Noticias, artigos e análises sobre economia, politica e cultura dos países membros do Mercosul, CPLP e BRICS | Noticiero, articulos e analisis sobre economia, politica e cultura de los paises miembros del Mercosur, CPLP y BRICS
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Paraguay/Varios obispos progresistas se unen a los movimientos sociales para denunciar la falta de justicia en fallo de Curuguaty
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
ENCUENTRO MUNDIAL DE MOVIMIENTOS POPULARES: UNA JORNADA HISTÓRICA EN EL VATICANO
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Brasil/PUEBLOS DEL SEMIÁRIDO CELEBRAN MEJORAS DE LA CALIDAD DE VIDA EN LOS ÚLTIMOS 12 AÑOS
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Chile/HERMANOS MAPUCHE, ¡LOS QUEREMOS VIVOS, PARA LUCHAR!
Los presos políticos mapuche continúan dándonos una gran lección ética, social y política a los movimientos sociales, a los pueblos oprimidos y a los luchadores por los derechos humanos. Ha crecido la esperanza, ha renacido la solidaridad, se ha comenzado a pisar las calles nuevamente... Y esto está ocurriendo en uno de los países socialmente más atrasados y ajenos a los cambios de América Latina, en nuestro chileno reino del consumo y el descompromiso.
Por Lucía Sepúlveda Ruiz
http://www.periodismosanador.blogspot.com
En medio de aquello se expresa un movimiento poderoso que se ha venido forjando por décadas en luchas cotidianas y duras en las despojadas comunidades del sur, protagonizado por hombres cuya suerte está ligada a la tierra, hoy encarcelados, y por mujeres, que son la tierra, voceras de sus dolores. Detrás de ellos y ellas, detrás de los presos y de sus madres, esposas y hermanas, se han alineado mapuches y cada vez más no mapuche, también hermanos en su lucha. De allí los logros. Así fue como el propio secretario general de Naciones Unidas instó a Piñera a resolver el tema. Así es como el presidente de la Corte Suprema comentó públicamente que la ley antiterrorista no era propia de la democracia. Así es como el gobierno debió enviar a terreno a sus ministros dejando aun más en evidencia -por comparación- la indiferencia criminal de los gobiernos de la concertación en el tema. Así también, la jerarquía de la iglesia católica debió intervenir en un tema en el que hasta ahora estaba escandalosamente ausente. Y en la televisión, por primera vez aparecieron los mapuche como personas, dialogantes, capaces de discutir sobre sus demandas con la autoridad o sus detractores. El debate sobre la ley antiterrorista y sus efectos en las luchas sociales ingresó a la agenda ciudadana, junto a las demandas mapuche por el fin de la criminalización de las comunidades. La reforma a la justicia militar finalmente se encaró. Los jueces están hoy en la mira respecto de los juicios a mapuche; hay otro contexto político y otro contexto mediático y esto es especialmente cierto a nivel internacional. Los fiscales han sido “tocados” y el reclamo de ilegalidad sobre su actuar en los testigos protegidos llega a la Corte Suprema. Esta protesta no violenta de quienes sólo podían ofrecer sus cuerpos para hacerse oír, deja en el país un nuevo escenario para las luchas populares, y muchos desafíos. ¿Qué más se le puede pedir a una huelga de hambre y a los 14 comuneros algunos de los cuales iniciaron su ayuno el 26 de julio?
Por eso es que hoy también es posible y necesario hablarles para decirles, humildemente y reconociendo su indiscutible autonomía, que en cierto modo somos y nos sentimos también parte de la decisión que adopten porque es necesario tenerlos con vida a todos y cada uno de ellos, porque esa es una decisión política que deberán adoptar considerando quién gana con la prolongación de la huelga.
El Primer Congreso Campesino de la CLOC/Vía Campesina de Chile, convocado por ANAMURI y Ranquil – que seguirá en Ecuador- discutió el 1º de octubre sobre la militarización de las luchas sociales y la ley antiterrorista, temas que antes no habrían sido contemplados, y ahora se analizaron al mismo tiempo que la lucha por la tierra y el agua como derechos humanos, la reforma agraria, o la soberanía alimentaria. El Congreso, que concluyó en La Victoria el sábado 2 de octubre, hizo un vibrante llamado a los huelguistas de hambre: “¡Hermanos, los queremos vivos, los necesitamos para luchar!” Esta invocación reconoce el valor de esa lucha y se compromete con ella. De allí su fuerza, que compartimos desde las organizaciones sociales y de derechos humanos -como la Comisión Etica Contra la Tortura- con que hemos venido trabajando en el apoyo a la causa mapuche.
Nos dirigimos a ellos, la mayoría hospitalizados y en estado crítico:
Cárcel de Angol
Víctor Llanquileo Pilquiman, Fernando Millacheo Marin, José Queipul Huaiquil
Hospital de Victoria Víctor Hugo Queipul, Felipe Huenchullan Cayul, Camilo Tori Quiñinao, Eduardo Osses Moreno, Alex Curipan Levipan, Carlos Huaiquillan Palacio, Waikilaf Cadin Calfunao.
Cárcel de Temuco
Hugo Melinao, Cristián Levinao, Sergio Lican Levio (los de Temuco comenzaron pocos días atrás pues fueron detenidos en septiembre)
Cárcel de Cholchol
Luis Marileo Cariqueo, menor de edad
Hermanos, los queremos vivos.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Brasil/REGRA PARA ESTRANGEIROS NA TERRA É FIM DE ENTULHO NEOLIBERAL
A Advocacia-Geral da União, de comum acordo com a Presidência da República, acaba de eliminar mais um item do entulho neoliberal ao restabelecer os limites para a compra de terras por estrangeiros em território nacional e criar regras para controlar essas aquisições.
O parecer da AGU publicado no Diário Oficial da União (dia 23) culminou discussões no governo que ocorrem desde 2007; ele restabelece a vigência da lei 5.709 / 1971 que havia sido praticamente revogada por um parecer da própria AGU que, em 1994, suspendeu a aplicação daquela lei.
A partir de agora, a compra de terras por estrangeiros fica limitada a 50 módulos rurais (entre 250 e cinco mil hectares, dependendo da região); sua área somada não poderá ser maior do que um quarto da área do município; volta a obrigação dos cartórios manterem cadastro específico para aquisições dessa natureza; volta também a exigência de autorização prévia do Conselho de Defesa Nacional para compras desse gênero em áreas consideradas de segurança nacional.
Além de facilitar a desnacionalização do setor agrícola brasileiro, o parecer neoliberal de 1994 teve também o efeito nocivo de impedir o conhecimento da extensão da desnacionalização da posse da terra no Brasil na medida em que deixou de exigir o registro dessa atividade pelos cartórios.
Nesse período de completa ausência de controle, o problema foi agravado por fatores como a invasão de áreas de proteção ambiental, a especulação que elevou o preço da terra, o aumento da grilagem e a ameaça à segurança nacional representada pela aquisição descontrolada de terras por estrangeiros em faixas de fronteira.
Outra consequência da interpretação neoliberal feita pela AGU em 1994, é a inexistência de dados oficiais sobre o tamanho da área ocupada por estrangeiros, e as estimativas a respeito são precárias. Mesmo assim elas descrevem uma ameaça crescente contra a soberania nacional, particularmente contra a segurança alimentar dos brasileiros pois são terras cujo uso subordina-se a interesses econômicos e geopolíticos do grande capital e de outras nações.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estima que a área das propriedades estrangeiras supera quatro milhões de hectares, crescendo de forma acelerada e descontrolada ao ritmo de 12 quilômetros quadrados (igual à área do Principado de Mônaco) por dia.
São 34.218 propriedades rurais sob controle estrangeiro, localizadas principalmente no Centro-Oeste (que é a área mais dinâmica do agronegócio), onde estão 38% do total das propriedades. Os negócios neste setor mobilizaram, entre 2002 e 2008 foram aplicados 2,5 bilhões de dólares.
O controle das propriedades rurais é um item importante da segurança nacional e sua importância é ressaltada nesta época em que a demanda por alimentos e matérias primas cresce e a disponibilidade de terras nos países mais ricos declina, em que previsão de escassez da água aumenta a cobiça internacional por áreas agrícolas, em que a demanda por proteção ambiental e desenvolvimento sustentável se acentua.
A portaria da AGU corresponde a estes impasses e recria a norma jurídica que permite ao Estado brasileiro exercer o controle sobre esta atividade. É um passo importante em defesa dos interesses do Brasil, de sua economia e dos brasileiros.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Brasil/QUAL O LIMITE DA PROPRIEDADE DA TERRA?
Entrevista especial com Gilberto Portes
"O limite da propriedade da terra é a base para que se quebre a espinha dorsal de um problema histórico estrutural do Brasil", constata o secretário executivo do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo.
Confira a entrevista.
Em setembro deste ano, será realizado o Plebiscito Popular pelo limite da terra que visa pressionar o Congresso Nacional para limitar o tamanho máximo da propriedade e uso dela por estrangeiros. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Gilberto Portes, do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, explica a iniciativa. “Um estrangeiro vem para o Brasil e pode comprar a quantia que quiser de terra. Enquanto isso, há quatro milhões e duzentas mil famílias que não têm acesso à terra, ou seja, mais de doze milhões de pessoas”, aponta. Portes fala também da importância da revisão dos índices de produtividade para a efetiva realização da Reforma Agrária no país. “Os índices de produtividade são fundamentais, principalmente nas regiões que teoricamente dizem que não têm terra para Reforma Agrária”, defendeu.
O advogado Gilberto Portes é secretário executivo do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo. Foi coordenador estadual do MST no RS.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Para começarmos, o senhor pode nos explicar a ideia central da questão do “Limite da Propriedade da Terra”?
Gilberto Portes – O Brasil é o segundo país com maior concentração de terra do mundo. Este é o elemento central. O outro, que está relacionado a esta situação, é que o Brasil, desde a sua descoberta ou da sua invasão, teve o poder econômico, o poder político e o próprio poder social concentrados através da propriedade da terra. A mudança da relação de trabalho, renda, alimentação, desenvolvimento econômico social do país passa necessariamente pela democratização da terra. Isso porque só dessa maneira será possível garantir mais pessoas produzindo alimentos, mantendo o trabalho no campo e, assim, desenvolvendo o país através da produção de produtos de qualidade e, consequentemente, eliminando a violência das grandes periferias das cidades. Hoje, para cada família que é assentada, é possível empregar, em média, cinco pessoas no campo e mais três na cidade. Precisamos mostrar esse dado para a sociedade brasileira. O limite da propriedade da terra é a base para que se quebre a espinha dorsal de um problema histórico estrutural do Brasil.
IHU On-Line – Como está a preparação do Plebiscito pelo Limite da Propriedade da Terra?
Gilberto Portes – Em torno de 12 estados brasileiros já realizaram suas plenárias. Temos cerca de cem lideranças ligadas às pastorais sociais, movimentos sociais e movimento sindical. Estas instituições estão se envolvendo com lideranças das periferias dos bairros, associações de moradores, comunidades eclesiais. Agora, no final de junho, início de julho, teremos a consolidação destas plenárias estaduais, onde estamos formando os comitês nas comunidades. Em agosto, estaremos na fase intensiva de mobilização nacional que culminará no grande momento do plebiscito que acontecerá entre 1º e 7 de setembro. Faremos uma grande manifestação popular junto com o grito dos excluídos, em que vamos buscar apoio da sociedade para entrar no Congresso Nacional com uma proposta de emenda constitucional para limitar o tamanho da propriedade de terra. Esse é o instrumento que estamos utilizando como forma de pressão política para fazer o debate com a sociedade brasileira. Nós precisamos retomar a Reforma Agrária para mudarmos a condição social do povo brasileiro e, consequentemente, fazer com que as pessoas exerçam sua cidadania e sua participação popular.
IHU On-Line – Em que contexto surge a ideia de organizar um plebiscito sobre esse tema?
Gilberto Portes – A partir do estudo da luta pela terra no Brasil, os movimentos foram aprofundando este debate, vimos o quanto é necessário, assim como já foi feito em outros países, construir um processo de limitação da propriedade da terra. Esse processo ajuda muito no que diz respeito ao desenvolvimento do país, tanto do ponto de vista do capitalismo como do ponto de vista mais socialista. No Brasil, como nossas elites são as mais atrasadas deste mundo, não foi feito um investimento na democratização da terra para que a população tivesse acesso a alimento barato e emprego. Os movimentos, as organizações, as Igrejas, sempre se preocuparam com que a nossa Constituição Brasileira tivesse inciso ou um artigo que estabelecesse claramente que a propriedade de terra no Brasil tem que ter limite.
Um estrangeiro vem para o Brasil e pode comprar a quantia que quiser de terra. Enquanto isso, há quatro milhões e duzentas mil famílias que não têm acesso à terra, ou seja, mais de doze milhões de pessoas. Só as pessoas que têm dinheiro e poder possuem acesso a nossa biodiversidade, natureza, terra. Nossa ideia é fazer um debate mais aberto com a sociedade e apresentar uma proposta para incluir, na Constituição Brasileira, no artigo 186, um inciso que estabeleça, com clareza, que devemos limitar a propriedade da terra em tantos módulos.
IHU On-Line – E o que são módulos?
Gilberto Portes – São áreas que o INCRA tem como mecanismo de estabelecer para cada agricultor ou pequeno camponês, para ele sobreviver com a família. Isso varia de região para região. No Sul, por exemplo, o módulo varia de 25 a 30 hectares, já no norte vai até cem hectares, no Centro-Oeste varia de 30 a 35 hectares. Fizemos um cálculo que aponta que o máximo, para um brasileiro ou estrangeiro, deveria ser de 35 módulos, que já é um grande latifúndio. O Estado Brasileiro precisa ser obrigado constitucionalmente a democratizar a terra.
IHU On-Line – Qual é o uso que o estrangeiro dá a terra no Brasil?
Gilberto Portes – Os estrangeiros veem o Brasil como seu laboratório para duas coisas. Primeiro, para despejar os agrotóxicos que os europeus e os americanos não querem mais. Para você ter uma ideia, o Brasil consome anualmente 750 mil toneladas de agrotóxicos, isso significa que se nós dividirmos esses milhares de litros de agrotóxicos por membro da população brasileira, cada cidadão brasileiro consome anualmente cinco litros de veneno. Como aqui ainda não existe uma legislação, um controle maior, eles jogam este veneno na nossa terra. O segundo aspecto: qualquer propriedade que é conduzida por estrangeiro no Brasil trabalha com exportação, nenhuma propriedade de estrangeiro vem aqui para produzir comida para o povo brasileiro. Ele vem aqui para levar nossa riqueza, destruir os recursos naturais, retirar da propriedade a matéria-prima para enriquecer seus investimentos no mercado financeiro, esta é a lógica dos investimentos internacionais.
Consequentemente, estes grupos internacionais fazem aliança com o próprio agronegócio do Brasil para aplicar a mesma política, há uma relação íntima entre este setor de investimento internacional com o agronegócio brasileiro. Um exemplo: no Mato Grosso, um político, que foi governador do estado, tem um milhão de hectares produzindo soja. Ele é o maior produtor de soja do mundo, e é brasileiro. Porém, ele tem uma forte relação com as transnacionais que produzem aqui e exportam. A nossa interpretação é que o agronegócio está articulado essencialmente com o capital internacional para explorar e destruir a nossa natureza. Todo o desmatamento, destruição do bioma cerrado, da mata Atlântica, da Amazônia, da caatinga, do pampa no sul é consequência deste investimento nacional e internacional do agronegócio que tem como essência a exploração da matéria-prima para divisas do capital de seus interesses.
IHU On-Line – Quem está apoiando o Plebiscito?
Gilberto Portes – Nós temos 54 entidades nacionais que estão vinculadas à mobilização do plebiscito. A maior delas é a CNBB, que tem uma orientação do Conselho dos Bispos para que os agentes pastorais se envolvam efetivamente no processo de mobilização popular. Nós temos também o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs - CONIC -, que fez um trabalho com suas Igrejas para que todas as pessoas se envolvam nessa mobilização.
A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema central Economia e Vida, e o gesto concreto dela vai ser a participação do Plebiscito. Dos movimentos nacionais, temos a CUT, a CONTAG, a Via Campesina, o MST e outras organizações. A Comissão Pastoral da Terra também tem nos apoiado muito, assim como a Pastoral do Migrante e o Grito dos Excluídos. E, em vários estados, nós também temos o apoio de alguns partidos políticos de esquerda, que têm como proposta a reforma agrária como mudança no Brasil.
IHU On-Line – Quem e como as pessoas podem participar e votar no plebiscito?
Gilberto Portes – O primeiro passo é participar do abaixo assinado. Percebemos nas comunidades que há muita dúvida, porque está havendo uma contra-informação para tentar manipular a opinião pública sobre a nossa proposta. Estão dizendo, em alguns lugares, que limitar a propriedade de terra significa limitar também as propriedades dos pequenos e médios agricultores. A sociedade precisa estar presente no debate político e, assim, entender qual é a importância que nossa proposta de limite da propriedade da terra tem para a população urbana, para as comunidades tradicionais e para os camponeses.
IHU On-Line – A revisão dos índices de produtividade pode colaborar com o início da Reforma Agrária efetiva no Brasil?
Gilberto Portes – Isso é básico e essencial para a Reforma Agrária. Os índices de produtividade são fundamentais, principalmente nas regiões que teoricamente dizem que não têm terra para Reforma Agrária. A correção desses dados é constitucional, e precisava ser feita há muito tempo. O governo não fez e não sei se vai fazer. A população tem uma expectativa enorme em relação à revisão desses índices para ampliar o número de áreas para a Reforma Agrária.
Para ler mais
• ‘A Reforma Agrária hoje ainda é necessária’. Entrevista especial com Sérgio Pereira Leite
• ''A diminuição da violência no campo passa impreterivelmente pela Reforma Agrária''. Entrevista especial com Eduardo Girardi
• Sem alteração dos índices de produtividade, não há reforma agrária. Entrevista com Mozar Dietrich
• ''Faz sentido ainda uma política de Reforma Agrária regional. O que não faz sentido é a política de Reforma Agrária nacional''. Entrevista especial com Zander Navarro
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Brasil/JORNADA NACIONAL DE LUTAS POR REFORMA AGRÁRIA 2010
(ADITAL) http:www.adital.com.br
MST *
A Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária é realizada em memória dos 19 companheiros assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás, durante operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996. O dia 17 de abril, data do massacre que teve repercussão internacional, tornou-se o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.
Depois de 14 anos, o país ainda não resolveu os problemas dos pobres do campo, que continuam sendo alvo da violência dos fazendeiros e da impunidade da justiça. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram assassinados 1.546 trabalhadores rurais entre 1985 e 2009. Em 2009, foram 25 mortos pelo latifúndio. Do total de conflitos, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso.
POR QUE ESTAMOS MOBILIZADOS?
A Reforma Agrária está parada em todo o país. Diante deste quadro, exigimos:
1- Assentamento das 90 mil famílias acampadas do MST;
2- A atualização dos índices de produtividade;
3- Garantia de recursos para as desapropriações, dos processos já prontos e das áreas para assentar as famílias acampadas;
4- Investimentos públicos nos assentamentos (crédito para produção, habitação rural, educação e saúde).
Temos famílias acampadas há mais de cinco anos, vivendo em situação bastante difícil à beira de estradas e em áreas ocupadas, que são vítimas da violência do latifúndio e do agronegócio. Com as nossas ações, queremos denunciar a existência de latifúndios que não cumprem a Constituição Federal (artigo 184) e que deveriam ser desapropriados para a Reforma Agrária.
OCUPAÇÃO DE TERRA É UM DIREITO!
A ocupação de terras que não cumprem a sua função social é um instrumento legítimo dos trabalhadores rurais que lutam pela Reforma Agrária. É a nossa principal forma de fazer pressão para enfrentar a concentração fundiária. Mais de 70% das áreas foram desapropriadas depois da ocupação de terras.
De acordo com o último censo agropecuário do IBGE (2006), 15 mil fazendeiros com mais de 2 mil hectares controlam nada menos que 98 milhões de hectares.
O governo federal não cumpriu as suas promessas da jornada de lutas de agosto. Com o Acampamento Nacional em Brasília, tivemos um processo de negociação com o governo, que se comprometeu com a atualização dos índices de produtividade e a ampliação do orçamento do Incra para a desapropriação. Até agora, nada disso foi encaminhado. Vamos exigir a imediata atualização dos índices de produtividade (defasados desde 1975), que é uma medida administrativa prevista na Lei Agrária de 1993. Vamos reivindicar que o governo encaminhe com urgência ao Congresso um projeto de lei para o suplemento orçamentário para obtenção de terras de R$ 1,3 bilhões para este ano.
ÍNDICES DE PRODUTIVIDADE
A atualização dos índices de produtividade da terra significa nada mais do que cumprir a Constituição Federal, que protege justamente aqueles que de fato são produtores rurais. As propriedades rurais, cujos proprietários produzem acima da média por região e respeitam a legislação trabalhista e ambiental, não poderão ser desapropriadas, assim como os pequenos e médios proprietários que possuem menos de 500 hectares. A Constituição determina que, além da produtividade, sejam desapropriadas também áreas que não cumprem a legislação trabalhista e ambiental, o que vem sendo descumprido pelo Estado brasileiro. Mesmo assim, o latifúndio e o agronegócio não admitem essa mudança.
AMPLIAÇÃO DO ORÇAMENTO DO INCRA PARA DESAPROPRIAÇÃO
O governo prometeu complementar o orçamento de 2009 em R$ 380 milhões para desapropriação de terras. Além do governo não cumprir, deixou de aplicar R$ 190 milhões de um pacote de áreas que já estavam encaminhadas para imissão de posse, no final de dezembro. Como o governo não fez o reajuste, o orçamento de 2010 foi reduzido para apenas R$ 480 milhões e está comprometido com áreas desapropriadas no ano passado.
Os nossos assentados também passam por uma situação bastante difícil, com a falta de investimento público para crédito rural e infra-estrutura em áreas de Reforma Agrária - como casa, saneamento básico, escola e hospital. Nesse contexto, apresentamos a nossa proposta de desenvolvimento para o campo brasileiro, baseado na geração de emprego, na melhoria de vida nos assentamentos e na produção de alimentos. O primeiro passo é o assentamento de todas as famílias acampadas no Brasil.
PROGRAMA DE AGROINDÚSTRIAS PARA ASSENTAMENTOS
Precisamos fortalecer os assentamentos com a implementação de um programa de agroindústrias. Com a industrialização dos alimentos, a produção ganha valor agregado, elevando a renda das famílias. A criação das agroindústrias vai formar uma cadeia produtiva para a geração de empregos no campo. Há um grande potencial de criação de postos de trabalho.
RENEGOCIAÇÃO DAS DÍVIDAS DOS ASSENTADOS
Queremos abrir um processo de renegociação das dívidas dos assentados. Cerca de 60% das famílias assentadas estão inadimplentes no Pronaf, programa voltado a pequenos agricultores que estão há muito tempo na terra. Por isso, não atende as necessidades do público da Reforma Agrária, que tem as suas especificidades e enfrenta maiores dificuldades com a burocracia. Apenas 15% das famílias conseguem acessar o Pronaf, e têm dificuldades para pagar os empréstimos. Queremos negociar as dívidas dos assentados, com a perspectiva de anistia ou perdão da parte do governo. Além disso, continuamos defendendo uma linha de crédito especial para as famílias assentadas, para fomentar a produção de alimentos e garantir renda às famílias. O agronegócio, que absorve a maior parte dos créditos agrícolas, não paga as suas dívidas. Desde 1995, os fazendeiros já renegociaram suas dívidas quatro vezes.
* Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Brasil
quarta-feira, 15 de julho de 2009
CONVOCATORIA AL ENCUENTRO INTERNACIONAL DE SOLIDARIDAD CONTRA EL GOLPE EN HONDURAS Y LOS PUEBLOS DEL ALBA
Managua, Nicaragua, 17 y 18 de julio del 2009
El domingo 28 de junio, se cometió un golpe militar en Honduras para destituir un gobierno elegido democráticamente. Este acto bárbaro incluyó una campaña de represión en contra del pueblo hondureño y la persecución de los activistas de los movimientos sociales de ese país hermano. A partir del golpe, las fuerzas de derecha, apoyadas por los
militares golpistas, han aumentado la represión contra la población civil, pero particularmente con las amplias masas que se han levantado para rechazar el golpe y a los golpistas y para demandar la restitución el gobierno elegido por las mayorías.
A pesar de la brutal represión, el movimiento masivo del pueblo hondureño ha ido en ascenso. Las combativas movilizaciones no han cesado. El ejército ha asesinado, golpeado y encarcelado, pero no han logrado acallar el grito de un pueblo digno. La heroica lucha de resistente del frente nacional de resistencia del pueblo hondureño en
contra de los golpistas es una inspiración para todos los pueblos que aspiramos a una democracia real y mejores condiciones para nuestros pueblos.
Por otra parte, el golpe de estado no solamente es un golpe en contra del hermano pueblo hondureño. El golpe también representa un ataque en contra del ALBA y de los cambios sociales que se dan a lo largo y ancho del continente.
¡Hoy todos somos Honduras!
Por lo anterior, convocamos a los pueblos del continente, a los movimientos sociales y a la solidaridad internacional, al Encuentro Continental en Apoyo a la Lucha de Resistencia del Pueblo Hondureño, bajo el siguiente programa:
FECHAS EVENTO
14 y 15 de Julio Encuentro de soberanía Alimentaria Reforma Agraria en Nicaragua, contexto ALBA Centro América
16 y 17 de Julio Encuentro de Movimientos Sociales de Centro América
17 y18 Encuentro Internacional de solidaridad contra
El golpe en Honduras y los pueblos del ALBA
Contactos ATC - Via Campesina, Edgardo Garcia atcnic@ibw.com.ni
edgardogarcia2007@yahoo.es, telf. + 5005 22784575, 22780616, Faustino
Torrez Faustino.torrez@gmail.com, y Alexandre Conceição – MST Brasil
alexandremstpe@yahoo.com.br
¡Nos tienen miedo por que no tenemos miedo!
Atentamente,
Frente Nacional de Resistencia contra el golpe de Estado (Honduras)
Vía Campesina Internacional
Movimientos Sociales de América Latina
--------------------------------------------------
Movimientos sociales con el ALBA
Contacto: alba@movimientos.org
Secretaría Operativa a/c MST, Alameda Barâo de Limeira, 1232 - Campos Eliseos - Sâo Paulo/SP - Brasil
quarta-feira, 18 de março de 2009
Brasil/LOS SIN TIERRA : EL SUEÑO DE LA TIERRA LIBRE

Los Sin Tierra nacieron bajo el lema: "Ocupar, resistir y producir. La reforma agraria es la lucha de todos" (Foto: Archivo)
Desde sus inicios el Movimiento nunca pudo ser ignorado, pues según la afirmación de la ONU Brasil es la segunda nación del mundo donde la distribución de la tierra es más injusta, y se calcula que hay alrededor de 4.8 millones de familias que necesitan un pedazo de tierra.
Fabiola Correa
17 marzo 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
El Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) es un movimiento de campesinos y desclasados surgido en Brasil, con carácter popular, sindical y político que claman por tierras para poder desarrollar la agricultura.
El MST se manifiesta en contra de los proyectos de colonización y reclama una política agrícola destinada al pequeño productor. Exige la democratización del agua en la región nordestina y el cobro del impuesto territorial rural para destinarlo a la reforma agraria.
Los Sin Tierra, como se les conoce, se definen así mismos en su sitio web como "una articulación de campesinos que luchan por la tierra y por la reforma agraria en Brasil. Es un movimiento de masas autónomo, al interior del movimiento sindical, sin vinculaciones político-partidarias o religiosas".
Según el especialista Bernardo Mancano, profesor de la Universidad Estadual Paulista (Unesp), en sus 25 años de historia, el Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) "ha tenido una importancia clave en el avance de la reforma agraria" en Brasil
Para Ana María Rocchietti, el movimiento "nace en "las luchas concretas" que los trabajadores rurales del Brasil fueron desarrollando en la región del Sur por la conquista de la tierra, y busca la expropiación de los latifundios improductivos (actualmente en posesión de hacendatarios nacionales o de monopolios extranjeros) y exige la definición de un máximo de hectáreas para la propiedad rural."
¿Cuándo y cómo surge este movimiento?
Entre 1979 y 1984 se realizaron decenas de ocupaciones de tierra en todo el país. "Los campesinos sin trabajo, los sin tierra, los asalariados rurales, perdieron el miedo. Y fueron a la lucha. Ya no querían migrar más a la ciudad" afirma Joáo Pedro Stedile representante del MST.
El Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra fue fundado en 1984 con el objetivo de a establecer campamentos agrícolas en las enormes cantidades de tierras que se encontraban en posesión de los grandes terratenientes y hacendado pero que se encontraban inactivas.
En la década de los ochenta, en plena dictadura de Joáo Baptista de Oliveira Figueiredo, y al calor de la lucha que el pueblo estaba llevando a cabo por la democratización del país, surgieron las ocupaciones organizadas, protagonizadas por centenares de familias.
En 1984, en su primer Congreso, se dieron el nombre de Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra o MST.
Los Sin Tierra nacieron bajo el lema: "Ocupar, resistir y producir. La reforma agraria es la lucha de todos" y en sus orígenes, tenía profundas conexiones con el trabajo de las pastorales sociales de la Iglesia Católica (Comisión Pastoral de la Tierra, Pastoral Obrera, CIMI y PPL).
En su sitio web, el movimiento afirma que dentro de sus orígenes se encuentra la labor pastoral de la iglesia, "en particular de la Comisión Pastoral da la Tierra, que ha animado a los campesinos a organizarse".
El movimiento se extendió rápidamente a 22 estados y se constituyó bajo los pilares de una una organización muy sólida, fundada en la democracia de base. La unidad de organización es la cooperativa, la propiedad colectiva de los medios de producción y la distribución igualitaria del producido comunitariamente.
En ocasión de la Asamblea Nacional Constituyente de 1988, la reforma constitucional de Brasil, incluyó en su texto la reforma agraria, comisionando al Ejecutivo para expropiar y entregar tierras improductiva, proceso que los sucesivos gobiernos cumplieron en una medida muy escasa y a través del ejercicio de violencia militar (legal e ilegal).
Pero la más allá de esta reforma, incompleta por demás, la violencia en el campo ha sido una realidad de la reforma agraria brasileña, el proceso de invasiones de haciendas provocó la reacción de los grandes terratenientes quienes se agruparon en la Unión Democrática Rural, y contrataron a "vigilantes privados" armados, convirtiéndose en una especie de fuerza paramilitar, cuyo objetivo es intentar parar la expansión del MST.
Pero la represión institucional también ha formado parte del clima de violencia, como muestra de ello el 17 de abril de 1996, los acampados de El Dorado dos Carajás fueron masacrados por el gobierno de Brasilia. La policía militar disparó con metralletas contra la gente desarmada que bloqueaba una carretera, después de haberles prometido negociar.
Todo lo ocurrido fue grabado por cámaras de televisión que inesperadamente estaban en la escena.
Allí murieron 19 acampantes, quienes son considerados desde entonces como mártires del MST. El hecho concitó el interés y la simpatía de vastos sectores de la sociedad brasileña.
En palabras de Joáo Pedro Stedile "con la victoria del neoliberalismo del gobierno de Fernando Henrique Cardoso, hubo luz verde para que los latifundistas y sus policías provinciales ataquen al movimiento. Y tuvimos en poco tiempo dos masacres: Corumbiara y Carajás. A lo largo de esos años, cientos de trabajadores rurales pagaron con su propia vida, por el sueño de la tierra libre".
Como resultado, alrededor de mil 700 trabajadores rurales han sido asesinados entre 1985 y 2008, según datos de la Comisión Pastoral de la Tierra de la Iglesia católica y hasta el momento sólo ocho personas han sido procesados por los asesinatos.
Pero desde sus inicios el Movimiento nunca pudo ser ignorado, pues según la afirmación de la ONU Brasil es la segunda nación del mundo donde la distribución de la tierra es más injusta, y se calcula que hay alrededor de 4.8 millones de familias que necesitan un pedazo de tierra.
Es por ello que, según Jesús Hernández Garibay, "cientos de miles de familias se han involucrado en tomas de tierras donde a pesar de ser golpeados y masacrados arriesgan su vida porque, si tienen suerte, su posesión ilegal será aceptada eventualmente como un hecho consumado"
Este año se cumple el 25 aniversario de la fundación del Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra, un movimiento único en el mundo , y Joáo Pedro Stedile los define como años de muchas movilizaciones, de múltiples luchas, de "siempre luchar y movilizarnos contra el latifundio", años de un obstinación constante.
"Pagamos caro por esa obstinación (...) A lo largo de esos años, cientos de trabajadores rurales pagaron con su propia vida, por el sueño de la tierra libre".
¿Cuáles son los objetivos del Movimiento?
El MST dice tener tres grandes objetivos: la tierra, la reforma agraria y una sociedad más justa. Para ello desde su fundación organizan a los campesinos, que luchan por la tierra, y de esa manera construyeron un amplio movimiento social de masas.
Pero en su lucha por concientizar a la sociedad y a los sectores ya urbanizados, Los Sin Tierra, buscan hacer entender que la reforma agraria es una lucha de todos, puesto que implica una serie de transformaciones económicas, políticas y sociales que beneficiarán a toda la sociedad brasileña.
La reforma agraria garantiza el trabajo para todos, con la consiguiente distribución de la renta; la producción barata de alimentación barata y de calidad para toda la población brasileña posibilitando su seguridad alimentaria; garantizar el bienestar social, la justicia social, la igualdad de derechos, por eso explican "es una lucha que no sólo interesa a Los Sin Tierra"
Además aclaran que el derecho a la tierra no sólo se trata de ocupar un pedazo de tierra, sino de poder sacar rendimiento de cada una de las conquistas, de crear puestos de trabajo, de desarrollar la productividad de la tierra recuperada trabajándola y poniéndola a producir en beneficio de todos.
En palabras de Joáo Pedro Stedile, "nuestros objetivos eran claros. Organizar un movimiento de masas a nivel nacional, que pueda concienciar a los campesinos para que luchen por tierra, por reforma agraria (implicando cambios más amplios en la agricultura) y por una sociedad más justa e igualitaria".
Pero una sociedad más justa e igualitaria implica también "combatir la pobreza y la desigualdad social. Y la causa principal de esa situación en el campo era la concentración de la propiedad de la tierra, conocida como latifundio".
"No teníamos la menor idea de si eso era posible. Ni cuanto tiempo llevaríamos en busca de nuestros objetivos".
Según afirma Ana María Rocchietti, "para los miembros del MST la experiencia de ocupar latifundio significa la diferencia entre la vida y la muerte (ésta definida como ir a parar a la favela o al estacionamiento debajo de la autovía). Por eso, la moral productiva es el único reaseguro para seguir ocupando y resistir; de tal modo que el centro de la vida es el trabajo".
Para lograr sus objetivos y hacerse sentir, el MST utiliza diversas formas de lucha, pero éstas siempre tienen un carácter masivo.
Entre los medios más utilizados por los Sin Tierras están: manifestaciones en las calles, concentraciones regionales, audiencia con los gobernadores y ministros, huelgas de hambre, campamentos provisorios en las ciudades o a la orilla de las haciendas por ser expropiadas, ocupaciones de órganos públicos como sean INCRA (Instituto Nacional de Colonización y Reforma Agraria) y ocupación de las tierras improducitvas
Pero los miembros del MST están conscientes, porque lo han sido víctimas en reiteradas oportunidades de la violencia de los hacendados y de las mismas autoridades, que sus luchas implican un enorme riesgo para sus vidas, y aún así continúan con titánica labor.
Ana María Rocchietti nos explica que aún y cuando "sus integrantes saben que toda su dirigencia está condenada a muerte por los hacendados y que los acampantes pueden ser atacados en cualquier momento por las fuerzas represivas del Estado. Sostienen (Los Sin Tierra) que la forma de vivir parte de las formas del hacer y hoy se constituyen en una realidad territorial en el Brasil".
El presente de los Sin Tierra
Desde su creación en 1984 el Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra ha conseguido tierras para cientos de miles de familias desposeídas en este país de enormes latifundios y también de enormes diferencias entre ricos y pobres.
Cerca de 230 mil familias más esperan tierras en los márgenes de las carreteras, en precarios campamentos de barracas de plástico negro.
El MST apoyó la candidatura del actual presidente de Brasil, Luiz Inacio Lula Da Silva, según afirma Joáo Pedro Stedile, con el objetivo de frenar al neoliberalismo que gobernaba Brasil, sobre todo en el gobierno de Fernando Henrique Cardoso.
"Teníamos esperanza de que la victoria electoral pudiese desencadenar un nuevo reascenso del movimiento de masas y que, con eso, la reforma agraria tendría más fuerza para ser implementada" afirma Stedile.
Pero la realidad de los siete años de gobierno de Lula ha sido otra, "no hubo reforma agraria durante el gobierno Lula. Al contrario, las fuerzas del capital internacional y financiero, a través de sus empresas transnacionales, ampliaron su control sobre la agricultura brasileña. Hoy, la mayor parte de nuestras riquezas, producción y distribución de mercancías agrícolas está bajo control de las empresas transnacionales"
El ministro brasileño de Reforma Agraria, Guilherme Cassel, asegura que el programa gubernamental para el asentamiento de Los Sin Tierra ha sido un éxito y benefició a 520 mil familias en los seis primeros años del gobierno Lula: Seguiremos asentando entre 70 mil y cien mil familias por año, prometió el ministro.
El MST, sin embargo, rechaza esas estadísticas: afirma que poco más de cien mil familias han sido asentadas y siguen existiendo en Brasil cuatro millones de labriegos sin tierra, además de unas 230 mil familias que aguardan la reforma agraria instaladas en precarios campamentos al margen de las carreteras del país.
La organización agrega que la reforma agraria no logró cambiar el panorama de fuerte concentración de riquezas en el campo, donde 1.6 por ciento de los propietarios controla 46.78 por ciento de las tierras privadas.
Las empresas empresas de capital extranjero, continúa Stedile, "se aliaron con los hacendados capitalistas y produjeron el modelo de explotación del agro-negocio. Muchos de sus portavoces se apresuraron a preanunciar en las columnas de los grandes periódicos de la burguesía que el MST se acabaría. Equívoco engaño".
El MST ha denunciado durante estos años la manipulación monopólica por parte de las empresas agroquímicas y de transgénicos que desvía la producción doméstica campesina hacia la producción intensiva de exportación y, particularmente, a la Organización Mundial del Comercio (OMC) por propiciar el libre comercio, pero simultáneamente favorecer a las transnacionales que controlan, de hecho, el 85 por ciento de la producción mundial de alimentos
Para Los Sin Tierra "el agro-negocio no presenta solución alguna para los problemas de los millones de pobres que viven en el medio rural", por esta razón, explica Stedile, "la hegemonía del capital financiero y de las transnacionales sobre la agricultura, no consiguió, felizmente, acabar con el MST", porque le MST "es la expresión de la voluntad de liberación de esos pobres" afirma el representante del movimiento.
Este nuevo panorama hace que Los Sin Tierra agregue nuevos objetivos a los que incialmente se planearon en su formación, Stedile afirma que "la lucha por la reforma agraria que antes se basaba sólo en la ocupación de tierras del latifundio, ahora se presenta más compleja. Tenemos que luchar contra el capital, contra la dominación de las empresas transnacionales".
Las medidas clásicas de expropiar grandes latifundios y distribuirlos a los campesinos pobres son insuficientes, puesto que se deben generar "cambios no sólo de la propiedad de la tierra, sino también del modelo de producción", para combatir la pobreza, la desigualdad y la concentración de riquezas.
"Ahora, los enemigos son también las empresas internacionalizadas, que dominan los mercados mundiales. Significa también que los campesinos dependerán cada vez más de las alianzas con los trabajadores de la ciudad para poder avanzar en sus conquistas" afirma Stedile.
http://www.telesurtv.net/noticias/entrev-reportajes/index.php?ckl=210
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Paraguay/Implementada reforma agraria paraguaya en primera fase
13 enero 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
Este lunes el gobierno paraguayo le dio el ejecútese al plan de reforma agraria nacional, que incluye en su primera fase una readministración de tierras y la asistencia integral para unas 5 mil 500 familias en 6 de los 17 departamentos de la nación latinoamericana.
Alberto Alderete, ministro del Instituto Nacional de Desarrollo Rural y de la Tierra (Indert), dio a conocer que este plan incluye la construcción de caminos, puentes, puestos de salud y escuelas.
Asimismo, este proyecto que da cabida a distribución de alimentos y semillas, realizó su presentación en el departamento de San Pedro (centro), la región paraguaya más pobre, donde se asistirán a unas 3 mil 400 familias..
"Para que la reforma agraria no sea una repartición de tierras hemos creado un espacio de coordinación en donde estén los organismos públicos y ministerios que tienen que estructurar planes de desarrollo para acompañar la entrega de tierras", precisó Alderete.
Las actividades estarán coordinadas por los ministerios de Agricultura y Ganadería, Obras Públicas, Salud, Educación y Cultura, además del Indert, así como por la Administración Nacional de Electricidad, el Consejo Nacional de la Vivienda y la Secretaría de Acción Social, entre otros.
El plan de reforma agraria se realizó el mismo día en que la Presidencia difundió un comunicado para ratificar que las haciendas de los colonos y los terratenientes brasileños en las regiones agrícolas, serán resguardadas ante las advertencias de ocupaciones de los "sin tierra".
Alrededor de unos 300 mil brasileños viven en Paraguay en la zona fronteriza con su país, donde la mayoría se dedica al cultivo de soja, principal fuente de ingresos de la nación suramericana.
A lo largo de varias regiones agrícolas del país, cientos de "sin tierra" se encuentran instalados alrededor de las haciendas y fincas bajo la advertencia de ocuparlas en caso de que el gobierno no responda a sus llamados de acceso a terrenos.
Los labriegos más radicales han manifestado que en el pasado grandes extensiones de terreno fueron entregadas a personas no sujetas a la reforma agraria, asímismo aseguraron que el cultivo mecanizado de soja depreda bosques, contaminando el ambiente con las intensas fumigaciones.
http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/40263-NN/implementada-reforma-agraria-paraguaya-en-primera-fase/
sábado, 6 de dezembro de 2008
''ESTAMOS COMENZANDO, PONIENDO LOS CIMIENTOS PARA UNA GENUINA REFORMA LEGAL EN EL PARAGUAY''

Fernando Lugo, Presidente de Paraguay. (Foto: TeleSUR)
La estructura ineficiente del Poder Judicial, en donde la gran mayoría reclama cambios sustanciales, estructurales, sigue vigente. Lo mismo ocurre en el Parlamento, que no ha actuado en ciertos acontecimientos y leyes que hubiéramos querido que salieran con más facilidad, han ocasionado los problemas siguen allí.
3 diciembre 2008/TeleSUR http://www.telesurtv.net
Presidente, al cabo de más de 100 días de gobierno, ¿Cómo podría caracterizar esta etapa de su gestión? ¿Se logró lo que usted mismo esperaba de esta primera etapa?
Yo creo que la ciudadanía es testigo y yo también, definitivamente podemos decir que no hemos logrado exactamente lo que nos hemos propuesto porque hemos encontrado muchas barreras: dificultades administrativas, la herencia que hemos tenido, que hemos adquirido, después de 61 años (de gobierno colorado) y hubiéramos querido ser mucho más efectivos, mucho más impactantes en términos de resultados. Yo creo que la ciudadanía es consciente de que, por lo menos en salud, sí se ha logrado un indicador importante en términos positivos, pero no así en términos de la seguridad, en la gestión para la generación de empleo y otros aspectos de la vida nacional que pueden mejorarse sustancialmente con el tiempo.
En la última etapa de estos primeros 100 días se realizaron múltiples movilizaciones de organizaciones sociales entre ellas de campesinos, en reclamo de la Reforma Agraria, ¿Cómo considera usted estas protestas y qué está dificultando la ejecución de la Reforma?
Bueno, que es un tema nuevo y se armó también una Coordinadora Ejecutiva, dentro de las formalidades, que también es nueva. Es decir, estamos comenzando, poniendo los cimientos para una genuina reforma legal en el Paraguay, un tema que nunca se ha tomado en serio, y definitivamente la reforma agraria no la consideramos simplemente como una repartija de tierras como se ha hecho históricamente en el país. Por eso hay unas 20 organizaciones estatales hoy en coordinación, la cuestión técnica, la cuestión crediticia, de acompañamiento, de salud, de educación, de infraestructura, la que tiene que ir acompañando todo el proceso para que la producción agrícola pueda tener resultados positivos, especialmente cerrándose el círculo de la comercialización y que esto le pueda permitir una vida mucho más digna al hombre del campo.
Estas mismas organizaciones han denunciado que el Poder Judicial y el Parlamento no acompañan el cambio político que se buscó con su elección. ¿Qué opina al respecto, cuáles son las salidas a esta situación?
Es una gran realidad, yo creo, y la ciudadanía es consciente, que aquí se ha producido un cambio, digamos de signos políticos en el Poder Ejecutivo. La estructura ineficiente del Poder Judicial, en donde la gran mayoría reclama cambios sustanciales, estructurales, sigue vigente. Lo mismo ocurre en el Parlamento, que no ha actuado en ciertos acontecimientos y leyes que hubiéramos querido que salieran con más facilidad, han ocasionado los problemas siguen allí.
Yo creo que la ciudadanía está acompañando, inclusive forzando muchas veces a estas otras instituciones en poder del Estado para que estén a la altura de los acontecimientos y sus respuestas sean las esperadas por la mayoría de los ciudadanos que han reclamado un cambio efectivo desde el 20 de abril. Creo que la salida sería poder coordinar las acciones de manera más eficiente y eso lo intentaremos hacer en las próximas semanas y los próximos meses para que esta ciudadanía que se merece una vida más digna pueda obtener los resultados que ellas desean.
En su informe de gestión, reconoce debilidades y falencias en estos 100 días. ¿Cuáles fueron estos errores, y qué cambiaría en la metodología de su gestión?
Bueno, una de las falencias es que tuvimos la responsabilidad de mirar la casa por dentro y no hemos tenido los resultados hacia afuera. La ciudadanía exigió resultados rápidos, yo creo que la ciudadanía tiene que entender que los resultados más eficientes, más eficaces, son aquellos que se realizan desde un proceso y tienen maduración de largo alcance. Nosotros no creemos en los cambios rápidos que después no son duraderos. Queremos que el cambio también sea duradero en el tiempo. Aparte de eso nos hemos dedicado durante mucho tiempo a ver cómo estamos en las instituciones por dentro, organizar la casa, limpiar la casa, sacudir un poquito los ministerios, las instituciones, ha llevado más tiempo de lo que hubiéramos nosotros deseado, y eso ha conspirado en contra de una efectiva acción con resultados más positivos, especialmente en el ambiente social y económico del país.
El obispo Mario Melanio Medina, conocido defensor de los Derechos Humanos, lo instó a dejar de anotar para empezar a actuar, ¿Comparte usted esa apreciación?
Creo que tenemos que actuar conjuntamente, el Ejecutivo está actuando, pero los otros estamentos de la sociedad tienen que ir acompañando eficazmente todo el proceso que se ha iniciado desde el 20 de abril (día de las elecciones), sobre todo desde el 15 de agosto (fecha de toma de posesión). Yo creo que nuestro país tiene una gran memoria histórica, y para esa memoria tenemos que seguir anotando los hechos, los acontecimientos y sobre todo los grandes desafíos y marcar el rumbo como lo estamos marcando ahora, un rumbo hacia una democracia por más calidad, donde las instituciones sean más eficientes, en donde las personas también puedan apoyar por un proyecto común. Yo creo que son elementos o ejes de nuestro gobierno que tenemos que implementarlo rápidamente en conjunción, armonía y participación de todos los estamentos de la sociedad.
Sobre la posibilidad o necesidad de una Constituyente. ¿Qué piensa de esto Presidente, se da la correlación de fuerzas para llamar a una Constituyente o a una Reforma Constitucional?
Yo creo que acá se tiene que hacer una diferenciación. Fernando Lugo no quiere una constituyente que pueda garantizar y facilitar el gobierno de Fernando Lugo, aquí el país tiene que ganar y la correlación de fuerzas es un tema que se tiene que discutir en los diferentes estamentos de la sociedad, especialmente los partidos políticos para ver qué tipo de Constitución queremos. Así como están las cosas, yo creo que nuestra propia Constitución tiene elementos muy valiosos que no se han todavía utilizado para dar resultados eficientemente desde las instituciones de nuestro país. La Constitución debe marcar un punto de cambio radical en la orientación jurídica del país y creo que eso puede ayudar a que muchas instituciones puedan tener una funcionalidad. Aparte, la Constitución que tenemos responde a una conyuntura, un espacio, la del año 1992, donde realmente la coyuntura social, económica y política era totalmente diferente. Yo creo que hoy, la gran mayoría, la estadística lo dice, están reclamando, ansiando, pidiendo la constituyente que pueda facilitar los cambios estructurales que el país necesita.
En el cierre de su informe de gestión habló sobre la posibilidad de revisar la deuda de Paraguay con organismos multilaterales, ¿Cuándo y cómo se daría esta acción?
Hay países en los que la deuda externa y la deuda bilaterales y multilaterales es un tema que está en la agenda latinoamericana hoy. No es solamente Paraguay es que se está haciendo. Lo están haciendo otros países como Ecuador por ejemplo. Nosotros también creemos que hay temas en los que Paraguay ha recibido grandes préstamos, que no han llegado a los destinatarios, ni se han realizado esas obras, pues las deudas quedaban para el país y los gobiernos que vienen lo tienen que asumir. Entonces queremos hacer un estudio exhaustivo con equipos de técnicos que puedan investigar, clarificar con una comunicación con la ciudadanía, y ver en primer lugar si esas deudas son legítimas y si no son legítimas ver también la posibilidad de no ser responsables de esas deudas. Lo otro son las otras deudas, que ya fueron pagadas suficientemente con todos los intereses que durante años ha venido el país pagando, entonces ver también la posibilidad de que esas deudas se puedan considerar canceladas.
http://www.telesurtv.net/noticias/entrev-reportajes/index.php?ckl=132
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Lugo impulsa Constituyente para beneficiar al pueblo paraguayo
4 diciembre 2008/TeleSUR http://www.telesurtv.net
El presidente de Paraguay, Fernando Lugo, manifestó su intención de impulsar una constituyente que haga modificaciones importantes en la Carta Magna y marquen un punto de cambio radical en la orientación jurídica que beneficie a todo el pueblo dela nación sudamericana.
En entrevista exclusiva para TeleSUR, el mandatario indicó que para llegar a ese objetivo se necesitan "políticas de diferenciación" que aclaren su intención de no hacer una Constituyente que pueda garantizar y facilitar su gobierno, sino que tenga como propósito hacer ganar a todo el país.
"Yo creo que acá se tiene que hacer una diferenciación. Fernando Lugo no quiere una constituyente que pueda garantizar y facilitar el gobierno de Fernando Lugo, aquí el país tiene que ganar y la correlación de fuerzas es un tema que se tiene que discutir en los diferentes estamentos de la sociedad, especialmente los partidos políticos para ver qué tipo de Constitución se requiere", explicó el jefe de Estado.
Tales declaraciones las dio en el marco de la celebración de sus primeros 100 días de gestión al frente de Paraguay, en las que destacó que la actual Carta Magna "tiene elementos muy valiosos", pero señaló "que no se han utilizado todavía para dar resultados eficientemente desde las instituciones de su país".
"La Constitución debe marcar un punto de cambio radical en la orientación jurídica del país y creo que eso puede ayudar a que muchas instituciones puedan tener una funcionalidad. Aparte, la Constitución que tenemos responde a una conyuntura del año 92 , donde realmente lo social, económico y político era totalmente diferente" a lo que vive la nación en este momento.
"Yo creo que hoy, la gran mayoría, la estadística lo dice, están reclamando, ansiando, pidiendo la Constituyente que pueda facilitar los cambios estructurales que el país necesita", sugirió el presidente.
En relación a los errores y falencias que Lugo reconoce en su informe de gestión, asegura que los ha asumido para mejorar esta nueva etapa en su administración, a la vez que señaló que no cree en los cambios rápidos porque no son duraderos en el tiempo.
"Una de las falencias es que tuvimos la responsabilidad de mirar la casa por dentro y no hemos tenido los resultados hacia afuera. La ciudadanía exigió cambios rápidos, yo creo que primero tiene que entender que los resultados más eficientes, más eficaces, son aquellos que se realizan desde un proceso y tienen maduración de largo alcance (...) queremos que el cambio también sea duradero en el tiempo", dijo Lugo.
Considera que el pueblo paraguayo tiene conciencia del cambio producido en el Poder Ejecutivo, pero reclama cambios sustanciales que sean vigentes en el tiempo.
Asimismo reconoció que el Parlamento todavía debate leyes que deberían ya estar sancionadas.
"Creo que la salida sería poder coordinar las acciones de manera más eficiente y eso lo intentaremos hacer en las próximas semanas y en los próximos meses, para que esta ciudadanía, que se merece una vida más digna, puedan obtener los resultados que desea", agregó.
Sobre la Reforma Agraria, el jefe de Estado de Paraguay, indicó que las múltiples movilizaciones de organizaciones sociales realizadas en el país suramericano, cobran sentido partiendo del hecho que la Reforma va más allá de una simple repartición de tierras.
"Definitivamente la reforma agraria no la consideramos simplemente como una repartija de tierras, tal como se ha hecho históricamente en el país. Por eso hay unas 20 organizaciones estatales hoy en coordinación, la cuestión técnica, la cuestión crediticia, de acompañamiento, de salud, de educación, de infraestructura, la que tiene que ir acompañando todo el proceso para que la producción agrícola pueda tener resultados positivos especialmente cerrándose el círculo de la comercialización y que esto le pueda permitir una vida mucho más digna al hombre del campo".
Más temprano, el obispo paraguayo, Mario Melanio Medina, conocido defensor de los Derechos Humanos, exhortó al presidente Lugo a "dejar de anotar para empezar a actuar", al respecto el mandatario respondió que "tenemos que gestionar conjuntamente, el Ejecutivo está actuando, pero los otros estamentos de la sociedad tienen que ir acompañando eficazmente todo el proceso".
"Tenemos que seguir anotando los hechos, los acontecimientos y sobre todo los grandes desafíos y marcar el rumbo como lo estamos marcando ahora, un rumbo hacia una democracia por más calidad, donde las instituciones sean más eficientes, en donde las personas también puedan apoyar por un proyecto común", puntualizó.
http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/37813-NN/lugo-impulsa-constituyente-para-beneficiar-al-pueblo-paraguayo/
sábado, 18 de outubro de 2008
Venezuela/Campamento Che Guevara rompiendo paradigmas
Centenares de jóvenes latinoamericanos y de otras partes del mundo se reúnen en Venezuela en el primer Foro Internacional Campamento Che Guevara "Por los pueblos del ALBA", para debatir la integración latinoamericana.
14 octubre 2008/TeleSUR http://www.telesurtv.net
En favor de la emancipación, de las luchas de los pueblos latinoamericanos por la justicia social, el desarrollo humano, la inclusión y cohesión social de los distintos grupos, razas pueblos indígenas, como un solo pueblo, en pueblo grande que se crece ante el atropello, la agresión y los embates del imperio, se realizan en todo el mundo los campamentos juveniles.![]()
El Campamento Che Guevara de la Juventud es un espacio para potenciar la integración latinoamericana y caribeña en torno al ALBA y la Vía Campesina.
El objetivo es que los jóvenes, por medio de las experiencias de organización popular, social y las revoluciones en América Latina, puedan ser parte del sujeto transformador.
El campamento cuenta con la participación de cerca de 200 delegados internacionales de América Latina y 400 venezolanos, quienes analizan en mesas de debate y discusión todos los temas de importancia para nuestros pueblos hermanos, mientras, a través del trabajo voluntario, desarrollan gran parte de la actividad.
Igualmente son centro de atención los medios alternativos y comunitarios de comunicación, las opciones al imperialismo, los movimientos campesinos y de los Sin Tierra, el sistema de participación en la revolución, el Poder Popular y las misiones sociales.
En favor de la emancipación, de las luchas de los pueblos latinoamericanos por la justicia social, el desarrollo humano, la inclusión y cohesión social de los distintos grupos, razas pueblos indígenas, como un solo pueblo, en pueblo grande que se crece ante el atropello, la agresión y los embates del imperio, se realizan en todo el mundo los campamentos juveniles.
El campamento contempla dos etapas. La primera del 7 al 16 de octubre, donde participan los movimientos del ALBA y de Vía Campesina, es un espacio de discusión e intercambio de ideas, experiencias y propuestas desde los jóvenes, que aporten a los nuevos procesos.
La segunda etapa, del 17 de octubre al 15 de noviembre, que contempla un trabajo de voluntariado en la finca agroecológica del Instituto Agroecológico Latinoamericano Paulo Freire (IALA), en Barinas , y que contará con la participación de la juventud de Vía Campesina que asistirán durante los 40 días del Campamento.
Instituto Agroecológico Latinoamericano Paulo Freire
Para los movimientos sociales que lo organizan no podría haber mejor lugar para abrigar a estos jóvenes provenientes de 16 países, que el Instituto Agroecológico (IALA) que ha sido considerado como uno de los logros más importantes de las organizaciones del campo en los últimos años.
El IALA es fruto de la primera iniciativa del ALBA que rompe los esquemas de cooperación tradicionales, que hasta este momento se limitaban a convenios firmados de gobierno a gobierno.
El IALA nació del "Acuerdo de TAPES" firmado entre el presidente de Venezuela, Hugo Chávez, y el movimiento campesino internacional Vía Campesina, en 2005, en el marco del Foro Social Mundial.
De esta manera se consolidaron las estructuras para la construcción de la primera Universidad Internacional "hecha por y para las organizaciones campesinas".
El Objetivo es articular los movimientos sociales que hacen vida en los pueblos de América Latina y el Caribe, para lograr consolidar el pensamiento del heroico "Che" Guevara
Barinas ha formado parte de la construcción histórica de la Patria Grande Latinoamericana, y hoy, retomando este legado, invita a celebrar la gran lucha por empoderar a los pueblos indígenas, llevando la democracia participativa a cada rincón.
En el marco de la conmemoración del vil asesinato de Ernesto 'Che' Guevara, el Campamento de la Juventud se realiza en su honor, como una forma de recordar y llevar como consigna el ejemplo del Comandante Ernesto "Che" Guevara, para la construcción de un nuevo paradigma social, de una visión revolucionaria y radical.
La Vía Campesina
La Vía Campesina es un movimiento internacional que coordina organizaciones campesinas, pequeños y medianos productores, mujeres rurales, comunidades indígenas, trabajadores agrícolas migrantes, jóvenes y Sin Tierra
Fundada en abril de 1992, la Vía Campesina tuvo su origen en una reunión realizada en Managua, Nicaragua, cuando agricultores y campesinos de Europa, América Central y Norteamérica se reunieron en el Congreso de la Unión Nacional de Agricultores y Ganaderos.
La primera conferencia de la Vía Campesina tuvo lugar en 1993 en Mons, Bélgica, donde fue efectivamente constituida como una Organización Mundial.
Los ejes de trabajo de la Vía Campesina son: soberanía alimentaria, reforma agraria, créditos y deuda externa, tecnología, desarrollo rural e inclusión de las mujeres, entre otros.
Frente a un ambiente cada vez más hostil a los campesinos y pequeños agricultores en todo el mundo, su respuesta es desafiar de forma colectiva sus condiciones.
En el manifiesto publicado en la segunda asamblea, realizada en México en 1996, expresan claramente las razones que les motivaron a unir fuerzas, a organizarse.
"Nos une el rechazo a las condiciones económicas y políticas que destruyen nuestras formas de sustento, nuestras comunidades, nuestras culturas y nuestro ambiente natural. Estamos determinados a crear una economía rural basada en el respeto a nosotros mismos y a la tierra, sobre la base de la soberanía alimentaria, y de un comercio justo", reza el documento
El sistema económico neoliberal prevalente a nivel mundial, ha sido la causa principal del empobrecimiento de los agricultores pequeños y, en general, de la gente del campo.
Siendo este sistema, el responsable del incremento en la destrucción de la naturaleza, la tierra, el agua, las plantas, los animales y los recursos naturales.
La Vía Campesina ha denunciado constantemente las actividades del Banco Mundial y del FMI, cuyas políticas de reajuste estructural imponen un precio demasiado alto que es inaceptable para los pobres y la gente del campo en muchos de los países en vías de desarrollo.
Estas políticas reducen la capacidad de los gobiernos de los países en desarrollo, para proporcionar servicios básicos. En lugar de buscar una solución duradera a la crisis de la deuda externa, con estas políticas la situación simplemente se ha empeorado.
La Conferencia de la Vía Campesina ha exigido que estas deudas y el programa de ajuste estructural que destruye sean proscritos, en favor de un desarrollo rural nacional autosuficiente. Las instituciones financieras internacionales deben democratizarse para que, de esa forma, respondan a las necesidades reales de la mayoría de las personas
Para ello han promovido una "red de solidaridad y respuesta" en contra de los actos de violencia ejercida en contra de los campesinos y los pequeños agricultores, ampliando el movimiento por medio de la participación de diversos actores sociales.
Los campamentos de juventud se han convertido en el espacio ideal para la promoción de sus ideales, y para la construcción de una gran red de solidaridad.
http://www.telesurtv.net/noticias/entrev-reportajes/index.php?ckl=89
Lea también
Resistencia Indígena: 516 años de lucha por su dignidad
Che Guevara: Inigualable héroe de las luchas de América Latina
Cuba: Un ejemplo de liberación
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Jornada Nacional de Luchas por la Reforma Agraria del MST
Brasil: Por qué estamos en lucha
Minga Informativa de Movimientos Sociales / http://movimientos.org/16 abril 2008
Dirección Nacional del MST
La reforma Agraria está paralizada. Crece la concentración de la tierra, los asentamientos no reciben apoyo efectivo, aumentan la violencia contra los sin-tierra y la impunidad de los latifundistas y del agronegocio. La Masacre de Eldorado de Carajás es el principal símbolo de la desatención del Estado brasileño con los trabajadores rurales, con el pueblo brasileño. Después de 12 años del asesinato de 19 trabajadores rurales, en el municipio de Eldorado de Carajás, en Pará, el 17 de abril de 1996, poco ha cambiado para los sin-tierra.
150 mil familias continúan acampadas, las empresas del agronegocio avanzan sobre el territorio brasileño, conquistando tierras que deberían ser destinadas a las trabajadoras y trabajadores rurales. El gobierno está dando prioridad al agronegocio. Sólo el Banco do Brasil prestó 7 mil millones de dólares a 13 grupos económicos, mientras nuestros asentamientos no reciben inversión suficiente.
Estamos, en esta semana, haciendo ocupaciones de tierras, marchas, campamentos, manifestaciones y protestas, en sedes de bancos públicos, secretarías y órganos de los gobiernos federal y provinciales, en todas las regiones del país, reclamando tierras para las familias acampadas e inversión en las áreas de asentamiento para ampliar la producción y construir viviendas rurales.
La Jornada Nacional de Luchas por la Reforma Agraria del MST, en este mes de abril, denuncia la lentitud de la Reforma Agraria, los efectos negativos del agronegocio y presenta propuestas para revertir la situación. Necesitamos cambiar la política económica vigente, que beneficia a las grandes empresas y al capital financiero, mientras la población sufre por el irrespeto de sus derechos sociales, previstos en la Constitución, y por la falta de políticas públicas efectivas para enfrentar la desigualdad y la pobreza.
Brasil está retrasado en el proceso de democratización de la tierra y en la organización de la producción para garantizar la sostenibilidad de los pequeños y medianos agricultores. No podemos admitir la perpetuación del latifundio, símbolo de la injusticia en el campo, tanto improductivo como productivo. Nuestra jornada de luchas presenta propuestas de desarrollo para el campo brasileño, defendemos un proyecto de generación de empleo, con promoción de educación y salud. Por ello, en esa jornada exigimos del gobierno federal:
1- Que reanude las expropiaciones de tierra y los asentamientos de las familias acampadas por todo el país. Familias de trabajadores rurales permanecen años y años bajo una lona negra en la lucha por la Reforma Agraria:
- Plan urgente de asentamiento de todas las 150 mil familias acampadas.- Cambio de los índices de productividad.
- Crear un mecanismo que acelere los trámites internos para los procesos de expropiación.- Aprobación del proyecto de ley que determina que las haciendas que explotan trabajo esclavo sean destinadas a la Reforma Agraria.
- Destinar las áreas hipotecadas en el Banco do Brasil y en la Caja de Ahorros Federal para la Reforma Agraria
2- Creación de una línea de crédito específica para asentamientos, que viabilice la producción de alimentos para la población de las ciudades. El PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimiento de la Agricultura Familiar) no considera las especificidades de las áreas de Reforma Agraria. La burocracia dificulta que las familias asentadas tengan acceso al programa.
El Instituto Nacional de Colonización y Reforma Agraria (INCRA), como instrumento del gobierno, debe crear una nueva línea de crédito con el objetivo de crear las condiciones estructurales de producción y de infraestructura social, en la modalidad de fomento, para estructurar los asentamientos en los primeros años, incentivando formas comunitarias de asociación. Defendemos también la creación de un nuevo crédito bancario para estructurar la base productiva en los asentamientos. El gobierno debe garantizar la adquisición de toda la producción, por medio de la CONAB (Compañía Nacional de Abastecimiento), con precios justos y seguro agrícola.
3- EL MST viene desarrollando junto con el INCRA, en sociedad con la Caja de Ahorro Federal, un programa de reforma y construcción de casas en el área rural y en especial en los asentamientos de la Reforma Agraria. El total de la demanda para la vivienda rural para el 2007 era de 100 mil unidades, de acuerdo con el grupo de trabajo compuesto por movimientos sociales. El gobierno prometió conceder crédito para la construcción de 31 mil unidades hasta el final del año pasado. Hasta ahora, han sido contratadas sólo 8 mil unidades, siendo que solamente 2 mil han sido destinadas para asentamientos.
Por ello, reivindicamos la contratación de todos los proyectos que se encuentran en la Caja de Ahorros Federal hasta julio de 2008 y la atención de la demanda de 100 mil viviendas rurales para el año 2008. Pedimos también la creación de un programa específico de vivienda rural, desburocratizado, y que atienda las especificidades del medio rural, coordinado por el INCRA en sociedad con los movimientos sociales que actúan en el campo para atender a todas las familias asentadas.
Brasil necesita de un nuevo modelo agrícola, que dé prioridad a la agricultura familiar orientada al mercado interno, a los pobres del país. Con eso, vamos a garantizar nuestra soberanía alimentaria y producir comida para los 80 millones de brasileños que no tienen acceso suficiente a los alimentos. La Reforma Agraria y el fortalecimiento de la agricultura familiar son una premisa fundamental para la construcción de uno país con justicia social y soberanía popular.
Suscripciones: http://listas.movimientos.org/listas/subscribe/pasavoz
domingo, 2 de março de 2008
REVISTA SEM TERRA / Edição 43 - Jan/Fev - 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Brasil/OS SEM TERRINHA
Portal do MST / 30 janeiro 2008 / http://www.mst.org.br
Por Andrea Dip
"Sem-terrinha, sim senhor, com orgulho e muito amor!" O entoar do "grito de guerra" acontece logo após a mística, uma dramatização feita por crianças do Movimento Sem Terra acampadas em Arroio dos Ratos, Rio Grande do Sul.
"Só aqui no acampamento são 130 crianças!", diz Evandro, professor acampado que divide a tarefa de ensinar com mais seis pessoas. "Educador", corrige. A mística é montada através de um tema gerador, que trata de assuntos atuais próprios da realidade das crianças. Não se assuste se um garotinho da altura de seus 5 anos de idade der uma verdadeira aula sobre a ALCA e a reforma agrária. "Se a ALCA é boa para alguém eu não sei, mas para a gente não é! Os americanos querem quebrar os pequenos agricultores."
Há certamente muito o que aprender com os educandos "sem terrinha". O que impressiona à primeira vista é o asseio e a organização das escolas itinerantes (chamadas assim porque mudam junto com o acampamento feito de barracos de lona preta) e das escolas dos assentamentos (estabelecidas em terras já conquistadas). Não se vêem um papel no chão, um rabisco nas paredes. As crianças do Movimento são incentivadas a tratar a escola como extensão de sua casa – elas sabem o valor da escola –, limpam, embelezam com flores e cartazes, plantam sua merenda.
Juarez Cornelli, assentado orientador da escola em Nova Ramada, diz que dessa forma as crianças valorizam e facilitam o trabalho – muitas vezes voluntário – do pessoal da limpeza.
A idéia de fazer essa reportagem surgiu quando eu pesquisava a respeito do ensino no Brasil. Já meio ressabiada, desesperançosa com tantos números desanimadores, descobri a escola de Nova Ramada, Rio Grande do Sul. Gerida pelo Movimento Sem Terra, essa escola seria um modelo em educação, onde as crianças aprendem até a calcular hectares, cuidar da terra etc. Contrastando com conjuntura atual do ensino, essa iniciativa merecia ser divulgada.
Quando chegamos no primeiro acampamento, foi inevitável um certo receio (de ambas as partes). Nosso, por não sabermos de que forma seríamos recebidos, dos acampados por não conhecerem nossas intenções.
Mas, à medida que íamos sendo apresentados – "esse é o pessoal da revista Caros Amigos, estão fazendo uma reportagem sobre a nossa gurizada" –, o olhar fixo, apreensivo, dava lugar a um sorriso acolhedor, aprovando nossa visita, logo nos apresentando o lugar.
"Chega mais, as crianças querem mostrar uma mística a vocês." E a criançada, curiosa, começava a fuçar no equipamento, fazer pose para a câmara, e explicar como era a vida ali. Após um quarto de hora, já era impossível cotejar que aquele seria um suposto "campo de batalha". Há parques de diversões montados com pneus e troncos de eucalipto feitos pelos próprios acampados – que o fazem mesmo sabendo que a estadia é provisória e logo poderão partir para outras terras.
O acampamento do Arroio dos Ratos, assim como o "Seguindo o Sonho de Rose" e tantos outros, está montado na beira da estrada, mas para as crianças isso não faz muita diferença. Há brincadeiras e tarefas comunitárias, sempre respeitando a faixa etária da criançada.
Em Júlio de Castilhos está a primeira escola conquistada pelo movimento no Rio Grande do Sul e a pioneira da "pedagogia do Movimento". Não existem as tradicionais séries que dividem os anos letivos, mas o que eles chamam de ciclos. "Cada idade tem seu momento, pretendemos trabalhar isso", diz Bernadete Schwaab, uma das idealizadoras da pedagogia do MST e coordenadora da escola. Até chegar ao que seria a 8a série, os ciclos se dividem em infância, pré-adolescência e adolescência.
Há também o "Encontro Sem Terrinha", quando as crianças do Brasil se unem para trocar experiências, aprender e – nada mais justo – brincar.
Enquanto estabelecimentos de ensino da rede pública, as escolas são supridas pelo governo do Estado, que manda cadeiras, mesas e uma verba mensal. Mas logo se vê a diferença: cartazes com frases de Che Guevara, fotos de Sebastião Salgado e a bandeira do movimento são unanimidade até nas "paredes" dos barracos de lona preta.
Elói, um dos responsáveis pelo departamento de ensino do Rio Grande do Sul e grande colaborador desta reportagem, diz que as cartilhas tradicionais tiveram de ser abolidas por ser "muito burguesas, elitistas e de valores capitalistas". "Vem escrito: ‘Papai comprou tantos bombons para seu filho’. E nos acampamentos nossas crianças não tinham acesso ao açúcar."
Essas diferenças levaram o MST a criar um projeto pedagógico formador de educadores, o Instituto de Educação Josué de Castro, dentro do Iterra (Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária), e seus próprios livros e cartilhas pedagógicas, fundamentados em Paulo Freire, Makarenko (professor ucraniano, fundador da pedagogia marxista, voltada especificamente ao coletivismo) e principalmente no cotidiano da comunidade, na busca da cidadania desde cedo.
O MST conta hoje com 1.350 escolas do ensino fundamental e com 3.900 educadores de crianças e adultos. São em média 150 mil educandos em nível nacional. As aulas são elaboradas pelos professores que passam o dia na escola pesquisando e se relacionando com os alunos. O processo de ensino não é estático, muda conforme as necessidades.
O alfabeto é discutido em assembléia com alunos e pais que chegam a um consenso sobre qual palavra deve ser atribuída a qual letra: "A" de acampamento, "R" de reforma agrária. "Dessa forma, além de fixar melhor o conteúdo, as crianças ajudam com os problemas da comunidade", explica Vilma Marinho, educadora do assentamento da Coopac. Na matemática somam alqueires, hectares, e a porcentagem é vista sobre a produtividade da colheita dos assentamentos.
Mas como ensinar os princípios do socialismo e a causa das lutas a crianças de 4, 5 anos de idade? Segundo a diretora Elaine da Rocha, da escola Nova Esperança, base das escolas itinerantes, a política do Movimento é ensinada através de hábitos solidários, estimulando o coletivismo: "Criança é criança, não adianta você querer formar um militante na pré-escola!"
Ao final de cada explicação sobre a pedagogia do Movimento (como eles definem) vem a frase: "Tudo foi conquistado com muita luta até aqui, mas ainda estamos aprendendo". Para conseguir a primeira escola, do – na época – acampamento Anone, onde havia cerca de seiscentas crianças, os pais, acampados que já eram professores e as próprias crianças fizeram visitas periódicas à prefeitura, falaram com o governo do Estado, participaram de marchas. A prefeitura dizia que não colocaria uma escola "em local de conflito". "Os senhores não conhecem o Brasil, então!" diziam os pais.
Apesar de hoje o governo do Rio Grande do Sul estar colaborando com a implantação dessas escolas, ainda há lugares em que as prefeituras relutam em dar autonomia na área pedagógica ao Movimento, mesmo em assentamentos. Viamão, onde aconteceu a Jornada pela Reforma Agrária, é um desses lugares.
"A escola aqui é tradicional. Os professores não conhecem e não querem conhecer o Movimento. Eles querem apenas receber o deles no final do mês! Incentivam as crianças a ir para a cidade. Queremos que elas valorizem a terra! Tínhamos professores formados em pedagogia e magistério aqui no assentamento e não foi permitido que lecionassem aqui. Eles ensinam em outras escolas tradicionais. A administração pública ainda não entendeu a pedagogia do movimento. Os professores reclamam que as crianças não ficam quietas, não obedecem, mas aqui não é essa a relação de obediência, as crianças têm de questionar, perguntar o que está acontecendo!", diz Leonildo Zang, assentado que cuida da farmácia alternativa (ervas e chás).
A Jornada pela Reforma Agrária cuida – entre outras coisas – da vistoria dessas escolas, escuta a reclamação das crianças, discute as possíveis soluções. Em um galpão desativado no próprio assentamento de Viamão, onde fazia muito frio apesar do sol forte, frei Laodino celebrava o término do evento, num breve e coerente sermão comparativo entre Moisés e a peregrinação no deserto e a luta pela terra.
Alguns hinos à reforma agrária tocados na viola eram acompanhados pelos presentes. Uma mulher se emociona contando sobre o terrível caso em que os capangas de uma fazenda envenenaram a água de um rio que supria um dos acampamentos, matando oito crianças. O silêncio toma conta do galpão.
Certa hora, o frei nos chama para explicar o que fazíamos ali. Com algumas tímidas palavras nos apresentamos, e por sermos da Caros Amigos fomos abençoados. "Se vocês fossem de outro jornal, expulsaríamos vocês! Os repórteres costumam entrar sem ser convidados, ficam cinco minutos, depois massacram a gente!", brinca o frei.
A jornada pela reforma agrária é feita periodicamente nos assentamentos. No de Viamão, em especial, o que se nota é que grande parte das dificuldades reside no fato de não trabalharem em conjunto; cada família tem seu pedaço de terra, planta e vive de forma independente, divergindo da principal proposta do Movimento Sem Terra, que é a vida socialista.
A aluna Edinéia Padilha, de 11 anos, diz que os professores e diretores da escola onde estuda (tradicional da rede pública) tratam mal os filhos dos assentados (apesar de a escola estar em terreno do assentamento, crianças dos lugares vizinhos freqüentam as aulas) e deixam qualquer pessoa se matricular ali.
E completa: "Eu já sei de tempos o que estou aprendendo lá! A gente só vê televisão, passa de ano mas passa burro! Quando tiver 18 anos, o que vai ser? Teve um dia que a gente colou cartazes escrito: ‘Menos cafezinho, mais atenção aos alunos e funcionários!’"
A expressão muda quando ela fala da época em que tinha aulas na escola itinerante do acampamento: "Lá, os professores eram legais, conversavam com a gente! A gente não tinha mesa, cadeira, sentava debaixo de uma árvore, apoiava o caderno no chão e aprendia muito mais!"
Segundo as educadoras (orgulhosas), as crianças que passaram pelas escolas do Movimento são ótimas alunas quando vão estudar na cidade. "Dão um pouco mais de trabalho para os professores... pois questionam, debatem, mas tiram de letra as matérias da escola tradicional."
Porém – e sempre há algum –, as crianças vivem um verdadeiro impasse quando têm de ir para a cidade completar os estudos, já que a maioria das escolas do Movimento educa só até a 8a série. Sofrem preconceito por parte dos demais alunos, que os chamam de "camponesezinhos sem terra ", e até por parte dos professores.
Isso resulta em uma mudança no comportamento de alguns adolescentes. "Fazendo uma comparação, nós somos como uma mulher que luta de estilingue contra o soldado com a metralhadora! O trabalho que a mídia, a televisão e as novelas fazem acaba com tudo o que plantamos neles! O aluno chega em um lugar diferente onde não conhece ninguém, e já é discriminado só pelo fato de ser do campo, imagine então sendo sem-terra! Para fazer amigos, ele ignora seus valores e incorpora uma outra cultura. Os valores que a gente levou anos para plantar na cabeça deles, a mídia tira em segundos", lamenta Juarez Cornelli, da Ramada.
Outros jovens acabam por desistir dos estudos na cidade e esperam ter idade para fazer um curso técnico em agronomia, ou se formar educador (quatro anos de curso) pelo próprio Movimento.
O que não se nega é a forte ênfase da filosofia do Movimento no ensino das crianças acampadas, que têm o orgulho de ser sem-terra, a revolta de ver "tanta terra para uma vaca, sendo que tem um monte de trabalhador passando fome", o amor à terra e o viver em conjunto. Tudo se pensa em conjunto e se vive em conjunto. Às crianças que já nasceram no assentamento, os pais contam histórias de sua luta, levam-nas para visitar os acampamentos e até montam barracas onde passam alguns dias lembrando da peregrinação pela terra.
"Muitos pais não agüentam e caem no choro!", diz Loa, assentado na Coopac, um modelo de assentamento em cooperativa onde mulheres, crianças e homens, independentemente da função, têm igual remuneração por hora de trabalho.
Quem convive, ainda que por um breve período, com essas crianças não consegue não se apaixonar. São doces, conversam de igual para igual, têm consciência crítica, opinião, mas ainda assim são crianças. Sem "Walt Disney", sem a erotização precoce, a sede de consumo, a malemolência dos videogames ou os "midiotóxicos globais" aos quais as crias urbanas são submetidas.
A "moral da história", a conclusão a que se chega a respeito do Movimento e do tratamento com as crianças é a de que – puxa ! – o socialismo existe e funciona mesmo! Claro que não vivem em um jardim encantado. Claro que são privadas dos luxos que o dinheiro compra; e que são filhos de uma desigualdade social, de uma reforma agrária que ainda não aconteceu. Mas, se elas próprias não se mostram assim, não reclamam, não se vitimam, quem o pode fazer? A mídia, com a comercialização e espetacularização de uma miséria virtual?
Os "sem-terrinha" são crianças na melhor definição de "projeto de gente em execução". A diferença é que não querem balas. Querem terra.
Andréa Dip é estudante de jornalismo.
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