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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Brasil/Golpe: O DESASTRE SOCIAL COMO PROGRAMA DE GOVERNO*

21 setembro 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Cada pronunciamento da direita (em especial os tucanos) sobre o seu programa de governo ressalta aspectos da história política e econômica brasileira que resultaram em estrondosos desastres sociais. Essa prática tem sido sistemática nesse momento em que os oportunistas de plantão, de todas asmatizes, se apresentam como alternativa de governo caso eles consigam, pela via golpista, interromper o ciclo iniciado no Brasil com a eleição presidencial de Lula em 2002.

Por
Osvaldo Bertolino*


Até a década de 1980, era comum no Brasil o portador de algum capital aplicá-lo de modo geral em um negócio. Um bar, restaurante ou armazém de esquina, uma oficina, um salão de beleza ou algo do mesmo porte. Durante a “era neoliberal”, que se estendeu até 2002, o desmonte nacional podou o ânimo empreendedor dos brasileiros. Valia mais a pena aplicar o capital acumulado, por pouco que fosse, na ciranda financeira.

Os ganhos eram no mínimo compatíveis, e os riscos muito menores. Há, no entanto, os que, mesmo desempregados, insistiram em empreender em vez de especular: abriram videolocadoras, lojas de roupa em shopping centers, confecções, academias de ginástica. Mas poucos

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Angola/OS LIMITES DA TOLERÂNCIA

24 fevereiro 2014, Jornal de Angola EDITORIAL http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Os Aliados derrotaram o nazismo e o fascismo na II Guerra Mundial mas não se limitaram a obrigar os derrotados a assinar a capitulação.

Os horrores cometidos pelo regime de Hitler e Mussolini foram tantos, a Humanidade foi de tal forma dilacerada, que os políticos da época tomaram medidas legais para que nunca mais nenhum líder político ousasse exterminar seres humanos em nome da supremacia de uma raça e a pureza de uma ideologia. As Leis Fundamentais passaram a incluir um artigo onde é taxativamente proibido propagandear e defender a ideologia nazi e fascista.

O Tribunal de Nuremberga julgou os dirigentes do III Reich e os que tiveram mais responsabilidades no governo da Alemanha nazi foram condenados a prisão perpétua. Ainda hoje, guardas dos campos de extermínio e funcionários do regime são presos e condenados. Não pode haver contemplações para com aqueles que ocuparam países soberanos, exterminaram milhões de seres humanos, provocaram o êxodo de outros tantos, para dominarem o mundo extinguindo a democracia e irradiando a liberdade.

Angola viveu esses anos particularmente dolorosos sob o regime fascista de Lisboa, que fez do nosso país um imenso campo de concentração e não hesitou em recorrer ao extermínio daqueles que se opuseram à ocupação estrangeira. Mas o regime salazarista também flagelou os portugueses, enviou-os para o Tarrafal ou assassinou os democratas. Por isso, a Constituição da República Portuguesa saída do 25 de Abril proíbe a propagação da ideologia fascista. A democracia tem que se defender dos seus inimigos jurados, que tudo fazem para destruí-la.

Jonas Savimbi destruiu Angola. Exterminou milhares de angolanos. Provocou o êxodo de milhões, escorraçados pelos seus esquadrões de extermínio. Destruiu escolas, hospitais, igrejas, edifícios públicos, pontes, portos, aeroportos, barragens, caminhos-de-ferro. Nem os fundos do “Plano Marshal” conseguiriam cobrir tantos estragos. Hitler fez tudo isso é nome de uma Alemanha imperial. Savimbi queria apenas a cadeira do poder. Hitler defendia o nacional-socialismo. Savimbi só queria dividir Angola. O seu programa máximo era criar uma “república negra” a Sul do Kwanza.

Hitler partiu para o extermínio e destruição de países e povos

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Brasil/Emendas que não interessam aos pobres estão "desfigurando" a Constituição, diz dom Tomás Balduíno



24 abril 2013, Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br (Brasil)

Alex Rodrigues

Brasília – Militante histórico de causas sociais, o bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno, disse hoje (24), que a Constituição Federal vem sendo “desfigurada” para atender a interesses que nada têm que ver com a parcela da população mais pobre.

“Nossa Constituição Federal já não pode mais ser chamada de Constituição Cidadã, pois é vítima das emendas que atendem a interesses que não são os da [parcela da] sociedade mais carente, aquela que mais necessita do apoio do Estado".

sábado, 22 de agosto de 2009

Brasil/Era das Utopias: Minissérie aborda mudanças pós 2ª guerra

19 de Agosto de 2009/Vemelho http://www.vermelho.org.br

A minissérie "Era das Utopias", idealizada e dirigida pelo cineasta Silvio Tendler, estreia dia 31 de agosto na TV Brasil. Dividida em seis capítulos, a obra retrata as principais transformações sociais, econômicas, culturais e artísticas após a Segunda Guerra Mundial. O programa é um dos destaques do projeto de renovação da programação da emissora.

Utopia. O substantivo vem das palavras gregas ou e topos, que significam sem lugar. Refere-se a um lugar ou posição ideal, ainda não atingido. Sonho impossível de realizar. Ideal inatingível.

A utopia pela igualdade entre os homens inspirou gerações. O mundo soviético inspirou os sonhadores. Com o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos são a potência emergente. O american way of life passa a ser o modelo de civilização, quase uma norma. O mundo assiste a um confronto cultural, social, religioso, político e ideológico.

"Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias. São vinte anos de pesquisa em torno destas questões ideológicas que pautaram minha geração", conta Silvio Tendler. Foi nessa época, há vinte anos, que Tendler começou a catalogar e organizar as utopias de sua geração.

Para ele, utopia é a palavra mais utilizada nesses últimos tempos e é um assunto que sempre o fascinou. “Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias, na questão da história, e corri atrás desta construção pelo mundo afora”. A construção à qual Tendler se refere é Era das Utopias - a nova minissérie da TV Brasil.

A série pretende retratar, além das principais transformações após a Segunda Guerra Mundial, as utopias que foram criadas neste período e as barbáries que o pontuaram. A série descreve o desmantelamento das utopias vigentes em 1968 e a criação das novas utopias que se consolidaram no mundo contemporâneo.

Os primeiros capítulos tratam do surgimento da utopia socialista e todas as suas consequências durante o século XX. Já os capítulos referentes à utopia capitalista mostrarão a derrocada do Socialismo com a queda do muro de Berlim, em 1989; os desdobramentos gerados e, tantos outros fatos que levaram às novas utopias, derivadas do conflito entre novas tecnologias e velhas mazelas. Para Tendler, a luta das atuais gerações é a preservação do planeta.

Era das Utopias mostrará algumas imagens de arquivo, além de imagens e entrevistas inéditas de intelectuais, artistas e personagens do período, como: Apolônio de Carvalho, Albert Jacquard, Eduardo Galeano, Ferreira Gullar, Gillo Pontecorvo, Jacob Gorender, Noam Chomsky, Jaguar, Augusto Boal, Edgar Morin, Sérgio Cabral, Susan Sontag, Tom Zé, Amos Gitai, entre outros.

Dono de um jeito de fazer cinema denominado de “câmera cidadã” por colegas de profissão, Silvio conta que até começar a produzir o longa “Utopia e Barbárie” - que é a ancora da minissérie - percebeu que não se falava muito em utopia, até então.

“Eu acho que a ideologia e a utopia têm uma relação íntima. É uma relação promíscua. Quando você está falando de utopia, você está defendendo ideias, quando você está falando em ideologia, você está defendendo utopias, então eu acho que é este casamento que é fundamental e que eu estou tentando trabalhar na Era das Utopias”.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cumbre de la ONU sobre crisis capitalista





Rafael Correa: ''Ya es un éxito el hecho de que nos atrevemos a pensar y contraponer ideas'' . (Foto: teleSUR)

25 junho 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El presidente de Ecuador, Rafael Correa, aseguró que el sólo hecho de que los líderes que asistieron a la Cumbre de la Organización de Naciones Unidas (ONU) sobre la crisis capitalista internacional "nos atrevamos a pensar y contraponer ideas" a los grupos de poder establecidos como el G20 "que se creen dueños del mundo", ya representa un éxito, pese a que muchos países no asistieron al foro por razones ideológicas y por el temor de que se criticara al sistema capitalista.

En entrevista exclusiva con teleSUR desde la ciudad de Nueva York, al noreste de Estados Unidos, donde se desarrolla la reunión internacional, Correa se mostró esperanzado de que de este foro saldrán ideas valiosas que deben monitorearse e implementarse.

"Creo que de todos modos la Asamblea es un éxito y van a salir de aquí muchas ideas que deben monitorearse, que deben implementarse, pero ya es un éxito el hecho de que nos atrevemos a pensar y contraponer ideas en nuestra postura a ese grupo exclusivo de los 20 (...) G20 que se creen dueños del mundo y que tienen la respuesta para todo y muchos son culpables de lo que está pasando", indicó.

Al ser cuestionado sobre el por qué algunos países miembros de las Naciones Unidas decidieron no asistir a una reunión de esta envergadura, donde se discuten las causas, consecuencias y soluciones para salir de la crisis financiera internacional, Correa opinó que esto es un tema de "fundamentalismo ideológico" y de "pequeñez de visión", pues temían que se criticara al sistema capitalista, algo que dijo, que si sucede "bien merecido que se lo tiene el sistema que está colapsando y que nos tiene en esta crítica".

Otra causa de que la lista de asistencia esté incompleta, según Correa podría responder a "intereses muy concretos y a gobiernos, que representan no a sus pueblos, si no a ciertas oligarquías. Cuando no se puede vivir como se piensa y se empieza a pensar como se vive y se hacen todas estas construcciones ideológicas para defender el estatus quo, y que nada cambie, y mantener mis privilegios", enfatizó.

Falta de espíritu democrático
Sobre la situación política por la que atraviesa Honduras, la cual el presidente de ese país centroamericano, Manuel Zelaya, ha denunciado como un "golpe de Estado técnico", Correa dijo no comprender "esa falta de espíritu democrático", aunque sí dijo saber de cuál sector proviene esa estrategia: "las oligarquías de siempre, a los poderes fácticos que no quieren que nada cambie en América Latina".

"Nosotros enfrentamos lo mismo cuando llamamos a una consulta popular en abril de 2007, para que el pueblo se pronunciara si quería una Asamblea Nacional Constituyente para tener una nueva Constitución. (La iniciativa) Tuvo toda clase de obstáculos (...) formalismos legales de los que son tan cuidadosos estas élites cuando les conviene a sus intereses, porque cuando no les conviene pisotean todo", recordó el mandatario.

"En todo caso me cuesta entender esa falta de espíritu democrático y ojalá que todo suceda en calma y en paz en Honduras y que el pueblo se pueda pronunciar y que los actores políticos respeten el derecho del ciudadano a pronunciarse en las urnas", añadió.

Adhesión a la ALBA
Con el presidente Correa teleSUR también conversó sobre el tema de la adhesión de su país a la Alianza Bolivariana para los pueblos de Nuestra América (ALBA), rubrica el miércoles en la VI Cumbre Extraordinaria del foro, realizada en la venezolana ciudad de Maracay (norte).

Para Rafael Correa, que ha definidp a su gobierno como socialista, la anexión a la ALBA fue "muy fructífera", al igual que la cumbre. Explicó que hasta ahora este bloque de cooperación se había enfocado prácticamente sólo en el tema político, pero advirtió que esto debe cambiar y el grupo debe "avanzar un poco más también en cuestiones de integración energética, intereses informativos, porque ni siquiera tenemos comunicación directa entre los presidentes de la región, ni dentro del ALBA, políticas coordinadas a nivel social", entre otros aspectos.

Con un tono un poco risueño, Correa recordó la evolución desde que se le propusiera a su país formar parte de la alianza, hasta que finalmente decidió dar el Sí.

"Al principio, medio en broma, medio en serio, condicioné al presidente (venezolano, Hugo) Chávez, que yo ingresaba al ALBA si él ingresaba a la CAN (Comunidad Andina) y nos pasamos en eso un año e insisto, medio en broma, medio en serio. Después de ver como estaba funcionando la CAN, pues, ya dejé de insistirle en que reingresara a la CAN, entonces ese también fue un factor para tomar nuestra decisión", relató.

En medio de estos recuerdos sobre el camino hacia la ALBA, Correa insistió en que la CAN hay que hay que revisar profundamente su razón de ser poruqe "de otra forma es mejor decir bueno, muchas gracias, no gastemos la plata de nuestro pueblo en burocracia inútil y vámonos a la casa. Creo que la CAN requiere una transformación profunda".

Otro de los factores que empujaron al Ejecutivo de Quito a decidirse, fue, de acuerdo a Correa, como poco a poco la ALBA fue consolidándose, porque al principio "se veían ambiguedades", hasta que el grupo alcanzó "definiciones concretas".

"ALBA ha sido un proceso en construcción, entonces hasta que se consolidó, hasta que estuvieron más claras las cosas tomó su tiempo, al principio como que se veían ambiguedades. Entonces cuando las cosas estuvieron más claras, la orientación del ALBA, definiciones concretas, bueno con todo gusto nos integramos a ese espacio de países amigos", concretó.

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terça-feira, 31 de março de 2009

Bispo português aconselha a pacientes com Aids que usem preservativos

28 março 2009

Lisboa, Portugal (AFP) — O bispo católico português Ilidio Leandro afirmou, em mensagem divulgada pela internet, que os pacientes com Aids devem usar preservativos se decidirem manter relações sexuais, dias depois do escândalo causado pelas declarações do Papa Bento XVI nesse sentido quando viajava à África.
A pessoa infectada com o vírus HIV "que não pode evitar ter relações sexuais está moralmente obrigada, para não transmitir a doença, a usar preservativo", escreveu o monsenhor Ilidio Leandro, da diocese de Viseu (centro de Portugal).
O prelado afirma, no entanto, que compreende a posição de Bento XVI.
"Quando o Papa fala da Aids e de outros aspectos da vida humana, não pode estabelecer uma doutrina para situações individuais ou casos concretos", explicou o monsenhor ao jornal Diario de Noticias. "O Papa não poderia dizer outra coisa sendo chefe da Igreja católica", acrescentou, dizendo não temer que suas declarações vão provocar outra polêmica.
O início da viagem do Sumo Pontífice pelo continente africano foi marcado por suas polêmicas declarações sobre o uso de preservativos, quando afirmou que não se podia "solucionar o problema da Aids", pandemia devastadora na África, "com a distribuição de preservativos". "Ao contrário, sua utilização agrava o problema", enfatizou.
Isso levou à reação de várias ONGs, como o Movimento Camaronês pelo Acesso aos Tratamentos (MOCPAT).
"O Papa vive no século XXI?", questionou seu diretor, Alain Fogue. "As pessoas não vão fazer o que o Papa disse. Ele vive no céu e nós vivemos na Terra", acrescentou.
Na véspera, uma das publicações médicas mais respeitadas do mundo, a revista britânica Lancet, acusou Papa Bento XVI de ter distorcido as evidências científicas em suas declarações sobre o uso do preservativo e exigiu que faça uma retratação.
"Ao dizer que os preservativos aumentam o problema do HIV/Aids, o Papa publicamente distorceu evidências científicas para promover a doutrina católica nessa questão", afirmou a Lancet nesse artigo.
"Se o erro do Papa se deveu à ignorância ou a uma tentativa deliberada de manipular a ciência para sustentar a ideologia católica não é claro.
A publicação britânica acrescenta: "Quando uma pessoa influente, seja uma figura religiosa ou política, faz uma falsa declaração científica que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, ela deveria se retratar".
"Qualquer coisa a menos da parte do Papa Bento XVI seria um imenso desserviço ao público e aos defensores da saúde, incluindo milhares de católicos que trabalham incansavelmente para tentar evitar a propagação do HIV/Aids no mundo".


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Publicação médica acusa papa de 'distorcer ciência'

27 março 2009/Globo

Uma das publicações médicas com maior prestígio internacional, a The Lancet, acusou o papa Bento 16 de "distorcer a ciência" em seus comentários sobre a eficiência do uso de preservativo no combate à Aids.
Em editorial divulgado nesta sexta-feira, a The Lancet afirma que um recente comentário de Bento 16 - de que as camisinhas exacerbam o problema da Aids - é errado, escandaloso e pode ter consequências devastadoras.
Em recente viagem para a África, o papa disse que a "cruel epidemia" deveria ser combatida com a abstinência e a fidelidade e não com o uso de preservativos.
Bento 16 afirmou que a Aids é "uma tragédia que não pode ser superada apenas com dinheiro e que não pode ser superada com a distribuição de preservativos, que podem até aumentar o problema".
Leia mais na BBC Brasil sobre a declaração do papa
Segundo a The Lancet, o papa "distorceu publicamente provas científicas para promover a doutrina católica nesta questão".
De acordo com a revista, o preservativo masculino é a maneira mais eficiente de reduzir a transmissão sexual do vírus HIV.
"Não está claro se o erro do papa se deve à ignorância ou uma deliberada tentativa de manipular a ciência para apoiar a ideologia católica", diz o editorial.
"Quando qualquer pessoa influente, seja uma figura política ou religiosa, faz uma declaração científica falsa que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, elas devem se retratar ou corrigir o registro público."
A revista afirma que qualquer coisa menor que uma retratação "seria um imenso desserviço ao público e defensores da saúde, inclusive milhares de católicos, que trabalham incansavelmente em vários países para tentar evitar que o HIV se espalhe".

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Brasil/ESCOLA LIBERTADORA

Antônio Mesquita Galvão *

(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
20 fevereiro 2009/ADITAL http://www.adital.com.br

Adital - No meio do tiroteio entre a intelligentzia oficial e o MST, os filhos de acampados, usuários das "escolas itinerantes" vão inaugurar nova categoria de excluídos: os "sem-escola". Há tempos, li uma matéria denunciando o Ministério Público que, nas fráguas do deslumbramento do poder, excede suas funções, assumindo, em alguns casos, atitudes policialescas e até julgadoras. Para esta avaliação, é salutar lembrar que vivemos em um país que promove o direito antes da justiça.
Em um dos jornais da capital li uma matéria onde um integrante do Ministério Público, promotor ou procurador, não recordo, usa velhos e anacrônicos clichês, como "lavagens cerebrais", "sociedade socialista". Só faltou falar em "comerem criancinhas". O artigo aludido é sofista e tendencioso, na medida em que rejeita o uso do dinheiro público para educar aquelas crianças, mas deixa de falar na inércia oficial de promover, com o mesmo direito, uma reforma agrária justa.
Dom Xavier Giles, Secretário Geral da CPT (Comissão Pastoral da Terra), que é um bispo da Igreja Católica, e não um "padreco" como foi chamado desrespeitosamente pelo promotor aludido, tachou a intenção de fechar as "escolas itinerantes" de terrorismo, escândalo e desrespeito. Já imaginaram se o prelado classificasse o bacharel de forma igualmente desrespeitosa? Seria preso e processado. O funcionário público não está acima da lei e da ética para desrespeitar as pessoas. Esses destemperos verbais revelam a insegurança no trato da questão.
Fechar uma fonte de ensino, sem que se ofereçam alternativas, fere os princípios democráticos. Talvez seja melhor um "ensino a Fidel Castro" (que não é o caso) como foi falado, do que um estilo gaúcho, onde historicamente a SEC, dando mau exemplo, não se acerta com seus professores.
O promotor em debate parece defasado politicamente, quando fala em marxismo, conteúdo há muito superado. Alienante é a forma de ensino praticado pelos meios oficiais, onde o "politicamente correto" cria gerações sem iniciativa, sem senso crítico, individualistas, onde ninguém pensa no coletivo.
Fechar as escolas será mais um golpe, aplicado à sorrelfa contra os movimentos populares. As crianças que sempre estudaram em acampamentos terão duas opções: ou deixam de estudar (o poder adora analfabetos, pois são manipuláveis) ou vão ter que caminhar quilômetros até as escolas "regulares". Isto é autoritarismo! O poder não quer jovens que pensem, mas que estejam embretados nos trilhos do "saber oficial" para reproduzir clichês alienantes e alienados.
Paulo Freire disse que "a educação deve ser libertadora ou não é educação". Só liberta o sistema que ensina a pensar, a buscar o senso crítico e a julgar. Os governos adoram servir "pratos feitos".
Por conta do patrulhamento da mídia neoliberal, do recuo da Teologia da Libertação e da imposição de uma ideologia que demoniza os movimentos populares, é que o Brasil não tem consciência social, sendo refém do status quo que valida políticas desastradas.

* Doutor em Teologia Moral

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