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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Vaticano/EIS A ÍNTEGRA DO HISTÓRICO DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS MOVIMENTOS POPULARES

14 noviembre 2016, Pravda.ru http://port.pravda.ru (Rússia) 

Eis a íntegra do histórico discurso do Papa Francisco aos Movimentos Populares


Irmãs e irmãos, boa tarde.

Neste nosso 3º Encontro expressamos a mesma sede, a sede de justiça, o mesmo grito: terra, teto e trabalho para todos.

Agradeço a todos os delegados que vieram das periferias urbanas, rurais e industriais dos cinco continentes, de mais de 60 países, para discutir, mais uma vez, sobre como defender estes direitos que nos convocam. Obrigado aos bispos que vieram para acompanhá-los. Obrigado aos milhares de italianos e europeus que se uniram hoje ao encerramento deste encontro.

Obrigado aos observadores e aos jovens comprometidos com a vida pública que vieram com humildade escutar e aprender. Quanta esperança tenho nos jovens! Agradeço também a você, senhor cardeal Turkson, pelo trabalho que fez no dicastério; e gostaria também de recordar a contribuição do ex-presidente José Mujica, que está presente.

No último encontro, na Bolívia, com maioria de latino-americanos, falamos da necessidade de uma mudança para que a vida seja digna, uma mudança de estruturas; além disto, de como vocês, os movimentos populares, são semeadores desta mudança, promotores de um processo em que convergem milhares de pequenas e grandes ações criativamente concatenadas, como em uma poesia; por isso quis chamá-los "poetas sociais"; e elencamos também algumas tarefas imprescindíveis para caminhar em direção a uma alternativa humana diante da globalização da indiferença: 1. colocar a economia a serviço dos povos; 2. construir a paz e a justiça; 3. defender a Mãe Terra.

Naquele dia, na voz de uma carrinheira e de um agricultor, fez-se a leitura das conclusões dos dez pontos de Santa Cruz de la Sierra, onde a palavra mudança era repleta de grande conteúdo, era ligada às coisas fundamentais que vocês reivindicam: trabalho digno para aqueles que são excluídos do mercado de trabalho; terra para os camponeses e povos originários; moradia para as famílias sem teto; integração urbana para os bairros populares; eliminação da discriminação, da violência contra as mulheres e as novas formas de escravidão; o fim de todas as guerras, do crime organizado e

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Roma/Vaticano saúda movimentos populares do Brasil



7 junho 2016, Brasil de Fato https://www.brasildefato.com.br (Brasil)

Redação
 
Em carta, Cardeal Turkson relembra tarefas que Papa Francisco propôs durante encontro na Bolívia

Belo Horizonte, 7 de Junho de 2016 

"Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo 
com Papa Francisco" ocorreu entre os dias 2 e 4 de junho, 
em Mariana / Lidyane Ponciano / CUT-Minas

Em nome do Pontífice Conselho Justiça e Paz, o cardeal Peter K.A. Turkson enviou uma carta, direto do Vaticano, saudando movimentos reunidos em Mariana, entre os dias 2 e 4 de junho, no "Encontro Brasileiro de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco".  Na carta, ele afirma que o Brasil está vivendo um momento crítico, mas que vale a pena lutar por uma democracia plena e participativa.

Além disso, ele recorda as tarefas que o Papa Francisco propôs durante o encontro, em 2015, na Bolívia, que é colocar a economia a serviço dos povos, unir os povos por paz e justiça e cuidar da “Mãe-Terra”. “O Papa tem nos lembrado que

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Brasil/POR QUE O CONGRESSO BRASILEIRO É TÃO RUIM?



20 maio 2016, Rede Brasil Atual http://www.redebrasilatual.com.br (Brasil)

porEmir Sader, para Revista do Brasil publicado

Não se poderá avançar sem desarticular a maioria de direita existente hoje e sem eleger uma maioria parlamentar progressista

Os Congressos brasileiros nunca tiveram boa fama com o povo. A própria mídia, responsável pela eleição de Congressos ruins, se encarrega de desmoralizá-los, assim como a politica, o Estado e os governos. Quanto mais fracos, mais força terá o mercado e a própria mídia, como tutores dos governos.

As estruturas politicas tradicionais no Brasil sempre se apoiaram nos parlamentares eleitos nos seus estados por meio de ações despolitizadas, de distribuição de benesses, de formação de associações fajutas, de cooptação de lideranças locais, de organização de redes de apoio baseadas nas vantagens materiais. Suas lideranças são locais, a partir das quais se elegem para os parlamentos estaduais ou nacionais, onde se perpetuam, em partidos sem identidade ou naqueles que vivem de negociar seu apoio aos governos, de que o PMDB é o exemplo clássico.

Uma análise da composição do Congresso demonstra que eles são exatamente o oposto do que deveriam ser: enquanto o Executivo é eleito pelo ­voto majoritário, quem

domingo, 22 de maio de 2016

Brasil/UMA CONVOCAÇÃO NACIONAL: VIRADA JÁ!



19 maio 2016, ADITAL Agência de Informação Frei Tito para América Latina http://site.adital.com.br (Brasil)










  

em Teologia Moral (Assunção - SP), Professor aposentado de Filosofia da UFG

"Devemos dizer não a uma economia da exclusão e da 
desigualdade social”. "Essa economia mata”."O sistema 
social e econômico é injusto em sua raiz”. "É um mal 
embrenhado nas estruturas”.  
(Papa Francisco. Alegria do Evangelho - EG, 53 e 59).

No dia 19 de abril passado, em reunião com a direção do PT, Lula reconheceu os erros que cometeu na composição de alianças. Antes tarde do que nunca! Pessoalmente, já sabia desses erros desde o primeiro dia do primeiro mandato do Lula: 1º de janeiro de 2003.

Desde aquela época, o PT, vislumbrado pelo poder ou -- como diz Frei Betto -- "picado pela mosca azul”, abandonou o seu projeto político popular e fez alianças com forças políticas que defendem -- a qualquer custo e com qualquer meio -- o projeto do sistema capitalista neoliberal, que é "um sistema econômico iníquo”

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Brasil/Sabatella vai ao papa pela democracia no Brasil



10 maio 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)


A atriz brasileira Letícia Sabatella e a juíza Kenarik Boujikian Felippe, do Tribunal de Justiça de São Paulo, encontraram o papa Francisco nesta segunda-feira 9 para falar da atual situação do Brasil; o encontro ocorreu na Casa Santa Marta, residência do pontífice; "A partir desta perspectiva dos movimentos populares, foi solicitado que o papa ouvisse o que os movimentos gostariam de dizer sobre o que está acontecendo no Brasil neste momento", relatou a juíza; já a atriz chamou a atenção para a necessidade de tolerância; "Esse clima de intolerância é

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Brasil/Contra golpe, Frente Brasil Popular conclamaato para dia 16

8 dezembro 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Em reunião na noite desta segunda-feira (7) em São Paulo, entidades integrantes da Frente Brasil Popular convocou todos os movimentos sociais a se mobilizarem contra o golpe, em defesa da democracia. A grande mobilização nacional está marcada para o dia 16 de dezembro (quarta-feira). Em nota, a Frente explica os motivos de serem contra contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Pois "não paira nenhuma acusação ou suspeita de crime, desonestidade ou ilegalidade". 

 

Regiane Oliveira Contra golpe, Frente Brasil Popular 

conclama ato para dia 16


Nota da Frente Brasil Popular

NÃO VAI TER GOLPE!

Os setores golpistas da direita através de um grupo de parlamentares, liderados pelo deputado Eduardo Cunha, querem o impeachment da Presidenta da República.

A maioria do povo brasileiro, através das centrais sindicais, dos movimentos populares, dos estudantes, das organizações de juventude, mulheres, negros, LGBT, indígenas, das pastorais das igrejas, da intelectualidade democrática, bem como

domingo, 6 de dezembro de 2015

Brasil/UM DESQUALIFICADO ETICAMENTE MANDA A JULGAMENTO UMA MULHER ÍNTEGRA E ÉTICA

4 dezembro 2015, Carta Maior EDITORIAL http://www.cartamaior.com.br (Brasil)



Leonardo Boff*

Eduardo Cunha mente tão perfeitamente que não parece mentira as mentiras que repete sempre.


O Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é acusado de graves atos delituosos: de beneficiário da Lava-Jato, de contas não declaradas na Suiça, de mentiras deslavadas como a última numa entrevista coletiva ao declarar que o Deputado André Moura fora levado pelo Chefe da Casa Civil Jacques Wagner a falar com a Presidenta Dilma Rousseff para barganhar a aprovação da CPMF em troca da rejeição da admissibilidade de um processo contra ele no Conselho de Ética. Repetidamente afirmou que a Presidenta em seu pronunciamento mentiu à nação ao afirmar que jamais se submeteria à alguma barganha política.

Quem mentiu não foi a Presidenta, mas o deputado Eduardo Cunha. Seu incondicional aliado, o deputado André Moura, não esteve barganhando com a Presidenta Dilma, como o testemunhou o ministro Jacques Wagner. Vale enfatizar: quem mentiu ao público brasileiro foi Eduardo Cunha. Imitando Fernando Pessoa diria: Ele, mentiroso, mente tão perfeitamente que não parece mentira as mentiras que repete sempre.

É mentira que seu julgamento foi estritamente técnico. Pode ser técnico em seu texto, mas é mentiroso em seu contexto. O técnico nunca existe isolado, sem estar ligado a um tempo e a um interesse. É o que nos ensinam os filósofos críticos. Ele deslanchou o processo de impeachment contra a Presidenta exatamente no momento em que, apesar de todas as pressões e chantagens sobre o Conselho de Ética, soube que na votação perderia pois os três representantes do PT acolheriam a aceitação de um processo contra ele, o que poderia, depois, significar a sua condenação.

O que fez, foi um ato de vindita reles de quem perdeu a

Brasil/TODOS CONTRA O GOLPE: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Governadores do Nordeste, Trabalhadores Rurais Sem Terra, Trabalhadores Sem Teto, Igrejas Cristãs do Brasil, Intelectuais, Estudantes, Movimentos Populares*

5 dezembro 2015, 4 dezembro 2015, Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br (Brasil)
*Título de Mercosul & CPLP + BRICS

Brasil/Sem-terra e sem-teto se posicionam contra impeachment e pedem cassação de Cunha

Entidades classificam decisão de Eduardo Cunha, de aceitar o pedido de impeachment, como chantagem e como uma forma de garantir seus interesses pessoais.

Diversos movimentos populares se posicionaram contrários à aceitação do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

Os movimentos avaliam que Cunha tenta se livrar das acusações de corrupção contra ele na Comissão de Ética da Câmara e, para isso, utiliza o instrumento do impeachment para interesses próprios.

“Ao utilizar as atribuições de presidente da Câmara para garantir sua própria defesa nos processos que já deveriam ter significado sua cassação e prisão, este senhor desmoraliza o parlamento e as instituições democráticas”, afirmou, em nota, a Central dos Movimentos Populares (CMP).

 O aumento do conservadorismo na sociedade, caso um processo de impeachment seja levado à frente, é uma das preocupações apontadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
“As forças políticas que apoiam o impeachment são as mesmas que idolatram figuras como Cunha e Bolsonaro e pedem a volta da ditadura militar. Neste cenário, o impeachment significaria o fortalecimento da ofensiva conservadora e do caldo de intolerância que tem marcado a atuação destes setores”, diz a nota do movimento.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifestou sua defesa ao mandato de Dilma, mas exige que a presidenta assuma o programa que a elegeu nas últimas eleições.

“Salientamos a necessidade de

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

BRASILEIROS NAS RUAS PARA DEFENDER A DEMOCRACIA E REPUDIAR TENTATIVA DE GOLPE











Brasil/Movimentos populares se unem no dia 20 em ato “a favor da liberdade, democracia e direitos”

18 agosto 2015, Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br (Brasil)

Da Redação

A manifestação “contra ofensiva conservadora” contará com o apoio de centrais sindicais, movimentos populares, estudantis e entidades religiosas.

Diversas organizações estão convocando uma manifestação unificada para o próxima quinta-feira (20) .O ato organizado por movimentos populares tem como foco denunciar as atuais políticas de austeridade do governo federal, a “guinada conservadora” comandadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e afirmar que “a saída da crise é pela esquerda”. A mobilização ocorrerá em todo o país.

A crítica contra o ajuste fiscal pede “que os ricos paguem pela crise”, como informa o manifesto que convoca o protesto, apontando, também, a taxação de grandes fortunas, dividendos e remessas de lucros e auditoria da dívida pública como alternativas para aliviar a economia.

O documento defende ainda que a saída da crise “deverá ser pela esquerda”, e convoca a população para lutar por reformas:“é preciso enfrentar a estrutura de desigualdades da sociedade brasileira com uma plataforma popular”, enfatiza o texto.

O ato é assinado por diversas organizações, entre elas entidades religiosas, grupos estudantis, coletivos, movimentos por moradia e centrais sindicais.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Brasil/DE SEXTA A DOMINGO, O MESMO RECADO: OU O GOVERNO APOSTA NA RUA, OU A RUA ENGOLE O GOVERNO

14 março 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

As mobilizações desta sexta-feira mostraram que o PT deve perder o medo das ruas. Mais que perder o medo. Apostar nelas.


Se existe aprendizado em política, as mobilizações registradas no Brasil nesta sexta-feira, 13, mas sobretudo, a passeata de cerca de 50 mil pessoas que tomou conta da avenida Paulista, em São Paulo debaixo de um temporal diluviano, não deve ser tratada com negligência.

Nem pela direita.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Paraguai/Tribunal Ético declarou Congresso paraguaio culpado

23 novembro 2012/Prensa Latina http://www.prensalatina.com.br (Cuba)

Assunção, 23 nov (Prensa Latina) O Tribunal Ético, que julgou o Congresso paraguaio por numerosas acusações, o declarou culpado por mau desempenho de suas funções e violar a Constituição Nacional.
O júri, conformado por personalidades que responderam ao chamado da Plataforma de Organizações Sociais pela Democracia para integrá-lo, emitiu seu veredito após analisar as acusações iniciais, às quais se agregaram as feitas por numerosas testemunhas.

O Parlamento também foi declarado responsável pelo uso despótico de instrumentos de controle a outras instituições estatais, ao premiar a subordinação de seus titulares às maiorias parlamentares e a seus financistas, existindo evidências de corrupção e de outros delitos.

Também foi considerado culpado de retrocessos e impactos políticos, econômicos e sociais para o Paraguai a nível nacional e internacional, como consequência da destituição arbitrária do presidente da República eleito constitucionalmente em abril de 2008.

Isso constituiu, agregou a sentença, uma grave irresponsabilidade institucional por sua política ativa de isolamento do país e debilitamento dos principais processos de integração regional.

Em meio aos aplausos de apoio da multidão reunida na praça da Democracia, lugar de realização do Julgamento Ético, o Tribunal declarou deputados e senadores pessoas não gratas.

Acusou-os de ter obtido proveito político da sangrenta expulsão de camponeses, ocorrido em junho passado, no departamento de Curuguaty, local no qual morreram 11 lavradores e seis policiais durante um episódio ainda sem completo esclarecimento.

Os presentes protagonizaram uma grande marcha pelo centro de Assunção, em solidariedade aos camponeses ainda presos devido a esses acontecimentos sem provas contra eles, que por sua vez realizam uma greve de fome há 58 dias, o que os colocou em perigo de morte.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Colômbia/DECLARAÇÃO PÚBLICA DAS FARC-EP SOBRE PRISIONEIROS E REFÉNS


27 fevereiro 2012/Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)




De cada vez que nós, FARC-EP, falamos de paz, de soluções políticas para o conflito, da necessidade de conversações para se encontrar uma saída civilizada para os graves problemas sociais e políticos que estão na origem do conflito armado na Colômbia, logo se levanta, exaltado, o coro dos amantes da guerra a procurar desvalorizar as nossos objectivos de reconciliação. São-nos de imediato atribuídas as mais perversas intenções, apenas para insistir em que a única coisa que merecemos é o extermínio. Os referidos incendiários, em geral, nem nunca entram na guerra nem deixam que os seus filhos lá vão.

Há quase 48 anos que é a mesma coisa. Cada uma das suas tentativas redundou num subsequente reforço da nossa parte, perante o qual volta a crescer a investida e a reiniciar-se o ciclo. O reforço militar das FARC de hoje salta à vista daqueles que proclamaram o “fim do fim”, e incita-os a proclamar a necessidade de aumentar o terror e a violência. Pela nossa parte, consideramos que não deve adiar-se a possibilidade de entabular negociações.

Por esse motivo queremos comunicar a nossa decisão de somar à libertação anunciada dos seis prisioneiros de guerra a dos outros quatro que estão em nosso poder. Agradecendo a generosa disponibilidade do governo presidido por Dilma Roussef, a qual aceitamos sem hesitar, queremos manifestar os nossos sentimentos de admiração para com os familiares dos soldados e polícias em nosso poder. Nunca perderam a fé em que os seus recuperariam a liberdade, mesmo enfrentando o desprezo e a indiferença dos vários governos e comandos militares e policiais.

Por respeito a eles, quereríamos solicitar à senhora Marleny Orjuela, essa incansável e valente mulher dirigente da ASFAMIPAZ, que venha recebê-los na data acordada. Para esse fim, anunciamos ao grupo de mulheres do continente que trabalham junto com Colombianas e Colombianos por la Paz que estamos prontos a realizar o que for necessário para agilizar este processo. A Colômbia inteira e a comunidade internacional serão testemunhas da vontade que venha a demonstrar o governo de Juan Manuel Santos, que já frustrou um final feliz em Novembro passado.

Muito se tem falado acerca da retenção de pessoas, homens ou mulheres da população civil, que as FARC temos efectuado como forma de obter recursos financeiros para sustentar a nossa luta. Com a mesma disposição que manifestámos acima, anunciamos igualmente que a partir desta data renunciaremos a essa prática na nossa actividade revolucionária. A parte relativa a esta matéria da lei 002 promulgada pelo nosso Plenário do Estado-Maior do ano 2000 fica por conseguinte revogada. É tempo de que comece a ficar clarificado quem e com que objectivo sequestra hoje na Colômbia.

Sérios obstáculos interpõem-se à concretização de uma paz concertada no nosso país. A arrogante decisão do governo de aumentar a despesa militar, a estratégia de força e as operações em desenvolvimento apontam para um prolongamento indeterminado da guerra.

Ela trará consigo mais morte e destruição, mais feridas, mais prisioneiros de guerra de ambos os lados, mais civis injustamente presos. E a necessidade de recorrer a outras formas de financiamento ou de pressão política pela nossa parte. É tempo de que o regime pense seriamente numa saída diferente, que encete ao menos um acordo de regularização do confronto e de libertação de presos políticos.

Desejamos finalmente exprimir a nossa satisfação pelos passos que vêm sendo dados no sentido da constituição de uma comissão internacional que verificará as denúncias sobre as condições infra-humanas de reclusão e o desrespeito pelos direitos humanos e de defesa a que estão sujeitos os prisioneiros de guerra, os objectores de consciência e os presos sociais nas cadeias do país. Esperamos que o governo colombiano não tema e não obstrua esta legítima iniciativa humanitária impulsionada pela comissão de mulheres do continente.

Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP
Montanhas de Colômbia, 26 de Fevereiro de 2002.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Brasil/Carta ao Povo: Juristas lançam manifesto defendendo governo Lula

27 setembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Um grupo de renomados juristas divulgou nesta segunda-feira (27) manifesto intitulado "Carta ao Povo Brasileiro", onde reafirmam o compromisso do governo Lula com a preservação e a consolidação da democracia no pais. Os juristas rebatem a tese do "autoritarismo e de ameaça à democracia" que setores da grande imprensa e a oposição vêm tentando imputar ao presidente Lula e ao seu governo, após o presidente ter feito críticas ao comportamento da mídia em relação à candidatura de Dilma Rousseff.

A iniciativa é uma resposta ao manifesto lançado por um outro grupo de juristas de direita, ligados ao PSDB e ao DEM, que lançaram texto a pedido dos empresários da mídia atacando o presidente Lula. (leia mais aqui)

"Nos últimos anos, com vigor, a liberdade de manifestação de idéias fluiu no País. Não houve um ato sequer do governo que limitasse a expressão do pensamento em sua plenitude. Não se pode cunhar de autoritário um governo por fazer criticas a setores da imprensa ou a seus adversários, já que a própria crítica é direito de qualquer cidadão, inclusive do Presidente da República", diz um trecho do documento, assinado por dezenas de personalidades do mundo jurídico, incluindo vários presidentes estaduais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O documento registra ainda que é preciso deixar o povo ""tomar a decisão dentro de um processo eleitoral legítimo, dentro de um civilizado embate de idéias, sem desqualificações açodadas e superficiais, e com a participação de todos os brasileiros".

Veja abaixo a íntegra do manifesto:

Em uma democracia, todo poder emana do povo, que o exerce diretamente ou pela mediação de seus representantes eleitos por um processo eleitoral justo e representativo. Em uma democracia, a manifestação do pensamento é livre. Em uma democracia as decisões populares são preservadas por instituições republicanas e isentas como o Judiciário, o Ministério Público, a imprensa livre, os movimentos populares, as organizações da sociedade civil, os sindicatos, dentre outras.

Estes valores democráticos, consagrados na Constituição da República de 1988, foram preservados e consolidados pelo atual governo.

Governo que jamais transigiu com o autoritarismo. Governo que não se deixou seduzir pela popularidade a ponto de macular as instituições democráticas. Governo cujo Presidente deixa seu cargo com 80% de aprovação popular sem tentar alterar casuisticamente a Constituição para buscar um novo mandato. Governo que sempre escolheu para Chefe do Ministério Público Federal o primeiro de uma lista tríplice elaborada pela categoria e não alguém de seu convívio ou conveniência. Governo que estruturou a polícia federal, a Defensoria Pública, que apoiou a criação do Conselho Nacional de Justiça e a ampliação da democratização das instituições judiciais.

Nos últimos anos, com vigor, a liberdade de manifestação de idéias fluiu no País. Não houve um ato sequer do governo que limitasse a expressão do pensamento em sua plenitude.

Não se pode cunhar de autoritário um governo por fazer criticas a setores da imprensa ou a seus adversários, já que a própria crítica é direito de qualquer cidadão, inclusive do Presidente da República.

Estamos às vésperas das eleições para Presidente da República, dentre outros cargos. Eleições que concretizam os preceitos da democracia, sendo salutar que o processo eleitoral conte com a participação de todos.

Mas é lamentável que se queira negar ao Presidente da República o direito de, como cidadão, opinar, apoiar, manifestar-se sobre as próximas eleições. O direito de expressão é sagrado para todos – imprensa, oposição, e qualquer cidadão. O Presidente da República, como qualquer cidadão, possui o direito de participar do processo político-eleitoral e, igualmente como qualquer cidadão, encontra-se submetido à jurisdição eleitoral. Não se vêem atentados à Constituição, tampouco às instituições, que exercem com liberdade a plenitude de suas atribuições.

Como disse Goffredo em sua célebre Carta: “Ao povo é que compete tomar a decisão política fundamental, que irá determinar os lineamentos da paisagem jurídica que se deseja viver”. Deixemos, pois, o povo tomar a decisão dentro de um processo eleitoral legítimo, dentro de um civilizado embate de idéias, sem desqualificações açodadas e superficiais, e com a participação de todos os brasileiros.


ADRIANO PILATTI - Professor da PUC-Rio

AIRTON SEELAENDER - Professor da UFSC

ALESSANDRO OCTAVIANI - Professor da USP

ALEXANDRE DA MAIA - Professor da UFPE

ALYSSON LEANDRO MASCARO - Professor da USP

ARTUR STAMFORD - Professor da UFPE

CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO - Professor Emérito da PUC-SP

CEZAR BRITTO - Advogado e ex-Presidente do Conselho Federal da OAB

CELSO SANCHEZ VILARDI - Advogado

CLÁUDIO PEREIRA DE SOUZA NETO - Advogado, Conselheiro Federal da OAB e Professor da UFF

DALMO DE ABREU DALLARI - Professor Emérito da USP

DAVI DE PAIVA COSTA TANGERINO - Professor da UFRJ

DIOGO R. COUTINHO - Professor da USP

ENZO BELLO - Professor da UFF

FÁBIO LEITE - Professor da PUC-Rio

FELIPE SANTA CRUZ - Advogado e Presidente da CAARJ

FERNANDO FACURY SCAFF - Professor da UFPA e da USP

FLÁVIO CROCCE CAETANO - Professor da PUC-SP

FRANCISCO GUIMARAENS - Professor da PUC-Rio

GILBERTO BERCOVICI - Professor Titular da USP

GISELE CITTADINO - Professora da PUC-Rio

GUSTAVO FERREIRA SANTOS - Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco

GUSTAVO JUST - Professor da UFPE

HENRIQUE MAUES - Advogado e ex-Presidente do IAB

HOMERO JUNGER MAFRA - Advogado e Presidente da OAB-ES

IGOR TAMASAUSKAS - Advogado

JARBAS VASCONCELOS - Advogado e Presidente da OAB-PA

JAYME BENVENUTO - Professor e Diretor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Católica de Pernambuco

JOÃO MAURÍCIO ADEODATO - Professor Titular da UFPE

JOÃO PAULO ALLAIN TEIXEIRA - Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco

JOSÉ DIOGO BASTOS NETO - Advogado e ex-Presidente da Associação dos Advogados de São Paulo

JOSÉ FRANCISCO SIQUEIRA NETO - Professor Titular do Mackenzie

LENIO LUIZ STRECK - Professor Titular da UNISINOS

LUCIANA GRASSANO - Professora e Diretora da Faculdade de Direito da UFPE

LUÍS FERNANDO MASSONETTO - Professor da USP

LUÍS GUILHERME VIEIRA - Advogado

LUIZ ARMANDO BADIN - Advogado, Doutor pela USP e ex-Secretário de Assuntos
Legislativos do Ministério da Justiça

LUIZ EDSON FACHIN - Professor Titular da UFPR

MARCELLO OLIVEIRA - Professor da PUC-Rio

MARCELO CATTONI - Professor da UFMG

MARCELO LABANCA - Professor da Universidade Católica de Pernambuco

MÁRCIA NINA BERNARDES - Professora da PUC-Rio

MARCIO THOMAZ BASTOS - Advogado

MARCIO VASCONCELLOS DINIZ - Professor e Vice-Diretor da Faculdade de
Direito da UFC

MARCOS CHIAPARINI - Advogado

MARIO DE ANDRADE MACIEIRA - Advogado e Presidente da OAB-MA

MÁRIO G. SCHAPIRO - Mestre e Doutor pela USP e Professor Universitário

MARTONIO MONT'ALVERNE BARRETO LIMA - Procurador-Geral do Município de
Fortaleza e Professor da UNIFOR

MILTON JORDÃO - Advogado e Conselheiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

NEWTON DE MENEZES ALBUQUERQUE - Professor da UFC e da UNIFOR

PAULO DE MENEZES ALBUQUERQUE - Professor da UFC e da UNIFOR

PIERPAOLO CRUZ BOTTINI - Professor da USP

RAYMUNDO JULIANO FEITOSA - Professor da UFPE

REGINA COELI SOARES - Professora da PUC-Rio

RICARDO MARCELO FONSECA - Professor e Diretor da Faculdade de Direito da
UFPR

RICARDO PEREIRA LIRA - Professor Emérito da UERJ

ROBERTO CALDAS - Advogado

ROGÉRIO FAVRETO - ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

RONALDO CRAMER - Professor da PUC-Rio

SERGIO RENAULT - Advogado e ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

SÉRGIO SALOMÃO SHECAIRA - Professor Titular da USP

THULA RAFAELLA PIRES - Professora da PUC-Rio

WADIH NEMER DAMOUS FILHO - Advogado e Presidente da OAB-RJ

WALBER MOURA AGRA - Professor da Universidade Católica de Pernambuco

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

COM A CRISE, LUTAS SOCIAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR

Para o jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues, os trabalhadores vão pagar a fatura da crise. Em contrapartida, segundo ele, os movimentos de massa, principalmente nos países da União Européia e nos Estados Unidos, tendem a ganhar força

Nilton Viana, da Redação

24 novembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br/

A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Essa é a convicção do jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano fala sobre a grave crise desencadeada a partir do Império estadunidense, que já provoca efeitos perversos em todo o mundo. Ele vislumbra um futuro próximo de grandes sofrimentos para a humanidade, sofrimentos que, segundo Urbano, serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação. É categórico ao afirmar: os trabalhadores vão pagar a maior fatura dessa crise. Mas é otimista. Para ele, grandes movimentos de massa devem surgir, principalmente nos países da União Européia e nos Estados Unidos.
Brasil de Fato – O mundo inteiro vive um drama com a crise financeira desencadeada a partir do centro do império. Tem se dito que essa crise ainda está apenas começando e que ela tende a se agravar. Na sua avaliação, qual é a dimensão dessa crise? É apenas mais uma das tantas que o capitalismo já produziu? O neoliberalismo foi derrotado?
Miguel Urbano Rodrigues – Esta crise é estrutural, e não cíclica como as anteriores. Do sistema fi nanceiro, alastrou para a economia real, e dos Estados Unidos, passou à Europa e à Ásia Oriental. Ela tende a agravar-se muito. E o seu desfecho é por ora imprevisível. Uma certeza: o neoliberalismo, glorificado como a ideologia definitiva que assinalaria “o fim da História”, fracassou. Hayek [Friedrich August von Hayek] é enterrado e Keynes [John Maynard Keynes] ressuscita.

O senhor disse que se trata de uma crise estrutural. As medidas anunciadas até agora alteram a atual estrutura desse processo?

Por ser uma crise estrutural, e não apenas cíclica como as anteriores – confirmando previsões de autores marxistas como Istvan Meszaros e Georges Labica –, as medidas tomadas pelos governos do G-8, transformados em bombeiros do capital, são apenas paliativos. A recuperação das bolsas e do dólar geram a ilusão de que tudo vai voltar rapidamente à normalidade, entendida esta como um refl orescimento do capitalismo sob um novo figurino. Tal convicção é enganadora. A economia real nos EUA, no Japão e na União Européia vai continuar a afundar-se em proporções no momento imprevisíveis. Os despedimentos maciços em dezenas de gigantescas transnacionais, os apelos angustiados dos grandes da indústria automóvel e aeronáutica à ajuda estatal e o encerramento de milhares de empresas ligadas à construção e ao comércio funcionam como espelho da gravidade e complexidade de uma crise de muito longa duração.

O senhor acredita que os Estados Unidos, como potência imperialista, saem derrotados dessa crise ou se fortalecem ainda mais?

Os Estados Unidos, pólo hegemônico do sistema do capital, saem enfraquecidos. Mas enquanto o atual sistema monetário subsistir, com o dólar como moeda de referência mundial, os custos da crise serão distribuídos. Os Estados Unidos são o país mais endividado do mundo (a dívida já iguala o PIB do país). Mas o privilégio de emitir a moeda em que é faturado o petróleo – o produto-chave no comércio internacional – tem adiado um desfecho de bancarrota.
Um sistema midiático perverso e desinformador, dominado no fundamental por grandes transnacionais estadunidenses, ocultou, por exemplo, que grande parte do chamado “resgate” de 700 bilhões de dólares será pago por países da Ásia, nomeadamente a China e o Japão, principais compradores dos Títulos emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos. Somente a China possui cerca de 1.300 bilhão de dólares em reservas e bônus do Tesouro. Se os trocassem por outras moedas, os EUA iriam à falência. Mas a China também, porque a sua economia depende muito das exportações para os Estados Unidos.
Que avaliação o senhor faz das conseqüências desse cenário para a América Latina?
No momento, a maioria das previsões sobre as conseqüências da crise para a América Latina são no fundamental do domínio da especulação. Mas essas conseqüências serão certamente graves. Os Estados Unidos são o principal mercado para as exportações da América Latina, em alguns casos com mais de 50%. No plano político, a estratégia de Washington terá de ser revista. É previsível uma redução da agressividade contra a Venezuela bolivariana e contra o governo de Evo Morales (Bolívia). As manobras conspirativas persistirão, mas a nova administração utilizará outra linguagem.

Em todo o mundo, temos a impressão de que a classe trabalhadora está apenas assistindo a crise. O senhor compartilha da idéia de que vivemos um perído de descenso do movimento de massa e essa crise veio num momento muito ruim para os trabalhadores?

É minha convicção de que, pelo contrário, as lutas sociais tendem a intensifi car-se, sobretudo nos países da União Europeia e nos Estados Unidos, porque os trabalhadores vão pagar a fatura maior da crise. O movimento de massas ganha amplitude na Europa. Por exemplo, no dia 8 de novembro, 120 mil professores (80% da categoria profissional) desfi laram em Lisboa, Portugal, protestando contra a política educacional do governo reacionário de Sócrates.

Como em toda crise, há sempre saídas. As elites já estão tratando de encontrar suas saídas. Quais os rumos que a esquerda deve buscar?

A situação é dilemática porque todas as saídas são, na aparência, más. A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Mas o capitalismo não vai acabar em data próxima, e o socialismo é, por ora, aspiração distante. As tentativas orientadas para a humanização do capitalismo (como é o caso de governos como o Lula, no Brasil; os Kirchner, na Argentina; Tabaré, no Uruguai) são perversas, por enganarem o povo com a cumplicidade de forças e partidos progressistas. Vão fracassar. Grandes sofrimentos – essa é outra certeza – esperam a humanidade no futuro próximo. Sofrimentos que serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação.

Nesses períodos de crise, quem paga a conta são sempre os trabalhadores. Teremos novamente de pagar a conta? O senhor acredita ser possível unir os proletários do mundo e encontrar saídas ou as soluções tendem a ser isoladas?

A crise coloca os povos por ela atingidos, nomeadamente na Europa Ocidental, perante uma situação dilemática. A relação de forças, da Suécia à Itália, de Portugal à Grécia, não abre a possibilidade de que a crise atual desemboque em rupturas revolucionárias. Mas, simultaneamente, a transformação profunda das sociedades da União Européia, moldadas e oprimidas pelo capitalismo, não é possível pela via institucional, dita pacífi ca. A burguesia nunca entrega o poder sem uma confrontação final com as forças do progresso. Sejamos realistas.
No caso português, fora do contexto de uma crise de proporções continentais, os partidos que representam o capital continuarão a vencer todas as eleições. A alternância no governo do PS e do PSD ilustra bem o controle que a classe dominante exerce sobre os mecanismos eleitorais da impropriamente chamada democracia representativa, que na prática funciona como ditadura da burguesia com máscara democrática. A crise do sistema financeiro mundial adquiriu as proporções de uma crise de civilização que atinge toda a humanidade. O seu desfecho é por ora imprevisível. A única certeza é a de que milhares de milhões de pessoas vão pagar a fatura da falência do capitalismo neoliberal e da ideologia a ele subjacente, enquanto os responsáveis pela crise pouco ou em nada serão afetados, no imediato, pelo naufrágio da monstruosa engrenagem por eles montada.

Em momentos como estes, o que fazer?

Lutar, lutar com energia redobrada. Não são apenas a falência do sistema fi nanceiro mundial, a recessão que alastra nos países do G-7, o encerramento de milhares de empresas em dezenas de países, que iluminam a gravidade e a fragilidade da crise estrutural do capitalismo. O sistema do capital dispõe de uma força enorme. Mas não pode mais funcionar de acordo com a sua lógica. Os EUA, pólo e motor do sistema, estão envolvidos em duas guerras perdidas no Oriente Médio e na Ásia Central. Na América Latina, desenvolvem-se processos de ruptura com a dominação imperial. Na Europa, anunciam-se num horizonte próximo grandes lutas inseparáveis das conseqüências da crise, que vai lançar milhões de trabalhadores no desemprego. No movimento da História,
a maré da contestação ao sistema tende a subir. Da luta dos povos, da fusão do particular e do geral, do nacional e do universal, depende que essas lutas adquiram um carácter torrencial, assumindo com o tempo dimensão planetária numa atmosfera de internacionalismo dinamizado pelas organizações e partidos revolucionários.

Como jornalista, como o senhor tem acompanhado a cobertura da mídia sobre a crise?

O sistema midiático apresenta uma frente única na difusão da mentira, nas explicações falsas da crise e nos remédios propostos para resolvê-la, todos orientados para a preservação do capitalismo. No discurso de sociólogos, economistas, historiadores, ministros e parlamentares chamados à televisão para esclarecer a “massa ignorante” da população, o povo não aparece como personagem. Está ausente. Os porta-vozes e epígonos caseiros do grande capital, cúmplices do caos financeiro e social que alastra pelo mundo, desprezam os trabalhadores. O panorama social da crise não é iluminado pela mídia, porque isso seria perigoso para os senhores da finança.

Nos Estados Unidos, Obama acaba de ganhar as eleições presidenciais. Como o senhor analisa essa vitória e o que pode mudar com o novo presidente?

É positivo que o povo estadunidense tenha optado por Obama, um presidente negro, com um discurso muito diferente do de seu adversário republicano. Mas não participo da euforia gerada em nível mundial pela vitória de Barack Obama. É um grande orador e um político hábil e inteligente. Mas aparece-me também como o produto de uma gigantesca e milionária campanha de marketing eleitoral. Não esqueçamos que Obama foi o candidato da Finança, dos grandes grupos transnacionais.
As suas primeiras iniciativas não justificam o entusiasmo que por aí vai. Para chefe de gabinete na Casa Branca, designou já um falcão, sionista, ex-voluntário na guerra do Golfo, um belicista inflamado. Obama afirma pretender “ganhar” a guerra do Afeganistão, defende uma política agressiva contra o Irã, afirma que manterá o bloqueio a Cuba. O vice Joe Binden antecipou uma evidência ao afirmar que as primeiras medidas do futuro presidente serão “muito impopulares”. Alguns dos assessores são republicanos de direita e clintonianos conservadores. A designação de Madeleine Albright como sua representante na Conferência dos 20 (G-20) é inquietante. Temo que Obama seja uma grande decepção para a humanidade progressista.

Quem é
Miguel Urbano Tavares Rodrigues é jornalista e escritor português. Redator e chefe de redação de jornais em Portugal antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal do jornal O Estado de S. Paulo e editor internacional da revista brasileira Visão. Regressado a Portugal, após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redação do jornal do Partido Comunista Português (PCP) Avante!, e diretor de O Diário. Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, presidente da Assembléia Municipal de Moura, deputado da Assembléia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado da Assembléias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última. Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/com-a-crise-lutas-sociais-tendem-a-se-intensificar