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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Abya Yala*/Como o Sínodo Panamazônico pode nos surpreender


07/10/2019 17:34, Carta Maior (Brasil) https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Mae-Terra/Como-o-Sinodo-Panamazonico-pode-nos-surpreender/3/45412

Por Leonardo Boff*

Entre os dias 6-27 de outubro acontecerá em Roma o Sínodo Panamazônico. Já em 1974 o Papa Paulo VI instituíu a figura do Sínodo, primeiro dos dos Bispos, com representantes de todos os continentes mas também os Sínodos regionais como o Sínodo dos Bispos holandeses em 1980 e o Sínodo dos bispos alemães que está ocorrendo em 2019 e outros.

O sínodo, cujo significado etimológico significa “fazer um caminho juntos” representa uma ocasião para as Igrejas locais ou regionais tomarem o pulso do caminhar de suas igrejas, analisando os problemas, identificando os desafios e buscando juntos caminhos de implementação e atualização do evangelho.

Especial relevância é o Sínodo Panamazônico, pois revela um duplo grau de consciência no próprio tema básico: “Novos caminhos para a Igreja e para a Ecologia integral”.Trata-se de definir um outro tipo de presença da Igreja nas Américas e especificamente nesta vasta região amazônica que recobre 9 países numa extensão de mais de 8 milhões de kilômetros quadrados. O outro grau de consciência

sábado, 6 de agosto de 2016

Brasil/DE TEMPOS EM TEMPOS A PLUTOCRACIA TENTA UM GOLPE



3 agosto 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)

Leonardo Boff*

A plutocracia brasileira (os 71.440 mil milhardários segundo o IPEA) possui pouca fantasia. Usa os mesmos métodos, a mesma linguagem, o mesmo recurso farisaico do moralismo e do combate à corrupção para ocultar a própria corrupção e dar um golpe na democracia e assim salvaguardar seus privilégios. Sempre que emerge uma democracia com abertura ao social se enchem de medo. Organizam um concluio de forças que envolve setores da política, do judiciário, do MPF, da PF e principalmente da imprensa conservadora e até reacionária como é o caso do conglomerado de O Globo. Assim fizeram com Vargas, com Jango e agora com Lula-Dilma.

Numa entrevista

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Brasil/A VOLTA REACIONÁRIA DA RELIGIÃO E DA FAMÍLIA



18 abril 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Leonardo Boff*

Poucas vezes se usou tanto o santo nome de Deus em vão quanto neste julgamento de exceção do Impeachment.

Observando o comportamento dos parlamentares nos três dias em que discutiram a admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff parecia-nos ver criançolas se divertindo num jardim da infância.
Gritarias por todo canto. Coros recitando seus mantras contra ou a favor do impedimento. Alguns vinham fantasiados com os símbolos de suas causas. Pessoas vestidas com a bandeira nacional como se estivessem num dia de carnaval. Placas com seus slogans repetitivos. Enfim, um espetáculo indigno de pessoas decentes de quem se esperaria um  mínimo de seriedade. Chegou-se a fazer até um bolão de apostas como se fora um jogo do bicho ou de futebol.

Mas o que mais causou estranheza foi a figura do presidente da Câmara que presidiu a sessão, o deputado Eduardo Cunha. Ele vem acusado de muitos crimes e é réu pelo Supremo Tribunal Federal: um gangster julgando uma mulher decente contra a qual ninguém ousou

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Brasil/Intelectuais pedem ao STF isenção no julgamento do impeachment

14 abril 2016, Sputnik Brasil http://br.sputniknews.com (Rússia)


Um grupo de 25 intelectuais brasileiros enviou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, uma carta na qual apelam "à isenção que tanto necessita hoje a sociedade civil".


"Quanto mais se acirra a luta partidária no âmbito do Congresso Nacional e quanto mais se agravam os percalços no exercício da governabilidade, tanto mais se consolida a imagem do Supremo Tribunal Federal como

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Brasil/Fernando Morais e Chico Buarque divulgam manifesto pela democracia



5 abril 2016, Agência PT http://www.pt.org.br (Brasil)

Também assinam o documento Leonardo Boff, Wagner Moura e Eric Nepomuceno. No texto, eles convidam o povo a participar de ato no dia 11

escritor Fernando Morais divulgou, nesta terça-feira (5), manifesto pela democracia assinado por ele juntamente com Leonardo Boff, Chico Buarque de Hollanda, Wagner Moura e Eric Nepomuceno. No documento, eles convocam o povo a participar do ato contra o golpe que acontecerá na segunda-feira (11), na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. A expectativa é que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participe do ato.

“O que vivemos hoje no Brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. Uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na

quarta-feira, 16 de março de 2016

Brasil/Apelo ao ex-presidente Lula para assumir um ministério no Governo Dilma



12 março 2016 Leonardo Boff https://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Caro amigo-irmão Lula

Escrevo-lhe sob a premência da situação política atual e a pedido de muitos amigos comuns.
           
Direi poucas palavras.

Há o risco de que as conquistas sociais conseguidas para os mais vulneráveis de nosso país, graças a suas políticas de inclusão social produtiva, sejam anuladas e se percam. O projeto da macroeconomia global sob a pressão dos grupos neoliberais nacionais e internacionais, pode levar ao poder aqueles para os quais as grandes maiorias são peso morto da história e para as quais há apenas políticas pobres para os pobres. Esse projeto social do PT,  de seus aliados e também da Igreja da libertação que encontra apoio no amor aos pobres  do Papa Francisco, tem que ser salvo como ponto de honra, como imperativo ético e como  sentido da mais alta humanidade.

Por isso, sou da opinião de que

Brasil/CARTA INTERNACIONAL DE APOIO AO EX-PRESIDENTE LULA CONTRA O MASSACRE DE SUA REPUTAÇÃO



15 março 2016 Leonardo Boff https://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Lula, quer gostemos ou não, se tornou um ícone de um político que pensou nos pobres do mundo, primeiro do Brasil e depois da África. No interior da macroeconomia capitalista imposta ao mundo todo conseguiu cavar espaços ou abrir cunhas que permitissem a inclusão de toda uma Argentina na cidadania, tirando-os daquilo que Gandhi chamava de “a forma mais aviltante e assassina que existe que é a fome”. E ainda inaugurou políticas sociais que resgataram a dignidade dos ofendidos e humulhados. Esse dado de puro humanitarismo granjeou-lhe o reconecimento internacional. Esta lista de notáveis do mundo inteiro reconhece esse fato e ao mesmo mostra a estranheza e até a indignação de grupos que vem da velha ordem, filhos da Casa Grande e seus aliados, que não visam a discutir politicamente projetos,  ideias e visões generosas do mundo, mas destruir a liderança de Lula e destrui-lo como pessoa no intento de

domingo, 6 de dezembro de 2015

Brasil/UM DESQUALIFICADO ETICAMENTE MANDA A JULGAMENTO UMA MULHER ÍNTEGRA E ÉTICA

4 dezembro 2015, Carta Maior EDITORIAL http://www.cartamaior.com.br (Brasil)



Leonardo Boff*

Eduardo Cunha mente tão perfeitamente que não parece mentira as mentiras que repete sempre.


O Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é acusado de graves atos delituosos: de beneficiário da Lava-Jato, de contas não declaradas na Suiça, de mentiras deslavadas como a última numa entrevista coletiva ao declarar que o Deputado André Moura fora levado pelo Chefe da Casa Civil Jacques Wagner a falar com a Presidenta Dilma Rousseff para barganhar a aprovação da CPMF em troca da rejeição da admissibilidade de um processo contra ele no Conselho de Ética. Repetidamente afirmou que a Presidenta em seu pronunciamento mentiu à nação ao afirmar que jamais se submeteria à alguma barganha política.

Quem mentiu não foi a Presidenta, mas o deputado Eduardo Cunha. Seu incondicional aliado, o deputado André Moura, não esteve barganhando com a Presidenta Dilma, como o testemunhou o ministro Jacques Wagner. Vale enfatizar: quem mentiu ao público brasileiro foi Eduardo Cunha. Imitando Fernando Pessoa diria: Ele, mentiroso, mente tão perfeitamente que não parece mentira as mentiras que repete sempre.

É mentira que seu julgamento foi estritamente técnico. Pode ser técnico em seu texto, mas é mentiroso em seu contexto. O técnico nunca existe isolado, sem estar ligado a um tempo e a um interesse. É o que nos ensinam os filósofos críticos. Ele deslanchou o processo de impeachment contra a Presidenta exatamente no momento em que, apesar de todas as pressões e chantagens sobre o Conselho de Ética, soube que na votação perderia pois os três representantes do PT acolheriam a aceitação de um processo contra ele, o que poderia, depois, significar a sua condenação.

O que fez, foi um ato de vindita reles de quem perdeu a

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Frei Betto: CON ENCÍCLICA ECOLÓGICA, LA IGLESIA CATÓLICA ABRAZA TEORÍA EVOLUCIONISTA

26 junho 2015, ADITAL Agencia de Información Fray Tito para América Latina (Brasil)

Marcela Belchior*

Con la Encíclica Laudato si [Alabado sea], publicada por el Papa Francisco, el pasado 18 de junio, donde aborda la integración regeneradora de la humanidad con el resto del medio ambiente, la Iglesia Católica abraza la teoría evolutiva y la visión holística del Universo. La afirmación es el teólogo Frei Betto. En una entrevista con Adital, el escritor y fraile dominico evalúa esta postura como una efectiva convergencia del Santo Padre con la producción de la Teología de la Liberación en la temática ambiental.

Betto señala que la fuerza del líder más importante mundial en la coyuntura actual, posibilitará que ningún debate acerca de la cuestión ambiental ignore el documento. El teólogo se manifiesta optimista acerca de la propagación de la visión holística contenida en Laudato si, en las diócesis y parroquias, comunidades eclesiales de base, asociaciones, movimientos y otras instancias católicas con gran poder propositivo para la práctica la iglesia en la base y en la vida cotidiana de los fieles.

La encíclica es considerada por el Vaticano como el documento papal más importante dedicado al tema de la ecología hasta el presente. El título del documento se inspiró en

segunda-feira, 23 de março de 2015

Abya Yala, Pátria Grande/CONVERGÊNCIAS NAS NOVAS DEMOCRACIAS LATINO-AMERICANAS

20 março 2015, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

*Leonardo Boff

Juntos, podemos ser mais fraternos e solidários, especialmente, com aqueles países que mais lutam para superar a pobreza e a desigualdade.

Nos dias 12, 13 e 14 de março do corrente ano o Ministério da Cultura da Argentina organizou um fórum internacional sobre o tema Emancipação e Igualdade.

Estes dois temas estão intimamente ligados, pois quanto maior for a igualdade social tanto mais se pode realizar a autonomia de um país. Dada a profunda desigualdade que ainda vigora na América Latina, estas duas realidades não encontraram até o momento uma forma satisfatória de concretização. No Brasil se deram, nos últimos anos, passos importantes, pois passamos do terceiro país mais desigual do mundo para o 15º. Mesmo assim persiste um fosso considerável que estigmatiza nossa sociedade.

A este fórum acorreram pessoas de toda a América Latina e algumas celebridades mundiais como Noam Chomsky dos EUA, Gianni Vattimo, filósofo italiano, Ignacio Ramonet, do Le Monde Diplomatique, Jean-Luc Mélenchon, da França, Marisa Matias, de Portugual, representantes da nova agremiação política espanhola Podemos e um representante do novo governo da Grécia,

quinta-feira, 19 de março de 2015

?QUE DICE EL ESTADO DEL VATICANO DEL DECRETO DE OBAMA CONTRA VENEZUELA?

16 marzo 2013, Periodista Digital http://blogs.periodistadigital.com

Es importante que el Estado del Vaticano que, recién, firmo un pacto secreto con Estados Unidos diga al mundo lo que piensa de este decreto de Obama el cual corresponde a una verdadera declaración de guerra. Hay cristianos, sacerdotes, obispos y religiosas que ya hicieron conocer lo que piensan de este Decreto d’Obama contra Venezuela.

El cardenal Urosa de Venezuela hizo una declaración al respecto diciendo que “le parece como una exageración de que Estados Unidos considere Venezuela como una amenaza a su seguridad. No entra en los detalles del Decreto tampoco el carácter intervencionista de este mismo. Tiene el lenguaje de uno que se dirige a un aliado y que se ve en la obligación de decir algo para el pueblo de Venezuela. Ya, es algo y hay que verlo como positivo, pero la credibilidad y la fuerza para que influyen sobre el desarrollo de este conflicto quedan prácticamente nulos. Este cardenal tiene desde tiempo la reputación de un colaborador activo con los adversarios del gobierno y del pueblo que lo acompaña. Los primeros son socialistas, marxistas, comunistas y los segundos son “populismo”.

Vale la pena recordar aquí la declaración de las hermanas del Sagrado corazón de Jesús. El lenguaje de la intervención de estas hermanas no tiene nada que ver con el lenguaje del cardenal.

sábado, 14 de março de 2015

Abya Yala, Patria Grande/UN LLAMAMIENTO CONTRA EL AVANCE DEL IMPERIALISMO EN AMÉRICA LATINA

13 marzo 2015, La Marea http://www.lamarea.com (España)


“El Imperio no descansa y hoy está decidido a acabar con esta etapa de cambios políticos en América Latina”. Con estas palabras, el sociólogo venezolano Vladimir Acosta resumía el espíritu que se respiró la primera jornada del Foro por la Emancipación y la Igualdad organizado por el Gobierno argentino, que reúne hasta el sábado en Buenos Aires a académicos, políticos y activistas de 18 países. Se refería Acosta al avance en la región latinoamericana del imperalismo estadounidense, “el mayor enemigo de todos los pueblos del mundo”. No se trataba de una abstracción: Acosta se refería a los golpes, duros o blandos, en Honduras, Paraguay, Salvador. A la ofensiva mediática contra la mandataria brasileña Dilma Rousseff, que, pocos meses después ganar las elecciones, se enfrenta a un pedido de impeachment por parte de una derecha que no sabe aceptar la derrota en las urnas; o a los intentos por desestabilizar en gobierno de Nicolás Maduro en Venezuela, después de las inquietantes palabras de Barack Obama, muy comentadas este primer día de Foro, que apuntaban a Venezuela como un peligro para la seguridad nacional de los Estados Unidos. “Obama se quitó la máscara y anunció explícitamente que habrá medidas, como un bloqueo naval”, aventuró el intelectual español Ignacio Ramonet.

La colombiana Piedad Córdoba, senadora y activista por los derechos humanos, lo resumió

domingo, 11 de janeiro de 2015

PARA SE ENTENDER O TERRISMO CONTRA O CHARLIE HEBBO DE PARIS

9 janeiro 2015, https://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Leonardo Boff*

Uma coisa é se indignar, com toda razão, contra o ato terrorisa que dizimou os melhores chargistas franceses. Trata-se de ato abominável e criminoso, impossível de ser apoiado por quem quer que seja.

Outra coisa é procurar analiticamente entender porque tais eventos terroristas acontecem. Eles não caem do céu azul. Atrás deles há um céu escuro, feito de histórias trágicas, matanças massivas, humilhações e discriminações, quando não, de verdadeiras guerras preventivas que sacrificaram vidas de milhares e milhares de pessoas.

Nisso os USA e em geral o Ocidente são os primeiros. Na França vivem cerca de cinco milhões de muçulmanos, a maioria nas periferias em condições precárias. São altamente discriminados a ponto de surgir uma verdadeira islamofobia.

Logo após o atentado aos escritórios do Charlie Hebdo, uma mesquita foi atacada com tiros, um restaurante muçulmano foi incendiado e uma casa de oração islâmica foi

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Brasil/CARTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF

27 novembro 2014, Leonardo Boff http://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Estimada Presidenta Dilma Rousseff,

Nós, participantes do Grupo Emaús abaixo relacionados, queremos parabenizá-la por seu esforço e desempenho durante a árdua campanha eleitoral, bem como pelas conquistas de seu primeiro mandato. Somos um grupo de teólogos/as de várias Igrejas cristãs, sociólogos/as, educadores/as e militantes que nos encontramos regularmente há quatro décadas. Estamos todos comprometidos na construção de um Brasil, social e economicamente mais justo, solidário e sustentável.

A maioria batalhou, desde o início, em favor do PT e de seu projeto de sociedade. Nessas eleições de 2014, muitos de nós expressamos publicamente nosso apoio à sua candidatura. Discutimos e polemizamos, pois, percebíamos o risco de que o projeto popular do PT, representado pela Senhora, não pudesse se reafirmar e consolidar. Para nós cristãos, especialmente nas milhares de comunidades de base, tínhamos e temos a convicção de que a participação política, de cunho democrático, popular e libertador, se apresenta como um instrumento para realizar os bens do Reino de Deus.

Esses valores são a centralidade dos pobres, a conquista da justiça social, a mútua ajuda, a busca incansável da dignidade e dos direitos dos oprimidos, a valorização do trabalhador e da trabalhadora, a justa partilha e o respeito pela Mãe Terra. Por isso, na linha do diálogo que a Senhora propôs à sociedade, queremos apresentar algumas sugestões para que seu governo

sábado, 29 de novembro de 2014

Brasil/Em defesa do programa vitorioso nas urnas: mesmo derrotados, conservadores querem impor sua política

28 novembro 2014, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Marcela Belchior
Adital



Movimentos sociais cobram manutenção do programa de esquerda que ajudaram a eleger em outubro. Foto: Reprodução.

A base de apoio que ajudou a reeleger a presidente da República Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores - PT) no último dia 26 de outubro agora intensifica a pressão para evitar que a mandatária recue do projeto de governo na formação da equipe ministerial. Para isso, movimentos sociais, militantes e intelectuais lançam o manifesto "Em defesa do programa vitorioso nas urnas”, que circula na Internet e alerta para a subordinação da gestão às forças conservadoras do país.

Segundo o documento, os rumores de

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Brasil/Boff: NÃO HOUVE APENAS UMA ALTERNÂNCIA DE PODER, MAS DE CLASSE

17 de setembro de 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

O teólogo Leonardo Boff foi um dos intelectuais que lideraram na noite da última segunda-feira (15) o ato de apoio à reeleição de Dilma Rousseff.
Boff ressaltou que foi realizada uma "revolução pacífica democrática" em 12 anos de governos progressistas, e o desempenho econômico do país em meio a uma crise econômica mundial, com a criação de empregos enquanto as grandes economias desempregavam.



"Quando percebemos conquistas fundamentais que beneficiam o povo, o intelectual não pode ficar equidistante, não pode ficar neutro, ele tem que tomar posição", destacou Boff.

Não deixou de destacar, também, o "longo caminho a percorrer", com urgências como a reforma política e a agrária, além de um melhor planejamento das cidades.

"É próprio dos intelectuais, que tentam pensar o todo, manter certa distância e certa equidade face aos partidos (políticos). Mas há um momento na história em que, quando

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Brasil/MARINA SILVA: AQUELA QUE MUDOU DE LADO

6 setembro 2014, Leonardo Boff  http://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Já vai acalorada a campanha presidencial com uma disputa aberta entre Dilma Rousseff, atual Presdenta e a pretendente Marina Silva. Trata-se, na verdade, do confronto de dois projetos: a manutenção por parte do PT de um projeto progressista, marcado por fortes políticas públicas que permitiram integrar uma Argentina inteira na sociedade organizada. A prática política, imposta pelas elites, era de os governos fazerem políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Mas aconteceu uma viragem em nossa história. Alguém do povo chegou ao centro do poder e conferiu outra direção ao Estado. Não se pode negar que o Brasil numa perspectiva geral, especialmente na ótica dos pobres, melhorou muito. Negá-lo é mentir à realidade.

A este projeto progressista se opõe o que a candidata Marina chama de “nova política”. Quando observada de perto, porém, não passa de um projeto conservador e velho que beneficia os já beneficiados e que alinha o país à macroeconomia voraz que faz com que 1% dos americanos possua o equivalente ao que juntos 99% da população ganha. Esse projeto visa a conter o processo progressista, evidentemente, sem anulá-lo, porque haveria, sem dúvidas, uma rebelião popular.

sábado, 6 de setembro de 2014

Brasil/“COM MARINA: OS POBRES PERDERAM UMA ALIADA E OS RICOS GANHARAM UMA LEGITIMADORA”

4 setembro 2014, Leonardo Boff http://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Entrevista com o teólogo brasileiro Leonardo Boff, conhecido internacionalmente pelo seu trabalho na promoção da Teologia da Libertação. No Brasil, apoiou o lançamento de Marina Silva na política. (Mercosul & CPLP)

Entrevista publicada em 3 de setembro de 2014 às 18:48 por Conceição Lemes para o Portal VIOMUNDO. Veja a íntegra da nossa entrevista (com alguns retoques do autor)

Viomundo — Na última sexta-feira, Marina lançou o seu programa de governo, que previa o reconhecimento da união homoafetiva e a criminalização da homofobia. Bastou o pastor Malafaia (1) tuitar quatro frases para ela voltar atrás. O que achou dessa postura? É cristão não criminalizar a homofobia, que frequentemente provoca assassinatos?
Leonardo Boff — Está ficando cada vez mais claro que Marina tem um projeto pessoal de ser presidente, custe o que custar. Numa ocasião, ela chegou a declarar que um dos objetivos desta eleição é tirar o PT do poder, o que faz supor mágoas não digeridas contra o PT que ajudou a fundar.

O Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus à qual Marina pertence, é o seu Papa. O Papa falou, ela, fundamentalisticamente obedece, pois vê nisso a vontade de Deus. E, aí, muda de opinião. Creio que não o faz por oportunismo político, mas por obediência à autoridade religiosa, o que acho, no regime democrático, injustificável.

Um presidente deve obediência à Constituição e ao povo que a elegeu e não a uma autoridade exterior à sociedade.

Viomundo — Qual o risco para a democracia brasileira de alguém na presidência estar submissa a visões tão retrógradas em pleno século XXI, ignorando os avanços, as modernidades?
Leonardo Boff — Um fundamentalista é um dos atores políticos menos indicado  para exercer o cargo da responsabilidade de um presidente. Este deve tomar decisões dentro dos parâmetros constitucionais, da democracia e de um estado laico e pluralista. Este tolera todas as expressões religiosas, não opta por nenhuma, embora reconheça o valor delas para a qualidade ética e espiritual da vida em sociedade.

Se um presidente obedece mais aos preceitos de sua religião do que aos da Constituição, fere a democracia e entra em conflito permanente com

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Pátria Grande/CONSTITUCIONALISMO ECOLÓGICO NA AMÉRICA LATINA



9 maio 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor


As modernas constituições se fundam sobre o contrato social de cunho antropocêntrico. Não incluem o contrato natural que é o acordo e a reciprocidade que devem existir entre os seres humanos e a Terra viva que tudo nos dá e que nós em retribuição a cuidamos e preservamos. Em razão disso seria natural reconhecer que ela e os seres que a compõem seriam portadores de direitos. Os clássicos contratualistas como Kant e Hobbes restringiam, no entanto, a ética e o direito apenas às relações entre os humanos.

Somente se admitia obrigações humanas para com os demais seres, especialmente os animais, no sentido de não destruí-los ou submetê-los a sofrimentos e crueldades desnecessárias.

A desconsideração de que cada ser possui valor intrínseco, independente de seu uso humano, uso racional, e que é portador de direito de existir dentro do mesmo habitat comum, o planeta Terra, abriu o caminho

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Brasil/A MÍDIA COMERCIAL EM GUERRA CONTRA LULA E DILMA

24 setembro 2010/ Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
ADITAL http://www.adital.com.br

Leonardo Boff *

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o "silêncio obsequioso" pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o "Brasil Nunca Mais", onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), "a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)".

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para "fazedores de cabeça" do povo. Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

[Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra].

* Teólogo, filósofo e escritor

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