cartas paraguaias 5: Defendemos nossa soberania junto com a integração regional