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terça-feira, 5 de julho de 2016

Brasil/Após ataque, viúva de Paulo Freire encaminha Carta a Temer



4 julho 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Biografia do maior educador do país foi alterada a partir da rede do SERPRO, órgão do Estado brasileiro.                          




Dona Ana Maria Araújo Freire, viúva e sucessora legal da obra do educador Paulo Freire, encaminhou uma Carta ao presidente interino -  e ilegítimo – Michel Temer. Ela solicita a Temer e ao ministro da Educação, Mendonça Filho, providências em relação ao ataque contra a obra e memória de Paulo Freire, o maior educador do país.

Na última quinta-feira (28.06), o verbete sobre o educador foi alterado no Wikipedia. No novo texto, Freire é apontado como

terça-feira, 7 de abril de 2015

Brasil/Dilma: Pré-sal é nossa soberania e o futuro da educação

6 de abril de 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A presidenta Dilma Rousseff deu posse ao novo ministro da Educação, Renato Janine, em cerimônia realizada nesta segunda-feira (6), no Palácio do Planalto em Brasília. Dilma classificou Janine como uma “feliz novidade”, o comparando a Paulo Freire, patrono da educação no Brasil. Ela também reafirmou o compromisso assumido na posse de seu segundo mandato, de transformar o Brasil numa “pátria educadora”, destacando que a Petrobras será fundamental para tal realização no seu e nos futuros governos.

Agência Brasil

Dilma deu posse ao novo ministro da Educação, 
Renato Janine, nesta segunda (6) Agência Brasil

A presidenta abriu seu discurso agradecendo ao ministro da educação Cid Gomes por seu empenho a frente do ministério e "por ter cancelado projetos pessoais para aceitar o desafio do Ministério da Educação". Em seguida, destacou que o novo ministro Janine tem competência e a sua confiança para conduzir o ministério.

“Ele [Janine] é uma feliz novidade, porque é um ministro educador numa pátria educadora. Sua escolha traduz a minha maior prioridade para os próximos 4 anos", destacou a presidenta, afirmando que convidou “um professor, um pensador e um apaixonado pela educação”, comparando-o com grandes educadores, como Paulo Freire. “Tenho certeza que

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Argentina/PAULO FREIRE EN TIEMPOS DE TIC



23 abril 2013, Pagina12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)

Mario Morant y Gerardo Alzamora reflexionan sobre la actualidad del pensamiento de Paulo Freire a propósito del Seminario Latinoamericano “Educación Popular e Integración Regional: Vigencia y Perspectiva del Pensamiento de Paulo Freire” que se llevará a cabo en Sadop el 24 y 25 de abril.

por Mario Morant * y Gerardo Alzamora **

La metodología de Paulo Freire resultó inédita: la enseñanza partía de la propia situación de marginalidad y opresión de los educandos, suponiendo –acertadamente– que si se tomaba conciencia de la situación de explotación que vivían, se alfabetizarían más rápidamente y, sobre todo, eso les ayudaría a enfrentar la opresión de manera más efectiva. Una metodología de enseñanza útil para la alfabetización, y una pedagogía que, como tal, comprendería también una filosofía sobre el ser humano y la sociedad.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UM BRASIL SEM ANALFABETOS

8 julho 2010/Blog do Emir/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Emir Sader

O Brasil teve uma expansão significativa dos direitos sociais da grande maioria da sua população nos últimos anos, extensão do sistema educacional, porém persistem entre 10 e 13 milhões de analfabetos – sobretudo de terceira idade – e grande quantidade de analfabetos funcionais – que aprenderam a ler mas que, sem prática posterior, são incapazes de ler e responder uma carta.

E, ao mesmo tempo, dispomos do melhor método de alfabetização – o método Paulo Freire - que, ao mesmo tempo que permite o aprendizado da leitura e da escrita, favorece a consciência social das pessoas.

Até mesmo países de nível de renda muito mais baixo do que o nosso, como a Bolívia, valendo-se de um método muito eficaz, mas menos elaborado, como o método cubano, terminaram com o analfabetismo, segundo constatação da Unesco. A Bolívia, que tem uma grande complexidade cultural e lingüística, porque a massa da população fala aymara, quéchua, guarani, castelhano e outros muitos dialetos.

Não podemos permitir que milhões de brasileiros não saibam ler e, não apenas, estejam impedidos de orientar-se minimamente como um cidadão deve fazê-lo para informações básicas, mas também impedidos de conhecer a cultura brasileira – aquilo que o Brasil produz de melhor. Impedidos de conhecer Jorge Amado, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Guimarães Rosa – apenas para citar alguns. Todos têm todo o direito de não gostar de autores, mas devem ter todo o direito de conhecer, de ter acesso ao que de melhor o Brasil produz.

Um mutirão, organizado pelo Ministério da Educação, de que participem ativamente as entidades estudantis, as centrais sindicais, os movimentos sociais e culturais, que comece pela elaboração de método adequado aos da terceira idade e que mobilize centenas de milhares de jovens e militantes de todos os setores da população, poderá elevar o Brasil nos próximos quatro a anos a “país livre do analfabetismo”. Seremos um pouco mais democráticos, menos injustos, mais cultos. Além de preparar-nos melhor para produzir uma cultura muito mais plural, diversificada, reflexo da sociedade brasileira realmente existente e não produto do país que as elites gostariam que o Brasil continuasse sendo. Um Brasil para todos significa um Brasil sem analfabetismo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Brasil/ESCOLA LIBERTADORA

Antônio Mesquita Galvão *

(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
20 fevereiro 2009/ADITAL http://www.adital.com.br

Adital - No meio do tiroteio entre a intelligentzia oficial e o MST, os filhos de acampados, usuários das "escolas itinerantes" vão inaugurar nova categoria de excluídos: os "sem-escola". Há tempos, li uma matéria denunciando o Ministério Público que, nas fráguas do deslumbramento do poder, excede suas funções, assumindo, em alguns casos, atitudes policialescas e até julgadoras. Para esta avaliação, é salutar lembrar que vivemos em um país que promove o direito antes da justiça.
Em um dos jornais da capital li uma matéria onde um integrante do Ministério Público, promotor ou procurador, não recordo, usa velhos e anacrônicos clichês, como "lavagens cerebrais", "sociedade socialista". Só faltou falar em "comerem criancinhas". O artigo aludido é sofista e tendencioso, na medida em que rejeita o uso do dinheiro público para educar aquelas crianças, mas deixa de falar na inércia oficial de promover, com o mesmo direito, uma reforma agrária justa.
Dom Xavier Giles, Secretário Geral da CPT (Comissão Pastoral da Terra), que é um bispo da Igreja Católica, e não um "padreco" como foi chamado desrespeitosamente pelo promotor aludido, tachou a intenção de fechar as "escolas itinerantes" de terrorismo, escândalo e desrespeito. Já imaginaram se o prelado classificasse o bacharel de forma igualmente desrespeitosa? Seria preso e processado. O funcionário público não está acima da lei e da ética para desrespeitar as pessoas. Esses destemperos verbais revelam a insegurança no trato da questão.
Fechar uma fonte de ensino, sem que se ofereçam alternativas, fere os princípios democráticos. Talvez seja melhor um "ensino a Fidel Castro" (que não é o caso) como foi falado, do que um estilo gaúcho, onde historicamente a SEC, dando mau exemplo, não se acerta com seus professores.
O promotor em debate parece defasado politicamente, quando fala em marxismo, conteúdo há muito superado. Alienante é a forma de ensino praticado pelos meios oficiais, onde o "politicamente correto" cria gerações sem iniciativa, sem senso crítico, individualistas, onde ninguém pensa no coletivo.
Fechar as escolas será mais um golpe, aplicado à sorrelfa contra os movimentos populares. As crianças que sempre estudaram em acampamentos terão duas opções: ou deixam de estudar (o poder adora analfabetos, pois são manipuláveis) ou vão ter que caminhar quilômetros até as escolas "regulares". Isto é autoritarismo! O poder não quer jovens que pensem, mas que estejam embretados nos trilhos do "saber oficial" para reproduzir clichês alienantes e alienados.
Paulo Freire disse que "a educação deve ser libertadora ou não é educação". Só liberta o sistema que ensina a pensar, a buscar o senso crítico e a julgar. Os governos adoram servir "pratos feitos".
Por conta do patrulhamento da mídia neoliberal, do recuo da Teologia da Libertação e da imposição de uma ideologia que demoniza os movimentos populares, é que o Brasil não tem consciência social, sendo refém do status quo que valida políticas desastradas.

* Doutor em Teologia Moral

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Brasil/ESCOLAS ITINERANTES DO MST: CRIME É FECHÁ-LAS

Em entrevista especial, Altair Morback e Isabela Braga, duas pessoas que vivem a realidade das escolas itinerantes, falam sobre o tema.

IHU On Line

19 fevereiro 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Há algum tempo, o procurador de Justiça do Ministério Pública Estadual Gilberto Thums tem trabalhado para criminalizar e tornar ilegal o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Apresentou, inclusive, um dossiê para conseguir atingir tal objetivo. Mas não foi muito feliz nessa “luta”. Agora, o mesmo procurador conseguir que o Ministério Público do Rio Grande do Sul determinasse o fechamento das escolas itinerantes que o MST criou há 13 anos e, desde então, propicia às crianças acampadas uma nova forma de aprender e ver o mundo. Thums diz que o MST quer, com isso, implantar uma sociedade socialista. A grande questão é: qual o mal em implantar uma sociedade que vise à coletividade?
Para debater essa questão, a IHU On-Line convidou duas pessoas que vivem a realidade das escolas itinerantes para concederem esta entrevista. Altair Morback é professor da escola itinerante Che Guevara, localizada no acampamento Jair Antonio da Costa em Nova Santa Rita/RS, e conversou conosco por telefone. Também por telefone, debatemos esse tema com Isabela Braga, que faz parte da Coordenação Estadual do Coletivo de Educação do MST.


ENTREVISTA COM ALTAIR MORBACK:

IHU On-Line – Como o senhor analisa o conteúdo que é ensinado nas escolas do MST?

Altair Morback – O conteúdo em si das escolas itinerantes ainda está um pouco distante da realidade que está de acordo com o nosso propósito. Nossa ideia é ir de acordo com a linha do nosso grande mestre Paulo Freire [1] e, assim, tratar mais da questão humana, respeitando o conhecimento e a faixa etária do indivíduo que passa pela escola. Não é o que temos, porque os nossos educadores e educadoras passaram e passam ainda hoje por esse processo de formação da escola tradicional. Desta forma, as escolas itinerantes não são exatamente do jeito que gostaríamos que fossem. Elas são bastante tradicionais no sentido que ensinam os mesmos conteúdos aprendidos numa escola da rede municipal, estadual ou particular convencional.

Quais as principais diferenças desse conteúdo em relação às escolas convencionais?

Não há muita diferença. Há uma igualdade bastante grande porque nossos educadores e educadoras são formados pelas universidades normais. Então, se ensina o ABC conforme as outras escolas ensinam. Nós redimensionamos essa metodologia pedagógica de fazer e ensinar, devido aos poucos recursos que temos. Às vezes, ao invés de ensinar o ABC numa lousa, ensinamos na areia, na terra, na horta, plantando pé de alface, por exemplo. Também redimensionamos os conteúdos para a realidade do acampamento. Este é um espaço precário, e o Estado não contribui para melhorar. Mas nossa escola pode ser considerada rica, tem muitos livros que vêm do MEC e da Escola Base de ótima qualidade.

O procurador de Justiça Gilberto Thums afirma que o problema das escolas itinerantes é o fato de o MST contratar professores que estejam de acordo com a ideologia do movimento. As escolas convencionais hoje têm muitos déficits, passam por cima de temas históricos extremamente importante sem sequer exigir uma reflexão, um debate sobre estes assuntos com os alunos. Que problemas um professor ideologicamente alinhado com os movimentos sociais pode gerar?

Nunca fomos contra. A Secretaria de Educação nunca nos chamou para dialogar sobre a educação dos educadores. Os professores das escolas itinerantes são garantidos pelo Instituto Preservar, que mantém convênio com a Secretaria de Educação. O Instituto Preservar contrata professores assentados e não assentados, acampados ou não acampados, mas que são formados para dar aula à rede regular de ensino. Não vejo problema algum em relação à questão dos professores ideologicamente alinhados com o movimento. Eu acredito que todas as escolas deveriam ter uma preocupação com a formação humana, ao invés de ficar preparando pessoas para o mercado de trabalho, que é o que a maioria delas faz. Claro que nós também fazemos isso, de certa forma. É como eu disse antes. Nossos educadores vêm dessa formação. Portanto, a escola itinerante não ensina de forma isolada. Temos todas as contradições que uma escola regular também tem. Obviamente, temos especificidades como a escola itinerante. A meu ver, existe uma riqueza muito grande. Os professores, por exemplo, podem conhecer melhor os acampamentos e, por consequência, a história de vida de cada indivíduo, de cada criança, de cada pessoa que passa pela escola. Na escola tradicional é difícil de isso acontecer. O fato de vivermos próximo das pessoas que vivem a escola propicia essa educação com mais qualidade, sendo possível trabalhar todas as dimensões da formação humana e não apenas os conteúdos formais. Isso não significa que não ensinamos esses conteúdos, mas sim que nossa forma de ensinar é bem diferente, para além dos conteúdos.

E como você analisa essa determinação do Ministério Público em relação ao fechamento das escolas itinerantes?

Acredito que essa determinação por parte do Ministério Público é uma questão política, de perseguição política por parte do Estado que pensa que fechando as escolas itinerantes irá desarticular e desestabilizar a classe trabalhadora que se movimenta e luta pela terra no Rio Grande do Sul. Quando fazíamos marcha e ocupação, nossas crianças sempre estavam junto e dávamos aula no mesmo jeito, porque essa forma de ver a escola tradicional não é o que fazemos e o espaço que se imagina quando se fala em escola não faz parte do nosso jeito de ensinar às crianças. Já demos aula no asfalto, no Incra, na Secretaria de Educação, na beira do rio, dentro de latifúndio, de estábulos.
As escolas itinerantes querem implantar uma sociedade socialista? Qual é o mal nisso?
Nós buscamos essa questão da formação humana para que os alunos, acima de tudo, se deem conta de que devem ser os construtores da sua própria história. Se isso é pensar numa nova sociedade, talvez a escola itinerante queira sim implantar uma sociedade socialista. Mas não é o que temos nas escolas em função da questão dessa formação que nós recebemos.

Que problemas vocês temem ocorrer com a inserção das crianças acampadas nas escolas convencionais?

Não sei se é temer, mas estamos fazendo o debate com as famílias de todos os acampamentos e são elas que vão dizer se a escola itinerante irá continuar ou não. Para nós, até o dia 28 existe o convênio com o Instituto Preservar e, portanto, nossas atividades continuam com as crianças. São infundadas as justificativas que o Ministério Público encontrou para dizer que temos que colocar nossas crianças em escolas regulares dos municípios. Primeiro: nem sempre existe transporte para isso. Segundo: no ano passado, durante a marcha que fizemos, tínhamos mais de 400 crianças marchando. Como é que vamos colocar todas essas crianças numa escola regular quando se chega num município como São Sepé, onde, numa escola do interior, a professora é também merendeira, diretora e secretaria da escola? Como uma escola desse porte irá receber 400 crianças? Essa justificativa do Ministério Público é infundada e evidencia que essa determinação faz parte da política do Estado, de perseguição política. Eles querem nos desarticular por aí, pois creem que automaticamente estão desarticulando a luta pela terra. Mas não vamos deixar isso acontecer.

Existe algum movimento por parte dos professores para que a escola itinerante não seja fechada?

Nós estamos organizando um abaixo-assinado e também nos articulando com amigos e apoiadores de cada acampamento e vamos fazer o que for preciso para que a escola itinerante continue. Não fazemos isso por salário ou por emprego, mas porque acreditamos que esse é um direito que essas crianças têm. É por isso que nós, educadores, estamos mobilizados para que a escola itinerante continue.

ENTREVISTA COM ISABELA BRAGA:

IHU On-Line – O que implica, para os movimentos sociais, especialmente para o MST, essa Determinação do Ministério Público que visa fechar as escolas itinerantes?

Isabel Braga - Para nós, essa determinação é um tanto complicada pelo fato de termos uma escola legal, que funciona há 13 anos, aprovada e regimentada pelo Conselho Estadual de Educação. Isso, para nós, se torna uma dificuldade enorme porque temos lá uma história construída com as crianças. Trabalhamos a partir da pedagogia de Paulo Freire, ou seja, partimos da realidade do nosso trabalho pedagógico e não de uma realidade que está estancada. Uma realidade que tem outros horizontes e quer aprender a ver o mundo. E, então, com essa determinação, teremos de tirar nossas crianças de dentro desse processo construído para colocar em escolas convencionais que têm uma outra realidade de trabalho.
E de que forma essa determinação influencia na formação dos novos militantes?
As nossas escolas não estão diretamente ligadas à formação de militantes, mas sim à formação das crianças para a vida como um todo. Na verdade, ela não sofreria tanta influência nesse sentido. Agora, nossa escola tem o intuito de trabalhar a partir de um olhar real e não de alienação. Isso sim implica na vida das crianças, porque queremos formar pessoas com um olhar crítico.

Por que, em sua opinião, o procurador de Justiça Gilberto Thums reserva tanto tempo de trabalho para combater as ações do MST?

O promotor tem a intenção de extinguir o movimento, ou seja, é um objetivo para além de acabar com as escolas. O Governo do Estado e a Secretaria Estadual de Educação estão agindo dessa forma como mais um passo do dossiê feito no ano passado, para, então, desarticular o MST. Ele só está continuando algo que já começou antes e deixou claro, com isso, sua real intenção em relação ao MST.

O que o MST pretende fazer contra essa medida?

Nós estamos construindo um diálogo com as famílias para retomarmos a importância da escola dentro do acampamento, que parte da realidade das crianças acampadas e que são filhas de sem-terras. Iremos lutar para que esse processo continue, pois ele não começou num estalar de dedos. Nesse momento, pretendemos construir esse diálogo com a comunidade acampada e retomar a importância dessa escola.

O ministro Guilherme Cassel, há alguns meses, afirmou que esse movimento que visa criminalizar a luta do MST restabelece um ambiente de ditadura. Vocês esperam alguma ação provinda do governo federal contra o fechamento das escolas itinerantes?

Nesse momento, esperamos tudo. O governo que está à frente do nosso estado pretende reprimir os movimento sociais. Sabemos que, dependendo da decisão que os pais e as mães tomarem para a vida dos seus filhos, poderá ocorrer repressões por parte do governo estadual. Acreditamos que o governo federal pode nos ajudar, portanto estamos dialogando com eles também e, assim, continuar com a legalidade da nossa escola. Há pessoas no governo federal que nos ajudarão a fazer com que o estado repense essa determinação do MP.

Falta, hoje, institucionalidade ao MST?

O MST nunca pensou numa institucionalidade, até porque somos um movimento social e não um partido. Temos objetivos, como a reforma agrária, e isso envolve uma educação diferenciada. Nosso ideal é de luta como um movimento social.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/escolas-itinerantes-do-mst-crime-e-fecha-las

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Brasil/NOTA DA COORDENAÇÃO NACIONAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA


Avança a criminalização dos Movimentos Sociais e de suas lideranças

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra vem a público para manifestar sua preocupação diante das tentativas de criminalização dos movimentos sociais, sobretudo do campo, e de suas lideranças. Tudo o que cheire a oposição ao progresso e desenvolvimento que as atividades ligadas ao agronegócio e à mineração dizem trazer, tem que ser rechaçado com veemência, pois a economia é mais valorizada do que os direitos humanos e a defesa do meio ambiente. Os meios de comunicação e o judiciário prestam este serviço ao poder econômico.

É neste contexto que entendemos a condenação de José Batista Gonçalves Afonso, advogado da CPT e nosso companheiro na Coordenação Nacional da CPT e que tem destacada atuação na defesa dos direitos humanos na região de Marabá, PA, e de Raimundo Nonato Santos da Silva, ex-coordenador regional da Fetragri, condenados a dois anos e cinco meses de prisão pelo juiz Federal de Marabá, Carlos Henrique Haddad. A sentença ainda lhes nega o direito a pena alternativa, prevista no Código Penal para penas até quatro anos. O processo se refere à ocupação da Superintendência do Incra em Marabá, em abril de 1999, por mais de 10 mil trabalhadores rurais de acampamentos e assentamentos da Fetagri e do MST. Quando, 20 dias depois de iniciado o acampamento, o governo decidiu negociar com os trabalhadores, estes, cansados de esperar por alguma resposta, à noite, entraram nas dependências do Incra, impedindo a saída da equipe oficial de negociação do prédio durante o resto da noite e início da manhã do dia seguinte. Os condenados foram responsabilizados por este ato, sabendo-se que o advogado José Batista cumpria apenas o papel de assessor do MST e da Fetagri nas negociações.

A sentença contém contradições visíveis. Afirma com relação a José Batista que...é possível que não tenha incitado a invasão da sede do Incra pelos trabalhadores rurais e parece crível que não teria condições de controlar a multidão exaltada, mas mesmo assim agravou a pena em mais três meses sob a alegação de que os acusados teriam instigado ou determinado a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade.

Neste contexto da criminalização dos movimentos sociais vemos estarrecidos que o Conselho Superior do Ministério Publico do Estado do Rio Grande do Sul, por unanimidade, aprovou relatório que propõe: designar uma equipe de Promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e declaração de sua ilegalidade (...) e ainda... intervenção nas escolas do MST. O movimento que o próprio Ibope, em recente pesquisa sobre os movimentos sociais encomendada pela Vale, considera como uma das instituições nacionais é tratado como uma organização criminosa, com ligações com as FARC e grupos terroristas. Ainda mais preocupante é ver que o Conselho se baseou num relatório de procuradores que apresenta textos de Florestan Fernandes, Paulo Freire e Chico Mendes como exemplos da estratégia confrontacional do movimento. Não se via nada semelhante desde os tempos da ditadura!

Com base em relatórios como este, o poder Executivo do estado do Rio Grande do Sul decidiu colocar a Brigada Militar para promover violentíssima repressão contra as agricultoras que protestavam em março em defesa do meio-ambiente, em Rosário do Sul, RS; contra os acampados em área de terra já desapropriada pelo Incra, no município de São Gabriel, RS, no início de maio; e para despejar centenas de famílias acampadas em áreas cedidas por pequenos proprietários, no município de Coqueiros do Sul, no dia 17/06. São ações muito bem orquestradas entre Ministério Público, Judiciário e Executivo. No caso de Coqueiros do Sul a petição datada em 16 de junho recebeu no mesmo dia despacho favorável de mais de 20 laudas do juiz de Carazinho e já na madrugada seguinte mais de 500 homens da Brigada Militar entravam nos acampamentos, de surpresa, antes da chegada do oficial de justiça. Um dos promotores fez questão de deixar explícitos os objetivos desta ação: não se trata de remover acampamentos, e sim de desmontar bases que o MST usa.

Ao mesmo tempo em que os movimentos são atacados e depreciados e que mais de 30 lideranças dos movimentos sociais são investigadas pela Polícia Federal ou tem processos, só na Justiça Federal de Marabá os crimes contra os trabalhadores rurais e seus aliados continuam impunes. O único mandante preso no Pará, Vitalmiro Bastos de Moura, Bida, condenado pelo assassinato de Irmã Dorothy foi libertado por decisão de novo julgamento no tribunal do júri. E as suadas conquistas dos povos tradicionais enfrentam barreiras cada vez maiores como é o caso da suspensão pelo STF da retirada dos arrozeiros da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e os constantes ataques de graduados militares do Exército Brasileiro contra a demarcação em área contínua desta área, sob o argumento de defesa da soberania nacional. O mesmo se pode falar dos ataques que acabaram praticamente paralisando as ações de reconhecimento de áreas quilombolas.

A Coordenação Nacional da CPT sente que infelizmente a elite econômica, o agronegócio e a mineração conseguem ditar as ações do Executivo e do Judiciário e em alguns casos do próprio Ministério Público. Repudia veementemente todos os ataques que pretendem deturpar a imagem dos movimentos sociais e manifesta sua solidariedade incondicional de modo especial ao companheiro José Batista, irmão de fé e de luta, ao MST e aos indígenas da Raposa Serra do Sol.

Goiânia, 26 de junho de 2008

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5535


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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brasil/"JUSTIÇA RESSUSCITA PRÁTICAS DA DITADURA"

23 junho 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br

Da Radioagência NP

Centenas de famílias ligadas ao Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST) foram despejadas de dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul, no Rio Grande do Sul, na última terça-feira (17/06). Barracos, plantações, criações de animais e até o posto de saúde e a escola montada pelos sem terra foram destruídos.

As famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi, cumprindo ordens do Poder Judiciário. A Brigada Militar expulsou as famílias de duas áreas cedidas por pequenos proprietários. De acordo com um dos promotores responsáveis pela ação civil que determinou o despejo, Luis Felipe Tesheiner, “não se trata de remover acampamentos, e sim de desmontar bases que o MST usa para cometer reiterados atos criminosos”.

Ali não estava em debate a questão fundiária. A decisão judicial se baseia em um relatório do Ministério Público (MP) gaúcho, no qual o MST é considerado uma ameaça à segurança nacional que precisa ser dissolvida. Em tom de denúncia, o documento chega a citar a presença de livros do pedagogo soviético Anton Makarenko. Textos de Florestan Fernandes, Paulo Freire e Chico Mendes são apresentados como exemplos da “estratégia confrontacional” do movimento.

Em entrevista, o procurador do Estado aposentado e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos, Jacques Távora Alfonsin, afirmou que a ação da justiça ressuscita práticas da ditadura no Brasil. Para Alfonsin, há uma ação orquestrada no Rio Grande do Sul, baseada na perseguição ideológica.

Juridicamente, como você caracteriza essa ação da Justiça gaúcha?

Nós estamos enfrentando uma situação de violação flagrante dos direitos humanos, de uma infidelidade manifesta do MP às suas próprias finalidades. Quem lê a petição inicial vê que o MP vestiu a camisa dos latifundiários. Na Constituição Federal, a função do MP não é perseguir pobre, nem evitar pressão social de gente que está reivindicando reforma agrária. Essas ações se baseiam num sociólogo rural [Zander Navarro] magoado com o movimento. Não existe preocupação destes promotores em sustentar essas coisas em fatos, é tudo gente que não concorda ideologicamente com o movimento.

A medida seria, então, perseguição ideológica?

Na petição inicial, os promotores se baseiam no fato de que o MST é um movimento anti-capitalista e esquerdista. Quer dizer, tudo aquilo que as universidades estudam em sociologia com a maior liberdade. Qual é o crime ser anti-capitalista e esquerdista? Para acentuar essa denúncia, eles se baseiam no Estatuto da Terra votado durante o regime militar que acabou com as Ligas Camponesas [Movimento Camponês exterminado após o golpe de 1964, e que tinha como pauta “a reforma agrária na lei ou na marra”], para mostrar que o MST, então, se equipararia às ligas. Se voltou à época da ditadura para se sustentar esse ataque.

Essa seria uma ação orquestrada?

Isso é tão orquestrado que nunca se viu tanta agilidade. A petição chegou em Carazinho (RS) no dia 16 de junho. O despacho do juiz, que tem mais de 20 laudas, é de 16 de junho [mesmo dia]. Portanto, ele já sabia que a ação iria entrar e já estava até preparado com o despacho que ele iria dar. E para surpresa de todos os agricultores sem terra, a Brigada Militar com mais de 500 homens entrou de madrugada [nos dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul], de surpresa, antes de chegar o oficial de justiça. O oficial de justiça chegou depois, tudo isso com a chancela do ouvidor da segurança pública aqui do estado, que deveria ser justamente aquele que protege os direitos humanos destas pessoas.

Existem outros indícios dessa ação organizada?

Está em curso no estado um abuso de poder e de autoridade. O relatório secreto do Conselho Superior do MP daqui [RS] estava preparando essas ações desde dezembro de 2007. E nesse relatório a expressão é a dissolução, estou repetindo: dissolução do MST. Uma reação popular organizada não é tolerada.

Qual providência deve ser tomada?

Nós estamos preparando os recursos judiciais que vamos entrar e as contestações a estas infelizes ações. E não se descarta a hipótese de fazer uma petição com urgência para a comissão de direitos humanos da OEA [Organização dos Estados Americanos].

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5516


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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Brasil/Ação do Ministério Público gaúcho contra MST repete discurso anti-comunista pré-1964

Fonte: Movimento de Mulheres Camponesas http://www.mmcbrasil.com.br/noticias/180608_mst_rs.html

18 junho 2008

A inicial da ação civil pública apresentada pelos promotores Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Junior, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, pedindo a desocupação de dois acampamentos do MST, próximos à fazenda Coqueiros (região norte do Estado), parece uma peça saída dos tempos da ditadura, reproduzindo a paranóia delirante anti-comunista dos anos 50 e 60 que alimentou e deu sustentação ao golpe militar no Brasil. A Vara Cível de Carazinho deferiu a liminar requerida pelo MP. Na avaliação dos promotores, os acampamentos Jandir e Serraria são "verdadeiras bases operacionais destinadas à prática de crimes e ilícitos civis causadores de enormes prejuízos não apenas aos proprietários da Fazenda Coqueiros, mas a toda sociedade". Essa terminologia resume uma lógica de argumentação que muitos julgavam estar extinta no Brasil.

Na primeira página da inicial da ação, os promotores comunicam que seu trabalho é resultado de uma decisão do Conselho Superior do Ministério Público do RS para investigar as ações do MST que "há muito tempo preocupam e chamam a atenção da sociedade gaúcha". O documento anuncia que os promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto realizaram um "notável trabalho de inteligência" sobre o tema. Uma nota de rodapé define o trabalho de "inteligência" realizado nos seguintes termos:

"O art. 1º, § 2º, da Lei nº 9.883/99, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência e criou a ABIN, definiu a inteligência como sendo "a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado".

O relatório que segue faz jus a esse conceito, apresentando o MST como uma ameaça à sociedade e à própria segurança nacional. O resultado do trabalho de inteligência inspirado nos métodos da ABIN é composto, na sua maioria, por inúmeras matérias de jornais, relatórios do serviço secreto da Brigada Militar e materiais, incluindo livros e cartilhas, apreendidas em acampamentos do MST. Textos de autores como Florestan Fernandes, Paulo Freire, Chico Mendes, José Marti e Che Guevara são apresentados como exemplos perigosos da "estratégia confrontacional" adotada pelo MST. Na mesma categoria, são incluídas expressões como "construção de uma nova sociedade", "poder popular" e "sufocando com força nossos opressores". Também é "denunciada" a presença de um livro do pedagogo soviético Anton Makarenko no material encontrado nos acampamentos.

A violência das Ligas Camponesas e o movimento político-militar de 1964

Na introdução da ação, os promotores fazem um "breve histórico do MST e dos movimentos sociais". Esse histórico se refere à organização do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Master) no Rio Grande do Sul, nos anos 1960, e à "atmosfera de crescente radicalização ideológica". As Ligas Camponesas de Francisco Julião, em Pernambuco, são acusadas de "sublevar o campo e incentivar a violência contra os proprietários de terra, criando um clima de guerra civil". Essa "agressividade", na avaliação dos promotores, contribuiu para o "movimento político-militar de 1964". O "movimento político-militar de 1964" a que os promotores se referem é o golpe militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, suprimiu as liberdades no país e deu início à ditadura militar.

Logo em seguida, a ação apresenta uma caracterização do MST, toda ela baseada na visão de uma única pessoa, o sociólogo Zander Navarro. O trabalho de inteligência dos promotores também se baseia, em várias passagens, em uma "revista de circulação nacional" (Veja) e em matéria críticas ao MST publicadas em jornais como Folha de São Paulo, Zero Hora e Estado de São Paulo, entre outros. Após apresentar um "mapa" dos movimentos sociais no campo brasileiro, os promotores questionam, em tom de denúncia, as fontes de financiamento público desses movimentos. Eles revelam que "o Ministério Público encaminhou um questionamento ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, acerca da existência ou não de alguma fonte de financiamento ou ajuda, direta ou indireta, aos participantes do MST acampados no Rio Grande do Sul".

Os promotores citam ainda o relatório da CPMI da Terra, realizada no Congresso Nacional, sustentando que há malversação de verbas públicas, "pelo repasse de dinheiro público efetuado diretamente pelo Incra, na forma de distribuição de lonas, cestas básicas e outros auxílios". Além disso, citam a "doação de recursos por entidades estrangeiras, notadamente organizações não-governamentais ligadas a instituições religiosas, como a organização Caritas, mantida pela Igreja Católica". E identificam, em tom crítico, a rede de apoio internacional ao MST que mostraria ao público estrangeiro "uma visão do Brasil frontalmente crítica à atuação do Poder Público e inteiramente de acordo com os objetivos estratégicos do MST". Citando o jornal Zero Hora, os promotores apontam que a Escola Florestan Fernandes (do MST) foi construída "com vendas do livro Terra, com texto do escritor português José Saramago, fotografias de Sebastião Salgado e um disco de Chico Buarque, além de contribuições do exterior".

Mídia, PM 2 e Denis Rosenfield as fontes da argumentação dos promotores do MP

Ao falar sobre a estratégia do MST, os promotores valem-se de relatórios do serviço secreto da Brigada Militar (a PM2). O relatório do coronel Waldir João Reis Cerutti, de 2 de junho de 2006, afirma que os acampamentos do movimento são mantidos com verbas públicas do governo federal, recursos de fontes internacionais e até das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O coronel Cerutti não apresenta qualquer comprovação da existência do "dinheiro das FARC" e segue falando da suposta influência da guerrilha colombiana sobre os sem-terra. Segundo ele, o MST estaria planejando instalar um "território liberado" dentro do Estado: "Análises de nosso sistema de inteligência permitem supor que o MST esteja em plena fase executiva de um arrojado plano estratégico, formulado a partir de tal "convênio", que inclui o domínio de um território em que o governo manda nada ou quase nada e o MST e Via Campesina, tudo ou quase tudo".

Em seguida é apresentado um novo relatório do Estado Maior da Brigada Militar sobre as ações do MST no Estado. Esse documento pretende analisar a "doutrina e o pensamento" do MST, identificando, entre outras coisas, as leituras feitas pelos sem-terra. Identifica um "panteão" de ícones inspiradores do movimento, "a maior parte ligada a movimentos revolucionários ou de contestação aberta à ordem vigente" (onde Florestan Fernandes e Paulo Freire estão incluídos, entre outros). E fala de "uma fraseologia agressiva, abertamente inspirada nos slogans dos países do antigo bloco soviético ("pátria livre, operária, camponesa")". A partir dessas informações, os promotores passam a discorrer sobre o caráter "leninista" do MST, invocando como base argumentativa o livro "A democracia ameaçada – o MST, o teológico-político e a liberdade", de Denis Rosenfield, que "denuncia" que o objetivo do movimento é o socialismo.

Para os promotores, "já existem regiões do Brasil dominadas por grupos rebeldes" (p. 117 da ação). A prova? "A imprensa recentemente noticiou...." (uma referência as ações da Liga dos Camponeses Pobres, no norte do Brasil). Em razão da "gravidade do quadro em exame", concluem os promotores, "impõe-se uma drástica mudança na forma de trato das questões relativas ao MST e movimentos afins". A conclusão faz jus às fontes utilizadas no "notável trabalho de inteligência": "o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não constitui um movimento social, mas, isso sim, um movimento político". O MST, prosseguem os promotores, "são uma organização revolucionária, que faz da prática criminosa um meio para desestabilizar a ordem vigente e revogar o regime democrático adotado pela Constituição Federal". Em nenhum momento da ação, o "notável trabalho de inteligência" dos promotores trata de problemas sociais no campo gaúcho.

RS URGENTE por Marco Aurélio Weissheimer - http://www.rsurgente.net/
(Terça-feira, 17 de Junho de 2008)

http://www.mmcbrasil.com.br/noticias/180608_mst_rs.html

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Movimiento de Trabajadores sin Tierra de Brasil desarrolla proyectos conjuntos con Venezuela


Agencia Bolivariana de Notícias http://www.abn.info.ve

Brasilia, 22 mayo 2008 (ABN) (Julio Pereira – Enviado especial).- El Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra de Brasil (MST) desarrolla una serie de proyectos conjuntos con el sector campesino venezolano en el área de la capacitación para la producción agroecológica y el intercambio de experiencias.

La coordinadora de prensa de la MST, Marina Dos Santos, explicó que este movimiento dirige sus programas de formación a la producción agroecológica, organización de la juventud, de las mujeres, la comunicación y los derechos humanos.

Actualmente la Brigada Polonio de Carvallo de la MST, que está conformada por 19 personas, realiza una experiencia de capacitación para la producción e intercambio de experiencias con campesinos en el estado Barinas.

Otro de los proyectos que se llevan a cabo en conjunto con Venezuela es la creación del Instituto Agroecológico Latinoamericano Paulo Freire, que está orientado hacia la educación técnica y profesional, y donde actualmente 150 personas se están formando en diversas áreas relacionadas con el sector rural y agrícola.

Dos Santos recordó que el MST es un movimiento social autónomo que reúne a los trabajadores agrarios de Brasil que luchan por la reforma agraria y por la tierra.

“Estamos presentes en 24 estados de Brasil, donde realizamos las luchas por la tierra, organizamos asentamientos y organizamos también un sistema educacional en diversas áreas y para la producción a través del sistema de cooperativas”, explicó.

La dirigente de la MST destacó el avance del gobierno bolivariana en la democratización de los derechos de los trabajadores y de los recursos naturales, lo cual representa un ejemplo para latinoamerica.

http://www.abn.info.ve/go_news5.php?articulo=133879&lee=16

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mostra discute papel da educação na América Latina

Naiady Piva

16 maio 2008 / Portal do MST http://www.mst.org.br

A educação tem, sem dúvida, um importante papel na integração Latino-americana. Por isso, nesta quarta-feira (15/05), cerca de 1.200 pessoas reunidas na Mostra Cultural de Integração dos Povos Latino-americanos discutiram de que forma a educação e a cultura contribuem na integração e libertação dos povos.

O principal debate foi protagonizado pelo ministro da educação da Venezuela, Abrahan Toro, que trouxe a experiência do país, o segundo na América Latina a tornar-se território livre do analfabetismo, depois de Cuba. O debate proporcionou várias contribuições de forma oral e escrita, ressaltando a importância da disciplina e o papel do movimento social na construção de uma educação e sociedade realmente libertadora, além de levantar questões como o papel da juventude inserida nessa questão.

Também participaram da mesa a Secretária da Cultura do estado do Paraná, Vera Mussi; a presidente do comitê de centenário do dia das mulheres da Venezuela, Miriam Meza de Acuña; uma pesquisadora das questões de gênero da Universidade de Carabobo, Luzmila Marcano e o coordenador do IALA (Instituto de Agroecologia Latino-americano Paulo Freire), Alexandre Conceição - o Instituto é uma parceria do governo Venezuelano com o MST.

Abrahan Toro ressaltou a importância de o IALA representar um acordo de cooperação com um movimento social e não com países, principalmente se considerado a importância do MST. Ele pontuou também que para combater a desintegração na América Latina é preciso que os povos conheçam sua história e daqueles que lutaram por ela, como Emiliano Zapata, Augusto Sandino, Simón Bolívar, Apolônio de Carvalho, Che Guevara, entre outros. Além disso, Abraham lembrou que é fundamental que haja educação básica, combate ao analfabetismo, e citou os brasileiros Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Paulo Freire como importantes teóricos para colaborar na questão educacional.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5383

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Brasil/OS SEM TERRINHA

Portal do MST / 30 janeiro 2008 / http://www.mst.org.br

Por Andrea Dip

"Sem-terrinha, sim senhor, com orgulho e muito amor!" O entoar do "grito de guerra" acontece logo após a mística, uma dramatização feita por crianças do Movimento Sem Terra acampadas em Arroio dos Ratos, Rio Grande do Sul.
"Só aqui no acampamento são 130 crianças!", diz Evandro, professor acampado que divide a tarefa de ensinar com mais seis pessoas. "Educador", corrige. A mística é montada através de um tema gerador, que trata de assuntos atuais próprios da realidade das crianças. Não se assuste se um garotinho da altura de seus 5 anos de idade der uma verdadeira aula sobre a ALCA e a reforma agrária. "Se a ALCA é boa para alguém eu não sei, mas para a gente não é! Os americanos querem quebrar os pequenos agricultores."
Há certamente muito o que aprender com os educandos "sem terrinha". O que impressiona à primeira vista é o asseio e a organização das escolas itinerantes (chamadas assim porque mudam junto com o acampamento feito de barracos de lona preta) e das escolas dos assentamentos (estabelecidas em terras já conquistadas). Não se vêem um papel no chão, um rabisco nas paredes. As crianças do Movimento são incentivadas a tratar a escola como extensão de sua casa – elas sabem o valor da escola –, limpam, embelezam com flores e cartazes, plantam sua merenda.
Juarez Cornelli, assentado orientador da escola em Nova Ramada, diz que dessa forma as crianças valorizam e facilitam o trabalho – muitas vezes voluntário – do pessoal da limpeza.
A idéia de fazer essa reportagem surgiu quando eu pesquisava a respeito do ensino no Brasil. Já meio ressabiada, desesperançosa com tantos números desanimadores, descobri a escola de Nova Ramada, Rio Grande do Sul. Gerida pelo Movimento Sem Terra, essa escola seria um modelo em educação, onde as crianças aprendem até a calcular hectares, cuidar da terra etc. Contrastando com conjuntura atual do ensino, essa iniciativa merecia ser divulgada.
Quando chegamos no primeiro acampamento, foi inevitável um certo receio (de ambas as partes). Nosso, por não sabermos de que forma seríamos recebidos, dos acampados por não conhecerem nossas intenções.
Mas, à medida que íamos sendo apresentados – "esse é o pessoal da revista Caros Amigos, estão fazendo uma reportagem sobre a nossa gurizada" –, o olhar fixo, apreensivo, dava lugar a um sorriso acolhedor, aprovando nossa visita, logo nos apresentando o lugar.
"Chega mais, as crianças querem mostrar uma mística a vocês." E a criançada, curiosa, começava a fuçar no equipamento, fazer pose para a câmara, e explicar como era a vida ali. Após um quarto de hora, já era impossível cotejar que aquele seria um suposto "campo de batalha". Há parques de diversões montados com pneus e troncos de eucalipto feitos pelos próprios acampados – que o fazem mesmo sabendo que a estadia é provisória e logo poderão partir para outras terras.
O acampamento do Arroio dos Ratos, assim como o "Seguindo o Sonho de Rose" e tantos outros, está montado na beira da estrada, mas para as crianças isso não faz muita diferença. Há brincadeiras e tarefas comunitárias, sempre respeitando a faixa etária da criançada.
Em Júlio de Castilhos está a primeira escola conquistada pelo movimento no Rio Grande do Sul e a pioneira da "pedagogia do Movimento". Não existem as tradicionais séries que dividem os anos letivos, mas o que eles chamam de ciclos. "Cada idade tem seu momento, pretendemos trabalhar isso", diz Bernadete Schwaab, uma das idealizadoras da pedagogia do MST e coordenadora da escola. Até chegar ao que seria a 8a série, os ciclos se dividem em infância, pré-adolescência e adolescência.
Há também o "Encontro Sem Terrinha", quando as crianças do Brasil se unem para trocar experiências, aprender e – nada mais justo – brincar.
Enquanto estabelecimentos de ensino da rede pública, as escolas são supridas pelo governo do Estado, que manda cadeiras, mesas e uma verba mensal. Mas logo se vê a diferença: cartazes com frases de Che Guevara, fotos de Sebastião Salgado e a bandeira do movimento são unanimidade até nas "paredes" dos barracos de lona preta.
Elói, um dos responsáveis pelo departamento de ensino do Rio Grande do Sul e grande colaborador desta reportagem, diz que as cartilhas tradicionais tiveram de ser abolidas por ser "muito burguesas, elitistas e de valores capitalistas". "Vem escrito: ‘Papai comprou tantos bombons para seu filho’. E nos acampamentos nossas crianças não tinham acesso ao açúcar."
Essas diferenças levaram o MST a criar um projeto pedagógico formador de educadores, o Instituto de Educação Josué de Castro, dentro do Iterra (Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária), e seus próprios livros e cartilhas pedagógicas, fundamentados em Paulo Freire, Makarenko (professor ucraniano, fundador da pedagogia marxista, voltada especificamente ao coletivismo) e principalmente no cotidiano da comunidade, na busca da cidadania desde cedo.
O MST conta hoje com 1.350 escolas do ensino fundamental e com 3.900 educadores de crianças e adultos. São em média 150 mil educandos em nível nacional. As aulas são elaboradas pelos professores que passam o dia na escola pesquisando e se relacionando com os alunos. O processo de ensino não é estático, muda conforme as necessidades.
O alfabeto é discutido em assembléia com alunos e pais que chegam a um consenso sobre qual palavra deve ser atribuída a qual letra: "A" de acampamento, "R" de reforma agrária. "Dessa forma, além de fixar melhor o conteúdo, as crianças ajudam com os problemas da comunidade", explica Vilma Marinho, educadora do assentamento da Coopac. Na matemática somam alqueires, hectares, e a porcentagem é vista sobre a produtividade da colheita dos assentamentos.
Mas como ensinar os princípios do socialismo e a causa das lutas a crianças de 4, 5 anos de idade? Segundo a diretora Elaine da Rocha, da escola Nova Esperança, base das escolas itinerantes, a política do Movimento é ensinada através de hábitos solidários, estimulando o coletivismo: "Criança é criança, não adianta você querer formar um militante na pré-escola!"
Ao final de cada explicação sobre a pedagogia do Movimento (como eles definem) vem a frase: "Tudo foi conquistado com muita luta até aqui, mas ainda estamos aprendendo". Para conseguir a primeira escola, do – na época – acampamento Anone, onde havia cerca de seiscentas crianças, os pais, acampados que já eram professores e as próprias crianças fizeram visitas periódicas à prefeitura, falaram com o governo do Estado, participaram de marchas. A prefeitura dizia que não colocaria uma escola "em local de conflito". "Os senhores não conhecem o Brasil, então!" diziam os pais.
Apesar de hoje o governo do Rio Grande do Sul estar colaborando com a implantação dessas escolas, ainda há lugares em que as prefeituras relutam em dar autonomia na área pedagógica ao Movimento, mesmo em assentamentos. Viamão, onde aconteceu a Jornada pela Reforma Agrária, é um desses lugares.
"A escola aqui é tradicional. Os professores não conhecem e não querem conhecer o Movimento. Eles querem apenas receber o deles no final do mês! Incentivam as crianças a ir para a cidade. Queremos que elas valorizem a terra! Tínhamos professores formados em pedagogia e magistério aqui no assentamento e não foi permitido que lecionassem aqui. Eles ensinam em outras escolas tradicionais. A administração pública ainda não entendeu a pedagogia do movimento. Os professores reclamam que as crianças não ficam quietas, não obedecem, mas aqui não é essa a relação de obediência, as crianças têm de questionar, perguntar o que está acontecendo!", diz Leonildo Zang, assentado que cuida da farmácia alternativa (ervas e chás).
A Jornada pela Reforma Agrária cuida – entre outras coisas – da vistoria dessas escolas, escuta a reclamação das crianças, discute as possíveis soluções. Em um galpão desativado no próprio assentamento de Viamão, onde fazia muito frio apesar do sol forte, frei Laodino celebrava o término do evento, num breve e coerente sermão comparativo entre Moisés e a peregrinação no deserto e a luta pela terra.
Alguns hinos à reforma agrária tocados na viola eram acompanhados pelos presentes. Uma mulher se emociona contando sobre o terrível caso em que os capangas de uma fazenda envenenaram a água de um rio que supria um dos acampamentos, matando oito crianças. O silêncio toma conta do galpão.
Certa hora, o frei nos chama para explicar o que fazíamos ali. Com algumas tímidas palavras nos apresentamos, e por sermos da Caros Amigos fomos abençoados. "Se vocês fossem de outro jornal, expulsaríamos vocês! Os repórteres costumam entrar sem ser convidados, ficam cinco minutos, depois massacram a gente!", brinca o frei.
A jornada pela reforma agrária é feita periodicamente nos assentamentos. No de Viamão, em especial, o que se nota é que grande parte das dificuldades reside no fato de não trabalharem em conjunto; cada família tem seu pedaço de terra, planta e vive de forma independente, divergindo da principal proposta do Movimento Sem Terra, que é a vida socialista.
A aluna Edinéia Padilha, de 11 anos, diz que os professores e diretores da escola onde estuda (tradicional da rede pública) tratam mal os filhos dos assentados (apesar de a escola estar em terreno do assentamento, crianças dos lugares vizinhos freqüentam as aulas) e deixam qualquer pessoa se matricular ali.
E completa: "Eu já sei de tempos o que estou aprendendo lá! A gente só vê televisão, passa de ano mas passa burro! Quando tiver 18 anos, o que vai ser? Teve um dia que a gente colou cartazes escrito: ‘Menos cafezinho, mais atenção aos alunos e funcionários!’"
A expressão muda quando ela fala da época em que tinha aulas na escola itinerante do acampamento: "Lá, os professores eram legais, conversavam com a gente! A gente não tinha mesa, cadeira, sentava debaixo de uma árvore, apoiava o caderno no chão e aprendia muito mais!"
Segundo as educadoras (orgulhosas), as crianças que passaram pelas escolas do Movimento são ótimas alunas quando vão estudar na cidade. "Dão um pouco mais de trabalho para os professores... pois questionam, debatem, mas tiram de letra as matérias da escola tradicional."
Porém – e sempre há algum –, as crianças vivem um verdadeiro impasse quando têm de ir para a cidade completar os estudos, já que a maioria das escolas do Movimento educa só até a 8a série. Sofrem preconceito por parte dos demais alunos, que os chamam de "camponesezinhos sem terra ", e até por parte dos professores.
Isso resulta em uma mudança no comportamento de alguns adolescentes. "Fazendo uma comparação, nós somos como uma mulher que luta de estilingue contra o soldado com a metralhadora! O trabalho que a mídia, a televisão e as novelas fazem acaba com tudo o que plantamos neles! O aluno chega em um lugar diferente onde não conhece ninguém, e já é discriminado só pelo fato de ser do campo, imagine então sendo sem-terra! Para fazer amigos, ele ignora seus valores e incorpora uma outra cultura. Os valores que a gente levou anos para plantar na cabeça deles, a mídia tira em segundos", lamenta Juarez Cornelli, da Ramada.
Outros jovens acabam por desistir dos estudos na cidade e esperam ter idade para fazer um curso técnico em agronomia, ou se formar educador (quatro anos de curso) pelo próprio Movimento.
O que não se nega é a forte ênfase da filosofia do Movimento no ensino das crianças acampadas, que têm o orgulho de ser sem-terra, a revolta de ver "tanta terra para uma vaca, sendo que tem um monte de trabalhador passando fome", o amor à terra e o viver em conjunto. Tudo se pensa em conjunto e se vive em conjunto. Às crianças que já nasceram no assentamento, os pais contam histórias de sua luta, levam-nas para visitar os acampamentos e até montam barracas onde passam alguns dias lembrando da peregrinação pela terra.
"Muitos pais não agüentam e caem no choro!", diz Loa, assentado na Coopac, um modelo de assentamento em cooperativa onde mulheres, crianças e homens, independentemente da função, têm igual remuneração por hora de trabalho.
Quem convive, ainda que por um breve período, com essas crianças não consegue não se apaixonar. São doces, conversam de igual para igual, têm consciência crítica, opinião, mas ainda assim são crianças. Sem "Walt Disney", sem a erotização precoce, a sede de consumo, a malemolência dos videogames ou os "midiotóxicos globais" aos quais as crias urbanas são submetidas.
A "moral da história", a conclusão a que se chega a respeito do Movimento e do tratamento com as crianças é a de que – puxa ! – o socialismo existe e funciona mesmo! Claro que não vivem em um jardim encantado. Claro que são privadas dos luxos que o dinheiro compra; e que são filhos de uma desigualdade social, de uma reforma agrária que ainda não aconteceu. Mas, se elas próprias não se mostram assim, não reclamam, não se vitimam, quem o pode fazer? A mídia, com a comercialização e espetacularização de uma miséria virtual?
Os "sem-terrinha" são crianças na melhor definição de "projeto de gente em execução". A diferença é que não querem balas. Querem terra.

Andréa Dip é estudante de jornalismo.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4847