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quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Brasil/Polícia fecha entradas da Câmara para impedir acesso de indígenas
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Brasil/Teia realiza encontro para articular luta por terra e território no Maranhão
A Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão realizou no último final de semana seu primeiro encontro, na aldeia Geralda Toco Preto, do povo Krepym Katejê, município de Itaipava do Grajaú. A mensagem foi direta: "Esses projetos que conhecemos com os nomes de Programa Grande Carajás e Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA integram o modelo de desenvolvimento capitalista”.
O encontro foi permeado pela construção de estratégias comuns entre os povos e comunidades tradicionais para o enfrentamento àquilo chamado de dor da Mãe Terra. "Por isso, estamos retomando nossos territórios, revitalizando a nossa cultura, nossos rituais, nossas próprias organizações com a transmissão da sabedoria dos anciãos e anciãs às novas gerações”, diz trecho na
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Frente Popular reúne o Brasil em Belo Horizonte
Foi a primeira vez, desde as Diretas Já em 1984, que uma ampla coalizão de centenas de lideranças e representações de movimentos populares, sociais, sindicais, estudantis, forças e representações políticas de esquerda estiveram juntas para defender o estado democrático brasileiro.
A Conferência Nacional em Defesa da Democracia e por uma Nova Política Econômica demonstrou uma grande força de unidade de entidades progressistas e partidos de esquerda. O principal objetivo é barrar a escalada antidemocrática oposicionista para defender o mandato da presidenta Dilma Roussef, combater o golpismo
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Brasil/CIMI REPUDIA DECLARAÇÕES DA MINISTRA KÁTIA ABREU
sábado, 29 de novembro de 2014
Brasil/Em defesa do programa vitorioso nas urnas: mesmo derrotados, conservadores querem impor sua política
sexta-feira, 21 de março de 2014
Brasil/Diputado brasilero recibe premio ‘Racista del Año’
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Brasil/FORUM SOCIAL MUNDIAL
Luana Lourenço, repórter
18 janeiro 2009/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Brasília - O Brasil vai voltar a ser palco do maior encontro da sociedade civil e movimentos sociais do planeta. A partir do próximo dia 27, Belém, capital do Pará, vai abrigar a nona edição do Fórum Social Mundial e deve reunir 120 mil participantes, de acordo com a organização do evento. Os investimentos na cidade para a reunião devem chegar a mais de R$ 100 milhões.
Realizado em Porto Alegre em 2001, 2002, 2003 e 2005, o FSM passou pela Índia, em 2004, pela Venezuela, em 2006, pelo Quênia, em 2007, e no último ano não teve um epicentro, com a realização de eventos simultâneos em 82 países.
Até a última sexta-feira (16), as inscrições para a edição de Belém passavam de 82 mil, segundo um dos articuladores do Fórum e organizador da etapa 2009, Cândido Grybowski. “Acredito que vamos chegar aos 120 mil. As pessoas que moram na cidade fazem a inscrição na hora. Belém já está no clima do Fórum. É um espaço aberto, nós não queremos muralhas como nas reuniões do G8, que nos protege do lugar onde estamos. Nós queremos integração com a cidade.”
Estão previstas mais de 2,6 mil atividades, a maioria auto-gestionadas – organizadas pelos próprios participantes. As assembléias, oficinas, cerimônias, atividades culturais e os seminários serão concentrados nas Universidades Federal do Pará (UFPA) e Federal Rural da Amazônia (UFRA), mas devem tomar as ruas de Belém, como na caminhada de abertura, prevista para a tarde do primeiro dia do Fórum.
Considerado o principal contraponto ao Fórum Econômico Mundial, que acontecerá paralelamente em Davos, na Suíça, o FSM não deverá concentrar a discussão apenas sobre a crise financeira internacional. Também estarão na ordem do dia as crises ambiental e de segurança alimentar, que justificam inclusive a escolha de uma sede amazônica para o Fórum, segundo Grzybowski.
“Por causa da crise climática, decidimos realizar o Fórum no lugar que é grande patrimônio mundial. A Amazônia está no centro desse debate e não pode ser vista como um poço de gás carbônico. Queremos mostrar que é um território humanizado, cheio de alternativas. Assim como Chico Mendes mostrou o lado social da Amazônia ao mundo, vamos expressar o socioambiental, que é o grande desafio”, apontou.
Definido como um evento apartidário e sem ligação com governos, o FSM não deixa de ser uma oportunidade política, e não será diferente em Belém, principalmente para as lideranças regionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já confirmou a ida ao Fórum, e deve encontrar os colegas de continente Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, e a chilena Michele Bachelet.
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Participante do Fórum é jovem e com alto grau de instrução
Amanda Cieglinski, repórter Agência Brasil
18 janeiro 2009/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Brasília - Mais de 90 mil já se inscreveram para participar da nona edição do Fórum Social Mundial (FSM) em Belém (PA). O evento que começa no próximo dia 27 terá como um dos temas principais a Amazônia. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o participante do Fórum tem um perfil específico: a maioria é jovem e com alto grau de instrução.
A pesquisa foi feita entre as edições de 2003 (Porto Alegre) e 2007 (Nairóbi) com 14 mil participantes. Nesse período, pelo menos 56% dos participantes tinham até 35 anos. O índice mais alto de participação da juventude foi em Porto Alegre, em 2003, com 70% dos participantes com até 35 anos.
Outra característica do público verificada na pesquisa foi o alto nível de escolaridade. Em todas as edições pesquisadas, a parcela de participantes com curso superior completo foi no mínimo de 73%. A edição de 2007, no Quênia, registrou o maior número de participantes com nível superior: 81%.
Para um dos fundadores do FSM, o sociólogo e diretor do Ibase Cândido Grzybowski, a edição de Belém será a “mais popular” de todas.
“Nunca teve tanto indígena, quilombola, ribeirinho, extrativista, pescador. Vai ter uma mudança de perfil, na verdade sempre há, mas dessa vez será mais radical. A elite da militância vai continuar vindo, talvez caiam os grupos intermediários e vem esse grupos de base da Amazônia”, espera.
O Fundo de Solidariedade do Fórum vai financiar a vinda de participantes que não podem arcar com os custos da viagem. A prioridade são os povos originários e tradicionais da região, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e minorias. Esse fundo é financiado por organizações nacionais e internacionais.
Outra conclusão do estudo do Ibase é que a maioria dos participantes são do próprio país em que foi realizado o Fórum ou de regiões vizinhas. Em todas as edições pesquisadas, entre 69% e 92% dos participantes eram do país-sede ou de nações vizinhas.
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Crise mundial, meio ambiente e minorias devem ser assuntos mais debatidos em evento
Amanda Cieglinski, repórter
18 janeiro 2009/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Brasília - A crise econômica mundial, os problemas ambientais e a situação das minorias que habitam a Amazônia devem dominar as discussões do Fórum Social Mundial (FSM), que começa no próximo dia 27 em Belém (PA). Essa é a nona edição do evento que acontece anualmente desde 2001.
O FSM é realizado sempre em janeiro na mesma data em que na Suíça ocorre o Fórum Econômico Mundial de Davos. É por essa razão que no início era conhecido com anti-Davos. A Carta de Princípios do Fórum define o evento como "um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, voltado para o debate democrático de idéias e a formulação de propostas para superar o processo de empobrecimento gerado pela globalização”.
A primeira edição foi realiza em 2001, em Porto Alegre (RS). A capital gaúcha foi sede do FSM também em 2002, 2003 e 2005. Em 2004, a quarta edição do evento ocorreu na Índia. Em 2006, o Fórum foi realizado em três países simultaneamente: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (América). Em 2007, voltou a ser centralizado, dessa vez no Quênia (África). Em 2008, o Fórum foi transformado em um Dia de Ação de Mobilização Global, realizado em 26 de janeiro em mais de 80 países, com cerca de 800 atividades e manifestações auto-gestionadas.
O número de participantes cresce a cada edição. A expectativa para esse ano é que Belém receba 120 mil participantes. Na primeira edição, em 2001, foram 20 mil participantes. Nas duas seguintes o evento reuniu respectivamente 50 mil e 100 mil pessoas. O recorde foi em 2005, em Porto Alegre, com 155 mil participantes.
O Fórum Social Mundial é organizado por um comitê internacional formado por organizações da sociedade civil e movimentos sociais de todo o planeta. Sob o slogan “um outro mundo é possível”, o evento é considerado “altermundista”, já que busca uma nova ordem econômica e social para todo o planeta.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Angola/Docente brasileiro disserta sobre "Matrizes africanas”
Luanda, 5 agosto 2008 - "Matrizes africanas do território brasileiro" é o tema da palestra a ser apresentada nesta quarta-feira (dia 6), em Luanda, pelo professor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (Brasil), Rafael Sanzio Araújo dos Anjos.
Segundo um documento da Embaixada do Brasil em Angola enviado hoje, terça-feira, a Angop, o encontro vai decorrer no Museu de História Natural e será dirigido aos pesquisadores e estudantes das áreas de Ciências Humanas e Sociais e professores.
O orador está em Luanda desde o dia 2 do corrente mês, no âmbito do projecto de pesquisa desenvolvido por si na área de territorialidade e cartografia dos quilombos no Brasil.
Até o término da sua permanência no país, previsto para dia 10 deste mês, o palestrante tem ainda agendadas pesquisas no Arquivo Histórico Nacional, Museu Nacional da Escravatura, bem como trabalhos de campo a comunidades tradicionais no interior do país.
Dentre os seus trabalhos e publicações, destacam-se "Territórios das comunidades remanescentes de antigos quilombos no Brasil" (2000/2005), colecção África-Brasil, o mapa dos municípios com registros de comunidades quilombolas (2005) e os livros "Quilombolas: Tradições e Cultura da Resistência" (2006) e "Dinâmica territorial: Cartografia-Monitoramento-Modelagem" (2008). (AngolaPress)
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Brasil/Ato contra a criminalização dos movimentos sociais na Câmara dos Deputados
9 julho 2008/Conselho Indigenista Missionário (CIMI) http://www.cimi.org.br
A Comissão de Legislação Participativa recebeu representantes da CNBB, OAB, Via Campesina, Quilombolas, Indígenas e do Movimento Nacional de Direitos Humanos para grande audiência pública.
Nesta quarta-feira (09/07), às 14h, no plenário 4, a Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados (CLP) promoveu audiência pública para debater a corrente criminalização dos movimentos sociais e de seus dirigentes. Na ocasião, o advogado presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Passo Fundo (RS), Leandro Scalabrin debateu sobre o tema da criminalização dos Movimentos Sociais e Democracia.
Estiveram presentes representantes de diversas entidades religiosas e de classe, tais como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB). A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, ligado à Presidência da República, também se fará presente.
A sugestão aprovada por unanimidade foi de iniciativa do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). Para a entidade, "Movimentos como um todo estão respondendo a processos judiciais e ainda são desqualificados publicamente. Pode-se dizer que houve uma agudização dos conflitos, se antes as manifestações públicas, ocupações de terra, e de moradia, a luta contra violência policial geravam repressão, hoje setores do Estado respondem com a utilização da judicialização indevida e buscam institucionalizar e dar legitimidade a esta criminalização. Todo esse conjunto de situações trouxe para dentro dos poderes públicos a versão de que Movimentos e suas lideranças cometem crimes, colocando assim claramente a sociedade contra os Movimentos Sociais".
"Além disso, a militância do MNDH diretamente vem sofrendo com a criminalização em especial por conta de nossa atuação nos presídios e casas de internação de adolescentes, nas favelas contra violência policial, contra tortura e execuções sumárias e contra o crime organizado. Por conta deste ativismo temos vários/as militantes ameaçados/as de morte e sendo processados e desqualificados publicamente como defensores de bandidos pela mídia, setores do poder público e judiciário", completa.
O Presidente da CLP, Deputado Adão Pretto (PT/RS), lembrou da situação de criminalização pela qual passam os movimentos sociais de seu Estado, alertando que essa situação crítica não atinge apenas os gaúchos, tendo reflexos em todo o país e na própria noção de democracia e participação popular.
Histórico
O caso de maior repercussão nacional aconteceu no Rio Grande do Sul. No último dia 24 de junho, durante uma diligência da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal na Assembléia Legislativa (AL) em Porto Alegre, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Passo Fundo, Leandro Scalabrin divulgou documentos que comprovam a tentativa do Conselho Superior do Ministério Público de "dissolver" o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O documento, comprovado por uma ata da sessão ordinária do Conselho do MP/RS, ocorrida em 3 de dezembro de 2007, defende medidas para declarar a ilegalidade do MST, como proibir qualquer deslocamento de trabalhadores Sem Terras, incluindo marchas e caminhadas, intervir em escolas de assentamentos, criminalizar lideranças e integrantes, cassar os títulos eleitorais de todos os membros do movimento e "desativar" todos os acampamentos do Rio Grande do Sul.
Entretanto, não só o MST sofre com esse tipo de ação. No dia 12 de junho, o juiz da Justiça Federal de Marabá (PA), Carlos Henrique Haddad, condenou o advogado da Comissão Pastoral da Terra, José Batista Gonçalves a uma pena de dois anos e cinco meses de prisão por assessorar movimentos camponeses durante uma negociação com o Incra daquela região, logo após um protesto de agricultores sem terra organizados pela Contag, MST e Fetragri.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Brasil/Nota do Cimi em apoio a Dom Luiz Cappio e em defesa do rio São Francisco
Foto: Dom Luiz Cappio, bispo da Diocese de Barra (Bahia)Em defesa do rio e de todos os povos que vivem dele, Dom Luiz Cappio, bispo da Diocese de Barra (Bahia), retomou ontem seu jejum e suas orações para tentar sensibilizar a sociedade brasileira e o presidente da República sobre os males que a Transposição do rio São Francisco pode gerar no nordeste do país.
O Cimi se solidariza a Dom Luiz em seu ato profético. Um recurso extremo ao qual ele apela novamente, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não honrou o compromisso assumido em outubro de 2005. Na ocasião, Dom Cappio suspendeu um jejum de onze dias, após Lula ter se comprometido a suspender o processo da transposição e iniciar um amplo diálogo sobre o projeto com a sociedade. Dom Cappio e toda a sociedade se sentem enganados pelo presidente.
Dom Luiz e todas e todos que lutam em defesa do São Francisco sabem que a transposição não atenderá à população pobre do semi-árido. Ela beneficiará as grandes empresas responsáveis pela obra, os grandes proprietários de terra da região, os produtores de camarão, de flores e de outros produtos destinados à exportação.
Para atender à população do semi-árido, o próprio governo apresentou uma alternativa melhor e mais barata: as 530 obras sugeridas pela Agência Nacional de Águas (ANA) em seu Atlas do Nordeste e que seriam suficientes para abastecer os 1,3 mil municípios da região com mais de 5 mil habitantes a um custo muito inferior ao da transposição: R$ 3,6 bilhões contra R$ 6,6 bilhões.
A transposição, ao contrário, trará danos sociais e ambientais irreversíveis. A obra afetará 22 povos indígenas, desde os territórios Truká (em Pernambuco) e Tumbalalá (na Bahia) até o povo Anacé, no Ceará.
A vida do franciscano Dom Cappio e do rio São Francisco estão agora, mais do nunca, atreladas. E a vida do São Francisco é também a vida dos diversos povos indígenas, das comunidades dos quilombolas, de ribeirinhos, de camponeses... Todas essas vidas estão agora atreladas à vida de Dom Cappio. Todas essas vidas dependem de uma decisão do presidente da República.
Dom Cappio está na Capela de São Francisco, na Vila São Francisco, no município de Sobradinho (Bahia), às margens do rio, próximo à barragem de Sobradinho. O testemunho deste peregrino, que em 1992 realizou uma longa jornada da nascente à foz do rio, convoca-nos para um compromisso solidário, urgente e inadiável com esta causa.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Brasil/FSM assume a diversidade amazônica
Por Mario Osava, da IPS
O FSM é um âmbito de encontro e debate de uma variada gama de organizações e movimentos, cujo denominador comum é sua rejeição ao atual rumo da globalização econômica e a busca de outros modelos de globalização. Daí serem chamadas também de “altermundistas”. Mas, o Conselho Internacional decidiu reunir-se em Belém como ato de apoio e aproximação a essa cidade de 1,4 milhão de habitantes, escolhida como sede do Fórum 2009, disse Cândido Grzybowski, um dos principais organizadores do FMS e diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
“Foi animador conhecer a densidade dos movimentos sociais e organizações amazônicas, que asseguram o êxito do Fórum em Belém”, disse Grzybowski à IPS. Os grupos participantes já avançaram “tanto em organização quanto em idéias”, desde que em maio o Conselho Internacional escolhe a sede da próxima edição centralizada do FSM, acrescentou. a cidade foi escolhida como forma de destacar a importância da Amazônia para o mundo. Belém é a porta de entrada para essa região compartilhada por oito países e que concentra uma grande parte da diversidade biológica mundial e onde o desmatamento causa temores e protestos em todas as partes.
Também faz parte da Amazônia a Guiana Francesa, remanescente colonial que será um tema importante no FSM de Belém, destacou Grzybowski, acrescentando que o grande encontro dará visibilidade à diversidade da população amazônica, que compreende indígenas, quilombos (comunidades descendentes de ex-escravos africanos), povos ribeirinhos e outros, sem esquecer o drama dos trabalhadores submetidos a condições de escravidão. Não só estará em questão a independência da Guiana da França como, também, “as conseqüências de sua situação para a América Latina, especialmente para os países amazônicos”, disse à IPS Jean Michel Auboint, representante da União de Trabalhadores da e da Organização de Direitos Humanos dessa colônia francesa.
Com exemplos de efeitos negativos Auboint apontou a militarização e possíveis agressões, a apropriação de conhecimentos tradicionais e de recursos naturais por parte da potência colonizadora e as restrições à livre circulação, que é uma tradição cultural entre os povos locais, como os indígenas e os quilombolas (habitantes dos quilombos). “Os indígenas não têm direitos legais na Guiana Francesa”, ressaltou.
O FSM realizou suas três primeiras edições em Porto Alegre, seu berço e símbolo por ter desenvolvido várias idéias democratizantes, como o orçamento participativo. Em 2004, o encontro anual mudou para Mumbai, na Índia, e voltou à capital gaúcha no ano seguinte. Em 2006, foi aprovada uma edição policêntrica em três continentes, com encontros em Caracas (Venezuela), Carachi (Paquistão) e Bamako (Mali). Este ano, Nairóbi, capital do Quênia, retomou a tradição de apenas um encontro mundial, mas, pôs fim à periodicidade anual. O FMS agora é bienal e 2008 será dedicado a manifestações locais em diferentes lugares do mundo.
Em seu balanço da mobilização que é preparada para 26 de janeiro próximo, o Conselho Internacional comprovou que haverá uma grande diversidade de atos e iniciativas. Belém organizará seminários e duas grandes manifestações para afirmar-se como uma referência do movimento por “outro mundo possível”, ou “altermundista”. No Rio de Janeiro um espetáculo na praia encerrará o ato “Rio com vida”, para ressaltar a preocupação local com a segurança, enquanto São Paulo promoverá um encontro de quatro dias pelo direito à educação, enquanto seminários e campanhas acontecerá em outras cidades brasileiras, informou Salete Valesan, do Instituto Paulo Freire e permanente organizadora desses encontros.
A comunicação ganhou uma importância-chave neste processo “pulverizado de manifestações em todo o mundo, para dar visibilidade e estabelecer a conexão entre tantas atividades. Por isso, o Conselho Internacional aprovou a criação de um site interativo (www.fsm2008.net) com variadas ferramentas que permitirão informar, inclusive de forma audiovisual, sobre as múltiplas ações, disse à IPS Antônio Martins, da Associação por uma Taxa para as Transações Financeiras e Ajuda aos Cidadãos (Attac). Cada organização, “por menor que seja”, poderá proporcionar informação sobre suas mobilizações. Outra iniciativa convida profissionais e amadores a fazerem vídeos de até um minuto de duração para compor uma “história audiovisual coletiva’ da Ação Global que se estenderá por vários dias antes e depois de 26 de janeiro.
O conselho deu “passos gigantescos” na organização do FSM, destacou Grzybowski. Decidiu-se criar um Grupo de Enlace, formado por 11 titulares e cinco suplentes, com representação de todos os continentes e equilíbrio de gênero, para suceder o grupo brasileiro de organizadores que até agora se encarregou dos trabalhos administrativos do movimento. Além disso, houve avanço em um plano para obtenção de recursos de forma permanente, não apenas voltados às atividades, mas para melhor sustentabilidade do processo, buscando superar as dificuldades financeiras e organizacionais que apresentam a preparação e execução de cada edição do FMS, concluiu Grzybowski. (IPS/Envolverde)
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segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Brasil/Participantes de Conferência assinam manifesto em repúdio a Syngenta
Portal do MST/5 novembro 2007Reunidos na I Conferência Nacional Popular de Agroernergia, mais de 500 militantes de movimentos sociais assinaram uma carta de repúdio à ação da Syngenta Seedes no Paraná. Na carta os participantes do encontro reafirmam que vão seguir lutando com mais força e vigor pelas bandeiras que nortearam a vida de Keno, assassinado no dia 21 de outubro.
MANIFESTO DA I CONFERENCIA NACIONAL POPULAR SOBRE AGROENERGIA SOBRE A EXECUÇÃO DO COMPANHEIRO KENO PELAS MILÍCIAS ARMADAS DA SYNGENTA SEEDS
Nós, cerca de 500 militantes de todos os estados do país e de vários países da América Latina, reunidos na cidade de Curitiba na I Conferência Nacional Popular sobre Agroenergia, tomamos conhecimento do fato que os pistoleiros envolvidos no assassinato do nosso companheiro Valmir Mota de Oliveira, o Keno, foram soltos. Os sete membros da milícia da Syngenta Seeds responderão o processo em liberdade.
Não podemos nos calar diante desse fato. Não podemos deixar de manifestar nossa indignação diante de mais um caso em que a Justiça favorece os poderosos. O Poder Judiciário de Casacavel, ao libertar os assassinos no mesmo dia em que trabalhadores rurais reconheceram o pistoleiro que atirou em Keno, mostra que a Justiça em Cascavel não é cega. Que está claramente ao lado da Sociedade Rural do Oeste do Paraná (SRO) e da Syngenta.
O assassinato de Keno ocorreu no dia 21 de outubro, após a reocupação do campo de experimentos transgênicos da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, quando mais de 40 pistoleiros a serviço da transnacional atacaram os trabalhadores e trabalhadoras rurais de maneira brutal e covarde. Entretanto, é importante assinalarmos que os pistoleiros que atiraram nos trabalhadores rurais não agiram por conta própria. Agiram sob as ordens da Syngenta Seeds, a quem serviam.
Este é mais um crime dessa transnacional que em 2006, estava cultivando experimentos de sementes transgênicas, dentro da zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, o que era proibido pela Lei de Biossegurança. A empresa agia ilegalmente,pois deveriam respeitar uma distância de 10 km de parques e unidades de conversação, e os cultivos transgênicos da empresa estavam a 4 km do Parque. A transnacional foi multada pelo IBAMA em R$ 1 milhão de reais, por desrespeitar a Lei de Biossegurança. Mas nunca pagou a dívida. A Syngenta Seeds utiliza a reserva da Mata Atlântica, contaminando a biodiversidade e produzindo poluentes que agridem o meio ambiente os seres humanos.
Keno, juntamente com outras centenas de militantes, havia ajudado a denunciar os crimes da Syngenta há mais de um ano. Por isso estava marcado para morrer, tendo recebido várias ameaças de pistoleiros contratados pela transnacional.
Keno foi assassinado porque lutava contra as injustiças sociais, contra o latifúndio e o capital. Temos certeza de que se não tivesse assassinado, ele estaria aqui conosco, ajudando a construir uma proposta dos movimentos sociais para a soberania energética e alimentar. Porque o que estamos debatendo nesta conferência é exatamente tudo aquilo pelo qual keno lutou: a reforma agrária, a defesa das sementes crioulas, o combate aos transgênicos, aos monocultivos, à sanha do agronegócio e das transnacionais como a Syngenta Seeds.
Vivemos tempos difíceis, em que cada vez mais se invertem os valores. Usineiros responsáveis pela mutilação e morte de cortadores de cana são transformados em heróis. Os grandes capitalistas da indústria e do sistema financeiro são tratados como empreendedores e fomentadores do progresso e do desenvolvimento. Venera-se o Mercado como se este tivesse a solução para os problemas do povo brasileiro.
Enquanto isso, quilombolas, indígenas e ambientalistas são vistos como entraves ao desenvolvimento. E movimentos sociais são cada vez mais criminalizados. Celebra-se a Morte ao invés de se celebrar a Vida.
A Syngenta, junto com outras empresas como a Monsanto, querem deter o controle de toda a cadeia alimentar, da semente ao prato. Afrontam a nossa soberania nacional, atacam a nossa soberania alimentar. E, em vez de serem punidas, essas empresas são agraciadas com financiamentos, benesses e favorecimentos.
Não aceitamos esta situação. Não podemos permitir que a morte de Keno se transforme em mais um caso na longa história de impunidades. Não podemos aceitar que os responsáveis por sua morte permaneçam livres. E, principalmente. Não podemos sequer admitir a hipótese de que a Syngenta Seeds, que contrata pistoleiros e forma milícias armadas para assassinar trabalhadores, permaneça impune.
Não podemos permitir que a Syngenta prossiga semeando as suas sementes da Morte, da anti-Vida, da destruição ambiental e da miséria social produzidas em seus laboratórios de transgenia. Por isso nós, cerca de 500 militantes participantes da I Conferencia Nacional popular sobre agroenergia, manifestamos nossa decisão irresoluta de seguir lutando com mais força e vigor pelas bandeiras que nortearam a vida de Keno e de outras centenas de mártires do povo brasileiro. Queremos reforma agrária e justiça social. Queremos um Brasil justo, soberano, solidário e igualitário para o povo brasileiro!
Punição aos assassinos de Keno!
Queremos a syngenta fora do Brasil!
Keno vive!
A luta continua!
I Conferência Nacional Popular sobre Agroenergia
Curitiba, 30 de outubro de 2007.
sábado, 20 de outubro de 2007
TESTEMUNHO I/Brasil/Índios e terroristas no Mato Grosso do Sul
Fonte: Portal do Conselho Indigenista Missionário/18 outubro 2007
“O Conselho Indigenista Missionário... quero fazer essa denuncia aqui de pronto... quero que fique aqui nos anais e quero chamar o representante do Conselho Indigenista Missionário, que são terroristas, queria chamá-lo aqui para debater conosco... não tem coragem de vir debater conosco. Por quê? Estão fazendo sem-vergonhice. Quem sabe lá o que é o Cimi, para quem está nos assistindo. É o Conselho Indigenista Missionário. Tem um nome nesse negócio, chama-se Antonio Brand, que é o cara que fica inventando aldeia indígena pra tudo que é canto...”
A fala é do deputado Paulo Correa (PR), durante sessão da Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul no último dia 2 de outubro. O deputado criticou a atuação do Cimi acusando a entidade de incitar os índios a tomarem atitudes violentas contra propriedades rurais que fazem divisa com aldeias ou que são alvos de processos de demarcação. O que o deputado esqueceu foi de relatar a verdadeira situação das populações indígenas no estado.
A recente declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas aprovada pela ONU, em setembro, deve ter estragado o sono de quem quer impor sua vontade aos habitantes do planeta. Afinal de contas ali está claramente reconhecido o direito dos mais de 370 milhões de nativos em mais de 70 países do mundo às terras-territórios e aos recursos naturais neles existentes, e à livre determinação, com autonomia e dignidade, conforme seus valores, costumes e organização social. O que, aliás, o Brasil já reconheceu em sua Constituição de 1988.
O Mato Grosso do Sul não está fora do planeta Terra, nem do Brasil. Portanto as leis e normas nacionais e internacionais deveriam ser cumpridas. Ou seja, os povos indígenas deveriam ter suas terras já demarcadas e garantidas há muito tempo, pois a Constituição determinou que isso fosse feito até 1993. Por que não se cumpriu a lei maior do país? As conseqüências estão aí. Entre os Kaiowá Guarani se instaurou um verdadeiro processo de genocídio.
E para piorar a situação agora vem a gigante onda verde da cana e do dólar para instalar mais de 50 novas usinas, plantar mais de 850 mil hectares de cana, quase tudo na região dos Guarani, e muitos em “tekoha”, ou seja, terras tradicionais Guarani. Para se ter uma idéia do descalabro da estrutura fundiária e suas conseqüências perversas, a Terra Indígena Dourados, com uma população de mais de 12 mil Kaiowá Guarani e Terena, tem uma população maior do que 32 municípios do estado, conforme publicação do IBGE no Diário Oficial de 5/10/2007. Portanto a terra do gado, da soja e agora da cana, não tem lugar para índios, quilombolas, trabalhadores rurais sem terra...
As estratégias e conseqüências estão claramente demonstradas no caso de Kurusu Ambá, no município de Coronel Sapucaia. Os índios foram brutalmente expulsos, lideranças assassinadas, outras presas e rapidamente condenadas a 17 anos e meio de prisão. Tudo isso por estarem buscando o que a Constituição, Convenção 169 da OIT e a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas da ONU lhes garantem, que é sua terra para viver em paz.
Cabe então perguntarmos onde está o terrorismo? Quem são os verdadeiros terroristas?
Egon Heck
Cimi MS
Campo Grande, 18 de outubro de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
DOCUMENTO FINAL DO SEMINÁRIO “A CANA NÃO ME ENGANA!”
Assessoria Teológica 28/08/2007 - Documento final do seminário
Campo Grande/MS, 24 a 25 de Agosto de 2007
Nós, representantes das diversas entidades ligadas à Coordenação dos Movimentos Sociais do Estado de Mato Grosso do Sul, preocupados com os impactos negativos que poderão ser causados pela instalação das muitas usinas de álcool e açúcar no Estado de Mato Grosso do Sul, vimos a público nos manifestar e ao final apresentar propostas que visam a garantir o respeito aos trabalhadores rurais sem terra e pequenos produtores, povos indígenas, quilombolas e ao Meio Ambiente.
A grande massa da população Sul-Matogrosseense está sendo enganada pelas afirmações falaciosas que tentam justificar a instalação desses empreendimentos e que beneficiam, mais uma vez, somente poucas pessoas bem como aos interesses das empresas multinacionais, aumentando, ainda mais, a concentração de renda no Brasil. Dessa forma, clamamos a devida atenção da sociedade envolvente visando à garantia de direitos fundamentais dispostos na Constituição Federal Brasileira que não estão sendo respeitados.
A REALIDADE – DESAFIOS E AMEAÇAS
Conforme a apresentação feita pelos palestrantes e debatedores presentes no Seminário, vislumbrou-se um quadro muito grave que pressupõe a compreensão de que existirá no mundo uma crise profunda quanto às fontes de energia derivadas do petróleo e que afetam principalmente os EUA, que estão buscando outras fontes de energia para suprir o consumo exacerbado daquele país.
Foi exposto ainda a problemática do superaquecimento global que desencadeia mudanças climáticas que vem causando catástrofes ambientais que afetarão milhões de pessoas em todo o mundo. Que o consumo de energia, conforme o modelo da cultura consumista praticada por muitos países, mas principalmente pelos EUA, que consome quase 40% da energia produzida mundialmente, gera muita poluição em razão das emissões de gases que se acumulam na atmosfera terrestre.
Em relação às evidencias históricas que foram apresentadas, concluiu-se que a geração de energia a partir de outras fontes que não a petrolífera se torna uma situação praticamente inexorável a partir da realidade atual, levando-se em conta as relações de poder estabelecidas na atual conjuntura política mundial e do grande consumo de energia em todo mundo.
Mesmo que se contemple a necessidade de transformações profundas deste modelo consumista para que ocorra a reversão desse quadro em nível mundial, a problemática brasileira se instala no fato de que a produção de energia a partir da cana de açúcar vem sendo implementada com muita velocidade e com todo apoio estatal do governo brasileiro. Produção que está sendo controlada por poucas pessoas que detém o grande capital privado mundial e que obterão lucros exorbitantes gerados pelo negócio, transferindo toda a fonte de energia para fins de exportação e que geram um impacto social, econômico e ambiental muito grande para o país em razão da prática da monocultura.
Vislumbra-se ainda, a completa ausência de participação de pequenos produtores, populações indígenas, quilombolas, enfim, da sociedade como um todo, das decisões sobre a viabilidade desse grande projeto.
O Mato Grosso do Sul é a Unidade da Federação que mais será afetada no Brasil pela produção do etanol, gerando impactos gravíssimos para o Meio Ambiente, para a produção de alimentos, agricultura familiar, reforma agrária, demarcação de terras indígenas, quilombolas e de soberania territorial.
O projeto de Governo para a produção do etanol está totalmente voltado para privilegiar a monocultura da cana, onde é viabilizado todo o tipo de incentivos fiscais e políticos para tanto. Aceitam-se investimentos provenientes do exterior e o estabelecimento físico de empresas estrangeiras em nosso território, comprometendo a soberania nacional e desencadeando um processo de diminuição sistemática da produção de alimentos.
As áreas destinadas ao plantio da cana são as melhores áreas em termos de qualidade do solo, sendo que muitas atendem as determinações constitucionais para fins de assentamentos de famílias de trabalhadores rurais sem-terra, bem como terras indígenas que estão ainda pendentes da demarcação administrativa que deve ser promovida pelo Governo Federal.
O Estado de Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena do país com o pior índice de terras demarcadas no país; cerca de 90% das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios encontram-se sem providências quanto a demarcação feita pelo Governo Federal; O Estado possui o maior índice de violências contra indígenas registrado no país; A terra indígena de Dourados do povo Kaiowá Guarani - a mais populosa do país, compõe cerca de 3,5 mil hectares de terra para quase 13 mil indígenas; a região possui o maior índice de desnutrição infantil registrado no país. Um indígena da terra indígena de Dourados possui cerca de 0,3 hectares de terra enquanto uma cabeça de gado no estado possui uma média de 7 hectares.
Áreas de flora nativa, bacias hidrográficas e áreas de proteção permanente, poderão ter comprometidos sua qualidade e importância ambiental, com riscos permanentes de degradação, em razão dos resíduos gerados da produção do etanol.
A mão de obra utilizada para o corte da cana, trabalho degradante e muitas vezes escravo, afetará drasticamente as populações indígenas no Estado de Mato Grosso do Sul que, não possuindo suas terras demarcadas e vivendo em confinamentos em razão da omissão do estado, acabam se deslocando para as usinas em busca de melhores condições de sobrevivência, pois dentro da aldeias não encontram nenhuma perspectiva de auto-sustentabilidade. Tem-se conhecimento de que os indígenas são vistos pelos usineiros como a melhor fonte de mão-de-obra para o trabalho no corte da cana.
A instalação e/ou expansão das usinas no MS, aumentam o fluxo migratório com a super exploração da mão de obra destes, e ainda, da mão de obra indígena, da prostituição e do tráfico de pessoas especialmente nordestinos, mulheres, crianças e adolescentes.
Muitas pessoas (homens, mulheres, crianças, jovens) serão transportados de seus lugares de origem para fins de exploração visando lucro de outrem.
É notório que o discurso de geração de empregos não possui nenhum respaldo fático pois sabe-se que toda a estrutura utilizada para a colheita da cana em muito breve será 100% mecanizada. Fato esse, que ainda não ocorre em razão de que a demanda não acompanha a produção de maquinários agrícolas por parte das indústrias.
Sabe-se que as empresas de bio-diesel se instalam no território brasileiro, pois as condições climáticas, qualidade do solo e recursos hídricos possibilitam a produção de matéria prima barata e rápido ganho de capital em razão dos incentivos fiscais dados pelo Poder Público através de “selos sociais”.
A região do Pantanal Sul-MatoGrossense se encontra drasticamente ameaçada caso venham ser instaladas as usinas de álcool naquela região, conforme vem sendo tentado pelos usineiros com o apoio de alguns parlamentares do Legislativo Estadual que propuseram projetos de lei prevendo essa possibilidade Trata-se de um ecossistema complexo e muito vulnerável às transformações do meio ambiente e do clima, e corre sérios riscos de desaparecer.
Diante do exposto, defendemos os seguintes princípios e propostas:
1. Somos contra esse modelo imposto pelo agronegócio que aumenta a
concentração de riqueza, a propriedade privada, destrói o meio ambiente e
explora a força de trabalho.
2 Defendemos um modelo diversificado de produção de alimentos voltado para atender as necessidades da população e a efetiva aplicação do princípio da função social da terra sem a concentração das riquezas.
3 Que sejam identificadas e demarcadas as terras indígenas e dos quilombolas conforme determina a Constituição Federal.
4 Que sejam efetivados os assentamentos da Reforma Agrária para os acampados e os que nela queiram trabalhar para produzir alimentos e viver com dignidade.
5 Se deixe de utilizar recursos públicos para favorecer a implantação da monocultura da cana e instalação de usinas de álcool bem como a suspensão da isenção de tributos. A grande massa da população, principalmente a mais pobre, paga seus impostos, muito mais os inseridos nos produtos alimentícios, se tornando um verdadeiro desrespeito para com o povo que as grandes empresas multinacionais fiquem isentas.
6 Se garanta recursos necessários para que os pequenos produtores tenham efetivas condições para produzir alimentos, diversificando a produção, respeitando o meio ambiente e a produção de energia renovável através da instalação de pequenas e micro usinas que garantam a sustentabilidade alimentar e ambiental.
7 Garantia das condições humanas de trabalho com redução de jornada e salário justo para os trabalhadores do setor sucroalcooleiro.
8 Que o Governo Federal promova um controle rigoroso sobre a aquisição de terras e dos investimentos estrangeiros por parte das empresas multinacionais, conforme manda a Constituição Federal e o Protocolo do Kyoto, visando a proteção da soberania nacional e das riquezas do solo.
9 Sejam criados Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional em todos os Municípios, e nos que vierem a ser constituídos, com a participação representativa da sociedade e das entidades sociais.
10 Monitoramento das atividades em todas as usinas de álcool e açúcar no MS pelos movimentos sociais, no âmbito das instâncias competentes, com o objetivo de garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
11 Que o Governo Federal garanta condições para estudar e discutir os projetos alternativos dentro da realidade dos agricultores familiares, indígenas, quilombolas e assentados.
Nossos compromissos:
Fazer o debate sobre o modelo energético que está sendo implantado a partir da monocultura da cana, altamente concentrador de capital e poder, gerando ainda mais exclusão e super exploração da mão de obra, em nossas comunidades, meios de comunicação, enfim, em todos os espaços.
Lutar para a construção do Mato Grosso do Sul e Brasil que queremos, a partir de outra lógica que não a do atual modelo de mercado consumista, responsável pela pior distribuição de renda no mundo.
Campo Grande, 25 de agosto de 2007.
(Portal do Conselho Indigenista Missionário/Brasil)
domingo, 26 de agosto de 2007
Brasil/Comissão Pastoral da Terra edita “Conflitos no Campo Brasil" 2006
A Comissão Pastoral da Terra, pelo vigésimo segundo ano consecutivo, publica seu Conflitos no Campo Brasil que traz um pouco dos conflitos que aconteceram em todo o país no ano de 2006. Com a coleta, a análise e a divulgação destes dados, a CPT reafirma seu compromisso de estar ao lado dos homens e mulheres do campo, e de suas comunidades e organizações. É para que eles tenham mais consciência de sua realidade e para que possam qualificar melhor seus processos de luta que a CPT se dá a este trabalho de a cada ano produzir este relatório.
Houve também um crescimento de 2,63% no número de assassinatos. Em 2006, 39 pessoas foram assassinadas. Em 2005 foram 38. Registrou-se uma diminuição de -10,54% no número de mortos em conseqüência dos conflitos. Foram 64 em 2005, e 57 em 2006. Também caiu o número de ameaçados de morte - 266 em 2005, 207 em 2006, -22,18% - e de torturados - 33 em 2005, 30 em 2006, - 9,09%.
Conflitos
Em 2006 foram registradas 1.212 ocorrências de conflitos relacionados com a posse, uso, resistência e luta pela terra, que compreende os conflitos por terra, as ocupações e acampamentos. Ao todo estiveram envolvidas 140.650 famílias. É importante se destacar que quase 20% destas ocorrências envolveram comunidades e povos tradicionais, notadamente indígenas e quilombolas, além de outras comunidades. O número representa uma diminuição percentual de -7,82% em relação a 2005, quando foram registrados 1.304 conflitos. As ocorrências de conflitos por terra apresentaram diminuição de -2,06%, 761, em 2006; 777, em 2005. Já as ocupações apresentaram uma diminuição percentual de – 12,13% (384, em 2006, 437 em 2005). Ainda maior foi a diminuição dos acampamentos – 25,56% (67 acampamentos em 2006, 90 em 2005).
Os conflitos no campo – soma dos conflitos por terra, pela água, trabalhistas, em tempos de seca – chegaram a 1.657, em 2006. -11,91% que em 2005, 1881.
A leitura destes números, relacionando-os com a população rural de cada estado ou região, dá uma outra visão. Onde se dá o maior número de ações de mobilização - ocupações e acampamentos - no Centro-Sul do País, aí o número de assentamentos é menor. Por outro lado, os índices de violência sofrida pelos trabalhadores são bem maiores nas regiões onde a ação dos movimentos é menos intensa, como na Amazônia. Com isso, fica patente que a violência no campo não pode ser creditada ao aumento da pressão dos movimentos do campo, mas continua diretamente vinculada à truculência histórica do latifúndio, travestido hoje de agronegócio.
Conflitos trabalhistas
A violência que acompanha o trabalho escravo e outros conflitos trabalhistas foi significativa em 2006. Três trabalhadores na situação de escravidão foram assassinados, enquanto que em 2005 não se registrou nenhum caso. 300% a mais. O número de trabalhadores libertados em 2006 foi -20,67% (foram libertados pela fiscalização do Ministério do Trabalho 3.633 trabalhadores, em 2005 foram 4.585) enquanto que o número de denúncias de trabalho escravo foi de -5,07% menor. 262 denúncias recebidas em 2006, 276 em 2005. Também caiu o número de trabalhadores nestas denúncias: 6.930 em 2006, contra 7.707 em 2005. Uma redução de –10,08%.
Também aparecem com destaque situações de violência em outros conflitos trabalhistas. O número de trabalhadores superexplorados foi 96,12% maior (7.078 pessoas, em 2006; 3.609, no ano anterior), mesmo que os casos registrados de superexploração tenha sido de 2,83% (109) a mais do que em 2005 (106). Nos casos de superexploração do trabalho registrou-se um assassinato. O de um menino de 11 anos, filho de um vaqueiro que fora ameaçado pelo fazendeiro, ao tentar acertar as contas depois de mais de três anos de trabalho. Quanto ao desrespeito trabalhista, as ocorrências registradas foram -62,50% menores (27 em 2006; 72, em 2005). Em contrapartida o número de pessoas que sofreu o desrespeito foi 167,05% maior (932 pessoas, em 2006; 349, em 2005). Outro dado preocupante é o de mortos em acidentes de trabalho: 100% a mais, em 2006 (14), em relação a 2005 (7). O número de feridos nestes acidentes foi de 22 em 2006, contra 27 em 2005, - 18,52% .
Impunidade
A CPT há muitos anos vem repetindo que a violência no campo se mantém por causa da impunidade. De 1985 a 2006, registraram-se 1.104 ocorrências de conflitos com assassinato. Nestes conflitos morreram 1.464 trabalhadores. Destas ocorrências somente 85 foram levadas a julgamento. Foram condenados 71 executores e somente 19 mandantes. É preciso que a sociedade brasileira exija do poder Judiciário uma atuação mais rigorosa. Um exemplo de impunidade é o massacre de Eldorado dos Carajás, onde 16 sem-terra foram mortos, no dia 17 de abril de 1996. Mesmo condenados, o coronel Mário Colares Pantoja (228 anos de prisão) e o capitão José Maria Pereira (158 anos) conseguiram hábeas corpus e hoje aguardam julgamento de recurso em liberdade. Para lembrar a ação dos trabalhadores, em 2002 foi aprovada a lei que instituiu o 17 de abril como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.
Várias pessoas se destacam na histórica luta pela terra. Em um ambiente marcado por repressões hostis àqueles que levantam a voz contra a exploração e em nome de um bem comum, vidas são ceifadas. Vítimas do autoritarismo e da impunidade que ainda domina o país. Dentre todas as histórias desses que se tornaram figuras de grande simbologia, os mártires da terra, destacam-se aquelas que tiveram um importante papel dentro das lutas agrárias. São mulheres que lutaram não só pela terra, mas contra o preconceito e as dores da perda de maridos e filhos, que não abalaram a sua credulidade na luta e no significado da tão esperada reforma agrária no Brasil. Algumas serão, aqui, lembradas pelos seus feitos e sua importância na história, outras, talvez não sejam citadas, mas não são esquecidas e nem menos importantes para quem está na luta.
- Anatália de Souza Alves Melo
- Dados da CPT revelam que impunidade mantém violência no campo
Confira alguns dados:
- Quadro Comparativo dos Conflitos no Campo (1997-2006)
- Violência contra a ocupação e a posse
- Síntese dos Conflitos por Terra
- Síntese dos Conflitos Trabalhistas
* Quem tiver interesse em “Conflitos no Campo Brasil" 2006 deve mandar email para joana@cptnacional.org.br

