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sexta-feira, 27 de maio de 2016

BRASIL DE TEMER A DEODORO



22 maio 2016, Fonte: Senadora Gleisi Hoffman https://www.facebook.com/gleisi.hoffmann

João Capiberibe*

Vamos começar lá de trás, colocando na roda do mundo o Marechal Deodoro da Fonseca que, no dia 15 de novembro de 1889, liderou uma quartelada e destronou seu amigo, o Imperador do Brasil, Dom Pedro II. Aquele barbudo sisudo dos compêndios de história do nosso tempo de criança.

Dizem os historiadores que isso aconteceu por que a filha do Imperador, Princesa Isabel, contrariando a turma do agronegócio daquela época, no dia 15 de maio de 1888 assinou uma Lei, apelidada de Áurea, que pôs fim à escravidão no Brasil.

Um dia desses, ao saber que a primeira constituição republicana, a de 1891, tinha proibido o voto aos analfabetos, fiquei curioso. Fui à cata de informação, quis saber quantos eram os analfabetos que, naqueles idos, perderam seus direitos políticos. Vejam só que achado. Primeiro, descobri que no tempo do Brasil colônia e durante quase todo o império eles votavam. Verdade! Era-lhes assegurado

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Angola/Tráfico de escravo retratado em exposição



23 Agosto de 2013, AngolaPress http://www.portalangop.co.ao (Angola)

Luanda- Uma exposição de reconstrução cronológica do processo do tráfico de escravo em Angola foi aberta hoje, sexta-feira, no Museu Nacional de Escravatura, em Luanda, com o intuído de se levar, uma vez mais, ao conhecimento dos cidadãos angolanos as várias facetas deste processo.

De acordo com Vladimiro Fortuna, director geral do Museu Nacional da Escravatura, esta é primeira edição da exposição fotográfica, enquadrada no âmbito de um projecto denominado “ Reconstituição da história da escravatura e do tráfico em Angola”.

“Estas obras são fruto das recolhas de dados,

terça-feira, 6 de agosto de 2013

PAÍSES DO CARIBE EXIGEM DA EUROPA UMA COMPENSAÇÃO PELA ESCRAVATURA



4 agosto 2013, Radio Moçambique http://www.rm.co.mz

Tráfico de escravos pintado num quadro de George Morland/Museu das Artes Africanas e Oceánicas, Paris

Os cálculos mais conservadores indicam que pelo menos 12 milhões de africanos foram sequestrados na costa ocidental do seu continente e transportados em barcos negreiros europeus até às colónias da América, entre os séculos XVI e XVIII. Nem todos sobreviveram a travessia e aqueles que chegaram com vida, trabalharam em condições de escravatura nas plantações dos impérios da Espanha, Inglaterra, Holanda, França e Portugal no Novo Mundo. As nações que integram a Comunidade do Caribe (Caricom) atribuem a origem da sua actual pobreza material à escravatura e ao genocídio perpetrado naqueles tempos. Por isso, decidiram levantar um processo jurídico contra a Inglaterra, Espanha, França, Holanda e Portugal, reclamando uma compensação económica e de investimento em planos de desenvolvimento.

“Estamos a enquadrar a exigência das reparações numa discussão sobre o desenvolvimento. Não estamos a falar de uma confrontação, mas se necessário levaremos o nosso caso para a Corte Internacional de Justicia para negociar”, explicou a historiadora Verene Sheperd, que

terça-feira, 21 de maio de 2013

Brasil/Unilab: Nilma Gomes é a 1ª reitora negra de Universidade Federal



20 maio 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Nilma Lino Gomes assume a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) como a primeira reitora negra do País. Entre tantos desafios, está ampliar as relações internacionais com os países de língua de expressão portuguesa. Leia a seguir entrevista publicada pelo jornal O Povo nesta segunda-feira (20).



A professora mineira Nilma Lino Gomes tomou um susto quando foi convidada para ser reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) no início deste ano. A proposta veio do colega Paulo Speller, reitor-fundador da primeira universidade internacionalizada do Brasil, fincada no Maciço de Baturité, em Redenção, a 40 quilômetros de Fortaleza. Passada a surpresa, veio a percepção do contexto. Seria a primeira mulher negra no comando de uma universidade brasileira.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

UNESCO lança livro sobre comércio de escravos



19 abril 2013, AngolaPress http://www.portalangop.co.ao (Angola)

Paris (França ) - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)  lançou esta quinta-feira, em Paris, o livro “Comércio de Escravos Transatlântico e Escravatura: Novas Orientações para Ensinar e Aprender” destinado ao ensino do comércio de escravos e da escravatura.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

CPLP/Universidade lusófona deverá iniciar atividades em 2010

Fortaleza, 13 dezembro 2008 (Lusa) - A Universidade Federal de Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), que visa reforçar o ensino dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), será instalada a partir de 2009 em Redenção, Ceará, disse Maria Elias Soares, coordenadora de Assuntos Internacionais da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Localizada a cerca de 65 quilômetros de Fortaleza, a UNILAB vai contar com um investimento de R$ 190 milhões.

A verba provém do orçamento do governo brasileiro, disse Soares.

Do total, R$ 30 milhões devem ser liberados em 2009, e o restante será desembolsado no decorrer do projeto.

O início das atividades da nova universidade está previsto para 2010.

"A fase agora é de estudos para a formatação do projeto global", afirmou Soares, que integra a comissão formada por 16 representantes de diferentes instituições e organismos de governo, que foram encarregados para este trabalho.

A estratégia do grupo inclui a realização de seminários para discussão técnica do projeto, além de visitas aos países envolvidos.

"Trabalhamos com a perspectiva de implantar um modelo inovador de universidade", disse.

A previsão é terminar o relatório até junho de 2009, prazo que deverá coincidir com a aprovação da lei de criação da UNILAB pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até à sua instalação definitiva, a UNILAB contará com a estrutura física e os recursos humanos complementares da UFC, instituição tutora do projeto e responsável pela administração dos primeiros recursos.

A oferta inicial será de 5 mil vagas em quatro áreas: Formação de Professores, Saúde, Gestão e Ciências Agrárias e Florestais.

Uma quinta área, ligada ao potencial tecnológico do Ceará, também está nos planos.

A UNILAB prevê o intercâmbio com Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau, região administrativa especial da China, segundo informou a UFC.

Redenção foi escolhida para abrigar a UNILAB pelo simbolismo de ter sido o primeiro município brasileiro a abolir a escravatura e para atender à procura de ensino superior na região do Maciço de Baturité, interior do Ceará, esclareceu René Barreira, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, um dos membros da comissão.

A UNILAB deverá ser construída num terreno com cerca de 100 hectares, num processo conduzido pelo governo do Ceará.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Angola/Docente brasileiro disserta sobre "Matrizes africanas”

Luanda, 5 agosto 2008 - "Matrizes africanas do território brasileiro" é o tema da palestra a ser apresentada nesta quarta-feira (dia 6), em Luanda, pelo professor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (Brasil), Rafael Sanzio Araújo dos Anjos.

Segundo um documento da Embaixada do Brasil em Angola enviado hoje, terça-feira, a Angop, o encontro vai decorrer no Museu de História Natural e será dirigido aos pesquisadores e estudantes das áreas de Ciências Humanas e Sociais e professores.

O orador está em Luanda desde o dia 2 do corrente mês, no âmbito do projecto de pesquisa desenvolvido por si na área de territorialidade e cartografia dos quilombos no Brasil.

Até o término da sua permanência no país, previsto para dia 10 deste mês, o palestrante tem ainda agendadas pesquisas no Arquivo Histórico Nacional, Museu Nacional da Escravatura, bem como trabalhos de campo a comunidades tradicionais no interior do país.

Dentre os seus trabalhos e publicações, destacam-se "Territórios das comunidades remanescentes de antigos quilombos no Brasil" (2000/2005), colecção África-Brasil, o mapa dos municípios com registros de comunidades quilombolas (2005) e os livros "Quilombolas: Tradições e Cultura da Resistência" (2006) e "Dinâmica territorial: Cartografia-Monitoramento-Modelagem" (2008). (AngolaPress)


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Brasil/ABOLIÇÃO TARDIA E INCONCLUSA

Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer


20 maio 2008/Correio da Cidadania http://www.correiocidadania.com.br

A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim – em termos oficiais – da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.

Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea – a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários – era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo e até tão tarde marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe – tristemente – de ser mais do que atual.

O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o "apartheid" nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o "apartheid" social que segrega os pobres – dos quais muitos, tantos são afrodescendentes – nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?

Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados aos brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks – a corajosa militante negra norte-americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.

Em quantas batidas policiais – cada vez mais freqüentes em nossas cidades – muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como "doméstica"?

Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos. À sombra da casa grande, a senzala era pasto dos mais diversos abusos, entre os quais talvez um dos mais graves tenha sido o sexual, com as jovens africanas devendo, ademais dos trabalhos domésticos, satisfazer os desejos sexuais do senhor e carregar-lhe a prole no ventre.

Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1988. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.

Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos XVI e XIX), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.

A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro "investment grade" ao qual o país deve aspirar.

Maria Clara Bingemer é autora de "Simone Weil - A força e a fraqueza do amor" (Ed. Rocco).

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1836/47/

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Angola/Palestra sobre “Universo panteísta angolano em Cuba” é realizada sexta-feira

Luanda, 30 agosto 2007 - Uma palestra sobre “ O universo panteísta angolano em Cuba”, que terá como orador o director do Museu Nacional da Escravatura, Simão Souindoula será realizada sexta-feira, no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em Luanda.

De acordo com um comunicado a que a Angop teve hoje acesso, o encontro é realizado, pela Comissão Preparatória do Terceiro Encontro Internacional de Historia de Angola, que decorrerá, em Luanda, de 25 a 28 de Setembro.

Segundo o comunicado Simão Souindoula, na sua comunicação, vai abordar a componente “angolana”, do ponto de vista linguístico e antropológico, das práticas religiosas afro-cubanas, as suas principais componentes e as suas características.

Insistirá, particularmente, sobre a notável perpetuação naquela grande ilha das Caraíbas, que recebeu, clandestinamente, significativos contingentes de escravos“ angolanos “no período pós – Abolição, as práticas rituais ligadas as Reglas del Palo Congo e Mayombe.

Antigo perito do Centro Internacional das Civilizações Bantu, organismo de cooperação cultural, Simão Souindoula, cumpriu, entre outras tarefas, encarregue de coordenar os programas daquela instituição ligadas com a diáspora além Atlântico.

O Director do Museu Nacional da Escravatura, Publicou, neste quadro, dezenas de artigos, comunicações e recensões sobre diversos aspectos da evolução histórica, as realidades antropológicas e linguísticas assim com as expressões artísticas (artes visuais, música) das comunidades bantu – descendentes atestadas no Golfe de Guiné, na Península Ibérica, nas Américas e nas Caraíbas. (AngolaPress)

domingo, 26 de agosto de 2007

Brasil/Vítimas vão à Justiça por iniciativa própria contra escravagista

Fugidos de fazenda no nordeste do Mato Grosso, trabalhadores contratam advogado e movem ação contra empregador. Na opinião de especialista no combate ao trabalho escravo, caso pode ser considerado um "avanço"


Por Carlos Juliano Barros / www.reporterbrasil.org.br / 22 Agosto 2007


Depois de acionarem a Justiça por iniciativa própria, dez trabalhadores rurais reduzidos a condições análogas à de escravos na fazenda Serra Verde, em Bom Jesus do Araguaia (MT), vão receber as verbas trabalhistas a que têm direito, além de indenizações individuais por dano moral. Foi o que decidiu o juiz João Humberto Cesário, da Vara do Trabalho de São Félix do Araguaia (MT), no último dia 10 de agosto. Outros dois que faziam parte do mesmo grupo, mas que não compareceram ao julgamento, tiveram suas ações arquivadas.


Na opinião do magistrado, o caso é emblemático, já que a iniciativa de buscar a reparação das irregularidades cometidas pelo empregador partiu das próprias vítimas. "É a primeira vez que me deparo com o próprio trabalhador ajuizando a ação individualmente, sem o Ministério Público", afirma.

Após fugirem da fazenda, para onde foram atraídos por um aliciador de mão-de-obra que os contratara para o serviço de roço de pasto, os trabalhadores lavraram um boletim de ocorrência na cidade de Água Boa (MT). Durante o período em que ficaram na Serra Verde, eles passaram a noite sob barracas de lona preta e foram obrigados a consumir a mesma água do córrego onde os animais saciavam a sede.

As jornadas não eram inferiores a doze horas por dia e não havia locais apropriados para que eles fizessem suas necessidades fisiológicas. Um deles, que teve parte do dedo da mão decepada enquanto manipulava uma foice, não recebeu qualquer tipo de auxílio médico e continuou a desempenhar suas funções, apesar de ferido.

Na delegacia, os trabalhadores foram orientados a entrar com ação na Justiça do Trabalho contra o proprietário da fazenda, e acabaram contratando um advogado particular em São Félix do Araguaia. Em geral, os casos de trabalho escravo vêm à tona depois de fiscalizações realizadas de surpresa pelos grupos móveis do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e a tarefa de acionar a Justiça cabe ao Ministério Público do Trabalho - órgão que funciona como espécie de "advogado da sociedade", e que só pode representar uma coletividade de trabalhadores, nunca alguém individualmente.


Durante a audiência, o dono da Serra Verde, Joaquim Barbosa de Brito, defendeu-se dizendo que havia efetuado o pagamento dos trabalhadores, mas não apresentou nenhum documento que atestasse a veracidade de seu depoimento.


"Mas não basta ele alegar que pagou, tem que comprovar. A somatória de fatos levou a concluir que houve trabalho escravo", explica João Humberto. O fazendeiro ainda pode recorrer a uma instância superior, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Cuiabá, capital do estado.


Ele foi condenado a quitar todos os débitos trabalhistas e a pagar uma indenização por danos morais, no valor de R$ 10 mil reais, a nove dos reclamantes. O trabalhador que teve parte do dedo decepado foi contemplado com uma indenização no valor de R$ 20 mil. "Na própria sentença, determinei que o Ministério Público do Trabalho fosse noticiado para que ele ajuizasse outro tipo de ação, pela qual pode postular a reparação de eventuais danos morais coletivos, causados à sociedade", completa João Humberto.


Na opinião de Carla Leal, membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação Nacional de Magistrados do Trabalho (Anamatra), o caso pode ser considerado um "avanço, fruto do que vem sendo feito no combate ao trabalho escravo no país", uma vez que "as próprias vitimas já começam a buscar justiça". De acordo com ela, que também é juíza do trabalho e professora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), o desconhecimento das formas de acesso ao Poder Judiciário, além do receio de represálias, são os principais fatores que inibem os trabalhadores.


Há pouco mais de um ano na região de São Félix do Araguaia, o juiz João Humberto vem participando de um projeto, em parceria com sindicatos e entidades da sociedade civil, para conscientizar os trabalhadores rurais sobre seus direitos por meio de reuniões e palestras. "Esse caso pode ser resultado desse esforço", comemora.


http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1154


Trabalho escravo

O que é

Mentiras mais contadas

Como uma pessoa livre se torna escrava

Como uma pessoa escrava se torna livre

Comparação entre a nova escravidão e o antigo sistema

O trabalho escravo e a legislação brasileira

Documentos para pesquisa

Jurisprudência

Bibliografia recomendada

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Angola/Conferencistas da SADC visitam Museu da Escravatura

Luanda, 23 Agosto 2007 - Os delegados à nona Conferência do Fórum das Comissões Eleitorais da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral(SADC), realizada de 20 a 21 deste mês em Luanda, visitam na manhã de hoje o Museu Nacional de Escravatura.


A visita dos delegados ao local histórico tem como objectivo saudar o 23 de Agosto, Dia Internacional da Comemoração do Tráfico Negreiro e da Abolição da Escravatura.


Em função da importância desta fase histórica para África e o Mundo, a Unesco tem um projecto denominado "A Rota dos Escravos" que visa promover diversos eventos em prol da reflexão do período da escravatura.


Às 16H00 do mesmo dia haverá, no Museu de História Natural, uma exposição iconográfica, bibliográfica, exibição de imagens áudio visual sobre a escravatura e a entoação de vários cânticos pelo coro feminino da Igreja Teosófica Espírita pela memória dos milhões de angolanos, vítimas do tráfico negreiro.


Uma palestra sobre "Porto Rico, uma ilha angolana", a ser proferida pelo director do Museu Nacional da Escravatura e Coordenador do Comité de Angola do Projecto da Unesco "A Rota do Escravo", Simão Souindoila, bem como uma peça teatral sobre o negócio de madeira de ébano no actual território angolano, pelo Grupo Experimental do Ministério da Cultura fazem ainda parte da agenda.


O 23 de Agosto, Dia Internacional da Comemoração do Tráfico Negreiro e da sua Abolição, foi instituído pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em referência a insurreição de escravos organizada na noite de 22 a 23 de Agosto de 1791, nos actuais Haiti e República Dominicana. (AngolaPress)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Moçambique/Escravatura : Um negócio com causas e efeitos ainda presentes

Maputo, 22 Agosto 2007 - Vários especialistas reflectem desde ontem na Ilha de Moçambique diversas matérias relacionadas com as diversas etapas da escravatura entre o território moçambicano e o mundo, com destaque para as ilhas do Oceano Índico. O seminário de dois dias decorre sob lema "As Causas e Consequências da Escravatura Ontem e Hoje" e junta historiadores e outros cientistas sociais moçambicanos, reunioneses, portugueses e italianos.

Um total de 14 painéis está em debate neste evento, entre eles "O contexto da 'exclusão' da mulher na rota de escravos de Moçambique para o comércio transfronteiriço, c. 1730-1830", apresentado pela pesquisadora Benigna Zimba, "O percurso comum africano e especificidades das experiências moçambicanas com a escravidão local e o tráfico de escravos", Gerhard Liesegang, "Vida e morte dos africanos de Moçambique deportados à Ilha Bourbon no período da escravatura, 1724- 1848", apresentado pelo reunionês Sudel Fuma, "Aproximar as costas moçambicanas à Ilha Reunião pela actividade turística", Fabrice Folio (Reunião) ou "Tradições culturais de moçambicanos na Somália", pela italiana Francesca Declich.

Por estes dias, Moçambique e as ilhas do Índico comemoram a abolição da escravatura nos seus territórios, algo que, teoricamente, ocorreu há pouco mais de século e meio. No entanto, o fim efectivo do tráfico humano para trabalho escravo ocorreu apenas com a independência do país, em 1975. o trabalho forçado no tempo colonial pode considerar-se, pelos seus contornos, uma forma dissimulada e sofisticada da escravatura secular. A única diferença foi a ausência da caça ao homem para o trabalho escravo, sendo substituída por coacções de vária ordem, incluindo judicial, para pôr os moçambicanos a trabalharem para a prosperidade de Portugal.

As causas e os efeitos da escravatura no mundo são ainda presentes, o que faz com que algumas correntes defendam, mais do que o diálogo intercultural desenvolvido apenas pelas vítimas, a reparação dos danos causados aos povos pilhados dos seus homens e mulheres.

O seminário que decorre na Ilha de Moçambique é organizado em conjunto pelo Ministério da Educação e Cultura, através do Instituto de Investigação Sociocultural (ARPAC), em coordenação com a associação Historium, da Ilha Reunião.

Entretanto, amanhã, será inaugurado na Ilha de Moçambique o memorial Jardim da Memória, que pretende ser um espaço físico para fazer convergir o passado e o presente do povo da ilha e de outros com que se foi relacionando ao longo do tempo.

O projecto foi desenhado conjuntamente por Moçambique, ilha Reunião – domínio francês do Oceano Índico, que cresceu principalmente através do trabalho escravo de muitos moçambicanos arrancados de vários pontos do que é hoje o nosso país e transportados a partir da Ilha de Moçambique – e Madagáscar.

As ilhas do Índico, principalmente a Reunião, têm estado nos últimos anos a "perseguir" o seu passado. Muitos são os reunionenses que, à procura das suas origens moçambicanas, se tem deslocado ao nosso país. As autoridades de Saint-Denis assinaram com o governo moçambicano em finais do ano passado um projecto de cooperação cultural que prevê intercâmbios entre os dois povos principalmente para alimentar o velho objectivo de responder à questão "quem somos e de onde vimos". Este projecto destina-se a tornar presente à população do oceano Índico as relações históricas e culturais que a unem. Com efeito, todas as chamadas "ilhas crioulas" – Maurícias, Rodrigues, Seychelles e Reunião – foram povoadas a partir do continente africano – e um bocado da Ásia – no quadro de vários sistemas de dominação, nomeadamente da escravatura. O processo de mestiçagem que daí nasceu significou a confluência de várias tradições, religiões e outros que continuam em estreita ligação nos dias que correm.

O "Jardim da Memória" da Ilha de Moçambique será uma espécie de monumento no local de onde terá origem a maioria dos crioulos. À luz do projecto desenhado, o memorial estará localizado num ponto da parte oeste da ilha, em frente ao mar, confinado à uma praia onde atracam diariamente barcos modernos e arcaicos que transportam passageiros e carga provenientes do continente. O sítio foi escolhido pelo Ministério da Educação e Cultura em coordenação com as autoridades locais.

O memorial constitui parte de um grande projecto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sobre as rotas dos escravos nesta região do mundo. a agência da ONU iniciou em 2004 um programa de valorização deste passado que a história preserva. Decidiu-se que em quatro pontos principais seriam instalados memoriais, nomeadamente a Ilha de Moçambique, Fort Dauphin em Madagáscar, Saint-Paul na Reunião e Pondichéry na Índia. (Noticias)

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Angola/Responsável participa no encontro internacional do tráfico negreiro

Luanda, 23 julho 2007 - O director do Museu Nacional da Escravatura, Simão Souindoula, participa de 23 a 26 deste mês, em Londres, na reunião internacional dos responsáveis de museus do tráfico negreiro.
O encontro vai definir as vias para melhor divulgação dos acervos documentais e museológicos ligados à escravatura, segundo uma nota de imprensa do Museu de Escravatura a que a Angop teve acesso, em Luanda.
No quadro do projecto da UNESCO, os participantes vão estudar a rota do escravo e as formas de apoiar a digitalização de documentos escritos, orais ou de imagens esclavagistas.
O documento refere que os resultados desta reunião terão reflexos positivos no desenvolvimento de estudos sobre aspectos inéditos do negócio de madeira de ébano nas costas de África Ocidental e Oriental e de novos projectos de promoção memorial.
Participarão no encontro representantes da África do Sul, Brasil, das ilhas caribenhas de Antigua, Bahamas e Bárbados, do Benim, Gâmbia, Ghana, Quénia, Senegal, Tanzânia e dos Estados Unidos da América.A reunião é uma organização conjunta entre a UNESCO e o Conselho Britânico dos Museus, Bibliotecas e Arquivos (MLA). (AngolaPress)