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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Brasil/Direitos Trabalhistas: 'Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64'

12 abril 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

por Wanderley Preite Sobrinho, Carta Capital



Contratados com idade entre 18 e 25 anos devem ser os maiores afetados, afirma Ruy Braga (Reprodução/Facebook)

Para Ruy Braga, professor da USP especializado em sociologia do trabalho, Projeto de Lei 4330 completa desmonte iniciado por FHC e sela "início do governo do PMDB".

Especialista em sociologia do trabalho, Ruy Braga traça um cenário delicado para os próximos quatro anos: salários 30% mais baixos para 18 milhões de pessoas. Até 2020, a arrecadação federal despencaria, afetando o consumo e os programas de distribuição de renda. De um lado, estaria

Brasil/Nove motivos para você se preocupar com a nova lei da terceirização

9 abril 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Reporter Brasil, Piero Locatelli


O número de trabalhadores terceirizados deve aumentar com a aprovação no Congresso do Projeto de Lei 4.330.

A nova lei abre as portas para que as empresas possam subcontratar todos os seus serviços. Hoje, somente atividades secundárias podem ser delegadas a outras empresas, como por exemplo a limpeza e a manutenção de máquinas. Entidades de trabalhadores, auditores-fiscais, procuradores do trabalho e juízes trabalhistas acreditam que o projeto é nocivo aos trabalhadores e à sociedade. Descubra por que você deve se preocupar com a mudança.

1 – Salários e benefícios devem ser cortados
O salário de trabalhadores terceirizados é 24% menor do que o dos  empregados formais, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).No setor bancário, a diferença é ainda maior: eles ganham em média um terço do salário dos contratados. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, eles não têm

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

DEZ CONSIDERAÇÕES SOBRE O NOVO CONGRESSO, QUE É A CARA DO BRASIL

1 fevereiro 2015, Blog do Sakamoto http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br (Brasil)

Leonardo Sakamoto

De acordo com estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o Congresso Nacional empossado, neste domingo, é conservador socialmente, atrasado do ponto de vista dos direitos humanos, temerário em questões ambientais, liberal economicamente e pulverizado partidariamente.

Sobre isso, reuni algumas considerações oriundas de debates que venho travando, por aqui, há algum tempo:

1) Parte dos mais votados fez sua carreira na mídia ou conseguiu entender a lógica da cobertura política e, produzindo factóides, surfando nessa lógica, mantendo-se constantemente em evidência

sábado, 31 de janeiro de 2015

Brasil/COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO AMEAÇADO POR PROIBIÇÃO DE DIVULGAR ‘LISTA SUJA’ DE EMPRESAS

26 janeiro 2015, ADITAL, Agência de Informação Frei Tito para América Latina http://site.adital.com.br (Brasil)

Benedito Teixeira, Adital

Um dos principais compromissos assumidos pela presidenta do Brasil, Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores – PT) nas eleições de 2014, o combate ao trabalho escravo no país está seriamente ameaçado. Trata-se da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, às vésperas do Natal de 2014, que proíbe a divulgação do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conforme determina a Portaria Interministerial TEM/SDH 2, de 12 de maio de 2011. A atualização desse Cadastro era feita semestralmente, mas o que deveria ser divulgado em dezembro último não saiu por causa da liminar.

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que reúne empresas do setor da construção civil – segmento que está entre os campeões no ranking de casos de trabalho escravo no país -- é a autora da

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Brasil/Fim do latifúndio é constitucional e urgente para o avanço democrático

7 janeiro 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A polêmica tem sido a tônica desde o anúncio da nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), como ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


Avançar na reforma agrária é reivindicação histórica dos movimentos sociais e 
meta a ser cumprida pelo segundo mandato da presidenta Dilma

Em sua primeira entrevista como ministra já empossada, ela reforçou o coro dos críticos quando disse que “não existem mais latifúndios no Brasil”. Questionada sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que tramita no Congresso Nacional e se aprovada passará a responsabilidade da demarcação de terras indígenas para o Congresso, ela resolveu atacar os indígenas, dizendo que “os índios saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção”. 

O MST (Movimento dos Sem Terra) se posicionou contrário à nomeação de Kátia Abreu, desde quando se aventava o seu nome. Para o movimento, a declaração da ministra de que não existe latifúndio é para justificar que não é necessária uma reforma agrária em massa.

“As declarações de Kátia Abreu demonstram que a ministra representa os interesses dos segmentos mais atrasados da agricultura brasileira, que não alcançaram os patamares mínimos de produtividade, desmatam o meio ambiente e utilizam trabalho escravo”, enfatiza Igor Felippe, da coordenação nacional de comunicação do MST.

100 milhões de hectares
Segundo ele, dados mais recentes apontam que

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Brasil/Dilma sobre o debate: "Ninguém pode sair do campo das ideias"

24 de outubro de 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Em coletiva na tarde desta quinta-feira (23) no Rio de Janeiro, a presidenta Dilma Rousseff agradeceu os apoios espontâneos que os brasileiros estão dando a sua reeleição. Ela repudiou todo e qualquer conflito físico por conta da disputa de projeto e convocou o Brasil para o debate. “Numa eleição, você tem confrontos e conflitos de ideias. Ninguém pode sair do campo das ideias."


“Eu vi nos últimos dias uma manifestação completamente espontânea. Não é uma movimentação só de um partido, é muito mais uma manifestação popular. Isso acontece nas eleições: amplia a consciência, a adesão e convicção das pessoas, que assumem um rumo”, afirmou, lembrando que esta semana em Recife 52 mil pessoas participaram de uma caminhada e comício seus.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Brasil/FREI BETTO LISTA 13 RAZÕES PARA REELEGER DILMA

11 setembro 2014, Agencia PT de Notícias (Brasil)

Em artigo, ele citou políticas sociais mantidas pelos governos do PT, valorização da educação, Mais Médicos, entre outras razões.

O escritor e religioso Frei Betto listou, em artigo, 13 razões para votar e reeleger a presidenta Dilma Rousseff nas eleições de 2014. Entre os motivos, ele inclui as políticas sociais que tiraram milhões de brasileiros da miséria; a independência do Fundo Monetário Internacional (FMI); a Política Nacional de Participação Social; a valorização da educação com programas como Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e Programa Universidade para Todos (Prouni); o Mais Médico; o reajuste anual do salário mínimo; entre outras razões.

“Votarei, enfim, por um Brasil melhor, mesmo sabendo que o atual governo é contraditório e incapaz de promover reformas de estruturas e punir os responsáveis pelos crimes da ditadura militar. Porém, temo o retrocesso e, na atual conjuntura, não troco o conhecido pelo desconhecido”, explicou Frei Betto.

Veja abaixo as 13 razões destacadas pelo escritos e religioso em favor de Dilma:

1.      Apesar das mazelas e contradições do PT e do atual governo, votarei em Dilma para que se aprimorem as políticas sociais que, nos últimos 12 anos, tiraram da miséria 36 milhões de brasileiros.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Brasil∕PLEBISCITO POPULAR PELA REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO



1º. setembro 2014, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Coluna de Emir Sader

Entre os dias 1º e 7 de setembro será realizado um plebiscito popular por uma Assembleia Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

1. Está convocado um plebiscito popular, entre os dias 1 e 7 de setembro, por uma Assembleia Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

2. No atual sistema político, as empresas financiam mais de 90% dos recursos das campanhas eleitorais, os eleitos são controlados pelos interesses delas e não dos cidadãos que votaram.

3. Como resultado disso embora sejam apenas 3% da população, os empregadores tem 49% dos representantes na Câmara dos Deputados. Enquanto que os empregados, embora sejam 61% da população, tem apenas 19% dos representantes. Os brancos, sendo 48% da população, tem 92% dos representantes. Os pretos e pardos, sendo 51% da população, tem apenas 8% dos representantes.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Moçambique∕DEMOCRACIA COM DEDO NO GATILHO



22 junho 2014, Desafio EDITORIAL http://desafio.co.mz (Moçambique)

Moçambique celebra quarta-feira 39 anos de independência nacional. A data é assinalada quando passam escassos 22 anos depois do calar das armas dos tristes 16 anos de guerra fratricida movida pela Renamo.

Trata-se de tempo escasso porque é suposto assumir a paz como eterna no livre pressuposto de que o ser humano devia viver sempre em paz. Desejo que, ao que parece, não fazer parte do plano de alguns moçambicanos. Triste sina a nossa.

A maioria dos moçambicanos anseia pela paz. Clama por ela. Contudo existe o triste contraponto de homens que em pelo Século XXI advogam o caos. A confusão. A balbúrdia. Para estes o troar das armas

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Brasil/CPT convida papa para conhecer realidade do camponês brasileiro



25 julho 2013, Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Carta destaca a necessidade de regularização dos territórios tradicionalmente ocupados e da realização da “tão sonhada reforma agrária”
da Redação

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) aproveitou a vinda do papa Francisco ao Brasil e enviou uma carta o convidando para conhecer a realidade das comunidades rurais no país. Juntamente com a CPT, outras quatro pastorais do campo também assinaram o documento, que teve como intermediário o presidente da CPT, Dom Enemésio Lazzaris.

A carta destaca a simplicidade do novo papa e as recorrentes falas de aproximação da igreja aos pobres. Da mesma forma, apresenta o trabalho das pastorais do campo, que ouvem os clamores dos povos e suas lutas cotidianas pela garantia de seus direitos e pela permanência na terra.

As pastorais reivindicam ainda a regularização dos territórios tradicionalmente ocupados e a realização da “tão sonhada reforma agrária”, assuntos ainda intermitentes na pauta governamental. Ao mesmo tempo, também demonstram esperança de que um dia o papa possa visitar essas comunidades, dando uma demonstração concreta do compromisso da igreja, em assumir a “postura de Cristo junto aos pobres na terra”.

Confira a carta na íntegra

Caríssimo Irmão Francisco, 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O BRASIL DO "PROGRESSISTA" GOVERNO LULA: AVANÇA O MONOPÓLIO DA TERRA PARA PRODUÇÃO DE AGROCOMBUSTÍVEIS

6 agosto 2010/Resistir.info http://www.resistir.info

por Maria Luisa Mendonça [*]


• A expansão do monocultivo de cana-de-açúcar
• Trabalho escravo
• Desemprego e trabalho degradante
• Migração
• Luta camponesa
• Nota


O monopólio da terra segue como tema central diante do avanço do capital sobre recursos estratégicos em todo o mundo. Nesse contexto, a produção de agrocombustíveis cumpre o papel de justificar este processo, a pretexto de servir como suposta alternativa para a crise climática [NR 1] . Porém, quando falamos sobre mudanças climáticas, estamos realmente nos referindo a mudanças no uso do solo, com a expansão dos monocultivos, da mineração, das grandes barragens, e outros projetos de controle de recursos energéticos, que estão na raiz da crise climática.

No Brasil, os velhos usineiros [NR 2] , agora travestidos de empresários “modernos”, em consequência da propaganda sobre as supostas vantagens do etanol, intensificam suas campanhas internacionais para vender o produto. Recentemente, ganharam um reforço especial, com o anúncio do governo sobre acordos trabalhistas e de zoneamento ambiental. Porém, um breve relato sobre as atuais tendências do setor é suficiente para mostrar que estas são apenas medidas de fachada.

As características que historicamente marcaram a oligarquia rural no Brasil permanecem inalteradas. Ou seja, o monopólio da terra, a exploração do trabalho e de recursos naturais estratégicos. A principal mudança tem sido a presença crescente do capital internacional na indústria dos agrocombustíveis. Há alguns anos verifica-se um aumento do ritmo de aquisições no setor sucroalcooleiro, com um crescimento na participação de empresas estrangeiras e um aumento na concentração do poder econômico de determinados grupos.

A participação de empresas estrangeiras na indústria da cana no Brasil cresceu de 1% em 2000 para 20% em 2010. Existem cerca de 450 usinas no Brasil, controladas por 160 empresas nacionais e estrangeiras. De acordo com estudo do grupo KPMG Corporate Finance, de 2000 a setembro de 2009, ocorreram 99 fusões e aquisições de usinas no Brasil. Entre estas, 45 negociações aconteceram no período de 2007 a 2009, sendo que em 22 casos ocorreu a compra de uma usina nacional por um grupo estrangeiro.

Em outubro de 2009, a empresa francesa Louis Dreyfus Commodities anunciou a compra de cinco usinas da Santelisa Vale, de Ribeirão Preto (SP). A fusão criou o grupo LDC-SEV Bioenergia, tornando-se o segundo maior produtor mundial de açúcar e etanol. O grupo pretende produzir 40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e tem participação acionária das famílias Biaggi e Junqueira, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do banco Goldman Sachs.

Uma nova característica da indústria do etanol, se comparada ao Pró-Alcool da década de 1970, é a aliança entre setores do agronegócio com empresas petroleiras, automotivas, de biotecnologia, mineração, infraestrutura e fundos de investimento. Neste cenário, não existe nenhuma contradição destes setores com a oligarquia latifundista, que se beneficia da expansão do capital no campo e do abandono de um projeto de reforma agrária.

Em 2009, a empresa petroleira britânica British Petroleum (BP) anunciou que irá produzir etanol no Brasil, com um investimento de US$ 6 mil milhões de dólares nos próximos dez anos. A BP irá atuar através da Tropical Bioenergia, em associação com o Grupo Maeda e a Santelisa Vale, em Goiás, que contam com uma área de 60 mil hectares para a produção de cana no estado.

Em julho de 2009, a Syngenta divulgou a aquisição de terras para produzir mudas de cana-de-açúcar na região de Itápolis (SP). O projeto inclui a produção de mudas transgênicas e pretende se expandir para outros estados, como Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

No início de 2010, ocorreram novas fusões. Em janeiro, a multinacional agrícola Bunge anunciou a compra de quatro usinas do Grupo Moema, incluindo a usina Itapagipe que tinha participação acionária de 43,75% da empresa norte-americana Cargill. Com a negociação, a Bunge passará a controlar 89% da produção de cana do Grupo Moema, estimada em 15,4 milhões de toneladas por ano.

Em fevereiro, foi anunciada a fusão da ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, com a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), que pretende se tornar a maior empresa de etanol no Brasil, com capacidade para produzir três mil milhões de litros por ano. Alguns dos acionistas da Brenco são Vinod Khosla (fundador da Sun Microsystems), James Wolfensohn (ex-presidente do Banco Mundial), Henri Philippe Reichstul (ex-presidente da Petrobrás), além da participação do BNDES. Já a Odebrecht tem sociedade com a empresa japonesa Sojitz. O novo grupo irá controlar cinco usinas: Alcídia (SP), Conquista do Pontal (SP), Rio Claro (GO), Eldorado (MS) e Santa Luzia (MS).

O conglomerado ainda participa da construção de um alcoolduto entre o Alto Taquari e o porto de Santos, e pretende instalar usinas na África. A empresa pretende captar R$ 3,5 mil milhões até 2012, dos quais pelo menos 20% virão do BNDES, além de outros R$ 2 mil milhões que o banco já investiu anteriormente na Brenco.

Nesta mesma linha, em fevereiro de 2010, a gigante petroleira holandesa Shell anunciou uma associação com a Cosan para a produção e distribuição de etanol, com o objetivo de produzir 4 mil milhões de litros até 2014. Ao divulgar a operação, a nota da Shell afirmava que pretende criar “um rio de etanol, correndo desde as plantações no Brasil até a América do Norte e a Europa”. Apesar da repercussão internacional da prática de trabalho escravo na Cosan, a empresa segue como líder no setor.

Seguindo esta tendência, a Vale anunciou que pretende produzir diesel a partir do óleo de palma na região amazônica a partir de 2014, através de uma parceria com a empresa Biopalma da Amazônia S.A. A intenção é produzir 500 mil toneladas de óleo de palma por ano. Parte do combustível será utilizada nas locomotivas da estrada de ferro e nas minas de Carajás, no Pará.

A expansão do monocultivo de cana-de-açúcar
Em relação ao avanço territorial do monocultivo de cana, dados da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) mostram que, em 2006, eram 4,5 milhões de hectares e, em 2008, chegaram a 8,5 milhões de hectares. Na safra de 2009 houve um aumento de 7,1% em relação a 2008. Esta expansão é estimulada por recursos públicos. Entre 2008 e 2009, estima-se que o setor sucroalcooleiro tenha recebido mais de R$ 12 mil milhões do BNDES. Esta verba é extraída, em grande medida, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Segundo a CONAB, 45,08% da safra foi destinada à produção de açúcar e 54,9% à produção de etanol, que resultou em 25,87 mil milhões de litros do produto. A expansão da área plantada foi de 6,7%, ou cerca de 473 mil hectares. A maior expansão ocorreu na região do Cerrado, principalmente em Mato Grosso do Sul (38,80%) e Goiás (50,10%).

Dados do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), da Universidade Federal de Goiás, indicam que o ritmo atual de desmatamento do Cerrado poderá elevar de 39% para 47% o percentual devastado do bioma até 2050. A pesquisa demonstra ainda que a destruição do Cerrado coloca em risco a disponibilidade de recursos hídricos para o Pantanal e a Amazônia, pois estes biomas estão interligados.

Trabalho escravo
As usinas de cana se tornaram campeãs em trabalho escravo nos últimos anos. De acordo com dados da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2007, dos 5.974 trabalhadores resgatados da escravidão no campo brasileiro, 3.060, ou 51%, foram encontrados no monocultivo da cana de açúcar. Em 2008, dos 5.266 resgatados, 2.553, ou 48% dos trabalhadores mantidos escravos no país estavam em plantações de cana. De janeiro a junho de 2009, este número era de 951 trabalhadores, que representavam 52% do total. Ao final de 2009, o Ministério do Trabalho registrou a libertação de 1.911 trabalhadores nas usinas de cana nos estados de Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Em 2009, o Ministério do Trabalho inclui grandes usinas na chamada “lista suja” do trabalho escravo. Uma delas foi a Brenco, que tem participação acionária de 20% do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Entre 2008 e 2009, o BNDES liberou R$ 1000 milhões para usinas da Brenco em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Ao mesmo tempo, o Grupo Móvel expediu 107 autos de infração contra a empresa, que é presidida pelo ex-presidente da Petrobras Henri Philippe Reichstul. Apesar da prática de trabalho escravo, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anunciou a continuidade do financiamento para a Brenco.

Em 31 de dezembro de 2009, foi a vez do grupo Cosan – a maior empresa do setor sucroalcooleiro do país, com produção anual de 60 milhões de toneladas de cana. Apesar da prática de trabalho escravo, a Cosan recebeu R$ 635,7 milhões do BNDES em junho de 2009, para a construção de uma usina de etanol em Goiás. O BNDES manteve o financiamento para a Cosan, mesmo após a evidência de trabalho escravo. A Cosan possui 23 usinas, controla os postos da Exxon (Esso do Brasil) e teve um faturamento de R$ 14 mil milhões de reais [€5,2 mil milhões ao câmbio actual] em 2008.

Em outubro de 2009, o Grupo Móvel libertou 55 trabalhadores escravizados na Destilaria Araguaia (chamada anteriormente de Gameleira), no Mato Grosso. Segundo o auditor fiscal Leandro de Andrade Carvalho, que coordenou a operação, os trabalhadores estavam sem receber salário há três meses. Esta foi a terceira libertação realizada em oito anos na mesma usina. A Destilaria Araguaia pertence ao Grupo Eduardo Queiroz Monteiro (EQM) – um grande conglomerado econômico com sede em Pernambuco. O grupo controla outras usinas em Pernambuco, Tocantins e Maranhão, além de participar como acionista em veículos de comunicação como o jornal Folha de Pernambuco, a Rádio Folha de Pernambuco, Folha Digital de Pernambuco e Agência Nordeste.

Em junho de 2009, fiscais do Ministério do Trabalho e do Ministério Público detectaram irregularidades em usinas fiscalizadas na região de Ribeirão Preto, em São Paulo, entre elas a Bazan, Andrade, Central Energética Moreno Açúcar e Álcool, e Nardini Agroindustrial. As usinas não forneciam equipamento adequado (como luvas, sapatos e caneleiras) e foram constatadas irregularidades no pagamento da jornada de trabalho. Os trabalhadores declararam que cortam cerca de 20 toneladas de cana por dia. Os fiscais também registraram condições precárias de moradia, como superlotação, locais com risco de incêndio e falta de condições de higiene.

Ainda em 2009, o Ministério Público do Trabalho (MPT) conseguiu uma liminar que obriga a usina São Martinho, em Limeira (SP), a corrigir irregularidades trabalhistas. Durante fiscalizações nas safras de 2007 e 2008, o MPT constatou a falta de equipamentos de proteção, de segurança no trabalho, de cuidados médicos, de condições de higiene e de alimentação adequadas. A ação judicial inclui ainda a condenação da empresa ao pagamento de R$2 milhões aos trabalhadores por dano moral.

Desemprego e trabalho degradante
A expansão de monocultivos para a produção de agroenergia gera desemprego, pois causa a expulsão de camponeses de suas terras, impede que outros setores econômicos se desenvolvam e gera dependência dos trabalhadores a empregos precários e temporários.

José Alves é cortador de cana no interior de São Paulo e explica, “Esse serviço é muito ruim, a gente só vem porque precisa mesmo. “Eu vim de Minas e lá não tem outro serviço. Mas a gente nunca sabe quanto vai receber, porque tem muito desconto do salário. Eu recebo uma média de $700 por mês, mas tudo é caro – aluguel, alimentação, e não sobra nada. A gente sabe que a usina rouba no pagamento, mas temos que ficar calados”.

A expansão e a crescente mecanização do setor canavieiro têm gerado maior exploração da força de trabalho. A maioria dos trabalhadores não tem controle da pesagem de sua produção diária. “A gente nunca sabe quanto vai ganhar e o pagamento vem com muitos descontos. A usina rouba no peso ou na qualidade da cana cortada. Por exemplo, uma cana que vale $5 reais a tonelada, eles pagam só $3 reais. É assim que a usina engana os trabalhadores”, denuncia D.S., cortador de cana em Engenheiro Coelho, SP. [1]

Outro trabalhador da região, Jacir Pereira, confirma a denúncia: “A gente ganha pouco e o salário não confere com o que a gente corta, nem com o acordo coletivo. O acordo diz que o preço da tonelada é $5,85, mas a usina paga só $3,87. Eu tenho que cortar 18 toneladas de cana por dia, trabalhando de segunda a sábado. Só de aluguel eu pago $700,00 e não sobra quase nada”.

As mulheres, apesar de discriminadas pelas usinas, também se arriscam no trabalho pesado, como conta a trabalhadora Odete Mendes, “Eu corto dez toneladas de cana por dia e ganho $190 reais por semana. Só de aluguel, eu gasto $270 por mês. Eu vim do Paraná, mas não quero ficar mais aqui. A gente vive num quarto muito pequeno, tem que dormir no chão. Eu já quebrei o braço e nem aguento mais pegar no facão. Sinto falta de ar, às vezes parece que vou morrer”.

Os movimentos repetitivos no corte da cana causam tendinites e problemas de coluna, descolamento de articulações e câimbras, provocadas por perda excessiva de potássio. Carlita da Costa, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Cosmópolis, conta que “Quando começa a safra, você vai na roça e vê o pessoal todo com o pulso enfaixado, porque abre o pulso e eles não conseguem movimentar a mão, não aguentam a dor. O pessoal tem muita tosse, muita dor de cabeça, muita câimbra”.

Os ferimentos e mutilações causados por cortes de facão são frequentes. Porém, raramente as empresas reconhecem estes casos como acidentes de trabalho. Muitos trabalhadores doentes ou mutilados, apesar de impedidos de trabalhar, não conseguem aposentadoria por invalidez. “Já quebrei o braço duas vezes. Quando alguém passa mal durante o trabalho, não recebe atendimento. Outro dia um companheiro feriu o olho e a enfermeira da usina não quis atender. Querem o nosso serviço, mas não temos assistência médica quando alguém se machuca”, diz J. S., trabalhador da usina Ester em São Paulo.

Como forma de evitar que os trabalhadores morram de exaustão, as usinas passaram a distribuir estimulantes com sais minerais, após a divulgação de dezenas de casos de morte nos canaviais. “Um dos trabalhadores que cortava mais cana na usina Ester era o Luquinha, conhecido como “podão de ouro”. Em pouco tempo, ele ficou doente, sentia dores em todo o corpo, não conseguia comer nem andar. Morreu aos 34 anos. O sistema do pagamento por produção é que causa a morte dos trabalhadores”, explica Carlita da Costa, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Cosmópolis, SP.

“É comum ouvir tosse e gritos nos canaviais. Temos que inalar os agrotóxicos e a cinza da cana queimada o dia todo. Uma vez eu caí no monte de cana e senti um gosto de sangue na boca. Percebi que o corte da cana estava me matando”, completa Carlita.

Migração
Em São Paulo (maior produtor do País), a maioria dos trabalhadores no corte da cana é formada por migrantes. O desemprego causado pelo modelo agrícola baseado no monocultivo e no latifúndio aumenta o contingente de trabalhadores que se submetem a trabalhar em lugares distantes de sua origem, em condições degradantes. Estes trabalhadores são aliciados por “gatos” ou “turmeiros”, que realizam o transporte e fazem a intermediação das contratações com as usinas.

A história do trabalhador E. S. Ilustra a situação dos migrantes, “Tenho 27 anos e vim da Paraíba, porque lá não tem trabalho. Tem muito nordestino aqui. A gente ganha uns $20 reais por dia, mas o custo de vida é muito alto. A usina baixa o preço da cana e não temos controle”.

Ana Célia tem uma história parecida, “Tenho 24 anos e vim de Pernambuco. A usina rouba no peso da cana. A gente corta 60 quilos e recebemos somente por 50 quilos. Tenho problema na coluna, sinto dor no corpo todo. Já emagreci nove quilos nessa safra. Meu marido cortava cana, mas foi afastado porque ficou doente. Quero ir embora”.

A trabalhadora Edite Rodrigues resume a situação no corte da cana. “Tenho 31 anos e vim de Minas Gerais. Tenho três filhos e preciso trabalhar, mas a gente não vê a hora de ir embora. Quando termina o dia, o corpo está todo quebrado, sinto câimbra e ânsia de vômito. Mas no outro dia, começa tudo de novo. A cinza da cana ataca o pulmão e não sara nunca. A terra fica seca com o sol quente e vem aquele pó. Às vezes só ganho $50 reais por semana porque a usina engana a gente.”

Carlita da Costa conclui que, “Vai continuar morrendo gente, o roubo vai continuar até o dia que acabar o trabalho por produção. Esse método de pagamento mata os trabalhadores”.

Luta camponesa
Apesar de ocupar apenas um quarto da área, o Censo mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) constatou que a agricultura camponesa responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 mil milhões). Em relação à geração de empregos, de cada dez trabalhadores no campo, sete estão na agricultura camponesa, que emprega 15,3 pessoas por 100 hectares. No caso da agricultura extensiva, em cada 100 hectares são gerados apenas dois empregos.

Segundo análise de Frei Sergio Görgen, dirigente do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), “No Plano Safra 2009/2010 foram destinados R$ 93 mil milhões para o agronegócio e R$15 mil milhões para a agricultura camponesa, sendo que 1 hectare da agricultura camponesa teve, em média, uma renda de R$ 677,00, enquanto que 1 hectare do agronegócio teve, em média, uma renda de apenas R$ 368,00. Daquilo que vai para a mesa dos brasileiros, 70% é produzido pelos pequenos agricultores”.

Além de receber subsídios de forma desproporcional, o latifúndio se beneficia com outras formas de privilégio, como a Medida Provisória que legaliza a grilagem de terras na Amazônia, a “flexibilização” da legislação ambiental e trabalhista, a continuidade da prática de trabalho escravo, entre outras. O monopólio da terra impede que outros setores econômicos se desenvolvam, gerando desemprego, estimulando a migração e a submissão de trabalhadores a condições degradantes. Este cenário significa que a resistência dos camponeses é estratégica, já que se encontram no centro da disputa por recursos estratégicos, com o avanço do capital no meio rural.

Nota:
[1] Estas entrevistas foram realizadas em setembro de 2009. Alguns nomes de trabalhadores foram substituídos por suas iniciais, para evitar retaliação por parte das usinas. A autora agradece o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Cosmópolis, ao Movimento Sem Terra e a Comissão Pastoral da Terra pelo apoio a pesquisa.

NR
[NR 1] Seria melhor dizer “suposta alternativa para a suposta crise climática”. Ver artigo Acerca da impostura global .
[NR 2] No Brasil chamam de “usinas” às fábricas de açúcar e de “usineiros” aos seus proprietários.

[*] Jornalista e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

O original encontra-se na revista Caros Amigos, em Adital e em http://www.cecac.org.br/MATERIAS/monopolio_terra_m.l.mendonca-3.8.10.htm
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Brasil/Vannuchi: trabalho escravo não é apenas uma mera irregularidade

17 junho 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O combate ao trabalho escravo ganhou destaque na agenda política das últimas semanas com a visita ao Brasil da relatora especial da ONU para formas contemporâneas de escravidão, a advogada armênia Gulnara Shahinian, e a realização do 1º Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, sediado em Brasília.

Por Paulo Vannuchi, na Folha de S.Paulo

Na abertura do evento, o vice-presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, destacou as "múltiplas inconstitucionalidades do trabalho escravo", que viola os preceitos constitucionais da primazia do trabalho e da dignidade da pessoa humana. E sustentou que sua erradicação é uma obrigação do poder público e um desafio para toda a sociedade brasileira.

Desde 1995, 38 mil trabalhadores já foram libertados da condição análoga à escravidão no país, sendo 32 mil nos dois mandatos do presidente Lula.

O diretor da OIT para América Latina e Caribe, Jean Maninat, saudou as políticas brasileiras de enfrentamento e destacou o bom exemplo das mais de 200 empresas que integram o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, assumindo o compromisso de romperem negócios com fornecedores autuados por tal prática criminosa.

Apesar das milhares de libertações já ocorridas, as condenações por esse crime ainda são muito escassas. Uma contribuição mais efetiva dos Poderes Judiciário e Legislativo foi apontada pela subprocuradora geral da República, Deborah Duprat, como fundamental para a erradicação do trabalho escravo.

No Judiciário, o fim da impunidade para exploradores foi defendido pelo presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Milton de Moura França, e pelo procurador-geral do Trabalho, Otávio Brito.

Da parte do Legislativo, o empurrão final ainda precisa ser desbloqueado no Congresso Nacional. A PEC 438, que prevê a expropriação e destinação para reforma agrária de todas as terras onde essa prática seja encontrada, já foi aprovada no Senado e aguarda votação em segundo turno na Câmara.

Um abaixo-assinado pela sua aprovação, com 284 mil assinaturas, foi entregue ao presidente da Casa, deputado Michel Temer, que garantiu seu empenho para finalizar a votação ainda neste ano.

É lamentável, no entanto, que determinados nichos da sociedade ainda tentem confundir o trabalho escravo, definido no artigo 149 do Código Penal, com meras irregularidades trabalhistas, levantando dúvidas sobre a existência dessa prática criminosa no país.

Essa pequena parcela retrógrada do empresariado, socialmente irresponsável, não representa o melhor setor produtivo brasileiro e destoa das grandes empresas que já reconhecem o problema e estão empenhadas na sua erradicação, conscientes da vulnerabilidade que a prática representa para os negócios brasileiros no exterior.

As lideranças mais conscientes do meio empresarial vêm aderindo aos paradigmas da chamada responsabilidade social e sabem que o Brasil não pode correr o risco de perder milhões de reais na sua balança comercial por exploradores que tiram vantagem do trabalho escravo para aumentar seus lucros.

Essa prática atinge hoje menos de 1% dos 17 milhões de trabalhadores rurais brasileiros, mas essa parcela reduzida, ainda mantida em condições degradantes, que violam nossos tratados internacionais, pode causar um grande estrago na imagem do país no exterior e nas relações comerciais.

Esses prejuízos potenciais não são o aspecto ético e jurídico mais importante desse desrespeito à dignidade humana, mas não devem ser subestimados. O país está diante do desafio de conciliar o crescimento econômico que hoje estufa suas velas com o respeito absoluto aos direitos fundamentais.

* Paulo Vannuchi é ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e presidente da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Brasil/CRUZADA CONTRA O TRABALHO ESCRAVO ATINGE A GIGANTE COSAN

9 janeiro 2010/Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

...MAS, COM GENTE É DIFERENTE!

"...porque gado a gente marca,
tange, ferra, engorda e mata,
mas com gente é diferente"

(Vandré/Théo, "Disparada")

Celso Lungaretti

Com a maior sem cerimônia, os estados policiais sonegam de seus cidadãos as informações mais vitais para eles. Foi o que fez a ditadura militar brasileira com as mortes de trabalhadores rurais intoxicados por defensivos agrícolas e com uma epidemia de meningite, nas duas vezes pretensamente para evitar o pânico.

O primeiro episódio eu acompanhei de perto. Trabalhava na agência de comunicação empresarial que, em meados da década de 1970, foi contratada por uma multinacional para evitar que repercutissem as seguidas ocorrências de envenenamento de cidadãos brasileiros nas áreas rurais.

Tratava-se de um contrato tão crapuloso que a conta era integralmente paga pela tal multinacional, mas o trabalho executado em nome de uma associação fantasma de fabricantes de agrotóxicos, criada às pressas para servir como fachada.

Coube-me redigir material de imprensa destacando a notável contribuição que os defensivos agrícolas estariam dando à agricultura brasileira e os terríveis prejuízos que sua eventual proibição acarretaria: fome da população, desemprego no campo, queda das exportações.

Eram textos aparentemente inocentes, mas não o que estava por trás deles: o raciocínio desumano de que, para evitarem-se tais prejuízos, poderiam ser relevadas algumas mortes.

Pior ainda era o papel do dono da agência, um pioneiro da área de assessoria de imprensa e eventos (por ele designados como promoções), que se incumbia pessoalmente de falar com os jornalistas influentes, distribuindo subornos e fazendo ameaças veladas.

Repugnava-me vê-lo elogiar a si próprio por haver conseguido sustar a publicação de uma notícia sobre mortes de trabalhadores rurais que já descera para a gráfica de um jornalão. “Eu parei as rotativas”, proclamava, orgulhoso, para os empresários interessados nos seus serviços.

Ele considerava que haver desempenhado papel tão infame lhe servia como galardão profissional. E não é que os empresários entravam na dele?! Eu assistia e ficava pensando: "este é o milagre brasileiro visto por dentro".

Participar dessa empreitada foi a primeira grande decepção de minha carreira jornalística. Muitas outras viriam, com os interesses econômicos prevalecendo sobre o bem comum e eu nada podendo fazer para remediar a situação, sob pena de perder o emprego e ficar com o mercado de trabalho fechado para mim.

Então, graças à censura sobre a imprensa e aos mecanismos de persuasão dos poderosos, o povo brasileiro deixou de ser informado dos riscos que corria quem utilizasse agrotóxicos. Ocultaram-lhe as mortes por envenenamento ocorridas em todo o País.

A tal multinacional jamais ousaria proceder de forma tão leviana no 1º mundo: para reduzir custos, deixara de investir no treinamento adequado dos usuários de seus produtos.

Mesmo assim, com a conivência do regime militar, conseguiu apagar o incêndio: ministrou rapidamente os cursos que deixara de promover no momento exato e não arcou com as multas astronômicas que lhe seriam aplicadas em qualquer país cujo governo zelasse pelos governados.

De quebra, indenizou mal e porcamente, por baixo do pano, as famílias das vítimas, que não tiveram como arrancar reparações à altura da gravidade das perdas que sofreram.

Ficou-me também a impressão de que o êxito da operação de acobertamento se deveu ao fato de que os mortos eram irrelevantes. Se os finados não fossem os coitadezas das zonas rurais, certamente aquelas mortes acabariam tendo maior repercussão.

UMA EMPRESA QUE FATURA US$ 14 BI E UTILIZA TRABALHO ESCRAVO

Estas tristes lembranças me ocorreram ao ler que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social acaba não só suspender novas operações de concessão de financiamentos, como também de congelar um crédito já aprovado para a Cosan, gigante do setor sucroalcooleiro que foi colocada pelo Ministério do Trabalho na relação de empresas que mantém trabalhadores em situação análoga à de escravos.

Detentora das marcas de açúcar União e Da Barra, a Cosan ingressou em 2008 no mercado de distribuição de combustíveis e lubrificantes, ao comprar os ativos da Esso: 1.500 postos e quatro unidades de distribuição. Valor da transação: US$ 836 milhões.

Seu faturamento total em 2008 foi da ordem de US$ 14 bilhões.

Se queres um monumento ao capitalismo, não precisas nem olhar em torno. Basta comparares a expressão econômica da Cosan, expressa nos números acima, com o tratamento que dava a seus funcionários da usina Junqueira, em Igarapava/SP.

Ao resgatar 42 escravos dessa usina, em junho de 2007, o Ministério lavrou 13 autos de infração. Eis as causas -- as duas primeiras das quais foram consideradas gravíssimas:

adoção de práticas que impediam os empregados de se demitirem, por estarem sempre endividados com o contratante;
ausência de água potável no local de trabalho;
trabalhadores sem registro formal;
menores de 18 anos em trabalho pesado;
falta de vasilhas para refeições;
instalações sanitárias insuficientes;
ausência de local adequado para refeições;
alojamento sem condições adequadas;
chuveiros e roupas de cama insuficientes.

Segundo o auditor fiscal do trabalho Marcelo Campos, a situação encontrada na usina configurou as situações de servidão por dívida e de trabalho degradante, o que levou a inclusão da Cosan na lista suja do Ministério do Trabalho, depois de dois anos de processos administrativos.

PRODUTORES DE ETANOL NA MIRA DA ANISTIA INTERNACIONAL

E o pior é que este caso está longe de ser uma ocorrência isolada: o relatório anual de 2008 da Anistia Internacional responsabilizou o setor canavieiro do Brasil, dedicado à produção do etanol, por abusos e violações de direitos humanos.

"Trabalho forçado e condições de trabalho exploradoras foram registrados em muitos Estados", disse o relatório, acrescentando que o Ministério do Trabalho teve de resgatar 288 trabalhadores de seis plantações de cana-de-açúcar em São Paulo (dentre eles, os 42 da Usina Junqueira), 409 de uma destilaria de etanol no Mato Grosso do Sul e mais de mil na plantação paraense de uma fabricante de etanol.

As ocorrências foram consideradas tão graves que a Anistia Internacional resolveu elaborar um estudo sobre o impacto do crescimento da agroindústria como um todo sobre o respeito aos direitos humanos no Brasil.

Vale destacar que, apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva haver louvado os usineiros como "os novos heróis da nação" (deve estar amargamente arrependido desta frase!), seu governo tem agido com muita energia na fiscalização das condições de trabalho na área rural. Nem os heróis têm conseguido escapar...

Às rigorosas medidas adotadas pelo Ministério do Trabalho, soma-se, agora, o corte dos créditos do BNDES para as empresas que continuam tratando seres humanos como bestas de carga em pleno século 21.

*Jornalista e escritor, Celso Lungaretti mantém os blogues
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com

sábado, 18 de outubro de 2008

Brasil/Abaixo-assinado pede aprovação urgente da PEC contra o trabalho escravo

Amanda Cieglinski , da Agência Brasil

17 outubro 2008/Revista Forum http://www.revistaforum.com.br

Só em 2008, mais de 3 mil trabalhadores em situação degradante foram resgatados por equipes do grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Desde que o grupo foi criado, em 1995, mais de 30 mil trabalhadores foram retirados de situações irregulares. Para impedir que a prática do trabalho escravo continue existindo no Brasil, entidades da sociedade civil organizaram hoje, 17, um ato nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 438/2001) que prevê penas mais rígidas para os exploradores. Entre elas, a expropriação de imóveis (rurais e urbanos) de quem cometer o crime.

A proposta está pronta para ir ao plenário na Câmara e depois precisa ser votada no Senado. A matéria tramita há sete anos e, segundo as entidades que representam os trabalhadores, sofre forte pressão da bancada ruralista para não ser aprovada. Segundo o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), Antônio Lucas, a idéia do abaixo-assinado é mostrar aos parlamentares que a sociedade é contra o trabalho escravo.

“O Brasil hoje é um país que está exportando soja, milho, um monte de produtos agrícolas. Eles [ruralistas] precisam tirar de dentro dessa produção o trabalho escravo, isso é bom para eles também. Eles precisam ter essa consciência. Nós vamos para dentro do Congresso brigar para que ela seja aprovada”, afirma.

A meta é recolher 2 milhões de assinaturas até fevereiro. Hoje, 17, os pontos para coleta de assinaturas estão espalhados em várias cidades. Em Brasília, foram escolhidos dez locais de grande circulação como a Rodoviária do Plano Piloto, os shoppings Pátio Brasil e Conjunto Nacional, e as estações do metrô em Taguatinga e Ceilândia. Há ainda a versão eletrônica do abaixo-assinado, disponível na internet.

Para Maria Isabel Silva, conselheira da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), parte da população desconhece que o problema persiste no Brasil, 120 anos após a assinatura da Lei Áurea. “A população é muito mal informada. As pessoas que têm nos procurado nem sabe que isso ainda existe, quem está na fazenda acha que vive lá por uma concessão do patrão. O povo precisa ser conscientizado que essa exploração do homem pelo homem não pode mais existir. É uma segunda abolição da escravatura”, defende.

A auxiliar de administração Dalvirene Cavalcante passava pela Rodoviária do Plano Piloto e decidiu parar para assinar a lista. “É uma situação deprimente [o trabalho escravo] que infelizmente ainda existe. Eu fico comovida porque meu pai já foi trabalhador escravo, há 30 anos ele fugiu de uma fazenda no Alto do Xingu (MT), ajudado pelos índios”, contou.

Segundo a Associação Nacional dos Procurados do Trabalho (ANPT), os estados que mais apresentam denúncias desse tipo de exploração são Pará, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

Jônatas Andrade, representante da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamtra), explica que as denúncias de trabalho escravo aparecem “de forma renovada”. “Elas têm aparecido inclusive em áreas em que não se apresentavam, como o Sul e o Sudeste, em especial no setor sucroalcoleiro.”

Andrade aposta na “pressão do povo” para acelerar a aprovação da PEC. Segundo ele, estão sendo feitas parcerias com supermercados para instalar pontos de coleta de assinaturas. O primeiro a aderir foi a rede Wall-Mart.

Quem quiser denunciar algum caso de trabalho escravo pode procurar a ouvidoria do Ministério do Trabalho pelos telefones 0800 610101 (para as regiões Sul e Centro-Oeste e os estados do Acre, Rondônia e Tocantins) e 0800 2850101 (demais localidades).

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=4765

domingo, 27 de abril de 2008

Brasil/Expansão da soja deve aumentar trabalho escravo

25 abril 2008 / Agência Chasque / http://www.agenciachasque.com.br

A expansão da soja em regiões de fronteira deve aumentar a incidência de trabalho escravo no país.
A conclusão consta em relatório divulgado ontem pela organização não-governamental Repórter Brasil.
A soja ocupa hoje o terceiro lugar entre as atividades que mais empregam trabalhadores em situação análoga à escravidão, atrás da pecuária bovina e da produção de carvão para siderúrgicas.
No relatório, a ONG também associa a demanda por biocombustíveis à expansão das lavouras brasileiras de soja.
O aumento da porcentagem obrigatória de biodiesel no diesel brasileiro é uma das justificativas para o aumento.
Segundo Marcel Gomes, integrante da ONG, a mão de obra escrava é utilizada geralmente para limpar áreas, desmatar, catar raízes.
Etapas que antecedem a ocupação do solo, principalmente para a pecuária e a soja.

http://www.agenciachasque.com.br/boletinsdiarios2.php?iddata=02651f813b9ea10e733c57822ad6469a

terça-feira, 15 de abril de 2008

Brasil/Cana-de-açúcar é principal responsável pelo aumento do trabalho escravo, aponta CPT



Brasília - Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga dados sobre conflitos e mortes no meio rural em 2007 (Foto: Elza Fiúza/Abr)

Ivan Richard/Agência Brasil

Brasília, 15 abril 2008 - A expansão das plantações de cana-de-açúcar foi apontada como principal responsável pelo crescimento do trabalho escravo no país em 2007.

Segundo dados do caderno Conflitos no Campo 2007, divulgado hoje (15) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de trabalhadores explorados subiu de 6.930, em 2006, para 8.635, no ano passado.

O crescimento mais significativo foi registrado na Região Sudeste, onde o número passou de 279 para 705. A região concentra as maiores lavouras de cana no país.

No Centro-Oeste, o número de trabalhadores explorados chegou a 2.653 no ano passado, quase o dobro do registrado em 2006. No Sul, o número mais que duplicou (108 para 229).

Dos 5.974 trabalhadores libertados em 2007, 52% saíram das usinas do setor sucroalcooleiro. Dos casos de desrespeito à legislação trabalhista registrados pela CPT, o setor ocupa a primeira colocação.

“Isso tem a ver claramente com o aumento das exportações de etanol e cana-de-açúcar”, avaliou o geólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e analista da CPT, Carlos Walter Gonçalves. “A violência do poder privado, das empresas, está crescendo com o aumento da exportação de commodities [bens primários com cotação internacional]”, completou.

Ainda de acordo com a publicação Conflitos no Campo, em 2007 foram registradas 265 ocorrências de trabalho escravo, três a mais do que no ano anterior. O número de trabalhadores libertados passou de 3.633 para 5.974.

O conselheiro da CPT e ex-presidente da comissão, dom Tomás Balduíno, criticou as três esferas do Poder Público pelo crescimento do trabalho escravo. “O Executivo solta verbas para essas empresas. Onde está a PEC [projeto de emenda à Constituição] que confisca terras de quem utiliza mão-de-obra escrava? O Judiciário é campeão em indústria de liminares a favor do grande e contra o pequeno”, afirmou.

O documento foi apresentado no acampamento de trabalhadores rurais montado para o lançamento da Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra, no estádio Mané Garrincha.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/04/15/materia.2008-04-15.1171702118/view

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sábado, 27 de outubro de 2007

Por trás da violência

Portal do MST/25 outubro 2007

Por Hamilton Octavio de Souza*

No dia 21 de outubro, o jovem militante do MST e da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, de 34 anos, casado e pai de três filhos, foi brutalmente assassinado por seguranças da Syngenta, uma empresa estrangeira que utiliza o território brasileiro para fazer cultivos ilegais de plantas transgênicas – com danos irreparáveis ao meio ambiente do Parque Nacional do Iguaçu.
Nesse dia, militantes do MST e da Via Campesina haviam ocupado – pacificamente – a área da Syngenta, no município de Santa Teresa do Oeste, no Paraná, pela segunda vez, como forma de protesto e de denúncia da empresa pela prática da agricultura ilegal e lesiva ao País. Inclusive o governo do Estado já havia decretado a desapropriação da área, mas o Poder Judiciário decidiu manter a atividade da Syngenta.
Horas após a ocupação pacífica, os trabalhadores foram atacados por uma milícia armada integrada por seguranças particulares contratados pela empresa estrangeira. Durante o ataque, Valmir foi executado à queima roupa, outros cinco trabalhadores foram feridos à bala e a sem-terra Izabel Nascimento de Souza levou três tiros e está internada em estado grave.
Em março de 2006, os sem-terra do Paraná já haviam ocupado a mesma área para fazer a mesma denúncia: os campos experimentais de milho e soja transgênicos da Syngenta não respeitam a distância legal das reservas florestais e representam uma ameaça concreta à biodiversidade da região. Na verdade, quem deveria ter ocupado a Syngenta há muito tempo eram as forças estaduais e federais, o Poder Judiciário, a polícia e o Exército – em nome do povo brasileiro.
As terras da Syngenta, assim como os latifúndios improdutivos, as terras griladas e devastadas pelas madeireiras do Pará, as terras criminosas do trabalho escravo e das drogas, os latifúndios estrangeiros que ameaçam a soberania nacional – já deveriam ter sido entregues para os projetos coletivos da reforma agrária e para o assentamento de milhares de famílias que vivem acampadas.
Acontece que o Brasil está imerso no grande jogo comandado pelo capital internacional, pelas elites nacionais entreguistas e pela casta política dirigente corrupta, que se submete aos interesses dos bancos, das empresas e das grandes corporações que dominam o mundo. Por isso mesmo, por trás da violência dos seguranças privados da Syngenta estão a omissão e a cumplicidade das autoridades brasileiras, que silenciam diante das atrocidades praticadas contra o povo e, ainda, na maioria das vezes, utilizam o próprio aparelho policial do Estado para reprimir as manifestações populares e os movimentos sociais.
Todos os dias o Brasil assiste a centenas de ações de violência, de norte a sul do País, das fronteiras da Amazônia aos pampas gaúchos, nas quais as vítimas são sempre os trabalhadores, os desempregados, os pobres, os favelados, os sem-terra e os sem-teto que tentam defender a própria sobrevivência diante de um sistema que gera injustiça, desigualdade, miséria, exclusão e opressão.
Por trás dessa violência – praticada pelas forças policiais do Estado ou pelas milícias privadas contratadas por grileiros, latifundiários e empresas – o que existe é a ganância dos ricos, os privilégios das elites e a pilhagem do capital estrangeiro em cima dos recursos naturais e da mão de obra no Brasil.
Lutar contra a violência que assassinou Valmir Mota de Oliveira é lutar contra todo o esquema que dá sustentação política para tais ações, que não assume a luta do povo e ainda permite a impunidade. Que a militância e o sacrifício de Valmir não tenham sido em vão.

* Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4401

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Brasil/Apoio social garante retomada de combate a trabalho escravo, diz Lupi


Marcela Rebelo/Repórter da Agência Brasil

Foto de Marcello Casal JR/Abr: O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, fala a emissoras de rádio sobre números do Caged e retomada do combate ao trabalho escravo pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel

Brasília, 11 outubro 2007 - O endosso da sociedade civil sobre a atuação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel no combate ao trabalho escravo deu garantias para os auditores fiscais retomarem suas atividades a partir da próxima segunda-feira (15).
A afirmação foi feita pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em entrevista hoje (11) à Agência Brasil.
O trabalho do grupo está suspenso desde o último dia 22, sob o argumento de que haveria “interferências políticas” na atuação dos fiscais. A Comissão Temporária Externa do Senado teria desqualificado o trabalho do grupo em uma fazenda da empresa Pará Pastoril Agrícola (Pagrisa), situada no município de Ulianópolis, no Pará.
"Em alguns momentos, o questionamento com tanta veemência feito sobre o trabalho dos auditores os deixou inseguros quanto à pressão política no exercício da função do fiscal. Então, isso agora já está mais tranqüilo. Conseguimos organizar, a sociedade civil fez um endosso, um apoio muito forte em todo o Brasil, e isso deu as garantias que eles precisavam para voltar ao trabalho", afirmou Lupi.
O ministro ressaltou que o Grupo Especial de Fiscalização Móvel está fortalecido, inclusive no que se refere à possibilidade de outros questionamentos do Poder Legislativo. "O Senado é um poder independente, tem o direito de questionar, de fazer investigação. Estamos completamente tranqüilos e abertos a qualquer tipo de questionamento. Ele continua fazendo o seu trabalho e nós, através dos auditores fiscais, da área da inspeção e trabalho, vamos fazer o nosso", afirmou.
"Houve um recuo estratégico para arrumar a nossa equipe, para ter mais garantias, principalmente, na questão da segurança dos fiscais. Agora isso já foi conseguido e nós vamos retomar o nosso trabalho", completou Lupi.
De acordo com o ministro, agora o grupo está trabalhando com mais garantias dadas por outras instituições. "Fizemos um convênio com a Advocacia-Geral da União, fizemos contato com a Polícia Federal, tivemos todas as garantias não só do acompanhamento jurídico, legal, como também da garantia da Polícia Federal para integridade física dos auditores fiscais. Fizemos uma reunião ontem e já estão organizados para, a partir de segunda-feira, retomar seus trabalhos com todo o vigor e com toda a coerência".

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/10/11/materia.2007-10-11.7202141041/view

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domingo, 30 de setembro de 2007

Brasil/Campanha contra senadores que tentam desmoralizar denúncia de trabalho escravo

Fonte: Portal do Conselho Indigenista Missionário/28 setembro 2007

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2779&eid=142

Nos últimos dias os meios de comunicação noticiaram com destaque a visita dos senadores Cícero de Lucena Filho, Fernando de Souza Flexa Ribeiro, Jarbas de Andrade Vasconcelos, Kátia Regina de Abreu e Romeu Tuma, todos membros da Comissão Temporária Externa do Senado Federal, à Fazenda Pagrisa, no município de Ulianópolis, no Pará, onde no final de junho, os auditores fiscais do Ministério do Trabalho, em ação de fiscalização, resgataram 1064 trabalhadores reduzidos à condição de escravos. A maior ação de resgate realizada até hoje.

Como era de se prever, três meses após os fatos, os senadores não encontraram nada e encerraram a visita desqualificando a ação dos auditores fiscais e tentando, ainda, intimidá-los com a ameaça de instauração de inquérito penal contra eles.

A relatora da Comissão, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), com evidente intuito intimidatório e contrário à livre manifestação de pensamento e de imprensa atacou a ONG Repórter Brasil e seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pela publicação de notícias sobre o trabalho escravo, ameaçando-o de processo.

Diante disto, o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo e demais entidades abaixo relacionadas conclamam todos os movimentos sociais, as entidades sindicais, os ativistas em direitos humanos e a população em geral a se manifestarem em repúdio a essa conduta dos senadores da república.

É fundamental a participação de toda a sociedade brasileira na defesa da dignidade humana, da função social da propriedade, dos valores sociais do trabalho e da vida, repudiando a conduta dos senadores que atentam contra os direitos fundamentais dos trabalhadores e de toda a sociedade brasileira.

Por favor, subscrevam a proposta da carta abaixo e a reenviem a todos os senadores listados.

Atenciosamente:

- Fórum Nacional Pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (CONTAG – MST – FETRAF - CUT - CPT – CÁRITAS – MMC – MPA – MAB - CMP - CONIC – CONDSEF – Pastorais Sociais - MNDH – MTL – ABRA – ABONG - APR – ASPTA – ANDES – Centro de Justiça Global - CESE – CIMI – CNASI – DESER – ESPLAR – FASE – FASER – FEAB – FIAN-Brasil – FISENGE - IBASE – IBRADES – IDACO – IECLB - IFAS – INESC – MLST – PJR – REDE BRASIL – Rede Social de Justiça - RENAP – SINPAF – TERRA DE DIREITOS)

- Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH do Pará

- Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos, CDVDH de Açailândia-MA

- Fórum maranhense pela Erradicação do Trabalho Escravo (FOREM)

- Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo do Maranhão (COETRAE-MA)

- Movimento pelos Humanos Direitos (MHuD)

- Grupo de Pesquisas sobre o Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC)

- Fórum de Combate ao Trabalho Escravo Portal da Amazônia - MT

- Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

- Direitos Humanos da Prelazia de São Félix do Araguaia - MT

Proposta de Carta a ser enviada:

Excelentíssimos Senadores da República Cícero de Lucena Filho, Fernando de Souza Flexa Ribeiro, Jarbas de Andrade Vasconcelos, Kátia Regina de Abreu e Romeu Tuma.

Venho por meio desta manifestar o mais veemente repúdio à conduta intimidatória praticada por Vossas Excelências no tocante à recente ação de combate ao trabalho escravo ocorrido na empresa Pagrisa. Prática, essa, incompatível com o decoro parlamentar e a função que o Senado deve cumprir na garantia dos direitos fundamentais e na construção de uma sociedade justa e livre do trabalho escravo.

Também repudio de forma veemente as recentes declarações da senadora Kátia Regina de Abreu (DEM-TO), que atacou a ONG Repórter Brasil e seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pela publicação de notícias sobre o trabalho escravo, ameaçando-o de processo, conduta contrária à livre manifestação de pensamento e de imprensa.

Estas posturas se contrapõem à defesa da dignidade humana, dos valores sociais do trabalho, da função social da propriedade, da vida e dos direitos sociais assegurados na Constituição Federal e representam um grave retrocesso diante das políticas públicas de erradicação do trabalho escravo e de garantia dos direitos dos trabalhadores.

É lamentável e preocupante que ao invés de atuar na defesa dos direitos fundamentais, Vossas Excelências defendam quem pratica o trabalho escravo e a cultura da impunidade e da morte.


Atenciosamente,

As mensagens devem ser encaminhadas, preferencialmente por meio de fax ou na impossibilidade deste por e-mail, aos senadores:

CÍCERO DE LUCENA FILHO:
Fax: (61) 3311-5809

Tel: (61) 3311-5800 ou 5808

E-mail: cicero.lucena@senador.gov.br

FERNANDO DE SOUZA FLEXA RIBEIRO
Fax: (61) 3311-2731

Tel: (61) 3311-2342

E-mail: flexaribeiro@senador.gov.br

JARBAS DE ANDRADE VASCONCELOS
Fax: (61) 3311-1977

Tel: (61) 3311-3245

E-mail: jarbas.vasconcelos@senador.gov.br

KATIA REGINA DE ABREU
Fax: (61) 3311-2990

Tel: (61) 3311-2464

E-mail: katia.abreu@senadora.gov.br

ROMEU TUMA
Fax: (61) 3311-2743

Tel: (61) 3311-2051

E-mail: romeu.tuma@senador.gov.br

Fonte: Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo